SALMO XLI – Frei Luis de León

Como a cerva que brama pelas águas correntes, ressequida de sede, a alma clama por ser restituída a Ti, meu Deus, e que me dês guarida.
Meu ser vive sedento do Senhor, do vivente e poderoso. Quando será o momento em que terei o gozo de ver-me ante teu rosto glorioso’?
Dia e noite chorando, das lágrimas retiro meu sustento, pois vivem pressionando, sem que passe um momento: “Mostra onde está teu Deus com fundamento.”
E em choro desatado, derramo o coração com a memória de meu viver passado com tanto povo e glória, cantando teu louvor em longa história.
Mas digo: “Por que tanto te martirizas, minh’alma? Confia em Deus, verás meu canto cantar sonoro, um dia, teu ser saudável e minha alegria.”
E desmesura o mal, Deus meu, além do que já foi contado, vendo-me no areal de Hermón e deserdado de Mísgaro, que a Ti vive apegado.
E assim cada tormenta precede a outra, e com grande ruído jatos d’água violenta ouço a todo momento: “Mostra onde está teu Deus com fundamento.”
Porque te encolhes tanto, e te amarguras, minh’alma? Confia, pois com devido canto eu cantarei um dia: “Meu Deus, meu renascer, minha alegria.”
(Tradução de Luiz Antônio de Figueiredo)
















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