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O SAQUE DE CONSTANTINOPLA

Cruzadas continuaram, de tempos em tempos, atacando os turco-seljúcidas em várias partes do seu crescente império. Há um incidente na Quarta Cruzada, de 1204, que frequentemente é citado pelos críticos como exemplo de hipocrisia, brutalidade e cobiça ocidental, assim como a tomada de Jerusalém. Foi a invasão e o saque de Constantinopla pelos cruzados, em um ataque particularmente destrutivo e brutal. (É preciso, obviamente, distinguir esse incidente do saque de Constantinopla que ocorreu em 1453 ). A versão mais difundida dessa história conta que o exército cruzado, que supostamente deveria chegar à Terra Santa, mudou de rota movido por uma profunda cobiça pelas riquezas da capital oriental e, possivelmente, também por ódio aos bizantinos cismáticos. Eles decidiram capturar e saquear a cidade e o fizeram com extrema ferocidade – demonstrando uma vez mais a sua natureza.

Assim como o resto da história “anticruzadas”, essa versão ignora certos fatos e distorce outros. Certamente, os cruzados que participaram no episódio eram culpados. Eles se permitiram desviar do seu objetivo e foram atraídos por uma série complexa de esquemas politico/militares que tiveram por fim o trágico saque. Tudo começou quando os cruzados atacaram, no Mar Adriático, um porto que pertencia à Hungria. A razão para isso era a de que os cruzados tinham uma grande divida com os venezianos, que iriam transportá-los. Apareceram menos soldados que o esperado, mas os venezianos. ainda assim, queriam cobrar pelos navios extras. Eles propuseram aos cruzados a quitação da dívida pela ajuda com a captura do porto de Zara. Os cruzados concordaram e tomaram o porto cristão de um rei que havia se voluntariado para a Cruzada. O papa Inocêncio III condenou com veemência essa aberração e incitou o exército a cumprir seu verdadeiro objetivo. Entretanto, uma grande tentação descarrilou a expedição. Um requerente ao trono bizantino, Aleixo IV Ângelo, pediu ajuda aos cruzados e aos venezianos para ganhar poder em Constantinopla. Em troca, ele prometia restaurar a união do Império Bizantino com Roma, ajudar a Cruzada e pagar o restante do dinheiro que os cruzados deviam à República de Veneza.

O plano foi apresentado ao papa Inocêncio. Ele já havia recusado a proposta quando Aleixo IV lhe fizera diretamente e a rejeitou uma vez mais. Assim fizeram também alguns líderes dos cruzados, que prosseguiram sozinhos para a Terra Santa. Para outros, no entanto, era um negócio bom demais para ser dispensado e, por isso, guerrearam contra Bizãncio, a fim de estabelecer Aleixo IV como imperador. Contudo, Aleixo IV não conseguiu cumprir sua promessa de pagamento aos aliados latinos. Por fim, os cruzados o abandonaram e ele acabou sendo morto por seus inimigos gregos e substituído por um imperador antilatino. Foi ai que a decisão de se vingar de Constantinopla foi tomada.

A raiva que gerou três dias de saques, assassinatos e destruição foi gerada, em parte, na longa história de antagonismo entre latinos e gregos, e em memória de uma atrocidade cometida pelos bizantinos apenas 22 anos antes. Nesse massacre, de 1182, os gregos atacaram a população latina de Constantinopla e mataram homens, mulheres e crianças. O clero católico foi atingido com ferocidade particular. Um diácono foi decapitado e teve sua cabeça amarrada ao rabo de um cão, para demonstrar desprezo por Roma. De acordo com o arcebispo Guilherme de Tiro, um historiador da época, o bando desenterrou e despedaçou cadáveres de católicos, invadiu hospitais para matar os doentes e vendeu milhares como escravos. Agora, os latinos estavam se vingando do mesmo modo; eles também profanaram locais e objetos sagrados, comportando se de maneira abominável. Em seguida, instituíram um império latino, que durou até a derrota para os bizantinos em 1261. O papa recebeu noticias de toda parte. Primeiramente ficou satisfeito pelo que parecia ser a reunificação das igrejas; mas logo após ouvir a história inteira se viu horrorizado e excomungou os cruzados.

Depois desse evento desastroso, cruzadas continuaram de tempos em tempos até a morte de São Luis IX, rei da França, em 1271. Ele morreu doente no norte da África, no decurso da segunda cruzada que empreendeu.’ Junto com São Luis morreu o zelo pela empresa das cruzadas. Ele foi parcialmente revivido, com dificuldades, nos séculos seguintes, quando a cristandade se defrontou com as invasões dos turco-otomanos uma ameaça muito maior do que os seljúcidas jamais foram.

As Cruzadas foram, então, um fracasso, já que não alcançaram o objetivo de libertar permanentemente a Terra Santa? Louis Bréhier faz essa pergunta, e a responde bem: Devese concluir então que as Cruzadas não tiveram importãncia histórica e que serviram apenas para desperdiçar as forças da Europa? Com frequência esquece-se de que as Cruzadas começaram como uma guerra de defesa e que, independentemente das inconveniências que delas possam ter resultado, o império Bizantino recebeu proteção efetiva contra os turcos no final do século XI. Se no século XIV o lslã retomou sua marcha, isso só ocorreu depois do entusiasmo pelas Cruzadas ter morrido.

 
 
 

MARIA, MÃE DE DEUS

Parte II

Voltemos a comentar sobre um assunto que está sendo colocado em dúvida pelos novos hereges da atualidade, novos apenas por viverem na atualidade, pois, as heresias são as mesmas, ao falar do Logos” que se transformou em carne através de uma virgem, Maria, a Theotokos” (orações contra os Arianos, I,42), Atanásio ecoava a linguagem da devoção popular. Porém ele já começara a revestir esse título da racionalidade que ajudaria a defendê-lo dos ataques que sofreu meio século após a sua morte. Como Newman sugeriu em seu livro Os arianos do século IV, o povo era ortodoxo mesmo quando os bispos não o eram (John Henry Newman, “The orthodoxy of the body of the faithful during The supremacy oficial arianism”, in The Arians of the forth century, 3° edição, Londres,1871, pp. 457-472. Em seu uso do vocabulo “Theotokos”, assim como em seu emprego de outros títulos e metáforas, Atanásio se associou à ortodoxia da devoção popular e a desafrontou. A ideia de lex orandi lex credenti, que na devoção cristã tinha um conteúdo normativo doutrinário que precisava ser esclarecido, parecia ter sido formulada pouco depois da época de Atanásio. Mas evidentemente seu trabalho teve como base algumas dessas ideias.

O conteúdo normativo da devoção também se tornou evidente em outro contexto, quando Atanásio se utilizou da “comemoração de Maria” para resgatar a ortodoxia de sua doutrina. Ele o fez pelo menos em dois de seus escritos. A mais importante de suas composições literárias foi a carta a Epicteto, que teve grande divulgação em grego, latim, sírio e armênio nos séculos posteriores, sendo citada nos decretos do Concílio de Éfeso de 431 e no Concilio da Calcedônia de 451. Depois da derrota do arianismo, ela parece ter voltado à tona pela recrudescência da antiga heresia docética que negava a total humanidade de Jesus ou afirmava que ele não possuía um corpo genuinamente humano. Algumas pessoas chegavam ao extremo de asseverar que o corpo de Cristo fora feito da mesma essência [homoousion] do Logos (Atanásio, carta a Epicteto, 9. Essa nova forma de docetismo, sobre cujos ensinamentos os estudiosos de hoje ainda não concordam, é frequentemente vista como precursora da teologia apolinarista. Em sua resposta, Atanásio fundamentava sua argumentação nas“divinas Escrituras” e nos decretos dos “padres reunidos em Nicéia”, acusando os neodocetistas de sobrepujarem até mesmo os arianos: “Os senhores foram mais longe na impiedade que qualquer heresia. Pois, se o Logos possui a mesma essência do corpo, a comemoração e o ofício de Maria são supérfluos [peritte tes Maria he mneme kazi he chreia] ” ( Atanásio, carta a Máximo, o filósofo,3). E em sua carta a Máximo, combatendo a doutrina que afirmava que o Logos se tornara homem como consequência necessária de sua própria natureza, Atanásio novamente declarou: “Se assim fosse, a comemoração de Maria seria supérflua”. Seu ponto de Vista nos parece bem claro: Maria era considerada novamente, como fora por padres antignósticos, a garantia da verdadeira humanidade de Jesus Cristo.

Menos claro é o caráter preciso da “comemoração” a qual Atanásio se refere. Se a palavra grega mneme significasse simplesmente “memória”, como no Novo Testamento e em outros textos (2pedro 1,15″tenhais lembranças dessas coisas”), ele estaria argumentando que a lembrança de Maria, santificada no Credo ou em preces comemorativas, necessariamente traria consigo a implicação de que a humanidade de Cristo teria se originado nela e não preexistiria desde a eternidade. Porém mneme algumas vezes tinha um significado técnico na formação do calendário cristão, referindo-se ao aniversário de um santo ou mártir (São Basílio, cartas, 93).” Martin Jugie, em seus estudos sobre os primeiros festivais devotados a Maria no Ocidente, discordou que a mneme de Maria mencionada nos primeiros documentos do século V se referisse ao aniversário de sua morte ou “sono” [koimesis] afirmando que se relacionava com o aniversário de sua“natividade”, que pode ter significado seu ingresso no Céu. Em seu grande estudo posterior sobre a morte e ascensão da Virgem, ele repetiu, corrigiu e ampliou essa argumentação. Entretanto para nós esse problema é secundário. Seria a expressão Tes Marias he mneme uma referência a alguma festividade marista? Há algumas evidências da existência de um festival denominado a mneme de Maria, celebrado no primeiro domingo depois do Natal, porém elas não se estendem até a época de Atanásio. Todavia, tanto essas evidências como sua linguagem parecem corroborar a possibilidade de que uma celebração de Maria já existia durante sua época e que sua argumentação foi feita com base nela.

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Assim, ele afirmara que não haveria justificativa para um festival comemorativo da Virgem Maria, a Theotokos, se ela não tivesse desempenhado um papel importante na história da salvação. Ela pertencia ao Novo Testamento, não ao Velho, e não fora lembrada, a exemplo dos antigos santos de Israel, como uma profetisa da vinda de Cristo. Em vez disso, ela tivera uma função ou cargo, (chreia): fora escolhida e incumbida da missio por meio da qual o Logos incriado recebera sua criada humanidade. E de fato esse ministério, chreia, era celebrado com gratidão na observância de sua mneme, ou celebração de Maria. O ministério (chreia) era um fato na história da salvação, a comemoração (mneme) , um fato consumado na prática cristã. Tanto o credo como o calendário da Igreja testemunhavam a doutrina de que a natureza humana de Cristo era a de uma criatura e que a natureza divina de Cristo não era a de um homem. A prova da ligação entre o homem Cristo e a humanidade era “a comemoração e o oficio de Maria”, que seria supérflua se a humanidade de Cristo fosse uma espécie de componente de sua preexistência como o Logos de Deus. Apesar de as evidências deixarem claro que é inegável o fato de que Atanásio jamais elaborou uma justificativa satisfatória para as implicações da total e verdadeira humanidade do Senhor como ele o fez com relação a sua divindade, também Fica evidente que ambos os aspectos de sua “dupla explicação” estavam voltados para a autoridade da fé ortodoxa.

Na composição e identificação dessa autoridade, o culto e a devoção da Igreja eram vistos como elementos importantes na definição do que Atanásio, na conclusão de sua Carta a Epicteto, denominou “a profissão da fé devocional e ortodoxa” [he homologia tes eusebous kai orthodoxous pisteos] (Atanásio, carta a Epicteto,2). Se Maria era Theotokos, como a linguagem da devoção declarara, a relação entre a divindade e a humanidade de Jesus Cristo deveria ser de tal sorte que justificasse esse termo aparentemente incongruente, e por isso foi necessária a elaboração da doutrina da “comunicação das propriedades”. Se Maria teve a função de “revestir” o Logos de uma autêntica e, portanto, criada humanidade, como a “comemoração de Maria” e a prática da devoção cristã declararam, nenhuma aversão a carne e ao sangue seria permitida para macular a doutrina da encarnação. Para ser considerada dogma da Igreja, a doutrina precisaria não apenas se sujeitar é tradição apostólica — como registrada nas Escrituras e em testemunhos, como os decretos do Concilio de Nicéia — mas também ao culto e à devoção da Igreja católica e apostólica.

A condição humana de Maria em relação a Cristo ainda apontava para outra linha de desenvolvimento, isto é, para a tarefa de especificar de modo mais acurado a maneira de lidar com mais propriedade com os atributos mal empregados pela heresia. No Século IV, a maioria das controvérsias girava em torno de predicados como homoousios ou Theotokos. Porém a literatura sobre as controvérsias também sugere que a definição de heresia era a má interpretação de um atributo, para a qual a resposta Ortodoxa foi um esclarecimento mais preciso. A resposta satisfatória foi encontrada apenas pelo Concílio de Éfeso e em épocas posteriores a ele, porém atualmente, com a visão proporcionada pelo distanciamento, ela é considerada como o primeiro estágio do desenvolvimento da controvérsia ariana.

Nas palavras de Henry Gwatkin, a heresia ariana “degradou o Senhor dos Santos, colocando-o no mesmo nível de suas criaturas”. Ela atribuía a Cristo mais do que imputava a qualquer outro santo, porém menos do que era atribuído a suprema Divindade. A doutrina ariana concernente aos santos não é fácil de ser reconstituída a partir de seus fragmentos, apesar de sabermos que a Thalia de Arius falava dos “eleitos de Deus e dos homens sábios de Deus, seus sagrados filhos” (citação de Atanásio, Orações contra os arianos, 1,5). Há alguma evidência de que certas lendas sobre os santos foram transmitidas por fontes arianas,” mas estamos mais bem informados a respeito da Visão ariana sobre as relações entre Cristo e os santos. Segundo a carta dos arianos endereçada a Alexandre de Alexandria, O Logos era “uma criatura perfeita de Deus, que não se comparava a uma de suas criaturas” (Citação em Atanásio, sobre os Concílios de Arímino e Seleucia,16; pois ele fora uma criatura através da qual Deus fizera todas as outras. Portanto, a “superioridade” dessa criatura sobre todas as outras consistia no fato de ter sido criada diretamente por Deus, enquanto as outras haviam sido criadas através do Logos. Consequentemente, o Logos era perfeito em sua preexistência, mas em sua carreira terrena ele se tomara perfeito. Ao retratar o homem Jesus Cristo, o arianismo parecia ter combinado a negação da presença de uma alma humana em sua pessoa com a doutrina de Paulo de Samosata, que afirmava que ele se tornara merecedor da condição de “Filho de Deus” por seu “progresso moral” [prokope] ((Citação em Atanásio, sobre os Concílios de Arímino e Seleucia 26). Supunha-se que os arianos acreditavam que Deus o elegera “pela presciência” de que Cristo não se rebelaria contra ele e iria, “por cuidado e autodisciplina” [dia epimeleian kai askesin], triunfar sobre sua “natureza mutável” e permanecer “fiel“ (citação de Teodoro, História eclesiástica, 1, 12-13). Como a condição de filho do Logos era um atributo de sua perfeição como criatura, e a qualidade de filho de Deus do homem Jesus era consequência de sua perfeita obediência, a diferença entre a sua condição de filho e a natureza dos santos era quantitativa e não qualitativa. Pela obediência perfeita os santos poderiam, no final, atingir o mesmo estado de merecimento.

A doutrina ariana, afirmando que os santos eram participes da condição de Cristo como filho de Deus, tinha sua contraparte no preceito de Atanásio que declarava essa participação através da “divinização”. “Por nossa ligação com seu corpo também nos tornamos o templo de Deus e, como consequência, nos transformamos em filhos de Deus, de tal modo que, até mesmo em nós, o Senhor está sendo reverenciado” (Atanásio, oração contra os arianos, 1,43). Os santos não atingiriam a condição de filho pela imitação de Cristo, mas, essencialmente, pela sua transformação por Cristo, que, segundo o famoso preceito atanasiano, se tornou humano para que os santos pudessem se tornar divinos. São Atanásio não acreditava que essa transformação e divinização fossem possíveis apenas porque o Logos era Criador e não criatura. O Salvador era o mediador entre Deus e a humanidade apenas porque ele próprio era Deus. Ele não atingira um novo status por ser o maior de todos os santos, mas fora restaurado a seu status eterno depois de cumprir na Terra a missão para a qual fora enviado como homem. Porém, os santos se tornaram filhos de Deus, criaturas nas quais o Criador habitava de modo tão completo que Ele podia ser cultuado neles. Esse foi o atributo que o arianismo tentou imputar a Cristo, uma criatura na qual o Criador, habitava tão plenamente que Deus podia ser adorado em sua pessoa, o maior de todos os santos e, portanto, mediador entre Deus e a humanidade.

Traçando uma linha divisória entre o Criador e a criatura e confessando que o Filho de Deus se encontrava ao lado de Deus, a ortodoxia nicena tornava possível e necessária a distinção qualitativa entre ele e até mesmo o maior dos santos, entre sua mediação incriada e sua intercessão criada. Agora que as afirmações arianas estavam mudadas, o que aconteceria com todos esses atributos? O que analisamos até o momento no marismo de Atanásio parece indicar que, em um sentido bastante diverso do que foi inferido por Harnack,“tudo o que os arianos ensinaram sobre Cristo, a ortodoxia passou a ensinar sobre Maria”, de modo que esses atributos da criatura não mais se aplicavam a Jesus Cristo, Filho de Deus, mas à Virgem Maria, Mãe de Deus. O retrato de Maria na Carta as virgens, de Atanásio, concorda com a descrição ariana do Filho de Deus, afirmando que ela “fora escolhida porque, apesar de mutável por natureza, seu esmerado caráter não sofrera nenhuma deterioração”. Atanásio falou de seu “progresso” e talvez até tenha usado a palavra prokope [progresso moral] , que os arianos empregaram para Cristo (Atanásio, carta às virgens.Segundo Atanásio, a evolução de Maria envolveu conflitos, dúvidas e pensamentos maus, mas ela triunfou sobre eles e assim conseguiu se tornar “a imagem e o modelo” de virgindade para todos os que buscam a perfeição, isto é, a maior de todos os santos. Como mencionamos anteriormente na análise de toda a sua doutrina, a linguagem devocional (Theotokos, “Mãe de Deus”) e a prática piedosa (mneme, “comemoração”) que estavam por trás do marismo de Atanásio eram o principal exemplo de que uma criatura pode se tornar merecedora de culto por ter se tornado a morada do Criador. O hino no qual Atanásio talvez tenha encontrado o titulo Theotokos era o original grego da conhecida versão latina Sub tuum praesidium, que possivelmente deu origem a esse culto.

Para outras controvérsias, é necessário procurar maiores esclarecimentos sobre a doutrina, mas ao esclarecermos esta polêmica podemos ver que, já em Atanásio, ela se constituiu em uma evolução, pela especificação do assunto. Quando esse desenvolvimento realmente aconteceu, apareceu em primeiro lugar, e mais plenamente, nos países de língua grega do Oriente, onde a pressuposição ascética e devocional da doutrina de Maria já estava presente muito antes de surgir no Ocidente.

 
 
 





A ALMA MORRE?

De onde veio essa idéia de sono da alma e de aniquilação segundo as seitas?

Vou utilizar material dos próprios protestantes para mostrar a confusão que é esse meio:


Foi defendido pela primeira vez por Arnobius de Sicca (c. 327 dC), Arnobius nascido um pagão e por muitos anos foi um oponente vigoroso do cristianismo. O Dr. Morey, citando obras de referência padrão como o DICIONÁRIO DA TEOLOGIA DE BAKER e o historiador protestante da igreja Philip Schaff, traça a crença para Arnobius no início do século IV.


De um aviso em seus sonhos, Arnobius foi convertido na fé e tornou-se professor de retórica na Sicca em África e contava Lactantius entre seus alunos. Ele é autor de um tratado em sete livros intitulados “Contra os pagãos” (c 305 dC). Pe. Comentários de Jurgens –


“Apresentado como uma defesa do cristianismo contra as numerosas acusações falsas de seus adversários, e escrito sobre o ano 305 dC, o trabalho tem pouco para recomendá-lo. Foi escrito apressadamente por um homem que tinha pouca compreensão do cristianismo; tem um certo valor próprio: é uma fonte preciosa de informação sobre os cultos pagãos do tempo de Arnobius “. ( A FÉ DOS PAÍS ANTERIORES , Volume 1, página 262)


O historiador da igreja protestante Philip Schaff diz sobre o trabalho de Arnobius – “Arniz maligno e insatisfatório. Arnobius parece ignorante sobre a Bíblia como Minucius Felix. Ele nunca cita o Antigo Testamento e o Novo Testamento apenas uma vez. Não sabe nada da história dos judeus e do culto mosaico e confunde os fariseus e saduceus “.


Quanto ao homem, Arnobius … Diz que a sua imortalidade. A alma ultrapassa o corpo, mas depende unicamente de Deus para o dom da eterna duração. Os ímpios vão ao fogo da Geena e, em última instância, serão consumados ou ANIQUILADOS “.

( HISTÓRIA DA IGREJA CRISTÃ , Volume 2, página 858 citada em Morey, página 199)

Esta visão do “sono da alma” foi posteriormente defendida por vários hereges anabatistas, valdenses e socinianos durante e logo antes do período da Reforma, que fez com que Calvino escrevesse sua “Psicopanquica” em resposta.


Até mesmo Wycliff, Tyndale e, aparentemente, Lutero começaram a ensinar o sono da alma como uma resposta à Igreja Católica ensinando sobre o purgatório. No entanto, esses primeiros “Reformadores” não negaram o castigo eterno no inferno.


O sono da alma claramente não é a visão ortodoxa da igreja cristã e tanto o condicionamento quanto o universalismo foram condenados já no segundo conselho de Constantinopla em 553 dC, enquanto o Quinto Conselho de Latrão (1512-1517) condenou mais tarde opiniões erradas sobre a alma.


Mesmo Leroy Froom, que escreveu a maior defesa do ensino intitulado A FALA CONDITIONALISTA DE NOSSOS PADRES (Review and Harald Publishing, 1966) é forçado a admitir que nenhum pensador cristão antes do século 12 pode ser claramente reivindicado como um “condicionista” ( veja o trabalho de Morey que trata extensivamente dos argumentos de Froom).


Agora que discutimos os antecedentes históricos que mostram as doutrinas do “sono da alma” e seus ensinamentos concomitantes tanto da imortalidade condicional quanto do aniquilacionismo (embora não estejam necessariamente ligados), não são claramente o ensino ortodoxo da igreja cristã histórica (nem católica nem ortodoxa nem protestante), devemos aprofundar o suporte bíblico proposto para esses ensinamentos pouco ortodoxos.


Para uma discussão exaustiva de todas as passagens bíblicas relevantes que tratam da vida após a morte, recomendo o livro do Dr. Robert Morey DEATH AND THE AFTERLIFE (Bethany, 1984) que o especialista em culto Walter Martin chamou de “o estudo bíblico mais abrangente do assunto no último meio século “. (capa)


Vários versos do Antigo Testamento (alguns do NT) foram sugeridos por Phil Morrison e Brian Gay, bem como Derek Tin para apoiar a imortalidade condicional ou o “sono da alma” ou a extinção ou aniquilação dos ímpios no julgamento final. Quero responder aos versículos que muitas vezes são criados em defesa do “sono da alma” ou do chamado estado inconsciente dos mortos.



Estava lendo um artigo sobre a imortalidade da alma, e descobri, que ao contrário das seitas evangélicas, que ensinam que quem morre está a dormir, os reformadores protestantes pensam o contrário!!. vejamos: “No ínterim [entre a morte e a ressurreição], a alma não dorme, mas está acordada e goza da visão dos anjos e de Deus e conversa com eles“. ( LUTHER’S WORKS , Vol XXV, página 321, citada em Morey, página 201)


“Este versículo [comentando em Atos 7:59] testifica claramente que a alma do homem não é uma respiração desaparecendo, de acordo com alguns loucos, mas que é um espírito essencial e sobrevive à morte”. ( John Calvin , Commentary on Acts citado em Morey, página 209)


Segundo o Dr. Morey, o primeiro livro de Calvino foi um tratado contra a doutrina do sono da alma, intitulado -Psychopannychia-.


Finalmente, da WESTMINSTER CONFISSÃO DE FÉ XXX 2.1 citada em Robert Morey DEATH AND THE AFTERLIFE (Bethany House, 1984) página 201-202


Os corpos dos homens, depois da morte, retornam ao pó e vêem a corrupção; mas suas almas, que nem morrem nem dormem, com uma subsistência imortal, retornam imediatamente a Deus, que lhes deu: as almas dos justos, sendo então perfeitas em santidade, são recebidos nos céus mais elevados, onde contemplam a face de Deus em luz e glória, esperando a redenção total de seus corpos. E as almas dos ímpios são lançadas no inferno, onde permanecem em tormento e escuridão exterior, reservadas para o julgamento do grande dia.


Todos os grandes revivalistas Evangélicos Protestantes – Edwards, Whitefield, Wesley, Spurgeon e Moody – acreditavam no ensino ortodoxo de uma alma imortal e uma vida pós-vida consciente, bem como punição eterna….



 
 
 
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Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

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