O PRANTO COMO PRIVILÉGIO – Corrado Gnerre

“O homem chora: este é o seu mais belo privilégio” [“L’homme pleure, et voilà son plus beau privilége”], disse o poeta francês Jacques Delille (1738-1813).
O pranto como um privilégio…
As palavras de Delille dizem uma coisa certa: só o homem chora, porque só o homem pensa e se entristece.
É um privilégio devido à sua dimensão espiritual. Coisa que os animais não têm.
No entanto, há outro privilégio no chorar, além daquele que o poeta francês enxerga. É o destino de compartilhar a dor redentora.
Deus poderia usar outra forma para nos redimir, mas escolheu o sofrimento.
E esse sofrimento pede uma correspondência, uma companhia, que só quem sofre pode proporcionar.
É o privilégio de acompanhar o Senhor ao Calvário.
É o privilégio que tudo torna doce, mesmo a dor mais terrível.
É o privilégio que nos faz compreender o quanto Deus tudo dispôs da melhor maneira possível, para que ressoe como uma doce melodia.
Recusá-lo traz, como consequência, o desespero.
E o privilégio se transforma em maldição.
















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