O perigo de ser só mais um dentre as multidões.
O que você pensa sobre as multidões? Seria a voz do povo a voz de Deus? De fato, não.
As multidões muitas vezes podem representar a maioria, podem ser úteis em vários aspectos na sociedade, podem se levantar contra a tirania de um rei e impedir muitos males. Mas na caminhada cristã, estar imerso nas multidões nem sempre é algo bom. As multidões possuem um lado sombrio, elas diluem sua individualidade numa massa amorfa e obscura. Cada pessoa perde suas características mais essenciais e tudo aquilo de mais significativo para ela quando se imerge na massa das multidões. Por isso os movimentos de massa são tão perigosos, pois são como um caminhão desgovernado, que já não pode ser identificado, mas apenas existe como algo grande e barulhento.
As multidões nos tempos de Jesus eram assim. As multidões seguiam a Jesus, elas ouviam sua mensagem, testemunhavam seus milagres e faziam grande festa enquanto tudo parecia ir bem. Mas na noite em que Cristo foi preso, até mesmo seus amigos mais próximos o abandonaram. Aonde estava toda aquela gente nessa hora?
A mesma multidão que saudou a Cristo com “Hosana ao Filho de Davi”, quando ele entrou em Jerusalém, foi a mesma que gritou “seu sangue caia sobre nós” durante seu julgamento.
O que mudou nesse intervalo?
Jesus seguiu sendo que ele sempre foi fazendo a obra que sempre fez. Quem de fato mudou foram as multidões. As multidões não tem face, são voláteis, mudam de acordo com os ventos, e podem acabar sendo extremamente cruéis. E quem anda com as multidões, acaba cometendo todas as injustiças que ela comete.
Para servir a Cristo verdadeiramente, é necessário sair do anonimato da multidão, é necessário mostrar sua face ao mundo. Não se pode esconder uma cidade sobre um monte, nem uma lâmpada debaixo da cama. Que “brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus”. (Mt 5:16)
É para isso que somos chamados, para brilhar a luz de Cristo nesse mundo de trevas.
A nossa salvação não está na multidão, sem face, sem identidade e sem rumo. A nossa salvação está no relacionamento com o Deus vivo, no Deus que se fez carne e veio em resgate de nós, pecadores.
A única multidão que pode ser digna é a multidão dos eleitos de Deus, que louvam o Rei pela sua misericórdia dia e noite. A identidade do cristão está no seu relacionamento com Cristo.
Ramon Serrano ——————————————————————————
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