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Nós, que nos preocupamos com a salvação da nossa alma, compartilhamos todos de um mesmo medo: o de que a morte nos encontre despreparados. Como estarmos atentos, então, para que isso não aconteça? De que modo podemos nos preparar para a nossa inevitável partida deste mundo?

Tradicionalmente, a Igreja Católica sempre alertou os seus fiéis para se prepararem para o momento da morte. O Catecismo da Igreja Católica em seu número 1014 diz claramente que:

“A Igreja nos encoraja à preparação da hora de nossa morte (Livrai-nos, Senhor, de uma morte súbita e imprevista: antiga ladainha de todos os santos), a pedir à Mãe de Deus que interceda por nós “na hora de nossa morte” (oração da Ave-Maria) e a entregar-nos a S. José, padroeiro da boa morte: Em todas as tuas ações, em todos os teus pensamentos deverias comportar-te como se tivesse de morrer hoje. Se tua consciência estivesse tranquila, não terias muito medo da morte. Seria melhor evitar o pecado que fugir da morte. Se não estás preparado hoje, como o estarás amanhã? Louvado sejais, meu Senhor, por nossa irmã, a morte corporal, da qual homem algum pode escapar. Ai dos que morrerem em pecado mortal, felizes aqueles que ela encontrar conforme a vossa santíssima vontade, pois a segunda morte não lhes fará mal.”

Ora, ser colhido por uma morte inesperada é, talvez, a pior desgraça que pode acontecer a um cristão. Então, como deve ser a preparação para uma boa morte? Ela passa necessariamente por uma boa vida. E o contrário também pode ser assim explicado: para se viver bem é preciso preparar-se bem para a morte. É o que os santos, como São Roberto Belarmino e Santo Afonso Maria de Ligório ensinaram ao longo dos séculos. Esses santos especificamente, escreveram grandes obras que até os dias atuais auxiliam os cristãos.

No livro “O homem e a eternidade”, o Padre Garrigou-Lagrange descreve a morte e recorda que o homem não deve ser colhido por ela, mas deve esperá-la e estar preparado. Embora haja uma aversão natural ao pensamento sobre a morte, o pecador, por causa disso, vive a fugir do simples pensamento sobre ela, porém o homem temente a Deus, virtuosamente, deveria pensar a respeito da morte várias vezes ao longo do dia.

Os existencialistas, de forma ateia, pagã, exortam o homem a ir autenticamente para a morte. Ora, essa é a postura da Igreja desde há muitos séculos: o homem deve caminhar em direção à morte com seus próprios pés. Isso não quer dizer que ele deva causar a sua morte, é óbvio, mas é preciso ter consciência da iminência da morte.


Apesar disso, a Igreja é bastante razoável em relação à morte, ela compreende que é preciso um respeitoso temor diante da morte, primeiro por causa dos pecados cometidos cotidianamente e dos quais é necessário pedir perdão a Deus, segundo porque, mesmo salvos, talvez seja forçoso pagar alguma pena no Purgatório, o qual, embora seja um lugar de grande esperança, não deixa de ser também de grande sofrimento e de punição.

Diante desse temor reverente diante da morte, o que deve animar a cada fiel é uma fé viva. Esperar a vida eterna, uma vida desfrutada ao lado da Santíssima Trindade, com a Virgem Maria e com os Santos. A fé viva é a primeira virtude que deve brotar no coração de cada indivíduo, além disso, é importante também uma caridade incendida, que cresce no dia a dia, à medida em que se aproxima mais de Deus.

Fé e Caridade são duas virtudes que precisam ser cultivadas e que acabam por tornar mais firme a terceira virtude, a Esperança que, diante da morte, se mostra fundamental. O Pe. Garrigou-Lagrange usa uma expressão interessante para descrever a virtude da Esperança. Ele diz que se trata de uma “certeza tendencial”, ou seja, de uma tendência que impele a pessoa a jogar-se nos braços de Deus. A Igreja dá indulgência plenária para as pessoas que, no momento da morte, renovam os atos de Fé, Esperança e Caridade e também para aquelas que, no derradeiro momento, trazem aos lábios os nomes de Jesus e de Maria.

A preparação para a morte é algo muito sério, conforme visto, por isso, é uma falta de fé e um erro grave, esconder dos doentes a gravidade de sua doença e a proximidade da morte. Constitui um ato de verdadeira caridade avisar as pessoas que a morte está próxima para que elas possam se preparar. Por isso, é injustificável não falar para os pacientes internados nas UTIs, desenganados, qual é realmente o seu estado de saúde, impedindo-os de se prepararem para a apresentação diante do juízo de Deus, pedindo o perdão de seus pecados.

Nesse sentido, o Pe. Garrigou-Lagrange dá um conselho bastante prático: combinar com um parente, um amigo para ser avisado da gravidade da doença e da iminência da morte. Trata-se de um verdadeiro ato de caridade.

Uma outra sugestão preciosa do Pe. Garrigou é a do exercício de viver a Santa Missa, na aproximação da morte, as mesmas realidades nela vividas, ou seja, adoração, reparação, súplica e ação de graças. Diante da morte: adoração, colocar-se diante de Deus, autor da vida, inclinar-se completamente em direção à vontade Dele e adorá-Lo. Em seguida, a reparação, pois é possível que, na morte, a pessoa viva alguma dor, agonia, angústia e assim, oferecer esses sentimentos como reparação das próprias culpas e dos pecados. Depois, a súplica, pedindo a Deus perdão dos próprios pecados, clamando pela misericórdia e compaixão. Finalmente, a ação de graças, por todas as maravilhas e dons recebidos de Nosso Senhor ao longo da vida.

Assim, morte e Eucaristia são duas realidades que estão próximas uma da outra, pois a morte de Cristo é celebrada na Eucaristia. No momento da consagração na Santa Missa, tem-se novamente a morte sacramental de Jesus Cristo, pois o seu sangue está separado de sua carne, de forma incruenta.

Finalmente, o Padre Garrigou-Lagrange sugere a repetição frequente de uma oração de São Pio X, que diz:

“Senhor, seja qual for o gênero de morte que Vos apraz reservar-me, aceito-a desde já, com todo coração e boa vontade, aceito-a de vossas mãos, com todas as suas angústias, penas e dores.”

De maneira teológica, é sabido que a morte não foi desejada por Deus inicialmente, mas, por causa do pecado dos primeiros pais, ela entrou no mundo. Por ter entrado no mundo pela desobediência do homem – e não por um projeto de Deus -, ela revestiu-se de um caráter medicinal, ou seja, é um remédio penal, uma punição que, para o homem, serve de remédio.

A morte ensina ao homem o quanto é passageira esta vida, a como não deve apegar-se a si mesmo nem aos bens materiais. E mais, ensina o homem a colocar os seus tesouros no céu. “Onde está o seu coração? Aí está o seu tesouro” (conf. Lc 12, 34)

A devoção a São José é muitíssimo recomendada, pois é chamado o “Padroeiro da Boa Morte”, uma vez que morreu assistido pela Virgem Santíssima e por Jesus, a situação ideal almejada por todos. São José, rogai por nós.

Como devemos preparar-nos para a morte

Sumário. A experiência prova que morrem felizmente os que, no último momento, estão já mortos para o mundo, isto é, desligados dos bens de que nos deve separar a morte. É, pois, preciso que desde já aceitemos a privação dos bens, a separação dos parentes e de todas as coisas da terra, lembrando-nos que, se não o fizermos voluntariamente agora, necessariamente teremos de o fazer na morte, mas com risco da salvação eterna. Quem ainda não escolheu um estado de vida, tome aquele que houvera querido escolher na hora da morte.

I. Diz Santo Ambrósio que morrem felizmente os que, no tempo da sua morte, estão já mortos para o mundo, isto é, desligados daqueles bens de que forçosamente os deve separar a morte. Mister, pois, se torna que desde já aceitemos a privação dos bens, a separação dos parentes e de todas as coisas da terra. Se não fizermos isto voluntariamente durante a vida, seremos forçados a fazê-lo na morte, mas então com extrema dor e com risco da salvação eterna.

A este propósito observa Santo Agostinho que, para morrer em paz, é vantajosíssimo pormos em ordem durante a vida os negócios temporais, fazendo desde já a disposição dos bens que é preciso deixar, a fim de não termos de nos ocupar então senão da nossa união com Deus. — Naquela hora convém que só se fale em Deus e no paraíso. Os últimos momentos da vida são demasiadamente preciosos para serem desperdiçados em pensamentos terrestres. É na morte que se acaba a coroa dos escolhidos, porque é então que se recolhe a maior soma de merecimentos, aceitando os sofrimentos e a morte com resignação e amor.

Semelhantes sentimentos, porém, não os poderá ter na morte quem não os tiver excitado durante a vida. Com este fim, pessoas devotas têm por hábito renovarem todos os meses a protestação da boa morte com os atos cristãos de fé, esperança e caridade, com a confissão e comunhão, como se já estivessem no leito de morte, próximas a saírem deste mundo. Oh, como esta prática nos ajudará a caminharmos bem, a nos desprendermos do mundo e morrermos de boa morte! Beatus ille servus, quem, cum venerit dominus eius, inveniet sic facientem (1) — “Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, encontre a fazer isto.”

Quem espera a toda a hora a morte, ainda que esta venha subitamente, não pode deixar de morrer bem. Ao contrário, o que se não faz na vida, é dificílimo fazê-lo na morte. — A grande serva de Deus, irmã Catarina de Santo Alberto, da ordem de Santa Teresa, estando para morrer, gemia e dizia: Minhas irmãs, não é o medo da morte que me faz gemer, porque há vinte e cinco anos que a estou esperando, gemo por ver tantas pessoas iludidas, que vivem no pecado, e esperam, para se reconciliarem com Deus à hora da morte, em que eu com dificuldade posso pronunciar o nome de Jesus.

II. Examina-te, meu irmão, e vê se tens o coração apegado a alguma coisa terrestre: a alguma pessoa, a algum posto, a alguma casa, a alguma riqueza, a alguma sociedade, a alguns divertimentos, e lembra-te que não és eterno. Tudo terás de deixar um dia, e talvez em breve. Porque queres então ficar agarrado a esses objetos com risco de morreres cheio de inquietações? Oferece desde já tudo a Deus, estando disposto a privar-te de tudo, quando Lhe agradar.

Se não tens ainda escolhido o estado de vida, toma o que na hora da morte quiseras ter escolhido e que te deixará morrer mais contente. Se já o escolheste, faze agora o que então quiseras ter feito no teu estado. Faze como se cada dia fosse o último de tua vida e cada ação a última que praticas: a última oração, a última confissão, a última comunhão. Imagina, numa palavra, a cada hora que já estás no leito da morte, ouvindo a intimação: proficiscere de hoc mundo — “parte deste mundo”, e por isso repete muitas vezes a protestação para a boa morte, dizendo:

Ó meu Deus, só poucas horas me restam; nelas vos quero amar quanto possa na vida presente, para mais Vos amar na outra. Pouco tenho que Vos oferecer; ofereço-Vos os meus padecimentos e o sacrifício da minha vida, em união com o sacrifício que Jesus Cristo Vos ofereceu por mim na cruz. Senhor, as penas que sofro são poucas e leves em comparação com as que mereci; tais como são, aceito-as em testemunho do amor que Vos tenho. Resigno-me a todos os castigos que me queirais infligir nesta vida e na outra, contanto que Vos possa amar na eternidade. Castiga-me tanto quanto Vos aprouver, mas não me priveis do vosso amor. Sei que não merecia mais amar-Vos, por ter tantas vezes desprezado o vosso amor; mas Vós não podeis repelir uma alma arrependida. Pesa-me, ó meu supremo Bem, de Vos haver ofendido. Amo-vos de todo o coração e em Vós ponho toda a minha confiança. A vossa morte, ó Redentor meu, é a minha esperança. Deposito a minha alma em vossas mãos chagadas. — Maria, minha querida Mãe, socorrei-me nesse grande momento. Desde já vos entrego o meu espírito: dizei a vosso Filho que se apiede de mim. A vós me recomendo, livrai-me do inferno.
 
 
 

Por cada pecado mortal perdoado, uma alma precisaria passar, em média, por sete anos no Purgatório. Conheça esta e outras revelações recebidas por duas místicas da Igreja Católica. Leia também neste artigo se Devemos ter medo das penas do Purgatório e no final do artigo algumas dicas para se evitar o purgatório e ir direto ao céu.

Conforme revelações aos santos, o Purgatório não é uma colônia de férias, mas um local de purificação quase tão terrível quanto o inferno. tanUma hora de purgatório pode ser pior que uma vida inteira das mais duras penitências e sofrimentos nessa vida.

A principal diferença com relação ao inferno é que aqueles que vão para o purgatório já estão salvos, isso significa que o sofrimento terá um fim quando as penas devidas forem pagas integralmente (isso pode demorar 1 ano como muitos séculos), enquanto os que são condenados ao inferno sofrerão para sempre.

Aprouve a Deus mostrar em espírito as sombrias moradas do Purgatório a algumas almas privilegiadas, as quais revelariam os mistérios dolorosos que aí se passavam para a edificação dos fiéis [1].

Foi deste número a ilustre Santa Francisca, fundadora das Oblatas, que morreu em Roma, a 9 de março de 1440. Deus a favoreceu com grandes luzes a respeito do estado das almas na outra vida. Ela viu o Inferno e os seus horríveis tormentos; viu também o interior do Purgatório e a ordem misteriosa — quase como uma “hierarquia de expiações” — que reina nesta parte da Igreja de Jesus Cristo.

“Santa Francisca Romana dando esmolas”, de Giovanni Battista Gaulli.

Em obediência a seus superiores, que se viram obrigados a lhe imporem esta obrigação, ela deu a conhecer tudo quanto Deus lhe havia manifestado; e suas visões, escritas a pedido do venerável cônego Matteotti, seu diretor espiritual, gozam de toda a autenticidade que se pode desejar nessas matérias.

A serva de Deus declara que, depois de ter suportado com horror indescritível a visão do Inferno, saiu daquele abismo e foi conduzida por seu guia celestial até as regiões do Purgatório. Ali não reinava nem o terror nem a desordem, nem o desespero nem a escuridão eterna; ali a esperança divina difundia sua luz, de modo que, como lhe disseram, este lugar de purificação também era chamado de “estadia de esperança”. Ela viu ali almas que sofriam cruelmente, mas anjos as visitavam e assistiam em seus sofrimentos.

O Purgatório, ela dizia, é dividido em três partes distintas, que são como que as três grandes províncias daquele reino de sofrimento. Elas estão situadas uma abaixo da outra, e são ocupadas por almas de diferentes ordens, estando estas mais profundamente submersas quanto mais contaminadas e distantes estiverem da hora de sua libertação.

Santa Francisca Romana viu no Purgatório almas que sofriam cruelmente, mas os anjos de Deus as visitavam e assistiam em seus sofrimentos.

A região mais baixa é repleta de um fogo violento, mas não tão obscuro quanto o do Inferno; trata-se de um vasto mar de fogo, do qual são expelidas chamas imensas. Inumeráveis almas encontram-se mergulhadas nessas profundezas: são aquelas que se tornaram culpadas de pecados mortais, devidamente confessados, mas não suficientemente expiados em vida. A serva de Deus então aprendeu que, por cada pecado mortal perdoado, resta à alma culpada passar por um sofrimento de sete anos [2]. Esse prazo não pode evidentemente ser encarado como uma medida definitiva, mas como uma pena média, já que pecados mortais diferem em enormidade. Ainda que as almas estejam envoltas pelas mesmas chamas, seus sofrimentos não são os mesmos: eles variam de acordo com o número e a natureza dos pecados cometidos.

Neste Purgatório mais baixo a santa notou a presença de leigos e de pessoas consagradas a Deus. Os leigos eram aqueles que, depois de uma vida de pecado, tiveram a alegria de se converterem sinceramente; as pessoas consagradas a Deus eram aquelas que não haviam vivido de acordo com a santidade do seu estado de vida.

Naquele mesmo momento, ela viu descer a alma de um sacerdote conhecido dela, mas cujo nome ela não revela: o padre tinha a face coberta com um véu que escondia uma mancha. Embora tenha levado uma vida edificante, este padre não havia sempre observado com rigor a virtude da temperança, tendo procurado mui ardentemente as satisfações da mesa.

Por cada pecado mortal perdoado, resta à alma culpada passar por um sofrimento de, em média, sete anos no Purgatório.

A santa foi conduzida então ao Purgatório intermediário, destinado para as almas que haviam merecido um castigo menos rigoroso. Aí havia três distintos compartimentos: um que lembrava um imenso calabouço de gelo, cujo frio era indescritivelmente intenso; o segundo, ao contrário, era como um grande caldeirão de óleo e massa fervente; o terceiro tinha a aparência de um lago de metal líquido semelhante a ouro ou prata fundidos.

O alto Purgatório, que a santa não descreve, é a morada temporária das almas que menos sofrem — com exceção da pena de perda [3] —, e estão muito próximas do feliz momento de sua libertação.

Tal é, em substância, a visão de Santa Francisca Romana relativa ao Purgatório.

O que segue, agora, é um registro de Santa Maria Madalena de Pazzi, uma carmelita de Florença, tal como vai relatado em sua biografia, escrita pelo pe. Cepare. Sua revelação dá uma figura mais completa do Purgatório, ao passo que a visão precedente não faz senão traçar os seus contornos.

Santa Maria Madalena de Pazzi, em uma pintura de Pedro de Moya.

Algum tempo antes de sua morte, que aconteceu em 1607, a serva de Deus, M.ª Madalena de Pazzi, estando uma noite com várias outras religiosas no jardim do convento, foi arrebatada em êxtase e viu o Purgatório aberto diante de si. Ao mesmo tempo, como ela deu a conhecer depois, uma voz lhe fez o convite para visitar todas as prisões da Justiça divina e contemplar como são verdadeiramente dignas de compaixão todas as almas detidas neste lugar.

Neste momento, ouviu-se ela dizer: “Sim, eu irei”, consentindo em empreender esta dolorosa jornada. De fato, ela caminhou por duas horas em torno do jardim, o qual era muito grande, fazendo pausas de tempos em tempos. A cada vez que interrompia o passo, ela contemplava atentamente os sofrimentos que lhe eram mostrados. Ela foi vista, então, apertando com força as mãos e pedindo compaixão, seu rosto tornou-se pálido e seu corpo curvou-se sob o peso do sofrimento, em presença do terrível espetáculo com o qual ela se confrontava.

A santa começou a lamentar em alta voz: “Misericórdia, meu Senhor, misericórdia! Descei, ó Sangue Precioso, e libertai estas almas de sua prisão. Pobres almas! Sofreis tão cruelmente e, no entanto, estais tão contentes e alegres. Os cárceres dos mártires, em comparação com estes, eram jardins de deleite. Não obstante, existem outros ainda mais profundos. Quão feliz sorte seria a minha, se não fosse obrigada a descer para estes lugares!”

“Pobres almas! Sofreis tão cruelmente e, no entanto, estais tão contentes e alegres.”

Ela desceu, no entanto, porque foi forçada a continuar seu caminho. Tendo dado alguns passos, porém, ela parou aterrorizada e, suspirando, gritou: “Quê? Até religiosos nesta morada sombria! Bom Deus, como eles são atormentados! Ah, Senhor!” A santa não explica a natureza dos sofrimentos que tinha diante dos olhos, mas o horror que ela manifestava ao contemplá-los fazia com que ela suspirasse a cada passo que dava.

Daí ela passou a lugares menos obscuros. Eram as prisões das almas simples e de crianças nas quais a ignorância e a falta de razão extenuaram muitas faltas. Seus tormentos pareciam à santa muito mais suportáveis que os das outras pessoas. Nada havia ali a não ser gelo e fogo. Ela notou que estas almas tinham consigo seus anjos da guarda, os quais as fortificavam enormemente com sua presença; mas ela também via demônios cujas formas pavorosas faziam aumentar seus sofrimentos.

Avançando um pouco mais o passo, ela viu almas ainda mais desafortunadas, e ouviu-se ela gritar: “Ó, quão horrível é este lugar! Ele é cheio de demônios horrendos e tormentos inacreditáveis! Quem, ó meu Senhor, são as vítimas dessas cruéis torturas? Ai! Elas estão sendo perfuradas com espadas afiadas, elas estão sendo cortadas em pedaços.” Foi-lhe revelado, então, que aquelas eram as almas cuja conduta havia sido contaminada pela hipocrisia.

Avançando um pouco, ela viu uma grande multidão de almas que eram feridas, por assim dizer, e esmagadas sob uma prensa; e ela entendeu que aquelas eram as almas que se haviam apegado à impaciência e à desobediência durante suas vidas. Ao contemplá-las, os olhares, os suspiros e toda a atitude da santa exprimiam compaixão e terror.

O cárcere das almas que haviam se manchado com a impureza era tão sujo e pestilento, que a visão deu náuseas a Santa Madalena de Pazzi.

Um momento depois sua agitação aumentou, e a santa soltou um grito terrível. Era o cárcere dos mentirosos que agora se abria diante dela. Depois de o considerar atentamente, ela gritou bem alto: “Os mentirosos são confinados em um lugar na vizinhança do Inferno, e seus sofrimentos são excessivamente grandes. Chumbo fundido é derramado dentro de suas bocas; eu os vejo queimar e, ao mesmo tempo, tremer de frio.”

Ela foi então à prisão daquelas almas que haviam pecado por fraqueza, e ouviu-se ela exclamar: “Ai! Eu havia pensado que os encontraria entre aqueles que haviam pecado por ignorância, mas eu me enganei; vós queimais com um fogo mais intenso.”

Mais adiante, ela observou almas que se haviam apegado demais aos bens deste mundo e haviam pecado por avareza. “Que cegueira”, ela disse, “ter buscado tão ardentemente uma fortuna perecível! Aqueles a quem as riquezas não puderam saciar o suficiente aqui são devorados com tormentos. Eles se fundem como metal na fornalha ardente.”

Daí ela passou ao lugar onde as almas aprisionadas haviam se manchado com a impureza. Ela as viu em um cárcere tão sujo e pestilento que a visão lhe deu náuseas, e ela imediatamente deu as costas àquele espetáculo repugnante. Vendo os ambiciosos e os orgulhosos, ela disse: “Vede aqueles que quiseram brilhar diante dos homens! Agora estão condenados a viver nesta escuridão pavorosa.”

Foram-lhe mostradas, então, aquelas almas que haviam sido culpadas de ingratidão para com Deus. Elas eram vítimas de tormentos indescritíveis e afogadas, por assim dizer, em um lago de chumbo fundido, por haver feito secar, com sua ingratidão, a fonte da piedade.

Muitas almas no Purgatório tinham consigo seus anjos da guarda, que as fortificavam enormemente com sua presença; mas havia também demônios cujas formas pavorosas faziam aumentar seus sofrimentos.

Finalmente, em um último cárcere, foram-lhe mostradas as almas que não se tinham dado a nenhum vício em particular, mas que, por falta da devida vigilância sobre si mesmas, cometeram todo tipo de faltas triviais. A santa notou que estas almas tomavam parte nos castigos de todos os vícios, em um grau moderado, porque as faltas que elas cometeram apenas de tempos em tempos tornaram-nas menos culpadas do que aqueles que as tinham cometido habitualmente.

Após esta última estação, a santa deixou o jardim, implorando a Deus que nunca mais a fizesse testemunha de um espetáculo tão desolador: ela sentia que não tinha forças para suportá-lo.

Seu êxtase continuou, no entanto, e conversando com Jesus ela falou: “Dizei-me, Senhor, qual era o vosso desígnio em descobrir-me aquelas terríveis prisões, das quais eu sabia tão pouco e agora compreendo ainda menos? Ah, agora eu vejo: quisestes dar-me o conhecimento de vossa infinita santidade e fazer-me detestar cada vez mais a mínima mancha de pecado, tão abominável aos vossos olhos.”

Fonte: Equipe Christo Nihil Praeponere

Devemos ter medo das penas do Purgatório?

Existem no Purgatório, assim como Inferno, dois tipos de pena: a de dano e a dos sentidos.

A pena de dano consiste em ser privado por um tempo da visão de Deus, que é o bem supremo, o fim beatífico para o qual nossas almas foram criadas, assim como nossos olhos o foram para a luz. Trata-se de uma sede lancinante que atormenta a alma.

“Quase todos os teólogos ensinam que os réprobos e as almas no Purgatório sofrem a ação do mesmo fogo.”

A pena dos sentidos, que é um sofrimento sensível, é a mesma que experimentamos em nossa carne. A fé nada nos diz sobre a sua natureza; no entanto, é opinião comum dos doutores que ela consiste em fogo e noutras formas de sofrimento. O fogo do Purgatório, dizem os Santos Padres, é o mesmo do Inferno, do qual fala o rico epulão: Quia crucior in hac flamma, “Eu sofro horrores nestas chamas” (Lc 16, 26).

No que diz respeito à intensidade das dores, infligidas pela infinita justiça de Deus, ela é proporcional à natureza, à gravidade e ao número dos pecados cometidos. Cada um recebe conforme a suas obras, ou seja, cada um deve satisfazer as dívidas pelas quais se vê responsável diante de Deus.

Esses débitos, no entanto, diferem grandemente em qualidade. Alguns os acumularam durante toda uma vida, a ponto de atingirem os dez mil talentos do Evangelho, ou seja, milhões e dezenas de milhões; outros, porém, contraíram pouco a pagar, ou seja, devem aqueles poucos tostões que não foram expiados na terra.

“A Virgem do Carmo salvando almas do Purgatório”, de Diego Quispe Tito.

Disto se segue, em primeiro lugar, que as almas são submetidas a diversos tipos de sofrimento; além disso, existem inúmeros graus de expiação no Purgatório, dos quais alguns são incomparavelmente mais severos do que outros. Contudo, falando em termos gerais, os doutores concordam em dizer que as penas que ali se padecem são as mais excruciantes de todas.

O mesmo fogo, diz S. Gregório Magno, que atormenta os condenados, purifica os eleitos (cf. In Ps. 37). “Quase todos os teólogos”, escreve S. Roberto Belarmino, “ensinam que os réprobos e as almas no Purgatório sofrem a ação do mesmo fogo” (De Purgat., II, 6). Deve-se ter como certo, diz o mesmo Belarmino (cf. De Gemitu Columbæ, II, 9), que não há proporção entre os sofrimentos da vida presente e os do Purgatório.

S. Agostinho, por sua vez, afirma exatamente o mesmo em seu comentário ao Salmo 31: “Senhor”, escreve ele, “não me castigueis em vossa ira e não me rejeiteis entre aqueles a quem dissestes: ‘Ide para o fogo eterno’. Não me castigueis em vossa ira; purificai-me, antes, de tal modo nesta vida que eu não precise ser purificado pelo fogo na próxima. Sim, eu temo este fogo, que foi ateado para os que serão salvos, é verdade; mas, ainda assim, continua a ser fogo (cf. 1Cor 3, 15). Eles serão salvos, sem dúvida, depois da provação das chamas, mas essa provação será terrível, o tormento será mais intolerável do que os piores tormentos deste mundo”.

Não há proporção entre os sofrimentos da vida presente e os do Purgatório.

Notai o que diz S. Agostinho, e o que S. Gregório, o Venerável Beda, S. Anselmo e S. Bernardo disseram depois dele. Santo Tomás vai ainda mais longe, chegando a afirmar que a mais leve das penas do Purgatório supera todos os sofrimentos desta vida, sejam eles quais forem. A dor, diz o beato Peter Lefèvre, é mais profunda e mais aguda quando ataca diretamente a alma e a mente do que quando as atinge mediante o corpo. O corpo mortal, assim como os próprios sentidos, absorvem e atenuam uma parte da dor física, e até mesmo da dor moral (Sentim. du B. Lefèvre sur la Purg. Mess. du S. Coeur, nov. 1873).

O autor da Imitação de Cristo, por sua vez, explica essa doutrina com uma sentença prática e impressionante. Falando de maneira geral dos sofrimentos da outra vida, ele diz que “lá uma hora de tormentos será mais terrível do que uma centena de anos de rigorosa penitência passada aqui” (Imit., I, 24).

A fim de comprovar essa doutrina, pensemos que todas as almas no Purgatório sofrem a pena de dano e que essa pena supera o mais intenso sofrimento possível neste mundo. Voltando-nos agora para a pena dos sentidos, sabemos que coisa terrível é o fogo, ainda que seja uma frágil chama acendida em nossas casas, e que dor se sente na mais leve queimadura. O quão mais terrível não deve ser, pois, aquele fogo inextinguível, que não se alimenta nem de madeira nem de óleo! Acendido pelo sopro de Deus, como instrumento de sua justiça, ele se apodera das almas, atormentando-as com incomparável fúria.

No Purgatório, uma hora de tormentos será mais terrível do que uma centena de anos de rigorosa penitência passada aqui.

Tudo o que dissemos — e que ainda havemos de dizer — já basta para inspirar-nos aquele temor sadio que Jesus Cristo nos recomenda. Mas antes que alguns leitores, esquecidos da confiança cristã que deve moderar nossos medos, se entreguem a um temor excessivo, permitam-nos aprofundar a doutrina que acabamos de expor ouvindo o que diz outro doutor da Igreja, S. Francisco de Sales, cuja pena retrata os sofrimentos do Purgatório aliviados pelas consolações que os acompanham.

São Francisco de Sales, bispo e doutor da Igreja.

“Nós devemos”, diz o santo e amável diretor de almas, “colher da meditação do Purgatório mais consolação do que apreensão. A maior parte daqueles que temem o Purgatório pensam mais em seus próprios interesses do que nos interesses da glória de Deus. Ora, isso se deve ao fato de que pensam apenas nos sofrimentos, sem levarem em conta a paz e a alegria de que gozam as santas almas que ali habitam. É verdade que os tormentos são tão grandes que os sofrimentos mais agudos desta vida não se lhes comparam; mas a satisfação interior que lá se experimenta é tal, que nenhuma prosperidade ou contentamento desta terra se lhe pode igualar.

As almas vivem ali numa contínua união com Deus, perfeitamente conformadas com a vontade divina. Só querem o que Deus quer e, se lhes fosse aberto o Paraíso, prefeririam precipitar-se no Inferno a apresentar-se manchadas diante de Deus. Purificam-se voluntária e amorosamente, porque assim Deus o quer. Desejam permanecer no estado que mais aprouver a Deus, e isto por todo o tempo que for da vontade dele.

São invencíveis na prova e não podem ter um movimento sequer de impaciência nem cometer qualquer imperfeição. Amam mais a Deus do que a si próprias, com um amor simples, puro e desinteressado. Os anjos as consolam e estão certas de sua salvação, com uma esperança inigualável. Suas amarguras são mitigadas por uma paz profunda. Se é infernal a dor que sofrem, a caridade derrama-lhes no coração uma inefável ternura. É uma caridade mais forte do que a morte e mais poderosa do que o Inferno. O Purgatório é um feliz estado, mais desejável que temível, porque as chamas que lá ardem são chamas de amor” (Esprit de St. François de Sales, IX, p. 16).

A satisfação interior que se experimenta no Purgatório é tal, que nenhuma prosperidade ou contentamento desta terra se lhe pode igualar.

Tais são os ensinamentos dos doutores. Do quanto vimos se segue que, se as penas do Purgatório são rigorosas, não são, contudo, carentes de toda consolação. Quando nos impõe a cruz nesta vida, Deus derrama sobre ela a unção de sua graça. Assim também, ao purificar as almas no Purgatório como ouro na fornalha, Ele ameniza o ardor de suas chamas com consolações indescritíveis. Não devemos, pois, perder de vista esse elemento consolador, esse lado bom e positivo da imagem, pintada às vezes em cores tão sombrias, que iremos analisar nos próximos capítulos.

10 DICAS PARA EVITAR O PURGATÓRIO

1 – Elimine as causas do pecado e lute contra qualquer tentação.

2 – Penitência (Oferecer a Deus pequenos sacrifícios).

2 – Aceitar o sofrimento – a vontade de Deus. (Exemplo: Não reclamar calor, frio).

3 – Sacramentos (Confissão, Eucaristia) – Através do Percebemos a malícia do pecado.

5 – Oração (Morte Santa e que eu fique livre do purgatório).

6 – Aceite a morte (Aceitar a morte da maneira que Deus quiser).

SENHOR MEU DEUS, ACEITO DESDE JÁ, DE BOA VONTADE, E RECEBO COM ALEGRIA E RESIGNAÇÃO O GÊNERO DE MORTE QUE VOS PROVER COM VOSSAS DORES E SOFRIMENTOS.

7 – Unção dos enfermos.

8 – Salvar uma alma (Ajudar uma alma a sair do pecado).

9 – Indulgências (Parciais e plenárias).

10 – Difundir a boa imprensa. (Divulgar a vida dos santos – catolicismo).

 
 
 

Nos Livros Santos chamam-se Novíssimos às coisas que sucederão ao homem no fim da vida: a morte, o juízo, o destino eterno: o céu ou o inferno. A Igreja apresenta-os de modo especial durante o mês de novembro. Através da liturgia, convidam-se os cristãos a meditar nestas realidades.

1. O que há depois da morte? Deus julga cada pessoa pela sua vida?

O Catecismo da Igreja Católica ensina que «a morte põe termo à vida do homem, enquanto tempo aberto à aceitação ou à rejeição da graça divina, manifestada em Jesus Cristo» «Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através de uma purificação, quer para entrar imediatamente na felicidade do céu, quer para se condenar imediatamente para sempre». Neste sentido S. João da Cruz fala do juízo particular de cada um dizendo que «ao entardecer desta vida, examinar-te-ão no amor». Catecismo da Igreja Católica, 1021-1022

Contemplar o mistério

  1. Tudo se conserta, menos a morte… E a morte conserta tudo. Sulco, 878

  2. Em face da morte, sereno! – É assim que te quero. – Não com o estoicismo frio do pagão; mas com o fervor do filho de Deus, que sabe que a vida é mudada, não tirada. – Morrer?… Viver! Sulco, 876

  3. Não faças da morte uma tragédia!, porque não o é. Só aos filhos desamorados é que não entusiasma o encontro com seus pais. Sulco, 885

  4. O verdadeiro cristão está sempre disposto a comparecer diante de Deus. Porque, em cada instante – se luta por viver como homem de Cristo -, encontra-se preparado para cumprir o seu dever. Sulco, 875

  5. “Achei graça quando ouvi o senhor falar das “contas” que Deus lhe pedirá. Não, para vós Ele não será Juiz – no sentido austero da palavra -, mas simplesmente Jesus”. Esta frase, escrita por um Bispo santo, que consolou mais de um coração atribulado, bem pode consolar o teu. Caminho, 168

2. Quem são os que vão para o céu? Como é o céu?

O céu é “o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva.” S. Paulo escreve: Nem olho viu, nem ouvido ouviu, nem passou pelo pensamento do homem as coisas que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Cor 2, 9).

Depois do juízo particular, os que morrem na graça e na amizade de Deus e estão perfeitamente purificados vão para o céu. Vivem em Deus, vêem-no tal como é. Estão sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, gozam da sua felicidade, do seu Bem, da Verdade e da Beleza de Deus.

Esta vida perfeita com a Santíssima Trindade,esta comunhão de vida e de amor com Ela, com a Virgem Maria, com os anjos e com todos os bem-aventurados chama-se céu. Pela sua morte e ressurreição, Jesus Cristo «abriu-nos» o céu. Viver no céu é “estar com Cristo” (cf. Jo 14, 3; Flp 1, 23; 1 Ts 4,17). Os eleitos vivem «n’Ele»; mas n’Ele conservam, ou melhor, encontram a sua verdadeira identidade, o seu nome próprio. (cf. Ap 2, 17) Catecismo da Igreja Católica, 1023-1026

Contemplar o mistério

  1. Mentem os homens quando dizem “para sempre” nas coisas temporais. Só é verdade, com uma verdade total, o “para sempre” da eternidade. – E assim hás de viver tu, com uma fé que te faça sentir sabores de mel, doçuras de céu, ao pensares nessa eternidade que, essa sim, é para sempre! Forja, 999

  2. Pensa como é grato a Deus Nosso Senhor o incenso que se queima em sua honra; pensa também quão pouco valem as coisas da terra que, mal começam, já acabam… Pelo contrário, um grande Amor te espera no Céu: sem traições, sem enganos: todo o amor, toda a beleza, toda a grandeza, toda a ciência…! E sem enjoar: saciar-te-á sem saciar. Forja, 995

  3. Se transformamos os projetos temporais em metas absolutas, cancelando do horizonte a morada eterna e o fim para que fomos criados – amar e louvar o Senhor, e possuí-lo depois no Céu -, os mais brilhantes empreendimentos se tornam traições e mesmo veículo para aviltar as criaturas. Recordemos a sincera e famosa exclamação de Santo Agostinho, que havia passado por tantas amarguras enquanto desconhecia Deus e procurava fora dEle a felicidade: Criaste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em ti! Amigos de Deus, 208

  4. Na vida espiritual, muitas vezes é preciso saber perder, aos olhos da terra, para ganhar no Céu. – Assim ganha-se sempre. Forja, 998

3. O que é o purgatório? É para sempre?

Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu. A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados.

Esta doutrina apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que já fala a Sagrada Escritura: «Por isso, [Judas Macabeu] pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres das suas faltas» (2 Mac 12, 46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o Sacrifício eucarístico para que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos. Catecismo da Igreja Católica, 1030-1032

Contemplar o mistério

  1. O purgatório é uma misericórdia de Deus, para limpar os defeitos daqueles que desejam identificar-se com Ele. Sulco, 889

  2. Não queiras fazer nada para ganhar méritos, nem por medo das penas do purgatório. Empenha-te, desde agora e para sempre, em fazer tudo, até as coisas mais pequenas, para dar gosto a Jesus. Forja, 1041

  3. “Esta é a vossa hora, e o poder das trevas”. – Quer dizer que… o homem pecador tem a sua hora? – Tem, sim… E Deus, a sua eternidade! Caminho, 734

4. O inferno existe?

Significa permanecer separado d’Ele – do nosso Criador – para sempre, por nossa própria livre escolha. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra «Inferno».

Morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus é escolher este fim para sempre.

A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente, após a morte, aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, «o fogo eterno». A principal pena do inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em Quem o homem pode ter a vida e a felicidade para que foi criado e a que aspira.

Jesus fala muitas vezes da «geena» do «fogo que não se apaga» (630) reservada aos que recusam, até ao fim da vida, acreditar e converter-se, e na qual podem perder-se, ao mesmo tempo, a alma e o corpo. A principal pena do inferno consiste na separação eterna de Deus.

As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar da sua liberdade, tendo em vista o destino eterno. Constituem, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão: «Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e espaçoso o caminho que levam à perdição e muitos são os que seguem por eles. Que estreita é a porta e apertado o caminho que levam à vida e como são poucos aqueles que os encontram!» (Mt 7, 13-14). Catecismo da igreja Católica, 1033-1036

Contemplar o mistério

  1. Não esqueçais que é mais cômodo – mas é um descaminho – evitar a todo o custo o sofrimento, com a desculpa de não desgostar o próximo. Freqüentemente, esconde-se nessa inibição uma vergonhosa fuga à dor própria, já que normalmente não é agradável fazer uma advertência séria. Meus filhos, lembrai-vos de que o inferno está cheio de bocas fechadas. Amigos de Deus, 161

  2. Um discípulo de Cristo nunca raciocinará assim: “Eu procuro ser bom, e os outros, se quiserem…, que vão para o inferno”. Este comportamento não é humano, nem se coaduna com o amor de Deus, nem com a caridade que devemos ao próximo. Forja, 952

  3. Somente o inferno é castigo do pecado. A morte e o juízo não passam de conseqüências, que aqueles que vivem na graça de Deus não temem. Sulco, 890

5. Quando será o juízo final? Em que consistirá?

A ressurreição de todos os mortos, «justos e pecadores» (Act 24, 15), há-de preceder o Juízo final. Será «a hora em que todos os que estão nos túmulos hão-de ouvir a sua voz e sairão: os que tiverem praticado o bem, para uma ressurreição de vida, e os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de condenação» (Jo 5, 28-29). Então Cristo virá «na sua glória, com todos os seus anjos […]. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. […] Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna» (Mt 25, 31-33.46).

O Juízo final terá lugar quando acontecer a vinda gloriosa de Cristo. Só o Pai sabe o dia e a hora, só Ele decide sobre a sua vinda. Pelo seu Filho Jesus Cristo. Ele pronunciará então a sua palavra definitiva sobre toda a história. Nós ficaremos a saber o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais a sua providência tudo terá conduzido para o seu fim último. O Juízo final revelará como a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas pelas suas criaturas e como o seu amor é mais forte do que a morte (cf. Ct.8, 6). A mensagem do Juízo final é um apelo à conversão, enquanto Deus dá ainda aos homens «o tempo favorável, o tempo da salvação» (2 Cor 6, 2). Ela inspira o santo temor de Deus, empenha na justiça do Reino de Deus e anuncia a «feliz esperança» (Tt 2, 13) do regresso do Senhor, que virá «para ser glorificado nos seus santos, e admirado em todos os que tiverem acreditado» (2 Ts 1, 10). Catecismo da Igreja Católica, 1038-1041

Contemplar o mistério

  1. Quando pensares na morte, apesar dos teus pecados, não tenhas medo… Porque Ele já sabe que O amas…, e de que massa estás feito. – Se tu O procurares, acolher-te-á como o pai ao filho pródigo: mas tens de procurá-Lo! Sulco, 880

  2. “Conheço algumas e alguns que não têm forças nem para pedir socorro”, dizes-me desgostoso e cheio de pena. – Não passes ao largo; a tua vontade de salvar-te e de salvá-los pode ser o ponto de partida da sua conversão. Além disso, se reconsideras, perceberás que também a ti te estenderam a mão. Sulco, 778

  3. O mundo, o demônio e a carne são uns aventureiros que, aproveitando-se da fraqueza do selvagem que trazes dentro de ti, querem que, em troca do fictício brilho de um prazer – que nada vale -, lhes entregues o ouro fino e as pérolas e os brilhantes e os rubis embebidos no sangue vivo e redentor do teu Deus, que são o preço e o tesouro da tua eternidade. Caminho, 708

  4. Para salvares o homem, Senhor, morres na Cruz; e, no entanto, por um só pecado mortal, condenas o homem a uma eternidade infeliz de tormentos… Quanto te ofende o pecado, e quanto não devo odiá-lo! Forja, 1002

6. No final dos tempos Deus prometeu céu novo e uma nova terra. Que devemos esperar?

A esta misteriosa renovação, que há-de transformar a humanidade e o mundo, a Sagrada Escritura chama «os novos céus e a nova terra» (2 Pe 3, 13) (640). Será a realização definitiva do desígnio divino de «reunir sob a chefia de Cristo todas as coisas que há nos céus e na terra» (Ef 1, 10). Para o homem, esta consumação será a realização final da unidade do género humano, querida por Deus desde a criação e da qual a Igreja peregrina era «como que o sacramento» (LG 1). Os que estiverem unidos a Cristo formarão a comunidade dos resgatados, a «Cidade santa de Deus» (Ap 21, 2), a «Esposa do Cordeiro» (Ap 21, 9). Esta não mais será atingida pelo pecado, pelas manchas (644), pelo amor próprio, que destroem e ferem a comunidade terrena dos homens. A visão beatífica, em que Deus Se manifestará aos eleitos de modo inesgotável, será a fonte inexaurível da felicidade, da paz e da mútua comunhão.

«Ignoramos o tempo em que a terra e a humanidade atingirão a sua plenitude, e também não sabemos como é que o universo será transformado. Porque a figura deste mundo, deformada pelo pecado, passa certamente, mas Deus ensina-nos que se prepara uma nova habitação e uma nova terra, na qual reinará a justiça e cuja felicidade satisfará e superará todos os desejos de paz que se levantam no coração dos homens(GS 39).

«A expectativa da nova terra não deve, porém, enfraquecer, mas antes ativar a solicitude em ordem a desenvolver esta terra onde cresce o corpo da nova família humana, que já consegue apresentar uma certa prefiguração do mundo futuro. Por conseguinte, embora o progresso terreno se deva cuidadosamente distinguir do crescimento do Reino de Cristo, todavia, na medida em que pode contribuir para a melhor organização da sociedade humana, interessa muito ao Reino de Deus» (DS 39). Catecismo da Igreja Católica, 1043-1049

Contemplar o mistério

  1. Enquanto aqui vivemos, o reino assemelha-se ao fermento que uma mulher tomou e misturou com três medidas de farinha, até que toda a massa ficou fermentada. Quem compreende o reino que Cristo propõe, percebe que vale a pena arriscar tudo para consegui-lo: é a pérola que o mercador adquire à custa de vender tudo o que possui, é o tesouro achado no campo. O reino dos céus é uma conquista difícil, e ninguém tem a certeza de alcançá-lo; mas o clamor humilde do homem arrependido consegue que as suas portas se abram de par em par. É Cristo que passa, 180

  2. Nesta terra, a contemplação das realidades sobrenaturais, a ação da graça em nossas almas, o amor ao próximo como fruto saboroso do amor a Deus, representam já uma antecipação do céu, um começo destinado a crescer de dia para dia. Nós, os cristãos, não suportamos uma vida dupla: mantemos uma unidade de vida, simples e forte, em que se fundamentam e se compenetram todas as nossas ações. É Cristo que passa, 126

  3. O tempo é o nosso tesouro, o “dinheiro” para comprarmos a eternidade. Sulco, 882

Fonte: Opus Dei

 
 
 
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