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Nos Livros Santos chamam-se Novíssimos às coisas que sucederão ao homem no fim da vida: a morte, o juízo, o destino eterno: o céu ou o inferno. A Igreja apresenta-os de modo especial durante o mês de novembro. Através da liturgia, convidam-se os cristãos a meditar nestas realidades.

1. O que há depois da morte? Deus julga cada pessoa pela sua vida?

O Catecismo da Igreja Católica ensina que «a morte põe termo à vida do homem, enquanto tempo aberto à aceitação ou à rejeição da graça divina, manifestada em Jesus Cristo» «Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através de uma purificação, quer para entrar imediatamente na felicidade do céu, quer para se condenar imediatamente para sempre». Neste sentido S. João da Cruz fala do juízo particular de cada um dizendo que «ao entardecer desta vida, examinar-te-ão no amor». Catecismo da Igreja Católica, 1021-1022

Contemplar o mistério

  1. Tudo se conserta, menos a morte… E a morte conserta tudo. Sulco, 878

  2. Em face da morte, sereno! – É assim que te quero. – Não com o estoicismo frio do pagão; mas com o fervor do filho de Deus, que sabe que a vida é mudada, não tirada. – Morrer?… Viver! Sulco, 876

  3. Não faças da morte uma tragédia!, porque não o é. Só aos filhos desamorados é que não entusiasma o encontro com seus pais. Sulco, 885

  4. O verdadeiro cristão está sempre disposto a comparecer diante de Deus. Porque, em cada instante – se luta por viver como homem de Cristo -, encontra-se preparado para cumprir o seu dever. Sulco, 875

  5. “Achei graça quando ouvi o senhor falar das “contas” que Deus lhe pedirá. Não, para vós Ele não será Juiz – no sentido austero da palavra -, mas simplesmente Jesus”. Esta frase, escrita por um Bispo santo, que consolou mais de um coração atribulado, bem pode consolar o teu. Caminho, 168

2. Quem são os que vão para o céu? Como é o céu?

O céu é “o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva.” S. Paulo escreve: Nem olho viu, nem ouvido ouviu, nem passou pelo pensamento do homem as coisas que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Cor 2, 9).

Depois do juízo particular, os que morrem na graça e na amizade de Deus e estão perfeitamente purificados vão para o céu. Vivem em Deus, vêem-no tal como é. Estão sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, gozam da sua felicidade, do seu Bem, da Verdade e da Beleza de Deus.

Esta vida perfeita com a Santíssima Trindade,esta comunhão de vida e de amor com Ela, com a Virgem Maria, com os anjos e com todos os bem-aventurados chama-se céu. Pela sua morte e ressurreição, Jesus Cristo «abriu-nos» o céu. Viver no céu é “estar com Cristo” (cf. Jo 14, 3; Flp 1, 23; 1 Ts 4,17). Os eleitos vivem «n’Ele»; mas n’Ele conservam, ou melhor, encontram a sua verdadeira identidade, o seu nome próprio. (cf. Ap 2, 17) Catecismo da Igreja Católica, 1023-1026

Contemplar o mistério

  1. Mentem os homens quando dizem “para sempre” nas coisas temporais. Só é verdade, com uma verdade total, o “para sempre” da eternidade. – E assim hás de viver tu, com uma fé que te faça sentir sabores de mel, doçuras de céu, ao pensares nessa eternidade que, essa sim, é para sempre! Forja, 999

  2. Pensa como é grato a Deus Nosso Senhor o incenso que se queima em sua honra; pensa também quão pouco valem as coisas da terra que, mal começam, já acabam… Pelo contrário, um grande Amor te espera no Céu: sem traições, sem enganos: todo o amor, toda a beleza, toda a grandeza, toda a ciência…! E sem enjoar: saciar-te-á sem saciar. Forja, 995

  3. Se transformamos os projetos temporais em metas absolutas, cancelando do horizonte a morada eterna e o fim para que fomos criados – amar e louvar o Senhor, e possuí-lo depois no Céu -, os mais brilhantes empreendimentos se tornam traições e mesmo veículo para aviltar as criaturas. Recordemos a sincera e famosa exclamação de Santo Agostinho, que havia passado por tantas amarguras enquanto desconhecia Deus e procurava fora dEle a felicidade: Criaste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em ti! Amigos de Deus, 208

  4. Na vida espiritual, muitas vezes é preciso saber perder, aos olhos da terra, para ganhar no Céu. – Assim ganha-se sempre. Forja, 998

3. O que é o purgatório? É para sempre?

Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu. A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados.

Esta doutrina apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que já fala a Sagrada Escritura: «Por isso, [Judas Macabeu] pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres das suas faltas» (2 Mac 12, 46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o Sacrifício eucarístico para que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos. Catecismo da Igreja Católica, 1030-1032

Contemplar o mistério

  1. O purgatório é uma misericórdia de Deus, para limpar os defeitos daqueles que desejam identificar-se com Ele. Sulco, 889

  2. Não queiras fazer nada para ganhar méritos, nem por medo das penas do purgatório. Empenha-te, desde agora e para sempre, em fazer tudo, até as coisas mais pequenas, para dar gosto a Jesus. Forja, 1041

  3. “Esta é a vossa hora, e o poder das trevas”. – Quer dizer que… o homem pecador tem a sua hora? – Tem, sim… E Deus, a sua eternidade! Caminho, 734

4. O inferno existe?

Significa permanecer separado d’Ele – do nosso Criador – para sempre, por nossa própria livre escolha. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra «Inferno».

Morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus é escolher este fim para sempre.

A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente, após a morte, aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, «o fogo eterno». A principal pena do inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em Quem o homem pode ter a vida e a felicidade para que foi criado e a que aspira.

Jesus fala muitas vezes da «geena» do «fogo que não se apaga» (630) reservada aos que recusam, até ao fim da vida, acreditar e converter-se, e na qual podem perder-se, ao mesmo tempo, a alma e o corpo. A principal pena do inferno consiste na separação eterna de Deus.

As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar da sua liberdade, tendo em vista o destino eterno. Constituem, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão: «Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e espaçoso o caminho que levam à perdição e muitos são os que seguem por eles. Que estreita é a porta e apertado o caminho que levam à vida e como são poucos aqueles que os encontram!» (Mt 7, 13-14). Catecismo da igreja Católica, 1033-1036

Contemplar o mistério

  1. Não esqueçais que é mais cômodo – mas é um descaminho – evitar a todo o custo o sofrimento, com a desculpa de não desgostar o próximo. Freqüentemente, esconde-se nessa inibição uma vergonhosa fuga à dor própria, já que normalmente não é agradável fazer uma advertência séria. Meus filhos, lembrai-vos de que o inferno está cheio de bocas fechadas. Amigos de Deus, 161

  2. Um discípulo de Cristo nunca raciocinará assim: “Eu procuro ser bom, e os outros, se quiserem…, que vão para o inferno”. Este comportamento não é humano, nem se coaduna com o amor de Deus, nem com a caridade que devemos ao próximo. Forja, 952

  3. Somente o inferno é castigo do pecado. A morte e o juízo não passam de conseqüências, que aqueles que vivem na graça de Deus não temem. Sulco, 890

5. Quando será o juízo final? Em que consistirá?

A ressurreição de todos os mortos, «justos e pecadores» (Act 24, 15), há-de preceder o Juízo final. Será «a hora em que todos os que estão nos túmulos hão-de ouvir a sua voz e sairão: os que tiverem praticado o bem, para uma ressurreição de vida, e os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de condenação» (Jo 5, 28-29). Então Cristo virá «na sua glória, com todos os seus anjos […]. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. […] Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna» (Mt 25, 31-33.46).

O Juízo final terá lugar quando acontecer a vinda gloriosa de Cristo. Só o Pai sabe o dia e a hora, só Ele decide sobre a sua vinda. Pelo seu Filho Jesus Cristo. Ele pronunciará então a sua palavra definitiva sobre toda a história. Nós ficaremos a saber o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais a sua providência tudo terá conduzido para o seu fim último. O Juízo final revelará como a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas pelas suas criaturas e como o seu amor é mais forte do que a morte (cf. Ct.8, 6). A mensagem do Juízo final é um apelo à conversão, enquanto Deus dá ainda aos homens «o tempo favorável, o tempo da salvação» (2 Cor 6, 2). Ela inspira o santo temor de Deus, empenha na justiça do Reino de Deus e anuncia a «feliz esperança» (Tt 2, 13) do regresso do Senhor, que virá «para ser glorificado nos seus santos, e admirado em todos os que tiverem acreditado» (2 Ts 1, 10). Catecismo da Igreja Católica, 1038-1041

Contemplar o mistério

  1. Quando pensares na morte, apesar dos teus pecados, não tenhas medo… Porque Ele já sabe que O amas…, e de que massa estás feito. – Se tu O procurares, acolher-te-á como o pai ao filho pródigo: mas tens de procurá-Lo! Sulco, 880

  2. “Conheço algumas e alguns que não têm forças nem para pedir socorro”, dizes-me desgostoso e cheio de pena. – Não passes ao largo; a tua vontade de salvar-te e de salvá-los pode ser o ponto de partida da sua conversão. Além disso, se reconsideras, perceberás que também a ti te estenderam a mão. Sulco, 778

  3. O mundo, o demônio e a carne são uns aventureiros que, aproveitando-se da fraqueza do selvagem que trazes dentro de ti, querem que, em troca do fictício brilho de um prazer – que nada vale -, lhes entregues o ouro fino e as pérolas e os brilhantes e os rubis embebidos no sangue vivo e redentor do teu Deus, que são o preço e o tesouro da tua eternidade. Caminho, 708

  4. Para salvares o homem, Senhor, morres na Cruz; e, no entanto, por um só pecado mortal, condenas o homem a uma eternidade infeliz de tormentos… Quanto te ofende o pecado, e quanto não devo odiá-lo! Forja, 1002

6. No final dos tempos Deus prometeu céu novo e uma nova terra. Que devemos esperar?

A esta misteriosa renovação, que há-de transformar a humanidade e o mundo, a Sagrada Escritura chama «os novos céus e a nova terra» (2 Pe 3, 13) (640). Será a realização definitiva do desígnio divino de «reunir sob a chefia de Cristo todas as coisas que há nos céus e na terra» (Ef 1, 10). Para o homem, esta consumação será a realização final da unidade do género humano, querida por Deus desde a criação e da qual a Igreja peregrina era «como que o sacramento» (LG 1). Os que estiverem unidos a Cristo formarão a comunidade dos resgatados, a «Cidade santa de Deus» (Ap 21, 2), a «Esposa do Cordeiro» (Ap 21, 9). Esta não mais será atingida pelo pecado, pelas manchas (644), pelo amor próprio, que destroem e ferem a comunidade terrena dos homens. A visão beatífica, em que Deus Se manifestará aos eleitos de modo inesgotável, será a fonte inexaurível da felicidade, da paz e da mútua comunhão.

«Ignoramos o tempo em que a terra e a humanidade atingirão a sua plenitude, e também não sabemos como é que o universo será transformado. Porque a figura deste mundo, deformada pelo pecado, passa certamente, mas Deus ensina-nos que se prepara uma nova habitação e uma nova terra, na qual reinará a justiça e cuja felicidade satisfará e superará todos os desejos de paz que se levantam no coração dos homens(GS 39).

«A expectativa da nova terra não deve, porém, enfraquecer, mas antes ativar a solicitude em ordem a desenvolver esta terra onde cresce o corpo da nova família humana, que já consegue apresentar uma certa prefiguração do mundo futuro. Por conseguinte, embora o progresso terreno se deva cuidadosamente distinguir do crescimento do Reino de Cristo, todavia, na medida em que pode contribuir para a melhor organização da sociedade humana, interessa muito ao Reino de Deus» (DS 39). Catecismo da Igreja Católica, 1043-1049

Contemplar o mistério

  1. Enquanto aqui vivemos, o reino assemelha-se ao fermento que uma mulher tomou e misturou com três medidas de farinha, até que toda a massa ficou fermentada. Quem compreende o reino que Cristo propõe, percebe que vale a pena arriscar tudo para consegui-lo: é a pérola que o mercador adquire à custa de vender tudo o que possui, é o tesouro achado no campo. O reino dos céus é uma conquista difícil, e ninguém tem a certeza de alcançá-lo; mas o clamor humilde do homem arrependido consegue que as suas portas se abram de par em par. É Cristo que passa, 180

  2. Nesta terra, a contemplação das realidades sobrenaturais, a ação da graça em nossas almas, o amor ao próximo como fruto saboroso do amor a Deus, representam já uma antecipação do céu, um começo destinado a crescer de dia para dia. Nós, os cristãos, não suportamos uma vida dupla: mantemos uma unidade de vida, simples e forte, em que se fundamentam e se compenetram todas as nossas ações. É Cristo que passa, 126

  3. O tempo é o nosso tesouro, o “dinheiro” para comprarmos a eternidade. Sulco, 882

Fonte: Opus Dei

 
 
 

Nos Livros Santos chamam-se Novíssimos às coisas que sucederão ao homem no fim da vida: a morte, o juízo, o destino eterno: o céu ou o inferno. A Igreja apresenta-os de modo especial durante o mês de novembro. Através da liturgia, convidam-se os cristãos a meditar nestas realidades.

1. O que há depois da morte? Deus julga cada pessoa pela sua vida?

O Catecismo da Igreja Católica ensina que «a morte põe termo à vida do homem, enquanto tempo aberto à aceitação ou à rejeição da graça divina, manifestada em Jesus Cristo» «Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através de uma purificação, quer para entrar imediatamente na felicidade do céu, quer para se condenar imediatamente para sempre». Neste sentido S. João da Cruz fala do juízo particular de cada um dizendo que «ao entardecer desta vida, examinar-te-ão no amor». Catecismo da Igreja Católica, 1021-1022

Contemplar o mistério

  1. Tudo se conserta, menos a morte… E a morte conserta tudo. Sulco, 878

  2. Em face da morte, sereno! – É assim que te quero. – Não com o estoicismo frio do pagão; mas com o fervor do filho de Deus, que sabe que a vida é mudada, não tirada. – Morrer?… Viver! Sulco, 876

  3. Não faças da morte uma tragédia!, porque não o é. Só aos filhos desamorados é que não entusiasma o encontro com seus pais. Sulco, 885

  4. O verdadeiro cristão está sempre disposto a comparecer diante de Deus. Porque, em cada instante – se luta por viver como homem de Cristo -, encontra-se preparado para cumprir o seu dever. Sulco, 875

  5. “Achei graça quando ouvi o senhor falar das “contas” que Deus lhe pedirá. Não, para vós Ele não será Juiz – no sentido austero da palavra -, mas simplesmente Jesus”. Esta frase, escrita por um Bispo santo, que consolou mais de um coração atribulado, bem pode consolar o teu. Caminho, 168

2. Quem são os que vão para o céu? Como é o céu?

O céu é “o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva.” S. Paulo escreve: Nem olho viu, nem ouvido ouviu, nem passou pelo pensamento do homem as coisas que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Cor 2, 9).

Depois do juízo particular, os que morrem na graça e na amizade de Deus e estão perfeitamente purificados vão para o céu. Vivem em Deus, vêem-no tal como é. Estão sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, gozam da sua felicidade, do seu Bem, da Verdade e da Beleza de Deus.

Esta vida perfeita com a Santíssima Trindade,esta comunhão de vida e de amor com Ela, com a Virgem Maria, com os anjos e com todos os bem-aventurados chama-se céu. Pela sua morte e ressurreição, Jesus Cristo «abriu-nos» o céu. Viver no céu é “estar com Cristo” (cf. Jo 14, 3; Flp 1, 23; 1 Ts 4,17). Os eleitos vivem «n’Ele»; mas n’Ele conservam, ou melhor, encontram a sua verdadeira identidade, o seu nome próprio. (cf. Ap 2, 17) Catecismo da Igreja Católica, 1023-1026

Contemplar o mistério

  1. Mentem os homens quando dizem “para sempre” nas coisas temporais. Só é verdade, com uma verdade total, o “para sempre” da eternidade. – E assim hás de viver tu, com uma fé que te faça sentir sabores de mel, doçuras de céu, ao pensares nessa eternidade que, essa sim, é para sempre! Forja, 999

  2. Pensa como é grato a Deus Nosso Senhor o incenso que se queima em sua honra; pensa também quão pouco valem as coisas da terra que, mal começam, já acabam… Pelo contrário, um grande Amor te espera no Céu: sem traições, sem enganos: todo o amor, toda a beleza, toda a grandeza, toda a ciência…! E sem enjoar: saciar-te-á sem saciar. Forja, 995

  3. Se transformamos os projetos temporais em metas absolutas, cancelando do horizonte a morada eterna e o fim para que fomos criados – amar e louvar o Senhor, e possuí-lo depois no Céu -, os mais brilhantes empreendimentos se tornam traições e mesmo veículo para aviltar as criaturas. Recordemos a sincera e famosa exclamação de Santo Agostinho, que havia passado por tantas amarguras enquanto desconhecia Deus e procurava fora dEle a felicidade: Criaste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em ti! Amigos de Deus, 208

  4. Na vida espiritual, muitas vezes é preciso saber perder, aos olhos da terra, para ganhar no Céu. – Assim ganha-se sempre. Forja, 998

3. O que é o purgatório? É para sempre?

Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu. A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados.

Esta doutrina apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que já fala a Sagrada Escritura: «Por isso, [Judas Macabeu] pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres das suas faltas» (2 Mac 12, 46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o Sacrifício eucarístico para que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos. Catecismo da Igreja Católica, 1030-1032

Contemplar o mistério

  1. O purgatório é uma misericórdia de Deus, para limpar os defeitos daqueles que desejam identificar-se com Ele. Sulco, 889

  2. Não queiras fazer nada para ganhar méritos, nem por medo das penas do purgatório. Empenha-te, desde agora e para sempre, em fazer tudo, até as coisas mais pequenas, para dar gosto a Jesus. Forja, 1041

  3. “Esta é a vossa hora, e o poder das trevas”. – Quer dizer que… o homem pecador tem a sua hora? – Tem, sim… E Deus, a sua eternidade! Caminho, 734

4. O inferno existe?

Significa permanecer separado d’Ele – do nosso Criador – para sempre, por nossa própria livre escolha. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra «Inferno».

Morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus é escolher este fim para sempre.

A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente, após a morte, aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, «o fogo eterno». A principal pena do inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em Quem o homem pode ter a vida e a felicidade para que foi criado e a que aspira.

Jesus fala muitas vezes da «geena» do «fogo que não se apaga» (630) reservada aos que recusam, até ao fim da vida, acreditar e converter-se, e na qual podem perder-se, ao mesmo tempo, a alma e o corpo. A principal pena do inferno consiste na separação eterna de Deus.

As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar da sua liberdade, tendo em vista o destino eterno. Constituem, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão: «Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e espaçoso o caminho que levam à perdição e muitos são os que seguem por eles. Que estreita é a porta e apertado o caminho que levam à vida e como são poucos aqueles que os encontram!» (Mt 7, 13-14). Catecismo da igreja Católica, 1033-1036

Contemplar o mistério

  1. Não esqueçais que é mais cômodo – mas é um descaminho – evitar a todo o custo o sofrimento, com a desculpa de não desgostar o próximo. Freqüentemente, esconde-se nessa inibição uma vergonhosa fuga à dor própria, já que normalmente não é agradável fazer uma advertência séria. Meus filhos, lembrai-vos de que o inferno está cheio de bocas fechadas. Amigos de Deus, 161

  2. Um discípulo de Cristo nunca raciocinará assim: “Eu procuro ser bom, e os outros, se quiserem…, que vão para o inferno”. Este comportamento não é humano, nem se coaduna com o amor de Deus, nem com a caridade que devemos ao próximo. Forja, 952

  3. Somente o inferno é castigo do pecado. A morte e o juízo não passam de conseqüências, que aqueles que vivem na graça de Deus não temem. Sulco, 890

5. Quando será o juízo final? Em que consistirá?

A ressurreição de todos os mortos, «justos e pecadores» (Act 24, 15), há-de preceder o Juízo final. Será «a hora em que todos os que estão nos túmulos hão-de ouvir a sua voz e sairão: os que tiverem praticado o bem, para uma ressurreição de vida, e os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de condenação» (Jo 5, 28-29). Então Cristo virá «na sua glória, com todos os seus anjos […]. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. […] Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna» (Mt 25, 31-33.46).

O Juízo final terá lugar quando acontecer a vinda gloriosa de Cristo. Só o Pai sabe o dia e a hora, só Ele decide sobre a sua vinda. Pelo seu Filho Jesus Cristo. Ele pronunciará então a sua palavra definitiva sobre toda a história. Nós ficaremos a saber o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais a sua providência tudo terá conduzido para o seu fim último. O Juízo final revelará como a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas pelas suas criaturas e como o seu amor é mais forte do que a morte (cf. Ct.8, 6). A mensagem do Juízo final é um apelo à conversão, enquanto Deus dá ainda aos homens «o tempo favorável, o tempo da salvação» (2 Cor 6, 2). Ela inspira o santo temor de Deus, empenha na justiça do Reino de Deus e anuncia a «feliz esperança» (Tt 2, 13) do regresso do Senhor, que virá «para ser glorificado nos seus santos, e admirado em todos os que tiverem acreditado» (2 Ts 1, 10). Catecismo da Igreja Católica, 1038-1041

Contemplar o mistério

  1. Quando pensares na morte, apesar dos teus pecados, não tenhas medo… Porque Ele já sabe que O amas…, e de que massa estás feito. – Se tu O procurares, acolher-te-á como o pai ao filho pródigo: mas tens de procurá-Lo! Sulco, 880

  2. “Conheço algumas e alguns que não têm forças nem para pedir socorro”, dizes-me desgostoso e cheio de pena. – Não passes ao largo; a tua vontade de salvar-te e de salvá-los pode ser o ponto de partida da sua conversão. Além disso, se reconsideras, perceberás que também a ti te estenderam a mão. Sulco, 778

  3. O mundo, o demônio e a carne são uns aventureiros que, aproveitando-se da fraqueza do selvagem que trazes dentro de ti, querem que, em troca do fictício brilho de um prazer – que nada vale -, lhes entregues o ouro fino e as pérolas e os brilhantes e os rubis embebidos no sangue vivo e redentor do teu Deus, que são o preço e o tesouro da tua eternidade. Caminho, 708

  4. Para salvares o homem, Senhor, morres na Cruz; e, no entanto, por um só pecado mortal, condenas o homem a uma eternidade infeliz de tormentos… Quanto te ofende o pecado, e quanto não devo odiá-lo! Forja, 1002

6. No final dos tempos Deus prometeu céu novo e uma nova terra. Que devemos esperar?

A esta misteriosa renovação, que há-de transformar a humanidade e o mundo, a Sagrada Escritura chama «os novos céus e a nova terra» (2 Pe 3, 13) (640). Será a realização definitiva do desígnio divino de «reunir sob a chefia de Cristo todas as coisas que há nos céus e na terra» (Ef 1, 10). Para o homem, esta consumação será a realização final da unidade do género humano, querida por Deus desde a criação e da qual a Igreja peregrina era «como que o sacramento» (LG 1). Os que estiverem unidos a Cristo formarão a comunidade dos resgatados, a «Cidade santa de Deus» (Ap 21, 2), a «Esposa do Cordeiro» (Ap 21, 9). Esta não mais será atingida pelo pecado, pelas manchas (644), pelo amor próprio, que destroem e ferem a comunidade terrena dos homens. A visão beatífica, em que Deus Se manifestará aos eleitos de modo inesgotável, será a fonte inexaurível da felicidade, da paz e da mútua comunhão.

«Ignoramos o tempo em que a terra e a humanidade atingirão a sua plenitude, e também não sabemos como é que o universo será transformado. Porque a figura deste mundo, deformada pelo pecado, passa certamente, mas Deus ensina-nos que se prepara uma nova habitação e uma nova terra, na qual reinará a justiça e cuja felicidade satisfará e superará todos os desejos de paz que se levantam no coração dos homens(GS 39).

«A expectativa da nova terra não deve, porém, enfraquecer, mas antes ativar a solicitude em ordem a desenvolver esta terra onde cresce o corpo da nova família humana, que já consegue apresentar uma certa prefiguração do mundo futuro. Por conseguinte, embora o progresso terreno se deva cuidadosamente distinguir do crescimento do Reino de Cristo, todavia, na medida em que pode contribuir para a melhor organização da sociedade humana, interessa muito ao Reino de Deus» (DS 39). Catecismo da Igreja Católica, 1043-1049

Contemplar o mistério

  1. Enquanto aqui vivemos, o reino assemelha-se ao fermento que uma mulher tomou e misturou com três medidas de farinha, até que toda a massa ficou fermentada. Quem compreende o reino que Cristo propõe, percebe que vale a pena arriscar tudo para consegui-lo: é a pérola que o mercador adquire à custa de vender tudo o que possui, é o tesouro achado no campo. O reino dos céus é uma conquista difícil, e ninguém tem a certeza de alcançá-lo; mas o clamor humilde do homem arrependido consegue que as suas portas se abram de par em par. É Cristo que passa, 180

  2. Nesta terra, a contemplação das realidades sobrenaturais, a ação da graça em nossas almas, o amor ao próximo como fruto saboroso do amor a Deus, representam já uma antecipação do céu, um começo destinado a crescer de dia para dia. Nós, os cristãos, não suportamos uma vida dupla: mantemos uma unidade de vida, simples e forte, em que se fundamentam e se compenetram todas as nossas ações. É Cristo que passa, 126

  3. O tempo é o nosso tesouro, o “dinheiro” para comprarmos a eternidade. Sulco, 882

Fonte: Opus Dei

 
 
 

AS REALIDADES ESCATOLÓGICAS As realidades últimas (εσχατον ) são as realidades posteriores à vida terrena do homem e à história da humanidade. O mundo e o homem são obras de Deus, por Ele livremente criados’, a Ele ordenados numa teleologia sublime que, em última análise, não é outra coisa senão a história da salvação. O homem não termina sua existência metafísica com a morte, que é, ao contrário, o ingresso numa nova vida; e também o mundo, que foi feito espectador da maravilhosa providência de Deus Criador e Redentor, deverá ser transfigurado para transformar-se no cenário do próprio Deus, que irá consumar Seu ato de amor. Há, portanto, duas escatologias: a humana, que começa com a morte de cada um de nós e com o cumprimento de seu destino na outra vida, e a cósmica, que inicia com o fim da história. Será, então, o fim dos tempos, quando Cristo Ressuscitado, vencedor da morte e do pecado, julgará a humanidade inteira e inaugurará definitivamente o Reino de Deus, onde não haverá nem lágrimas, nem morte, e Deus será tudo em todos: “Já não haverá noite e não terão mais necessidade de luz de lâmpada, nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os iluminará e reinarão pelos séculos dos séculos” (Ap 22,5). A escatologia, última na ordem temporal, é também o objeto último da nossa Esperança, que dá sentido à vida cristã, que vive da Fé: “A Fé é a substância das coisas que  se esperam e prova das que não se veem” [Est autem fides sperandarum substantia rerum, argumentum non apparentium] (Hb 11,1). “Se é só para esta vida que temos posto nossa Esperança em Cristo, somos os mais miseráveis de todos os homens” ( ICor 15,19). As realidades escatológicas não são, portanto, as últimas apenas em sentido histórico e temporal, mas também porque são a consumação definitiva da Obra da salvação e a coroa da vitória do amor de Deus pelos homens. Podemos, pois, distinguir: 1) Escatologia individual: morte, juízo, inferno, purgatório, paraíso. É o que comumente se chamam “os novíssimos”, termo derivado dos livros sapienciais: “Em todas as tuas obras lembra-se do teu fim [novíssima tua] e jamais pecarás” (Eclo 7,40). 2) Escatologia coletiva: ressurreição, juízo universal, fim da história em um novo céu e em uma nova terra (cf. Ap 21, 1.5). 3) Escatologia intermediária: chama-se o tempo que transcorre entre a morte do homem e a ressurreição final. A morte marca o destino definitivo para cada um dos homens: para os justos, a vida eterna; para os réprobos, a morte eterna; para os justos, ainda não inteiramente limpos, uma purificação prévia que os prepare para a vida eterna, isto é, o purgatório. Como acontece com outras verdades reveladas, o Magistério da Igreja limitou-se a definir os pontos essenciais da Fé contra as heresias que foram surgindo no decorrer do tempo. Deste modo foi sendo explicitado, à luz da Sagrada Escritura e da Tradição, o núcleo mais simples dos primitivos símbolos da Fé: a eternidade da retribuição, inclusive para os ímpios (contra os origenistas); a vida eterna, como visão imediata de Deus, em dois sentidos: como ausência de um meio interposto à contemplação e como inexistência de um tempo transitório antes da visão (contra algumas tendências primitivas que retardavam a bem aventurança eterna); a necessidade de uma purificação para quem morre na graça de Deus, mas não se acha de todo purificado (contra os erros de alguns orientais e dos protestantes); a ressurreição do homem todo, não só a sobrevivência da alma, no fim dos tempos. Num ambiente impregnado de dualismo platônico, queconsiderava a ressurreição uma volta da alma ao cárcere do corpo, inaceitável diante de uma filosofia que desprezava a matéria, São Paulo reivindica a ressurreição como verdade revelada por Deus (cf. At 17,32). Este dualismo ressurgiu várias vezes na Idade Média, contra o qual a Igreja sempre defendeu a dignidade de toda a Criação material, principalmente do corpo humano. Nos tempos atuais, renascem tendências diametralmente opostas ao sentido da antropologia tradicional, que concebe o homem como um ser composto de corpo (material mortal) e alma (espiritual e imortal). Segundo os autores dessa tendência (C. Stange em 1925, K. Barth em 1940, H. Thielicke em 1946, E. Brunner e O. Cullman em 1953, P. Menoud em 1966, seguidos de alguns teólogos católicos), a antropologia tradicional, por eles chamada dualista, não é bíblica, mas helenística; e em nome do pensamento hebraico sustentam que o homem é uma unidade indivisível, que nasce, vive e morre inteiro, alma e corpo; a alma é, portanto, para eles, mortal e morreria com o corpo; enfim, morreria o homem todo. A ressurreição consistiria, para eles, numa nova criação de Deus: a recriação do homem novo no mesmo instante de sua morte, um homem obviamente espiritualizado.

É impossível conciliar estas teorias com o dogma católico da ressurreição, que supõe uma identidade pessoal e física com o homem terreno. Por isso, certos autores procuraram apoiar suas afirmações na hipótese da sobrevivência de um núcleo pessoal: nisto consistiria, para eles, a ressurreição no momento da morte. Mas esta solução leva necessariamente a suprimir a escatologia intermediária, que supõe a permanência da vida na alma depois da morte do corpo. O Magistério teve ultimamente que intervir também nesta questão. Quanto à escatologia cósmica, é preciso dizer que a Igreja sempre defendeu a dignidade da matéria contra todo tipo de dualismo (platônico ou não): a matéria, pelo menos quanto ao corpo ressuscitado, tem uma herança eterna e, como parte do Corpo de Cristo unido à divindade, foi instrumento de salvação para toda a humanidade e cumprirá plenamente sua finalidade no homem escatológico’. I. A RESSURREIÇÃO São Paulo dá evidente testemunho, mais de uma vez, de que a ressurreição dos mortos é um tema primordial da Fé cristã, especialmente em I Cor 15; explica-se assim como os símbolos mais primitivos, que professam só as verdades essenciais da Fé, jamais deixam de afirmar a ressurreição dos mortos: o chamado símbolo ambrosiano, seja qual for a data de sua composição, já contém esta afirmação, que se acha também nos escritores cristãos do séc. II¹. 1) Carta Propter subitas de Clemente I(97?)

O mais antigo testemunho de Fé na ressurreição dos mortos, dado por um Papa, depois de São Pedro, está no seguinte fragmento da carta de São Clemente de Roma aos coríntios.24, 1-3. Consideremos, caríssimos, como o Senhor nos mostra continuamente a futura ressurreição [αναστασιν], da qual deu as primícias no Senhor Jesus Cristo, ressuscitando-Oεκ dos mortos [εκ νεκρων αvαστησας]. Vejamos, caríssimos, a ressurreição que se dá na sucessão do tempo. O dia e a noite nos oferecem um exemplo claro da ressurreição: adormece a noite, surge o dia; vai-se o dia, vem a noite.

2) Papiro de Dêr-Balyzeh (séc. III?) Este fragmento, encontrado em Dêr-Balyzeh e composto em meados do séc. VI, descreve a liturgia vigente em pelo menos dois séculos, mas o símbolo é muito mais primitivo, como se vê pela sua extrema simplicidade e por seu reduzido número das verdades de Fé. TEXTO: G. ROBERTS-B. CAPELLE, An early Euchologion, Louvain, 1940, 32. Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, e em Seu Filho 2 Unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo, e no Espírito Santo, e na ressurreição da carne [εις σαρκος αναστασι], [e na] Santa Igreja Católica. 3) I Concílio de Nicéia (I ecumênico) Símbolo da Fé (19/06/325)

4) Símbolo de Epifânio (374) Deve-se notar neste símbolo a insistência na identidade do Corpo glorioso do Senhor com o Corpo que padeceu na Cruz.

5) I Concílio de Constantinopla (II ecumênico) Símbolo da Fé (381)

6) Fides Damasi (séc. V?) De origem obscura, no passado foi atribuído ao Papa São Dâmaso ou a São Jerônimo, mas hoje geralmente se pensa que tenha provindo das Gálias e que foi composto em fins do séc. V. Uma peculiaridade deste símbolo é que, ao falar da ressurreição, afirma tratar-se “do mesmo corpo no qual agora vivemos”; esta precisão será acolhida nos símbolos posteriores, sem, no entanto, jamais se definir o que seja necessário para que o corpo ressuscitado possa ser numericamente o mesmo. TEXTO: A. E. BURN, An Introduction to the Creeds and to the Te Deum, London, 1899, 245-246.

No fim dos tempos o Filho desceu do Pai para nos salvar e para cumprir as Escrituras, mas sem jamais deixar de estar com o Pai, e foi concebido por obra do Espírito Santo, e nasceu da Virgem [Maria], assumiu a carne, a alma e a inteligência, isto é, uma humanidade completa [perfectum suscepit hominem], e sem deixar de ser o que era começou a ser o que não era [nec amisit, quod erat, sed coepit esse, quod non erat], de tal modo que é perfeito na Sua natureza e verdadeiro na nossa [ut perfectus in suis sit et verus in nostris]. Porque Aquele que era Deus nasceu como homem, e Aquele que nasceu como homem age como Deus, e Aquele que age como Deus morre como homem, e Aquele que morre como homem ressurge como Deus [Nam qui Deus erat, homo natus est, et qui homo natus est, operatur ut Deus; et qui operatur ut Deus, ut homo moritur; et qui ut homo moritur, ut Deus resurgit]. Ele, tendo vencido o império da morte, ressuscitou ao terceiro dia com a Carne na qual nasceu, padeceu e morreu, subiu ao Pai e está sentado à Sua direita na glória que sempre teve e tem. Cremos estarmos purificados na Sua morte e no Seu sangue (cf. I Jo 1,7) e que devemos ser por Ele ressuscitados, no último dia, nesta carne em que agora vivemos [in hac carne, qua nunc vivimus], e temos a Esperança de que por Ele alcançaremos a vida eterna como prêmio por nossas boas obras, ou a pena do suplício eterno pelos pecados. Lê estas coisas, recorda-as e submete a tua alma a esta Fé, e por Cristo Senhor obterás a vida e a recompensa. 7) Símbolo Quicumque (?) Este símbolo, chamado Quicumque por sua palavra inicial, ou atanasiano porque até o séc. XVII era atribuído a Santo Atanásio, circulou nas Igrejas do Oriente e do Ocidente como legítima expressão da Fé universal, com uma autoridade comparável só ao Símbolo dos Apóstolos ou ao de Nicéia, e foi inserido também no breviário. É certamente posterior ao I Concílio de Constantinopla (381), mas anterior ao IV de Toledo (633), que o menciona. O verdadeiro autor é desconhecido: além de Santo Atanásio, foram propostos como autores Santo Hilário de Poitiers (+367), Santo Ambrósio de Milão (†397), Nicetas de Remesiana (t c.414), São Vicente de Lérins († antes de 450), São Fulgêncio de Ruspe (+532), São Cesário de Arles (†541) e muitos outros.

8) I Concílio de Braga (01/05/561) O Concílio de Braga estava decidido a erradicar os últimos resquícios do priscilianismo, que, entre outras coisas, negava a ressurreição dos corpos, contrária aos seus pressupostos maniqueístas sobre a origem demoníaca da matéria; da ressurreição, portanto, devia o concílio tratar. 9) XI Concílio de Toledo (7.11.675) Este concílio não foi universal, mas dele recebemos uma profissão de Fé que é considerada ainda hoje um documento dogmático de primeira ordem para a precisão com que é expressa a Fé católica. Depois dos mistérios da Santíssima Trindade e da Encarnação do Verbo, toca no dogma da ressurreição dos mortos, em conexão com a Ressurreição de Cristo. A insistência na identidade entre corpo ressuscitado e corpo terreno mostra que já naquele tempo havia quem imaginasse a ressurreição de modo heterodoxo, como se ressuscitasse só um núcleo espiritual e incorpóreo. TEXTO: Msi 11, 136-137. J. MADOZ, “Le Symbole du XI concile de Tolède”: Spicilegium sacrum Lovaniense 19(1938) 25-26.

Por este nosso exemplo [capitis nostri] confessamos, portanto, que há uma verdadeira ressurreição da carne de todos os mortos [confitemur veram fieri (al. vera fide) resurrectionem carnis omnium mortuorum]; e não cremos, como deliram alguns, que ressuscitaremos numa carne incorpórea [aérea] ou numa outra carne qualquer, mas, sim, nesta em que vivemos, subsistimos e nos movemos [sed in ista, qua vivimus, consistimus et movemur]. Consumado o modelo desta santa Ressurreição, o mesmo Senhor e Salvador Nosso voltou em Sua Ascensão ao trono paterno, do qual, em razão da divindade, nunca Se separara. Sentado aí à direita do Pai, é esperado no final dos tempos como Juíz dos vivos e dos mortos. Daí virá com os santos anjos e os homens [santos] para julgar e dar a cada um o devido segundo o próprio mérito, de acordo com o que cada um fez quando ainda estava no corpo, seja o bem, seja o mal (cf. II Cor 5,10). Cremos que a Santa Igreja Católica, conquistada com o preço do Seu sangue, há de com Ele reinar para sempre. Formados em seu seio, cremos e confessamos que há um só Batismo para a remissão de todos os pecados. Nesta Fé cremos verdadeiramente na ressurreição dos mortos [et resurrectionem mortuorum veraciter credimus] e esperamos as alegrias do mundo futuro. Só uma coisa devemos pedir e nela insistir: que quando o Filho, uma vez feito e concluído o juízo, “entregar o Reino a Deus [e] Pai” (I Cor 15,24), nos faça participantes do Seu Reino, para que, por esta Fé, pela qual a Ele aderimos, com Ele reinemos eternamente. Esta é a confissão e exposição da nossa Fé, pela qual se destrói a doutrina de todos os hereges, pela qual se purificam os corações dos fiéis, pela qual, enfim, se sobe a Deus na glória por todos os séculos dos séculos. Amém. 10) Carta Congratulamur vehementer de Leão IX (13/04/1053) A carta que o Papa enviou a Pedro III, quando em Constantinopla foi sagrado bispo da Sé de Antioquia (1052), contém uma profissão de Fé em resposta àquela que o novo bispo havia escrito ao Papa, como de costume, em comunhão com a Sé Apostólica. Foi redigida, sem dúvida, pelo Cardeal Humberto e é muito semelhante à dos Statuta Ecclesiae antiqua, que serviu de base, no Concílio de Lyon de 1274, à profissão de Fé de Miguel Paleólogo.

TEXTO: Msi 19, 622; C. WILL, Acta et scripta quae de controversiis Ecclesiae Graecae et Latinae saec. XI composita exstant, Leipzig, 1861, 170-171. Creio que a Santa, Católica e Apostólica é a única Igreja verdadeira, na qual se dá o único Batismo e a verdadeira remissão de todos os pecados. Creio também na verdadeira ressurreição desta carne [veram resurrectionem eiusdem carnis], que agora trago comigo, e na vida eterna. 11) Carta Eius exemplo de Inocêncio III (18/12/1208) Entre os muitos documentos de Inocêncio III selecionamos um trecho da profissão de Fé enviada ao arcebispo de Tarragona para ser assinada por Durando de Huesca e seus adeptos [os valdenses], profissão que insiste na identidade do corpo glorioso com o corpo mortal, testemunhando também a escatologia intermediária. TEXTO: PL 215, 15. Cremos de coração e professamos com a boca [Corde credimus et ore confitemur] a ressurreição desta carne que trazemos conosco e não de outra [huius carnis, quam gestamus, et non alterius resurrectionem]. Cremos, pois, firmemente e afirmamos que seremos julgados por Jesus Cristo e que cada um receberá ou a pena ou o prêmio pelo que tiver feito neste corpo [in hac carne]. Cremos que as esmolas, o sacrifício e as outras boas obras podem ser proveitosas aos fiéis defuntos.

12) IV Concílio de Latrão (XII ecumênico) (novembro de 1215) O concílio deu a público uma profissão de Fé que repete as afirmações do documento anterior: foi presidido, de fato, pelo próprio Papa Inocêncio III.

¹Citamos, entre outros, SÃO JUSTINO, De resurrectione: PG 6, 1572-1592 (obra que deve ser considerada autêntica depois do estudo de P. PRIGENT, Justin et l’Ancien Testament, Paris, 1964); SANTO IRINEU, Adversus haereses 5, 3-4: PG 7, 1128-1134; ATENÁGORAS, De resurrectione mortuorum: PG 6, 973-1024 (segundo B. ALTANER, Patrologia, Edições Paulinas, São Paulo, 1972, p. 84, “é sem dúvida a melhor obra escrita dos antigos sobre a ressurreição”).

 
 
 
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