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Os irmãos Karamázov, o erro de Ivan Karamázov.

Sendo o último livro de Dostoiévski, os irmãos Karamázov ganhou status obra-prima do autor. No fundo, ele resume toda a criatividade do escritor, trazendo à tona as  grandes questões existenciais que o afligiram a vida inteira, com especial relevo para a flagrante degradação moral da humanidade afastada dos ideais cristãos.

A narrativa põe em foco três protagonistas irmãos, representantes dos mais diversos aspectos da realidade russa – o libertino Dmítri, o niilista Ivan e o sublime Aliocha, a fim de iluminar as profundezas insondáveis do coração entregue ao pecado, corrompido por dúvidas ou transbordante de amor.

Nessa resenha, falarei em específico do pensamento de Ivan Karamázov, que flertava com o pensamento ateu niilista e tinham grande diálogos existenciais com seu irmão cristão Aliocha. Foi das teorias de Ivan, que ficou conhecida aquela famosa expressão      ” Se Deus não existe, tudo é permitido.”

Eis um trecho do livro onde resume os pensamentos de Ivan:

” Há cinco dias, numa reunião em que se achavam sobretudo senhoras, declarou ele solenemente, no curso duma discussão, que nada no mundo obrigava as pessoas a amar seus semelhantes, que não existia nenhuma lei natural ordenando ao homem que amasse a humanidade; que se o amor havia reinado até o presente sobre a terra, era isto devido não à lei natural, mas unicamente à crença das pessoas em sua imortalidade.

Ivan Fiódorovitch acrescentou entre parênteses que nisso está toda a lei natural, de sorte que se destruís no homem a fé em sua imortalidade, não somente o amor secará nele, mas também a força de continuar a vida no mundo. Mais ainda, não haverá então nada de imoral, tudo será permitido, até mesmo a antropofagia. Não é tudo: terminou afirmando que para cada indivíduo — nós agora, por exemplo — que não acredita nem em Deus, nem em sua imortalidade, a lei moral da natureza devia imediatamente tornar-se o inverso absoluto da precedente lei religiosa; que o egoísmo, mesmo levado até a perversidade, devia não somente ser autorizado, mas reconhecido como a saída necessária, a mais razoável e quase a mais nobre.” 

O pensamento de Ivan esbarra num erro comum, não é a crença em Deus traz a existência da lei natural, mas a própria existência do Criador, independente da fé que nós temos nele. O fato de não crer em Deus, não o faz desaparecer. A crença ou não num legislador moral pouca importa nesse cenário, a lei moral existe e depende única e exclusivamente da existência do Legislador moral e não da fé do ser-humano. A revelação natural precede a fé. Ao enxergar o mundo pela ótica materialista, de fato não há razão para amar nosso semelhante, pois se somos meros animais jogados ao bel prazer das engrenagens evolutivas, o amor, a virtude, a moral e a ética seriam questões particulares, onde não haveria um padrão universal, mas simplesmente opiniões egoístas influenciadas por questões culturais. Um leão não é imoral ao matar os filhotes de seu adversário, mas um homem seria considerado repugnante se fizesse o mesmo. Mesmo para pessoas sem fé, a crença na lei natural é evidente pelo simples fato ela dizer que tal ato é injusto ou atroz. Então a revelação natural precede a fé e não o contrário. Se Deus não existisse, de fato “tudo seria permitido”, pois sem a menor noção do que seria justo ou imoral o ser humano não teria como frear seu egoísmo, sem a ideia de uma lei transcendente, as sociedades entrariam em colapso moral, onde estupros, assassinatos e torturas poderiam ser considerados apenas ferramentes de uso diário. O fato de uma lei natural perceptível ao ser humano, intrínseca a ele, em todas as culturas e tempos existir, leva a crença de um legislador moral universal, pois se o padrão não parte do ser humano, é transcendente a ele. Sendo transcendente, imutável e eterno, somente a existência de Deus pode explicar a causa da lei natural, então o niilista Ivan erra em sua concepção ao atribuir somente a fé na imortalidade a causa dessa lei.

Ramon Serrano

 
 
 
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Um dos grandes clássicos da literatura russa, Crime e Castigo, de Dostoiévski, aborda um tema muito comum ao cristianismo: a redenção.

O personagem principal, Rodion Raskólnikov, acaba cometendo um crime cruel contra uma pessoa que ele considera ser inútil e ruim, um verdadeiro peso na sociedade.  Ele se apoiava numa teoria para justificar o seu ato, dizendo que se homens como Napoleão mataram por uma causa maior e foram absolvidos pela história, por que ele também não seria?

Apesar de não demonstrar um arrependimento inicial, o personagem vai enlouquecendo e adoecendo aos poucos, sabendo que o que tinha feito merecia punição por ser errado, seu inconsciente era seu grande acusador. Apesar da polícia não o ter como suspeito, ele vai aos poucos dando pistas do crime de modo inconsciente. A culpa o consome silenciosamente.

Vemos que por mais que ele tentasse se justificar do crime racionalmente, algo transcendente a ele parecia o acusar e o impelir ao verdadeiro arrependimento, sua consciência não o deixava em paz. Ele mesmo se defendia e se acusava.

Mas o personagem encontra uma pessoa que o faz sentir o amor pela primeira vez na vida. Sônia, uma prostituta miserável, começa a mudar a maneira como Raskolnikov enxerga o mundo quando o faz ler a passagem bíblica sobre a ressurreição de Lázaro. Após isso, ele vai à polícia e se entrega. Mesmo após ser preso e condenado a trabalhos forçados, Raskolnikov só encontra paz na sua própria confissão perante Deus, e parece renascer em meio as trevas.

O personagem é o exemplo da natureza pecaminosa que temos, que apesar de tentar justificar seu pecado, a transcendência divina não o deixava escapar. Sabemos que pecamos e precisamos de perdão.

A redenção da alma humana, a verdadeira paz de espírito só são encontradas fora do próprio ser humano, transcendentes a ele. Assim como o homem não pode erguer a si mesmo puxando as próprias orelhas, a ajuda flui externamente, de fora para dentro.

Somente em Deus encontramos refúgio, somente um ser perfeito pode nos curar da imperfeição, somente na sua santidade e amor encontramos tudo aquilo que a alma anseia. Somente nele somos completos, pois Ele é tudo aquilo que nós não somos, Ele possui tudo aquilo que nós não possuímos, mas almejamos. Mas de tão distante Ele se fez presente, não satisfeito em ser o único auxílio do homem, Ele se fez homem, vencendo a morte e redimindo a humanidade com seu próprio sangue.

Assim como Jesus ressuscitou a Lázaro, Ele é o único capaz de dar vida nova a uma alma morta em seus próprios pecados.

Ramon Serrano

 
 
 

Versão áudio


O adjetivo católica é anterior ao nascimento da Igreja. Em grego, katholikos (καθολικός) quer dizer aquilo que é conforme o todo. Hoje em dia, a palavra equivalente seria holística. De uma forma geral, a tradução para a palavra católica é universal, contudo, o sentido dela é muito mais amplo.

O primeiro documento histórico que contém o adjetivo católica referindo-se à Igreja é uma carta de Santo Inácio de Antioquia à Igreja de Esmirna, escrita após a sua prisão, que o levou ao martírio em Roma:

“Segui ao Bispo, vós todos, como Jesus Cristo ao Pai. Segui ao presbítero como aos Apóstolos. Respeitai os diáconos como ao preceito de Deus. Ninguém ouse fazer sem o Bispo coisa alguma concernente à Igreja. Como válida só se tenha a Eucaristia celebrada sob a presidência do bispo ou de um delegado seu. A comunidade se reúne onde estiver o Bispo e onde está Jesus Cristo está a Igreja Católica. Sem a união do Bispo não é lícito Batizar nem celebrar a Eucaristia; só o que tiver a sua aprovação será do agrado de Deus e assim será firme e seguro o que fizerdes.”

Onde está Jesus Cristo está a Igreja Católica, segundo Santo Inácio. Mas, essa palavra era usada também em outro sentido, por exemplo, São Justino quando escreveu o Diálogo a Trifão, usou a mesma palavra para referir-se à ressurreição geral, de todas as pessoas. O termo se aplicava também à universalidade do número das pessoas, numa imagem da Igreja que acolhe a todos em seu seio.

A partir do século IV, com o surgimento de várias heresias, um outro sentido foi dado à palavra católica. São Cirilo de Jerusalém para comparar a fé ortodoxa com a fé herética, usa o termo fé católica. Ou seja, a verdadeira fé aceita a totalidade das verdades reveladas, enquanto que a fé herética escolhe aquilo em que quer acreditar, selecionando o que mais lhe convém e rejeitando os demais conteúdos da fé.

Desta forma, a palavra católica passou a designar não somente a Igreja que inclui todas as pessoas em todos os lugares, mas também a Igreja que inclui toda a fé, todos os sacramentos, todo o depósito e tesouro que foi deixado por Jesus Cristo e os Apóstolos. Com isso, a palavra foi sendo incorporada ao Credo como forma de distinguir a Igreja que guardava a fé inteira das seitas heréticas que estavam nascendo e que desprezavam o todo da fé.

Também houve o acréscimo da palavra romana ao adjetivo católica. Parece uma contradição dizer que a Igreja é católica e, ao mesmo tempo, romana. Contudo, não o é. Diante do protestantismo, o objetivo foi salientar que a Igreja somente é inteira, ou seja, católica, se o sucessor de Pedro, o Papa estiver incluído nela.

Assim, a integridade da fé abrange também o fato de que, seja no ocidente, seja no oriente, existe uma ligação com aquele que tem o primado e a jurisdição universal sobre a Igreja.

Só há uma Igreja de Cristo e essa Igreja é una, católica e apostólica. Faz parte da natureza da Igreja ser católica. Sendo assim, não se pode aceitar o significado confessional da palavra católico, pois ela não designa um ramo dos cristianismo. A fé cristã é católica por definição e não há outro verdadeiro cristianismo que não o católico. Por isso, como nas colunatas de Bernini na Praça de São Pedro, a Igreja abraça a fé na sua integridade e acolhe como mãe os católicos do mundo todo que vão em peregrinação até aquela praça, ver o Sucessor de Pedro.

 
 
 
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Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

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