OS FRUTOS DA FIGUEIRA – Scott Hahn medita sobre o 3º Domingo da Quaresma

Pela Igreja, somos transformados em filhos do Deus de Abraão, Isaac e Jacó, o mesmo Deus que, na primeira leitura de hoje, fez Moisés conhecer o Seu nome e os Seus caminhos.
Sem se esquecer de Sua aliança com Abraão (Êxodo 2, 24), Deus veio resgatar Seu povo da escravidão do Egito. Fiel a essa mesma aliança (Lucas 1, 54-55, 72-73), Ele enviou Jesus para salvar todas as vidas da sepultura, como nos diz o Salmo de hoje.
São Paulo, na Epístola de hoje, lembra que os atos salvíficos de Deus, no Êxodo, foram registrados visando a futura Igreja. São prelúdio e prenúncio de nosso próprio Batismo através da água, de nossa libertação dos pecados, da comida e da bebida espirituais com que seríamos alimentados.
No entanto, os acontecimentos do Êxodo também possuem o significado de uma “advertência”: ser filhos de Abraão não é garantia de que alcançaremos a terra prometida da nossa salvação.
Jesus nos adverte, no Evangelho de hoje, que a qualquer momento podemos perecer; não como castigo de Deus por sermos “os mais pecadores”, mas porque, como os israelitas no deserto, cedemos aos maus desejos, nos tornamos reclamões, esquecidos de todos os benefícios que Dele recebemos.
Jesus nos convoca, hoje, para o arrependimento, não por intermédio de uma mudança súbita de coração, mas por uma transformação contínua e diária de nossas vidas. Somos chamados a viver nossas vidas tal como cantamos no Salmo de hoje: abençoando o santo nome de Deus, dando graças por Sua bondade e misericórdia.
A figueira, na parábola de Jesus, é um símbolo familiar aos israelenses do Antigo Testamento (Jeremias 8, 3; 24, 1-10). Assim como à figueira, antes de ser cortada, é permitida uma última chance de produzir frutos, Jesus também propicia a Israel uma última oportunidade de dar bons frutos, como expressão de seu arrependimento (Lucas 3, 8).
A Quaresma deve ser, para todos nós, como o tempo misericordioso concedido à figueira, um período de graça em que deixamos o “jardineiro” Jesus Cristo cuidar do jardim de nossos corações, arrancar os parasitas que sufocam, em nós, a presença da vida divina, fortalecendo-nos, enfim, para os frutos que daremos por toda a eternidade.
















Comentários