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A SEPTUAGINTA OU VERSÃO DOS SETENTA (LXX)

Durante o reinado de Nabucodonosor (Foi Rei da Babilônia no séc. VI a.C.), as Escrituras Sagradas hebraicas foram perdidas, por ocasião do cativeiro imposto ao povo judeu, que em aproximadamente 587 a.C. foi deportado de Jerusalém para a Babilônia. As Escrituras foram novamente constituídas no tempo do Profeta Esdras, durante o reinado de Artaxerxes (cf. Esd 9,38-41).O conjunto de manuscritos hebraicos mais antigos que chegaram até nosso tempo, é conhecido como Texto Massorético. Nesta compilação das Escrituras, o texto foi transcrito com a omissão das vogais. Com origem no séc. VI, o Texto Massorético possui este nome por ter sido desenvolvido por um grupo de judeus conhecidos como Massoretas; que deste então se tornaram os responsáveis em conservar e transmitir o texto bíblico hebraico.Bem anterior ao Texto Massorético, se conservou até nosso tempo, a versão Grega das Escrituras Hebraicas conhecida como Septuaginta ou Versão dos Setenta (LXX). Vertida, aproximadamente no séc. III a.C. para grego a partir dos mais antigos manuscritos hebraicos (hoje não mais disponíveis), o valor histórico da Septuaginta é inestimável e de profunda importância para a identificação do Cânon Bíblico Cristão.Origem da Septuaginta Ptolomeu II Filadelfo (287-247 a.C.), rei do Egito, encomendou especialmente para sua Biblioteca em Alexandria (Fundada por Alexandre, o Grande tornou-se o grande centro cultural e comercial do império helênico), uma tradução grega das escrituras sagradas dos judeus. Esta foi a primeira tradução feita dos livros hebraicos para uma outra língua. A tradução do hebraico para o grego, segundo a tradição, foi feita por 72 escribas durante 72 dias, por isso possui o nome Septuaginta que significa “Tradução dos Setenta”. A primeira menção à versão da Septuaginta encontra-se em um escrito chamado “Carta de Aristéias”. Segundo esta carta, Ptolomeu II Filadelfo tinha estabelecido recentemente uma valiosa biblioteca em Alexandria. Ele foi persuadido por Demétrio de Fálaro (responsável pela biblioteca) a enriquecê-la com uma cópia dos livros sagrados dos judeus. Para conquistar as boas graças deste povo, Ptolomeu, por conselho de Aristéias (oficial da guarda real, egípcio de nascimento e pagão por religião) emancipou 100 mil escravos, de diversas regiões de seu reino. Então, enviou representantes (entre os quais Aristéias) a Jerusalém e pediu a Eliazar (o Sumo Sacerdote dos judeus) para que fornecesse uma cópia da Lei e judeus capazes de traduzi-la para o grego. A embaixada obteve sucesso: uma cópia da Lei ricamente ornamentada foi enviada para o Egito, acompanhada por 72 peritos no hebraico e no grego (seis de cada Tribo) para atender o desejo do rei. Estes foram recebidos com grande honra e durante sete dias surpreenderam a todos pela sabedoria que possuíam, demonstrada em respostas que deram a 72 questões: então, eles foram levados para a isolada ilha de Faros e ali iniciaram os seus trabalhos, traduzindo a Lei, ajudando uns aos outros e comparando as traduções conforme iam terminando. Ao final de 72 dias, a tarefa estava concluída. A tradução foi lida na presença de sacerdotes judeus, príncipes e povo, reunidos em Alexandria; a tradução foi reconhecida por todos e declarada em perfeita conformidade com o original hebraico. O rei ficou profundamente satisfeito com a obra e a depositou na sua biblioteca.Comumente se acredita, que a Carta de Aristéias foi escrita por volta de 200 a.C., 50 anos após a morte do Rei Filadelfo.Não há ainda entre os estudiosos um consenso sobre a origem e autenticidade desta carta. Embora a grande maioria considere seu conteúdo fantasioso e lendário, questiona-se se não há algum fundamento histórico disfarçado sob os detalhes lendários. Por exemplo, hoje se sabe com certeza que o Pentateuco foi mesmo traduzido em Alexandria.

DIFUSÃO E REVISÕES Pelo fato de serem pouquíssimos os Judeus que ainda possuíam conhecimento da língua hebraica, principalmente após o domínio helenista (entre os séculos IV e I a.C.) onde o koiné (grego popular) era o idioma falado, a Septuaginta foi bem acolhida, principalmente pelos judeus alexandrinos que foram os seus principais difusores, pelas nações onde o grego era falado. A Septuaginta foi usada por diferentes escritores e suplantou os manuscritos hebraicos na vida religiosa (JAEGER, 1991).Em razão de sua grande difusão no mundo helênico (tanto entre judeus, filósofos gregos e cristãos), as cópias da Septuaginta passaram a se multiplicar, dando origem a variações contextuais.Orígenes “Orígenes de CesaréiaOrígenes nasceu em Alexandria por volta de 190. Em Cesaréia é ordenado sacerdote em 231 pelo Bispo Alexandre. É considerado o criador da Ciência Bíblica. Deixou-nos muitíssimas obras, das quais algumas se perderam e outras foram conservadas por escritores posteriores. Ele relacionou os livros canônicos da seguinte forma:“ ‘Observe-se que os livros do Antigo Testamento, segundo a tradição hebraica, são vinte e dois, número das letras de seu alfabeto’. (…) Os vinte e dois livros, conforme os hebreus, são os seguintes: O livro que damos o título de Gênesis, entre os hebreus traz inscrito, de acordo com as palavras iniciais: Bresith, que significam “No começo”; Êxodo, Ouellesmoth, isto é, “Eis os nomes”, Levítico, Ouicra, isto ê, “Ele me chamou”; Números, Ammesphecodeim; Deuteronômio, Elleaddebareirrv “Estas são as palavras”; Jesus, filho de Navé [Josué], Iosouebennoun; Juizes, Rute, entre elesformamumsó livro, Sophteim; Reis primeiro e segundo livros, entre eles um só, Samuel: “O eleito de Deus”; Reis, terceiro e quarto livros, em um só, Ouammelch David, isto é: “Reino de Davi”; Paralipômenos [Crônicas], primeiro e segundo livros, em um só, Dabreiamein, isto é, “Palavra dos dias”; Esdras, primeiro e segundo livros34, em um só, Ezra, isto é, “Auxiliar”; Livro dos Salmos, Spharthelleim; Provérbios de Salomão, Meloth; Eclesiastes, Koeleth; Cântico dos Cânticos – e não como alguns julgam, Cântico dos Cânticos -, Sirassereim ; Isaías, Iessia; Jeremias, com as Lamentações e a Carta em um só livro35, Iéremia; Daniel, Daniel; Ezequiel, Ezechiel; Jó, Job; Ester, Esther. Além destes, os Macabeus, intitulados Sarbethsabanaiel'” .Curiosamente Orígenes não cita os 12 profetas. Os judeus normalmente organizavam seus livros sagrados em 22 volumes, conforme o número de letras do alfabeto hebraico36. Como os livros sagrados são mais que 22 alguns livros eram agrupados como um único volume. A omissão dos 12 Profetas se deve provavelmente por estarem agrupados a outros livros, provavelmente Isaías, conforme veremos em outras coleções mais adiante37. A omissão de Baruc ê o mesmo caso, pois normalmente figurava como apêndice do livro de Jeremias. Isto se atesta ainda mais pelo fato de que a Epístola de Jeremias foi mencionada, e os dois livros sempre estiveram juntos (Nas Biblias Católica e Ortodoxa, a Epístola de Jeremias é apêndice de Baruc, mantendo assim a organização original conforme consta na Septuaginta) “Dos deuterocanônicos do AT faz referência apenas aos livros dos Macabeus.Outros escritos de Orígenes mostram que a Igreja considerava outros livros canônicos além dos livros supracitados:“5. […]Nós [cristãos] procuramos não ignorar quais são as Escrituras dos judeus afim de que, ao disputarmos com eles, não citemos as que não se encontram nos exemplares deles, mas sim aquelas de que eles se servem f../’39 (ORIGINES, 2004).Este trecho é de sua Carta a Júlio Africano40, onde Orígenes defende a canonicidade dos acréscimos ao Livro de Daniel, que mais (arde serão defendidos também por São Jerônimo. Os judeus de Jâmnia recusaram estes acréscimos em seu Cânon.Quanto ao NT escreve:“Conforme aprendi da tradição sobre os quatro Evangelhos, os únicos também indiscutíveis na Igreja de Deus que há sob os céus, foi escrito em primeiro lugar o evangelho segundo Mateus; este anteriormente fora publicano e depois Apóstolo de Jesus Cristo. Ele o editou para os fiéis vindos do judaísmo, redigindo-o em hebraico. O Segundo é o Evangelho segundo Marcos, que escreveu conforme as narrações de Pedro, o qual o nomeia seu filho [segundo o espírito] na carta católica, nesses termos: ‘A que está em Babilônia [Roma], eleita como vós, vos saúda, como também Marcos, o meu filho’ [cf lPd !>, 13]. E o terceiro é o Evangelho segundo Lucas, elogiado por Paulo [cf. 2Cor 8,18-19; 2Tm 2,8; Cl 4,14] e composto para os fiéis provenientes da gentilídade. Enfim, o Evangelho segundo João” (Ibid., p.313).Pelo testemunho de Orígenes os 4 Evangelhos são reconhecidos como canônicos em toda Igreja (“os únicos também indiscutíveis na Igreja de Deus que há sob os céus”). Estas palavras testemunham haver ainda outros evangelhos, no entanto não consensualmente aceitos.Ainda sob a estreita de Eusébio:“No quinto livro dos Comentários ao Evangelho segundo João, o mesmo Orígenes declara o seguinte acerca das Epístolas dos apóstolos: ‘Paulo, digno ministro do Novo Testamento, não segundo a letra, mas segundo o espírito, depois de ter anunciado o evangelho desde Jerusalém e suas cercanias até o Ilírico [cf. Rm 15,19], não escreveu a todas as Igrejas que ele havia instruído; mesmo àquelas que escreveu, enviou apenas poucas linhas” (Ibid. p. 313).Aqui Orígenes reconhece como canônicas as cartas paulinas, embora não cite quais são. Quanto à controversa carta aos Hebreus, registrou Eusébio:“Finalmente, extema-se da seguinte maneira sobre a Carta aos Hebreus, nas Homilias proferidas a respeito desta última; ‘O estilo da epístola intitulada Aos Hebreus carece da marca de simplicidade de composição do Apóstolo, que confessa ele próprio ser imperito no falar, isto é, no fraseado [cf. 2Cor 11,6]; no entanto, a carta é grego do melhor estilo, e qualquer perito em diferenças de redação o reconheceria. Efetivamente, os conceitos da Epístola são admiráveis e em nada inferiores aos das genuínas cartas apostólicas. Há de concordar quem ouvir atentamente a leitura das cartas do Apóstolo’. Mas adiante [diz Eusébio], [Orígenes] adita essas afirmações: ‘Mas, para exprimir meu próprio ponto de vista, diria que os pensamentos são do Apóstolo, enquanto o estilo e a composição originam-se de alguém que tem presente a doutrina do Apóstolo, e por assim dizer, de um redator que escreve as preleções de um mestre. Se, portanto, uma Igreja tem por certo que a carta provém do Apóstolo [Paulo], felicito-a, pois não será sem fundamento que os antigos a transmitiram como sendo da autoria de Paulo. Entretanto, quem escreveu a carta? Deus o sabe. A tradição nos transmitiu o parecer de alguns de ter sido redigida por Clemente, bispo de Roma [e discípulo de Pedro e Paulo], outros opinam ter sido Lucas, o autor do Evangelho e dos Atos”’ (Ibid., p. 314).Como podemos ver, embora seja controversa a autoria da Carta aos Hebreus, Orígenes não só a. considerava canônica, como afirma que este é o mesmo parecer dos presbíteros que o antecederam. Observem que quanto ao livro dos Atos dos Apóstolos, Orígenes apenas mostra que o conhece, mas não emitiu seu parecer quanto ã canonicidade do livro.Ainda sob a pena de Eusébio, sobre os outros livros afirma Orígenes:“Pedro, sobre quem está edijicada a Igreja de Cristo, contra a qual não prevalecerão as portas do inferno [cf. Mt 16,18], deixou apenas uma carta incontestada, e talvez ainda outra, porém controvertida” (Ibid., p. 313).Orígenes não só reconhece a canonicidade da primeira epístola de São Pedro, como declara que o mesmo é o parecer comum da Igreja em seu tempo. E quanto à segunda Epístola que hoje se encontra em nosso cânon, ele afirma que não é aceita por todos. Identificamos então o terceiro livro deuterocanônico do NT.Orígenes continua:“Que dizer de João, que reclinou sobre o peito de Jesus [cf Jo 13,25; 21,20], deixou um evangelho, assegurou ser-lhe possível compor mais livros do que poderia o mundo conter [cf. 21,25], e escreveu o Apocalipse, mas recebeu a ordem de se calar e não escrever as mensagens das vozes das sete trombetas [cf. Ap 10,4]?’ (Ibid., p. 313-314).Aparece aqui afirmar a canonicidade do Apocalipse de João. Ainda:“Legou-nos também uma Carta de muito poucas linhas e talvez outra e ainda terceira, pois nem todos admitem que estas sejam autênticas; aliás, as duas juntas não abrangem cem linhas” (Ibid., p.314).Quanto às cartas de São João Apóstolo e Evangelista, Orígenes diz que comumente era reconhecida como canônica somente a primeira carta. Ainda não havia na Igreja antiga um parecer comum quanto à canonicidade das outras duas. Identificamos aqui mais dois livros deuterocanônicos do NT: a segunda e terceira epístola de São João.”, motivado pela necessidade de restaurar o texto à sua condição original, dá origem à sua revisão que ficou registrada em sua famosa obra, conhecida como Hexápla (Recebe este nome por dispor do texto do AT em 6 colunas distintas, cada uma conforme uma tradução hebraico, a LXX, versão de Áquila, versão de Símaco, versão deTeodocião, e outra de menor importância. Foi perdida restando em nossos dias somente alguns fragmentos.) Luciano, sacerdote de Antioquia e mártir, no início do séc. IV publicou uma edição corrigida de acordo com o hebraico; tal edição reteve o nome de koiné, edição vulgar, e, às vezes, é chamada de Loukianos, após o nome de seu autor Finalmente, Hesíquio, um bispo egípcio, publicou, quase que ao mesmo tempo, uma nova revisão, difundida principalmente no Egito.Os Manuscritos Os três manuscritos mais conhecidos da Septuaginta são: o Vaticano (Codex Vaticanus), do séc. IV; o Alexandrino (Codex Alexandrínus), do séc. V, atualmente no Museu Britânico de Londres; e o do Monte Sinai (Codex Sinaiticus), do séc. IV, descoberto por Tischendorf no convento de Santa Catarina, no Monte Sinai, em 1844 e 1849, sendo que parte se encontra em Leipzig e parte em São Petersburgo.Todos foram escritos em unciais ( Letras maiúsculas). O Codex Vatícanus é considerado o mais fiel dos três; é geralmente tido como o texto mais antigo, embora o Codex Alexandrinus carregue consigo o texto da Hexapla e tenha sido alterado segundo o Texto Massorético. O Codex Vatícanus é referido pela letra B; o Codex Alexandrinus, pela letra A; e o Codex Sinaiticus, pela primeira letra do alfabeto hebraico [Aleph] ou S.

Os livros que estão presentes na Septuaginta, conforme a ordem original: Gênesis, Êxodo, Levitico, Números, Deuteronômio, Josué, Juizes, Rute, 1 Samuel (1 Reis), 2 Samuel (2 Reis), 1 Reis (3 Reis), 2 Reis (4 Reis), 1 Crônicas (1 Paralipômenos), 2 Crônicas (2 Paralipômenos), 1 Esdras, 2 Esdras (Esdras e Neemias), Ester, Judite, Tobias, 1 Macabeus, 2 Macabeus, 3 Macabeus, 4 Macabeus, Salmos, Odes, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Job, Sabedoria, Eclesiástico (Sirac), Salmos de Salomão, Oséias, Amós, Miquéias, Joel, Obadias, Jonas, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Isaías, Jeremias, Lamentações, Baruque, Epístola de Jeremias, Ezequiel, Suzana12, Daniel, Bel e o Dragão (SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL, 2003, XII-XIII).É importante notar que o conjunto de livros da Septuaginta é bem maior do que qualquer versão do AT disponível nas Bíblias Protestantes. O que isto necessariamente significa? Será que o catálogo da LXX corresponderia a um cânon bíblico conhecido e utilizado pelos antigos Judeus? Sim! Jesus e os Apóstolos utilizaram este catálogo mais amplo de Escrituras Sagradas? Sim. LIMA, Alessandro Ricardo. 1975O Cânon Bíblico: A Origem da Lista dos Livros Sagrados. Brasília, DF: 2007.

 
 
 

O CULTO DOS SANTOS

POR QUE SÓ A BIBLIA?

Artigo 1°

Assegurando á SUA IGREJA que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela, Jesus estava garantindo que ela jamais seria invadida pelo erro, porque seria de fato uma grande vitória do poder das trevas, se conseguisse transformar a Igreja de Deus Vivo de mestra infalível da verdade em propagadora do erro, ainda que fosse num só ponto de sua doutrina. As heresias de todos os tempos foram sempre fomentadas pelas potestades infernais, para ver se conseguiam realizar este ideal satânico. E entre as heresias que têm lutado contra a Igreja ocupa um lugar muito importante o Protestantismo.

Na ânsia de justificar a sua atitude, aparecendo no século XVI, a ensinar uma doutrina muito diversa daquela que a Igreja vinha ensinando desde muitos séculos, esforçam-se os protestantes por demonstrar que essa Igreja errou, ou melhor, encheu-se de erros, o que é o mesmo que dizer, esforçam-se por demonstrar que falhou miseravelmente A PROMESSA DE JESUS.

Nesta pretensa demonstração, eles recorrem a argumentos que não poderiam deixar de ser falhos e improcedentes.

Um deles é o seguinte: A Igreja está errada em tais e tais pontos que ela ensina, porque são COISAS QUE NAO ESTAO NA BÍBLIA.

Este argumento é falso, porquanto se baseia numa falsa suposição: a de que a bíblia tenha sido escrita para ser a nossa única regra de fé.

Cristo disse aos Apóstolos: PREGAI O EVANGELHO A TODA A CRIATURA (Mc 16, 15), não disse que o meio para conhecerem os homens a verdade religiosa era só e exclusivamente a leitura da Bíblia. Mandou-lhes ENSINAR A TODAS AS GENTES, prometeu-lhes a sua assistência neste ensino. E a ideia que fazem os protestantes é esta: Os Apóstolos pensaram assim: Cristo nos mandou ensinar, quer dizer que nós pregamos enquanto estamos nesta terra. E também escrevemos o Novo Testamento e o deixamos, para que cada um aprenda a doutrina Cristã, após a nossa morte.

Mas esta ideia é errônea. O Novo Testamento não foi escrito segundo este plano. Começa logo por não ter sido escrito só pelos Apóstolos: Marcos que escreveu o 2° Evangelho e Lucas que escreveu o 3° e os Atos dos Apóstolos, não haviam recebido a missão de ensinar a todos os povos. E vários Apóstolos, como S. Tomé, S. Filipe, S. Bartolomeu, S. André, S. Simão Cananeu, que foram para bem longe pregar a povos de línguas diversas, aos quais não seria fácil manusear o grego do NOVO Testamento, no entanto NENHUM LIVRO DA BÍBLIA DEIXARAM ESCRITO, não foi composto o Novo Testamento com a preocupação de ensinar a doutrina; e toda a doutrina; neste caso deveria ter seguido o método adequado, apresentando ordenadamente a matéria ponto por ponto e em linguagem clara e acessível a todos, a fim de que não se deixasse margem alguma para a dúvida; não teria tantos trechos de interpretação bem difícil. Conforme já explicamos, foram escritos os seus livros ocasionalmente, de acordo com as necessidades do momento. Deus os inspirou e de certo são eles a palavra escrita infalível que CONSOLIDA o ensino da Igreja e que lhe serve de orientação proveitosíssima neste ensino; são também os documentos, pelos quais a Igreja prova contra os hereges a sua legitimidade, a sua origem divina. Mas não há nenhuma palavra de Jesus, o qual deixou a Igreja com a missão de ENSINAR e num tempo em que não havia sido escrito nenhum livro do Novo Testamento, não há nenhum texto sagrado que nos indique que só devemos aceitar o ensino da Igreja, se ele estiver contido EXPLICITAMENTE na Bíblia. Antes, o que ela ensina, está também implicitamente recomendado pela Escritura Sagrada que a apresenta como COLUNA E FIRMAMENTO DA VERDADE (1T m 3, 15) e como detentora das divinas promessas. E muitas discussões, hesitações e controvérsias que há entre os próprios protestantes, por exemplo, a respeito do Batismo, do pecado original, do número dos sacramentos, etc., nascem precisamente disto: a Bíblia não oferece elementos suficientes para se resolverem definidamente estas questões; e os Protestantes, surgindo no século XVI e rejeitando toda a Tradição, querem resolvê-las exclusivamente pelos dados da Bíblia, ao passo que a Igreja Católica, vindo dos tempos apostólicos, está firme e segura na sua doutrina, porque sabe, pela tradição, qual foi o verdadeiro ensino que os Apóstolos legaram á Cristandade.

AS DECISÕES DOS CONCÍLIOS

. Queremos chamar a atenção também para um TRUQUE muito usual entre os protestantes, com o qual aqueles que conhecem mais um pouquinho de história da Igreja procuram enganar os incautos e inexperientes.

Quando vê AS SUAS DOUTRINAS serem negadas pelos hereges ou serem mal interpretadas, ou aparecem questões sobre os verdadeiros termos em que devem ser propostas e defendidas, a Igreja Católica nos seus concílios ecuménicos, isto é, universais, faz as solenes definições para esclarecer, eliminando qualquer dúvida, a fim de que se preserve A UNIDADE DA FÉ. Aproveitam-se disto os protestantes para dizerem que nesta ocasião foi a doutrina INTRODUZIDA na Igreja, o que é inteiramente falso. Foi o que se deu, para dar um exemplo, com o dogma da presença real de Cristo na Eucaristia. Está clarissimamente ensinado na Bíblia, sempre foi admitido pelos católicos, era um dogma que fazia parte da Vida dos cristãos, que comungavam, ouviam a Santa Missa, etc. Até o século XI nunca foi negado diretamente, nem mesmo pelos hereges. Quando aparecem seitas heréticas combatendo este dogma, a Igreja solenemente o define, como o fez no 4° Concilio de Latrão, em 1215. Dizer que 56 9.1 é que a doutrina foi introduzida na Igreja é uma enorme falsidade histórica; como é também inexato pensar que se é de fé para nos, católicos, o que é definido nos Concílios, pois é de fé para nos tudo quanto ensina a BÍBLIA, e a Igreja não vai definir os ensinos da bíblia versículo por versículo.

USOS E QUESTOES DISCIPLINARES

Outra observação que temos a fazer é a seguinte: Uma coisa é a DOUTRINA; e outra são as questões disciplinares, os usos e costumes e devoções, que podem variar de um século para outro, conservando-se inalterada a parte doutrinária. A Igreja é autônoma, tem o direito de impor leis que não sejam contrárias as leis divinas, tem o direito de governar-se a si mesma: Tudo o que ligares sobre a terra será ligado também nos céus, e tudo o que desatares sobre a terra será desatado também nos Céus (Mt 16, 19), foi dito por Jesus Cristo a Pedro, o chefe da Igreja. E o mesmo poder de ligar e desligar foi também concedido ao colégio apostólico (Mt 18, 18). Estes poderes persistem no sucessor de Pedro e naqueles que ocupam o lugar dos Apóstolos aqui na terra, como legítimos continuadores de sua missão.

A Igreja vai durar até o fim do mundo, em circunstâncias as mais diversas, no meio das mais diversas raças. Tem que conservar intacto, inalterado o depósito da fé, da sua DOUTRINA. Mas as leis disciplinares, pelas quais internamente se governa têm que variar de acordo com as circunstâncias. Os métodos de ensino, as devoções especiais os meios de apostolado, vão sendo pouco a pouco inspirados pelo Divino Espirito Santo que vela sempre sobre ela.

Querer, portanto, que por todos os séculos a Igreja tenha que restringir-se a fazer exclusivamente o que fizeram os Apóstolos, naqueles primeiros dias de sua história, dias, aliás, extraordinários, em que havia certos dons e carismas que seriam limitados àqueles primórdios, seria evidentemente um absurdo.

Põem-se então muitos protestantes a “demonstrar” que a Igreja Católica não é mais a Igreja de Cristo, porque em tal época impôs a obrigação do jejum na Quaresma, ou em tal época os padres começaram a usar vestuário diferente dos seculares, ou começaram a usar tonsura na cabeça, porque em tal época se começou a recitar o Rosário, a fazer procissão com o Santíssimo Sacramento ou a usar campainhas na celebração da Missa ou a acender velas nas igrejas, ou a canonizar os santos ou a usar o latim como língua litúrgica e nada disto havia no tempo dos Apóstolos [. . .] Os Pentecostais acham que a Igreja Católica não é a mesma Igreja de Cristo, porque nela os fiéis não recebem mais o Espirito Santo com o DOM DAS LÍNGUAS, como acontecia algumas vezes nos tempos primitivos [. . .]. E uma das provas mais evidentes que os protestantes vêem de que a Igreja não é mais a Igreja de Cristo é o Celibato eclesiástico. já tivemos oportunidade de falar sobre este assunto em outros artigos.

Permitia-se no tempo dos Apóstolos que os presbíteros, também chamados bispos, fossem casados e já explicamos por quê. Nestas circunstâncias, S. Paulo recomenda que só seja escolhido para bispo um homem que tenha sido esposo duma só mulher (l Tem 3, 2), não servindo para o cargo aqueles que já andaram ás voltas com muitas mulheres. E S. Paulo, note-se bem, afirma claramente que pratica o celibato e além disto o aconselha (1 Cor 7, 7-8), bem como ensina A DOUTRINA das vantagens da continência perfeita sobre o estado de matrimônio (1Cor 7, 25-35). Isto era doutrina do próprio Jesus, que alude àqueles que sacrificam seus instintos carnais POR AMOR DO REINO DOS CÉUS (Mt 19, 12). Pois bem, quando a Igreja resolveu só aceitar para sacerdotes aqueles que espontaneamente queiram fazer o voto de castidade perfeita, deixou por isto de ser a Igreja Verdadeira de jesus Cristo? [. . .]. Agora repare bem o leitor A LÓGICA PROTESTANTE. Os Apóstolos proibiram aos cristãos corner do sangue e da carne sufocada (At 15, 29). Tinham os cristãos que fazer como faziam os judeus: matar o animal, fazer escorrer todo o sangue para depois comer. NA Bíblia Não CONSTA A REVOGACAO DESTE DECRETO. Mais tarde a Igreja, com o seu poder de ligar e desligar, uma vez que não havia mais as razões pelas quais esta proibição tinha sido feita, resolveu revogar tal MEDIDA DISCIPLINAR imposta pelos Apóstolos. E no entanto os protestantes que acham que a Igreja tem que se limitar a fazer exclusivamente o que esta na Bíblia, que só admitem aquilo que se vê em letra de forma no Livro Sagrado, comem a came dos animais com o sangue, comem as carnes sufocadas, sem nenhum remorso, autorizados exclusivamente pela Igreja Católica!

O DESAFIO

Caros amigos protestantes:

Vocês querem provar que a Igreja Católica se deixou contaminar pelo erro e que é falsa a promessa de jesus Cristo de que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela Sentem absoluta necessidade disto, porque precisam justificar a sua inegável posição de HEREGES, surgidos no século XVI, afastados da Igreja fundada por Cristo, a Igreja Católica, e combatendo dou trinas que a mesma vinha c vem ensinando desde muitos séculos, em toda a historia do Cristianismo. Não é assim? Pois bem, argumentem com a DOUTRINA. Provem que a Igreja ensina DOUTRINAS CONTRÁRIAS AS DOUTRINAS ENSINADAS NA SAGRADA ESCRITURA.

Dirão os protestantes:

Pois bem, está aceito o desafio. Vamos argumentar com a DOU’I’RINA da Igreja e mostrar que ela é contraria à doutrina do Evangelho. A Igreja presta culto aos anjos e aos santos, os considera como MEDIADORES entre Deus e os homens, pois faz orações aos anjos e aos santos, para que intercedam por nós. Ora, isto é doutrina condenada pela bíblia que diz assim: só HA UM MEDIADOR ENTRE DEUS E OS HOMENS, QUE É JESUS CRISTO HOMEM (1Tm 2, 5). Além disto, S. Paulo na sua Epístola aos Colossenses previne os fiéis contra o culto dos anjos (Cl 2, 18). E o Apocalipse nos narra duas vezes que S. João quis adorar o anjo, mas o anjo expressamente se recusou dizendo: Vê não faças tal: eu sou servo contigo e com teus irmãos que têm o testemunho de Jesus. ADORA A DEUS (Ap 19, 10; 22, 9). Logo, só Deus deve ser cultuado; só jesus é Mediador e, portanto, é contrário às Escrituras o culto dos anjos e dos santos. E, não contente com isto, a Igreja presta culto às imagens, adora-as, praticando uma idolatria que é tão insistentemente condenada pela bíblia, a qual também proíbe fazer imagens e prestar-lhes culto, mesmo que não seja de adoração: Não farás para ti imagem de escultura [. . ..] Não as adorarás, NEM LHES DARÁS CULTO (Ex 20, 4-5). Logo, a Igreja está em completo desacordo com a BÍBLIA.

Primeiro responderemos às objeções sobre o culto dos anjos; depois falaremos sobre Jesus Mediador, o que requer uma exposição um pouco mais extensa. E nos artigos seguintes falaremos então sobre o culto das imagens.

E verão vocês, protestantes, como estão completamente enganados em todos estes pontos.

NAVARRO, Lúcio, Legítima interpretação da Bíblia

Continua.

 
 
 

“Et ecce intus eras et ego foris et ibi te quaerebam, et in ista formosa quae fecisti deformis irruebam…”

1. Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova… Tarde Te amei! Trinta anos estive longe de Deus. Mas, durante esse tempo, algo se movia dentro do meu coração… Eu era inquieto, alguém que buscava a felicidade, buscava algo que não achava… Mas Tu Te compadeceste de mim e tudo mudou, porque Tu me deixaste conhecer-Te. Entrei no meu íntimo sob a Tua Guia e consegui, porque Tu Te fizeste meu auxílio.

2. Tu estavas dentro de mim e eu fora… “Os homens saem para fazer passeios, a fim de admirar o alto dos montes, o ruído incessante dos mares, o belo e ininterrupto curso dos rios, os majestosos movimentos dos astros. E, no entanto, passam ao largo de si mesmos. Não se arriscam na aventura de um passeio interior”. Durante os anos de minha juventude, pus meu coração em coisas exteriores que só faziam me afastar cada vez mais d’Aquele a Quem meu coração, sem saber, desejava… Eis que estavas dentro e eu fora! Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Estavas comigo e não eu Contigo…

3. Mas Tu me chamaste, clamaste por mim e Teu grito rompeu a minha surdez… “Fizeste-me entrar em mim mesmo… Para não olhar para dentro de mim, eu tinha me escondido. Mas Tu me arrancaste do meu esconderijo e me puseste diante de mim mesmo, a fim de que eu enxergasse o indigno que era, o quão deformado, manchado e sujo eu estava”. Em meio à luta, recorri a meu grande amigo Alípio e lhe disse: “Os ignorantes nos arrebatam o céu e nós, com toda a nossa ciência, nos debatemos em nossa carne”. Assim me encontrava, chorando desconsolado, enquanto perguntava a mim mesmo quando deixaria de dizer “Amanhã, amanhã”… Foi então que escutei uma voz que vinha da casa vizinha… Uma voz que dizia: “Pega e lê. Pega e lê!”.

4. Brilhaste, resplandeceste sobre mim e afugentaste a minha cegueira. Então corri à Bíblia, abri-a e li o primeiro capítulo sobre o qual caiu o meu olhar. Pertencia à carta de São Paulo aos Romanos e dizia assim: “Não em orgias e bebedeiras, nem na devassidão e libertinagem, nem nas rixas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm 13,13s). Aquelas Palavras ressoaram dentro de mim. Pareciam escritas por uma pessoa que me conhecia, que sabia da minha vida.

5. Exalaste Teu Perfume e respirei. Agora suspiro por Ti, anseio por Ti! Deus… de Quem separar-se é morrer, de Quem aproximar-se é ressuscitar, com Quem habitar é viver. Deus… de Quem fugir é cair, a Quem voltar é levantar-se, em Quem apoiar-se é estar seguro. Deus… a Quem esquecer é perecer, a Quem buscar é renascer, a Quem conhecer é possuir. Foi assim que descobri a Deus e me dei conta de que, no fundo, era a Ele, mesmo sem saber, a Quem buscava ardentemente o meu coração.

6. Provei-Te, e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me, e agora ardo por Tua Paz. “Deus começa a habitar em ti quando tu começas a amá-Lo”. Vi dentro de mim a Luz Imutável, Forte e Brilhante! Quem conhece a Verdade conhece esta Luz. Ó Eterna Verdade! Verdadeira Caridade! Tu és o meu Deus! Por Ti suspiro dia e noite desde que Te conheci. E mostraste-me então Quem eras. E irradiaste sobre mim a Tua Força dando-me o Teu Amor!

7. E agora, Senhor, só amo a Ti! Só sigo a Ti! Só busco a Ti! Só ardo por Ti!…

8. Tarde te amei! Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu Te amei! Eis que estavas dentro, e eu, fora – e fora Te buscava, e me lançava, disforme e nada belo, perante a beleza de tudo e de todos que criaste. Estavas comigo, e eu não estava Contigo… Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Chamaste, clamaste por mim e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste, e a Tua Luz afugentou minha cegueira. Exalaste o Teu Perfume e, respirando-o, suspirei por Ti, Te desejei. Eu Te provei, Te saboreei e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me e agora ardo em desejos por Tua Paz!

Santo Agostinho, Confissões 10, 27-29

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