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O CIENTISTA AGNÓSTICO QUE AMAVA A IGREJA CATÓLICA

19 de fev. de 2022
3 min de leitura

[O biólogo francês Luc Montagnier, agnóstico, morreu na última semana, aos 89 anos. Mais precisamente, no dia 8 de fevereiro de 2022. Recebeu o Prêmio Nobel de Medicina por liderar pesquisas sobre a descoberta do vírus da AIDS. Era um homem sem fé, mas o texto abaixo revela o respeito que tinha pela Igreja Católica, em especial pelas aparições marianas de Lourdes].

O debate sobre as aparições e curas em Lourdes dura há décadas, e o desprezo e as críticas dos ateus mais beligerantes contrastam com o respeito e consideração de profissionais de reconhecido prestígio, face a um fenómeno religioso que não deixa ninguém indiferente. Como exemplo, cite-se o Prémio Nobel da Medicina, e Prémio Príncipe de Astúrias, Jean-Luc Montagnier. Este médico francês [recentemente falecido] tornou-se famoso por ter descoberto o vírus do HIV bem como outros importantes contributos para a ciência.

É de extremo interesse conhecer a opinião de este reconhecido cientista, e ex-diretor do Instituto Pasteur, acerca de Lourdes, um lugar que exige ter uma enorme fé. Esta opinião ficou registrada no livro que recolhe os diálogos entre Montagnier e o monge cisterciense Michel Niassaut, sob o título Le Moine et le Nobel.

Num momento específico, a conversa versou acerca das curas inexplicáveis em Lourdes. Que opinião teria um Nobel da Medicina e não-crente sobre o assunto? A sua resposta significaria um exemplo de coerência para o mundo da ciência. “Quando um fenômeno é inexplicável, se realmente existe, não há necessidade de negar nada”, afirmou peremptoriamente Luc Montagnier. E continuando neste sentido, o Nobel da Medicina assegurou que “nos milagres de Lourdes há algo inexplicável”.

Além disso, Montagnier critica a conduta de alguns dos seus colegas, e diz neste livro que “muitos cientistas cometem o erro de rejeitar o que não entendem. Não gosto dessa atitude. Frequentemente cito a frase do astrofísico Carl Sagan: ‘A ausência de prova não é prova de ausência’”.

“Os Milagres são inexplicáveis”. Neste sentido, acrescentou ,“relativamente aos milagres de Lourdes que estudei, creio que realmente se trata de algo inexplicável (…) Não consigo entender estes milagres mas reconheço que há curas que não estão previstas no estado actual da ciência”.

Tendo sido quem descobriu o vírus do HIV, Montagnier teve uma enorme relevância na segunda metade do século XX e, apesar das críticas tradicionais do mundo anticatólico referentes ao posicionamento da Igreja face à Aids, este cientista louva o papel do mundo católico face a estes dramas.

De fato, relata que “o meu colega dos Estados Unidos da América, Robert Gallo, teve uma audiência com o Papa (João Paulo II), tentando perceber qual o modo em que seria possível aumentar a nossa colaboração com as equipes que trabalham na sombra nas missões Católicas em África. Ali tratam-se pessoas infectadas com Aids e faz-se prevenção contra a propagação do vírus”.

Este importante, e muitas vezes esquecido, trabalho, é muito destacado por este Prémio Nobel. “As ordens religiosas cristãs têm um papel muito positivo no cuidado dos doentes. Reconheço que, no âmbito da atenção hospitalar, a Igreja foi pioneira”.

“Pude contactar de perto, ao longo destes largos anos de investigação sobre a Aids, e sobretudo ao princípio, com pacientes condenados a uma morte inevitável. Frequentemente, a fé e proximidade da Igreja ajudaram-nos a fazer frente à doença, e com que cada doente não se sentisse abandonado. Foi por esta experiência que sempre reconheci a contribuição pioneira e inestimável da Igreja no campo da atenção hospitalar”, afirmou o cientista francês.

A estima do agnóstico Montagnier pela Igreja é grande. Inclusive ofereceu-se, e ajudou a João Paulo II, a travar o avanço do Parkinson de que sofria. Na sua opinião, se os valores cristãos prevalecessem no mundo, o planeta ganhara imenso. “Há 2000 milhões de cristãos, de entre os quais 1100 são católicos. Os seus bons sentimentos fazem-se presentes” mas não são os que governam o mundo. Seria bom, considera, que o amor ao próximo conduzisse o mundo”. [Tradução de João Silveira]


 
 
 

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