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VIKINGS E MISSIONÁRIOS NA AMÉRICA ANTES DE COLOMBO

Os vikings exploraram e colonizaram regiões diversas do Atlântico Norte, que podemos verificar a ilha da Groenlândia, Terra Nova e Labrador (atual Canadá) e possivelmente os Estados Unidos a partir do século X (WAHLGREN, Erik. Destino, ed. Los Vikingos y América. 1990. Barcelona)

Sobre à questão de um domínio da Idade Média, que é o da exploração e dos conhecimentos geográficos, a atividade não foi pequena, nem é insignificante comparada com às descobertas da renascença. “Poder-se-á, aliás, ter a certeza de que a América não tenha sido, se não «descoberta», pelo menos visitada, já desde essa época? “ É o que verificamos nas obras e documentos da Idade Média de alguns grandes e renomados Historiadores. (…)“Um fato é certo, é que os Vikings tinham atravessado o Atlântico Norte e estabelecido relações regulares com a Groenlândia.”(…) “Fazer remontar a época das grandes viagens ao Renascimento é, mais do que uma injustiça, erro.” (Pernoud, Luz sobre a Idade Média).

A partir dessa primeira análise vemos que, a Idade Média ocidental estava longe de ser um momento de estagnação cultural, exploratória e econômica, isto poderemos observar na próxima citação, e sempre às missões católicas estavam na linha de frente dessas descobertas de novas regiões, pois o ímpeto de proclamar o Evangelho a todos os povos deu o combustível necessário para dar ânimo para tais missões.

Seguindo a narrativa de Pernoud (p.157), ‘Ai se estabeleceram Islandeses; aí se instituiu um bispado e, em 1327¹, os Gronelandeses responderam ao apelo à cruzada do papa João XXII, enviando-lhe, como participação nas despesas, um carregamento peles de focas e de dentes de morsas. Não é impossível que tenham, a partir dessa época, explorado uma parte do Canadá e remontado o São Lourenço, onde Jacques Cartier haveria de descobrir com surpresa, alguns séculos mais tarde, que os índios faziam o sinal da cruz e declaravam que o tinham aprendido dos seus antepassados. Nada disto é, aliás, tão espantoso se considerarmos que a Idade Média se encontrava, por intermédio dos Árabes, em relações pelo menos indiretas com a Índia e a China e beneficia igualmente dos seus conhecimentos astronômicos e geográficos. Um planisfério datado de 1413 traçado por Mecia de Viladestes e conservado na Biblioteca Nacional, dá a nomenclatura e a situação exata das e conservado na estradas e dos oásis saarianos, em toda a extensão do deserto e até Tombuctu. Nesse imenso espaço que, até o século XIX, imenso espaço que, até meado iria permanecer em branco nos nossos mapas, um viajante da Idade Média pode preparar com precisão o seu itinerário e, do Atlas ao Niger.”

Uma outra referência é o Gesta Hammaburgensis ecclesiae pontificum (latim medieval para “Ações dos Bispos de Hamburgo”) é um tratado histórico escrito “entre 1073 e 1076 por Adão de Bremen, que fez acréscimos (scholia) ao texto até sua morte (possivelmente 1081; antes de 1085) . É uma das fontes mais importantes da história medieval do norte da Europa e a mais antiga fonte textual que relata a descoberta do litoral da América do Norte. Abrange todo o período conhecido como Era Viking, desde a fundação do bispado sob Willehad em 788 até o governo do príncipe-bispo Adalbert no tempo de Adão (1043-1072). O texto dá um enfoque na história da diocese de Hamburgo-Bremen e de seus bispos. Como os bispos tinham jurisdição sobre as missões na Escandinávia, também fornece um relatório do paganismo nórdico do período. A existência da obra foi esquecida no período medieval posterior, até ser redescoberta no final do século XVI na biblioteca da Abadia de Sorø, na Dinamarca. Adam menciona Vinland (Winland) no capítulo 39 do livro 4 de seus atos, Anselm von (1917). Schmeidler, Bernhard (ed.). Hamburgische Kirehengeschichte [História de Hamburgo] (em alemão). Hannover e Leipzig, Alemanha: Hahnsche. pp. 275-276. Das pp. 275-276: “39. Além disso, em uma ilha recitada por muitos fatores encontrados no oceano, chamada Winland(…), uma curiosidade é a forma como os navegadores entendiam o mar, mesmo sendo grandes navegadores, entende-se que eles acreditavam numa Terra plana, (…)”Mas um dia navegando além de Thule, ele diz, o mar está congelado. Harald [ou seja, Harald Hardrada (ca. 1015-1066), rei da Noruega]], líder dos mais empreendedores” os normandos, recentemente tentaram [ir] a este lugar. [Foi ele] quem – a extensão do oceano do norte tendo sido investigada pelo [navio] – foi inicialmente, retirando-se das neblinas antes da borda no fim do mundo, mal escapou com segurança ao inverter o vasto abismo do inferno [a] trilha.” Esta é a visão dos vikings.”

Verificasse também na obra de (P. H. Sawyer KINGS and VIKINGS Scandinavia and Europe AD 700-1100), uma vasta documentação em torno da ida dos vikings e dos missionários Católicos até a Groelândia. “O fato de o marfim romano ter sido reutilizado na época carolíngia mostra que o marfim escasso da morsa era um substituto menos fino, mas satisfatório, e era usado para alguns objetos de prestígio, como é o caso do século VIII de Gandersheim, 1972. n. 2) ainda era usado para grandes obras de arte que antecipavam o crucifixo Bury, até o século XII.

O marfim da morsa só foi encontrado no Ártico e, antes da colonização da Groenlândia, os europeus ocidentais só podiam obtê-lo no norte da Noruega. O relato de Óttar sobre o norte da Noruega confirma a importância da caça à morsa, pois, quando ele viajou pelo Cabo Norte, explicou, em parte, fazia um levantamento da terra: mas principalmente para as morsas, porque elas têm marfim muito fino em suas presas [ trouxeram algumas dessas presas ao rei Alfred] e a pele delas é excelente para cordas de navios. A morsa “) é muito menor que as outras baleias, não tendo mais de sete metros de comprimento.”

Na obra de Bernardo Hamilton “espalhando o Evangelho na Idade média”, Hamilton que é professor de história das cruzadas na Universidade de Nottingham nos aponta o seguinte sobre a Era dos Vikings: “A Europa católica mostrou-se resistente a ataques de novos inimigos nos anos 800-1000 – os vikings do norte, os magiares do leste e os muçulmanos do norte da África do sul. Em parte como resultado do casamento entre os invasores e os cristãos ocidentais, a religião católica se espalhou por toda a Escandinávia e também para as novas terras que os vikings descobriram e se estabeleceram no Atlântico Norte, notadamente na Islândia e na Groenlândia, onde um bispado foi estabelecido em 1112. Da mesma forma, os magiares, juntamente com os outros povos da Europa central, como os boêmios e os poloneses, foram convertidos ao catolicismo em c.1000. A Sicília, a Península Ibérica e as Ilhas Baleares foram recapturadas dos muçulmanos em uma série de guerras apoiadas pelo papado, que começou no século XI, mas só terminou quando Granada caiu para os reis católicos da Espanha em 1492. Embora houvesse comunidades judaicas em algumas cidades e grupos de muçulmanos em algumas regiões fronteiriças do sul, em 1050 a grande maioria dos habitantes da Europa Ocidental em 1050 eram membros da Igreja Católica. Pequenos movimentos dissidentes se desenvolveram durante o século XI e uma tradição de dissidência continuou por todo o resto da Idade Média, mas seu impacto foi limitado, exceto em algumas áreas como o Languedoc do século XIII e a Boêmia do século XV. Nos primeiros séculos medievais, a igreja ocidental era a guardiã da alfabetização em um mundo bárbaro e inevitavelmente se envolveu no trabalho do governo secular, uma vez que os governantes contavam com o clero para elaborar leis e manter registros. A Igreja adorava em latim e preservava a tradição clássica de aprendizado em algumas de suas escolas monásticas e catedrais. A civilização católica ocidental atingiu a maturidade nos séculos XII e XIII, quando seu crescimento da bolsa de estudos encontrou expressão institucional no surgimento de universidades onde os estudantes eram treinados para argumentar em termos da lógica aristotélica. Com o tempo, isso levou à reformulação da doutrina cristã por teólogos como São Tomás de Aquino, que procuraram demonstrar que não havia conflito necessário entre a razão humana e a revelação divina.” E para finalizar citamos dois grandes historiadores (Le Goff Jean Claude Schimidt, p.108) “A Idade Média abre-se com a emergência de novas rotas e novas marinhas: bretões, anglos, frísios e escandinavos dilatam o espaço do mar do Norte e no báltico, até a Islândia e a Groelândia.”

Para leitura adicional: P. Brown, A Ascensão da Cristandade Ocidental, Triunfo e Diversidade 200-1000 (Blackwells, 1996); JM Hussey, Igreja Ortodoxa no Império Bizantino (Oxford UP, 1986); I. Gillman e HJ Klimkeit, cristãos na Ásia antes de 1500 (Curzon Press, 1999); G. Gerster, Igrejas em Rock: Arte Cristã Primitiva na Etiópia (Phaidon 1970); J. Farnell, História da Igreja Russa até 1448 (Longman, 1995).

1- حشاشين Ḥaxāxīn ou باطنیان Bāteniān) foi uma seita fundada no século XI por Haçane Saba, conhecido como O Velho da Montanha. Seu fundador criou a seita com o objetivo de difundir nova corrente do ismaelismo, que ele mesmo havia criado. Sua sede era o castelo de Alamute, no Iram. A fama do grupo se alastrou até o mundo cristão, que ficou surpreso com a fidelidade de seus membros, mais até que com sua ferocidade. Seu líder possuía cerca de 60 mil seguidores, segundo alguns relatos da época especulavam. Para Bernard Lewis, autor de Os Assassinos, haveria um evidente paralelo entre essa seita e o comportamento extremista islâmico, assim como o ataque suicida como demonstração de fé. O ismaelismo é uma das correntes do esoterismo islâmico, que se enquadra no Islão Xiita. Bernard Hamilton | Publicado no History Today Volume 53 Edição 1 de janeiro de 2003 Bernhard Schmeidler (ed.): Scriptores rerum Germanicarum in usum scholarum separatim editi 2: Adam von Bremen, Hamburgische Kirchengeschichte (Magistri Adam Bremensis Gesta Hammaburgensis ecclesiae pontificum). Hanover, 1917 ( Monumenta Germaniae Historica , digitalizada ) ed. Waitz (1876) Gesta Hammaburgensis Pontificum Liber I (Wikisource) (phys.msu.ru) Georg Heinrich Pertz et al. (ed.): Scriptores (in Folio) 7: Chronica et gesta aevi Salici. Hanover, 1846, pp. 267–389 ( Monumenta Germaniae Historica , 267 digitalizado ) P. H. Sawyer KINGS and VIKINGS Scandinavia and Europe AD 700-1100) Jacques Le Goff, Jean-Claude Schimidt; Dicionário analítico do Ocidente medieval, volume 2. Régine Pernoud, Luz sobre a Idade Média.

 
 
 

A CRIAÇÃO DO UNIVERSO

PARTE II

SÍNODO DE CONSTANTINOPLA (543)

Parecia não ter fim a longa história das controvérsias entre origenistas e antiorigenistas. Os primeiros se tornaram fortes em alguns mosteiros da Palestina e uns e outros chegaram a excessos muito pouco edificantes. O Imperador Justiniano compôs um tratado em forma de edito (543), com nove anátemas contra certas doutrinas origenistas¹ que limitavam a potência criadora de Deus, afirmavam a preexistência das almas e preconizavam a restauração universal [ἀποκαταστασις παμτον]². Estes anátemas de Justiniano foram confirmados por um sínodo particular de Constantinopla (543), realizado sob a presidência de Mennas, e, ao que parece, foram aprovados também pelo Papa Virgílio³. O V Concílio Ecumênico (II de Constantinopla, ano 553) os inseriu em suas atas

8. Se alguém disser (ξι τιςλ εγεοι) ou pensar que o poder de Deus é limitado e que, na criação, só fez o que pode [e pensar; ou que as criaturas são coeternas com Deus] – seja anátema (αναθεμαεστω)

I Concilio de Braga

(1.5.561)

O Concilio de Braga (561) supòe várias medidas tomadas pelos bispos hispânicos, já na época de São Leão Magno, para extirpar os últimos resquícios do priscilianismo na Península Ibérica. A instâncias do próprio santo Pontífice, realizou-se um concílio em lugar não identificado da Galiza (447), ou talvez em Toledo. Seu símbolo, seguido de 18 cânones, foi lido em Braga. Os 17 anátemas acrescidos pelos bispos reunidos mostram a preocupação que a Igreja sempre teve pela matéria e, em especial, pelo corpo humano, como obra de Deus.

5. Se alguém crer que as almas humanas ou os anjos provém [existisse] da substância de Deus, como amani e prisciliano — seja anátemas l.

6-se alguém disser que as almas pecaram primeiro na morada celestial e por isso foram lançadas em corpos humanos na terra, como afirmou Prisciliano – seja anátema.

7. Se alguém disser que o diabo não foi primeiro um anjo bom criado (factum] por Deus, e que sua natureza não foi obra de Deus, mas disser que ele emergiu do caos e das trevas, e que ninguém o criou, mas que ele próprio é o principio e a substância do mal, como disseram Mani e Prisciliano — seja anátema.

11. Se alguém condenar o casamento conjugal e abominar a procriação dos filhos, como o fizeram Mani e Prisciliano — seja anátema.

12. Se alguém disser que a formação do corpo humano é uma invenção do diabo e que a concepção no seio materno toma forma por obra do demônio, e que por causa disso não crê na ressurreição da carne, como disseram Mani e Prisciliano – seja anátema.

13. Se alguém disser que a criação de todos os corpos [universae carnis] não é obra de Deus, mas dos anjos malignos, como disse Prisciliano — seja anátema.

4) Carta Eius exemplo de Inocêncio III

(18.12.1208)

É ainda muito obscura a origem da seita dos valdenses†. Ao que parece, foi de início um movimento de espiritualismo sincero, nascido entre pessoas incultas. Sem suficiente formação doutrinária e caminhando à margem da Hierarquia da Igreja, logo se transformaram em ascetas

ambulantes bem aceitos pela gente simples. O iniciador do então foi Pierre Valdes, comerciante de Lyon, que convertido num domingo de 1173, seguiu, ao pé da letra, o conselho de Jesus: “Vende o que tens e dá-o aos pobres”

(MT 19.21) Alexandre III louvou o espirito do movimento no III Concílio de Latrão (1179), mas proibiu Valdes de pregar sem a aprovação e vigilância dos bispos.

Desse tempo é uma profissão de Fé de Valdès, da mais a ortodoxia, muito semelhante à que Inocêncio III enviou ao arcebispo de Tarragona. O mal foi que aqueles que tinham sido chamados a serem excelentes precursores de São Francisco de Assis não se sujeitaram à obediência ao Papa e, carentes de uma base teológica firme, facilmente assimilaram doutrinas de origem maniqueista e donatista, que estavam em moda, e foram por isso condenados por Lúcio III, no Concilio de Verona (1184).

Pela fórmula de Fé proposta por Inocêncio III aos valdenses podemos deduzir que eles pelo menos simpatizavam com a tese maniqueista dos dois princípios e com o donatismo, que exigia a santidade do ministro para a validade dos sacramentos. Parece que admitiam a validade da missa celebrada por um cristão não ordenado, negavam o Batismo das crianças e a liceidade de qualquer juramento. Cultivavam certamente um exacerbado anticlericalismo.

Um dos seguidores de Valdes foi Durand de Huesca, que, voltando à ortodoxia em Pamiers (1207), fundou, com seis companheiros, uma congregação para atrair valdenses à Fé católica. Inocêncio III enviou ao arcebispo de Tarragona a profissão de Fé que deveria ser subscrita por Durando e seus companheiros. A mesma fórmula a repetida em 1210 em carta ao mesmo arcebispo e aos seus sufragâneos; um mês depois é reiterada a proposta, de forma mais abreviada, a um outro convertido, Bernardo Primo

“Saibam todos que eu, Durando de Huesca Valdesius) e todos os nossos meus confrades (..) cremos de coração, entendemos pela Fé, professamos com a boca e, em claros termos, afirmamos [corde credimus, fide intelligimus, ore confitemur, et simplicibus verbis affirmamus] (.) que o Pai e o Filho e o Espírito Santo, o único Deus de que falamos, é o Criador, O que faz, O que governa, O que dispõe todas as coisas, materiais e espirituais, visíveis e invisíveis (…). Cremos que o único Autor do Novo e do Antigo Testamento é Deus, o Qual, permanecendo, como dissemos, na Trindade, criou tudo do nada (…).”

Cremos que o diabo se tornou mau não pelo estado natural [non per condicionem], mas por sua própria determinação (per arbitrium).

19. Cf. J. A. DE ALDAMA, “El simbolo Toledano I”: Analecta Gregoriana 7, Roma, 19435363

20. Bibliografia: J. MADOZ, “Arrianismo y Priscilianismo en Galicia”: Bracara Augusta 81957887 ; A. DA COSTA, “Data do I

Concílio de Braga (…) Erros que originaram a diversidade de 967166175

1- Segundo F. PRAT, (Origène: le théologien et l’exigète, Paris, 1907, 50ss), estes anátemas não representam o pensamento de Orígenes, mas as extravagantes ilações dos monges palestinenses.

2-Apokatástasis pánton.

3-Assim parece depreender-se do testemunho de CASSIODORO, De institutione divinarum litterarum

 
 
 

A CRIAÇÃO DO UNIVERSO DEUS CRIOU O MAL?

A mais antiga tradição cristà, expressa nos símbolos do Batismo, contém uma profissão de Fé trinitária muito simples, na qual se confessa a Fé no Pai Todo-Poderoso (Pantocrator). Assim, temos a recensão etiópica da Epistola Apostolorum (160-170) e o papiro de Dêr-Balyzeh do século III, cujo símbolo é, sem dúvida, muito anterior.

Nos símbolos posteriores, explicita-se que Deus é Criador de “todas as coisas, as visíveis e as invisíveis”. Tais são o Símbolo de Eusébio, o de Epifânio e o de Cirilo de Jerusalém, que substitui “Criador de todas as coisas” por “Criador do céu e da terra”(Denzinger 41). Estes símbolos, redigidos no século IV, devem ser muito anteriores: Eusébio, por exemplo, diz que foi batizado com a fórmula que ele proprio enviou a Nicéia (325) e de que se serviu o concilio para compor a sua1¹

As infiltrações de doutrinas estranhas, que não estiveram de todo ausentes nas Igrejas foram denunciadas em documentos mais ou menos solenes do Magistério, conforme a extensão e gravidade do fenômeno:

a) Primeiro foram os priscilianistas, que assumiram teses maniqueístas sobre os “dois princípios eternos” do bem (Deus), e do mal (o diabo). Tiradas provavelmente das cosmogonias babilônicas, foram estas teses difundidas por Mani, no século III, e penetraram na Espanha com o movimento priscilianista na segunda metade do século IV. Certas práticas dos priscilianistas foram condenadas no Concilio de Saragoça (380) e no de Bordeaux (384).

Cidade em que se refugiou Prisciliano. No ano seguinte, foi o herege julgado pelo Imperador Máximo, a quem apelara, e condenado à morte com seis de seus seguidores (Treviri, 385). Morto o imperador (388), armou-se uma reação a favor de Prisciliano, e suas doutrinas continuaram dividindo o clero espanhol. O Concílio de Toledo (ano 400) conseguiu trazer à obediência alguns bispos, sem que a seita desaparecesse, como prova o opúsculo de Pastor, bispo de Palencia, contra o priscilianismo”, escrito em meados do século V.

Não é fácil discernir a posição de Prisciliano da de seus seguidores, que certamente cometeram graves erros trinitários, maniqueístas e de tendência montanista, ainda que não esteja demonstrada dependência direta de Montano ou de Mani”. O certo é que os onze opúsculos encontrados na Biblioteca da Universidade de Würzburg e atribuídos a Prisciliano têm passagens ambiguas, que atribuídos podem perfeitamente ser interpretadas em sentido sabeliano e maniqueista.²

Que a seita avançasse nesta direção, fica evidente pelo teor dos cânones condenatórios do Concílio de Braga (561 ou 563), que foram o golpe mortal contra a heresia.

Depois dos priscilianistas, foram os valdenses e albigenses — membros de movimentos espiritualistas na Idade Média — que fizeram renascer certo maniqueismo, com sua concepção pessimista da matéria, a qual diziam derivada de um princípio oposto a Deus. O Concilio de Latrão, de 1215, visa-os em sua profissão de Fé, embora sem mencioná-los. Em 1442, o Concílio de Florença ainda teve de se ocupar do maniqueísmo dos jacobitas, que faziam diferença entre o Deus do Antigo e o do Novo Testamento.

Nos tempos modernos não é mais o perigo do dualismo maniqueísta que atenta contra a pureza da doutrina católica, mas o monismo panteista (Deus é o mundo em evolução), ou materialista (a matéria é a única realidade absoluta). Em ambos os casos são negados o fato da criação e a transcendência de Deus. Muito atentos aos erros modernos, opuseram-se vigorosamente a essas teorias o Syllabus de Pio IX e o Concilio Vaticano I.

1) Carta Quam laudabiliter de S. Leão Magno (21.7.447)

E a resposta (que andou perdida) uma carta (desaparecida) de Turibio, bispo de Astorga. K. Künstle duvida da autenticidade do documento e o situa como redigido depois do Concílio de Braga, do qual utiliza os anátemas : KK 117-118.

A sexta nota mostra que eles os (priscilianistas) afirmam que o diabo nunca foi bom e que nem sua natureza é obra de Deus, mas que emergiu do caos e das trevas, ou seja, que ele não foi criado, sendo antes o principio e substância de todo mal. A verdadeira Fé, ao contrário (…), professa que é boa substância de todas as criaturas, sejam espirituais, sejam corporais, e que não existe nenhuma natureza má [mali nullam esse naturam] porque Deus, Criador de todas as coisas, nada fez que não fosse bom. Donde se conclui que o diabo seria bom se tivesse permanecido no estado em que foi criado. Mas, porque usou mal sua perfeição natural naturali excellentia], “e não permaneceu na verdade” (Jo 8,44), não é que se tenha transformado [transit] numa substância contrária, mas se afastou do Sumo Bem, ao Qual devia estar unido; o mesmo ocorre com os que afirmam tais coisas, que da verdade se precipitam no erro (…).

Continua no Sínodo de Constantinopla

1- A afirmações é feita na carta que enviou ao Concílio de Nicéia com a profissão de fé. Teodoreto, História eclesiásticas I, 12,4: p. 82-940. 2- Bibliografia: Z. GARCÍA VILLADA, Historia Eclesiástica de España.

Madrid, 1929,p.90-145 ; M. SOTOMAYOR, “El Priscilianismo”

VILLOSLADA, Historia de la Iglesia en España (BAC Maior 16).

Madrid,p.1979 233-272

COLLLANTES, Justo, A fé católic: Documentos do magistério da Igreja, Rio de Janeiro, : Lumen Christi, 2003

 
 
 
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