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VATICANO, 20 Out. 08 / 09:32 am (ACI).- O Presidente da Pontifícia Academia para a Vida e Reitor da Universidade Lateranense de Roma, Dom Rino Fisichella, precisa que a Palavra de Deus é capaz de superar a ruptura que fez que em um mundo secularizado a fé e a razão se separem e exista em muitos a idéia de que a verdade é inalcançável.

Em sua conferência no Congresso que se celebra em Roma pelos 10 anos da Encíclica Fides et Ratio de João Paulo II, o Arcebispo assinala, lembrando que a encíclica de João Paulo II coloca no centro desta relação à Palavra de Deus, que “a criação, com o homem ao centro dela; o problema do mal e a liberdade, questionam o sentido das coisas de modo inevitável e exigem uma resposta. O cristianismo por sua parte coloca ao mistério da Encarnação como a chave interpretativa do enigma humano e da história”.

Depois de lembrar que a encíclica critica a atual “crise de sentido” e a conseqüente “fragmentação do saber”, Dom Fisichella lembra que “a razão é capaz de conhecer a verdade e a dimensão metafísica do saber. Em outras palavras, a encíclica propõe a via pela que se pode alcançar a superação do conhecimento relegado à esfera da experimentação ou das ciências empíricas: ‘Desejo só afirmar que a realidade e a verdade transcendem o fato e o empírico, e quero reivindicar a capacidade que o homem tem de conhecer esta dimensão transcendente e metafísica de modo real e certo, embora imperfeito e analógico'”.

Para o Arcebispo, cuja exposição foi publicada em L’Osservatore Romano, o desafio “que se deve cumprir é o de reencontrar a unidade do saber como condição não só para a filosofia e a teologia para que possam dialogar entre si sobre conteúdos autônomos e também recíprocos, senão sobre tudo para estar em capacidade de mostrar aos nossos contemporâneos a resposta da que têm necessidade insaciável: a do sentido”.

“Sem este horizonte de sentido da própria existência, cada um dos tentáculos do puro conhecimento empírico, experimental, faz que o homem se converta em incapaz de compreender plenamente seu mistério, sua vocação e o projeto de sua existência pessoal neste mundo e nesta história”.

Finalmente, o Reitor da Universidade Lateranense precisa então que “o sentido da existência se funda em uma unidade que abraça em si o que é peculiar do cristianismo: uma atenção a toda a pessoas, sem diminui-la em nada, em sua capacidade de poder-se abandonar a si mesmos em um ato de amor pleno e duradouro em quem é a fonte mesma do amor. O sentido de um percurso encontra seu fim na realização do que permitiu seu movimento inicial: o sentido para a luz do amor”.

 
 
 

VATICANO, 27 Jun. 07 / 12:00 am (

ACI).- Ao falar esta quarta-feira sobre a figura de São Cirilo de Jerusalém (315 – 387) durante a Audiência Geral número 100 de seu pontificado, o Papa Bento XVI assinalou que a fé cristã deve abranger todo o homem: corpo, alma e espírito.O Pontífice iniciou a audiência qualificando São Cirilo como um bispo “de grande cultura eclesiástica, centrada no estudo da Bíblia” e recordou que o Padre da Igreja foi ordenado bispo em 348 por Acácio, metropolitano de Cesárea da Palestina, partidário do arianismo, com o qual o Santo se enfrentou pouco depois “não só no âmbito doutrinal, mas também no jurisdicional porque Cirilo reivindicava a autonomia de sua sede em relação à metropolitana de Cesárea”.

São Cirilo foi exilado três vezes e somente no ano 378, depois da morte do imperador Valente voltou para sua sede, “restabelecendo a unidade e a paz entre os fiéis”. Do Santo se conservam vinte e quatro catequese, introduzidas por uma pré-catequese de acolhida.

A catequese era um momento importante, inserido no contexto da vida, em particular litúrgica, da comunidade cristã onde tinha lugar a gestação do futuro fiel, acompanhada pela oração e o testemunho dos irmãos”, explicou o Santo Padre.

Não era uma catequese só intelectual, mas sim um caminho para aprender a viver na comunidade cristã”, adicionou.

Em conjunto “as homilias de Cirilo constituem uma catequese sistemática e realista sobre o renascimento do cristão mediante o Batismo“, disse também.

Bento XVI afirmou em seguida que em sua obra, São Cirilo através de “uma relação sinfônica entre os dois testamentos” chega “a Cristo, centro do universo“; na catequese moral convida a “transformar os comportamentos pagãos” para seguir “a nova vida em Cristo”, enquanto na catequese mistagógica, leva os neobatizados a “descobrir nos ritos os mistérios escondidos”.

O mistério que terá que aferrar é o plano de Deus, que se realiza através das ações salvíficas de Cristo na Igreja. Por sua vez, à dimensão mistagógica se acompanhada dos símbolos que expressam a vivência espiritual que contêm”, destacou o Papa.

“Por isso é uma catequese integral que implica o corpo, a alma e o espírito e segue sendo emblemática para a formação catequética dos cristãos de hoje. Peçamos ao Senhor que nos ajude a aprender um cristianismo que realmente abranja toda nossa existência e nos faça testemunhas acreditáveis de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem”, concluiu.

 
 
 

«Uma profecia», reconhece Bento XVI

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 4 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos a mensagem que Bento XVI enviou ao arcebispo de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino, Dom Domenico Sorrentino, por ocasião da celebração do vigésimo aniversário do Encontro Inter-religioso de Oração pela Paz, que acontece em Assis de 4 a 5 de setembro.

Ao venerado irmão Dom Domenico Sorrentino Bispo de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino

Celebra-se este ano o vigésimo aniversário do Encontro Inter-religioso de Oração pela Paz, convocado por meu venerado predecessor João Paulo II, em 27 de outubro de 1986, na cidade de Assis. Ele não só convidou para aquele encontro os cristãos das diferentes confissões, mas também os expoentes das diferentes religiões. A iniciativa teve um amplo eco na opinião pública: foi uma mensagem vibrante a favor da paz e se converteu em um acontecimento que deixou uma marca na história de nosso tempo. Compreende-se, portanto, que a lembrança do que então sucedeu continue suscitando iniciativas de reflexão e de compromisso. Algumas foram organizadas precisamente em Assis, por ocasião do vigésimo aniversário daquele acontecimento. Penso na celebração, organizada em colaboração com essa diocese, pela Comunidade de Santo Egídio, seguindo os passos de análogos encontros realizados anualmente pela mesma. Nos dias do aniversário se celebrará também um Congresso organizado pelo Instituto Teológico de Assis, no qual se encontrarão as Igrejas particulares dessa região em torno da Eucaristia celebrada pelos bispos da Úmbria na Basílica de São Francisco. Por último, o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso organizará um encontro de diálogo, de oração e de formação na paz para jovens católicos e de outras religiões.

Estas iniciativas, cada uma com seu caráter específico, sublinham o valor da intuição que João Paulo II teve e mostram sua atualidade à luz dos acontecimentos ocorridos nestes vinte anos e da situação que a humanidade atravessa nestes momentos. O acontecimento mais significativo neste espaço de tempo foi, sem dúvida, a queda, no Leste da Europa, dos regimes de inspiração comunista. Com esta, terminou a «guerra fria», que havia gerado aterradores arsenais de armas e de exércitos preparados para uma guerra total. Foi um momento de geral esperança de paz, que levou muitos a sonhar com um mundo diferente, no qual as relações entre os povos se desenvolveriam distantes do pesadelo da guerra, e o processo de «globalização» aconteceria em um ambiente de pacífica confrontação entre povos e culturas, no marco do direito internacional compartilhado, inspirado no respeito das exigências da verdade, da justiça, da solidariedade. Infelizmente, este sonho de paz não se tornou realidade. O terceiro milênio começou com cenários de terrorismo e de violência que não parecem desvanecer-se. Também o fato de que os conflitos armados se desenvolvem sobretudo com o pano de fundo de tensões geopolíticas existentes em muitas regiões pode dar a impressão de que não só as diferenças culturais, mas também as diferenças religiosas são motivo de instabilidade ou de ameaça para as perspectivas de paz.

Precisamente desde este ponto de vista, a iniciativa promovida há vinte anos por João Paulo II se converte em uma profecia. Seu convite aos líderes das religiões mundiais a dar um testemunho conjunto de paz serviu para declarar sem possibilidade de equívocos que a religião só pode ser promotora da paz. Como ensinou o Concílio Vaticano II, na declaração «Nostra Aetate» sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs, «não podemos invocar a Deus, Pai de todos, se nos negamos a conduzir-nos fraternalmente com alguns homens, criados à imagem de Deus» (número 5). Apesar das diferenças que caracterizam os diferentes caminhos religiosos, o reconhecimento da existência de Deus, ao que os homens podem chegar inclusive baseando-se unicamente na experiência da criação (Cf. Romanos 1, 20), disporá necessariamente os crentes a considerar os demais seres humanos como irmãos. A ninguém é lícito, portanto, servir-se da diferença religiosa como pressuposto para uma atitude beligerante para com os demais seres humanos.

Poder-se-á objetar que a história conhece o triste fenômeno das guerras de religião. Sabemos, contudo, que semelhantes manifestações de violência não podem atribuir-se à religião enquanto tal, mas aos limites culturais com que se vive e se desenvolve no tempo. E agora, quando o sentido religioso alcançar sua maturidade, gera no crente a percepção de que a fé em Deus, Criador do universo e Pai de todos, tem de promover necessariamente relações de fraternidade universal entre os homens. De fato, registram-se testemunhos do íntimo laço que existe entre a relação com Deus e a ética do amor em todas as grandes tradições religiosas. Nós, os cristãos, sentimo-nos confirmados neste sentido e ulteriormente iluminados pela Palavra de Deus. Já o Antigo Testamento manifesta o amor de Deus por todos os povos que Ele, na aliança feita com Noé, reúne em um grande abraço, simbolizado pelo «arco nas nuvens» (Gêneses 9, 13.14.16) que, segundo as palavras dos profetas, pretende congregar em uma só família universal (cf. Isaías 2,2ss; 42, 6; 66, 18-21; Jeremias 4, 2; Salmo 47). Depois, no Novo Testamento, a revelação deste desígnio universal de amor culmina no mistério pascal, no qual o Filho de Deus encarnado, com um surpreendente ato de solidariedade salvífica, se oferece em sacrifício na cruz por toda a humanidade. Deus mostra deste modo que sua natureza é o Amor. É o que eu quis sublinhar em minha primeira encíclica, que começa precisamente com as palavras «Deus caritas est» (1 João 4, 7). Esta afirmação da Escritura não só ilumina o mistério de Deus, mas ilumina também as relações entre os homens, todos eles chamados a viver segundo o mandamento do amor.

O encontro promovido em Assis pelo servo de Deus João Paulo II sublinhou o valor da oração na construção da paz. Somos conscientes de quão difícil é o caminho para este bem fundamental e às vezes parece humanamente impossível. A paz é um valor no qual confluem tantos componentes. Para construí-la, são importantes caminhos de caráter cultural, político, econômico. Agora, em primeiro lugar, a paz tem de ser construída nos corações. Lá é onde se desenvolvem os sentimentos que podem alentá-la ou, pelo contrário, ameaçá-la, debilitá-la, sufocá-la. O coração do homem, de fato, é o lugar no qual Deus atua. Portanto, junto à dimensão «horizontal» das relações com os demais homens, é de importância fundamental a dimensão «vertical» da relação de cada um com Deus, em quem tudo encontra seu fundamento. Isto é precisamente o que quis recordar com força ao mundo o Papa João Paulo II, com a iniciativa de 1986. Pediu uma oração autêntica, que envolvesse toda a existência. Quis, por este motivo, que estivesse acompanhada pelo jejum e que fosse expressada com a peregrinação, símbolo do caminho para o encontro com Deus. E explicou: «A oração comporta da nossa parte a conversão do coração» («Insegnamenti di Giovanni Paolo II», 1986, vol. II, p. 1253). Entre os aspectos caracterizadores do encontro de 1986, deve-se sublinhar que este valor da oração na construção da paz foi testemunhado por expoentes de diferentes tradições religiosas, e isso não sucedeu na distância, mas no contexto de um encontro. Deste modo, os orantes das diferentes religiões puderam mostrar, com a linguagem do testemunho, que a oração não divide, mas une, e que constitui um elemento determinante para uma eficaz pedagogia da paz, baseada na amizade, na acolhida recíproca, no diálogo entre os homens de diferentes culturas e religiões. Temos mais necessidade que nunca, especialmente se prestamos atenção às novas gerações. Muitos jovens, nas zonas do mundo caracterizadas por conflitos, são educados em sentimentos de ódio e de vingança, em contextos ideológicos nos quais se cultivam as sementes de antigos rancores e se preparam os espíritos para futuras violências. É necessário abater estas paliçadas e favorecer o encontro. Alegro-me pelo fato de que as iniciativas programadas neste ano em Assis vão nesta direção e por que o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso tenha pensado em sua aplicação particularmente aos jovens.

Para não desviar o sentido do que João Paulo II quis realizar em 1986, e que se qualificou em uma expressão sua como «espírito de Assis», é importante não esquecer a atenção que então se pôs para que o encontro inter-religioso de oração não se prestasse a interpretações sincretistas, fundadas em uma concepção relativista. Precisamente por este motivo, desde um primeiro momento, João Paulo II declarou: «O fato de que tenhamos vindo aqui não implica nenhuma intenção de buscar um consenso religioso entre nós ou de negociar nossas convicções de fé. Quer dizer que as religiões podem reconciliar-se no âmbito de um compromisso comum em um projeto terreno que supera todas elas. E tampouco é uma concessão ao relativismo nas crenças religiosas…» («Insegnamenti», cit., p. 1252). Desejo confirmar este princípio, que constitui o pressuposto desse diálogo entre as religiões que auspiciou há quarenta anos o Concílio Vaticano II na Declaração sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs (cf. «Nostra aetate», 2). Aproveito com prazer a ocasião para saudar os expoentes das demais religiões que participam das comemorações de Assis. Como nós, os cristãos, também eles sabem que na oração se pode fazer uma experiência especial de Deus e tirar estímulos eficazes para a entrega à causa da paz. Neste sentido, também é um dever evitar confusões. Por isso, quando nos encontramos juntos para rezar pela paz, é necessário que a oração se desenvolva segundo esses caminhos diferentes que são próprios das diferentes religiões. Esta foi a escolha que se fez em 1986 e esta escolha não pode deixar se continuar sendo válida também hoje. A convergência da diversidade não deve dar a impressão de ser uma concessão a esse relativismo que nega o sentido próprio da verdade e a possibilidade de alcançá-la.

João Paulo II quis escolher para sua iniciativa audaz e profética o sugestivo cenário dessa cidade de Assis, universalmente conhecida pela figura de São Francisco. O «pobrezinho» encarnou de maneira exemplar a bem-aventurança proclamada por Jesus no Evangelho: «Bem-aventurados os que trabalham pela paz, porque eles serão chamados filhos de Deus» (Mateus 5, 9). O testemunho que deu em sua época faz dele um ponto de referência natural para quem cultiva também hoje o ideal da paz, do respeito da natureza, do diálogo entre as pessoas, entre as religiões e as culturas. Agora, é importante recordar, se não se quer trair sua mensagem, que a escolha radical de Cristo lhe ofereceu a chave para compreender a fraternidade à qual todos os homens estão chamados, e na qual também participam em certo sentido as criaturas inanimadas — desde o «irmão sol» até «a irmã lua». Quero recordar, portanto, que neste vigésimo aniversário da iniciativa de oração pela paz de João Paulo II se celebra também o oitavo centenário da conversão de São Francisco. As duas comemorações se iluminam reciprocamente. Nas palavras que o Crucifixo de São Damiã lhe dirigiu — «Vai, repara minha casa» –, em sua escolha da pobreza radical, no beijo do leproso com o qual expressou sua nova capacidade de ver e de amar a Cristo nos irmãos que sofrem, começava essa aventura humana e cristã que continua fascinando tantos homens de nosso tempo e que faz que essa cidade seja meta de inumeráveis peregrinos.

Confio-lhe, venerado irmão, pastor dessa Igreja de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino, a tarefa de dar a conhecer minhas reflexões aos participantes nas diferentes celebrações previstas para comemorar o vigésimo aniversário daquele histórico acontecimento, o Encontro Inter-religioso de 27 de outubro de 1986. Transmita a todos minha afetuosa saudação, enviando-lhes minha bênção, que vai acompanhada do desejo e a oração do pobrezinho de Assis: «A paz do Senhor seja convosco!».

Castel Gandolfo, 2 de setembro de 2006

BENEDICTUS P.P. XVI

 
 
 
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