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Papa São Martinho I

15 de abr. de 2018
4 min de leitura

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Pontificado: dia 5 de julho de 649 até junho de 653 (quando ele foi deportado para Constantinopla) ou setembro de 655 (quando ele morreu). Ele é venerado como mártir

Martinho nasceu em Todi, em Toscana. Depois de servir à igreja católica romana como leitor e diácono, ele foi enviado a Constantinopla como Apocrisiário do Papa Teodoro; Neste cargo ele se tornou ciente dos esforços da corte imperial, incluíndo o patriarca de Constantinopla, de encontrar uma fórmula que reconciliaría os partidos opositores da quere la de muito tempo sobre a natureza humana de Cristo. De um lado ficavam aqueles que aceitavam as decisões de Calcedônia (451) enfatizando a coexistência das duas naturezas; do outro lado aqueles aderentes do monofisismo que insistiam na preêminencia da natureza divina de Cristo. No tempo que as forças maometanas estavam sufocando as províncias asíaticas do império romano do oriente, eram os monofisistas que predominavam, o governo imperial  estava desesperadamente tentando encontrar uma fórmula dogmática que reconciliaría as posições calcedônianas e os monofisistas , e portanto restaurar a unidade religiosa do império cristão comandado pelo imperador em Constantinopla. O resultado foi a promulgação da Ecthesis, que estabelecia o monotelismo como a doutrina oficial sobre a questão das duas naturezas de Cristo. Já que a aprovação papal era crucial para a missão imperial de unidade, pressão foi imposta sobre Roma para aceitar o monotelismo. Apesar do papa Honório I (625-638) ter tido um posicionamento comprometedor, seus sucessores se negaram a aceitar a posição imperial; também assim fizeram os cristãos por toda a Itália e Afríca. Enfrentando o perigo de perder o ocidente por uma questão teológica, o governo imperial lançou o Typos em 648, proibindo as discussões da questão cristológica. As novas ordens foram enviadas ao papa Teodoro para sua aprovação, mas ele morreu antes que chegasse.

Diante da eleição como Papa, Martinho I desrespeitou a tradição e foi consagrado sem buscar a aprovação do governo imperial, um ato que talvez demonstrasse sua desaprovação do imperador. Convencido que era chegada a hora de reforçar a ortodoxia por um ação pública, oficial, que faria a posição de Roma clara sobre a questão Cristológica, o papa convocou um Sínodo Lateranense que  foi aberto em outubro de 649 com 105 bispos, a maioria ital ianos, participando. Também estava presente Máximo, o confessor , um teólogo famoso que se opunha abertamente ao monotelismo e bem qualificado para participar do concílio na definição da ortodoxia.Depois de 5 sessões, durante as quais os ensinamentos dos padres sobre as naturezas humana e divina de Cristo foram revisados detalhadamente, o sínodo emitiu um símbolo de fé que confirmava o ensino de Calcedônia sobre as naturezas de Cristo, 20 cânones condenado aspectos específicos do Monotelismo, e um julgamento anatemizando os Patriarcas de Constantinopla – Mas não os imperadores – responsáveis pela promulgaçãoda Ecthesis e do Typos.Uma carta foi enviada ao imperador Constante II informando ele das decisões do sínodo. Martinho também fez circular uma encíclica sumarizando as atas do concílio não apenas no ocidente, mas também no oriente, onde ele busco contra-atacar o vácuo no governo eclesíastico resultado da conquista muçulmana ao designar vigários apostólicos a agirem em nome do papa na causa da ortodoxia

Mesmo antes do fim do sínodo lateranense Constante II se moveu para contra-atacar os atos de independência de Martinho. Ele ordenou ao exarca de Ravena, Olympius, a prender o papa e compelir a aceitação do Typos a todos os bispos e clérigos, mas apenas se o exército em roma concordasse com tal ação.Olympus encontrou grande apoio das posições de Martinho, uma indicação que a autoridade imperial da metade do sexto século para frente estava extremamente enfraquecida, mesmo no exército onde  estava em sua maioria comandado e preenchido por nativos italianos. Olympus então conspirou um assassinato como forma de eliminar o papa, mas isso também falhou, alguns acreditaram que foi por intervenção divina mostrando que Deus favorecia o papa.Olympus então fez paz com Martinho levou suas tropas para a Sícilia, ostensivamente para ajudar ela contra o ataque dos maometanos, mas mais provavelmente para se aliar com os invasores como forma de separar do ofício imperial: seja qual plano ele tivesse, terminou rapidamente após sua morte . Livre por um momento das ameaças imperiais, Martinho devotou suas energias para uma correspondência distante na tentativa de derrotar o Monotelismo e reagrupar a comunidade Cristã ao redor de Roma.

Mas a trégua do papa com o governo imperial não durou muito. Em 653 Constante ordenou ao novo exarca, Teodoro Calliopas, a prender o papa e o trazer a Constantinopla para ser julgado. Apesar do contínuo suporte dos romanos, Martinho se negou a resistir ao exarca pra evitar violência. Em junho de 653 ele foi tomado como prisioneiro e colocado a bordo de um barco para Constantinopla. Depois de uma viagem de um ano na qual ele foi tratado brutalmente, o papa chegou em Constantinopla em setembro de 654. Durante o intervalo, os romanos elegeram um novo papa, Eugênio I, um ato que parecia indicar a aceitação da deposição de Martinho pelo governo imperial e reconhecimento da vontade e habilidade imperial de tomar ação contra os que rejeitavam suas ordens.

Durante sua chegada em Constantinopla, Martinho foi publicamente humilhado e aprisionado por 3 meses. Apesar de estar muito delibitado pelo tratamento execrável que recebeu de sua longa viagem de Roma, ele foi eventualmente trazido a tribunal como usurpador acusado de traição com base em sua relação com Olympius e por prover apoio aos atacantes maometamos da Sícilia. Os esforços de Martinho de introduzir as questões religiosas nos procedimentos foram rejeitadas pelo tribunal. Ele foi julgado culpado, destituído de suas insignías de ofício, e setenciado à morte. Mas sob o apelo do patriarca, sua sentença foi comutada ao exílio. Martinho foi enviado ao Kherson na Criméia, onde depois de mais sofrimento ele morreu no dia 16 de setembro de 655. Seu colega defensor da ortodoxia contra o monotelismo, Máximo, o confessor, sofreu destino similar logo depois. Enquanto a carreira de Martinho ofereceu uma evidência dramática da extensão que o papado estava sobre o controle imperial na métade do século sexto , também demonstra o papel decisivo do papado na definição da doutrina, e portanto na unidade da comunidade cristã, um problema crucial para o bem-estar do governo imperial. E trouxe à luz sinais de declínio da influência imperial no ocidente em um contexto que deu ao bispo de Roma um lugar significante como um agente agrupador da resistência do controle imperial.

Festa: 12 de Novembro (Igreja Ocidental). 13 de Abril (Igreja Grega)

New Catholic Encyclopedia,  pp. 215-217.

 
 
 

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