O grande cisma do Ocidente
Vamos falar hoje um pouco sobre um importante evento na história da Igreja que nem todos conhecem, o cisma do ocidente. Para entender o grande cisma do ocidente, temos que voltar um pouco no tempo. No século XIV o então rei da França Felipe IV, o belo, resolveu cobrar impostos do clero, seu país atravessava uma grave crise e ele viu nisso uma forma de recuperar o caixa do país. Lembremos que é esse mesmo rei que irá dissolver a ordem dos cavaleiros templários e confiscar os seus bens, mas isso é assunto para outro dia.
A cobrança de imposto do clero era contra as leis da época, o então papa Bonifácio VIII se manifestou de forma veemente contra a atitude do rei. O rei tentou convocar um concílio para depor o papa, sem sucesso, então enviou suas tropas a cidade de Anagni para ameaça-lo, o que resultou numa grande confusão onde o papa foi espancado, coincidência ou não, o papa Bonifácio morreu um mês após esse evento.
Os cardeais elegeram um novo papa, Clemente V, que devido a grande instabilidade política em Roma, decide permanecer na França, na cidade de Avingnon. O que era para ser passageiro levou 70 anos, e somente em 1376 o papa Gregório XI retorna de vez a Roma. Dando fim ao que ficou conhecido com “cativeiro de Avingnon”.
Quando o papa Gregório XI morre em 1378, o povo de Roma fica muito receoso de que o novo papa retorne para Avingnon, e começam um série de tumultos para que se eleja um papa italiano. No meio dessa confusão, é eleito o novo papa italiano Urbano VI.
Urbano VI é um homem rigoroso, ascético e irascível, os cardeais passam a se afastar dele, temendo seu o temperamento e também perder certos privilégios, e acabam se revoltando contra o papa. Secretamente os cardeais se reúnem em concílio e elegem um novo papa (antipapa), Clemente VII, que retorna com os cardeais para Avingnon. Isso dá início ao grande cisma do ocidente, que durará 40 anos. A Igreja agora tem dois papas, e em breve terá um terceiro.
Após muitas trocas de acusações, ameaças e manobras políticas durante anos, um concílio foi reunido em Pisa no ano de 1409 para tentar resolver esse impasse, mas quando parecia que tudo ia dar certo, um terceiro papa surge, a Gregório XII e Bento XIII ajuntou-se mais uma cabeça, Alexandre V. A igreja tem agora três papas.
O rei da Boêmia resolve intervir, obriga a convocação de um concílio que se realizará em na cidade de Constança em 1414. Levou-se anos, e após muita disputa os 3 papas foram depostos e Martinho V é eleito único papa em 1417, dando fim a quase 40 anos de cisma. Como consequência dessa grave crise, a imagem da Igreja ficou bem arranhada na época.
Tenha em mente que o contexto da Europa daquela época agravou ainda mais as coisas. Em 1350 a peste negra varreu a Europa, deixando milhões de mortos, inclusive boa parte do clero, os melhores padres e bispos que sairam a cuidar dos doentes morreram. A guerra dos 100 anos, uma série de conflitos travados de 1337 a 1453 entre os reinos da França e Inglaterra exaltou as disputas políticas e os ânimos nacionalistas. Junte a isso a decadência do ensino universitário, a corrupção generalizada, e a ascensão do movimento renascentista – que fez ressuscitar a cultura pagã, ideais revolucionários e um crescente sentimento nacionalista…temos uma bomba prestes a explodir.
Sei que existem muitas nuances e detalhes que não foram abordados, tentei dar um esboço geral do tema de forma simples mas sem ser simplista.
Caso alguém se interesse em pesquisar mais sobre o tema, indico os livros abaixo, que serviram de fonte. A divisão da cristandade, da reforma a era do iluminismo – Christopher Dawson História da Igreja de Cristo – Vol. 04 – A Igreja da Renascença e da Reforma – Henri Daniel-Rops História Ilustrada do Cristianismo – Volume 1 – Justo L. Gonzales Tu és Pedro – Georges Suffert
Espero que tenham gostado.
















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