Um pouco da história do cisma do oriente
Vou abordar os principais motivos que levaram ao primeiro e grande racha na história da igreja, que ficou conhecido como cisma do oriente.
Em 1054 o mundo cristão viu sua primeira cisão de grandes proporções, o cisma que dividiu as igrejas do ocidente (Roma) e do oriente (Constantinopla). Mas porque isso aconteceu? As raízes da separação remontam séculos antes do fato em si, envolve muitos personagens, lugares, culturas e nervos a flor da pele. De uma maneira bem simples, vou tentar mostrar alguns motivos que culminaram na fatídica separação.
1º motivo – Distância geográfica e diferenças culturais.
Ao decidir mudar a capital do império de Roma para Bizâncio no século IV, o imperador Constantino estabeleceu os dados que levariam a um desequilíbrio de poder que progressivamente afastaria as duas cidades. A estratégia política foi perfeita, Constantinopla permaneceu de pé por mil anos após a queda Roma, mas o afastamento entre as Sé de Roma e Constantinopla foi duro. O ocidente falava latim, o oriente o grego, e cada vez mais os orientais, devido a importância política de Constantinopla, passavam a olhar com desprezo os latinos.
2° motivo – A controvérsia iconoclasta
No século VIII, o Imperador Leão III Isáurico deu início a uma campanha iconoclasta. Primeiro através de meios pacíficos e depois por meios violentos. O Imperador tenta coibir o culto às imagens. Em todo lugar, ele ordena a destruição de toda imagem tridimensional que retrate Jesus, os apóstolos ou os santos, o que gerou muita insatisfação entre o povo e o ocidente.Somente no sétimo concílio ecumênico em Niceia no ano de 787 que as coisas se resolveriam. Mas o estrago já estava feito, a relação entre Roma e Constantinopla ia deteriorando lentamente.
3º Motivo – Fócio
Fócio se tornou patriarca de Constantinopla após a renúncia, um tanto obscura de Inácio, por volta de 858. Fócio procurou então aproximar-se do Papa Nicolau I, porém o papa não se deixou influenciar, desconfiado da repentina renúncia de Inácio, não reconheceu Fócio como Patriarca. Após descobrir toda a intriga e traição que Fócio tinha armado, o papa Nicolau I reuniu um sínodo e depôs Fócio do cargo e restitui Inácio como patriarca.
4º motivo – A cláusula Filioque
Fócio reune um concíclio em 867 e faz várias acusações ao bispo de Roma, entre elas o uso do ‘Filioque’. Filioque é uma expressão latina que significa “e do Filho” e representa a doutrina que afirma a procedência do Espírito Santo do Pai «e do Filho». Fócio acusava os latino de alterarem o credo de Constantinopla de 381, que não trazia a palavra. Mas fato é, ela era amplamente usada há muito tempo, e foi ratificada por outros concílios e usado por vários teólogos cristãos. Parecia que Fócio procurava apenas motivos para encrenca, talvez pelo crescente ressentimento com Roma, aumentado ainda mais quando missionários romanos na Bulgária passaram a ensinar o credo com o termo polêmico, era como se Roma cravasse sua bandeira em território Bizantino.
5º – Miguel Cerulário e a causa final
Em 1043, Miguel Cerulário torna-se Patriarca de Constantinopla. Em 1052 decide acabar com as igrejas e mosteiros latinos de Constantinopla. Os templos são fechados e os monges que não aderem ao rito grego são expulsos. Cerulário fez uma série de ataques a Roma, o que levou ao papa enviar uma resposta. O Papa Leão IX (1049-1054) ordenou ao Cardeal Humberto que respondesse a cada um dos pontos levantados por Cerulário. Após encontros entre os enviados do papa e bispos orientais, as negociações de entendimento terminaram frustradas, então os legados papais tomam uma grave resolução em 16 de julho de 1054, diante de grande multidão de clero e povo reunidos na basílica de Santa Sofia, depositam sobre o altar uma sentença de excomunhão contra o Patriarca de Constantinopla. Em resposta, Miguel Cerulário pronunciou anátemas contra os latinos, particularmente contra os legados papais.
O resto é história.
O mundo cristão nunca mais seria o mesmo.
Ramon Serrano
O Caminho
















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