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Os Bispos se preocupam com o efeito sobre a sociedade e o casamento

ARLINGTON, Virginia, domingo, 17 de dezembro de 2006 (ZENIT.org).- A pornografia é como uma praga roubando a alma das pessoas e destruindo casamentos. Assim disse o bispo Paul Loverde, em uma carta pastoral intitulada «Bought With a Price: Pornography and the Attack on the Living Temple of God» (Vindo com um preço: pornografia e o ataque ao templo vivo de Deus).

No documento publicado no dia 30 de novembro, o bispo de Arlington explicou que a chegada de nova tecnologia de comunicação como a internet, televisão e celulares via satélite, permite que a pornografia atinja mais e mais pessoas.

«Hoje, quem sabe, mais que em qualquer tempo anterior, o homem encontra seu dom da visão e por conseqüência sua visão de Deus distorcida pelo mal da pornografia», escreveu. «Obscurece e destrói a habilidade das pessoas de ver um ao outro como únicas e belas expressões da criação de Deus, em vez disso obscurece sua visão fazendo-as ver os outros como objetos a serem usados e manipulados».

Dom Loverde também apontou que a experiência da pornografia «muda o modo com que o homem e a mulher tratam um ao outro, em algumas vezes de forma dramática mas frequentemente de forma sutil».

A cultura hoje em dia, continuou, considera a pornografia como mera fraqueza privada, ou até como prazer legítimo. De fato é uma grave ofensa de acordo com o que está situado no nº 2354 do Catecismo da Igreja Católica.

Essa imoralidade vem da distorção da verdade sobre a sexualidade humana. Dessa forma, o que deveria ser a expressão da intima união de vida e amor de um casal casado, «é reduzida a uma fonte degradante de entretenimento e até lucro para outros».

Acrescentando —a carta pastoral continuou— a pornografia viola a castidade, pois introduz pensamentos impuros à mente do observador, que geralmente leva a atos impuros, como a masturbação ou adultério.

Isso é também uma ofensa contra a justiça. Isso é devido à grave lesão à dignidade dos participantes os quais se tornam, cada um, objeto de prazer e lucro ilícito de outros.

«Todos aqueles envolvidos na produção, distribuição, venda e uso da pornografia cooperam e em algum grau, faz possível o desabamento de outros», alertou o bispo Loverde.

Dano familiar

A carta também alertou do dano que a pornografia faz à família e ao casamento: «Desde a imersão de todos que estão envolvidos na ilusão de um mundo de fantasias, o uso da pornografia pelo homem afasta sua atenção e afeto de sua mulher».

Além disso, a visão consumista da sexualidade promovida pela pornografia danifica as mulheres e torna difícil, tanto para o homem como para mulher, de se prepararem para a fidelidade matrimonial.

O uso da pornografia dentro do casamento «é uma violação do comprometimento do casamento» apontou o prelado. O seu uso por um dos parceiros no casamento leva a sentimentos de rejeição e traição, que não são curados e que levam à destruição permanente do comprometimento conjugal.

O Bispo Loverde também refutou o argumento normalmente usado para defender a pornografia, de que não há vitimas. De fato, ele argumentou, a industria pornográfica frequentemente saqueia o vulnerável e o necessitado, seduzindo-os a comportamentos perigosos.

Também, a própria natureza da pornografia aumenta a violência contra a dignidade da pessoa humana. «Mas tirando uma aspecto essencial da pessoa —a sexualidade humana— e a transformando em uma mercadoria a ser trocada e vendida, ser usada e descartada por outros desconhecidos, a industria pornográfica comete o mais violento ataque à dignidade dessas vítimas», comentou a carta pastoral.

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A preocupação dos bispos é bem fundada. No ultimo dia 28 de maio o jornal britânico Independent publicou o resultado de um estudo do uso da internet para o acesso de pornografia. De acordo com a análise entregue por Nielsen NetRatings, quase 40% da população masculina na Grã Bretanha fez uso de web sites pornográficos nos no último ano.

A pesquisa também descobriu que mais da metade das crianças já se depararam com pornografia na internet «ao procurarem por outra coisa».

Enquanto isso, na Austrália, o jornal de Melbourne, Age, alertou no artigo do dia 4 de junho que o romance na internet substituiu o romance no escritório, como sendo a principal causa de rompimento conjugal.

O artigo citou conselheiros conjugais dizendo que eles vêm que «mais do que nunca relacionamentos vem sendo rompidos por um secreto amor virtual, enquanto os advogados relatam um aumento de divórcios relacionados à internet».

O potencial para traições foi evidente nos comentários feitos ao Age por uma psicóloga da Universidade Swinburne, Simone Buzwell. Ela é a co-autora do estudo «Finding Love Online» que envolve entrevistas com mais de 1000 pessoas. Buzwell percebeu que metade daqueles que acharam um romance online já estavam em um outro relacionamento.

De volta aos Estados Unidos, um artigo do dia 16 de agosto, no Christian Science Monitor indica que a pornografia pode fomentar um comportamento criminoso. É claro que nem todo mundo dependente da pornografia se torne violento ou cometa crime sexual. Mas, alertou Corydon Hammond, co-diretor do Sex and Marital Therapy Clinic da Universidade de Utah: «eu não acho que tenha visto um adulto criminoso sexual que não esteja envolvido com pornografia».

Essas preocupações sobre a pornografia também foram direcionadas a uma seção especial do jornal Colorado Catholic Herald, publicada no dia 10 de novembro. Quando o uso de pornografia se torna vício, «em vez de ser direcionado a um relacionamento amoroso, o sexo se torna primariamente uma experiência química», «um barato», explica um dos entrevistados, Dan Spadaro do Imago Dei Counseling em Colorado Springs.

Isso significa que para o viciado muitos outros relacionamentos são descartados. Viciados também tendem a negar o problema e ao invés disso criticam os demais. Eles são supostamente um largo número de viciados que lutam contra a depressão, apontou Spadaro.

Ele também comentou que o uso da pornografia pelo marido possui um efeito negativo sob a esposa. A esposa pode ser afetada com um sentimento de incapacidade, pensando que não é interessante o suficiente para o marido. Além disso, como o uso de pornografia envolve um segredo por parte do marido, as mulheres normalmente se sentem traídas, por eles terem mentido para elas.

Outra entrevista de um conselheiro, Rob Jackson, acrescentou que estudos recentes sugeriram que mulheres normalmente sofrem sinais de stress pós-traumáticos. «De acordo com minha experiência, muitas sofrerão um mix de emoções que inclui a raiva, a tristeza e a depressão», disse ele.

Um câncer

Merecidamente, o Cardeal Justin Rigali, da Filadelfia, descreveu a pornografia como um «câncer sobre a cultura contemporânea». No noticiário do dia 8 de junho do Catholic Standard and Times, jornal arquidiocesano, ele escreveu: «Violência, abuso sexual, trauma psicológico e ruptura de relacionamentos são frutos da pornografia».

O cardeal alertou sobre perigos de web sites pornográficos e pediu para que parentes dêem passos para assegurar que tal material não esteja livremente disponível às suas crianças.

Ele também encorajou todos a irem além da atração superficial da pornografia, ao que é a verdadeira beleza do amor matrimonial, «um amor que é unitivo e procreativo, um amor que espelha o amor de sacrifício de Cristo por sua Igreja».

Somando a sua voz à lista dos bispos que falam do assunto, Dom Thomas Wenski, de Orlando, Florida, dirigiu-se aos pais que agora estão fazendo listas de presentes de natal. «Sejam cuidadosos par não comprarem parafernálias que darão às crianças acesso à pornografia», ele alertou.

Escrevendo no jornal Orlando Sentinel no dia 26 de novembro, ele explicou que com aparelhos portáteis, como telefones celulares, PDAs, iPod vídeos, «sua criança será capaz de acessar a pornografia disponível na internet». «E se adultos e casais podem ser prejudicados pela pornografia, as crianças são mais vulneráveis. Sóbria consideração no meio das preparações festivas.

Pe. John Flynn

 
 
 

Comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap., sobre a liturgia do próximo domingo

ROMA, sexta-feira, 6 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap. — pregador da Casa Pontifícia — sobre a liturgia do próximo domingo, XXVII do tempo comum.

* * *

E os dois serão uma só carne

XVII Domingo do tempo comum (B) Gênesis 2, 18-24; Hebreus 2, 9-11; Marcos 10, 2-16

O tema deste XXVII Domingo é o matrimônio. A primeira leitura começa com as bem conhecidas palavras: «Disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma ajuda adequada». Em nossos dias, o mal do matrimônio é a separação e o divórcio, enquanto que nos tempos de Jesus o era o repúdio. Em certo sentido, este era um mal pior, porque implicava também uma injustiça com relação à mulher, que ainda persiste, lamentavelmente, em certas culturas. O homem, de fato, tinha o direito de repudiar a própria esposa, mas a mulher não tinha o direito de repudiar seu próprio marido.

Duas opiniões se contrapunham, com relação ao repúdio, no judaísmo. Segundo uma delas, era lícito repudiar a própria mulher por qualquer motivo, ao arbítrio, portanto, do marido; segundo a outra, ao contrário, se necessitava de motivo grave, contemplado pela Lei. Um dia submeteram esta questão a Jesus, esperando que adotasse uma postura a favor de uma ou outra tese. Mas receberam uma resposta que não esperavam: «Tendo em conta a dureza de vosso coração [Moisés] escreveu para vós este preceito. Mas desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem seu pai e a sua mãe, e os dois serão uma só carne. De maneira que já não são dois, mas uma só carne. Pois bem, o que Deus uniu, o homem não separe».

A lei de Moisés acerca do repúdio é vista por Cristo como uma disposição não querida, mas tolerada por Deus (como a poligamia ou outras desordens) por causa da dureza de coração e da imaturidade humana. Jesus não critica Moisés pela concessão feita; reconhece que nesta matéria o legislador humano não pode deixar de levar em conta a realidade de fato. Mas volta a propor a todos o ideal originário da união indissolúvel entre o homem e a mulher («uma só carne») que, ao menos para seus discípulos, deverá ser já a única forma possível de matrimônio.

Contudo, Jesus não se limita a reafirmar a lei; acrescenta-lhe a graça. Isto quer dizer que os esposos cristãos não têm só o dever de manter-se fiéis até a morte; têm também as ajudas necessárias para fazê-lo. Da morte redentora de Cristo vem uma força — o Espírito Santo — que permeia todo aspecto da vida do crente, inclusive o matrimônio. Este inclusive é elevado à dignidade de sacramento e de imagem viva de sua união esponsalícia com a Igreja na cruz (Ef. 5, 31-32).

Dizer que o matrimônio é um sacramento não significa só (como com freqüência se crê) que nele está permitida e é lícita e boa a união dos sexos, que fora daquele seria desordem e pecado; significa — mais ainda — dizer que o matrimônio se converte em um modo de unir-se a Cristo através do amor ao outro, um verdadeiro caminho de santificação.

Esta visão positiva é a que mostrou tão felizmente o Papa Bento XVI em sua Encíclica «Deus caritas est», sobre amor e caridade. O Papa não contrapõe nela a união indissolúvel no matrimônio a outra forma de amor erótico; mas a apresenta como a forma mais madura e perfeita desde o ponto de vista não só cristão, mas também humano.

«O desenvolvimento do amor para com suas altas cotas e sua mais íntima pureza — diz — leva a que agora se aspire ao definitivo, e isto em um duplo sentido: enquanto implica exclusividade — só esta pessoa –, e no sentido do “para sempre”. O amor engloba a existência inteira e em todas as suas dimensões, inclusive também o tempo. Não poderia ser de outra maneira, já que sua promessa aponta para o definitivo: o amor tende à eternidade.» [n. 6]

Este ideal de fidelidade conjugal nunca foi fácil (adultério é uma palavra que ressoa sinistramente até na Bíblia); mas hoje a cultura permissiva e hedonista na qual vivemos o tornou imensamente mais difícil. A alarmante crise que a instituição do matrimônio atravessa em nossa sociedade está à vista de todos. Legislações civis, como a do governo espanhol, que permitem (e indiretamente, de tal forma, estimulam!) iniciar os trâmites de divórcio apenas poucos meses depois de vida em comum. Palavras como: «estou farto desta vida», «se é assim, cada um por si!», «vou embora», já se pronunciam entre cônjuges diante da primeira dificuldade (dito seja de passagem: creio que um cônjuge cristão deveria acusar-se em confissão do simples fato de ter pronunciado uma destas palavras, porque o simples fato de dizer é uma ofensa à unidade e constitui um perigoso precedente psicológico).

O matrimônio sofre nisso a mentalidade comum do «usar e jogar fora». Se um aparelho ou uma ferramenta sofre algum dano ou uma pequena avaria, não se pensa em repará-lo (desapareceram já aqueles que tinham estes ofícios), pensa-se só em substituir. Aplicada ao matrimônio, esta mentalidade resulta mortífera.

O que se pode fazer para conter esta tendência, causa de tanto mal para a sociedade e de tanta tristeza para os filhos? Tenho uma sugestão: redescobrir a arte do remendo! Substituir a mentalidade do «usar e jogar fora» pela do «usar e remendar». Quase ninguém faz remendos mais. Mas se não se fazem já na roupa, deve-se praticar esta arte do remendo no matrimônio. Remendar os desgarrões. E remendá-los rapidamente.

São Paulo dava ótimos conselhos ao respeito: «Se vos irais, não pequeis; não se ponha o sol enquanto estejais irados, nem deis ocasião ao Diabo», «suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente se algum tem queixa contra outro», «ajudai-vos mutuamente a levar vossas cargas» (Ef 4, 26-27; Col 3, 13; Ga 6, 2).

O importante que se deve entender é que neste processo de desgarrões e recosidos, de crises e superações, o matrimônio não se gasta, mas se afina e melhora. Percebo uma analogia entre o processo que leva a um matrimônio exitoso e o que leva à santidade. Em seu caminho rumo à perfeição, nenhum impulso, tem aridez estão vazios, fazem tudo à força de vontade e com fadiga. Depois desta, chega a «noite escura do espírito», na qual não entra em crise só o sentimento, mas também a inteligência e a vontade. Chega-se a duvidar de que se esteja no caminho adequado, se é que acaso não foi tudo um erro, escuridão completa, tentações sem fim. Segue-se adiante só por fé.

Então tudo se acaba? Ao contrário! Tudo isto não era senão purificação. Depois de passar por estas crises, os santos percebem quão mais profundo e mais desinteressado é agora seu amor a Deus, com relação ao do começo.

A muitos casais não será custoso reconhecer nisso sua própria experiência. Também terão atravessado freqüentemente, em seu matrimônio, a noite dos sentidos, na qual falta todo êxtase daqueles, e se alguma vez houve, é só uma lembrança do passado. Alguns conhecem também a noite do espírito, o estado em que entra em crise até a opção de fundo e parece que não se tem já nada em comum.

Se com boa vontade e a ajuda de alguém se conseguem superar estas crises, percebe-se até que ponto o impulso e o entusiasmo dos primeiros dias era pouca coisa, com relação ao amor estável e a comunhão amadurecidos nos anos. Se primeiro o esposo e a esposa se amavam pela satisfação que isso lhes procurava, hoje talvez se amam um pouco mais com um amor de ternura, livre de egoísmo e capaz de compaixão; amam-se pelas coisas que passaram e sofreram juntos.

[Traduzido por Zenit]

 
 
 

Tanto hebreus como cristãos entendem que o paraíso foi fechado a todas as almas por causa do pecado de nossos primeiros pais. O paraíso somente seria aberto após o sacrifício perfeito oferecido pelo Messias. Enquanto isso, as almas de todos os mortos iam para a morada dos mortos (heb. Sheol; gr. Hades). Nesta reflexão iremos analisar o motivo deste fechamento, e seus efeitos.

3:1 A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado…

Alguns comentaristas sustentam que a palavra “astuto” em hebraico divide o mesmo significado que a palavra “despido, desprotegido”. O jogo de palavras alude para erumim (despido) e para arum (astuto). Este jogo de palavras, se intencional, é secundário na história em si. A serpente é uma criatura formada por Deus. A tradição diz que Satanás era um anjo caído, provavelmente um seraph, um serafim, o mais alto grau entre os anjos. Serafins aparecem no livro de Isaías 6,2 (Os serafins se mantinham junto dele…) como seres alados. São descritos como serpentes de fogo em Números 21,6 (o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes…). Satanás, em Apocalipse 12, é descrito como um dragão, uma serpente com asas. A que tiver cruzadas suas asas, ou as tiver perdido, parecerá com uma cobra.…Ela disse a mulher: É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?

A pergunta da serpente é uma distorção do mandamento divino – faz parecer uma restrição sem justificativa que requer uma resposta se desejar que a conversa seja mantida.2 A mulher respondeu-lhe: Podemos comer do fruto das árvores do jardim. 3 Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Vós não comereis dele, nem o tocareis, para que não morrais.

A mulher corrige a distorção feita pela serpente, mas acrescenta uma outra de sua própria conta. O mandamento dado ao homem por Deus era simplesmente não comas do fruto da árvore (Gn 2,17). A lenda hebraica entende que isto demonstra o zelo do homem em tentar impedir que a mulher transgrida um mandamento de Deus. Este pecado original se iniciou com uma distorção da verdade da parte tanto da serpente como do gênero humano.4 Tornou a serpente ? vós não morrereis!

Satanás faz referência à morte física em preferência à morte espiritual.5 Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal

Terão o conhecimento tanto do bem quanto do mal. Até este momento, somente experimentaram o bem.6 A mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e mui apropriado para abrir a inteligência, tomou dele, comeu, e o apresentou também ao seu marido, que comeu igualmente

Vemos que ela não precisou procurar por ele, pois ele estava bem próximo. Gn 2,15 nos mostra que Deus ordenou o homem a “cultivar e guardar” o jardim. A palavra hebraica shammar traduzida como “guardar” também pode ser traduzida como “manter seguro”. Se o homem deve guardar, então deve haver de quem ele deva guardar. Ele estava próximo à mulher mas falhou na sua missão de mantê-la segura. Não foi a mulher quem cometeu o pecado original, mas o homem que falhou no seu dever de guardá-la. Por isso, como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque todos pecaram… (Rm 5,12 – ênfase nossa). O que o homem deveria ter feito? Ele deveria ter censurado a serpente, tê-la combatido para proteger sua família, uma batalha que poderia muito bem custar a vida física do homem. Como sabemos isto? Porque foi exatamente isto que Jesus, o segundo Adão, fez, Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos (Jo 15,13)7 Então os seus olhos abriram-se; e, vendo que estavam nus, tomaram folhas de figueira, ligaram-nas e fizeram cinturas para si

Sua nudez tornou-se motivo de vergonha, algo inexistente antes do pecado. Pelo fato de eles estarem bem próximas à arvore, é bem provável que esta árvore do conhecimento do bem e do mal seja uma figueira – uma árvore usada tanto no Antigo quanto no Novo Testamento como símbolo de Israel e de Jerusalém. A lenda hebraica nos diz que o figo era o fruto proibido.8 E eis que ouviram o barulho (dos passos) do Senhor Deus que passeava no jardim, à hora da brisa da tarde. O homem e sua mulher esconderam-se da face do Senhor Deus, no meio das árvores do jardim 9 Mas o Senhor Deus chamou o homem, e disse-lhe: “Onde estás?”

Deus não é onipotente? Ele não conhece todas as coisas? Sim, claro que conhece – o que Ele está fazendo é dizendo ao homem que Ele sabe que alguma coisa está errada e o convida a dizer por si mesmo. Ele não está questionando uma situação física, temporal, mas está perguntando ao homem “onde estás na tua relação comigo?” Está convidando o homem à oportunidade de arrependimento e obtenção do perdão divino. Sempre será Deus que nos convida a confessarmos nossos pecados com uma pequena ajuda de nossa consciência. Deus conhece todos os nossos pecados tão rápido quanto os cometemos, mas quer que nós os confessemos para que nós tenhamos certeza de que eles existiram.10 E ele respondeu: ?Ouvi o barulho dos vossos passos no jardim; tive medo…

A Bíblia protestante King James (KJV) diz: Qual fora a voz que eles escutaram? O salmo 29,3-9 descreve a ‘voz’ do Senhor: “Ouve-se a voz do Senhor sobre as águas! O Deus de grandeza atroou: o Senhor trovejou sobre as águas imensas! A voz do Senhor faz-se ouvir com poder! A voz do Senhor faz-se ouvir com majestade! Fendem-se os cedros à voz do Senhor, quebra o Senhor os cedros do Líbano. Faz saltar o Líbano como um novilho, e o Sarion como um búfalo novo. A voz do Senhor despede relâmpagos, A voz do Senhor abala o deserto. O Senhor faz tremer o deserto de Cades. A voz do Senhor retorce os carvalhos, desnuda as florestas. E em seu templo todos bradam: glória!”. Eles não ouviram o sussurro das folhas, nem o gentil quebrar de galhos sob os pés, eles ouviram um grandioso e estrondoso bradar.…porque estou nu; e ocultei-me

O homem se conscientizou de que precisava de alguma coisa. Não somente de roupas, pois haviam resolvido este problema amarrando folhas de figueira em seus corpos. Ele estava necessitado da graça de Deus.11 O Senhor Deus disse: ?Quem te revelou que estavas nu?…

Sendo que haviam apenas dois seres humanos nos jardins, Deus estava dizendo que fora a consciência do homem quem o mostrou as conseqüências do seu pecado. Quando Deus, em sua misericórdia, deu o livre-arbítrio ao homem, também o deu consciência. O desejo de fazer o que é certo está gravado na alma. Um livre-arbítrio sem uma consciência resultaria em anarquia total.…Terias tu porventura comido do fruto da árvore que eu te havia proibido de comer

Deus está colocando qual fora o resultado do pecado – ele havia comido da árvore do conhecimento do bem e do mal e agora sabia que havia feito o mal. Foi-lhe ensinado que por comer do fruto da árvore ele estaria apto a decidir por si mesmo o que seria bom e o que seria mal, mas o pecado é absoluto – e não relativo à situação e/ou ao participante.12 O homem respondeu: A mulher que pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto, e eu comi.

O homem, apesar de conhecer o seu pecado, a desobediência a Deus, tenta transferir a culpa à mulher chegando a culpar o próprio Deus: Se Deus não tivesse dado a mulher a ele, provavelmente não cometeria tal falta. Porque será que Deus conversou primeiro com o homem? Afinal de contas, a mulher foi quem primeiro comeu o fruto. Antes de fazer a mulher, Deus colocou o homem no paraíso para cultivá-lo e guardá-lo. Então ordenou que o homem não comesse o fruto da árvore. O homem, porém, falhou na sua missão de manter sua mulher, e a si mesmo, protegidos. Eles tinham apenas um mandamento a cumprir: não comas do fruto da árvore.13 O Senhor Deus disse à mulher: Porque fizeste isso? A serpente enganou-me,? respondeu ela ? e eu comi.

Não tendo aceitado o pecado do homem, Deus se volta para a mulher. Pergunta a ela porque havia feito tal coisa. O mandamento de não comer do fruto foi dado ao homem antes que a mulher fosse criada. O homem havia instruído a mulher, mas ela preferiu dar ouvidos à serpente. Preferiu a serpente ao seu esposo – um caso de adultério. Lembrem-se que a Bíblia inteira apresenta pactos familiares. Ela comeu com a serpente de preferência ao seu marido; tinha comunhão com a serpente, e não com seu marido. Tanto o homem com a mulher rejeitaram Deus como pai de sua família por desobedecer seu mandamento e comer o que fora proibido com a serpente.14 Então o Senhor Deus disse à serpente…

Deus não faz nenhum questionamento à serpente ou lhe confere alguma oportunidade de defesa. O mal é sumariamente rejeitado.…Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais e feras dos campos…

O demônio não tem influência sobre nenhuma criatura de Deus, com exceção do homem. O único caso de possessão demoníaca de um animal está descrita em Mt 8,32 (Mc 5,13; Lc 8,33 e textos paralelos) e os porcos preferiram cometer suicídio que permanecer possuídos.…andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida

Existem duas imagens projetadas aqui: primeiro, comer poeira como sinal de submissão (como que comendo a poeira da sola das sandálias de alguém); segundo, sendo o homem feito do “barro da terra” (Gn 2,7), Satanás continuaria a atacar o homem. Estas imagens são apropriadas para demonstrar que o mal continuaria a perseguir o homem, mas não teria poder sobre ele, a menos que este lhe desse tal capacidade.15 Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela…

Têm a mulher, ou homem que seja, total separação/rejeição entre si e satanás? Obviamente que não, mas a mulher era imaculada até este evento. Desde então ocorre uma disputa entre o demônio e o gênero humano. Inimizade total somente ocorrerá quando uma outra mulher surgir; uma mulher cujo filho iria se referir a ela justamente como “mulher”, em reconhecimento de sua natureza imaculada.…Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar

Na forma masculina hebraica não ocorre necessariamente uma referência direta a Cristo, ainda que seja ele quem será o vencedor sobre Satanás, ocorrendo aqui que uma referência a todos os descendentes do primeiro casal, toda a humanidade. Toda a humanidade deverá suportar e vencer as tentações de Satanás, todos os dias, e não somente Cristo.16 Disse também à mulher: Multiplicarei os sofrimentos de teu parto; darás à luz com dores, teus desejos te impelirão para o teu marido e tu estarás sob o seu domínio

Quando um pacto é violado, existem punições que recaem sobre quem viola. Neste caso, a punição é dada à mulher. O parto, um dom único dado à natureza feminina, será mediante dor, ainda que o desejo pelo homem seja forte, apesar das conseqüências, e a sua posição dentro da situação doméstica e social será menor que a do homem. Em Gn 1,28, Deus ordena ao homem a à mulher, frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a, mas porque cometeram o pecado da desobediência, a dor no momento do parto (frutificação/fertilidade) será como uma memória constante desta ordem divina. Da mesma forma, à mulher, que fora dada ao homem para ser sua ajudante (Gn 2,18), é dada a tarefa, não de comandar a batalha, mas de auxiliar seu companheiro em seus esforços de cumprir o desígnio de Deus para eles.17 E disse em seguida ao homem: Porque ouviste a voz de tua mulher e comeste do fruto da árvore que eu te havia proibido comer, maldita seja a terra por tua causa. Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida

Ao contrário da mulher e da serpente, o homem não é punido diretamente. Em preferência, a sua punição vem pela terra. Não mais a terra dará seus frutos abundantemente. O homem deverá trabalhar para que receba qualquer coisa (o homem será fértil não somente em produzir descendentes, mas em retirar da terra o necessário para o seu sustento e da sua família). O nome Adão se refere às suas origens, pois foi feito do barro da terra (heb. àdämäh).18 Ela te produzirá espinhos e abrolhos, e tu comerás a erva da terra

Espinhos e abrolhos são características de terras difíceis de se cultivar, e espinhos geralmente enfatizam algo que é ruim. O homem deverá batalhar contra os obstáculos, suportar os maus resultados e esforçar-se para ser fértil.19 Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te hás de tornar

Nada mais será dado ao homem; ele deverá lutar desde agora para poder manter a sua família e a si próprio.20 Adão pôs à sua mulher o nome de Eva, porque ela era a mãe de todos os viventes

Em Gn 2,23, Adão já havia denominado a sua “mulher” (o osso de meus ossos e a carne de minha carne; ela se chamará mulher, porque foi tomada do homem), e agora altera o seu nome para “Eva” (mãe de todos os viventes). Os nomes na Sagrada Escritura são importantes porque descrevem as características e o destino de quem os recebe. A mudança de nome indica mudança de destino e este é o primeiro registro de alteração de nome.21 Senhor Deus fez para Adão e sua mulher umas vestes de peles, e os vestiu

Como podemos ver, ainda que eles tenham transgredido a aliança e carregando as suas devidas punições, Deus ainda se importa com eles. Ele não os abandona, e os dá o suficiente para suas necessidades básicas, como um verdadeiro Pai.22 E o Senhor Deus disse: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal…

Os anjos estavam presentes desde a criação, e Satanás, um anjo decaído, por si próprio rejeitou a Deus. O homem havia se tornado como Deus e experimentado ele mesmo uma rejeição, se bem que a rejeição de seu próprio gênero, e agora poderia reconhecer o mal tanto como bem ou como mal. O mal não é relativo para que o homem possa determinar o que é bom para si e o que não é, mas o homem é capaz de reconhecer o mal como algo bom ou algo ruim.…Agora, pois, cuidemos que ele não estenda a sua mão e tome também do fruto da árvore da vida, e o coma, e viva eternamente

Gn 2,9 nos diz que havia duas árvores no centro dos jardins do Éden: a árvore do conhecimento do bem e do mal, que eles eram proibidos de comer, e a árvore da vida. Se o homem e a mulher foram criados imortais e sem pecado, para quê serventia haveria tal árvore da vida? Deus sabia que eles poderiam ser tentados, e lhes deu o livre-arbítrio. Quando foram tentados à desobedecer a Deus, poderiam comer da árvore da vida e receber as graças para resistir às tentações. A árvore da vida era o sinal dos sacramentos.23 O Senhor Deus expulsou-o do jardim do Éden, para que ele cultivasse a terra donde tinha sido tirado 24 E expulsou-o; e colocou ao oriente do jardim do Éden querubins armados de uma espada flamejante, para guardar o caminho da árvore da vida

Como um sacramento, a árvore da vida sempre fora eficaz e por esse motivo Adão e Eva, que não mostraram nenhuma contrição pelo seu ato de desobediência, foram impedidos de desfrutar das graças advindas por ela (foram excomungados). O céu fora fechado por causa da rejeição de nossos primeiros pais e permaneceu fechado até a vinda do Messias, que ofereceria um sacrifício puro e perfeito. A árvore da vida não mais será mencionada na Sagrada Escritura (exceto em Provérbios, quando a sabedoria, o desejo realizado, o fruto do justo e a língua sã fazem referência a ela) até o livro do Apocalipse, onde vemos que todos os que estão no céu podem comer de seus frutos (Ap 22,14, felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas).

Fonte: Veritatis Splendor Tradução: Rondinelly Ribeiro

 
 
 
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