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SALVAR A EDUCAÇÃO CATÓLICA – Padre Santiago Martín

31 de mar. de 2022
3 min de leitura

Colégio dos Jesuítas em São Paulo (foto de 1860)

O Dicastério para a Educação Católica, da Santa Sé, publicou esta semana um importante documento sobre as características que devem ter tanto as escolas católicas, como os que as frequentam e os que nelas trabalham. É um bom documento, embora, como tudo o que é humano, seja aperfeiçoável e sujeito à moda do momento.

O documento aborda a missão da escola católica a partir da sua essência: faz parte da obra missionária e evangelizadora da Igreja. É a partir daí que tudo deve ser compreendido; e é a partir daí que as consequências devem ser tiradas. Os pais e alunos devem saber para onde levam os seus filhos e onde estão; não podem buscar uma escola católica e depois protestar que a escola cumpre o ideário que assumiram, quando aceitaram participar dela. Se os pais procuram uma escola onde haja mais disciplina e rigor académico, mas não aceitam que a escola seja coerente com a fé católica, devem tirar os seus filhos dessa escola e levá-los para outro lugar.

Embora os confrontos entre pais (ou estudantes) e as escolas estejam se tornando-se cada vez mais frequentes, o maior problema está surgindo com os professores destas escolas, especialmente no que diz respeito ao que ensinam e sobre o estilo de vida de alguns destes professores. A controvérsia tem sido até agora particularmente com os professores de religião, quando o bispo retirou a permissão de ensinar o assunto a professores que estavam numa relação, fossem homossexuais ou heterossexuais, sem estarem casados na Igreja.

O novo documento do Vaticano estende a todos os professores a exigência de viver de uma forma coerente com a moral católica, e não apenas àqueles que ensinam religião. Isto dá às escolas uma forte base moral para poderem contratar ou rescindir o contrato com aqueles que manifestamente não cumprem estas condições. Também dá aos bispos o poder de intervir nas escolas se não cumprirem os requisitos de coerência aplicados aos professores. E isto não se aplica apenas àqueles que ensinam religião.

Embora não seja único, o caso mais conhecido de confronto entre uma escola católica e um bispo sobre estas questões foi em Indianápolis. Em 2019, o arcebispo pediu a Brebeuf Jesuit High School que não renovasse o contrato de um professor civilmente casado com outro homem, o qual era também professor noutra escola católica (pediu que fosse feito o mesmo com este último). Os jesuítas recusaram-se a demiti-lo, e o arcebispo proibiu-os de continuar a identificar-se como uma escola católica. Os jesuítas apelaram a Roma e a medida disciplinar do arcebispo foi suspensa, mas até agora não houve qualquer julgamento final. Segundo o novo documento do Dicastério para a Educação Católica, é da competência do bispo intervir em tais casos e não deve haver razão para impedir o prelado de agir, como fez o bispo de Indianápolis naquela altura.

O que sinto falta no documento é que este se limita a exigir coerência entre a vida pessoal dos professores e a doutrina católica. Deveria ter ido mais longe e solicitado às escolas católicas que assegurassem que o ensino por elas ministrado, especialmente na área da religião, fosse fiel à doutrina da Igreja. Os maus exemplos dados pelos professores são felizmente minoritários, mas o mesmo não se pode dizer do mau ensino que é frequentemente dado pelas pessoas consagradas — padres e religiosos — que são donos das escolas. Claro que esta exigência poderia ser também alargada à catequese paroquial, mas por enquanto já terá sido bom exigi-lo das escolas.

Em sua carta aos presidentes das Conferências Episcopais, reunidos em Roma para discutir a questão da pedofilia, Bento XVI disse que o abuso de menores não era apenas uma questão física; segundo o Papa, o ensino de conceitos contrários à moral católica era também, de certa forma, uma corrupção de menores, e que os bispos tinham o dever de impedir que isso acontecesse.

Não será precisamente esta a razão pela qual muitas escolas católicas já não conseguem evangelizar? A fé que os alunos rejeitam será a fé da Igreja, ou uma fé substituta que é supostamente mais fácil para eles aceitarem, mas que na realidade não aceitam?

 
 
 

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