UMA QUESTÃO DE CULINÁRIA

Diz-se, com frequência, em ambientes politicamente corretos, que os conquistadores europeus foram genocidas: podiam ter sido mais tolerantes com os nativos americanos, quinhentos anos atrás, permitindo que sua cultura sobrevivesse paralelamente à cristã ocidental.
O governante asteca Montezuma, em 1519, disse ao conquistador espanhol Hernán Cortez, depois de tomar conhecimento do sacramento católico da eucaristia:
“Vocês comem a carne do seu Deus? Nós comemos a nós mesmos”.
Se nos tornamos semelhantes ao que comemos, parece que a gastronomia ibérica seja superior à asteca: o povo conquistador, que se alimentava de Deus, conseguiu escrever algumas décadas mais tarde, uma obra como Dom Quixote de La Mancha, enquanto o que se alimentava de seres humanos continuou condenado à mais vulgar imanência.
As religiões modelam as civilizações. Por mais que a civilização cristã tenha cometido exageros em suas incursões colonizadoras, pois sempre houve e sempre haverá pecado e pecadores no rebanho cristão, ela foi fundada por Alguém que veio para condenar o sacrifício do homem pelo homem.
No entanto, se um professor de história ousar, atualmente, ensinar a seus alunos, na escola básica, que o tal Cortez fez muito bem em levar outra religião àquele pessoal que apreciava churrasquinho humano, corre o sério risco de ser acionado por alguma ong multiculturalista.
















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