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UMA REAÇÃO UNIVERSITÁRIA À IDEOLOGIA “WOKE” 

12 de nov. de 2021
2 min de leitura

A reação conservadora ao politicamente correto é sempre mais lenta que o desejável, e quase nunca é puramente política, pois é inseparável da economia de mercado, do mundo dos negócios.

É o caso da recém-formada Universidade de Austin, fundada com a intenção de reagir às distorções e pressões do “cancelamento cultural” e do politicamente correto, já dominantes na maioria das universidades americanas (e de todo o mundo ocidental). Mas é, também, um bom negócio: vai contratar professores demitidos pelas universidades dominadas pela militância woke, e certamente atrair alunos que se cansaram dos campus infestados de progressismo violento.

O que é isto: ideologia woke? A palavra é o particípio passado do verbo wake, que significa despertar, acordar. O militante woke é o que está desperto para o que valeria a pena. É, na verdade, uma salada acadêmica das ideologias da moda: genderismo, ambientalismo, antirracismo, que um movimento atual, impelido pela covid, pretende renuir num só feixe, o wokismo, que lê a realidade pela clave do politicamente correto e tem, como método de ação, o “cancelamento cultural”.

As recentes manifestações dos “black lives matter” e dos “antifas” são crias mais ostensivas dessa mentalidade — ou nova religiosidade, seria mais apropriado dizer —, semeada e cultivada nos departamentos de filosofia e ciências humanas dos EUA. Está se espalhando pela Europa e não tardará a aportar nas universidades federais e estaduais do Brasil.

A recém-fundada universidade americana quer ser uma resposta a essa reviravolta iliberal, defendendo a liberdade de cátedra dos professores e a livre manifestação de pensamento dos alunos.

Pelo que parece, o campus de Austin não será só um centro de docência e pesquisa conservadora: muitos dos professores contratados são liberais e alguns até marxistas, vários deles verdadeiras estrelas acadêmicas, “cancelados” pelo radicalismo woke, demitidos por quem, até pouco tempo, parecia comungar dos mesmos pressupostos culturais.

Nada impede que uma universidade desse tipo possa ser, ao mesmo tempo, um bom negócio e um ato de defesa da civilização ameaçada pelo wokismo e sua “monocultura ideológica” (a recente expressão é do filósofo e jornalista alemão Alexander Grau, que aliás não é um conservador).

Só o tempo dirá até que ponto será possível a convivência, no mesmo campus, nos mesmos departamentos, de pessoas treinadas nas últimas décadas, especialmente liberais e marxistas, para o confronto desleal com quem pensa diferente.

 
 
 

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