top of page

Quando o Patriarca de Constantinopla quis ser Papa

29 de jan. de 2018
2 min de leitura

Uma das causas do cisma de 1054, provavelmente a causa inicial das tensões, foi a briga pela primazia. O entendimento de uma primazia não fixa para questionar o poder de Roma, vai movimentar primeiramente uma disputa entre Roma, Alexandria e Constantinopla, já no Concílio de Calcedônia, com Alexandria fora de cena após Calcedônia e com a influência de Bizâncio, Constantinopla ganhará força nesta disputa. O argumento de que a primazia era apenas de honra, é parte da eclesiologia dogmática da Igreja Ortodoxa até hoje, questionando uma supremacia romana, tal ideia será a justificativa de Constantinopla, mas no fundo, pode-se afirmar que a intenção era apenas tomar o lugar de Roma como suprema Sé, como ficou claro na prática em muitos momentos, e um exemplo desse desejo de ser suprema é o episódio da eleição de Cirilo VI Tanas à Sé de Antioquia.

No Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Melquita de Antioquia, em 1724, foi eleito Serafim Tanas, que adotaria o nome de Cirilo VI. Cirilo, como outros hierarcas melquitas, tinha um desejo de reaproximação com Roma, tal desejo coletivo vai se concretizar na eleição do próprio Cirilo, eleição esta, válida e totalmente ortodoxa. Constantinopla sempre exerceu uma tutela em Alexandria, Jerusalém e Antioquia (as sedes bizantinas), e dessa vez não foi diferente, mas tal tutela foi longe demais. Jeremias III de Constantinopla, viu a eleição de Cirilo Tanas como uma ameaça à autoridade de Constantinopla, logo Constantinopla que sempre defendeu que primazia era diferente de autoridade suprema, com isso, Jeremias considera a eleição de Cirilo inválida e o “excomunga”, logo após elege um jovem diácono e monge à Patriarca de Antioquia (Patriarca Silvestre), violando assim a própria eclesiologia ortodoxa ao se envolver em outra Sé soberana, decretando e mudando suas políticas, toda Sé é independente, segundo a eclesiologia ortodoxa. Silvestre será uma “marionete” de Constantinopla, permitindo até os turcos perseguirem os partidários de Cirilo a pedido de Constantinopla, Cirilo foge para um mosteiro e seus partidários passam a celebrar a Divina Liturgia secretamente. A reivindicação de que Cirilo ainda era o Patriarca Melquita de Antioquia vai aumentar com a tirania de Silvestre, deixando claro uma divisão, mas formalmente Silvestre era Patriarca devido ao poder de Constantinopla e nem que para isso tivesse que apelar aos turcos.

A tensão só irá ter um fim quando Roma entra em cena, Roma se negava a entrar numa questão interna do Patriarcado Melquita, mas se viu obrigada depois das ações de Constantinopla, e mesmo assim, Roma foi cautelosa na intervenção e só irá formalizar a união com os melquitas antioquinos em 1744, 20 anos depois da eleição de Cirilo, daí que surge a Igreja Ortodoxa Grega Antioquina, que terá um domínio direto de Constantinopla até 1899, já separada da Igreja Melquita.

No caso da eleição de Cirilo Tanas, Jeremias de Constantinopla se achou “Papa” e os turcos eram a sua Guarda Suíça.

1 – Melkites: Greek Orthodox and Greek Catholics of the Patriarchates of Antioch, Alexandria and Jerusalem (Ignatios Dick) 2 – Os Melquitas (Dom Pierre Moulallem) 3 – The Melkite Church (Serge Descy)

Crédito: Daniel Silva

 
 
 

Posts Relacionados

Ver tudo

Comentários


CONTATO
Avalie-nosRuimNão muito bomBomMuito bomÓtimoAvalie-nos

Agradecemos pelo envio !

© 2019 - 2023. INTERVENÇÃO DIVINA - Criado por Divino Design.

Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

bottom of page
ConveyThis