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BRASILIA, 13 Set. 08 / 04:12 am (

ACI).- Mais de 20 mil brasileiros se manifestaram a favor da vida dos bebês não nascidos durante a 2º Marcha Nacional da Cidadania pela Vida, realizada na Esplanada dos Ministérios.

Sob o lema “Como legalizar a morte se quisermos a vida”, o Movimento de Cidadania-o Brasil sem Aborto, congregou a milhares de crianças, jovens e adultos em momentos em que o Supremo Tribunal Federal estuda o pedido para descriminalizar o aborto de bebês anencefálicos.

“A marcha se realiza todos os anos para sensibilizar às autoridades e as pessoas para que não aceitem a legalização do aborto“, declarou à imprensa a presidenta nacional do movimento, Lenise Garcia.

Por sua parte, o advogado da Associação Pró-vida e Pró-familia, José Miranda de Siqueira, afirmou que a marcha na Esplanada dos Ministérios é única no que se refere a defesa da vida no país.

“Este é o mais vivo, legítimo e verdadeiro ato da população brasileira em defesa da vida. Fica mais do que claro que o povo está em contra do aborto. Os brasileiros jamais aceitaram a morte”, expressou.

 
 
 

Por Forum Libertas Tradução: Carlos Martins Nabeto Fonte: http://www.veritatis.com.br

A Comunhão Tradicional Anglicana (TAC), com centenas de paróquias em todo o mundo, poderá “retornar a Roma” em bloco. Porém, sob qual fórmula?

Mulheres-sacerdotisas, caos doutrinário, bispos ativistas homossexuais, ideologia de gênero, desprezo da liturgia… Muitos anglicanos se cansaram da desordem na Comunhão Anglicana e organizaram suas próprias congregações independentes de Canterbury. Uma destas é a Comunhão Tradicional Anglicana (TAC), que escreveu uma carta a Roma, “buscando a união plena, corporal e sacramental”. O que decidirá Bento XVI?

A TAC expediu o seguinte comunicado à imprensa e em sua página na Internet (http://www.acahome.org/tac/index.htm):

“O Colégio dos Bispos da Comunhão Tradicional Anglicana-TAC, reuniu-se em Sessão Plenária em Portsmouth, Inglaterra, na primeira semana de outubro de 2007. Os Bispos e Vigários Gerais unanimemente acordaram o texto de uma carta à Sé Romana buscando a união plena, corporal e sacramental. A carta foi assinada solenemente por todo o Colégio e confiada ao Primaz e a dois Bispos eleitos pelo Colégio, para que seja apresentada na Santa Sé. A carta foi cordialmente recebida pela Congregação para a Doutrina da Fé. O Primaz da TAC determinou que nenhum membro do Colégio concederá entrevistas até que a Santa Sé tenha apreciado a carta e haja uma resposta”.

O Primaz a que se refere o texto é John Hepworth, australiano, Arcebispo da Igreja Católica Anglicana da Austrália, uma denominação anglicana fora da comunhão com a Sé de Canterbury. Na Austrália, conta apenas com 25 paróquias. Porém, como Primaz da TAC, ao entregar em Roma a carta que solicita a união plena, tem em suas mãos o destino espiritual de 400 mil fiéis anglicanos tradicionais em todo o mundo. Agora a bola está nas mãos da Santa Sé, que pode levar algum tempo… Talvez muito tempo.

QUEM É A COMUNHÃO TRADICIONAL ANGLICANA-TAC?

Trata-se de um conjunto de igrejas de tradição anglicana que rejeitou fazer parte da Comunhão Anglicana por diversos motivos doutrinários, sobretudo a ordenação de mulheres (primeiro como sacerdotisas e, posteriormente, como bispas – o que é mais grave por razões organizacionais). Um fiel da tradição apostólica pode evitar comparecer a uma celebração religiosa presidida por uma sacerdotisa, porém… como saberá se tal ou qual sacerdote foi “ordenado” por uma “bispa” e, portanto, se são verdadeiros e eficazes os sacramentos que recebe?

A Comunhão Anglicana Tradicional (TAC) afirma possuir cerca de 400 mil fiéis. Se viessem em bloco à plena comunhão com Roma, seria o maior “retorno à casa” de protestantes desde o surgimento do Protestantismo no século XVI. As igrejas integradas a esta comunhão são:

  1. A Igreja Anglicana na América (95 paróquias, 4 dioceses nos Estados Unidos, 1 diocese em Porto Rico e 1 diocese na Nicarágua, na América Central).

  2. A Igreja Católica Anglicana do Canadá (43 paróquias no Canadá).

  3. A Igreja Anglicana na África do Sul de Rito Tradicional (31 paróquias e 21 missões no sul da África).

  4. A Igreja Católica Anglicana da Austrália (25 paróquias na Austrália, 1 na Nova Zelândia e 4 bispos).

  5. A Igreja Anglicana Tradicional da Inglaterra (22 paróquias no Reino Unido)

  6. A Igreja do Estreito de Torres (16 paróquias no Estreito de Torres, entre a Papua, no norte da Austrália e as ilhas da região; 3 bispos e 14 sacerdotes).

  7. A Igreja da Irlanda de Rito Tradicional (3 comunidades em 3 condados da Irlanda).

E além destas, também:

  1. 2 igrejas na África (a Igreja de Umzi Wase Tiyopia e a Igreja Anglicana Continuada da Zâmbia)

  2. 3 igrejas na Ásia (a Igreja Anglicana da Índia, a Igreja Ortodoxa do Paquistão e a “Nippon Kirisuto Sei Ko Kai” no Japão, cujo número de paróquias não se encontra especificado na págida Web da Comunhão Anglicana Tradicional (http://www.acahome.org/tac/members/members.htm), sabendo-se porém que na Índia e na África podem possuir muitos fiéis.

A parábola do filho pródigo e a da ovelha perdida ensinam aos cristãos a alegrarem-se pelo retorno à casa de uma única ovelha, de um único filho. O que significaria, então, para a Igreja Católica a acolhida e pleno retorno de todas estas comunidades?

Não se trata de “apenas” 400 mil fiéis, o que já é grande número. Mas também uma quantidade importante de clérigos e pastores com experiência e fervor, comunidades já provadas, tanto na descristianizada Europa como no Terceiro Mundo, com impacto missionário, doutrina ortodoxa, devoção, ética pró-vida e pró-família, amor à Bíblia e à liturgia e uma dimensão multi-étnica e multi-cultural. Sem este perfil “robusto”, teriam permanecido com Canterbury.

Porém, o que é mais importante: ao buscar Roma, marca-se um caminho que deve ser seguido por milhares de outros cristãos de tradição anglicana, descontestes com os desvios antibíblicos do Anglicanismo “de gênero” e pró-homossexualista.

TODOS OS CAMINHOS LEVAM A ROMA: POR EXEMPLO, ESTES TRÊS

Existem 3 caminhos pelos quais centenas de milhares de anglicanos podem retornar à plena união com a Sé de Pedro:

1) O Caminho da Própria Vida: um cristão anglicano (de qualquer ramo) se cansa do caos doutrinário do Anglicanismo e “volta a Roma”. Procura uma paróquia católica e se submete a um curso de iniciação (em geral, nos países anglófonos, a “Iniciação Católica para Adultos”). É um passo individual, às vezes acompanhado por toda a família. Se é um sacerdote (casado ou não), pode pedir para que se lhe reconheçam ou se lhe confiram as ordens. Cada caso é um caso. Há uma freqüência constante destes casos todos os anos. 2) Outra situação: toda uma denominação anglicana que, porém, não se encontra na Comunhão Anglicana, solicita a plena comunhão com Roma. É o caso que estamos vendo ocorrer com a Comunhão Anglicana Tradicional (TAC): todo um bloco de igrejas anglicanas, que há anos romperam com Canterbury, pedem comunhão com Roma. Há muitas igrejas nesta situação de “Anglicanismo sem Canterbury”. Na Internet, em AnglicansOnLine.org, existe uma lista que inclui, além da TAC, outras 60 denominações anglicanas “sem comunhão com Canterbury” (ver, p.ex.: http://anglicansonline.org/communion/nic.html). Apenas nos Estados Unidos e Canadá, as chamadas igrejas anglicanas “continuadas” (ver http://en.wikipedia.org/wiki/Continuing_Anglican_Movement) somam mais de 650 paróquias. Se Roma acolher ao pedido da TAC é bem possível que algumas outras igrejas na mesma situação sejam atraídas. 3) Terceira possibilidade: grupos inteiros de anglicanos “ainda em comunhão com Canterbury” deixam a Comunhão Anglicana e voltam a Roma. São grupos anglocatólicos ou anglicanos tradicionais que durante décadas têm tentado obter algum espaço na Comunhão Anglicana, ou seja, para que pudessem ter suas próprias jurisdições sem mulheres bispas, pudessem fazer as coisas “à sua maneira” nas paróquias, se proibisse a ordenação de militantes homossexuais etc. Estre estes, instituições internacionais como “Forward in Faith” (http://www.forwardinfaith.com), com 800 paróquias em todo o mundo, segundo suas estimativas de 2005. [Tais grupos] olharão para Roma mais ou menos segundo a margem de manobra que o anglicanismo liberal (tal como o “Affirming Catholicism”, grupo este que, apesar de se apresentar como anglocatólicos, é favorável a mulheres bispas e bispos homossexuais) lhes permitir.

Em 2005, estimava-se em cerca de 4,2 milhões de católicos na Inglaterra e Gales contra 25 milhões de batizados anglicanos (dos quais apenas 1,7 milhão comparecem aos cultos dominicais anglicanos). Porém um forte fluxo imigratório tem ocorrido nos últimos anos. O vigário para os católicos polacos afirmou para o periódico “The Times” que estimava em cerca de 600 mil polacos (católicos, obviamente!) no Reino Unido, metade deles recém-chegados. A imigração está alterando o mapa religioso do país.

Além disso, tem aumentado o número de conversões do Anglicanismo para o Catolicismo desde que se iniciou [pela Igreja Anglicana] a ordenação de mulheres: Graham Leonard, ex-bispo anglicano de Londres, se converteu ao Catolicismo com sua esposa em 1995. Conversões recentes são também as dos ex-ministros britânicos John Gummer e Ann Widdecombe. Há algumas semanas foram recebidos na Igreja Católica Anita Henderson (esposa do bispo anglicano-irlandês de Tuam-Killala) [e Tony Blair (ex-primeiro-ministro da Inglaterra)].

UMA POSSIBILIDADE: O “USO ANGLICANO” NA IGREJA CATÓLICA

Em finais da década de 1970, um grupo de clérigos episcopalianos (=anglicanos dos Estados Unidos) pediram ao papa Paulo VI que fossem admitidos como sacerdotes católicos. Porém, eram casados e tinham filhos. Não houve resposta até 1980, quando João Paulo II estabeleceu um procedimento para que os clérigos episcopalianos casados, com família constituída, fossem ordenados sacerdotes católicos. De 1983 para cá, cerca de 75 clérigos episcopalianos casados foram ordenados sacerdotes católicos nos Estados Unidos.

No Reino Unido, desde 1990, cerca de 600 clérigos anglicanos foram ordenados como sacerdotes católicos, dos quais 150 eram casados, segundo um artigo de Dwight Longenecker publicado na CrisisMagazine.com (http://www.crisismagazine.com/june2007/longenecker.htm); o próprio articulista, aliás, era um pai de família, ex-ministro anglicano e atualmente sacerdote católico.

A Igreja Católica não admite que a ordem sacerdotal recebida por um clérigo anglicano/episcopalino seja verdadeiramente ordem sacerdotal. Falta-lhe a constância, pelo menos. Porém, suas atividades e experiências como clérigos anglicanos/episcopalianos são tão próximas das do Catolicismo que resultam em candidatos muito aceitáveis para serem ordenados sacerdotes católicos.

Nos Estados Unidos rege, desde 1980, a “Provisão Pastoral” de João Paulo II, que estabelece o “uso anglicano” dentro da Igreja Católica de Rito Latino. Apenas sete paróquias americanas a utilizam. Em geral, são comunidades que passaram do Anglicanismo para o Catolicismo, permitindo-lhes manter a liturgia ao estilo anglicano antigo: a Missa é oficiada pelo sacerdote olhando para o altar, comunga-se de joelhos e, no mais, se assemelha a uma Missa do século XVI (porém, em inglês e não em latim).

O último caso registrado foi o da Sociendade São Tomás Moro, em Scranton, Pennsylvânia: vinte famílias episcopalianas que se tornaram católicas e mais seu pastor episcopaliano, o qual foi ordenado sacerdote católico (o padre Eric Bergman). A Missa segue o “uso anglicano” na Paróquia Católica de Santa Clara.

Em novembro de 2006, o Arcebispo Myers (como delegado dos Bispos católicos norte-americanos) e a Sociedade do Uso Anglicano (http://anglicanuse.org; que visa promover o “uso anglicano”), se reuniram e trataram das possibilidades de se potencializar este uso. Por um lado, ajudará ao clero episcopaliano que quer se tornar católico (um clero que muitas vezes é casado e tem filhos, o que implica despesas financeiras); por outro lado, se pede para que o clero provindo do Episcopalianismo seja ordenado para “o uso anglicano”, mesmo quando não chega acompanhado por um grupo de fiéis anglicanos, convertidos juntamente com ele.

A Sociedade do Uso Anglicano acredita que os fiéis chegarão. E que os sacerdotes também. Muitos anglicanos e episcopalianos que olham no sentido de Roma querem fugir do liberalismo moral, da má liturgia, do fideísmo… Procuram a beleza – o que encontram no luxuoso “uso anglicano”, mais do que na missa nova pós-Vaticano II. Sentiriam-se melhor se pudessem manter a liturgia anglicana quando “retornassem a Roma”.

O que acontecerá com todas essas paróquia da TAC que solicitam agora a comunhão com Roma? Lhes será exigido que abandonem suas liturgias anglicanas? Não poderia ser adaptada tanto para a Austrália quanto para a Índia, África do Sul etc. a mesma provisão que rege o uso anglicano nos Estados Unidos?

Com mais de 60 denominações anglicanas desvinculadas de Canterbury e com centenas de paróquias ainda ligadas a Canterbury, porém cada vez mais descontentes, o uso anglicano seria uma opção de ponte.

Bento XVI e o Vaticano têm demonstrado serem capazes de tratar com grupos tradicionalistas católicos, que têm voltado à união com a Sé de Pedro. Provavelmente, então, veremos nos próximos anos muitas comunidades anglicanas encontrarem o seu lugar dentro da Igreja Católica.

E, por meio delas, vale a pena olhar para o restante do mundo protestante. Muitos evangélicos pró-vida e pró-família há anos enxergam Roma como aliada e não como inimiga. Também existem pontes ecumênicas importantes no mundo como a experiência carismática católica e a protestante, as iniciativas de evangelização conjunta, ou do trabalho social contra a pobreza. À medida que a incerteza teológica divide os protestantes em liberais e conservadores, em um Cristianismo fracionado, Roma aparece cada vez mais como a aposta mais clara do desejo de Jesus: “Pai, que todos sejam um”.

 
 
 

Entrevista com o Professor Dr. Dalton Luiz de Paula Ramos

SÃO PAULO, domingo, 22 de abril de 2007 (ZENIT.org).- «A vida humana começa no instante exato da fecundação». Este foi o foco de inúmeros especialistas pró-vida que participaram da primeira audiência pública promovido pelo Supremo Tribunal Federal, sexta-feira passada, dia 20 de abril, num evento inédito na história do país, que reuniu especialistas de renome no campo científico no Brasil, num debate bioético de grande repercussão, refletindo o tema sobre o início da vida humana.

Em entrevista a Zenit, o Professor Dr. Dalton Luiz Paula Ramos – Livre Docente, professor de Bioética da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, um dos especialistas participantes da audiência pública no STF, aborda algumas questões debatidas no encontro ocorrido na Suprema Corte do país.

O Prof. Dr. Dalton Ramos atualmente é membro do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, membro da equipe de assessores da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e membro da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, do Ministério da Saúde. Desde 2003 é membro correspondente da Pontifícia Academia para a Vida.

–O Supremo Tribunal Federal promoveu sexta-feira, dia 20 de abril, uma audiência pública inédita na história do país, em que o Sr. foi um dos especialistas convidados a participar da reflexão do tema “Quando a vida começa?”, a questão mais importante do debate bioético da atualidade. Esse tema é permanente na história da filosofia e da teologia, sobre a origem e a finalidade da vida. Com a discussão desse tema no STF, a corte máxima do País parece buscar um consenso entre especialistas sobre o início da vida humana, para servir de referência para legitimar a pesquisa científica com embriões humanos. Como o Sr. avaliou esse debate e que desdobramentos poderão ter na sociedade brasileira, a partir desse momento?

–Prof. Dr. Dalton Ramos: Essa é a primeira de duas audiências que o STF se propõe a realizar, o que é muito válido, pois possibilita o aprofundamento da reflexão de questões relevantes do nosso tempo, que permita a aplicação do conhecimento científico com os critérios éticos que assegurem a dignidade da pessoa humana, em todos os aspectos. A primeira audiência foi pública, onde os ministros do Supremo ouviram argumentos pró e contra de especialistas da comunidade científica brasileira; a segunda, restrita aos advogados e Ministros, será de julgamento. O contexto atual dessa discussão (o que motivou a realização desta importante audiência pública) convocada pelo Ministro Carlos Ayres Brito, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn), movida pelo então Procurador-Geral da República, Cláudio Fontelles, quando foi aprovada a Lei de Biossegurança (em março de 2005), diz respeito ao artigo que autoriza o uso de embriões humanos congelados em clínicas de reprodução assistida para fins de pesquisa científica. A questão levantada pela ADIn foi “Quando começa a vida humana ?” A mídia, e alguns setores da comunidade científica, distorceram a questão focando o debate no potencial uso terapêutico das células-tronco. Assim, apelam para uma questão que aflige a todos: a necessidade de cura para muitas doenças. E aí muitos, entorpecidos pela dor da doença e da deficiência e ainda iludidos por falsas ou parciais informações “científicas” acabam tendo muita dificuldade de entender e até de ouvir. Nesse cenário o STF, enquanto a suprema instância judiciária do Brasil, propôs o debate sobre o início da vida humana, antes de tomar posição definitiva sobre o assunto. Foi um fato inédito na história do Brasil pois foi a primeira vez que este Tribunal abriu as suas portas para uma audiência como esta. Frente a esse desafio, articulados pelo hoje Subprocurador da República, Dr. Cláudio Fonteles e pela CNBB, foram reunidos 12 especialistas que entendem que a utilização e a destruição de embriões humanos é um assassinato, portanto, um crime, e procuramos defender esse posicionamento nos revezando nas 3 horas e meia de apresentações orais frente aos Ministros do Supremo. Os contrários a nossa tese, representando o Governo Brasileiro, também em número de 12 especialistas, tiveram o mesmo tempo.

Particularmente defendi em minha colocação frente ao Supremo que a vida começa no exato momento da fecundação e que uma decisão em contrário contraria o dado biológico, que caracteriza o “humano” por seus atributos genéticos e por sua expressão orgânica e ainda traz o perigo do casuísmo e da própria negação da vida como direito universal.

Esse tema – de quando se dá início de uma nova vida humana – é de bastante relevância, e estratégico até, porque a partir do momento em que consolidamos o conceito (que nos parece fazer um uso adequado da razão) de que a vida humana começa no exato instante da fecundação, todos os atos que seguem a esse momento, e que possam interromper o processo dessa nova vida humana, é a destruição de um ser humano, portanto um assassinato. Se aceitarmos a falsa lógica de que a vida não começa com a fecundação, estaremos justificando o descarte e destruição dos embriões, mais tarde dos deficientes, dos excluídos da sociedade, enfim, a vida passará a não ter mais valor. Tudo isso pode e deve ser evitado, se prevalecer o consenso de que a vida humana começa no exato momento da fecundação, daí a importância do debate no STF.

–A Declaração do Conselho Permanente dos Bispos da França sobre o Estatuto do Embrião – “O embrião humano não é uma coisa” (de 2001), afirma que “é essencial considerar-se todo embrião como pertencente à humanidade. O que define o estado embrionário é representar o começo de uma vida cuja expansão, se não for travada, traduzir-se-á pelo nascimento de uma criança. Não há existência humana que não tenha começado por esse estágio. Todo ser humano é precedido: ele chega a humanidade que o precede. Sua existência aí se inscreve, pois é dela que recebe a vida. Todo embrião já é um ser humano. Logo, não é um objeto disponível para o homem. Ele não está à mercê do modo de ver nem da opção dos outros. Juntamente com eles, pertence à mesma e única comunidade de existência”. Esse posicionamento ficou claro no debate do STF, de que esta é uma evidência científica?

–Prof. Dr. Dalton Ramos: Essa é uma conclusão a que chegamos, não só com base do conhecimento científico atual, que só a faz confirmar, a partir da própria evolução de que a vida começa no exato momento da fecundação. Como a ciência confirma isso? O que estão fazendo as ciências experimentais? Elas estão demonstrando que cada nova descoberta vem comprovar a complexidade do processo da vida humana. A cada nova descoberta científica, que diz respeito à embriologia e à genética, fica evidente que o processo da vida humana é muito mais complexo do que dos outros animais, e que a complexidade daquilo que se chama embrião, não pode reduzi-lo a uma categoria de apenas uma célula ou a um aglomerado de células. As pesquisas científicas mostram cada vez mais a complexidade do momento da fecundação. A ciência só faz apontar para momentos cada vez mais precoces o início da vida humana, reconhecendo a vida como um processo contínuo, coordenado e progressivo. O que significa isso? Quer dizer que a vida humana tem um ponto de início e um ponto de fim; o início entendemos que coincide com o exato instante da fecundação onde inaugura-se uma nova vida humana, o fim corresponde a um episódio de morte. Processo esse contínuo, e, ao mesmo tempo coordenado, isto é, auto-suficiente no próprio projeto. É o que a genética, em sua evolução, e nos seus novos conhecimentos, vem confirmando. E, além de contínuo e coordenado é um processo progressivo, porque as etapas vão naturalmente se sucedendo. Vai assim compor uma biografia, uma história de vida que pode durar de uma semana, no caso de embriões destruídos ou descartados, até 100 ou mais anos de vida para aqueles que puderam se desenvolver, crescer e viver toda uma longa vida. O embrião humano, portanto, tendo o acolhimento e a alimentação necessária, vai se expandindo e se desenvolvendo num processo natural.

–Desde que tenha as condições propícias…

–Prof. Dr. Dalton Ramos: Sim, desde que tenha as condições propícias, o embrião humano vai se desenvolvendo em suas diferentes etapas: de duas células até o organismo adulto, com tantos tipos diferentes de células, com as funções e capacidades específicas, integradas num todo. E o que estamos vivendo hoje é uma tragédia. Embriões são produzidos em laboratórios e a muitos deles não lhes é permitido serem implantados num útero materno. Alguns desses são descartados, isto é, destruídos, mortos; outros são congelados. Agora a estes congelados querem dar uma “finalidade” que não é digna: a sua destruição para a obtenção de células que serão empregadas em pesquisas científicas de resultados duvidosos. Para se desenvolver pesquisas com células-tronco não precisamos sacrificar vidas humanas destruindo embriões, uma vez que tais células também podem ser obtidas de outros tecidos “adultos”, como da medula e do cordão umbilical, técnicas essas, essas sim, que já apresentam resultados científicos promissores. Queremos e devemos nos empenhar em buscar a cura para as doenças pois também nós estamos aflitos com os males que afligem nossos irmãos doentes. Mas quando se trata de células-tronco e seu uso terapêutico é importante destacar que esta é uma tecnologia nova que necessita ainda ser muito bem pesquisada para que possamos oferecer aos nossos irmãos doentes opções terapêutica eficazes e seguras. Além disso, não devemos desperdiçar os nossos já limitados recursos financeiros em linhas de pesquisas que são duvidosas. Devemos empregá-los em pesquisas que são seguras e promissoras, como é o caso das pesquisas em que se empregam células-tronco retiradas de tecidos adultos que além de serem facilmente obtidas, como atestam inúmeros trabalhos científicos, são mais seguras. E um outro ponto que necessita ser destacado é que os embriões humanos que encontram-se congelados PERMANECEM VIVOS, alguns deles viáveis. Recentemente a imprensa publicou um episódio no Brasil de uma criança sadia que nasceu de um embrião que esteve congelado por seis anos. Nem todos eles, infelizmente, terão esse feliz destino, mas se existe a possibilidade de que essa vida possa se desenvolver, então isso não pode nunca ser a justificativa para sua destruição ou manipulação, como se fosse “lixo”.

–Há no contexto cultural de hoje, um plural de bioéticas, uma espécie de “estranhos morais”, posicionamentos diferenciados, prevalecendo na opinião pública conceitos de uma bioética relativista e reducionista da integridade da pessoa humana. Como o Sr. vê isso?

–Prof. Dr. Dalton Ramos: No cenário que temos hoje, existe uma forte tendência relativista e reducionista, que também se manifesta em alguns modelos bioéticos. O que significa isso? Como nos lembrou muito bem o então Cardeal Ratzinger, agora Bento XVI, trata-se de uma “ditadura do relativismo”, em que não se reconhece mais nada como definitivo, imperando uma subjetividade, diluída nos interesses particulares de cada pessoa. Isso “isola as pessoas e as lança, ao mesmo tempo, para uma solidão radical”, porque as isolam do essencial. O papa empregou esse termo “ditadura do relativismo”, para chamar a atenção de que trata-se de uma mentalidade, de uma força e um poder que se impõe a todos. O desafio está no discernimento, pois a verdade e o bem da pessoa humana são universais e se sobrepõem a todas essas ameaças.

–Percebemos claramente que estamos diante de um impasse provocado pela “ditadura do relativismo”, porque a cultura do cientificismo (de índole agnóstica, porque não transcendente e não confessional), não respeita e não considera muitas vezes os contributos da filosofia e da teologia e de todas as grandes inteligências humanas, que no processo deram as suas contribuições. O relativismo reflete então uma espécie de fundamentalismo do cientificismo. É isso?

–Prof. Dr. Dalton Ramos: É o se pode chamar de “dogma do racionalismo cientificista”, que se fecha em si mesmo, reduzindo o leque de possibilidades do conhecimento humano. Quer dizer: o que a ciência não prova que existe, é como se não existisse. O que a ciência não consegue levar para os seus laboratórios e examinar, simplesmente não existe. É um absurdo essa lógica, pois despreza outras fontes de conhecimento. As ciências experimentais fazem uso do método científico, que tem uma metodologia própria de como examinar e ver a realidade. Mas o conhecimento não advém só daí. Ele também advém da nossa experiência humana, que é muito marcada pela experiência do EU e do transcendente. Não se faz uma ciência honesta se ela excluir um aspecto da realidade. O cientista que assim procede, não é um cientista inteiro, completo. Ora, a ciência não pode prescindir a dimensão da própria experiência humana e, dentro desta, do transcendente, pois trata-se de um componente importante da realidade, que deve ser considerado.

–Tomemos o caso do feto, que é vida humana nascente, pessoa potente em sua fase mais indefesa, que requer cuidados especiais para sua formação e precisa do acolhimento e proteção. O âmago da questão está na busca do consenso sobre o início da vida humana. Há duas hipóteses: uma positiva (que afirma a vida começar no instante da fecundação) e a negativa (que contraria essa afirmação e é o posicionamento de uma maioria de especialistas que querem influenciar a opinião pública). Diante disso, da possibilidade do sim e do não, quando paira a dúvida e não se chega ao consenso, a legislação deve refletir o direito natural, que, nesse caso, favorece a hipótese positiva. O Sr. concorda em que a legislação brasileira, com lastro no direito natural, faça valer a hipótese positiva, como se requer em situações de impasse como essa em que estamos vivendo?

–Prof. Dr. Dalton Ramos: Creio que sim. Parto daquela máxima que o Direito é o mínimo de moralidade que a sociedade exige. Assim sendo, é função do sistema jurídico defender a vida, como aliás reza a Constituição brasileira. Penso não ser uma hipótese razoável a de considerar que a vida não começa no exato momento da concepção, mas mesmo que eventualmente alguém julgue que isso possa não acontecer dessa forma, deve prevalecer o princípio da prudência, porque estando em jogo a possibilidade de estarmos lidando com vidas humanas, nós não podemos correr riscos. Então, nesse sentido, com base no princípio da prudência não se deve aprovar nem se autorizar a destruição de embriões humanos.

–Ao insistir em aprovar legislações anti-vida, o Estado não contraria, digamos assim, sua finalidade social de ser guardião da família?

–Prof. Dr. Dalton Ramos: Da mesma forma que é a ciência que está a serviço da pessoa e não a pessoa que está a serviço da ciência (então por isso é que não vamos sacrificar vidas humanas em prol de possíveis ganhos terapêuticos), o Estado também está a serviço da pessoa; deve, portanto, oferecer todos os subsídios necessários para que esta pessoa possa se desenvolver. Por sua vez, a pessoa tem uma experiência da família, que é o espaço natural onde ela pode desenvolver e manifestar de forma mais plena a sua identidade, a oportunidade de expressar a sua humanidade. Assim também o Estado deve favorecer para que a família possa se desenvolver e crescer.

Por Hermes Rodrigues Nery, professor e jornalista, coordenador da Comissão Diocesana em Defesa da Vida e do Movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté (São Paulo)

 
 
 
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