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UM PAÍS EMPOBRECE SE NÃO FAZ FILHOS – Ettore Gotti Tedeschi

19 de jul. de 2019
3 min de leitura
Ettore e Papa Bento

[O texto é um comentário publicado no blog do famoso jornalista-vaticanista italiano Marco Tosatti. Ettore Gotti Tedeschi, banqueiro e professor universitário, foi nomeado em 2009 por Bento XVI para presidir o Instituto para as Obras de Religião (IOR), o banco do Vaticano. Ligado ao Opus Dei, colaborou na elaboração da encíclica Caritas in veritate, a encíclica que afrontava os problemas recentes da globalização. Por seu trabalho no Banco Santander, conhecia bem os mecanismos da “nova ordem mundial”.]

Caro Marco, li com algum atraso o último comentário no Stilum Curiae, assinado por RVC. Refiro-me ao segundo tópico por ele referido, no qual sustenta (segundo teses alheias) que filhos, em nosso mundo ocidental, não são mais feitos devido a razões econômicas, explicando que “a baixa taxa de fertilidade se deve ao baixo salário das mulheres”; e que se, em vez disso, fosse superior, permitiria que os recursos aumentassem e fosse possível sustentar os filhos desejados.

É um erro clamoroso, tanto conceitual como real. Antes de tudo, diga-se que já há 40 anos as crianças não são mais feitas por razões “culturais”, não por razões econômicas. Além do quê, a história econômica, bem estudada e compreendida, explica que um país se torna pobre por NÃO fazer filhos; e, ao contrário, se torna rico por fazê-los.

De fato, como o PIB pode crescer se a população não cresce ou até diminui?

Sei que é inútil tentar convencer as pessoas com essas considerações, que são tidas como “moralistas”, colocadas em discussão pela própria Autoridade Moral [Igreja], que prefere lidar com as consequências dos fatos, ignorando as causas.

Pense-se em assuntos como pobreza, desigualdade, migração, meio ambiente: são, todos eles, fenômenos avaliados em seus efeitos, jamais em suas causas. E todas as suas causas têm apenas uma única e  verdadeira origem, que as pessoas se recusam a admitir: é o COLAPSO DA NATALIDADE no mundo ocidental.

As considerações sobre o trabalho feminino são antigas e, todas elas, geradas por certa facção da cultura feminista americana. Eu mesmo já refutei a tese que garante que o PIB aumentaria, se todas as mulheres pudessem trabalhar mais. Trata-se de outro erro clamoroso.

Em um contexto de crise econômica, de estagnação, de substituição tecnológica de muitas atividades profissionais etc., o que falta é a oferta de trabalho. Se nesse contexto, por hipótese, todas as mulheres quisessem trabalhar, se produziria o fenômeno da competição entre homens e mulheres pelo mesmo, e cada vez mais raro, posto de trabalho.

Portanto, se criaria um excesso de demanda para uma queda de oferta. O efeito do mesmo trabalho ser disputado entre homens e mulheres traz duas soluções possíveis: ou o trabalho seria dividido entre os dois, com metade da remuneração per capita; ou então a mulher conquistaria a vaga, no lugar do homem (o que, provavelmente, também poderia ser benéfico para muitas empresas).

Mas acima de tudo (permita-me uma brincadeira), se realizaria o sonho do homem desde os tempos pré-históricos, quando ele era forçado a sair da caverna para matar o mamute e trazer alimento para a esposa e os filhos, que enquanto isso ficavam em segurança, na caverna, diante do fogo.

Agora seria a vez dele ficar aquecido na caverna embalando as crianças, enquanto a mulher se ocuparia de caçar o mamute para comê-lo e dar de comer aos seus. (Será por isso que os vegetarianos estão aumentando?…)

Voltando a falar a sério, acaba sendo impossível explicar que o melhor investimento que existe (inclusive econômico) ainda é a família, e não há melhor negócio do que fazer filhos. Mas acho muito difícil explicar isso hoje em dia, especialmente agora que a Autoridade Moral parece tê-lo esquecido. E, como já disse no início, prefere se ocupar agora mais com os efeitos dom que com as causas.

No entanto, como pode um prognóstico ser feito antes do diagnóstico?

 
 
 

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