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SONETO AO CRISTO CRUCIFICADO– Autor desconhecido

11 de mar. de 2019
1 min de leitura

Não me move, meu Deus, para querer-te, O céu que me hás um dia prometido: E nem me move o inferno tão temido Para deixar, por isso, de ofender-te.

Tu me moves, Senhor, move-me o ver-te Cravado nessa cruz e escarnecido. Move-me no teu corpo tão ferido Ver o suor de agonia que ele verte.

Moves-me ao teu amor de tal maneira, Que a não haver o céu ainda te amara E a não haver o inferno te temera.

Nada me tens que dar porque te queira; Que, se o que ouso esperar não esperara, O mesmo que te quero te quisera.

(Trad. de Manuel Bandeira)

[No me mueve, mi Dios, para quererte El cielo que me tienes prometido, Ni me mueve eI infierno tan temido Para dejar por eso de ofenderte.

Tu me mueves, Señor; muéveme el verte Clavado en una cruz y escarnecido; Muéveme ver tu cuerpo tan herido; Muéveme tus afrentas y tu muerte.

Muéveme, aí fin, tu amor, y en tal manera, Que aunque no hubiera cielo, yo te amara Y aunque no hubiera infierno, te temiera.

No me tienes que dar porque te quiera, Pues aunque lo que espero no esperara, Lo mismo que te quiero te quisiera.]

 
 
 

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