O TERRÍVEL PRESSENTIMENTO DE TAKASHI NAGAI
Após a segunda temporada na China, Takashi começou a interessar- se por política japonesa e política internacional. Fez anotações sobre sérios pressentimentos sobre Mussolini e, principalmente, Hitler. Quando o volúvel Ministro do Exterior, Matsuoka, assinou uma aliança com a Alemanha e a Itália, isto foi de pouca consolação para Takashi. Ficou abalado quando os ministérios caíram um após outro, e, no dia 18 de outubro de 1941, o general Hideki tornou- se primeiro- ministro. Não foi à toa que o apelidaram de “O Navalha”.
No dia 8 de dezembro de 1941, segunda- feira, Takashi e a esposa participaram da Missa da Imaculada Conceição, às 6 h. Na escuridão de inverno, subindo até a catedral, Takashi manifestou a Midori [Sua esposa] suas preocupações sobre o impasse na Conferência de Washington entre Nomura do Japão e o secretário de Estado Hull. Durante a missa, ele rezou para que não houvesse guerra com os Estados Unidos. “Rezei com a mesma intensidade de sentimento daquela noite na China quando recebi ordem de derramar gasolina sobre os feridos”. Takashi não se impressionou quando os Estados Unidos encurralaram o Japão por meio do corte de fornecimento de Petróleo. Concordava com o almirante Yamamoto, da facção da paz, que isto era muito lamentável e um ato beligerante que ameaçava a existência do Japão como nação. Se, porém, Tojo procurasse uma solução por meio da guerra, os Estados Unidos derramariam gasolina sobre o Japão e incendiariam a Nação. Takashi não tinha ilusões acerca dos recursos e do poder militar dos americanos.
Depois da missa, a Família Nagai voltou apressadamente para casa, encontrando no caminho muitos operários que se dirigiam para a fábrica bélica Mitsubishi, a 1 kilômetro ao norte da casa dos Nagai. Em Nagasaki havia, ao todo, sete complexos da Mitsubishi incluindo um grande estaleiro. Ao recordar- se dos bombardeios aéreos na China, Takashi pensou: “Se houver uma guerra , Nagasaki indubitavelmente será um dos alvos”.
Ele começou rapidamente o café da manhã que Midori colocara diante dele: Sopa de pasta de feijão, arroz com algas marinhas secas e um peixe fresco assado. O peixe era um prato especial, pelo dia de Nossa Senhora, um costume cristão que Midori sempre respeitava. Rematou com chá verde e cinco minutos depois já estava na rua dirigindo- se à universidade. Naquele momento, ouviu- se na rua um alto – falante com muita crepitação: “Nesta Madrugada, nossas forças imperiais travaram combate com as forças aliadas do Reino Unido e dos Estados Unidos”. Um jovem que estava perto exultou: “Banzai! Finalmente, Finamente!”
Takashi sentiu um calafrio ao mesmo tempo que lhe ocorreu o pressentimento terrível de que as construções ao redor seriam destruídas! Tremia sem suspeitar de que estava parado a 200 metros do lugar que se imortalizaria como “ponto zero”, o epicentro da explosão da bomba atômica.
( Hino a Nagasaki, Paul Glynn. Tradução : Pe. Lino Stahl, SJ. Edições Loyola. Pág. 129-130).
* Hino a Nagasaki é um livro que um leitor sério dificilmente deixará de ler até o fim. Conta à história de um ateísta japonês que se tornou cristão católico. Isto, por si, não é um fato inteiramente novo – São Francisco Xavier já batizava japoneses 200 anos antes de os europeus se fixarem na Austrália. Entretanto, o personagem principal deste livro, Takashi Nagai, é um homem excepcional que se tornou um exemplo característico da história cristã japonesa, de um compromisso total e até mesmo de martírio.
Créditos: Mari Iwano
















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