OS GUARDA-COSTAS DO SCRIPT – Ernst Roets

[O escritor sul-africano Ernst Roets, em discurso no CPAC, congresso conservador realizado na Hungria em maio passado, falou sobre a militância politicamente correta de jornalistas em seu país. A seguir, um trecho do discurso].
Um incidente de violência de brancos sobre negros, na zona rural sul-africana, é 16 vezes mais noticiado do que um incidente de violência de negros sobre brancos.
Por que isso está acontecendo? Porque existe um script. Os “guarda-costas do script” controlam quais informações devem ser compartilhadas e como devem ser apresentadas. Eles prescrevem o que podemos dizer, o que podemos fazer, o que podemos pensar e até quem podemos ser. Esses “guarda-costas” são os jornalistas que procuram usar a mídia como arma para destruir a herança ocidental e promover uma ideia abstrata e utópica de como o mundo deve ser estruturado.
O script deles é mais ou menos assim: “A humanidade — ou melhor, a raça humana — teve a sorte de sobreviver a uma longa história de maldade e opressão cometida por nossos ancestrais —, da qual nos envergonhamos muito. Descobrimos que, por milhares de anos, nossos ancestrais estavam errados. Não somos seres falíveis com a responsabilidade de contribuir, para nossas comunidades, por meio do trabalho duro e do sacrifício. Em vez disso, somos seres perfectíveis que podem se tornar quem e o que quisermos ser, não através do trabalho duro, mas destruindo o que nossos ancestrais construíram e estimaram.”
Não podemos sucumbir a esta falsa dicotomia que nos diz que se nos opomos ao socialismo e sua visão, somos os inimigos dos oprimidos, que se desejamos preservar nossa cultura e herança, somos extremistas; ou ainda que, se expressamos preocupação com o que está acontecendo na África do Sul, estamos pedindo um retorno do apartheid. É um absurdo. Sufoca a discussão construtiva e o progresso, no sentido real desta palavra.
Então, o que pode ser feito? Os conservadores devem reconhecer que o que mais importa não é a postura crítica. Um homem que para, visando atirar pedras em cada cão que ladra, nunca chegará ao seu destino. E temos um destino a alcançar. Segundo Cícero, é o de preservar para nossos descendentes aquelas coisas grandes e boas que herdamos de nossos ancestrais. Ou, como disse certa vez o herói africâner Paul Kruger: “Procure em seu passado o que é bom e belo. Construa seu futuro a partir daí.”
Na busca desse objetivo, há quatro lições importantes a aprender com a África do Sul socialista.
Primeiro, superestima-se demais o racionalismo. Um cordeiro pode apontar todas as falácias lógicas no argumento de um lobo, mas isso não impedirá que o lobo devore o cordeiro. Se o cordeiro – por medo de ser devorado – identificar-se como arbusto, o lobo simplesmente se identificará como vegetariano… Devemos ter os melhores argumentos, mas nossas ações são ainda mais importantes que nossos argumentos.
Em segundo lugar, embora a política e as ideias sejam importantes, há algo ainda mais vital e fortemente subestimado: a cultura. Thomas Sowell disse que, embora a opressão e a discriminação possam ter consequências destrutivas, a questão de saber se uma comunidade prosperará não depende tanto da maneira como um grupo é tratado pelos outros, mas de como se encontra a cultura dentro desse grupo. Ele percebeu que a sociedade não pode florescer só por meio da política, deixando de lado a cultura. Queixas de opressão e discriminação não ajudam as comunidades. Trabalho, desenvolvimento de habilidades e conhecimento financeiro trazem florescimento. Isso não é verdade só para os que acusam falsamente os conservadores de opressão, mas também para aqueles conservadores que se sentem discriminados.
A terceira lição decorre da segunda. O futuro nunca será assegurado de forma sustentável por meio da dependência do Estado. Os conservadores podem gastar toda a nossa energia construindo um Estado forte, apenas para descobrir que ele pode se voltar contra nós. Portanto, como Tocqueville já concluiu, a solução está na comunidade e nas instituições. Um povo não pode desabrochar com o Estado, se não tiver instituições fortes, embora um povo possa florescer sem o Estado, se tiver instituições fortes.
Finalmente, o caminho a seguir passa pelo passado. A tradição é um conjunto de soluções das quais já esquecemos os problemas. Não é apenas desrespeitoso, mas imprudente tentar alcançar o progresso destruindo o que nossos ancestrais construíram.
Os conservadores não devemos nos incomodar com os ‘guarda-costas do script’, os críticos, os cães que latem, os oikofóbicos [os que sentem aversão pelo ambiente doméstico], que fazem guerra contra nós porque fazem guerra a si mesmos. Permaneçamos fiéis a nós mesmos, permanecendo fiéis à nossa grande tradição. Vamos valorizar e conservar a tradição que foi construída por aqueles bravos homens e mulheres que vieram antes de nós — e que realmente foram grandes.
Keepers of the Script
















Comentários