POR QUE HÁ MAIS BELEZA NO UNIVERSO DO QUE COISAS FEIAS?

O físico americano Frank Wilczek, Prêmio Nobel de Física em 2004, hoje já não se preocupa somente com as coisas de sua ciência. Um novo horizonte se abriu em sua mente, em sua alma.
Nasceu em família católica e perdeu a fé. Ainda não voltou à Igreja, nem é garantido que volte, mas agora começa a interessar-se por assuntos que nós costumamos chamar de “metafísicos”, sobre os quais a ciência nada tem a dizer e exigem ser abordados por outros meios.
Reconhece, com humildade, que a ciência nunca pode falar daquilo que deveria ser, pois não foi projetada para tal fim. Pode aconselhar as pessoas sobre as possíveis consequências do que elas escolhem fazer, mas não apontar o que elas devem fazer.
Contudo, o Deus que o físico perdeu, na adolescência, está agora retornando à sua inquieta alma agnóstica. Ainda não é possível falar em conversão, mas Frank Wilczek já se livrou do delirante conceito ateísta do universo como produto da matéria auto-organizada.
A partir do que o Criador tão bem criou (tudo dispondo “com medida, número e peso”, segundo o livro de Sabedoria, 11, 20) e a física a seu modo descreve, esse homem de ciência começa a fazer perguntas que um ateu não faz. Atualmente, além de áxions, “cristais de tempo” e núcleo do átomo, anda também levando a sério outras coisas, do tipo: por que existe beleza no universo e por que ela nos agrada tanto?
Parece que a mesma ciência que, um dia, o fez distanciar-se de Deus, agora Dele o reaproxima.
Wilczek vê como um milagre — o principal milagre da física — o fato de ela conseguir, com equações e cálculos, descrever o mundo real. Um mundo belamente simétrico, que conduz o homem dos cálculos, disposto a não polemizar com o real, à inevitável pergunta: por que o mundo é assim? Por que ele é matematicamente e materialmente tão maravilhoso, se poderia ter sido feio? A física não pode dar respostas a essas questões, mas foram questões dessa espécie que o fizeram sair de sua área de estudos e escrever alguns livros na fronteira com a filosofia.
Wilczek aceita a hipótese de que o universo, desde o seu início — pois o universo teve um começo — é governado por leis físicas, “com certos parâmetros e constantes, que parecem estar muito bem ajustados para permitir que surjam estruturas complexas e, no final, a mente.” É o que os físicos têm chamado de “princípio antrópico”.
Um universo, enfim, projetado para que os homens pudessem, muito tempo depois, entrar em cena no palco redondo e azul do planeta Terra e nele representar o drama da liberdade humana, com tudo o que a liberdade implica. Enfim, o cientista agnóstico já vislumbra uma finalidade na obra da Criação, na qual enxerga principalmente ordem e beleza.
É essa percepção da ordem, sempre associada à beleza, que voltou a dar sentido, em sua mente, à palavra Deus, um Deus ainda pré-cristão, quase panteísta, que infelizmente faz de sua concepção da história humana algo muito ingênuo e otimista, bastante impregnado de iluminismo setecentista: crê num futuro glorioso para a espécie humana aqui mesmo, neste mundo perecível.
Quem sabe um dia, com a ajuda da graça divina, Wilczek descubra a imortalidade da alma humana. Só de posse dessa descoberta é possível compreender plenamente o significado do “princípio antrópico”. O universo, por maior que seja, ainda é menor, infinitamente menor, que a menor das almas humanas.
















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