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A criação das universidades

Talvez em deferência ao politicamente correto de nossos tempos, ou talvez devido a uma inteira ignorância histórica, tem havido muitos esforços recentes para colocar a criação das primeiras Universidades na China, na Índia ou na Pérsia. Uma tentativa clara de tentar desqualificar o cristianismo como uma religião de fundamental importância para a construção do mundo ocidental. Claro, desde os tempos antigos e em muitos dos antigos impérios, havia escolas dedicadas ao ensino religioso, cultura, bem como instituições que abrigavam aqueles dedicados à contemplação e meditação, como havia também no Ocidente. Mas o professor Charles Haskins, especialista em período medieval afirma: “As universidades, assim como as catedrais e os parlamentos, são um produto da Idade Média.” [1]

Mas precisamos entender certos aspectos históricos e como as coisas se desenrolaram. O cristianismo medieval foi o responsável por manter a Europa nos eixos após a queda do Império romano e o início das invasões bárbaras. A igreja era a única instituição da época que prezava pelo conhecimento, a ordem e o cultivo do saber, em meio a uma civilização em colapso que estava se desintegrando.

Devido a uma série de fatores, como perseguições religiosas e a busca por uma vida isolada para elevação espiritual, a vida monástica começou a surgir no ocidente. E foi posteriormente nos mosteiros onde se deu boa parte do progresso intelectual e tecnológico daquele tempo antigo. Os monges desenvolveram técnicas pioneiras de agricultura e metalurgia, bem como a cópia de textos da literatura clássica greco-romana, como também de manuscritos bíblicos. Não podemos nos esquecer de que o mais antigo exemplar da Bíblia, o Codex Sinaiticus, datando do século IV foi encontrado em um mosteiro próximo ao Monte Sinai.

Como afirma o historiador e professor Dr. Mauricio Righi, no prefácio do livro A criação do ocidente: ” Os povos germânicos que invadiram e conquistaram o mundo romano a partir do século V, embora dominassem a metalurgia, encontravam- se, em termos culturais, sociais e econômicos, muito próximos às culturas neolíticas (sem escrita, sem vida urbana e sem Estado organizado). O retrocesso cultural foi simplesmente brutal, e é possível assegurar que a civilização quase desapareceu. Todavia, três séculos mais tarde, o Império Carolíngio era formado, o que propiciou um renascimento das letras e do conhecimento; mais quatro séculos e surgiram as grandes catedrais góticas, as universidades e o pleno desenvolvimento da vida urbana; mais três séculos e meio, navegação ultramarina, capitalismo e ciência apareciam para fundar um novo mundo.”[2]

Para falar especificamente sobre as universidades, elas foram a evolução das escolas monacais e do renascimento carolíngio, que foi movimento de revitalização cultural na literatura, cultura e arte. Como explica a historiadora francesa Regine Pernoud:

“Estas Universidades são criações eclesiásticas, o prolongamento, de algum modo, das escolas episcopais, das quais diferem no fato de dependerem diretamente do papa e não do bispo do lugar. A bula Parens scientiarum de Gregório IX pode ser considerada como a carta de fundação da Universidade medieval, com os regulamentos promulgados em 1215 pelo cardeal-núncio Roberto de Courçon, agindo em nome de Inocêncio III, e que reconheciam explicitamente aos professores e aos alunos o direito de associação. Criada pelo papado, a Universidade tem um carácter inteiramente eclesiástico: os professores pertencem todos à Igreja, e as duas grandes ordens que ilustram, no século XIII, Franciscana e Dominicana, vão lá, em breve, cobrir-se de glória, com um S. Boaventura e um S. Tomás de Aquino; os alunos, mesmo aqueles que não se destinam ao sacerdócio, são chamados clérigos, e alguns deles usam a tonsura — o que não quer dizer que aí apenas se ensine a teologia, uma vez que o seu programa comporta todas as grandes disciplinas científicas e filosóficas, da gramática à dialética, passando pela música e pela geometria.”[3]

As duas primeiras universidades foram fundadas, em Paris e Bolonha respectivamente, em meados do séc. XII. As universidades de Oxford e Cambridge foram fundadas por volta de 1200, seguidas por uma onda de novas instituições no séc. XIII: Toulouse, Orleans, Nápoles, Salamanca, Sevilha, Lisboa, Grenoble, Pádua, Roma, Perúgia, Pisa, Modena, Florença, Praga, Cracóvia, Viena, Heidelberg, Colónia, Ofen, Erfurt, Leipzig, e Rostock. Há o preconceito que não se tratavam de verdadeiras universidades, tendo apenas três ou quatro professores e algumas dezenas de alunos. Na realidade, em meados de séc. XIII, Paris, Bolonha, Oxford e Toulouse tinham entre mil e mil e quinhentos alunos cada, e quinhentos novos alunos entravam anualmente para a Universidade de Paris. Quanto à qualidade, foi nestas mesmas universidades que nasceu a ciência. Recorde-se que eram instituições intensamente cristãs: todos os professores eram ordenados pela Igreja, constituindo a maioria dos primeiros cientistas famosos.[4]

E engana-se quem pensa que só se estudava teologia, como a historiadora francesa já demonstrou, a vida intelectual naqueles lugares era efervescente e radiante,  e a busca para compreender os mistérios da criação era intensa, como o historiador Thomas Woods explica:  “Contrariando a impressão geral de que as pesquisas estavam impregnadas de pressupostos teológicos, os estudiosos medievais tinham um grande respeito pela autonomia de tudo quanto se referisse à filosofia natural, um ramo que se ocupava de estudar o funcionamento do mundo físico, particularmente as mudanças e o movimento nesse mundo. Procurando explicações naturais para os fenômenos da natureza, esses pesquisadores mantinham os seus estudos à margem da teologia.” [5]

Regine Pernoud explica melhor como era o currículo medieval: “O ensino é dado em latim; divide-se em dois ramos, o trivium, ou as artes liberais: Gramática, Retórica e Lógica, e o quadrivium, quer dizer, as ciências: Aritmética, Geometria, Música e Astronomia; o que, com as três Faculdades de Teologia, Direito e Medicina, forma o ciclo dos conhecimentos. Como método, utiliza-se sobretudo o comentário: lê-se em texto, as Etymologies [Etimologias], de Isidoro de Sevilha, as Sentences [Sentenças’], de Pedro, o Lombardo, um tratado de Aristóteles ou de Séneca, segundo a matéria ensinada, e glosava-se o texto, fazendo todas as observações às quais ele pode dar lugar, do ponto de vista gramatical, jurídico, filosófico, linguístico, etc. Este ensino é, portanto, sobretudo oral; dá um lugar importante à discussão; as Questiones disputate, questões na ordem do dia, tratadas e discutidas pelos candidatos na licenciatura, perante um auditório de professores e alunos, deram, por vezes, lugar a tratados completos de filosofia ou de teologia, e algumas glosas célebres, passadas a escrito, eram elas próprias comentadas e explicadas, na continuação dos cursos.” [6]

Bem diferente do pensamento moderno sobre o período medieval, “As Universidades foram centros de intensa vida intelectual , onde os maiores espíritos se enfrentavam em discussões apaixonadas , onde influências complexas provocavam ações e reações , e onde não se hesitava em abordar frontalmente os grandes problemas , lançando mão dos meios de que então se dispunha. A fé, bem longe de ser esterilizante , era o fermento que atuava na massa, obrigando-a a crescer.” [7] Bem diferente do espírito que domina as universidades modernas, onde há notória tendência a um viés ideológico autoritário que é extremamente prejudicial ao debate acadêmico e a produção do saber.

As universidades medievais foram essenciais na criação do espírito do ocidente e principalmente para todo o desenvolvimento científico que conhecemos. E o ensinamento cristão de que o universo tinha um criador, de que era ordenado e o homem dotado de espírito racional e que podia desvendar aqueles segredos, deram a base para a construção de toda fundação da ciência medieval.

Somente para ilustrar alguns exemplos dos conhecimentos nascidos nas universidades medievais:

Jean Buridan (1300-58), reitor da Universidade de Paris, antecipou a primeira lei de movimento de Newton. Copérnico, afirmou que a terra gira sobre o seu próprio eixo. Outro reitor da Universidade de Paris, Nicolau d’Oresme foi (1125-82) com grandes contribuições em mecânica e astronomia. O sacerdote Nicolau Steno, considerado o pai da geologia, Athanasius Kircher, pai da egiptologia, Rogério Boscovich, considerado pai da teoria atômica moderna, Robert Grosseteste, precursor do método científico, Alberto Magno, com grandes contribuições no campo da botânica e teologia, Roger Bacon, que aperfeiçoou as teses de Grosseteste e criou o método científico, William Ockham, Mondino de’Luzzi (1270-1326), que realizou uma dissecção humana em frente de uma audiência de estudantes e professores da Universidade de Bolonha, um fato notório até então, impulsionando os estudos na área da medicina. Dentre tantos outros nomes impossíveis de adicionar, dizem o quanto o cristianismo contribuiu com a ciência e foi essencial no desenvolvimento do pensamento ocidental.

Não foi a toa que o papa Inocêncio IV (1243 -1254) descreveu as universidades como “rios de ciência cuja água fertiliza o solo da Igreja universal’’, e o papa Alexandre IV (1254-1261) chamou-as “lâmpadas que iluminam a casa de Deus”.

Sabemos que “até o final da Idade Média, pelo menos oitenta universidades foram fundadas em diferentes partes da Europa” [8] E se analisarmos os Estados Unidos, que recebeu grande parte dos imigrantes após o fim da idade média e início das grandes navegações vindos de toda parte da Europa, vemos que a influência do cristianismo os levou a continuar a buscar altos padrões de educação. Tanto que instituições de renome internacional como Harvard, Yale, Darthmouth, Columbia e outras, foram fundadas por movimentos cristãos, em sua maioria protestantes.

Como afirma um grande historiador especialista em ciência medieval: A criação das Universidades, o compromisso com a razão e com a argumentação racional e o abrangente espirito de pesquisa que caracterizou a vida intelectual medieval representaram “um dom da Idade Média latina ao mundo moderno […]. ainda que nunca se venha a reconhecê-lo. Talvez esse dom conserve para sempre a condição de segredo mais bem guardado que a civilização ocidental teve durante os quatro séculos passados”. [9]

A criação das universidades é apenas uma das inúmeras contribuições cristãs para a civilização ocidental. É impossível negar que a cosmovisão cristã foi essencial nesse processo, não se pode separar o homem das suas crenças mais fundamentais, como o mundo secularizado de hoje tentar fazer. Hoje cientistas em renomadas universidades estudam desde os confins do universo até o interior da célula, escalaram o topo da montanha do progresso, e encontram la uma cruz, fincada por cristãos devotos que estiveram lá muitos séculos antes.

Procure obter sabedoria; use tudo o que você possui para adquirir entendimento. Dedique alta estima à sabedoria, e ela o exaltará; abrace-a, e ela o honrará. Provérbios 4 7:8

Referências:

[1] Charles Homer Haskins, A Ascensão das Universidades  p.11

[2] Christopher Dawson, A criação do ocidente e a civilização medieval p.25

[3] Regine Pernoud, Luz sobre a Idade Média p.49

[4] Rodney Stark, A Vitória da Razão p.100

[5] Thomas Woods, Como a igreja Católica construiu a civilização ocidental p.55

[6] Regine Pernoud, Luz sobre a Idade Média p.51

[7] Henri Daniel-Rops, História da Igreja de Cristo Vol 3 p.362

[8] Charles Homer Haskins,  A Ascensão das Universidades  p.18

[9] Edward Grant, God and Reason in lhe Middle Ages p.356

Ramon Serrano

 
 
 

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Antes de a pergunta: “por que o ateísmo é tão comum nas universidades” ser respondida é preciso definir qual o significado da palavra “ateísmo”. Muitas pessoas detém-se na definição etimológica dela, ou seja, a-teísmo quer dizer não-deus. O ateu, portanto, é aquela pessoa que diz que Deus não existe.

Todavia, segundo o Catecismo da Igreja Católica, o ateísmo é algo bastante complexo, com inúmeras facetas. Vejamos:

“Muitos de nossos contemporâneos não percebem de modo algum esta união íntima e vital com Deus, ou explicitamente a rejeitam, a ponto de o ateísmo figurar entre os mais graves problemas do nosso tempo. O termo ateísmo abrange fenômenos muitos diversos. Uma forma frequente é o materialismo prático, de quem limita suas necessidades e suas ambições ao espaço e ao tempo. O humanismo ateu considera falsamente que o homem é ‘seu próprio fim e o único artífice e demiurgo de sua própria história’. Outra forma de ateísmo contemporâneo espera a libertação do homem pela via econômica e social, sendo que a ‘religião, por sua própria natureza, impediria esta libertação, na medida em que, ao estimular a esperança do homem numa quimérica vida futura, o desviaria da construção da cidade terrestre.” (2123-2124)

Como se vê, a definição etimológica não é suficiente, pois o sentido da palavra é muito mais amplo. Coligindo os vários tipos de ateísmo é possível perceber que todos eles terminam numa atitude fundamental: o homem declara-se autônomo, ou seja, não depende mais de Deus para nada.

Adotar a atitude de autonomia perante Deus significa tão somente colocar-se no lugar Dele. Portanto, o que existe não é ateísmo, mas idolatria. O homem que se autodiviniza. Seja o homem individual, seja a coletividade do ser humano que passa a determinar o que é certo e o que é errado.

Muitas pessoas creem que Deus é uma realidade irrelevante para vida, que existindo ou não nada muda na vida de cada um. Mas isso não verdadeiro, pois, se existe um Deus, o homem não se pertence. Se existe um Deus, o homem é para ele. Se Ele é criador, o homem é criatura. Ele é o oleiro, o homem o barro, que deve se deixar modelar por Ele. É o homem que deve se adequar ao plano de seu criador. E, sendo assim, a perspectiva do homem muda completamente.

O início da vida acadêmica marca também o início do conhecimento do liberalismo moral. Estatisticamente já foi comprovado que o público acadêmico é muito mais liberal moralmente que as pessoas que não fazem parte desse ambiente.

E é justamenteo liberalismo moral que faz com que os jovens deslizem na direção do ateísmo. Isso se dá porque o jovem começa a pecar, seja frequentando as chamadas “baladas” ou mesmo seja cometendo pecados sexuais, transgressões diversas. Ora, para um jovem com alguma noção religiosa trazida da família, isto traz conflitos internos. Neste momento, o que acontece é que tanto os professores da Universidade quanto os próprios colegas desse jovem oferecem uma solução mágica para o seu drama de consciência: a relativização do certo e do errado e decretação da autonomia do homem (ateísmo).

Assim, a pessoa é introduzida no relativismo moral, quando não existe uma verdade, mas variantes, de acordo com o entendimento de cada um. Sendo assim, todas as opiniões são válidas. Ousar discordar ou afirmar que existe uma só verdade torna o indivíduo um ditador, pois estará querendo impor a sua própria moral. O indivíduo se torna um imperalista moral!

Este fenômeno é o que o Papa Emérito Bento XVI chamava de “ditadura do relativismo”:

“Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar “aqui e além por qualquer vento de doutrina”, aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades.” (Missa pro eligendo Pontífice, 18/04/2005) [1]

Nesse sentido, o homem toma o lugar de Deus e o campus universitário pode ser comparado com o lugar onde o homem colhe o fruto da árvore proibida, da árvore do bem e do mal e torna-se um homem ‘para além do bem e do mal’[2], numa independência total, na qual se pode afirmar: “eu sou Deus, eu determino o que é o bem, eu determino o que é o mal”. A ideia de haver um criador é absurda, pois é o próprio homem quem tudo define e determina.

O filósofo ateu Friedrich Nietzsche, morto no ano de 1900, é o porta-voz dessa mentalidade que se instalou nas universidades. Em seu livro “Assim falava Zaratrusta”, no capítulo chamado “Ilhas Bem-Aventuradas”, ele profere o seguinte aforismo: “Meus irmãos, eu irei abrir-vos claramente a minha consciência: se existissem deuses, como suportaria eu não ser um deus? Logo, os deuses não existem.”

Ora, esse raciocínio de Nietzsche não tem nada de científico, é uma falácia total. É algo que não se sustenta, mas, infelizmente, convence interiormente quem vive o drama de sua consciência. Então, se o jovem sente o peso de sua consciência é muito mais difícil ir a um confessionário e fazer o propósito de emendar-se. Mais fácil é, com uma canetada, tirar Deus da lista e atribuir aqueles sentimentos a uma educação retrógrada, conservadora, ultrapassada. Os tempos são outros, modernos, o pecado é coisa de antigamente, agora, cada geração, cada sociedade determina o que é bem, o que é mal. Melhor ainda, cada pessoa pode fazer a sua própria lei, de acordo com as suas próprias convicções e vontades. Tudo é relativo. Sendo assim, o homem se torna deus, se coloca no lugar de Deus.

É por isso que nas universidades o que se tem não é um crescente ateísmo, mas sim, uma crescente idolatria. Elas são especialistas, em seu ambiente, em amordaçar a voz da consciência, inserindo os jovens na chamada “ditadura do relativismo”. O preço que se paga por isso é muito alto, pois as pessoas, ao se declararem autônomas, independentes de Deus imaginam que se tornam livres. Mas, não é isso que acontece, pelo contrário, elas se tornam escravas da tristeza, do vazio, do pecado. No ambiente universitário não é diferente.

A virtude, por sua vez, não vicia. Jamais se ouvirá dizer que alguém está viciado na generosidade, já na avareza sim. Uma pessoa não é viciada na castidade, mas na luxúria, no sexo desregrado, sim. Outra não pode ser viciada na sobriedade, mas na droga, no álcool, sim. Portanto, o homem, ao querer se libertar de Deus, escraviza-se, descendo abaixo de sua própria natureza.

Deus não dificulta a autonomia humana, pelo contrário, Ele liberta. “A verdade vos libertará”, disse Jesus Cristo. Os ambientes universitários deveriam ser lugares em que se busca a Verdade e ela, ao ser encontrada, deveria transformar a todos em pessoas que se põe a serviço do conhecimento e da ciência. Esta deveria ser a vocação de todo universitário.

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