PROTESTANTISMO SÓ TEM GENTE BOA, NINGUÉM MATOU, VEJAMOS O QUE FIZERAM NAS AMÉRICAS:

PROTESTANTISMO
SÓ TEM GENTE BOA, NINGUÉM MATOU, VEJAMOS O QUE FIZERAM NAS AMÉRICAS:
A máquina de impressão foi um fator-chave para o crescimento e a disseminação da Lenda Negra. Significou que os ingleses e holandeses que também se ressentiam do sucesso comercial dos espanhóis podiam, agora, criar propaganda anticatólica de modo mecânico, produzindo-a em grande quantidade. Alguns holandeses, convertidos ao protestantismo, também estavam em rebelião contra a Espanha, nos Paises Baixos Espanhóis e, portanto, tinham motivos políticos e econômicos para denegrir o nome do rival. De prensas na Holanda e na Inglaterra, panfletos de propaganda espalharam-se por toda a Europa. Entre as premissas dos panfletos, estavam as de que os espanhóis eram cruéis, preguiçosos, preconceituosos e fanáticos: diferentemente dos ingleses e holandeses, bonzinhos, bem-criados e caridosos. Os panfletos estavam repletos de supostas atrocidades cometidas pelos espanhóis no Novo Mundo e traziam figuras de soldados espanhóis ao redor de uma fogueira tostando um indio para o jantar. (Em uma dessas imagens, as construções ao fundo que são obviamen te de estilo holandês demonstram com clareza que o “relato” foi trabalho de alguém que nunca havia, de fato, visitado as colônias espanholas). Como o historiador Philip Wayne Powell observa, em seu livro Tree of Hate: Propaganda and Prejudices Affecting United States Relations with Hispanic World
a morte de índios pelos espanhóis foi chamada de ‘atrocidade’, ou extermínio brutal’: mas quando os ingleses exterminaram milhares de irlandeses com seus próprios pântanos ou os assassinaram após a sua rendição, isso foi chamado de ‘o problema irlandês’.
A lenda negra toma corpo
A máquina de impressão foi um fator-chave para o crescimento e a disseminação da Lenda Negra. Significou que os ingleses e holandeses – que também se ressentiam do sucesso comercial dos espanhóis – podiam, agora, criar propaganda anticatólica de modo mecânico, produzindo-a em grande quantidade. Alguns holandeses, convertidos ao protestantismo, também estavam em rebelião contra a Espanha, nos Países Baixos Espanhóis e, portanto, tinham motivos políticos e econômicos para denegrir o nome do rival. De prensas na Holanda e na Inglaterra, panfletos de propaganda espalharam-se por toda a Europa. Entre as premissas dos panfletos, estavam as de que os espanhóis eram cruéis, preguiçosos, preconceituosos e fanáticos: diferentemente dos ingleses e holandeses, bonzinhos, bem-criados e caridosos. Os panfletos estavam repletos de supostas atrocidades cometidas pelos espanhóis no Novo Mundo e traziam figuras de soldados espanhóis ao redor de uma fogueira tostando um índio para o jantar. (Em uma dessas imagens, as construções ao fundo – que são obviamente de estilo holandês – demonstram com clareza que o “relato” foi trabalho de alguém que nunca havia, de fato, visitado as colônias espanholas), Como o historiador Philip Wayne Powell observa, em seu livro Tree of Hate: Propaganda and Prejudices Affecting United States Relations with Hispanic world.
a morte de índios pelos espanhóis foi chamada de ‘atrocidade’, ou ‘extermínio brutal’; mas quando os ingleses exterminaram milhares de irlandeses em seus próprios pântanos ou os assassinaram após a sua rendição, isso foi chamado de ‘o problema irlandês’.
Em contraste com a suposta brutalidade espanhola, nós, americanos, pensamos afetuosamente nos “pais peregrinos” tendo uma refeição agradável com os índios, no Dia de Ação de Graças. Na verdade, as relações entre ingleses e nativos americanos também não foram sempre amigáveis. O pregador puri- tano Cotton Mather, que considerava a Igreja Católica “o reino do anticristo,” tinha esse mesmo tipo de pensamento em relação aos índios. Quando muitos começaram a morrer de doenças, provavelmente em razão da falta de imunidade aos germes que os europeus trouxeram consigo para a América do Norte e a América do Sul, Mather alegrou-se. A morte de tantos índios, ele dizia, iria “abrir espaço para o crescimento” o que significava para mais pessoas como ele. Durante o governo de Bradford, os colonos de Massachusetts se vingaram do assassinato de um comerciante branco por um índio massacrando todos os nativos que puderam encontrar e, depois, queimando seus corpos. Após descrever o fedor do processo de carbonização, Bradford acrescentou: “mas a vitória pareceu um doce sacrifício, e eles [os ingleses] agradeceram a Deus.” Oliver Cromwrell, outro puritano, falou em linguagem similar sobre a matança de 3 mil irlandeses. A divindade puritana, ao que parece, apreciava a morte dos não puritanos, especialmente se seus corpos fossem queimados.
Afirma-se, frequentemente com desprezo, que os espanhóis foram ao Novo Mundo para encontrar ouro, como se isso fosse prova da sua ganância e do seu mau caráter. A busca por ouro, todavia, também era a missão que o governo inglês dera aos primeiros colonos em Jamestown, embora não tenha tido sorte com esse projeto. 0 que se ignora é que, na época, a prosperidade e o status de uma nação eram medidos pelas suas reservas de metais preciosos. (Isso se tornaria um princípio do sistema mercantilista em um período que viria logo depois.) Um dos muitos objetivos do colonialismo tomou-se, então, a aquisição de ouro e prata. Obviamente, colonizadores individuais adorariam ter enchido seus bolsos com o material, mas na medida em que os conquistadores e grande parte dos colonialistas ingleses foram financiados por seus governos, procurar por ouro era parte do seu trabalho; os espanhóis tiveram a sorte de encontrá-lo.
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