O crescimento do cristianismo e a mulher
O crescimento do cristianismo e a mulher
O cristianismo deve seu crescimento e desenvolvimento em boa parte à participação feminina. Muitos têm a tendência de achar que não havia participação de mulheres nos movimentos cristãos, principalmente antigamente. Mas desde o início, a participação feminina foi numerosa e importante, e vou tentar de modo breve demonstrar como e porquê.
No Novo Testamento já podemos ver como o papel das mulheres era importante. Nos capítulos da epístola de Paulo aos romanos, escrita na década de 50 d.C, Paulo saúda pelo menos 15 mulheres e 18 homens que tinham posição de liderança na congregação romana. Inclusive Febe, diaconisa da igreja em Cencréia. Em Atos vemos Lídia, mercadora de púrpura batizada por Paulo, a qual reunia em sua casa em Filipos uma congregação. Lídia inclusive enviava ajuda financeira à Paulo durante suas viagens missionárias. Joana (esposa de Cuza) e Susana, são mulheres citadas nos evangelhos como financiadoras do movimento cristão apostólico, que “serviam a Cristo com seus haveres”. E também Maria, mãe de Marcos, que disponibilizava sua casa para receber as reuniões cristãs.
Mesmo em fontes extra-bíblicas, como as cartas de Plínio (jovem governador da Bitínia no ano de 110 d.C, que escreveu ao imperador romano Trajano), foram relatadas torturas em duas mulheres chamadas de “diaconisas”. Isso já demonstra como as mulheres estavam presentes em bom número nos círculos cristãos desde o início e eram engrenagens fundamentais do movimento.
Vemos então, desde os primórdios, a atração que o cristianismo exercia sobre as mulheres. O grande historiador de Cambridge, Henry Chadwick (1920-2008), observou: “O cristianismo parece ter sido especialmente bem sucedido entre as mulheres…” E o famoso teólogo e historiador Adolf von Harnack (1851-1930) demonstra: “A pregação cristã foi adotada pelas mulheres em particular. A porcentagem de mulheres cristãs entre as classes mais altas era muito superior que as dos homens.” Isso foi confirmado recentemente por uma amostra de Romanos da classe senatorial que viveram entre 283 e 423 d.C, em que 50% dos homens e 85% das mulheres eram cristãos. As mulheres cristãs eram tão numerosas que muitos romanos desprezavam o cristianismo por considerá-lo uma “religião de mulheres”.
A questão que fica é: por quê? Por que as mulheres eram tão atraídas ao cristianismo? Elas eram atraídas porque o cristianismo lhes oferecia uma vida muito superior a que elas normalmente teriam em outras culturas. Na sociedade greco-romana, a vida das mulheres não era fácil, elas não escolhiam com quem casar, as vezes eram forçadas a abortar ou abandonar filhos recém-nascidos – principalmente se fossem do sexo feminino, o marido podia divorciar-se facilmente ou ter várias amantes, e geralmente elas não possuíam direitos de propriedade privada. Com a ascensão do cristianismo, muita coisa mudou. Como já havia escrito o apóstolo Paulo: ” Não há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” Gálatas 3:28 O ideal de igualdade cristão transformou as sociedades e causou grande impacto na transformação na vida das mulheres.
Por exemplo, a superioridade da mulher cristã começava no nascimento. Era comum, por decisão paterna, abandonar o recém nascido do sexo feminino à morte. O cristianismo condenou e combateu essa prática. Toda forma de infanticídio foi condenada, o que favoreceu mais nascimentos, principalmente de bebês do sexo feminino.
Em relação ao casamento, pesquisas baseadas em inscrições funerárias e literatura da época, mostram que as mulheres cristãs se casavam mais tarde que as pagãs. Era costume muito comum para a mulher se casar nova, mas em algumas sociedades pagãs, algumas meninas eram forçadas a se casar com 11 ou 12 anos.
Jesus já pregava contra o divórcio nos evangelhos, a Igreja e o movimento cristão seguindo esse pensamento, condenou o divórcio, proibindo que o marido abandonasse o lar. O que deu muito mais segurança as mulheres, que muitas vezes eram abandonadas sem motivos e sem direito a nada. A santificação do matrimônio e a condenação do divórcio deu estabilidade ao lar, ajudando a criar família sólidas e bem estruturadas.
As mulheres passaram a formar comunidades religiosas dotadas de governo próprio, algo inusitado em qualquer cultura do mundo antigo. Elas dirigiam as próprias escolas, conventos, orfanatos e hospitais. Só para citar algumas do período medieval: Hildegarda de Bingen, Catarina de Sena, Clara de Assis, Teresa D’Avila… A história de mulheres mártires, santas, inundaram a Europa desde os primeiros séculos. Suas vidas eram objeto de estudo, contemplação e admiração, elas foram exemplos em diversas áreas.
Infelizmente não há espaço o suficiente para abordar todas as épocas e citar todas as enormes contribuições que as mulheres proporcionaram ao cristianismo e vice-versa. O cristianismo melhorou a vida da mulher, lhe trouxe graça e dignidade, lhe proporcionou mais liberdade do que qualquer outro movimento. Não se engane com movimentos modernos que dizem “lutar pela mulher”, mas as impedem de pensar, de seguir sua religião, de ser contra o aborto e em favor da unidade familiar. Esse movimento só quer escravizar a mente de mulheres desiludidas, usam muitas vezes um um coração machucado e ressentido como bandeira, exploram a dor como propaganda ideológica e, no fundo, criam ainda mais vazio e sofrimento.
Só Cristo tem o poder da verdadeira transformação de vida e só através Dele o mundo pode sonhar em melhorar. Não tem como mudar o mundo sem mudar a nós mesmos. Não foi a toa que um movimento iniciado nos confins da Terra abalou as estruturas sociais, mudou o mundo e melhorou a vida de milhões de pessoas. Cristo transforma vidas, vidas transformam o mundo.
“e não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12:2
[ O CAMINHO ]
Texto baseado no livro The Triumph of Christianity, do sociólogo e professor americano de religião comparada Rodney Stark.
















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