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Vaticano, 15 Fev. 12 / 01:33 pm (

Na habitual Audiência Geral celebrada esta quarta-feira, o Papa Bento XVI refletiu sobre a oração de Jesus na Cruz e disse que como Ele, os fiéis devem rezar pelos que causam-lhes o mal ou os prejudicam, perdoando-os sempre como Deus perdoa.

Diante dos 6 mil peregrinos reunidos na Sala Paulo VI no Vaticano, o Santo Padre disse no resumo de sua catequese que “o Evangelho de São Lucas nos transmite três palavras de Jesus na Cruz. A primeira é um pedido de perdão para os seus algozes: «Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem». Deste modo, Jesus cumpre aquilo que ensinara no Sermão da Montanha: «Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam». A segunda palavra de Jesus na Cruz é a resposta ao pedido do “bom ladrão”, um dos homens que estavam crucificados com Ele: «Ainda hoje estarás comigo no Paraíso». Jesus está ciente de entrar diretamente na comunhão com o Pai e de abrir de novo ao homem a estrada para o Paraíso de Deus. A última palavra de Jesus é um grito de derradeira entrega a Deus, num ato de total abandono: «Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito»”.

“Ao colocar-Se inteiramente nas mãos do Pai, Jesus nos comunica a certeza de que por mais duras que sejam as provas, jamais nos encontraremos fora das mãos de Deus, as mesmas que nos criaram, sustentaram e acompanham no caminho da vida, com um amor infinito e fiel”, disse.

Ao mesmo tempo “brinda uma leitura do que está acontecendo. Segundo suas palavras, os homens que o crucificam ‘não sabem o que fazem’. Jesus aduz a ignorância, o ‘não saber’, como motivo de sua súplica ao Pai, porque essa ignorância deixa aberto o caminho à conversão”.

A segunda frase: “Na verdade te digo; hoje estarás comigo no Paraíso”, dirigida ao “bom ladrão”, crucificado ao lado de Cristo,  é “uma palavra de esperança”.

Através dela, Jesus reafirma que “a bondade de Deus pode alcançar-nos até no último instante da vida, e que a oração sincera, inclusive depois de uma vida equivocada, encontra os braços abertos do Pai bondoso que espera a volta do filho”.

“Pai, em tuas mãos encomendo meu espírito”, as últimas palavras de Cristo, constituem “uma oração de confiança, plena de confiança no amor de Deus. A oração de Jesus diante da morte é dramática como é para cada homem, mas, ao mesmo tempo, é invadida por uma calma profunda que nasce da confiança no Pai e pela vontade de entregar-se totalmente a ele”.

“Agora que a vida está para deixá-lo, Ele sela na oração a sua ultima decisão: Jesus se deixou entregar nas mãos dos homens, mas é nas mãos do Pai que Ele coloca o seu espírito; assim – como afirma o Evangelista João – tudo é consumado, o supremo ato de amor é levado até o fim, ao limite e além do limite”.

O Papa disse que as palavras do Jesus na cruz nos últimos instantes da sua vida terrena oferecem indicações imperativas para a nossa oração, mas a abrem também para uma serena confiança e uma firme esperança. Jesus que pede ao Pai de perdoar aqueles que o estão crucificando , nos convida ao difícil gesto de rezar também por aqueles que nos prejudicaram, sabendo perdoar sempre, afim que a luz de Deus possa iluminar o coração deles, e nos convida a viver, na nossa oração, a mesma atitude de misericórdia e de amor que Deus tem em relação a nós”.

Finalmente o Papa disse que “ao mesmo tempo, Jesus, que no momento extremo da morte se confia totalmente nas mãos de Deus Pai, nos comunica a certeza que, por mais que sejam duras as provas, difíceis os problemas, não cairemos mais fora das mãos de Deus, aqueles mãos que nos criaram, nos sustentam e nos acompanham no caminho da existência, guiados por um amor infinito e fiel”.

Ao fim da Audiência Geral, o Papa saudou os peregrinos lusófonos dizendo:

Saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, nomeadamente os fiéis brasileiros vindos de Curitiba, a quem exorto a aprender do exemplo da oração de Jesus, uma oração cheia de serena confiança e firme esperança no Pai do Céu, que nunca nos abandona. Que as Suas Bênçãos sempre vos acompanhem! Ide em paz!

 
 
 

Vaticano, 23 Out. 11 / 03:19 pm (

Diante dos milhares de peregrinos que se fizeram presentes na Praça de São Pedro, o Papa Bento XVI proclamou hoje, Domingo Mundial das Missões, três novos Santos que se entregaram por completo ao anúncio apaixonado do Evangelho e ao serviço ao próximo.

Em uma solene cerimônia na Praça de São Pedro, o Papa Bento XVI canonizou o beato Guido Maria Conforti (1865-1931), Bispo da Parma (Itália), e Fundador da Pia Sociedade São Francisco Javier para as Missões Exteriores; Dom Luigi Guanella (1842-1915), conhecido como o “Apóstolo da caridade”, sacerdote italiano Fundador da Congregação dos Servos da Caridade e do Instituto das Filhas de Santa Maria da Providência; e à espanhola Bonifácia Rodríguez de Castro (1837-1905), Fundadora da Congregação das Servas de São José.

Em sua homilia, o Santo Padre recordou que o Senhor deve ser parte fundamental da vida cotidiana de cada fiel: “Ele deve estar presente como diz a Escritura, penetrar em todos os estratos de nosso ser e enchê-los totalmente: o coração deve saber Dele e deixar-se tocar por Ele, e assim a alma, as energias de nosso querer e decidir, assim também como a inteligência e o pensamento. É um poder dizer ‘já não vivo eu, mas é Cristo quem vive em meu’”.

O Papa destacou de São Guido Maria Conforti seu abandono e confiança nas mãos do Senhor para ir anunciar pelo mundo o amor de Deus a quem ainda não o tinham recebido.

“Sua vida esteve marcada por numerosas provas”, disse Bento XVI. Dom Conforti sendo ainda um menino teve que superar a oposição de seu pai a que ingressasse no Seminário, “dando prova de firmeza de caráter ao seguir a vontade de Deus”.

O Santo Padre convidou logo a aceitar a Deus com docilidade como o santo, “acolhendo-a como indicação do caminho esboçado para ele pela providência divina; em toda circunstância, ainda nas derrotas mais mortificantes, soube reconhecer o intuito de Deus, que o guiava a edificar seu Reino, sobre tudo na renúncia de si mesmo e na aceitação cotidiana de sua vontade, com um abandono confiante cada vez mais pleno”.

“São Guido Maria Conforti manteve fixo seu olhar interno na Cruz, que docemente o atraía para ela; ao contemplá-la, ele via abrir-se de par em par o horizonte do mundo inteiro, percebia o ‘urgente’ desejo escondido no coração de cada homem, de receber e de acolher o anúncio do único amor que salva”.

“Ele foi o primeiro em experimentar e testemunhar o que ensinava a seus missionários, quer dizer, que a perfeição consiste em fazer a vontade de Deus, seguindo o modelo do Jesus Crucificado”, explicou Bento XVI.

Bento XVI sublinhou também as qualidades do Apóstolo da caridade: “graças à profunda e contínua união com Cristo, na contemplação de seu amor, Dom Guanella, guiado pela Divina Providência, converteu-se em companheiro e mestre, consolo e alívio dos mais pobres e débeis”.

“Que este novo Santo da caridade seja para todos, em particular para os membros das Congregações fundadas por ele, modelo de profundidade e síntese fecunda entre a contemplação e a ação, assim como ele mesmo a viveu e pôs em marcha”.

“Elogiemos e demos graças ao Senhor porque em São Luis Guanella nos deu um profeta e um apóstolo da caridade”, afirmou Bento XVI.

A vivência humana e espiritual de Dom Guanella sintetiza-se, explicou o Santo Padre, nas últimas palavras que pronunciou o santo antes de morrer: “in caritate Christi”.

“É o amor de Cristo que ilumina a vida de cada homem, revelando que ao dar-se a si mesmo ao outro não se perde nada, mas sim se realiza plenamente nossa felicidade”, assegurou o Papa.

“Que São Luis Guanella, ajude-nos a crescer na amizade com o Senhor para ser em nossos tempos portadores da plenitude do amor de Deus, e promover a vida em toda sua manifestação e condição, permitindo que a sociedade humana se converta cada vez mais na família dos filhos de Deus”, expressou Bento XVI.

O Papa se referiu logo, em espanhol, a Santa Bonifacia, que sofreu injustiças e desamparo por ser uma mulher trabalhadora em seu tempo.

Bento XVI recordou uma passagem da Primeira Carta aos Tessalonicenses de São Paulo para referir-se ao trabalho evangelizador desta nova Santa espanhola: “quando são Paulo escreve a carta, trabalha para ganhar o pão; parece evidente pelo tom e os exemplos empregados, que é na oficina onde ele prega e encontra seus primeiros discípulos. Esta mesma intuição moveu Santa Bonifacia, que desde o início soube unir seu seguimento de Jesus Cristo com o esmerado trabalho cotidiano”.

“Trabalhar como tinha feito desde pequena, não era só um modo para não ser uma carga para ninguém, mas supunha também ter a liberdade para realizar sua própria vocação, e lhe dava ao mesmo tempo a possibilidade de atrair e formar a outras mulheres, que no trabalho podem encontrar a Deus e escutar sua chamada amorosa, discernindo seu próprio projeto de vida e capacitando-o para levá-lo a cabo”, disse logo o Papa.

As servas de São José nasceram em um ambiente de humildade e simplicidade evangélica, e que ao imitar ao Santo Custódio no lar de Nazaré, assumem-no como uma escola de vida cristã.

O Papa ressaltou ademais que a “Madre Bonifacia, que se consagra com ilusão ao apostolado e começa a obter os primeiros frutos de seus afãs, vive também esta experiência de abandono, de rechaço precisamente de suas discípulas, e nisso aprende uma nova dimensão do seguimento de Cristo: a Cruz”.

O Santo Padre indicou que a nova Santa é um modelo do trabalho de Deus, “um eco que chama a suas filhas, as servas de São José, e também a todos nós, a acolher seu testemunho com a alegria do Espírito Santo, sem temer a contrariedade, difundindo em todas as partes a Boa Notícia do Reino dos céus”.

“Encomendamos à sua intercessão, e pedimos a Deus por todos os trabalhadores, sobre tudo pelos que desempenham os ofícios mais modestos e em ocasiões não suficientemente valorizados, para que, em meio de seus afazeres diários, descubram a mão amiga de Deus e dêem testemunho de seu amor, transformando seu cansaço em um canto de louvor ao Criador”, concluiu o Santo Padre.

 
 
 
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