O PAI NÃO FOI CRUCIFICADO, JESUS CRISTO NÃO É UM ANJO E O ESPÍRITO SANTO NÃO É FANTASMA

O PAI NÃO FOI CRUCIFICADO, JESUS CRISTO NÃO É UM ANJO E O ESPÍRITO SANTO NÃO É UM FANTASMA
Essa desvantagem de Tertuliano e Hipólito a Epifânio e o pseudatanásio, quarto discurso contra os arianos, foi o fardo da Polêmica contra essa posição, o ponto básico da Polêmica foi declarado por Tertuliano: “Ainda que o um [Deus] não fosse também dessa forma [pai, filho e Espírito Santo], que eles são todos um, a saber, pela Unidade da substância, apesar de o mistério dessa economia, não obstante, estar protegido, o que dispõe a unidade na Trindade, apresentando Pai, Filho e Espírito como três, e, no entanto, não três em qualidade, mas em sequência; não em substância, mas em aspecto; não em poder, mas em [sua] manifestação” (Tertuliano contra Práxeas 2.4.1). Ou como Tertuliano, de forma mais sucinta, acusou Práxeas de expulsar o paráclito e de crucificar o pai (Tertuliano contra Práxeas 1.5). Esse esforço para esclarecer a relação entre Cristo e Deus parece ter ido a pique no mesmo lugar em que sua ovelha negra, a especulação pluralista de Marcião e dos e gnósticos, o foi: a crucificação e a morte daquele que era chamado de Deus.
Esse ensinamento contradizia totalmente a impassibilidade de Deus. Noeto, de acordo com Hipólito, raciocinava assim: “preciso, uma vez que um [Deus] é reconhecido, tornar Esse um o sujeito do sofrimento. Pois Cristo era Deus e sofreu por nossa causa, sendo ele mesmo o pai, para que pudesse nos salvar” Hipólito contra Noeto 2 página 10:805). Esse, respondeu Hipólito, era “um dogma imprudente e audacioso [de que] o pai é ele mesmo Cristo, ele mesmo o filho, ele mesmo nasceu, ele mesmo sofreu, ele mesmo se ressuscitou,” (Hipólito contrato Noeto 3, página 10: 808). Tertuliano, levando a posição modalista a suas inevitáveis consequências, argumentou que os monarquianistas, ao contrário de suas intenções, terminaram separando um Deus do outro mesmo quando aboliram a distinção entre pai e filho; Pois “aquele que ressuscitou Cristo dentre os mortos também dará vida a seus corpos Mortais (Romanos 8. 11), como se houvesse outro ressuscitador além do pai que morreu e o pai que foi ressuscitado, se for o caso de que Cristo, o que morreu, ser o pai” (Tertuliano contra Práxeas 28.13). O comentários de Tertuliano imediatamente depois foi: “silenciamos essa blasfêmia, silenciamos. Basta dizer que Cristo, o filho, morreu, e isso só porque está escrito assim” (Tertuliano contra Práxeas 29.1). Era bastante difícil atribuir sofrimento e morte ao filho de Deus para que, na ausência de evidência bíblica esmagadora, alguém pudesse recuar até mesmo disso; mas era absoluta blasfêmia atribuí-lis a divindade em um sentido não diferenciado. Isso também deixa implícito que a maldição da Cruz, proferida pelo pai sobre o filho por causa da humanidade, agora seria pronunciado sobre o pai mesmo; pois “apenas como uma coisa dita de alguém que pode apropriadamente ser Dita é dita sem blasfêmea [ou seja, de Cristo], de modo que o que não é apropriado é blasfêmia se for dito, [ou seja, do pai]” (Tertuliano contra Práxeas 29.4). O pai não podia compartilhar o sofrimento do filho.
O ensino monarquianismo colidia não menos diretamente como principal corpo da exegese cristã. Pois embora as passagens de identidade, como a de Isaías 63.9 (LXX), significassem que “não um intercessor nem um anjo, mas o senhor mesmo” tinha agido para salvar o homem na cruz de Cristo, a exegese Cristã dava atenção especial às passagens de distinção do antigo testamento, em que um “senhor” era distinguido de outro “senhor” ou era postulado alguma outra distinção, que embora não negasse a adequabilidade desses títulos como “Senhor” ou mesmo de “Deus” para Cristo, ainda fornecia uma justificação para transcender a identificação ingênua do Pai com o filho. Para Justino, Gênesis 19. 24 significava que ali tinha de haver alguma distinção entre “o pai e o senhor de tudo” e “o senhor” que era Cristo Justino diálogo com Trifão 127.5) e mais uma vez entre “o senhor que recebeu uma comissão” e “o senhor que [permanece] no céu” (Justino diálogo com Trifão 56.23); para Irineu, a passagem significava que nem o espírito santo nem os apóstolos usariam o título “senhor” para ninguém “exceto para Deus Pai governante sobre todos e seu filho que recebeu de seu pai domínio sobre toda a criação” (Irineu sobre heresias 3.6.1); para Tertuliano, era a prova de uma distinção entre o pai e o filho (Tertuliano contra Práxeas 16.2). Justino, Irineu e Tertuliano todos eles ligaram Gênesis 19.24 mais ou menos estreitamente a salmo 110.1; ambas as passagens significam que “uma vez que o pai é verdadeiramente senhor; e o filho, verdadeiramente senhor; o espírito santo designa-os adequadamente pelo título de senhor” (Irineu sobre heresias 3.6.1). Até mesmo a identificação mais explícita de cristo como deus no novo testamento romanos 9.5: “Deus bendito para sempre” que noeto e Práxeas parecem ter citado em apoio à posição monarquianista (hipólito contra Noeto) na verdade, significa que o título “Deus” podia ser corretamente aplicado a cristo, mas isso, ainda por cima, deixava implícito que havia uma distinção (Tertuliano conta Práxeas 15.7). quer os ditos prólogos monarquianistas dos evangelhos tivessem sido de fato composto com essa tendência em vista quer não, a exegese monarquianista teve dificuldade em se ajustar ao uso da segunda e terceira pessoas permeando a linguagem de cristo sobre o pai no novo testamento e atribuída a cristo na interpretação ortodoxa do antigo testamento.
Portanto, a resolução monarquianista do problema, a despeito de sua tentativa de validar sua ortodoxia por meio da referência ao uso da devoção cristã, foi condenada como heresia, primeiro pelo veredicto de todos, mas não unânime dos defensores da ortodoxa (sendo zeferino, Bispo de Roma, uma notável exceção) Hipólito contra heresias 9.11.3) e, depois, formalmente por reuniões como o sínodo de braga, do século VI, que decretou: “se alguém não confessa que o pai, e o filho e o espírito santo são três pessoas de uma essência, virtude e poder, como ensina a igreja católica e apostólica, mas diz que [eles são] só uma pessoa e solitária, de tal maneira que o pai é o mesmo com filho e esse um também é o espírito paracleto, como disseram Sabélio e priciliano, seja anátema” (Mansi 9: 774). contudo, a própria data deste sínodo indica que apesar de que a posição monarquianista possa ter sido anátema, a questão levantada por ela e a intuição representada por ela puderam ser descartadas com tanta facilidade.
















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