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Por Luis Fernando Pérez Tradução: Carlos Martins Nabeto Fonte: http://www.veritatis.com.br/article/4709

Nunca será possível entender a importância da figura do Bispo de Roma, sucessor do Apóstolo Pedro, sem previamente se compreender quem foi aquele homem chamado Simão, filho de Jonas, e qual foi o papel que Nosso Senhor Jesus Cristo quis que desempenhasse em sua Igreja. No Evangelho de João, lemos como ocorreu o primeiro encontro entre Jesus e Simão:

“André, irmão de Simão Pedro, era um daqueles que havia ouvido a João e resolvera seguir a Jesus. Ele falou primeiramente com seu irmão Simão e lhe disse: ‘Encontramos o Messias’ (que traduzido significa ‘o Cristo’). E o levou até Jesus. E olhando-o, Jesus disse-lhe: ‘Tu és Simão, filho de Jonas; serás chamado ‘Cefas” (que quer dizer ‘Pedro’)” (João 1,40-42).

Em um primeiro momento, ninguém diria que estas primeiras palavras de Jesus a Pedro tivessem uma importância além da de estabelecer um primeiro contato entre ambos; porém, sem dúvida alguma, nelas encontramos um elemento essencial para saber quem foi o Apóstolo. Efetivamente, Cristo anuncia a Simão que ele receberá um novo nome, pelo qual será conhecido: Cefas (=Pedro). Mas por que tal mudança? Provavelmente encontraremos a resposta no Antigo Testamento:

“Então Abrão se prostrou sobre o seu rosto e Deus falou com ele, dizendo: ‘Eis o pacto que faço contigo: serás pai de uma multidão de povos. E teu nome não será mais Abrão, mas serás chamado de Abraão, porque te coloquei como pai de uma multidão de povos” (Gênese 17,3-5). “E o varão lhe disse: ‘Qual é o teu nome?’ E ele respondeu: ‘Jacó’. E o varão lhe disse: ‘Teu nome não será mais Jacó, mas Israel, porque lutaste contra Deus e os homens, e venceste'” (Gênese 32,27-28). “E Deus lhe disse: ‘Teu nome é Jacó, mas não mais serás chamado de Jacó; Israel será o teu nome’. E chamou seu nome de Israel. E Deus também lhe disse: ‘Eu sou o Deus todo-poderoso: crescei e multiplicai; uma nação e um conjunto de nações procederão de ti; e reis sairão de ti. A terra que dei a Abraão e a Isaac, a darei a ti; e à tua descendência darei a terra depois de ti'” (Gênese 35,10-12).

Toda vez que Deus altera o nome de alguém, o faz por um motivo bem particular. Ao estabelecer o pacto com Abrão, que significa “pai enaltecido”, o renomeia para Abraão, que significa “pai de uma numerosa multidão”. Tal mudança de nome está totalmente relacionada com o próprio pacto que Deus estabelece com o patriarca. O mesmo ocorre com Jacó, a quem um personagem misterioso que havia lutado com ele o adverte que seu nome passará a ser Israel, que significa “Deus luta” ou “aquele que luta com Deus”, o que é confirmado pelo próprio Senhor quando reafirma o pacto que já houvera feito anteriormente com seu avô Abraão.

Existem outros exemplos do Antigo Testamento em que podemos comprovar que o nome de uma pessoa era intimamente relacionado com certa circunstância da sua vida. Não foi em vão, portanto, que o anjo do Senhor anunciou a José que o fruto do ventre de Maria fôra gerado pelo Espírito Santo, acrescentando ao mesmo tempo que o menino deveria se chamar “Jesus”, que significa “Javé salva” (tal nome definia perfeitamente a missão do Senhor, que haveria de nascer do seio da Virgem Maria).

Considerando todos estes antecedentes, não podemos ignorar o fato de que Jesus, ao estabelecer um novo nome a Simão, logo na primeira vez em que se encontra com ele, estava demonstrando uma qualidade essencial do próprio Simão.

Porém, não seremos nós que o diremos; deixemos que o próprio Senhor nos diga quem é Pedro e quais são os elementos distintivos do seu ministério. Analisemos cada um dos versículos do texto de Mateus 16,13-19:

“Vindo Jesus à região da Cesaréia de Filipe, perguntou aos seus discípulos, dizendo: ‘Quem os homens dizem que é o Filho do Homem?’ Eles disseram: ‘Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; e outros ainda, Jeremias ou algum dos profetas'” (vv.13-14).

Jesus sabia que havia um grande número de especulações acerca da sua identidade, fato este também de total conhecimento dos seus discípulos. Em meio a tanta confusão, o Senhor lhes faz uma pergunta bastante interessante:

“E disse-lhes: ‘E vós? Quem dizeis que eu sou?'” (v.15).

Ora, nem sempre o que cremos acerca de alguém corresponde ao que é realmente essa pessoa. Principalmente quando essa pessoa é o próprio Deus. Vivemos hoje uma situação semelhante àqueles tempos. Os homens especulam muito acerca da verdadeira identidade de Cristo: uns dizem que foi somente um bom mestre; outros, que foi um iluminado que fracassou; outros crêem que foi um guru palestino; outros ainda opinam que foi um extraterrestre; e muitos também o ignoram por completo. Porém, mais uma vez, o que é realmente importante é que nós, seus discípulos, podemos responder à pergunta: “Quem dizeis que eu sou?”. Ora, que aqueles que não conhecem verdadeiramente a Cristo se equivoquem sobre a sua real identidade, até certo ponto é natural; entretanto, nós não podemos nos equivocar. PEDRO NÃO SE EQUIVOCOU:

“Respondendo Simão Pedro, disse: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo'” (v.17).

Eis aí um PONTO FINAL sobre todas as especulações! Jesus é o Messias, o Filho do Deus vivo. Pedro o disse e a questão está encerrada. Pedro fala em nome de todos, já que a pergunta foi dirigida a todos. Em Pedro está a resposta da Igreja à pergunta mais importante que Cristo podia fazer: a pergunta sobre a sua verdadeira identidade! Mas de onde Pedro tirou a sua resposta? Da sua capacidade intelectual? Do seu potencial humano para compreender a verdade sobre Jesus? Não, de algo bem além:

“Então Jesus lhe respondeu: ‘Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque isto não te foi revelado pela carne ou pelo sangue, mas por meu Pai que está nos céus'” (v.18).

Simão soube – e com ele, a Igreja – quem é Jesus por revelação direta de Deus Pai. Não lhe foi revelado por outros homens, mas por Deus. Já sabemos, então, quem é Jesus. Jesus é o Messias, isto é, Jesus Cristo (pois Messias = Cristo). Agora escutemos bem quem é na verdade esse tal Simão, filho de Jonas:

“‘E eu também te digo: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela'” (v.19).

Reflitamos agora por um instante sobre o contexto em que o Senhor diz estas palavras. Simão acaba de declarar quem é Jesus. Cabe agora a Jesus nos dizer quem é o Apóstolo. Já não o chama de Simão, mas de Pedro. Simão havia dito a Jesus: “Tu és Cristo”; e Cristo responde a Simão: “E tu és Pedro”. Da mesma forma como não podemos separar o nome de Cristo e seu significado da pessoa de Jesus, também não podemos separar o nome de Pedro e seu significado da pessoa de Simão. Jesus é o Messias e Simão é a Pedra. E é justamente nesse contexto que Cristo diz: “e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Quem é o Cristo? Jesus, Jesus Cristo. Quem é a pedra sobre a qual Jesus edifica a sua Igreja? A quem foi dado o nome de pedra? A Simão, Pedro.

Muito se tem especulado sobre isto: a pedra é o próprio Pedro ou a sua declaração [de fé] acerca de Cristo? Pelo contexto verificamos que os versículos estão falando de PESSOAS, não de idéias. Trata-se de saber quem é Jesus e de saber quem Jesus diz que Simão é. Uma vez determinado quem é Jesus e quem é Pedro, Jesus edifica a sua Igreja. E nem a Igreja se edifica sem a verdade acerca de Cristo (declarada por Pedro), nem a Igreja se edifica sem a verdade acerca de Pedro (declarada por Cristo).

E é essa Igreja, a verdadeira, a que conhece e confessa quem é Cristo e quem é Pedro, aquela sobre a qual não prevalecerão as portas do Hades [=morte]!

 
 
 
Jesus e Pedro

Por Karl Keating Fonte: Veritatis Splendor

O diálogo a seguir ilustra muito bem um debate entre um católico e um protestante quando este argumenta que a “Pedra” citada por Jesus em Mt 16,18 jamais poderia referir-se a Pedro, mas sim ao próprio Jesus, uma vez que as Sagradas Escrituras em muitas passagens identifica Jesus como a “rocha”, a “pedra angular”.

Antes de apresentar o diálogo, a Barca de Jesus observa que embora na maioria das passagens bíblicas “pedra” ou “rocha” realmente se refira a Jesus, existem exceções. O próprio Jesus que disse ser a “Luz do Mundo” (Jo 8,12) disse aos apóstolos que também eles deveriam ser “Luz do Mundo” (Mt 5,13). Além da passagem de Mt 16,18 onde a “pedra” referida não se trata de Jesus, como veremos claramente no diálogo abaixo, temos também, por exemplo, Is 51,1-2 (a “pedra” é Abraão) e 1Pd 2, 4-5 (“pedras vivas” é Jesus e também são os cristãos).

O fato de Jesus aplicar a Pedro uma figura que a Bíblia exaustivamente aplica a Jesus, bem mostra a intenção de Jesus em fazer de Pedro um representante de Cristo na terra. O que, por sinal, Ele confirmou explicitamente ao dar autoridade a Pedro não apenas de ligar e desligar na terra, mas também no Céu. Vamos, então, ao diálogo:

Protestante:

Em grego, a palavra para pedra é petra, que significa uma rocha grande e maciça. A palavra usada como nome para Simão, por sua vez, é petros, que significa uma pedra pequena, uma pedrinha.

Católico:

Na verdade, todo este discurso é falso. Como sabem os conhecedores de grego (mesmo os não católicos), as palavras petros e petra eram sinônimos no grego do primeiro século. Elas significaram “pequena pedra” e “grande rocha” em uma velha poesia grega, séculos antes da vinda de Cristo, mas esta distinção já havia desaparecido no tempo em que o Evangelho de São Mateus foi traduzido para o grego. A diferença de significados existe, apenas, no grego ático, mas o NT foi escrito em grego Koiné – um dialeto totalmente diferente. E, no grego koiné, tanto petros quanto petra significam “rocha”. Se Jesus quisesse chamar Simão de “pedrinha”, usaria o termo lithos. (para a admissão deste fato por um estudioso protestante, veja D. Carson, The expositors Bible Commentary [Grand Rapids: Zondervan, 1984], Frank E. Gaebelein, ed., 8: 368).

Porém, ignorando a explicação, insiste o protestante:

Vocês, católicos, por desconhecerem o grego, pensam que Jesus comparava Pedro à rocha. Na verdade, é justamente o contrário. Ele os contrastava. De um lado, a rocha sobre a qual a Igreja seria construída: o próprio Jesus (“e sobre esta PETRA edificarei a Minha Igreja”). De outro, esta mera pedrinha (“Simão tu és PETROS”). Jesus queria dizer que ele mesmo seria o fundamento da Igreja, e que Simão não estava sequer remotamente qualificado para isto.

Católico:

Concordo que devemos ir do português para o grego. Mas, com certeza, você concordará que, igualmente, devemos ir do grego para o aramaico. Como você sabe, esta foi a língua falada por Jesus, pelos apóstolos e por todos os judeus da Palestina. Era a língua corrente da região.

Muitos, talvez a maioria, soubessem grego, pois esta era a língua franca do Mediterrâneo. A língua da cultura e do comércio. A maioria dos livros do NT foi escrita em grego, pois não visavam apenas os cristãos da Palestina, mas de outros lugares como Roma, Alexandria e Antioquia, onde o aramaico não era falado.

Sabemos que Jesus falava aramaico devido a algumas de suas palavras que nos foram preservadas pelos Evangelhos. Veja Mt 27,46, onde ele diz na cruz, “Eli, Eli, Lama Sabachtani”. Isto não é grego, mas aramaico, e significa, “meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”

E tem mais: nas epístolas gregas de S. Paulo (por 4 vezes em Gálatas e outras 4 vezes em 1Coríntios), preservou-se a forma aramaica do novo nome de Simão. Em nossas bíblias, aparece como Cefas. Isto não é grego, mas uma transliteração do aramaico Kepha (traduzido por Kephas na forma helenística).

E o que significa Kepha? Uma pedra grande e maciça, o mesmíssimo que petra. A palavra aramaica para uma pequena pedra ou pedrinha é evna. O que Jesus disse a Simão em Mt 16,18 foi “tu és Kepha e sobre esta kepha construirei minha igreja.”

Quando se conhece o que Jesus disse em aramaico, percebe-se que ele comparava Simão à rocha; não os estava contrastando. Podemos ver isto, vividamente, em algumas versões modernas da bíblia em inglês, nas quais este versículo é traduzido da seguinte forma: ‘You are Rock, and upon this rock I will build my church’. Em francês, sempre se usou apenas pierre tanto para o novo nome de Simão, quanto para a rocha.

Protestante:

Se kepha significa petra, porque a versão grega não traz “tu és Petra e sobre esta petra edificarei a minha Igreja”? Por que, para o novo nome de Simão, Mateus usa o grego Petros que possui um significado diferente do petra?

Católico:

Porque não havia escolha. Grego e aramaico têm diferentes estruturas gramaticais. Em aramaico, pode-se usar kepha nas duas partes de Mt 16,18. Em grego, encontramos um problema derivado do fato de que, nesta língua, os substantivos possuem terminações diferentes para cada gênero.

Existem substantivos femininos, masculinos e neutros. A palavra grega petra é feminina. Pode-se usá-la na segunda parte do texto sem problemas. Mas não se pode usá-la como o novo nome de Simão, porque não se pode dar, a um homem, um nome feminino. Há que se masculinizar a terminação do nome. Fazendo-o, temos Petros, palavra já existente e que também significava rocha. (Obs da Barca de Jesus: Estrutura semelhante ocorre na língua portuguesa: Pedro e pedra.)

Por certo, é uma tradução imperfeita do aramaico; perdeu-se parte do jogo de palavras. Mas, em grego, era o melhor que poderia ser feito.

Além da evidência gramatical, a estrutura da narração não permite uma diminuição do papel de Pedro na Igreja. Veja a forma na qual se estruturou o texto de Mt 16,15-19. Jesus não diz: “Bendito és tu, Simão. Pois não foi nem a carne nem o sangue que te revelou este mistério, mas meu Pai, que está nos céus. Por isto, eu te digo: és uma pedrinha insignificante, e sobre a rocha edificarei a minha Igreja. … Eu te darei as chaves do reino dos céus.”

Ao contrário, Jesus abençoa Pedro triplamente, inclusive com o dom das chaves do reino, mas não mina a sua autoridade. Isto seria contrariar o contexto. Jesus coloca Pedro como uma forma de comandante ou primeiro ministro abaixo do Rei dos Reis, dando-lhe as chaves do Reino. Como em Is 22,22, os reis, no AT, apontavam um comandante para os servir em posição de grande autoridade, para governar sobre os habitantes do reino. Jesus cita quase que verbalmente esta passagem de Isaías, o que torna claríssimo aquilo que Ele tinha em mente. Ele elevou Pedro como a figura de um pai na família dos cristãos (Is 22,21), para guiar o rebanho (Jo 21,15-17). Esta autoridade era passada de um homem para outro através dos tempos pela entrega das chaves, que se usavam sobre os ombros em sinal de autoridade. Da mesma forma, a autoridade de Pedro foi transmitida, nestes dois mil anos, através do papado.

 
 
 

“Chegando ao território de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: ‘No dizer do povo, quem é o Filho do homem?’ Responderam: ‘Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas.’ Disse-lhes Jesus: ‘E vós quem dizeis que eu sou?’ Simão Pedro respondeu: ‘Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!’ Jesus então lhe disse: ‘Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.'” (Mt 16, 13-19)

Cristo estabeleceu um verdadeiro primado em Sua Igreja, conferindo a São Pedro as chaves do Reino. A Bíblia mostra, na passagem acima, a promessa de Nosso Senhor ao Príncipe dos Apóstolos: estabelecerá sobre ele a Sua única Igreja. Mais tarde, antes de subir ao céu, irá conferir o primado a Pedro, cumprindo Suas santíssimas palavras.

De fato, é preciso que na Igreja exista autoridade, e essa é a razão de ser do episcopado – o conjunto dos Bispos, sucessores dos Apóstolos. Todavia, para haver uma unidade nesse episcopado, Cristo instituiu, como vínculo indispensável entre seus detentores, o primado. O primado é a capacidade de São Pedro, e seus sucessores, de liderar a Igreja, como atesta a Escritura. Assim, vemos pelos textos dos Atos dos Apóstolos e mesmo pelos Evangelhos, escritos todos após Pedro ter recebido o primado, como este Apóstolo tem destaque sobre os demais, e como lhe é reservada uma nítida posição de liderança. Se os Apóstolos exercem autoridade sobre a Igreja Católica, São Pedro é a palavra final entre eles. Primado e episcopado derivam, portanto, da única autoridade conferida por Jesus Cristo à Igreja.


Os testemunhos antigos dos mais venerandos escritores eclesiásticos, chamados apropriadamente de Padres da Igreja, confirmam o destaque dado a Pedro e, principalmente, que seu primado é uma instituição permanente: não cessa nele, mas deve ser transmitida. Morrendo Pedro, quem comandará a Igreja? Seu sucessor, o Bispo da Igreja por ele fundada na cidade de Roma. O Papa São Clemente Romano, terceiro na sucessão de São Pedro, tendo sido discípulo dos Apóstolos, prova-nos tal tese na prática, ao intervir em uma querela na Igreja de Corinto. Tal Igreja, fundada por São Paulo, era mais antiga que a de Roma, e, entretanto, vê-se julgada por esta! E mais: a teoria de que Roma interveio apenas motivada pela solidariedade entre as Igrejas é falsa, eis que outras Igrejas, vizinhas a Corinto, poderiam, então ter intervido. Por que só a de Roma? É uma prova cabal de que cabia à Igreja Romana, sede de São Pedro e seus sucessores, exercer o primado. Como São Pedro liderava a Igreja no tempo dos Apóstolos, seus sucessores, os Bispos de Roma, deveriam continuar fazendo, como o fizeram no decorrer da história – eis o exemplo de São Clemente –, o que prova a transmissibilidade do primado. Ora, ainda há um outro dado interessante. Na época da carta enviada por São Clemente à Igreja de Corinto, em que está consubstanciada a intervenção romana naquela comunidade, ainda era vivo o Apóstolo São João, residindo em Éfeso, “… cidade muito mais próxima a Corinto e com comunicações muito mais fáceis e freqüentes.” (Pe. Manoel Augusto Santos dos Santos. O Primado Pontifício. EDIPUCRS, Porto Alegre, 1997, p. 50) Consulta-se o Bispo de Roma e não um Apóstolo!! Qual a razão disso, senão a de que a autoridade suprema da Igreja estava confiada aos sucessores de São Pedro, Bispos de Roma, Papas, e não a qualquer outro, mesmo sendo ele Apóstolo? “Portanto, deduz-se que a questões com a Igreja de Roma e seu Bispo punham-se num plano diverso daquele com o apóstolo João que, mesmo sendo apóstolo, não ocupava o centro da unidade que era exclusivamente de Pedro e de seus sucessores.” (idem)

Santo Atanásio de Alexandria e São João Crisóstomo, importantes Patriarcas de Sés da Igreja Oriental, também reconhecem o primado do sucessor de São Pedro, como também São Basílio Magno, Bispo de Cesaréia, todos num importante testemunho que, nos dias de hoje, poderia reconduzir tais dioceses à plena comunhão com Roma.

Outros Padres da Igreja fundamentam a fé de que o primado dado a São Pedro foi transmitido aos seus sucessores, os Bispos de Roma, chamados mais tarde de Papas.

Para exercer seu primado, conta o Papa com um carisma especial, o da infalibilidade. Não é tal prerrogativa dada em função da santidade pessoal do Romano Pontífice, mas como um dom para salvaguardar a comunidade dos fiéis a ele unidos. Tampouco se trata de uma impecabilidade: o Papa, como qualquer ser humano, peca. O Papa é infalível quando, usando de sua autoridade suprema, define como pertencente ao depósito da Fé um ponto de doutrina ou de moral.

Não é, outrossim, a infalibilidade uma mera inerrância de fato, como adiante será explicado.

“Quanto ao Magistério estabelecido por Jesus Cristo em Sua Igreja, é manifesto que a infalibilidade com a qual está ela divinamente provida não é uma simples inerrância de fato, mesmo que perpetuamente realizada; é uma inerrância de direito, em virtude da qual a autoridade docente na Igreja está preservada de todo erro.” (E. Dublanchy. Dictionnaire de Théologie Catholique. verbete Église, Letouzei et Ané, Paris, 1920)

Dois renomados cardeais da Santa Igreja Romana ajudam a explicar a diferença:

“Ela é mais que uma simples inerrância de fato, ela representa uma inerrência de direito, porque a Igreja pode, em todas as circunstâncias, contar com o socorro especial de Deus.” (Cardeal Charles Journet. A Igreja do Verbo Encarnado, vol. I)

“A infalibilidade se distingue da simples inerrância. Há inerrância quando alguém está, de si, exposto ao erro, mas de fato possui a verdade. Há infalibilidade quando uma pessoa não se engana nem pode se enganar. Entretanto, a inerrância de direito, oposta à simples inerrância de fato, não se distinguiria da infalibilidade.” (Cardeal L. Billot, SJ. De Ecclesia Christi. Aedes Universitatis Gregorianae, Roma, 4ª ed., tomo I, p. 336)

O Papa, sucessor de São Pedro, não goza, portanto, somente de uma inerrância de fato, senão de uma inerrância de direito, de uma verdadeira infalibilidade, que consiste, como bem foi definido pelos preclaros autores citados, como a incapacidade de falhar, de se enganar. O Papa, nestes termos, não erra quando define algum dogma, declarando ser determinado pensamento como contido na Revelação divina. E essa infalibilidade, vimos, é mais do que uma ausência de erro ou uma inerrância habitual que é fruto de quem é afeito ao bem e à sabedoria. O Papa é infalível não porque nunca tenha se enganado, em questões de fé e moral, mas porque lhe é impossível se enganar nestes assuntos.

Exemplificando: posso ter certeza moral de que meu diretor espiritual, pois que é experimentado nas coisas de Deus, não praticará assassinato ou incesto; entretanto, mesmo tendo essa certeza moral, baseada na inerrância habitual de meu diretor, porque não é infalível, é possível, ainda que pouco provável, que ele cometa tais crimes; em vez do referido sacerdote, posso colocar o exemplo do próprio Papa, o qual é extremamente provável que não pratique os mesmos crimes, nem por isso, sendo impossível que não os faça, sendo assim que não é infalível nesse caso, ainda que na prática, por não ter sido criminoso, seja inerrante; bem diferente é o caso do Papa nos terrenos da fé e da moral, eis que não só é extremamente possível que acerte, como, mais, não poderá errar. Não digo que o Papa não erra quando proclama, ex cathedra, algo relativo à fé e à moral, pelo simples fato de confiar nele, mas que, independente de sua santidade pessoal, por especial proteção do Espírito Santo, não poderá errar, mesmo que queira.

O Espírito Santo, protegendo o Papa do erro, com a capa da infalibilidade, está, na verdade, protegendo a Igreja, os fiéis católicos, pois dessa maneira sabemos que o ensino de Roma é seguro e não vem apenas de uma interpretação pessoal do Sumo Pontífice das Escrituras – como ocorre com as seitas protestantes que, pela absurda tese do livre-exame, vem se dividindo e se opondo umas às outras.

Por exercer o primado de jurisdição sobre a Igreja, e ainda por cima ter o carisma da infalibilidade, temos de confiar no Papa e aderir firmemente às suas proposições. “Devemos procurar aderir pela fé à doutrina, aos princípios, à disciplina, aderir afetiva e efetivamente, falando sempre do Papa de forma construtiva (…). Se vocês não viverem e agirem assim, é inútil estarem dizendo que apreciam o Papa, que amam a Igreja, que têm uma grande fé, porque já estão começando a fazer as suas restrições; simplesmente estão se afastando. Temos de procurar aderir pessoalmente, e levar os outros a se somarem mediante uma grande fé, afeto, obediência ao Vigário de Cristo, sempre dispostos a defendê-lo de todos os ataques que ele puder sofrer, venham de onde vierem, de dentro da Igreja, de fora, de inimigos, de amigos, de quem for.” (Pe. Marcial Maciel, LC. Palestra em Monticchio, a 27 de agosto de 1971)

Autor: Dr. Rafael Vitola Brodbeck Fonte: Veritatis Splendor

 
 
 
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