top of page

TODOS OS PRODUTOS

Eventos futuros

O natal e o paganismo

Introdução:

Todo Natal é a mesma coisa. Começam a pipocar filmes de teor natalino na TV, as decorações começam a tomar forma, e como não poderia deixar de ser, as acusações de que o natal é uma festa pagã começam a surgir. Quem nunca ouviu que o Natal é uma cópia de festividades pagãs, que foi Constantino que “inventou” a divindade de Cristo ou que seu nascimento, na verdade representa o “deus Sol” dos pagãos?

O cristianismo sofre todo tipo de acusação desde o início. Na própria Bíblia, lemos que os fariseus acusaram Jesus de expulsar demônios pelo “poder de Belzebu, o príncipe dos demônios”. (Mat 12:24). Também lemos que o apóstolo Paulo teve que se defender de acusações injustas dos judeus diante do governador Félix (Atos 24).

Durante o cristianismo primitivo, Origenes (185 – 254 d.C), grande teólogo do segundo século, escreveu uma das primeiras defesas do cristianismo contra as acusações do filósofo pagão Celso. Em sua obra Contra Celso, ele responde as acusações de que o nascimento de Cristo fora fruto de um adultério e que Jesus aprendeu artes mágicas no Egito para enganar o povo com seus supostos milagres. Também Santo Atanásio, Santo Agostinho e Santo Irineu de Lyon, são conhecidos por suas obras apologéticas, ao combater os falsos ensinos de sua época.

Os cristãos já foram acusados inclusive de praticar incesto, pois chamavam-se de “irmãos”, de antropofágicos, pois na ceia comiam a “carne” e bebiam o “sangue” de Cristo, dentre muitas outras coisas. Até a culpa pelo incêndio em Roma eles já receberam.

Na década passada, o filme O Código Da Vinci, ajudou a piorar ainda mais as coisas, pois popularizou diversas mentiras a nível mundial. Como o relacionamento entre Jesus e Maria Madalena, e as possíveis adulterações da Bíblia.

Portanto, vemos que o cristianismo sempre foi um grande alvo das famosas “fake news”.

As acusações:

Muitas pessoas acreditam que a data do Natal na qual celebramos o nascimento de Cristo, era a comemoração da festividade pagã do Sol Invictus, que era comemorada no solstício de inverno, na segunda quinzena de dezembro, em Roma. E que à medida que os pagãos foram se convertendo, a Igreja decidiu manter a tradição pagã, apenas trocando os deuses honrados pelas festividades, substituindo um deus pagão por Jesus. 

Mas será que foi assim mesmo?

Ligar o cristianismo ao paganismo é ignorar que durante os primeiros três séculos de cristianismo, os cristãos foram perseguidos duramente, principalmente por causa de sua conduta diante dos costumes pagãos da época e na recusa de adotar tais ritos, como adorar o imperador ou os deuses romanos. Basta analisar os documentos antigos para verificarmos que os cristãos, longe de se deleitarem em festividades pagãs, eram desprezados por não participar desses costumes. Assim, já em uma das primeiras citações sobre os cristãos, encontramos o historiador romano Tácito se referindo a eles como “gente odiada”:

[ Após o incêndio em Roma] “Nero fez aparecer como culpados os cristãos, uma gente odiada por todos por suas abominações, e os castigou com mui refinada crueldade. ”  (Tácito, Annales, 15:44).

Inúmeros relatos históricos de martírios e perseguições dão testemunho que os cristãos se recusaram a abraçar as práticas pagãs e passaram a ser odiados por todos no império romano, sendo inclusive chamados de “ateus”, como Justino de Roma, no segundo século, escreve:

“Por isso, também nós somos chamados de ateus; e, tratando-se desses supostos deuses, confessamos ser ateus. Não, porém, do Deus verdadeiríssimo, pai da justiça, do bom senso e das outras virtudes, no qual não há mistura de maldade. ” (Justino de Roma, I Apologia)

Em um dos martírios mais conhecidos da história cristã, Policarpo de Esmirna, sucessor do apóstolo João como bispo de igreja em Éfeso, é forçado a adorar os deuses romanos e negar sua fé em Cristo, ele se recusa e diz: “Eu o sirvo há oitenta e seis anos, e ele não me fez nenhum mal. Como poderia blasfemar o meu rei que me salvou? ”  (O martírio de Policarpo, Coleção Patrística vol. 1 – Padres Apostólicos)

Vemos que as acusações não se sustentam, pois, os cristãos preferiam o martírio do que se contaminar com a idolatria pagã. Então porque eles adotariam deliberadamente uma festividade pagã como data do nascimento de Cristo?

O Natal cristão: Como chegamos em 25 de dezembro?

As pessoas dizem que a Bíblia não traz nenhum indicativo sobre o nascimento de Jesus. De fato, ela não menciona nenhuma data, mas ela nos aponta um norte.

A concepção de João Batista é um bom ponto histórico inicial. Não se trata de algo preciso, mas vemos que a preocupação dos cristãos primitivos em estabelecer a data do nascimento de Cristo é extremamente antiga e pautada em algumas referências bíblicas.

A Bíblia nos diz que no tempo de Herodes, rei da Judeia, Zacarias servia como sacerdote no templo do Senhor, onde recebeu a visita do anjo anunciando a vinda do seu filho.  (Lucas 1)

 Como o Evangelho de Lucas afirma que o Arcanjo Gabriel apareceu a Virgem Maria no sexto mês após a concepção de João (Lc 1,26), isso situa a concepção de Cristo no equinócio de primavera, ou seja, no momento da Páscoa Judaica, no fim de março. Seu nascimento seria assim no fim de dezembro no momento do solstício de inverno.

Seguindo essa lógica, por volta de 221 d.C, Sexto Júlio Africano escreveu a Chronographiai, na qual afirma que a Anunciação do anjo foi em 25 de março, baseado na gravidez de Isabel e o serviço de Zacarias no templo.  Uma vez que a data da Encarnação estava estabelecida, era uma simples questão de adicionar nove meses para chegar à data do nascimento em 25 de dezembro. Essa data se tornaria oficial apenas no final do quarto século. Mas isso nos mostra que longe de ser influenciado por festividades pagãs, a data de 25 de dezembro foi uma tentativa honesta de estabelecer o dia do nascimento de Jesus.

Por exemplo, desde o final do século II, vemos nos escritos de Clemente de Alexandria que esse assunto já era debatido, e algumas datas já eram apontadas. (Clemente de Alexandria, Stromata 1.21.145)

O testemunho do bispo Teófilo de Cesaréia (115-181 d.C), também nos mostra a discussão sobre a data em seu tempo, ele diz: “Devemos comemorar o aniversário de Nosso Senhor, a cada 25 de dezembro isso deve acontecer. ” (Magdeburgenses, Cent. 2. c. 6. Hospinian, De origine Festorum Chirstianorum.)

Pouco tempo depois, ainda no século II, o bispo Hipólito (170-240 d.C) escreveu em uma passagem afirmando a data de 25 de dezembro:

“O Primeiro Advento de nosso Senhor na carne ocorreu quando Ele nasceu em Belém, era 25 de dezembro, uma quarta-feira, enquanto Augustus estava em seu quadragésimo segundo ano, que é de cinco mil e quinhentos anos desde Adão. Ele morreu no trigésimo terceiro ano, 25 de março, sexta-feira, no décimo oitavo ano de Tibério César, enquanto Rufus e Roubellion eram cônsules. ” (Hipólito, Comentário sobre Daniel 4, 23)

Já no final do 4º século, as Igrejas do Oriente haviam adotado datas especiais comemorando conjuntamente o nascimento de Cristo, a adoração dos Magos e o batismo de Jesus. Aparentemente, esses cultos foram a princípio celebrados em 6 de janeiro, porém, mais tarde, ficaram divididos entre 25 de dezembro e 6 de janeiro. 

Santo Agostinho aponta para a tradição prevalecente entre as Igrejas ocidentais no 5º século, acerca do nascimento de Cristo e da observância do Natal, e diz que é uma tradição muito antiga: “Porque é crido que Ele tenha sido concebido no 25° dia de Março, dia no qual Ele também sofreu  […] Mas Ele nasceu, de acordo com a tradição, em 25 de Dezembro” (Santo Agostinho, De Trinitate.).

É provável que as diversas tradições da Igreja primitiva acerca do tempo exato da concepção de Cristo, tenham levado às diferenças nas datas em que o Natal é celebrado no Oriente e no Ocidente. Em 336 d.C., entre Igrejas ocidentais, a observância do Natal no dia 25 de dezembro já estava bem consolidada e oficializada.

O natal como festividade pagã

Como podemos observar através de algumas fontes históricas, os cristãos não tentaram cristianizar uma festividade pagã. Na verdade, o contrário ocorreu. Assim como os gnósticos buscavam assimilar traços do cristianismo para torná-lo mais popular, os romanos importaram festividades orientais, como o Sol Invictus, para revitalizar o sistema religioso romano, que estava em declínio.

  Citando José Hermano, em sua História Universal, vemos:

“Através desta homenagem prestada ao deus nunca vencido (invictus), abriu-se o caminho para o culto do Sol, também nunca vencido, astro venerado pelos povos do Oriente sob diferentes nomes; no ano 274 d.C., Aureliano erigiu em sua honra um templo no Campo de Marte. A festa do Sol ficou estabelecida para o 25 de dezembro, data em que – segundo o calendário antigo – o astro voltava a empreender a sua ascensão”. (José Hermano, História Universal, 1985, Volume I).

O imperador Aureliano era um conhecido inimigo da fé cristã, como Eusébio de Cesareia (265 – 339 d.C) relata em sua História Eclesiástica: “Tal era então Aureliano em relação a nós; posteriormente, porém, em seu reinado, teve outros sentimentos, e foi incitado por determinados conselhos a mover-nos novamente perseguição; disso muito já se falava entre todos. ”  (História Eclesiástica, Eusébio de Cesareia)

Sendo o imperador era um inimigo da fé cristã, ele buscava revitalizar a própria fé do sistema de crenças romano, como forma de combater a ascensão do cristianismo, que por volta do ano 274 d.C – apesar de ainda ser perseguido como uma religião marginal – já não mais poderia ser ignorado.

Como afirma o historiador Justo Gonzalez, o que mais comumente acontecia, era que os cultos pagãos buscavam imitar a fé cristã, que crescia e se desenvolvia rapidamente. Ele afirma que: “ aprendemos que já neste período os cultos pagãos tentavam imitar algumas das características da nova fé dinâmica. ” (Justo Gonzalez, Uma História do Pensamento Cristão Vol 1)

Conclusão:

Esse é um assunto polêmico e que divide opiniões. Existem historiadores e teólogos que defendem que o natal foi uma cristianização da festividade pagã, pois esse tipo de atitude foi feito em outras ocasiões pela igreja. Mesmo que isso fosse verdadeiro, não invalidaria as comemorações. Pois por onde passou, o cristianismo soube se adaptar às culturas, fazendo-as florescer em seu esplendor, levando cativo todo pensamento a Cristo. O cristianismo assumiu formas culturalmente diversas em todo o mundo, muito mais do que qualquer outra religião. Mas óbvio, sem negociar sua própria essência religiosa.

Não podemos nos esquecer que o cristianismo é uma religião nascida no oriente, florescida no Norte da África, solidificada na Europa e exportada para as Américas.

A data do Natal em si talvez nem seja o mais importante, mas sim o que ela representa, o nascimento do Rei. O nascimento de Jesus foi um capítulo sem precedentes na história do mundo. Foi o momento em que o Rei do universo, deixou a sua glória para habitar no meio de nós. Deixou a perfeição do seu reino, por uma manjedoura. Trocou a adoração dos anjos, pela admiração dos animais e pastores do campo.

Seu nascimento é a maior demonstração do amor de Deus. Pois foi somente quando o Verbo se faz carne, é que a natureza humana pode finalmente ser redimida. Pois somente aquele que é inteiramente Santo, poderia limpar nossa corrupção do pecado. 

O Natal não se trata de presentes trocados, daquela vontade de renovação para o próximo ano ou daquele espírito de mudar o mundo pelas nossas boas obras. O nascimento de Cristo representa a Luz em meio as trevas “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz.” (Isaías 9:2) O natal não é sobre nós, sobre o que nós podemos fazer, mas sobre o que Deus fez por nós, e Ele “enviou o seu Filho ao mundo não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por meio dele. “ (João 3:17)

O nascimento de Jesus foi aguardado por muitas gerações, as Escrituras testemunham o anseio pelo “desejado das nações” durantes séculos e séculos. Então, como nós não poderíamos celebrar a sua vinda? Como não poderíamos estar alegres com esse dia glorioso?

Que o natal seja celebrado pelo seu verdadeiro motivo, a encarnação do Verbo de Deus, Cristo Jesus.

Celebremos essa data, pois independe de suas origens, a palavra do profeta se cumpriu: “ um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” (Isaías 9:6)

—-

Ramon Serrano

 
 
 

Muito é falado sobre a submissão da mulher no casamento, submissão esta muitas vezes mal compreendida e confundida com subserviência. A submissão nada mais é que reconhecer a diferença natural entre o homem e a mulher, e os colocando cada um em humildade e amor à serviço da família e de Deus. Na narrativa bíblia, o homem foi feito do barro, e a mulher do homem. Ela não foi feita da lama da terra, mas da carne. O que isso significa? Que sua origem pode ser considerada mais refinada e organizada que a do homem.. Na Bíblia ela é chamada ajudadora, e todos sabemos que para ajudar, o ajudador sempre está em melhores condições do que o ajudado. Não é a toa que nenhum artista jamais pintou a figura de Satanás com traços femininos, mesmo apesar de originalmente Satanás ter sido um anjo, e sempre as figuras angélicas serem retratada com traços mais femininos. Satanás sempre teve os traços brutos e rudes do homem. Vemos que a mulher veio para auxiliar o homem, pois o homem é um ser que necessita de auxílio, caso não precisa-se, Deus não teria providenciado. Como o próprio Deus disse, “não é bom que o homem esteja só.”

A submissão feminina no casamento é um preceito bíblico, é para ser feita em amor, pois o homem foi instituído por Deus como líder e responsável de sua família. Isso de maneira nenhuma coloca a mulher como ser inferior, apenas em posições diferentes, com autoridades e funções diferenciadas para melhor servir um ao outro e glorificar a Deus no relacionamento. A mentalidade moderna que fez questão de distorcer o termo, já que eles odeiam tudo que remeta humildade, amor, família, e principalmente Deus. E acima de tudo, buscam sempre dessacralizar o casamento, colocando essa aliança como algo descartável. Por não compreenderem, distorcem o que não sabem.

Mas se a submissão da mulher no matrimônio é um plano divino para a família, a liderança masculina também é. E você homem, tem sido um marido segundo a liderança de Deus? É cômodo demais cobrar apenas das mulheres submissão, mas o homem também tem um papel a cumprir e ser submisso. Já parou para pensar na responsabilidade que é amar a própria esposa assim como Cristo amou a sua Igreja, como Paulo diz em Efésios? Já lhe ocorreu pensar em todos os sofrimentos que Jesus passou em vida pela Igreja? É esse tipo de amor que Paulo cobra que os maridos tenham pela esposa. Um verdadeiro líder se sacrifica pelos seus liderados.

No casamento não existe EU, existe apenas NÓS. Não há espaço para disputas egoístas, estão todos debaixo da autoridade de Deus. Assim como a mulher será cobrada segundo o papel que lhe foi dado no casamento, o homem ainda mais. Pois em todo líder há grandes expectativas, e o homem tem como espelho o maior exemplo de todos, Cristo. E lhe deve total submissão, pois se o homem foi investido de autoridade, ela veio de uma autoridade maior, que é Cristo, o cabeça de todo o relacionamento.

É interessante a analogia entre Cristo e a Igreja, que é sempre chamada de noiva. No casamento, vemos parte desse mistério sendo completado na formação do núcleo familiar voltado para obediência a Deus. Cristo tem cuidado da sua noiva (Igreja), e é esse o modelo que todo marido deve ter no cuidado da esposa. A instituição do casamento tem sido difamada, não por estar falida como muitos dizem, mas pelo contrário. Ela exige amor, comprometimento, humildade e submissão de ambas as partes, e é contra isso que a visão moderna se revolta. O mundo moderno afunda em sua própria sujeira, e querem contaminar tudo que é sagrado com sua visão distorcida da realidade. A história do mundo começa com um casamento, Adão e Eva. E terminará com o de Cristo e sua Igreja. Isso mostra que o casamento representa muito mais do que se pensa, e é muito mais profundo do que a mente moderna imagina.

Ramon Serrano

 
 
 

Atualizado: 26 de mai. de 2022

A mulher, a fé e o cristianismo.


Ao contrário do que comumente é propagado pela mídia e afins, o cristianismo não é uma religião “opressora patriarcal”, mas muito pelo contrário, foi o responsável por criar um ambiente que proporcionou a melhoria das condições da mulher na sociedade e lhe restaurou sua dignidade.


Vamos direto ao ponto, como o cristianismo foi um grande responsável por elevar a dignidade feminina?


Com o advento do cristianismo, o mundo mudou. Jesus era um líder pobre, que sempre se importou com o cuidado dos menos favorecidos e ensinou seus discípulos o mesmo. Não que ele fosse apenas um reformador social, Cristo foi muito mais que isso. Mas de fato ele quebrou muitas barreiras nesse sentido, especialmente em relação as mulheres.


A começar pelo próprio judaísmo, que no texto de Levítico 15 instrui a mulher com fluxo de sangue a ficar separada da comunidade e qualquer um que a tocasse ficaria “imundo até à tarde.” Porém, Jesus no meio de uma multidão curou uma mulher que há 12 anos sofria de tal mal e a despediu gentilmente “Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz”.


O ministério de Jesus teve muitas mulheres como participantes. Em Lucas 8, além dos 12 apóstolos também são relatadas que “mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades” o seguiam, tais como Maria Madalena, Joana e Suzana, “e muitas outras que o serviam com seus bens.”


Enquanto os fariseus mantinham as mulheres afastadas do seu núcleo, Jesus recebeu delas profunda adoração. Como no caso da história narrada em Lucas 7. Ao descobrir que Jesus estava na casa de um fariseu, ignorando o que poderia acontecer a ela nesse ambiente, uma mulher dita “pecadora” se aproximou dele e “chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o unguento.” Ao invés de repreendê-la como os fariseus esperavam, Jesus fez o contrário, repreendeu os fariseus e exaltou aquela mulher pelo seu ato. Dirigindo-se a Simão, o fariseu, Jesus disse: “Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos de sua cabeça. Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento. Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama.”


Entender como Jesus tratava as mulheres nos ajuda a entender o porquê delas terem sido tão numerosas no cristianismo primitivo. O grande historiador de Cambridge Henry Chadwick afirma: “O cristianismo foi especialmente bem sucedido entre as mulheres. Foi através das esposas que o cristianismo penetrou nas classes mais altas no primeiro momento.”1 Tanto que nos capítulos finais da epístola de Paulo aos Romanos, escrita na década de 50 d.C, Paulo saúda pelo menos 15 mulheres que tinham posição de liderança na congregação romana. E muito mais mulheres participavam das congregações cristãs e eram peças chave em seu desenvolvimento.


Em Atos 16 vemos Lídia, mercadora de púrpura batizada por Paulo, a qual reunia em sua casa em Filipos uma congregação. E também Maria, mãe de Marcos, que disponibilizava sua casa para receber as reuniões cristãs. Além de ajudarem o ministério financeiramente, as mulheres abriram a porta de suas casas para abrigar as reuniões cristãs.


Segundo o historiador e teólogo Adolf Von Harnack: “A pregação cristã foi adotada pelas mulheres em particular. A porcentagem de mulheres cristãs entre as classes mais altas era muito superior que as dos homens.”2 Isso foi confirmado recentemente por uma amostra de Romanos da classe senatorial que viveram entre 283 e 423 d.C, em que 50% dos homens e 85% das mulheres eram cristãos. 3


Mas a grande questão é: por que o cristianismo atraiu tanto as mulheres?


Porque assim como Cristo, o cristianismo trazia uma visão correta sobre o ser humano e seu valor. Além de ser espiritualmente elevado e trazer sentido a existência, uma das razões era também que o cristianismo lhes oferecia uma vida muito superior a que elas normalmente teriam em outras culturas. Na sociedade greco-romana, a vida das mulheres não era fácil, elas não escolhiam com quem casar, as vezes eram forçadas a abortar ou abandonar filhos recém-nascidos – principalmente se fossem do sexo feminino, o marido podia divorciar-se facilmente ou ter várias amantes, e geralmente elas não possuíam direitos de propriedade ou herança. Com a ascensão do cristianismo, muita coisa mudou. Como já havia escrito o apóstolo Paulo: ” Não há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” 4


As mulheres cristãs eram tão numerosas que muitos romanos desprezavam o cristianismo por considerá-lo uma “religião de mulheres”.


Em nenhum grupo religioso da antiguidade as mulheres foram consideradas em grande estima, especialmente se considerarmos o mundo greco-romano comparado com o mundo do cristianismo nascente.


A moralidade e o casamento


Em relação a moralidade e casamento, o historiador Thomas Woods relata: “As fontes mais antigas revelam-nos que a moral sexual se tinha degradado em extremo na época cm que a Igreja surgiu na História. Como escreveu o satírico Juvenal, a promiscuidade generalizada levara os romanos a perder a deusa Castidade. Ovídio observou que no seu tempo, as práticas sexuais se tinham rebaixado a um nível especialmente perverso, e até mesmo sádico. Podem-se encontrar testemunhos similares em Cátulo, Marcião e Suetônio acerca do estado da fidelidade conjugal e da imoralidade sexual nos tempos de Cristo. César Augusto tentou por cobro a essa situação com medidas legais, mas a lei raramente consegue reformar um povo que já tenha sucumbido ao fascínio dos prazeres imediatos. ”


No começo do século II, o historiador romano Tácito afirmava que uma mulher casta era um fenômeno raro.


A Igreja ensinou que as relações íntimas só são lícitas entre marido e mulher. O próprio Edward Gibbon. que culpava o cristianismo pela queda do Império Romano, foi obrigado a admitir; “Os cristãos restauraram a dignidade do matrimônio.”


A lei canônica da Igreja sobre o matrimônio considerou que para a validade de um casamento, era necessário o livre consentimento tanto do homem como da mulher, e que o ato poderia ser anulado se tivesse sido celebrado sob coação ou se uma das partes estivesse em erro a respeito da identidade ou de alguma condição importante da outra pessoa. 6


Comentando sobre esse fato escreve Berman: “os fundamentos não apenas do moderno direito matrimonial, mas também de certos elementos básicos do moderno direito contratual, principalmente o conceito de livre manifestação da vontade e de ausência de erro, coação e fraude.”7 Para a Igreja, o adultério não se limitava à infidelidade da esposa, como se costumava considerar no mundo antigo, mas estendia-se também à infidelidade do marido. A influencia que ela exerceu neste domínio foi de grande importância histórica, e não admira que Edward Westermarck, um excelente historiador da instituição do matrimônio, tenha creditado à influência cristã a equalização do pecado de adultério.8


Santificar o matrimônio e proibir o divórcio deu muito mais segurança a mulher e foi fundamental para manutenção da família.


Infanticídio


Além do matrimônio que trouxe segurança e mais dignidade ao relacionamento, a Igreja ajudou a aumentar o número de nascimentos do sexo feminino. Era comum, por decisão paterna, abandonar o recém nascido do sexo feminino à morte. Como podemos ver nesse relato do século II: “ Eu vejo seus bebês recém-nascidos expostos por vocês aos animais selvagens e as aves de rapina, ou sendo cruelmente estrangulados até a morte.


Há também mulheres entre vocês que, por tomarem certas drogas, destroem os inícios do futuro do ser humano enquanto este ainda está no útero., e são culpadas de infanticídio antes de serem mães. Essas práticas certamente foram dadas a vocês pelos seus deuses.”9


O cristianismo condenou e combateu essa prática. Toda forma de infanticídio foi condenada (o aborto é uma delas), o que favoreceu mais nascimentos, principalmente de bebês do sexo feminino. Ou seja, o cristianismo proporcionou que mais mulheres nascessem, aumentando consideravelmente a população feminina. Isso sim é significativo!


Sociedade


Após tremendo avanço no campo do matrimônio e família e com o aumento da perspectiva de não ser morta ao nascer, com o avançar dos anos as mulheres passaram a formar comunidades religiosas dotadas de governo próprio, algo inusitado em qualquer cultura do mundo antigo. Elas dirigiam as próprias escolas, conventos, orfanatos e hospitais.


E ainda segundo as historiadora francesa Regine Pernoud, os registros da cidade de Paris do século XIII deixam claro: “mulheres não ficavam somente em casa ou nos conventos como nos séculos seguintes. Havia professoras, médicas, boticárias, tintureiras, copistas, miniaturistas, encanadoras, arquitetas, e também abadessas e rainhas”.10


Na Idade Média, algumas mulheres usufruíram na Igreja de um extraordinário poder. A par de suas funções religiosas, elas exerciam, mesmo na vida laica, um poder que muitos invejariam no presente.


Administravam vastos territórios e paróquias. Algumas abadessas eram verdadeiras senhoras feudais, respeitadas por seu poder do mesmo modo que outros senhores o eram.11 


A independência e valorização da mulher foi lhe retirada a partir da Baixa Idade Média, com a vinda do Renascimento, que acarretou na volta do Direito Romano. O Direito Romano não é favorável à mulher, nem tampouco à criança. Ele defende o direito de Pater Familias, pai, proprietário, e em sua casa, sumo sacerdote e chefe da família com poderes sagrados, que tem sobre seus filhos direito de vida e morte, assim como sob sua mulher. Apoiando-se nisso, juristas estenderam o poder do estado centralizado e também restringiram a liberdade da mulher e sua capacidade de ação.


O jurista Robert Villers afirma: “Em Roma, a mulher, sem exagero ou paradoxo, não era sujeito de direito… Sua condição pessoal, as relações da mulher com seus pais ou com seu marido são da competência da domus da qual o pai, o sogro ou o marido são os chefes todo-poderosos” Vale observar que é só no fim do século XVII é que a mulher passa a tomar obrigatoriamente o nome do marido no casamento.


Conclusão


Vemos então que foi o movimento renascentista que se afastou do cristianismo e voltou seus olhos ao paganismo antigo e tudo de ruim que isso trouxe com ele. Não obstante, nessa época temos a aurora do Estado moderno que tem suas consequências sentida nos dias de hoje.


Como então acusam o cristianismo de ser opressor a mulher, quando este lhes trouxe mais liberdade, respeito e dignidade nunca antes experimentados?


O paganismo é que nunca valorizou a mulher, assim como hoje grupos ditos “defensores da mulher” não o fazem.


Se foi a santificação do casamento e a condenação do divórcio que salvou a mulher de continuar sendo marginalizada pela sociedade, por que hoje celebram tanto o divórcio e a dissolução da família?


Se foi a Igreja e a fé cristã que ajudaram a restaurar a dignidade do sexo feminino na sociedade, por que hoje são tão contra as mesmas coisas?


E o que dizer em relação ao infanticídio? Proibir tal prática foi o que proporcionou a mulher a nascer e crescer em primeiro lugar. Como então querem colocar essa prática assassina na pauta e dizer que se trata de “um direito”?


O mesmo Deus que criou os céus e a terra, nos criou a sua imagem e semelhança, e mesmo sendo pecadores envoltos num mundo de miséria e mal, esse Deus se fez carne para sacrifício do nossos pecados. Somos dignos, não por haja algo especial em nós mesmos, mas porque Ele nos torna dignos, e nisso, não há distinção de sexo.


Mas diante dos fatos não se pode negar, não foi um movimento político, uma ideologia, um grupo de mulheres gritando palavras de ordem que trouxe benefícios reais a vida da mulher através da história.


Foi a vida de um único homem, que há mais de 2.000 anos vem transformando o mundo, inspirando pessoas e salvando almas. Se pessoas mudam o mundo, Cristo muda pessoas.


” Ela Reveste-se de força e dignidade; sorri diante do futuro. Fala com sabedoria e ensina com amor. […] A beleza é enganosa, e a formosura é passageira; mas a mulher que teme ao Senhor será elogiada. Que ela receba a recompensa merecida, e as suas obras sejam elogiadas à porta da cidade.” Provérbios 31


Referências:

1Henry Chadwick, The Early Church, 1967.

2Adolf Von Harnack, 1905.

3Rodney Stark, The Triumph of Christianity, pág 41.

4Gálatas 3:28

5Thomas Woods , Como a Igreja Católica construíu a civilização ocidental, pág 199.

6Ibid pág 182.

7Harold J. Herman. Law and Revolution, pig. 228

8Alvin J. Schmidl. Under lhe Infhtence . Pág 84

9Minucius Felix, ‘The Octavius’ of Minucius Felix p.83 

10Regine Pernoud, 1994.

11Ricardo da Costa, Ensaios da História Medieval, pág 355

 
 
 
CONTATO
Avalie-nosRuimNão muito bomBomMuito bomÓtimoAvalie-nos

Agradecemos pelo envio !

© 2019 - 2023. INTERVENÇÃO DIVINA - Criado por Divino Design.

Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

bottom of page
ConveyThis