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Onde está segunda? Uma ficção não tão irreal assim.

20 de jul de 2019
3 min de leitura

Onde está segunda? Uma ficção não tão irreal assim. [ CONTÉM SPOILER ]

O filme da Netflix “Onde está segunda?” retrata um mundo distópico, onde devido ao grande aumento populacional, o Estado criou a “Lei do filho único”, algo semelhante ao que vigorou na China comunista de 1970 à 2015, que agora teve a lei “afrouxada” e o benevolente Estado chinês permite ao casal ter mais um filho.

No filme, a intenção da lei era preservar recursos naturais. A Terra estava ficando sem condições habitáveis e uma série de medidas precisavam ser tomadas para tentar salvar o planeta. Sem entrar muito nas especificidades do filme, um paralelo assombroso pode ser traçado entre a ficção e a realidade. Irmãos eram recolhidos pelo governo e levados a um centro de controle, onde eram colocados em estado de “hibernação” pela agência reguladora até os tempos melhorarem e as taxas de crescimento baixarem, quando poderiam sair e desfrutar do mundo novo que estava em processo de criação.

Outro ponto interessante foi a política de regulação da fertilidade que envolvia esterilização e controle ativo da população, que perdeu toda sua liberdade e era fortemente controlada e vigiada. O alvo principal desse controle era a população mais pobre, pois tendiam a se reproduzir em taxas mais altas, prejudicando o planeta, como eles acreditavam.

Concentração de poder nas mãos do Estado e políticas ideologicamente enviesadas são uma arma destrutiva para a família e a sociedade. Políticas governamentais travestidas de boas intenções são um prato cheio para que o aparato do Estado seja usado para reprimir e coagir a liberdade do indivíduo. Nosso mundo está repleto de exemplos: sempre que surgiu algum grupo com ideias revolucionárias de mudar o mundo e salvar a humanidade, um grande banho de sangue o seguiu. A revolução francesa, com seu reinado do terror, a revolução russa com seus milhões de mortos e graves crises de fome, a revolução chinesa com seus imensos massacres…somente para citar alguns.

Hoje, temos políticos que trabalham incessantemente para implementação de medidas que, na cabeça deles, protegeriam o mundo e trariam tempos de paz e igualdade. Documentos oficiais, como a Agenda 2030 da ONU, que falam de maneira polida e elegante sobre desenvolvimento sustentável e direitos da mulher, são apenas recursos que podem ser usados da mesma maneira que o filme retrata. Políticas de manipulação, coerção e morte. Parece que quanto maior a “boa intenção” em salvar o planeta, pior é o resultado.

No filme, descobre-se que a hibernação, que até então era tida como algo bom que poupava as crianças de viverem nesse mundo mau, nada mais era que o puro aniquilamento daquelas que foram tomadas a força de sua família. Com a desculpa de estarem criando um mundo melhor, milhares de “irmãos” foram mortos. Famílias com mais de um filho tinham que se esconder para não terem os filhos “confiscados” pelo governo e levados para as câmaras. (Que não são as de gás, mas não diferem em nada em sua finalidade)

O mundo real não fica para trás com a indústria do aborto e seus defensores. O controle populacional está entre entre os argumentos dos que defendem tal prática. Muitos chegam a afirmar que o ser humano é o grande problema do mundo, o que é uma inversão, pois antigamente os homens discutiam os problemas do mundo, hoje, discutem o homem como um problema.

Uma das maiores clínicas de abordo dos EUA, a Planned Parenthood, começou com “ótimas” intenções. Margaret Sanger, uma de sua fundadoras, tinha a intenção de fornecer cuidados a mulheres negras grávidas da periferia, dentre esses cuidados, o aborto era uma opção para aquelas mulheres que não quisessem prosseguir com a gravidez. Por trás de sua “boa intenção”, existia uma vontade eugenista de impedir que aquelas mulheres gerassem mais filhos. E para quem não lembra, em 2015, funcionários da Planned Parenthood foram flagrados em esquemas de venda de tecido fetal e órgãos para algumas industrias americanas. Para eles, até a morte é lucrativa.

Precisamos entender o seguinte: o homem é um ser caído que precisa de um salvador que o resgate de si mesmo e do pecado. Mas aqueles que não esperam isso do verdadeiro Deus, preenchem esse vazio com o messianismo político, com ideologias que buscam trazer essa salvação. Por isso essa ânsia de mudar o mundo e fazer o paraíso aqui na Terra mesmo. Estes discursos enganadores iludem os desesperançosos, que rejeitam a fé em Deus para depositá-la em um mero homem, ou ainda pior, em si mesmos. O mundo precisa de salvação, mas não é o homem que irá salvá-lo. Somente o Criador de todas as coisas tem o poder de restaurá-las à sua condição para qual foram criadas. Os falsos deuses da revolução estão à solta procurando a quem tragar. Para o cristão só há uma forma de redenção do homem: a cruz de Cristo.

Ramon Serrano

 
 
 

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