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É VERDADE QUE O ILUMINISMO VALORIZOU A RAZÃO? SIM, MAS AQUELA FALSA – Corrado Gnerre

8 de nov. de 2021
1 min de leitura

Acredita-se que foi o Iluminismo que, finalmente, descobriu e valorizou a razão.

É realmente assim? Sim e não.

Na verdade, pode-se e deve-se dizer que o Iluminismo impôs um novo modelo de razão, autossuficiente e autorreferencial.

Uma razão que pretende ser a medida e a chave de compreensão para tudo (razão autossuficiente) e também, de certa forma, criadora da própria realidade (razão autorreferencial).

Em suma, segundo esse modelo, tudo que a razão não consegue entender e explicar é como se não existisse.

No entanto, esse modelo cria um deserto cognitivo.

Na verdade, o que realmente pode ser compreendido pelo homem? Nem mesmo ele próprio. O homem – sabe-se – é sempre um mistério para si mesmo.

Shakespeare “responde” a essa tentação da razão ilimitada quando faz Hamlet dizer estas palavras: ” Há mais coisas entre o céu e na terra, Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia.”

De fato, o verdadeiro modelo de razão é outro.

É o modelo segundo o qual ela (a razão) pode nos fazer conhecer o real (daí sua indispensabilidade), mas não pode nos fazer compreendê-lo.

“Compreender”, no sentido literal de “cum-prehendere”, isto é, de “colocar-se dentro”, isto é, esgotar seu mistério.

A razão iluminista, e também a razão neo-iluminista, por outro lado, odeiam o mistério

 
 
 

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