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SÃO FRANCISCO DE SALES – A VONTADE GOVERNA AS PAIXÕES

27 de jan. de 2018
3 min de leitura

A VONTADE GOVERNA AS PAIXÕES

A vontade, Teotimo, domina a memória, o entendimento e a imaginação, não pela violência, mas pela autoridade, de forma que nem sempre é obedecida, como nem sempre o é o pai de família por seus filhos e seus servos. Ora acontece o mesmo com o apetite sexual (por apetite sensitivo, entendem os filósofos escolásticos: a operação pela qual o homem tende para um bem que convém à sua natureza sensitiva, e que foi percebido pelos sentidos. As operações desta faculdade, elevadas a um grau intenso de força e energia, tomam o nome especial de Paixões que podem ser boas ou Más), que, Como diz Santo Agostinho, em nós, pecadores, tem o nome de concupiscência, e está sujeito à vontade e ao Espírito, como a mulher a seu marido; porque,(santo Agostinho, cidade de Deus, 1.15, cap.7), assim como foi dito a mulher: tu estarás No Poder Do Teu marido e ele te dominará,(Gênesis 3,16), também foi dito a camim que a sua concupiscência que lutaria contra ele (Gênesis 4,7), mas que a podia dominar e submeter. “Ó homem, diz São Bernardo (sermão 5), está na tua mão, se quiseres, fazer do teu inimigo teu servo, de forma que todas as coisas volvam em teu benefício: O teu apetite está debaixo do Teu Domínio e o Subjulgarás. o teu inimigo pode excitar em ti o sentimento de tentação, mas tu podes, se quiseres, dar-lhe recusar-lhe o consentimento”. Se se permites ao apetite que te conduza ao pecado, então ficará e sujeito a ele e ele te subjugará, porque todo aquele que comete o pecado é escravo do pecado(João 8,34); porém antes que o cometas, enquanto ainda não está em teu consentimento, mas só em teu sentimento, quer dizer que só está em teu o apetite e não na tua vontade, o teu apetite está sujeito a ti e tu subjulgarás. O Imperador antes de ser elevado à dignidade Imperial, depende dos eleitores, que dominam sobre ele, podendo escolhê-lo ou rejeitá-lo; mais uma vez eleito, fica desde logo governando e domina sobre eles. Antes da vontade dar o consentimento ao apetite, domina sobre ele; porém, depois do consentimento, a vontade torna-se sua escrava.

Em suma, este apetite sexual é na verdade um súdito Rebelde, sedicioso, inquieto; e devemos confessar, que não poderemos Nunca desfazer-nos dele, de maneira que não ataque e assalte a razão. Contudo a vontade é tão superior, que, se quiser, pode aniquilá-lo, derrubar os seus projetos e repeli-lo, não consentido nas suas sugestões. Não se pode impedir que a concupiscência nasça na alma, mas sim que Produza e consuma o pecado. Esta concupiscência o apetite sensual tem doze movimentos pelos quais, como outros tantos capitães amotinados, Levanta a sedição dentro do homem.

Estes movimentos sensuais, de ordinário inquietam a alma e agitam o corpo; enquanto desassossego a alma, chamam-se perturbações; enquanto comovem o corpo, chamam-se paixões, segundo diz Santo Agostinho (A Cidade de Deus 1.14, Capítulo 8). Todos têm mais em vista o bem e o mal; aquele para o adquirir, este para o evitar. Se o bem é considerado em si mesmo, segundo a sua natural Bondade, excita o amor, primeira e principal paixão; se o bem está ausente, provoca-nos o desejo; se, sendo desejado, julgamos poder obtê-lo, concedemos a esperança; se pensamos não o poder obter, sentimos o desespero; mas quando possuímos, enche-nos de alegria. Ao contrário, apenas conhecemos o Mal, aborrecemo-lo; se está ausente, fugimos dele, se julgamos que o não podemos evitar, tememo-lo; se cremos que o Podemos evitar, afoitamo-nos e animamo-nos; mas, se o sentimos presente, afligimo-nos então A Ira e a cólera acodem repentinamente para rejeitar e repelir o mal, ou pelo menos vingar-nos dele. Se não conseguimos afastá-lo, ficamos tristes; se referimos ao logramos vingar-nos, sentimos o contentamento e a satisfação que causa o prazer do Triunfo, porque, assim como a posse do bem regozija o coração, a vitória contra o mal alimenta a coragem. E sobre toda essa multidão de Paixões sensuais a vontade de mantém o seu império, rejeitando as suas sugestões, repelindo os seus ataques, impedindo os seus efeitos, e por fim, recusando-lhes o consentimento, Sem o qual não a podem prejudicar, e com cuja recusa ficam vencidas, abatidas, enfraquecidos, extenuadas, reprimidas, e, não completamente mortas, pelo menos amortecidas ou modificadas.

São Francisco de Sales: tratado do amor de Deus

 
 
 

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