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Por Bob Stanley Tradução: n/c Fonte: Veritatis Splendor

Autoridade: o que é isto? O que significa? Sua raiz está na palavra “autor”, que significa “criador” ou “originador”. Vem do latim “auctoritas”: “o poder do criador para comandar ou tomar decisões”. O dicionário define como: “o poder de executar a lei, exigir obediência, comandar, determinar ou julgar. Também significa: “aquele que foi investido de poder, especialmente um governador”.

Então a palavra pode se aplicar tanto a uma forma de governo quanto a um indivíduo. O Senado tem a autoridade de fazer leis, a Suprema Corte tem a autoridade de interpretar aquelas leis e o Presidente tem a autoridade de executá-las.

O que você acha que aconteceria se não houvesse autoridade? Haveria anarquia, tumulto, caos, todo mundo “fazendo o que bem quiser”. A civilização, do jeito que a conhecemos, iria se desmoronar rapidamente. Veja o caso da Albânia: poucos dias depois do colapso da autoridade, houve anarquia, com milhares tentando fugir para salvar suas vidas. A Escritura nos recorda que: “Por falta de direção cai um povo; onde há muitos conselheiros, ali haverá salvação.” (Pr 11,14; 24,6).

A autoridade vem do “Autor da Vida”: At 3,15. Toda autoridade vem de DEUS: “Cada qual seja submisso às autoridades constituídas, porque não há autoridade que não venha de Deus; as que existem foram instituídas por Deus. Assim, aquele que resiste à autoridade, opõe-se à ordem estabelecida por Deus; e os que a ela se opõem, atraem sobre si a condenação.” (Rm 13,1-2). Perceba que DEUS é seletivo com quem Ele dá justa autoridade.

A Igreja Católica tem uma forma de governo chamada teocracia e opera com uma “Hierarquia”. Como qualquer outra forma de governo, tem que ter “autoridade” para funcionar. A Igreja recebeu sua autoridade de seu fundador, Jesus Cristo:

  1. “E Eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18). Jesus vai construir sua Igreja em rocha sólida. Ele é a “pedra angular” (Salmo 118,22; Ef 2,20-22), a “fundação” (pedra angular) (1Cr 3,11), e a “rocha” (1Cr 10,4). As “Portas do Inferno não prevalecerão contra ela”, significa: Ele a defenderá por dentro e por fora, contra todos os adversários, para sempre.

  2. Os Apóstolos são a fundação, Jesus Cristo é a “Pedra angular-chefe” (Ef 2,20).

  3. Jesus Cristo deu uma autoridade superior para resolver disputas entre pessoas, mesmo quando há duas ou mais testemunhas. Ele lhes disse para apelar para a Igreja em Mt 18,17: “Mas se recusa a ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano (um coletor de impostos para o Império Romano).” Aqui, Cristo deu autoridade total à Sua Igreja.

  4. Paulo adverte aqueles que se recusam a aceitar a autoridade dada à Igreja e diz o que acontecerá com eles se recusarem em Rm 13,1-2: “Cada qual seja submisso às autoridades constituídas, porque NÃO HÁ AUTORIDADE QUE NÃO VENHA DE DEUS; AS QUE EXISTEM FORAM INSTITUÍDAS POR DEUS. Assim, AQUELE QUE RESISTE À AUTORIDADE, OPÕE-SE À ORDEM ESTABELECIDA POR DEUS; E OS QUE A ELA SE OPÕEM, ATRAEM SOBRE SI A CONDENAÇÃO.”

  5. O Próprio Jesus Cristo é a cabeça da Igreja que Ele fundou, a “Cabeça de Seu Corpo” (Ef 1,22). Não pode haver maior autoridade do que esta.

  6. Jesus Cristo se certificou de que Sua Igreja era digna da autoridade que Ele lhe deu. Ele se certificou de que sua Igreja não tinha mancha: “Para apresentá-la a Si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível.” (Ef 5,27). Ele se certificou de que Sua Igreja era digna de ser chamada “Casa de DEUS”, e a “Coluna da Verdade”: …como deves comportar-te na Casa de DEUS, que é a Igreja de DEUS vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15).

  7. Jesus Cristo ama a Igreja que Ele fundou (Ef 5,29). E você?

  8. DEUS disse que estará com Sua Igreja para sempre: “Não te deixarei nem te desampararei” (Hb 13,5). Em Mt 28,20, Jesus disse: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.” Isto significa que Ele estará com Sua Igreja todo dia, em cada século, até o fim dos tempos. Qual Igreja era a Igreja Dele quando estes versículos foram pronunciados?

DEUS deu autoridade a inúmeras pessoas na Bíblia. Ele muda o nome da pessoa para significar que passou autoridade para ela. Alguns exemplos são:

  1. DEUS mudou o nome de Abrão para Abraão quando Ele o fez “Pai de uma Multidão de Nações”, em Gn 17,5.

  2. DEUS mudou o nome de Sarai para Sara quando a fez “Mãe de Nações”, em Gn 17,15-16.

  3. DEUS mudou o nome de Jacó para Israel, o nome da Nação Judaica, e ele se tornou o primeiro Israelita, em Gn 32,29.

  4. DEUS mudou o nome de Simão para Pedro quando o fez cabeça de Sua Igreja, em Mt 16,18. DEUS deu autoridade a Pedro e DEUS mudou o seu nome para enfatizar isto. Em Mt 16,19, Jesus Cristo deu a Pedro mais autoridade ainda. Ele lhe deu – e a nenhum outro – as “chaves do reino dos céus”, e lhe disse: “Tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” Muita autoridade foi dada nesses dois versículos a Simão – agora Pedro – uma mera criatura de DEUS.

  5. Há mais de 50 versículos na Bíblia que se referem à supremacia de Pedro sobre todos os Apóstolos. O nome de Pedro aparece mais frequentemente do que o nome de qualquer um dos outros Apóstolos no Novo Testamento. Quando os Apóstolos são nomeados, Pedro é sempre citado primeiro em todos os casos exceto em Gl 2,9. Em Mt 10,2, Pedro é até mesmo chamado “o primeiro”: “Eis os nomes dos doze Apóstolos: O PRIMEIRO, Simão, chamado Pedro…”. Em At 15,7, Pedro diz: “Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo DEUS me escolheu dentre vós, para que da “MINHA BOCA” os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem.” Pedro reafirmou sua supremacia, conforme DEUS lhe tinha dado em Mt 16,18-19. Em Lc 22,31-32, Jesus disse: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma teus irmãos.” Aqui Jesus apontou Pedro para fortalecer os outros, outro sinal claro de sua supremacia. Finalmente, em Jo 21,15-17, é a Pedro, e somente a Pedro, que o Senhor ordena três vezes que alimente seu rebanho. Pedro foi o Apóstolo supremo. O Bispo supremo no tempo presente, o Bispo de Roma, é o Papa. Sucessor direto de Pedro em uma longa série de Papas.

  6. Jesus Cristo deu autoridade total aos seus Apóstolos quando, em Lc 10,16, Ele diz: “Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.” Nós ouvimos Suas palavras através de Sua Igreja. Assim sendo, essas palavras se aplicam também à Sua Igreja “quem rejeita Minha Igreja, rejeita a Mim.”. Este versículo também impede o Papa de ensinar heresia; então, quando o Papa fala sobre assuntos de fé e moral, ele está falando como Cristo falaria e com a Sua autoridade. Paulo reconheceu a autoridade dada aos Apóstolos em 2Cor 10,8: “Ainda que eu me orgulhasse um pouco em demasia da autoridade que o Senhor nos deu, para vossa edificação e não para vossa ruína, não teria de que envergonhar-me.”

  7. Jesus deu autoridade a 72 outros discípulos em Lc 10,1-12, e lhes disse que Ele os enviaria como “cordeiros em meio aos lobos”. Ele disse a eles para sacudir a poeira de seus pés quando saíssem das cidades que não os recebessem.

  8. Nós somos ordenados a obedecer aos nossos superiores (sacerdotes, Bispos e o Papa) e de nos sujeitarmos a eles, pois eles têm que prestar contas de nossas almas (Hb 13,17).

  9. DEUS colocou também outros em Sua Igreja: “Na Igreja, DEUS constituiu primeiramente os Apóstolos, em segundo lugar os profetas, em terceiro lugar os doutores, depois os que têm o dom dos milagres, o dom de curar, de socorrer, de governar, de falar diversas línguas” (1Cor 12,28). A sua Igreja tem todos estes?

Sabendo, é claro, que os Apóstolos não viveriam para sempre, e que Sua Igreja continuaria até “o fim dos tempos” (Mt 28,20), Jesus Cristo tomou providências para passar a autoridade de geração a geração:

  1. “Segundo a graça que Deus me deu, como sábio arquiteto lancei o fundamento, ninguém pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo.” (1Cor 3,10-11). Então haverá seguidores que irão construir sobre o fundamento.

  2. “Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça…” (Jo 15,16).

  3. “…para acabares de organizar tudo e estabeleceres anciãos (sacerdotes) em cada cidade, de acordo com as normas que te tracei,” (Tito 1,5). Paulo ordena-lhes que designem novos sacerdotes.

  4. “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para pastorear a Igreja de DEUS” (At 20,28). Aqui, o Espírito Santo dá autoridade aos Bispos de governarem a Igreja que Jesus Cristo fundou. A sua Igreja tem Bispos?

  5. “Agora eu vos encomendo a DEUS e à palavra da Sua graça, àquele que é poderoso para edificar e dar a herança com os santificados” (At 20,32). Passar a autoridade a seus herdeiros.

  6. O Papa e os Bispos são os legítimos sucessores dos Apóstolos. Se nós rejeitamos a autoridade deles, então rejeitamos a Cristo.

É o Espírito Santo que guia e guarda a Igreja que Jesus Cristou fundou. Ele é a autoridade suprema e final:

  1. “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós.” (Jo 14,16-17.26; 15,26; 16,13). O Espírito Santo habitará na Igreja que Jesus Cristo fundou e Ele estará para sempre com aquela Igreja.

Nem tudo será revelado à Igreja de uma vez só porque não poderíamos suportar. Tudo será revelado no tempo. Esta é a autorização para a Igreja revelar doutrinas tais como a da Imaculada Conceição:

  1. “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade,…e anunciar-vos-á as coisas que virão.” (Jo 16,12-15).

  2. “Eu vos dei leite a beber, e não alimento sólido que ainda não podíeis suportar…Eu plantei…mas só Deus é que faz crescer.” (1Cor 3,1-15).

  3. Ef 4,11-16: “…para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de DEUS, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo… Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores…”

  4. Fl 1,5-11: “…aquele que iniciou em vós esta obra excelente lhe dará o acabamento justo até o dia de Jesus Cristo… peço, na minha oração, que a vossa caridade se enriqueça cada vez mais de compreensão e critério.” DEUS está nos dizendo claramente que o conhecimento crescerá com o tempo.

Agora para responder à importantíssima questão: “Quem tem a autoridade?”

A fim de que haja uma só verdade, é necessário que haja uma só autoridade. A Igreja que Jesus Cristo fundou recebeu autoridade conforme mostrado nessa carta. A sua Igreja preenche todos os requisitos da Escritura fornecidos nesse texto? Você pode traçar sua Igreja para trás até Cristo? Se não pode, então sua Igreja não tem autoridade. Se sua Igreja não tem autoridade, então por que você está lá? A principal diferença entre a Igreja Católica e as outras Igrejas é que a Igreja Católica, e somente a Igreja Católica, tem autoridade…

Eu sugeriria a todos que lessem Números 16: é sobre uma rebelião contra a autoridade de Moisés por parte de Coré e seus seguidores. Moisés fez tudo o que podia para tentar convencer Coré, argumentando que ele estava errado ao fazer isso, e mesmo assim Coré e seus seguidores rejeitaram suas súplicas. Leia o desenlace final da rebelião de Coré em Números 16,30-35. Não é nada bonito, mas Coré não ouviu a Moisés, que era o homem na terra a quem DEUS tinha escolhido para conduzir Seu povo.

Agora leia sobre Martinho Lutero e sua rebelião contra a autoridade da Igreja Católica e você verá que a história de Números 16 se repete. Agora leia Números 16 novamente, mas desta vez substitua o nome de Coré pelo nome do fundador da sua igreja e o nome de Moisés pelo nome do Papa. Aqueles que não aproveitam nada da história estão fadados a repetir seus erros.

“Nada há de novo debaixo do sol, e nenhum homem pode dizer: Eis que isso é novo; pois já existia em tempos passados.” (Eclesiastes 1,10).

Você já leu o Salmo 127,1? “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem.”

Agora mostre-me o versículo da Bíblia que dá autoridade a alguma criatura humana de fundar outra igreja além da ÚNICA IGREJA que Jesus Cristo fundou…

Mostre-me o versículo (s) que autoriza alguém a simplesmente erguer uma Bíblia e proclamar: “Esta é a minha autoridade”.

 
 
 

MEXICO D.F., 31 Ago. 08 / 01:20 am (ACI).- O Bispo de Piedras Negras, Dom Alonso Garza Treviño, advertiu que se a Suprema Corte de Justiça da Nação (SCJN), disse que é constitucional ir contra o direito à vida, então também o é ir “contra qualquer direito”, porque com que argumento se pode dizer que não se acabe “com a vida de um jovem ou adulto, se se for contra a de um bebê”.

O Bispo assinalou que a decisão tomada pela SCJN “fará que venham outras coisas negativas”. Indicou que “não é só uma ação, porém tudo o que significa no futuro”.

Dom Garza advertiu que agora é válido lhe tirar a vida a uma criança não nascida, e logo seguirá “o ancião com a eutanásia”, porque se legalizou “um crime que não se conhece o fim que possa ter”.

Em declarações à imprensa, o Prelado comparou esta resolução com o genocídio cometido por Adolfo Hitler contra judeus e doentes. lembrou que o líder nazista atuou desta maneira porque tão doentes como judeus estorvavam a seus fins. “O Governo faz o mesmo, pois estão estorvando estes que estão por nascer” assinalou.

Dom Garza disse que tampouco se trata somente de dizer “não aborte”, porém de “ver que oferece o Governo e à Igreja”.

 
 
 

Por Luis Fernando Pérez Tradução: Carlos Martins Nabeto Fonte: http://www.veritatis.com.br/article/4709

Nunca será possível entender a importância da figura do Bispo de Roma, sucessor do Apóstolo Pedro, sem previamente se compreender quem foi aquele homem chamado Simão, filho de Jonas, e qual foi o papel que Nosso Senhor Jesus Cristo quis que desempenhasse em sua Igreja. No Evangelho de João, lemos como ocorreu o primeiro encontro entre Jesus e Simão:

“André, irmão de Simão Pedro, era um daqueles que havia ouvido a João e resolvera seguir a Jesus. Ele falou primeiramente com seu irmão Simão e lhe disse: ‘Encontramos o Messias’ (que traduzido significa ‘o Cristo’). E o levou até Jesus. E olhando-o, Jesus disse-lhe: ‘Tu és Simão, filho de Jonas; serás chamado ‘Cefas” (que quer dizer ‘Pedro’)” (João 1,40-42).

Em um primeiro momento, ninguém diria que estas primeiras palavras de Jesus a Pedro tivessem uma importância além da de estabelecer um primeiro contato entre ambos; porém, sem dúvida alguma, nelas encontramos um elemento essencial para saber quem foi o Apóstolo. Efetivamente, Cristo anuncia a Simão que ele receberá um novo nome, pelo qual será conhecido: Cefas (=Pedro). Mas por que tal mudança? Provavelmente encontraremos a resposta no Antigo Testamento:

“Então Abrão se prostrou sobre o seu rosto e Deus falou com ele, dizendo: ‘Eis o pacto que faço contigo: serás pai de uma multidão de povos. E teu nome não será mais Abrão, mas serás chamado de Abraão, porque te coloquei como pai de uma multidão de povos” (Gênese 17,3-5). “E o varão lhe disse: ‘Qual é o teu nome?’ E ele respondeu: ‘Jacó’. E o varão lhe disse: ‘Teu nome não será mais Jacó, mas Israel, porque lutaste contra Deus e os homens, e venceste'” (Gênese 32,27-28). “E Deus lhe disse: ‘Teu nome é Jacó, mas não mais serás chamado de Jacó; Israel será o teu nome’. E chamou seu nome de Israel. E Deus também lhe disse: ‘Eu sou o Deus todo-poderoso: crescei e multiplicai; uma nação e um conjunto de nações procederão de ti; e reis sairão de ti. A terra que dei a Abraão e a Isaac, a darei a ti; e à tua descendência darei a terra depois de ti'” (Gênese 35,10-12).

Toda vez que Deus altera o nome de alguém, o faz por um motivo bem particular. Ao estabelecer o pacto com Abrão, que significa “pai enaltecido”, o renomeia para Abraão, que significa “pai de uma numerosa multidão”. Tal mudança de nome está totalmente relacionada com o próprio pacto que Deus estabelece com o patriarca. O mesmo ocorre com Jacó, a quem um personagem misterioso que havia lutado com ele o adverte que seu nome passará a ser Israel, que significa “Deus luta” ou “aquele que luta com Deus”, o que é confirmado pelo próprio Senhor quando reafirma o pacto que já houvera feito anteriormente com seu avô Abraão.

Existem outros exemplos do Antigo Testamento em que podemos comprovar que o nome de uma pessoa era intimamente relacionado com certa circunstância da sua vida. Não foi em vão, portanto, que o anjo do Senhor anunciou a José que o fruto do ventre de Maria fôra gerado pelo Espírito Santo, acrescentando ao mesmo tempo que o menino deveria se chamar “Jesus”, que significa “Javé salva” (tal nome definia perfeitamente a missão do Senhor, que haveria de nascer do seio da Virgem Maria).

Considerando todos estes antecedentes, não podemos ignorar o fato de que Jesus, ao estabelecer um novo nome a Simão, logo na primeira vez em que se encontra com ele, estava demonstrando uma qualidade essencial do próprio Simão.

Porém, não seremos nós que o diremos; deixemos que o próprio Senhor nos diga quem é Pedro e quais são os elementos distintivos do seu ministério. Analisemos cada um dos versículos do texto de Mateus 16,13-19:

“Vindo Jesus à região da Cesaréia de Filipe, perguntou aos seus discípulos, dizendo: ‘Quem os homens dizem que é o Filho do Homem?’ Eles disseram: ‘Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; e outros ainda, Jeremias ou algum dos profetas'” (vv.13-14).

Jesus sabia que havia um grande número de especulações acerca da sua identidade, fato este também de total conhecimento dos seus discípulos. Em meio a tanta confusão, o Senhor lhes faz uma pergunta bastante interessante:

“E disse-lhes: ‘E vós? Quem dizeis que eu sou?'” (v.15).

Ora, nem sempre o que cremos acerca de alguém corresponde ao que é realmente essa pessoa. Principalmente quando essa pessoa é o próprio Deus. Vivemos hoje uma situação semelhante àqueles tempos. Os homens especulam muito acerca da verdadeira identidade de Cristo: uns dizem que foi somente um bom mestre; outros, que foi um iluminado que fracassou; outros crêem que foi um guru palestino; outros ainda opinam que foi um extraterrestre; e muitos também o ignoram por completo. Porém, mais uma vez, o que é realmente importante é que nós, seus discípulos, podemos responder à pergunta: “Quem dizeis que eu sou?”. Ora, que aqueles que não conhecem verdadeiramente a Cristo se equivoquem sobre a sua real identidade, até certo ponto é natural; entretanto, nós não podemos nos equivocar. PEDRO NÃO SE EQUIVOCOU:

“Respondendo Simão Pedro, disse: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo'” (v.17).

Eis aí um PONTO FINAL sobre todas as especulações! Jesus é o Messias, o Filho do Deus vivo. Pedro o disse e a questão está encerrada. Pedro fala em nome de todos, já que a pergunta foi dirigida a todos. Em Pedro está a resposta da Igreja à pergunta mais importante que Cristo podia fazer: a pergunta sobre a sua verdadeira identidade! Mas de onde Pedro tirou a sua resposta? Da sua capacidade intelectual? Do seu potencial humano para compreender a verdade sobre Jesus? Não, de algo bem além:

“Então Jesus lhe respondeu: ‘Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque isto não te foi revelado pela carne ou pelo sangue, mas por meu Pai que está nos céus'” (v.18).

Simão soube – e com ele, a Igreja – quem é Jesus por revelação direta de Deus Pai. Não lhe foi revelado por outros homens, mas por Deus. Já sabemos, então, quem é Jesus. Jesus é o Messias, isto é, Jesus Cristo (pois Messias = Cristo). Agora escutemos bem quem é na verdade esse tal Simão, filho de Jonas:

“‘E eu também te digo: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela'” (v.19).

Reflitamos agora por um instante sobre o contexto em que o Senhor diz estas palavras. Simão acaba de declarar quem é Jesus. Cabe agora a Jesus nos dizer quem é o Apóstolo. Já não o chama de Simão, mas de Pedro. Simão havia dito a Jesus: “Tu és Cristo”; e Cristo responde a Simão: “E tu és Pedro”. Da mesma forma como não podemos separar o nome de Cristo e seu significado da pessoa de Jesus, também não podemos separar o nome de Pedro e seu significado da pessoa de Simão. Jesus é o Messias e Simão é a Pedra. E é justamente nesse contexto que Cristo diz: “e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Quem é o Cristo? Jesus, Jesus Cristo. Quem é a pedra sobre a qual Jesus edifica a sua Igreja? A quem foi dado o nome de pedra? A Simão, Pedro.

Muito se tem especulado sobre isto: a pedra é o próprio Pedro ou a sua declaração [de fé] acerca de Cristo? Pelo contexto verificamos que os versículos estão falando de PESSOAS, não de idéias. Trata-se de saber quem é Jesus e de saber quem Jesus diz que Simão é. Uma vez determinado quem é Jesus e quem é Pedro, Jesus edifica a sua Igreja. E nem a Igreja se edifica sem a verdade acerca de Cristo (declarada por Pedro), nem a Igreja se edifica sem a verdade acerca de Pedro (declarada por Cristo).

E é essa Igreja, a verdadeira, a que conhece e confessa quem é Cristo e quem é Pedro, aquela sobre a qual não prevalecerão as portas do Hades [=morte]!

 
 
 
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