ONDE TRAÇAR NOSSA LINHA DIVISÓRIA? – Jonathon Van Maren

Ao longo da pandemia do COVID-19, o inglês Paul Kingsnorth tem sido um dos escritores mais interessantes na análise de nossas narrativas emergentes, a repressão do governo e a tecnocracia surgindo da noite para o dia. O que torna Kingsnorth excepcionalmente qualificado, para o atual momento, é que ele vem escrevendo, há décadas, sobre o que chama de “a Máquina” – uma “grande fusão de capitalismo, poder estatal e tecnologia”.
Seu livro de 2017, Confessions of a Recovering Environmentalist, inclui um ensaio intitulado “The Barcode Moment”, que detalhou a ascensão inexorável de uma teia de tecnologias ao nosso redor, fazendo algumas perguntas aos leitores:
“Onde vocês traçarão sua linha divisória?” “Em que momento a direção de deslocamento da Máquina se torna tão óbvia, tão intolerável, tão assustadora, que vocês não podem mais aceitar?” “Qual é o ponto de ruptura?” “Para algumas pessoas”, escreveu Kingsnorth, “eram os smartphones. Para outros, pode ter sido a mídia social. Hoje em dia, acho que as pessoas realmente inteligentes saíram do carrossel dos modems discados e partiram silenciosamente para a floresta.”
O próprio Kingsnorth se mudou, mas não foi tão longe – foi com sua família para o interior da Irlanda, onde está tentando se autossustentar. Mas com a pandemia de COVID, a introdução abrupta de passaportes vacinais e a demonização que acompanha o hesitante em vacinar-se, Kingsnorth traçou sua linha divisória. Ele não é contra as vacinas, mas não participará dos sistemas que estão sendo construídos ao nosso redor. Ele expôs o porquê em três ensaios convincentes, no ano passado, que foram publicados em seu blog, The Abbey of Misrule.
Os ensaios provaram ser tão populares que ele posteriormente os compilou em um e-book para download gratuito, The Vaccine Moment: Covid, Control, and the Machine, onde analisa passaportes vacinais, propaganda e as batalhas campais que se desenrolaram, nas ruas do Ocidente, à medida que as revoltas populistas aumentavam em reação às restrições impostas às liberdades civis.
No mais fascinante dos três ensaios, ele detalha como algumas elites gostariam de manipular esse momento vacinal, conforme estabelecido por Klaus Schwab, do Fórum Econômico Mundial, em seu livro, COVID-19: The Great Reset. Não é preciso ser um teórico da conspiração, observa Kingsnorth, para observar que o mundo que Schwab gostaria de construir é, substancialmente, um mundo pós-humano:
“Esta é a essência da Grande Reinicialização: a construção de um futuro que é, ao mesmo tempo, controlado e catatônico, distópico e inerme, monitorado e monótono além do suportável. Um futuro em que as corporações globais estariam livres para construir o mundo que há muito desejam: uma tecnocracia de mercado interconectada e sem fronteiras, na qual cada indivíduo humano é uma máquina de produção e consumo rastreada, localizada e monitorada – tudo em nome da saúde e da segurança pública.”
Para Paul Kingsnorth, à medida que os estados-nação e seus líderes perdem poder para o avanço da globalização, esse poder se agrupou em torno de um grupo diferente – “aqueles que criam e controlam a infraestrutura tecnológica do mundo” –, incluindo Bill Gates, Mark Zuckerberg, Klaus Schwab, Jeff Bezos e outros.
É importante rejeitar “esdrúxulas teorias da conspiração”, precisamente porque é essencial que permaneçamos com os olhos lúcidos sobre o mundo que essas pessoas querem construir. Eles não estão escondendo isso. Schwab escreveu um livro sobre isso, que o leitor poderá comprar e vê-lo entregue em sua casa da noite para o dia pela Amazon, por cortesia de Jeff Bezos.
Where Will You Draw Your Line? An Interview with Paul Kingsnorth
















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