O retrato de Dorian Gray: Um retrato de uma alma sem Deus
O retrato de Dorian Gray: Um retrato de uma alma sem Deus
“O apaixonado começa iludindo-se a si próprio e acaba enganando os outros”.
O livro O retrato de Dorian Gray, nos traz a história de um rapaz chamado Dorian, que no auge da sua juventude e beleza, chama a atenção do pintor Basil Hallward, que encantado com os atributos estéticos do rapaz, o convida para ser o seu modelo, para que ao pinta-lo, a sua beleza juvenil fosse eternizada e jamais se perdesse.
Entre as idas e vindas para a pintura do quadro, Dorian se torna amigo de Lord Henry, um conhecido hedonista que o influencia a explorar sua beleza, e a se entregar aos prazeres que a vida aristocrática da época permitia. E é exatamente isso que ele passa a fazer.
A narrativa dessa ficção nada mais é que um retrato da vida real. Oscar Wilde, o autor da obra, talvez sem nem perceber, endossa a tese do famoso antropólogo e escritor Rene Girard.
A teoria mimética de Girard, nos diz que nosso desejo é fruto da mediação. Desejamos porque vemos o outro desejar o nosso objeto de desejo. Na maioria das vezes, nem nos damos conta dessa mediação, mas agimos segundo seus pressupostos.
No caso de Dorian, ele passa a desejar a vida que Lord Henry levava, e ao se entregar a aqueles prazeres imediatos, ele se torna escravo deles.
Dorian se entrega a devassidão e passa a viver uma vida de vaidades, mentiras e imoralidades, chegando a tal ponto de chocar até mesmo os devasso de sua época.
Após ter seu retrato finalizado por Basil, Dorian passa a contemplá-lo e se impressiona com a própria beleza. Sua imensa vaidade cercada por um culto idolatra de si mesmo, o faz ter um estranho desejo, o de que o quadro envelheça em seu lugar e que ele permaneça belo e jovem para sempre.
Ao continuar vivendo uma vida devassa e entregue aos prazeres da carne, Dorian percebe que seu quadro começar a apodrecer, e ele continua belo com o passar do tempo.
O seu desejo havia se realizado.
Toda a imoralidade cometida, ao invés de sujar e corroer a sua alma, passaram a agir sobre a pintura, que a cada dia apodrecia.
Vemos nessa história alguns pontos interessantes.
Quando colocamos outras coisas no lugar de Deus e cometemos o pavoroso pecado da idolatria, nos tornamos escravos de nós mesmos. No caso de Dorian, a busca desenfreada dos prazeres e o culto a si mesmo se tornou uma prisão, o que levou a cometer todo tipo de ato imoral, que fez sua vida virar um verdadeiro inferno.
A nossa forma de viver no mundo – como ocorre na maioria das vezes – acaba sendo fruto da imitação. Ao desejar o que outros desejam, agimos como eles agem. Isso pode ser bom ou ruim. No caso de Dorian, foi terrível, pois a visão de mundo hedonista apenas potencializou e buscou dar justificativa intelectual aos pecados latentes que ele sempre quis praticar.
Muitas vezes nossas amizades podem ser nossa força ou nossa destruição. A verdadeira amizade é aquela que nos conduz a Cristo, pois quando imitamos a Jesus, e as pessoas nos imitam, nós as levamos a imitar o único modelo e mediador perfeito, que é Jesus Cristo.
No livro, a vida de Dorian é um verdadeiro inferno, envolvido em dissimulações e assassinatos, Dorian se afunda a cada dia no ciclo vicioso do pecado.
Apesar de sua estética não sofrer mudanças, o seu quadro está cada vez mais podre e cheio de vermes, se deteriorando rapidamente conforme o próprio Dorian se afunda no pecado.
O livro reflete bem a imagem de que quanto mais entregue aos nossos próprios desejos pecaminosos, mais corrompidos nos tornamos.
É como Santo Agostinho expõe em suas Confissões: “Desde a adolescência, ardi em desejos de me satisfazer em coisas baixas, ousando entregar-me como animal a vários e tenebrosos amores! Desgastou-se a beleza da minha alma e apodreci aos teus olhos. ”
O pecado nos apodrece, e até mesmo não cristãos como Oscar Wilde sabem disso.
Mas um quadro que assuma a corrupção pelos nossos pecados só existe na ficção. No mundo real há algo mais verdadeiro e eficiente. Temos algo muito mais valioso do que um quadro, a pessoa de Cristo. Pela sua morte, Cristo levou na cruz uma culpa que nos pertencia. Ele assumiu nossa corrupção.
Bendito seja Aquele que pela sua morte nos trouxe a vida. Ramon Serrano
















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