OS JUDEUS SEMPRE FORAM RESPEITADOS PELA IGREJA E OS REIS CATÓLICOS

Está fora de discussão o fato de que nos reinos cristãos, Especialmente na Espanha, o Judeu obediente a sua lei não era molestado. Vivia comodamente na judiarias ou fora delas, habitando as melhores zonas, contando geralmente com empregos de prestígio e bem remunerados. Os judeus praticavam sua religião livremente, destacando-se vários deles nas áreas de cultura e ciências, Especialmente na medicina e na matemática.
A proteção e o respeito que lhes foi concedida na península foi notável, tanto por parte dos Monarcas como dos pontífices e clérigos. Esse fato se manifesta mais claramente Na quantidade de vezes que o socorreram, a ponto de colocar em jogo a própria vida, quando dos linchamentos populares. Durante o Levante anti-semita de 1391, com o reconhece-se Cecil Roth, as autoridades cristãos prenderam alguns dos membros mais turbulentos da Revolta, e fizeram com que fosse açoitados e encarcerados. É notável o conhecido caso de Alfonso de Aragão, Arcebispo de saragoza, que ao ser inteirado das perseguições que naquele momento tinham lugar — do Povo contra os conversos —, tomou seu cavalo e, dirigindo-se à massa enfurecida, advertiu-lhes de que cairia sobre os agressores todo o Rigor da Lei, conseguindo assim fazê-los desistir. Entre outras normas ditadas por Isabel em favor dos judeus, encontra-se uma anulação do Conselho de Bilbao que lhes proibia a entrada na cidade. Em 1478 eu proteção à aljama — queto ou bairro judeu — de Sevilha, determinando, um ano mais tarde, que se respeitasse a autonomia judicial de aljama de Ávila. Também decretou que os judeus expulsos de balmaseda Voltassem à localidade, que se proibissem a um dominicano de segóvia os Sermões anti-judeus, e outras medidas favoráveis aos judeus de Leão, Vitória e Orense. A legislação de 1235, que obrigava os judeus a levarem sobre seus corações o distintivo Amarelo não pôde ser aplicada, apesar de haver sido aprovada pelas cortes de Castela de 1371 e as de Madrid em 1405. Também reconhece o historiador judeu Cecil Roth, que o código de Alfonso o sábio (as sete partidas), que continha, segundo Roth, algumas políticas anti-semitas, só foi imposto “local e esporadicamente”: suas atividades [as dos judeus] culturais continuaram desenvolvendo-se tranquilamente e, salvo ataques ocasionais violentos e localizados, suas vidas e suas propriedades estiveram em geral a salvo.
Isto demonstra, uma vez mais, que era o povo — e suas cortes, muitas vezes — quem exigia as medidas de maior Rigor contra os judeus, em contraposição à igreja e à coroa, infinitamente mais paciente. As disposições de prevenção sobre os judeus, ditadas em 1480 por Fernando o católico, mal foram cumpridas. Recordemos que o Papa Clemente VI havia defendido os judeus perante a porção do Povo que os acusada de envenenar os poços, fazendo notar que a praga havia sido igualmente mortal onde não vivia nenhum judeu, e ameaçando com a excomunhão aos que persistem em calúnias semelhantes.
Vários dos mais exímios tratadistas e historiadores judeus reconheceram que “em nenhum lugar os judeus foram mais bem tratados do que na Espanha”, opinião que reconhece a constante proteção recebida pelos judeus por parte da maioria dos Monarcas e pontífices. O mesmo se disse de Roma, pois os pontífices sempre os ampararam e protegeram. Não obstante, a sorte deste povo fora da Espanha seria totalmente diferente, sobre este fato praticamente não existem dúvidas. Basta ver o agradecimento e reconhecimento à Espanha de um notável conselho de rabinos manifestado nas atas do sinédrio convocado por Napoleão em 1807, (Julio Menvielle, Os Judeus no mistério da história).
















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