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Atualizado: 26 de mai. de 2022

A mulher, a fé e o cristianismo.


Ao contrário do que comumente é propagado pela mídia e afins, o cristianismo não é uma religião “opressora patriarcal”, mas muito pelo contrário, foi o responsável por criar um ambiente que proporcionou a melhoria das condições da mulher na sociedade e lhe restaurou sua dignidade.


Vamos direto ao ponto, como o cristianismo foi um grande responsável por elevar a dignidade feminina?


Com o advento do cristianismo, o mundo mudou. Jesus era um líder pobre, que sempre se importou com o cuidado dos menos favorecidos e ensinou seus discípulos o mesmo. Não que ele fosse apenas um reformador social, Cristo foi muito mais que isso. Mas de fato ele quebrou muitas barreiras nesse sentido, especialmente em relação as mulheres.


A começar pelo próprio judaísmo, que no texto de Levítico 15 instrui a mulher com fluxo de sangue a ficar separada da comunidade e qualquer um que a tocasse ficaria “imundo até à tarde.” Porém, Jesus no meio de uma multidão curou uma mulher que há 12 anos sofria de tal mal e a despediu gentilmente “Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz”.


O ministério de Jesus teve muitas mulheres como participantes. Em Lucas 8, além dos 12 apóstolos também são relatadas que “mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades” o seguiam, tais como Maria Madalena, Joana e Suzana, “e muitas outras que o serviam com seus bens.”


Enquanto os fariseus mantinham as mulheres afastadas do seu núcleo, Jesus recebeu delas profunda adoração. Como no caso da história narrada em Lucas 7. Ao descobrir que Jesus estava na casa de um fariseu, ignorando o que poderia acontecer a ela nesse ambiente, uma mulher dita “pecadora” se aproximou dele e “chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o unguento.” Ao invés de repreendê-la como os fariseus esperavam, Jesus fez o contrário, repreendeu os fariseus e exaltou aquela mulher pelo seu ato. Dirigindo-se a Simão, o fariseu, Jesus disse: “Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos de sua cabeça. Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento. Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama.”


Entender como Jesus tratava as mulheres nos ajuda a entender o porquê delas terem sido tão numerosas no cristianismo primitivo. O grande historiador de Cambridge Henry Chadwick afirma: “O cristianismo foi especialmente bem sucedido entre as mulheres. Foi através das esposas que o cristianismo penetrou nas classes mais altas no primeiro momento.”1 Tanto que nos capítulos finais da epístola de Paulo aos Romanos, escrita na década de 50 d.C, Paulo saúda pelo menos 15 mulheres que tinham posição de liderança na congregação romana. E muito mais mulheres participavam das congregações cristãs e eram peças chave em seu desenvolvimento.


Em Atos 16 vemos Lídia, mercadora de púrpura batizada por Paulo, a qual reunia em sua casa em Filipos uma congregação. E também Maria, mãe de Marcos, que disponibilizava sua casa para receber as reuniões cristãs. Além de ajudarem o ministério financeiramente, as mulheres abriram a porta de suas casas para abrigar as reuniões cristãs.


Segundo o historiador e teólogo Adolf Von Harnack: “A pregação cristã foi adotada pelas mulheres em particular. A porcentagem de mulheres cristãs entre as classes mais altas era muito superior que as dos homens.”2 Isso foi confirmado recentemente por uma amostra de Romanos da classe senatorial que viveram entre 283 e 423 d.C, em que 50% dos homens e 85% das mulheres eram cristãos. 3


Mas a grande questão é: por que o cristianismo atraiu tanto as mulheres?


Porque assim como Cristo, o cristianismo trazia uma visão correta sobre o ser humano e seu valor. Além de ser espiritualmente elevado e trazer sentido a existência, uma das razões era também que o cristianismo lhes oferecia uma vida muito superior a que elas normalmente teriam em outras culturas. Na sociedade greco-romana, a vida das mulheres não era fácil, elas não escolhiam com quem casar, as vezes eram forçadas a abortar ou abandonar filhos recém-nascidos – principalmente se fossem do sexo feminino, o marido podia divorciar-se facilmente ou ter várias amantes, e geralmente elas não possuíam direitos de propriedade ou herança. Com a ascensão do cristianismo, muita coisa mudou. Como já havia escrito o apóstolo Paulo: ” Não há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” 4


As mulheres cristãs eram tão numerosas que muitos romanos desprezavam o cristianismo por considerá-lo uma “religião de mulheres”.


Em nenhum grupo religioso da antiguidade as mulheres foram consideradas em grande estima, especialmente se considerarmos o mundo greco-romano comparado com o mundo do cristianismo nascente.


A moralidade e o casamento


Em relação a moralidade e casamento, o historiador Thomas Woods relata: “As fontes mais antigas revelam-nos que a moral sexual se tinha degradado em extremo na época cm que a Igreja surgiu na História. Como escreveu o satírico Juvenal, a promiscuidade generalizada levara os romanos a perder a deusa Castidade. Ovídio observou que no seu tempo, as práticas sexuais se tinham rebaixado a um nível especialmente perverso, e até mesmo sádico. Podem-se encontrar testemunhos similares em Cátulo, Marcião e Suetônio acerca do estado da fidelidade conjugal e da imoralidade sexual nos tempos de Cristo. César Augusto tentou por cobro a essa situação com medidas legais, mas a lei raramente consegue reformar um povo que já tenha sucumbido ao fascínio dos prazeres imediatos. ”


No começo do século II, o historiador romano Tácito afirmava que uma mulher casta era um fenômeno raro.


A Igreja ensinou que as relações íntimas só são lícitas entre marido e mulher. O próprio Edward Gibbon. que culpava o cristianismo pela queda do Império Romano, foi obrigado a admitir; “Os cristãos restauraram a dignidade do matrimônio.”


A lei canônica da Igreja sobre o matrimônio considerou que para a validade de um casamento, era necessário o livre consentimento tanto do homem como da mulher, e que o ato poderia ser anulado se tivesse sido celebrado sob coação ou se uma das partes estivesse em erro a respeito da identidade ou de alguma condição importante da outra pessoa. 6


Comentando sobre esse fato escreve Berman: “os fundamentos não apenas do moderno direito matrimonial, mas também de certos elementos básicos do moderno direito contratual, principalmente o conceito de livre manifestação da vontade e de ausência de erro, coação e fraude.”7 Para a Igreja, o adultério não se limitava à infidelidade da esposa, como se costumava considerar no mundo antigo, mas estendia-se também à infidelidade do marido. A influencia que ela exerceu neste domínio foi de grande importância histórica, e não admira que Edward Westermarck, um excelente historiador da instituição do matrimônio, tenha creditado à influência cristã a equalização do pecado de adultério.8


Santificar o matrimônio e proibir o divórcio deu muito mais segurança a mulher e foi fundamental para manutenção da família.


Infanticídio


Além do matrimônio que trouxe segurança e mais dignidade ao relacionamento, a Igreja ajudou a aumentar o número de nascimentos do sexo feminino. Era comum, por decisão paterna, abandonar o recém nascido do sexo feminino à morte. Como podemos ver nesse relato do século II: “ Eu vejo seus bebês recém-nascidos expostos por vocês aos animais selvagens e as aves de rapina, ou sendo cruelmente estrangulados até a morte.


Há também mulheres entre vocês que, por tomarem certas drogas, destroem os inícios do futuro do ser humano enquanto este ainda está no útero., e são culpadas de infanticídio antes de serem mães. Essas práticas certamente foram dadas a vocês pelos seus deuses.”9


O cristianismo condenou e combateu essa prática. Toda forma de infanticídio foi condenada (o aborto é uma delas), o que favoreceu mais nascimentos, principalmente de bebês do sexo feminino. Ou seja, o cristianismo proporcionou que mais mulheres nascessem, aumentando consideravelmente a população feminina. Isso sim é significativo!


Sociedade


Após tremendo avanço no campo do matrimônio e família e com o aumento da perspectiva de não ser morta ao nascer, com o avançar dos anos as mulheres passaram a formar comunidades religiosas dotadas de governo próprio, algo inusitado em qualquer cultura do mundo antigo. Elas dirigiam as próprias escolas, conventos, orfanatos e hospitais.


E ainda segundo as historiadora francesa Regine Pernoud, os registros da cidade de Paris do século XIII deixam claro: “mulheres não ficavam somente em casa ou nos conventos como nos séculos seguintes. Havia professoras, médicas, boticárias, tintureiras, copistas, miniaturistas, encanadoras, arquitetas, e também abadessas e rainhas”.10


Na Idade Média, algumas mulheres usufruíram na Igreja de um extraordinário poder. A par de suas funções religiosas, elas exerciam, mesmo na vida laica, um poder que muitos invejariam no presente.


Administravam vastos territórios e paróquias. Algumas abadessas eram verdadeiras senhoras feudais, respeitadas por seu poder do mesmo modo que outros senhores o eram.11 


A independência e valorização da mulher foi lhe retirada a partir da Baixa Idade Média, com a vinda do Renascimento, que acarretou na volta do Direito Romano. O Direito Romano não é favorável à mulher, nem tampouco à criança. Ele defende o direito de Pater Familias, pai, proprietário, e em sua casa, sumo sacerdote e chefe da família com poderes sagrados, que tem sobre seus filhos direito de vida e morte, assim como sob sua mulher. Apoiando-se nisso, juristas estenderam o poder do estado centralizado e também restringiram a liberdade da mulher e sua capacidade de ação.


O jurista Robert Villers afirma: “Em Roma, a mulher, sem exagero ou paradoxo, não era sujeito de direito… Sua condição pessoal, as relações da mulher com seus pais ou com seu marido são da competência da domus da qual o pai, o sogro ou o marido são os chefes todo-poderosos” Vale observar que é só no fim do século XVII é que a mulher passa a tomar obrigatoriamente o nome do marido no casamento.


Conclusão


Vemos então que foi o movimento renascentista que se afastou do cristianismo e voltou seus olhos ao paganismo antigo e tudo de ruim que isso trouxe com ele. Não obstante, nessa época temos a aurora do Estado moderno que tem suas consequências sentida nos dias de hoje.


Como então acusam o cristianismo de ser opressor a mulher, quando este lhes trouxe mais liberdade, respeito e dignidade nunca antes experimentados?


O paganismo é que nunca valorizou a mulher, assim como hoje grupos ditos “defensores da mulher” não o fazem.


Se foi a santificação do casamento e a condenação do divórcio que salvou a mulher de continuar sendo marginalizada pela sociedade, por que hoje celebram tanto o divórcio e a dissolução da família?


Se foi a Igreja e a fé cristã que ajudaram a restaurar a dignidade do sexo feminino na sociedade, por que hoje são tão contra as mesmas coisas?


E o que dizer em relação ao infanticídio? Proibir tal prática foi o que proporcionou a mulher a nascer e crescer em primeiro lugar. Como então querem colocar essa prática assassina na pauta e dizer que se trata de “um direito”?


O mesmo Deus que criou os céus e a terra, nos criou a sua imagem e semelhança, e mesmo sendo pecadores envoltos num mundo de miséria e mal, esse Deus se fez carne para sacrifício do nossos pecados. Somos dignos, não por haja algo especial em nós mesmos, mas porque Ele nos torna dignos, e nisso, não há distinção de sexo.


Mas diante dos fatos não se pode negar, não foi um movimento político, uma ideologia, um grupo de mulheres gritando palavras de ordem que trouxe benefícios reais a vida da mulher através da história.


Foi a vida de um único homem, que há mais de 2.000 anos vem transformando o mundo, inspirando pessoas e salvando almas. Se pessoas mudam o mundo, Cristo muda pessoas.


” Ela Reveste-se de força e dignidade; sorri diante do futuro. Fala com sabedoria e ensina com amor. […] A beleza é enganosa, e a formosura é passageira; mas a mulher que teme ao Senhor será elogiada. Que ela receba a recompensa merecida, e as suas obras sejam elogiadas à porta da cidade.” Provérbios 31


Referências:

1Henry Chadwick, The Early Church, 1967.

2Adolf Von Harnack, 1905.

3Rodney Stark, The Triumph of Christianity, pág 41.

4Gálatas 3:28

5Thomas Woods , Como a Igreja Católica construíu a civilização ocidental, pág 199.

6Ibid pág 182.

7Harold J. Herman. Law and Revolution, pig. 228

8Alvin J. Schmidl. Under lhe Infhtence . Pág 84

9Minucius Felix, ‘The Octavius’ of Minucius Felix p.83 

10Regine Pernoud, 1994.

11Ricardo da Costa, Ensaios da História Medieval, pág 355

 
 
 

LlMITES DA RAZÃO


O SEMI-RACIONALISMO E O RACIONALISMO


Carta Dum acerbissimas de Gregório XVI (26/9/1835)


Embora seja racional a Fé (tese contrária ao fideísmo de Bautain e ao tradicionalismo de Bonnetty), ela não é, entretanto, o produto lógico e necessário da razão (tese contrária a Hermes).


Georg Hermes (1775 1831) foi, como tantos outros, vítima do desejo de tornar a fé mais compreensível a seus contemporâneos. As leituras que fez de Kant e de Fichte fizeram-no mergulhar numa profunda crise religiosa; para dela sair só via um caminho: o da dúvida objetiva como condição prévia. Para sair desta dúvida, julgava imprescindível uma análise científica que necessariamente exigisse o assentimento da razão pura e o consenso da razão prática.


Este método de acesso á Fé incorre numa séria dificuldade: como explicar a liberdade e a sobrenaturalidade da Fé? Responde Hermes distinguindo entre a fé da inteligência e a fé do coração, vivificada pelas obras. Liberdade e sobrenaturalidade seriam, segundo ele, atributos da segunda, não da primeira. A seu método teológico acrescentava grande vivacidade e menosprezo pela Tradição.


Em torno das teses de Hermes, que primeiro ensinou em Münster e mais tarde em Bonn, acendeu-se violenta polêmica. Suas obras eram lidas com interesse: mais de trinta alunos difundiam as doutrinas do mestre em seminários, em universidades e na revista que fundaram depois de sua morte.


(1832-1852). Gregório XVI mandou examinar detidamente as obras de Hermes e chegou à conclusão de que ele subordinava a Fé á razão, estabelecendo o princípio da dúvida positiva como base necessária para qualquer teologia. Com o Breve Dum acerbissimas proibiu as obras de Hermes e condenou como errôneas oito afirmações suas”.


Mais tarde (9/11/1846), publicou Pio IX sua primeira encíclica (Qui pluribus) contra os erros modernos, na qual, ao abordar o problema das relações entre Fé e razão,




assinalou claramente um caminho equidistante entre o fideísmo e o racionalismo, e acentuando a necessidade de se estabelecerem racionalmente os motivos de credibilidade. Lamentavelmente, os seguidores de Hermes julgaram descobrir nesta parte da Encíclica uma confirmação de suas opiniões. Para impugnar tal interpretação, o Papa confirmou o breve de Gregório XVI (Dum acerbissimas) com uma carta ao bispo coadjutor de Colônia, o future Cardeal Geissel (25/7/1847).


Insistiu Pio IX pela terceira vez no mesmo tema em sua Alocução Singulari quadam (9/12/1854), pronunciada um dia depois da promulgação do dogma da Imaculada Conceição. Nela o Papa examina o método teológico e confronta-o com o das outras ciências, concluindo que a razão humana não pode ser o critério último para julgar as verdades de Fé.


TEXTO: A.M. BERNASCONI, Gregório XVI ata, Roma, 1901-1904, 2.85-86.


(…) Entre tais mestres do erro (…) deve-se incluir Georg Hermes, o qual, desviando-se com ousadia do reto caminho que a Tradição e os Santos Padres traçaram para expor e defender as verdades da Fé e, mais ainda, desprezando este caminho e condenando-o com soberba, entra por uma tenebrosa via que leva a toda espécie de erros: a dúvida positiva como base de toda pesquisa teológica, e o princípio, por ele estabelecido, de que a razão é a norma principal e o único meio pelo qual o homem pode alcançar o conhecimento das verdades sobrenaturais(…)



Collantes, Justo, A fé católica: documentos do magistério da Igreja, Lumen Christi; Anápolis, GO, 2003.

 
 
 

IGREJA, IDADE MÉDIA E O PAGANISMO: AS VERDADEIRAS VÍTIMAS DAS NARRATIVAS AO LONGO DA HISTÓRIA.

Há pouco tempo, a estava circulando na internet um vídeo, em que um grupo de estudantes de uma federal dessas da vida ameaçavam a civilização ocidental cristã, dizendo que destruíram tudo o que á Igreja construiu, trocando a cultura cristã pelo paganismo grego/romano, isso é sinal de que ou não conhecem a cultura pagã antiga ou se conhecem são pessoas totalmente tomadas pelo mal em toda a sua plenitude, a conversa é sempre a mesma, desinformação e nada mais, o que já não se sustenta nos nossos dias. Depois de muitos séculos de mentiras e acusações sobre um período de aproximadamente mil da história, a contemporaneidade finalmente, passou a ver a Idade Média com os olhos dela própria, não com os daqueles que viveram ou vivem no outro momento. Entendeu-se que a função do historiador é compreender, não a de divulgar o passado. Logo, podemos entender que o único referencial possível para se ver a idade média é a própria Idade Média. Com base nessa postura, e elaborado, para concretizar a inúmeras novas metodologias e técnicas e a historiografia medievalística deu um enorme salto qualitativo. Sem risco de exagerar, pode-se dizer que o medievalismo se tornou uma espécie de carro chefe da historiografia contemporânea, ao propor temas, experimentar métodos, rever conceitos, dialogar intimamente com outras ciências humanas.

Sendo a história em processo, naturalmente se deve renunciar a busca de um fato específico que ter inaugurado ou encerrado um determinado período. Mesmo assim os problemas permanecem vivos pois não há unanimidade sequer quanto ao século em que se deu a passagem da antiguidade para a idade média. Tampouco há acordo No que diz respeito à transição dela para a modernidade. Mas ainda e agora apesar da existência de estruturas básicas ao longo daquele milênio, não se pode pensar, é claro, no imobilismo. Passou sem intenção é subdividida a história medieval em frases que apresentam certa unidade interna. Mas também aqui não chega a haver consenso entre os historiadores. A periodização que proponho nesse trabalho sobre a Idade Média não é a única aceita, mas creio que é a mais adequada a maneira como descrever os eventos com seus detalhes e um compartimento com a antiguidade clássica e eventos contemporâneos.

Começando com um comparativo, deve-se ressaltar que na Antiguidade, as crianças com deficiência, independentemente de quaisquer que fossem as suas especificidades, eram consideradas como pessoas castigadas e rejeitadas pelos seus Deuses; posteriormente, não eram legitimadas como filhos pelas suas famílias. Com efeito, Platão e Aristóteles, com toda clareza, já defendiam a ideia de eliminar as crianças fracas, (…) nas cidades de Atenas e em Esparta havia uma lei que não apenas defendia como também fomentava o genocídio de crianças com deficiência. DO DIREITO À VIDA (art.5, Caput) | Parte III

A eutanásia é a boa morte da pessoa que sofre de uma enfermidade incurável ou bastante penosa, que tende a truncar uma agonia demasiadamente cruel e prolongada.

Consiste na morte sem sofrimento físico. Por muitos, a eutanásia é vista como ato de bondade e humanismo, pois com compaixão se proporciona ao doente incurável a morte tranquila, tirando-o de uma vida de sofrimentos e desesperos. Conforme Cabette (2009, p. 19), o termo eutanásia foi proposto por Francis Bacon, em 1623, em sua obra Historia vitae et mortis. Contudo, há quem defenda que a origem deste vocábulo é mais antiga, encontrado na Carta de Ático, escrita por Cícero (106-43 a.C.), sendo designado como morte digna, honesta e gloriosa. Também há notícia de que este termo tem sido usado desde a época do Imperador Augusto e do historiador romano Suetônio. Por fim, na Epístola a Lucílio (Carta 77), Sêneca usou a palavra eutanásia para descrever a arte da boa ou doce morte.

As pessoas que não se enquadravam no padrão social considerado “normal”, seja em decorrência de problemas na sua concepção ou nascimento, seja por fatores externos como guerras, acidentes naturais, entre outros, eram considerados empecilhos ou “peso morto”, sendo por isso geralmente abandonadas ou relegadas ao isolamento, sem que isso fosse considerado errado pelas demais pessoas. Acontecia uma espécie de seleção natural onde apenas os mais fortes sobreviviam e se estabeleciam. Em civilizações tidas como os pilares das sociedades em que hoje vivemos o que caracterizava a deficiência segundo alguns historiadores da antiguidade eram essencialmente a falta ou o acréscimo de membros em seus corpos; Na Grécia antiga especialmente na cidade de Esparta, por exemplo, quando uma criança nascia, os pais apresentavam-na a funcionários do Estado que avaliavam se a “robustez” do recém-nascido valeria o esforço que sua educação exigiria. Se não valesse, o bebê seria jogado do alto do monte Taigeto, localidade onde eram destinados todos os recém-nascidos com alguma deficiência que agredisse a estética quase que perfeita dos espartanos. Considerava-se ilógico, diz um historiador da antiguidade:

“Selecionar as crias dos cavalos e dos cães e deixar viver os filhos nascidos de idiotas ou de velhos doentes. Era preferível, tanto para a criança como para o Estado, promover a morte do bebê que a natureza tinha tornado inapta para a vida. (Historiador Desconhecido, Apud Grimberg, 1989, p. 6, 7)”.

É de se compreender tão grande falha nas palavras do historiador desconhecido, uma vez que na Esparta da antiguidade as leis e a organização social tinham como finalidade criar um poderoso povo de guerreiros então não poderia haver nesta sociedade “monstruosidades” que pudessem macula a vontade de um povo, não quero dizer aqui que a aristocracia espartana era feita de homens e mulheres sem coração muito pelo contrário, segundo Carl Grimberg (1989), um historiador Sueco, as mulheres espartanas eram mães admiráveis, uma vez que para elas a maternidade era uma benção dos deuses. Os hebreus viam, na deficiência física ou sensorial, uma espécie de punição de Deus, e impediam qualquer portador de deficiência de ter acesso à direção dos serviços religiosos. A Lei das XII Tábuas, na Roma antiga, autorizava os patriarcas a matar seus filhos defeituosos, ou seja, os romanos já tomavam posições bem mais drásticas em relação às pessoas com deficiência. Basta observar o que afirmava Sêneca: “Matam-se cães quando estão com raiva; exterminam-se touros bravios; cortam-se as cabeças das ovelhas enfermas para que as demais não sejam contaminadas; matamos os fetos e os recém-nascidos monstruosos; se nascerem defeituosos e monstruosos afogamo-los, não devido ao ódio, mas à razão, para distinguirmos as coisas inúteis das saudáveis. (Sêneca, Apud Silva, 1986, p. 129)”.

Em uma pequena depressão em um solo na cidade de Atenas, na Grécia, um pinheiro retorcido, quase que no formato de um ponto de interrogação, aponta o local de um mistério de 85 anos, mas que remete a tempos muito mais longínquos. Em 1930, um grupo de arqueólogos iniciou uma escavação na Ágora, principal mercado público da cidade, e, entre monumentos e outros prédios, encontrou um poço com 450 esqueletos de bebês e centenas de ossadas de cachorros. O grande número de recém-nascidos intrigou os pesquisadores por décadas. Na última semana, uma pesquisa colocou um ponto final nesse enigma e ajudou na compreensão sobre a infância e o espaço público na Grécia Helenística.

As revelações das escavações mostram como a concepção de infância e até mesmo a visão sobre o espaço público se modificaram através dos tempos.

— A infância não era algo tão idealizado quanto é em nossa sociedade. A pesquisa também mostra a relação desses atenienses não só com a morte, mas com o próprio espaço público. Esse poço estava no centro cívico, perto de residências e do comércio. Isso mostra que essas crianças não eram vistas como pessoas, propriamente, uma vez que não passaram pelos mecanismos de integração à família e à cidade — analisa Mariana Virgolino, doutora em História Antiga pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

A eutanásia é uma prática antiga.

Os brâmanes abandonavam as crianças que consideravam de má índole na selva. Os esquimós matavam seus familiares que tivessem qualquer doença incurável. Na Índia eram feitas cerimônias públicas nas quais os doentes em estado grave tinham suas bocas e narinas obstruídas com lama sagrada e em seguida eram jogados no rio Ganges. Em certas tribos selvagens os filhos tinham que comer parte do corpo de seu pai enfermo, sendo que este ficava bastante satisfeito com este ritual sagrado, uma vez que sua vida teria prosseguimento, já que o estômago de seu filho seria sua sepultura. Em Atenas, todo aquele que chegasse aos 60 anos de idade era envenenado, já que não traria mais contribuição à guerra e todo aquele que estivesse exausto de sua vida e de seus deveres para com o Estado podia procurar a magistratura a fim de manifestar sua vontade de ser envenenado. Esse pedido costumava ser concedido. Já os nômades sacrificavam os seus enfermos que não conseguissem transportar, pois essa atitude era melhor do que abandoná-los aos inimigos ou às condições instáveis do clima. Na Grécia Platão e Aristóteles eram a favor da prática da eutanásia. Esses filósofos consideravam correta a prática da eutanásia e do abandono de recém-nascidos com más-formações ou anomalias. Nessa época o Estado não tinha o dever de manter viva uma criança que fosse inútil, e a família dessa criança tinha vergonha de ter uma pessoa incapacitada para a guerra. Em Roma, era comum serem lançados ao mar deficientes mentais. Também nesse período os gladiadores gravemente feridos tinham seu sofrimento aliviado. Na Idade Média, conforme explica Asúa (2003, p. 26-27), percebe-se que a eutanásia era tida como um ato de misericórdia, sendo praticada em casos de feridas e acidentes graves ou doenças crônicas. Devidos às pestes e epidemias, a eutanásia passou a ser comum neste período. Em Esparta as crianças pobres e raquíticas eram consideradas pelo Estado um fardo pesado, pois não viam nestas condições de serem grandes guerreiros. Assim, eram jogadas do monte Taíjeto. No Egito, Cleópatra e Marco Antônio fundaram um local a fim de realizarem experiências para descobrir qual a maneira de morrer menos dolorosa. Lombroso, informa que até 1660 era comum que velhos e doentes fossem mortos por sua família. Entre os homens ilustres da Grécia estão as palavras de Platão: “Se o homem leva uma vida desordenada, desmedida entregue aos Prazeres, os médicos e o estado deveriam ocupar-se constantemente dele, e isto não seria justo. Por conseguinte, estabelecerás em nossa República uma medicina e uma jurisprudência que sejam como acabamos de dizer, e que se limitem ao cuidado dos que receberam da natureza um corpo são e uma alma bela. Quanto àqueles cujo corpo está mal constituído, deixa os morrer, e serão castigados com a morte aqueles cuja alma é naturalmente má e incorrigível (Platão a república livro 2). Nos tempos de Roma pagã, a sentença de morte estendia-se inclusive aqueles cujo único delito consistia em praticar sua fé pacífica e privadamente, como no caso dos cristãos que sofreriam as mortes mais atrozes e horrendas que se conhecem, sendo habitual, por exemplo, atirá- los aos leões para o regozijo de uma plebe amorfa e ignorante. A este respeito, explica o sacerdote espanhol Iraburu: “As perseguições romanas contra os cristãos, dentro de um mundo de altura jurídica, são um gravíssimo atentado contra a justiça. Não tratam de castigar atos criminosos, mas pretendem penalizar a homens e mulheres pelo simples fato de confessar-se cristãos. Aplicam, além disso, penas duríssimas: degradação cívica, Cárcere, exílio, envio às minas do Estado, desapropriação dos bens, morte pela espada, a cruz, o fogo, o afogamento ou as fé. E todas estas penas estão normalmente precedidas de terríveis tormentos, nos quais a autoridade Imperial tenta dobrar a vontade do mártir cristão, quando este se obstina em manter sua fé. Os judeus, Como já se comentou, executavam está pena, além dos Blasfemos, sobre os bruxos, pecadores sexuais e outros ofensores leves, queimado-os vivos, estrangulando-os, apedrejando-os ou passando-os a Fio da Espada: eram as penas estipuladas nos códigos judeus, Como assinala David goldstein.

Então agora ao final desse texto, eu pergunto aos que criticam a cultura cristã ocidental, você sabia que os orfanatos foram criados pela Igreja? O sentimento de caridade em toda sua grandeza só foi possível com a mensagem da cruz, a caridade é o Amor ao próximo em toda a sua grandeza, isto só foi possível com o cristianismo, se você realmente acredita que uma volta ao paganismo é uma boa alternativa cultural, eu só posso dizer que você não entendeu o Amor da morte da Cruz por Jesus Cristo, não consegue ver o seu próximo como a si mesmo, não é capaz de amar sem esperar receber, você é só um egoísta que quer um paganismo para mostrar o seu hedonismo, eliminar quem te incomoda, mas tenho que lhe dizer que está perdendo tempo, o Amor vencerá.

 
 
 
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