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• FILHA DE SIÃO E CUMPRIMENTO DA PROFECIA

• Vamos fazer um pequeno estudo sobre a Virgem Maria e, utilizando a técnica dos antigos erutidos, que consideravam que o Novo Testamento se ocultava no antigo testamento e o Antigo Testamento no Novo. Podemos verificar que o leitor dos Evangelhos, antes de tudo, se surpreende por encontrar tão pouca informação acerca de Maria. Mas um pesquisador da Bíblia não poderia ler apenas os quatro Evangelhos ou o Novo Testamento, na íntegra, em busca de conhecimentos referentes a Maria. De fato, antes de haver os quatro Evangelhos, ou mesmo todo o Novo Testamento, já existiam as Escrituras, que os cristãos terminaram por denominar antigo testamento e que, pela importância tipológica e alegórica, pelas profecias e seu comprimento, somos obrigados a chamar “Escrituras cristãs”. A história do estudo sobre Maria dentro da igreja católica Romana diz respeito de como o papel de Maria foi anunciado em certas passagens do velho Testamento, fundamentado no princípio de que, enquanto Deus criava condições para seu filho assumir o papel que lhe fora destinado na história de Israel, também preparava o caminho para sua mãe. Assim, a história do desenvolvimento da interpretação bíblica nas primeiras igrejas igualmente evidencia que foram analisadas as predições sobre Maria no velho testamento, não só com relação ao culto de Maria na igreja católica, mas também na tradição patrística do oriente e do ocidente. Grande parte do que foi escrito sobre o testemunho do novo testamento e que já foi analisado no primeiro texto sobre o desenvolvimento da doutrina da virgindade Perpétua poderia facilmente ser considerado neste e, como naquele texto, a atenção requerida pelo material bíblico é bastante diversificada.

• A importância das provas bíblicas são importantes não possui o contraste contradição subsequente, mas exatamente por sua anterioridade a essa tradição. Ou colocando de modo diferente e mais preciso, as evidências bíblicas tornam-se mais interessantes quando estudamos a luz de sua posterior utilização pela tradição. Análise racional das características das provas bíblicas pode ser iniciada com a frase do evangelho que descreve a Natividade: ” Da casa e família de Davi” (Lucas 2,4). Como está escrito no Evangelho, essa frase se refere a José, e não a Maria, cuja linhagem não foi traçada na genealogia dos Evangelhos de Mateus e de Lucas ( Mateus 1, 1-17; Lucas 3, 23-38). Mas foram esses dois Evangelhos que fizeram questão de enfatizar a concepção virginal de Jesus e, portanto, nos levaram à conclusão de que José era apenas o suposto pai de Jesus, “aquele que cuidava” ( Lucas 3,23), embora o posicionamento dos Evangelistas não esteja bem claro. Se, na linguagem dos Evangelhos, a expressão “da casa e da família de Davi” era uma forma de afirmar a continuidade da linhagem de Jesus Cristo quanto a Israel e a sequência de parentesco com seu celebrado ancestral, então sua descendência de Davi só poderia ser compreendida por meio de seu único progenitor humano, Maria, que nesse caso também deveria ser “da casa e família de Davi”. Esse raciocínio justificou o hábito de pesquisar as épocas posteriores e anteriores à do novo testamento, investigando as escrituras de Israel à procura de profecias, paralelos, tópicos de conexões que enriquecem o minúsculo Face de dados fornecidos pelos Evangelhos. Essas pesquisas abrangerão Míriam, irmã de Moisés, por causa de seu nome, a mãe Eva e também todas as personalidades femininas, Principalmente as encontradas nos escritos do Rei Salomão, sobretudo a figura da sabedoria do capítulo 8 do Livro dos Provérbios, além dos Livros deuterocanônicos. Além da figura da sabedoria descritq por Salomão (o substantivo sabedoria é feminino, como Chokmah em hebraico, Sophia em grego, Sapientia em latim e Premudrost em russo), foi analisada a noiva do Cântico dos Cânticos, o mais longo e generoso retrato de uma mulher em toda a Bíblia. O processo de apropriação desse material para justificar o culto a Maria e a doutrina Marista, que pode ser descrito como uma metodologia de amplificação, de certo modo foi parte de um processo muito mais amplo de interpretação alegórica e figurativa da Bíblia, ao qual devemos alguns dos mais belos e criativos comentários de toda a cultura medieval e bizantina, não apenas em palavras mas também imagens. Houve, por outro lado, quase contrariando a intenção dos estudiosos, uma poderosa firmação de que Maria, de acordo com o raciocínio resumido anteriormente, era da casa e da família de Davi e, portanto, representava um elo inquebrantável entre a história Judaica e o cristianismo, entre o primeiro pacto, dentro do qual ela nasceu, e o segundo pacto, pelo qual ela deu à luz, de modo que até os mais virulentos cristãos anti-semitas não poderiam negar que ela, a mais abençoada entre as mulheres, era uma judia. Sem nenhuma ligação explícita com a Virgem Maria, O Retrato de uma mulher grávida elevada aos céus, pintado por Marc Chagall, não consegue esconder essa lembrança.

• A MADONA NEGRA

• Um dos mais impressionantes resultados da interpretação sobre da mariologia do velho testamento que estamos expondo, foi a identificação DA exuberante imagem da noiva door Grant County Schools Chrome Maria [sou morena mas formosa, cânticos dos cânticos 1,5] foram praticamente suas primeiras palavras no Cântico dos Cânticos, e Delas nasceu a justificativa bíblica para muitos retratos de Maria que, afastando-se de sua representação convencional como italiana ou do norte da Europa, favoreciam a Madona Negra. Do modo como está escrito, esta afirmação parece evidenciar um difundido senso de impossibilidade de a negritude conviver com a beleza. Mas, podemos fazer um comentário conclusivo acerca do Cântico dos Cânticos, do ponto de vista linguístico podemos entender que a palavra morena também pode ser vista como Negra, e a frase “mas bela” podemos entender “e bela” — são conclusões de algumas linguistas, seria essa a tradução correta desse verso escrito em hebraico e também preservado em grego na Septuaginta: Melanina eimi Kai Kali. A conjunção gramatical, naturalmente, era menos importante que a conexão substantiva. Se, como estou expondo neste texto, a história da Interpretação da Bíblia não está restrita a tratamentos de sermões, mas também costuma ser assunto das Artes e da vida diária de milhares de pessoas, como a Madona Negra Czestochowa e Guadalupe (“Lá Moreira — A moreninha”)” demonstraram mais eloquente que quaisquer livros, a intuição exegética provou que, independentemente da tradução, a Virgem realmente era Negra e Bela. Isso também a tornou uma embaixatriz especial para vasta maioria da raça humana que não era branca.

 
 
 

O DESENVOLVIMENTO DA DOUTRINA DA VIRGINDADE PERPÉTUA DE MARIA • (Parte III) • Para finalizar essa sequência de três textos sobre o papel da virgindade perpétua da Virgem Maria, vamos começar pelo evangelho segundo Lucas, que narra logo nos primeiros capítulos: a anunciação do nascimento de Jesus (pintada por Jan Van Eyck em “A Anunciação” 1434-1436, da qual a figura de Gabriel está reproduzida em diversos outros artistas); a visitação de Maria a sua prima Isabel (mãe de João Batista), incluindo o magnificat; a chegada dos pastores (Mateus é o único a relatar a presença dos magos); e a apresentação do Menino Jesus ao templo, com o Nunc Dimittis de Simeão: “Agora, Senhor, despede em paz o teu servo”. •Tão dominante era a personagem de Maria na narrativa do nascimento de Jesus Cristo escrita por Lucas, que alguns leitores da antiguidade chegaram a se perguntar de onde vinham todos aqueles detalhes, pois não apareciam em outros relatos, o Evangelho de Lucas se inicia com palavras que alguns padres da igreja consideraram uma explicação: “Visto que muitos já tentaram compor uma narração dos fatos que se cumpriram entre nós, conforme no-los transmitiram os que desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da palavra, a mim pareceu conveniente, após acurada investigação de tudo desde o princípio, escrever-te de modo ordenado, ilustre Teófilo, para que verifiques a solidez dos ensinamentos que recebestes”(Lc 1, 1- 4). Como era habitual os historiadores estudarem a estrutura e o conteúdo dos Evangelhos, essas palavras introdutórias marcaram Lucas como o historiador dentre os Evangelistas. Ao falar de si mesmo, ele usou a palavra grega parekolouthekoti, significando que fizera pesquisas históricas, mais ou menos como seus colegas historiadores dos dias de hoje. As fontes usadas nessa pesquisa em parte eram escritas e incluíram “os muitos que empreenderam a narração dos fatos que entre nós se cumpriram”, aparentemente envolvendo outros escritores além dos autores nas páginas do novo testamento. Mas as fontes explicitamente abrangiam “testemunhas oculares e ministros da palavra”, pois Lucas não pertencera aos doze discípulos e testemunhas originais e nem mesmo fora discípulo de um deles. Porém, de acordo com a tradição, ele fora aluno e “médico amado” do apóstolo Paulo, que “nascera fora do tempo” e chegara por último ao grupo dos apóstolos. Quando Lucas empreendeu sua pesquisa para narrar a história desde o princípio, como afirma os dois primeiros Capítulos de seu evangelho, quem teriam sido suas “testemunhas oculares de ministros da palavra”? A quem ele teria se dirigido para conhecer o que hoje denominamos “a história oral” desses antigos acontecimentos? Nesses capítulos, a exposição da história, escrita da perspectiva da Virgem Maria, parece deixar implícito que ela se constituíra na principal fonte de informações entre as testemunhas originais e os seguidores do Evangelho. Além disso, pelo fato de Lucas ser gentio e tanto em seu evangelho como o Livro dos Atos, empregar um grego mais próximo dos padrões de Atenas que o escrito em qualquer outra passagem do novo testamento — seus textos, Na verdade, não soam como traduções —, essa qualidade não se faz presente nesses capítulos, que sob alguns aspectos, realmente parecem ter sido traduzidos de um original escrito em hebraico (ou aramaico). Esse raciocínio levou os primeiros escritores cristãos a considerarem os capítulos iniciais do Evangelho de Lucas Memórias da Virgem Maria. ponto de vista não recomendável para um estudo crítico-histórico dos Evangelhos. Surgiu até uma tradição de que Lucas teria sido o primeiro pintor de ícones cristãos, e o tema de Lucas pintando o ícone da Virgem Maria, tornou-se clássico.

• MATER DOLOROSA

• O credo dos Apóstolos e o credo Niceno, em suas resumidas confissões sobre Jesus como o filho de Deus, passamos diretamente do nascimento de Cristo, da Virgem Maria, ao seu sofrimento sob Pôncio Pilatos, sem ao menos mencionar seus ensinamentos, seus milagres e seus apóstolos. Ambos, a exemplo dos Evangelhos, enfatizam seu sofrimento e Crucificação (e até ampliavam esta ênfase). Os Evangelhos, cada qual a sua maneira, passam de incidentes individuais e rápidos lampejos da narrativa até a descrição extremamente bem detalhada da história da paixão e morte de Cristo e seu desenvolvimento diário, muitas vezes acompanhando os acontecimentos como se desenrolam de hora em hora. Sob a perspectiva da história posterior da interpretação desses textos, as diferenças dos relatos da paixão são bem ilustradas pelas “sete palavras proferidas na cruz”.

• Com respeito a essas sete palavras, foi João quem forneceu a narrativa de maior relevância direta para nós “mulher, eis teu filho, eis tua mãe!”. Do ponto de vista da pregação, ou mesmo teologicamente, a frase “Eis teu o filho” poderia facilmente ser interpretada como a entrega aos cuidados maternais de Maria não apenas do “discípulo que Jesus amava” — “identificado pela tradição e pelos atuais estudiosos como João, o evangelista”, mas de todos os discípulos que Jesus Amou em todas as fases da história e por extensão, de toda a igreja do passado e do presente. como Orígenes de Alexandria já afirmava no primeiro terço do século III, “ninguém poderia aprender o significado do Evangelho de João, exceto se tivesse reclinado sua cabeça no Peito de Jesus e também dele recebido Maria como mãe, mas esse não é o caso de todos, pois aquele que é perfeito e não mais vive em si mesmo permite que Cristo viva em si; e se Cristo nele habita, então foi dito dele a Maria: Eis o teu filho Cristo”. Essa cena também inflamou a imaginação Cristã do modo mais pungente, pois como na cena da Anunciação no início da vida de Cristo, ela parecia abrir uma janela para a vida interior da Virgem. Do início da vida de Cristo também é a profecia que seria considerada como a causa de tanta exploração sobre o assunto da subjetividade da Virgem, revelação cumprida quando ela se encontrou aos Pés da Cruz, como Mater Dei: “E a ti, uma espada traspassará tua alma! (Lucas 235)”.

• MODELO DE FÉ NO MUNDO DE DEUS • Quando a Epístola aos Hebreus, ao citar os santos de toda a história de Israel, enumera as transformações sofridas por todos eles, “dos quais o mundo não era Digno”, cada nome vem precedido das palavras: “pela fé”. Mas antes dessas citações o apóstolo nos dá a seguinte definição: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem” e quando na epístola aos Romanos ele afirma que “a fé vem pela pregação [akoe], e o ouvir e a pregação é pela palavra de Cristo” (Romanos 10,17), iniciando e encerrando a sua mensagem com a identificação da “Fé” com a obediência [hypakoe], sintetizando a conexão entre obediência e fé e entre a Fé e a palavra de Deus, ela é especialmente eloquente ao se referir aos profetas hebreus e aos ensinamentos de Jesus. As divergências entre as várias declarações, tão importantes para a reforma protestante — Como, por exemplo: “O homem é justificado pela fé, sem as obras da Lei” e, na Epístola de Tiago: “Porquanto nós sustentamos que o homem é justificado pela fé, sem a prática da Lei <> não foi pelas obras que nosso Pai Abraão foi justificado ao oferecer seu filho Isaac sobre o altar? Já vês que a fé concorreu para as suas obras e que pelas obras é que a fé se realizou plenamente” (Romanos 3 28,4:1; Tiago 2,21-23) — foram fatores que frustraram as tentativas posteriores de conciliação, especialmente durante a reforma. Porém, essas diferenças não prejudicam a importância fundamental da fé na mensagem global do novo testamento nem a centralidade da palavra de Deus na doutrina.

• Uma figura histórica que desempenhou um papel importante nos livros do novo testamento — Hebreus, romanos e Thiago — Foi Abraão. De acordo com os três livros, ele é o pai de todos os que creem, como afirma a Epístola aos Romanos. Mas, se o leitor pensar em uma mãe de todos os que creem, a primeira pessoa que nos vêm à memória é Maria, assim como Eva, no livro do Gênesis, foi considerada a mãe de todos os viventes. O principal ponto que qualificaria Maria para esse título está em sua resposta o Anjo Gabriel e, por meio do anjo, a Deus, de quem Gabriel era mensageiro: “faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lucas 1,38). Sem mencionar explicitamente a palavra “fé”, suas palavras identificaram a fé com a obediência, e a descrição de sua obediência à palavra de Deus fez dela um modelo de fé. De fato, começando com Maria e recuando na história de Israel, podemos distinguir uma lista de mulheres santas — Sara, Ester, Rute e muitas outras —, das quais ela é um exemplar, do mesmo modo, seria possível começar com Maria e reproduzir uma relação semelhante das mulheres santas da era do novo testamento. Pela ênfase dada à fé, essa lista podemos traçar com as nossas primeiras Mártires, entre elas podemos citar algumas dessas mulheres começando com um dos mais célebres martírios, o de Santa Cecília no ano 178, mulher que pertencia a uma das mais nobres e ricas famílias de Roma, Cecília fora prometida em casamento a Valeriano, mas Cecília tinha-se prometida a Deus somente. E a atitude e as palavras de Cecília invadem a alma de Valeriano que se converte imediatamente e logo depois seu irmão Tibúrcio. Ela é martirizada após o martírio de seu marido Valeriano e de seu cunhado Tibúrcio, teve sua cabeça decepada, em 1599 foi descoberto debaixo de uma placa assinalada com o seu nome, de um corpo de mulher decapitada (em 1905, foi descoberto debaixo da igreja de Santa Cecília no Trastevere, de um caldarium e de alguns mármores antigos, um dos quais tem o nome da Santa, parecem confirmar o essencial do relato maravilhoso). E poderíamos falar de centenas de mulheres que doaram suas vidas para fazer germinar o evangelho, algumas já tive a oportunidade de fornecer os detalhes de suas histórias e Martírios, como Águeda de Catânia, perpétua, felicidade, Santa Filomena, mas ainda há ao longo da história uma multidão de mulheres que amaram o Senhor Jesus Cristo mais do que suas próprias vidas.

• MULHER PARA TODAS AS ÉPOCAS • Santo Inácio de Antioquia nos orienta à partir do final do primeiro século e início do segundo Século: “Fechado os ouvidos a quem vos fale sem confessar que Jesus Cristo, descendente de Davi, nasceu da Virgem Maria”; e na sua Epístola aos Efésios, tem estas palavras profundas: “O Príncipe deste mundo ignora a virgindade de Maria, o seu parto e a morte do Senhor, três mistérios retumbantes, realizados no silêncio de Deus”.

• Alguns podem se perguntar se a Igreja Primitiva tinha uma concepção do casamento como um mal, mas temos que verificar à questão do casamento e da vida sexual no contexto histórico da época. O divórcio e o celibato minam os alicerces da família, e a escravidão, pela facilidade com que põe à disposição dos senhores as mulheres, era por toda a parte um agente de desmoralização. A condição normal do cristão é ser casado, São Paulo estabelecera com justeza os princípios do casamento dos fiéis. A Igreja nunca rejeitou o casamento, como sempre condenou os hereges que condenam o casamento: “Mostremos, exclama Tertuliano, mostremos a felicidade do casamento, que a Igreja recebe, que a oblação confirma, que a benção sela, que os anjos reconhecem e que o pai ratifica”. Não foi o próprio Cristo que ordenou aos esposos que fossem “uma só carne” e que nunca se separassem? O divórcio é, pois, inadmissível segundo a visão cristã, e o celibato só é compreensível se tiver em vista uma realização mais alta, uma união mística com a pureza absoluta. A concepção cristã da virgindade liga-se a esse mesmo ideal. Muito antes da aparição do monarquismo, há na Igreja homens e mulheres que renunciam ao casamento para se entregarem a Deus. Era um costume que já fora posto em prática em Israel pelos nazarenos e pelos essênios. No cristianismo Primitivo, as mulheres virgens são mais numerosas que os homens, porque aqueles que queriam consagrar a sua existência ao Senhor, faziam-nos Sacerdotes. Desde os primeiros tempos, como por exemplo em Antioquia na época de Santo Inácio, as virgens formam um grupo à parte, muito venerado na Igreja. São Cipriano denominá-las “a coroa da Igreja”, e Orígenes exclamara: “um corpo imaculado, eis a hóstia viva agradável ao Senhor!”. Fala-se da virgindade como um verdadeiro substituto do martírio, abundante em graças, e quando o concílio hispânico de Elvira, por volta do ano 300, declara excomungadas as virgens cristãs que tenham violado os seus votos, não faz senão homologar um uso corrente. É nessa concepção da virgindade, virtude superior e união com Cristo, que devemos ver a origem do celibato dos sacerdotes, que os Apóstolos e os primeiros discípulos não tinham posto em prática e que só veio a se estabelecer lentamente, a Igreja vê nessas virtudes a perfeição da imitação de Cristo. E Maria como um ser totalmente humano é um grande modelo de virtude que será seguida por milhões de mulheres através dos séculos.

• Vimos uma pequena lista que evidentemente, deve constar todas as mulheres que ao longo dos séculos fizeram da Virgem Maria um objeto de devoção e um modelo de vida dedicada a Deus. A seguinte predição foi feita por Maria: “Sim, doravante as gerações todas me chamarão Bem-Aventurada” (Lucas 1, 48). Esta é uma das poucas passagens do novo testamento que parecem prever um longo período de muitas gerações, a exemplo da profecia de Cristo: “Em verdade vos digo que, onde quer que venha a ser proclamado o Evangelho, em todo o mundo, também o que ela fez será contado em sua memória” (Mateus 26 13).

• A alegria com a qual as sucessivas gerações lhe atribuíram o título de “Santa” não variou muito através dos séculos, em todas as épocas, fica evidente o êxito e a importância alcançada pela bem-aventurança de Maria, tanto entre os homens quanto entre as mulheres, nas mais variadas situações. E na verdade, isso realmente fez dela uma mulher para todas as Épocas.

Bibliografia: PELIKAN, Jaroslav, Maria através dos séculos/ seu papel na História da cultura: São Paulo, companhia das Letras, 200

 
 
 

• O DESENVOLVIMENTO DA DOUTRINA DA VIRGINDADE PERPÉTUA DE MARIA (parte II)

• Ave Maria. “Ave, Maria, Cheia de graça: o senhor é convosco” foi, de acordo com a vulgata, a saudação do anjo Gabriel a Maria (Lucas 1,28). Reagindo contra a tradução e contra o sentido que lhe foi imputado, considerou-se que “Cheia de Graça” significaria que Maria não era apenas objeto e receptáculo de benevolência divina, mas que, possuindo toda a plenitude da Graça, teria todo o direito de concedê-la. Agressão do Rei James traduz a saudação como; “salve, agraciada”. O particípio passado grego usado para essas traduções conflitantes foi kecharitomene, cuja raiz, o substantivo Charis (e seus derivados), tem o sentido genérico de “favor” e, particularmente no Novo Testamento e em outras fontes literárias no início do cristianismo, é interpretado como “graça” no sentido de imerecida generosidade de Deus. De imediato, o contexto do relato da Anunciação Realmente parece se referir em primeiro lugar à iniciativa de Deus assinalar Maria para se tornar a mãe de Jesus e, dessa maneira, elegê-la como sua escolhida. No hino (venho dos céus acima da terra), de Martinho Lutero, que se tornou o leitmotiv de todas as cantadas que compõem o oratório de Natal de Johann Sebastian Bach, escrito entre 1734 e 1735, outro anjo foi apresentado como dizendo aos pastores de Belém — e, por meio deles, a todo o mundo —”( a vós nasceu hoje um menino, de uma virgem Eleita). Esse era o preceito adotado pela reforma, Isto é, ela aceitava a designação de Maria no sentido de escolhida — “predestinada” —, a exemplo do que, entre outros, afirmou o Concílio Vaticano II em 1964: Maria foi a pessoa por meio da qual o plano de Deus para a salvação do mundo foi colocado em ação.

• Essa histórica disputa interconfessional sobre todas as implicações da kecharitomene não deveria obscurecer o papel muito mais importante que a saudação Inicial — ave/salve —desempenhou ao longo dos séculos, e parecem-nos seguro afirmar que, pelo número de vezes em que foi repetido pelos cristãos ocidentais em todos esses séculos, essa prece perde apenas para a oração do pai nosso: “Ave, Maria, cheia de graça, o senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. amém. Sua primeira sentença, com pontuanda aqui, combina as duas saudações bíblicas da vulgata. a segunda é uma Súplica que alia o título pós-bíblico, Theotokos, à doutrina marista posterior, de acordo com a qual os santos nos céus intercedem pelos crentes da terra e a fortiori que a Mãe de Deus, sendo “cheia de graça” e portanto mediadora, pode interceder por eles, os quais, por sua vez, tem o direito de pedir diretamente a ela. De modo notável, a Ave Maria, resume não apenas a ironia que há em Maria ter se tornado a principal causa da divisão entre os crentes e entre as igrejas, mas também a dicotomia entre a única autoridade das Escrituras e o desdobramento da doutrina pela tradição. Mas mesmo os que aceitavam a supremacia absoluta da autoridade bíblica se recusavam a orar usando as palavras impecavelmente bíblicas de sua primeira sentença.

• A SEGUNDA EVA

• A segunda Eva. Como a sequência cronológica dos livros do novo testamento não corresponde à ordem em que eles aparecem em nossa Bíblia, a mais antiga referência a Maria no Novo Testamento, apesar de ela não ser citada pelo nome, não se encontra nos Evangelhos, e sim na Epístola de Paulo aos Gálatas: “Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, enviou Deus o seu filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei, para resgatar os que estavam sob a Lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filial”. A maior parte dos estudiosos do novo testamento concorda em que a expressão “nascido de mulher”, não pode ser tomada como significando também “mas não de um homem” e que tão pouco ela contém essa implicação (apesar de também não excluir a ideia do Nascimento virginal), Mas é uma expressão semita comum para designar o “ser humano”, como na declaração: “O homem, nascido de mulher, tem a vida curta e cheia de tormentos (Jó 14,1). (No que diz respeito ao assunto, macbeth iria descobrir que a Profecia das bruxas — “ninguém nascido de mulher ferirá macbeth” — não excluía um pai humano, mas também não inclui a uma operação cesariana!) Assim, a frase da carta aos Gálatas, desde os tempos mais remotos, vem sendo utilizada para falar sobre Jesus Cristo como um ser verdadeiramente humano, ao contrário da difundida tendência Cristã que nega a natureza humana de Jesus, como o movimento do século II e III que se chamava docetismo, expressavam a crença de que a humanidade de Cristo era meramente aparente. Ao contrário, os primeiros pensadores considerados Ortodoxos foram os que se opuseram a essas tendências doceticas e gnósticas, defendendo a total dimensão humana da vida e da pessoa de Jesus. Para ele ser considerado mais que humano era necessário descrevê-lo como menos que humano. Porém, associada a esse tema do novo testamento, o apóstolo Paulo empregou um artifício de Interpretação para chegar à teoria da verdadeira humanidade de Cristo baseando-se em um versículo do velho testamento:”De modo que, como pela desobediência de um só homem, todos foram se tornaram pecadores, assim, pela obediência de um só, todos se tornarão justos”. entre exprimir-se desse modo a respeito do primeiro Adão e considerar Cristo o segundo Adão, foi necessário apenas um passo e, embora o novo testamento não tenha se expressado sobre Maria como uma segunda Eva seria possível parafrasear as palavras de Paulo e afirmar: “Pois, como pela obediência de uma [mulher] muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de uma [mulher], muitos serão feitos justos” através de Cristo que dela nasceu

• A MÃE DE DEUS

• A Mãe de Deus. Até mesmo nos Evangelhos, como chegaram até nós, as relações entre Jesus e João Batista foram complicadas. Os Evangelistas não deixaram de divulgar que o ministério de João Batista provocou grande em que atração entre todos os homens, seus contemporâneos, estando o povo na expectação, e pensando todos, em seus corações, se porventura João seria o Cristo (Lucas 3,15). Contudo, eles tiveram dificuldades em explicar que o próprio João Batista e identificou Jesus como o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo e que, quando desafiado, explicitamente subordinou sua missão Histórica à de Jesus — e sua pessoa a ele, do qual não sou digno de desatar as Correias das sandálias (João 1, 27;29. Esse posicionamento foi transposto das relações entre João e Jesus para as relações entre Isabel e Maria. No relato que se tornou conhecido como a visitação, João ainda não era nascido: “Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criança saltou no seu ventre, Isabel foi cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, Exclamou: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre! Donde me vem que a mãe do meu senhor Me visite?

• Mais tarde, considerou-se que a língua desse diálogo entre Maria e sua prima [syngenis] Isabel (Lucas 1,36) fora do aramaico e que elas poderiam até mesmo ter usado um pouco de hebraico, pois o título dado por Isabel a Maria, “Mãe do meu Senhor”, he meter tou kyriou mou, em grego, só poderia ser interpretado como referência a Jesus Cristo se a forma usada tivesse sido Adonai, “Meu Senhor”, termo usado para substituir o nome divino, IHWH. De qualquer maneira, foi assim que os primeiros eruditos cristãos do novo testamento interpretaram o título Cristológico de Majestade, kyrios, mesmo que os evangélicos ou o apóstolo Paulo não tenha pretendido estabelecer essa identificação. E como na principal afirmação de fé de Israel, a Shema, repetida por Cristo nos evangelhos ( ouve, ó Israel: Iahweh nosso Deus é o único Iahweh! — ouve, ó Israel, o senhor nosso Deus é o único Senhor Deuteronômio 6, 4; Marcos 12,29, já eram identificados como um único, os bispos reunidos no Concílio de Éfeso em 431, não encontraram a menor dificuldade em transpor a expressão V Isabel referente a Maria, “a Mãe do meu Senhor”, para o prefeito de Cirilo, isto é, Maria como Theotokos.

• VIRGEM ABENÇOADA

• Virgem abençoada. A castidade de Maria, em paradoxal combinação com sua maternidade, é mencionada nos Evangelhos de Lucas e de Mateus. “no sexto mês o Anjo Gabriel foi Enviado Por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. Entrando onde ela estava, disse-lhe; alegra-te, cheia de graça, o Senhor é contigo! Maria é uma das formas gregas do nome hebraico Miriam (Lucas 1,26-27), Como se chamava a irmã de Moisés. Desse modo o principia, no primeiro Capítulo do Evangelho de Lucas, o mais longo relato bíblico a respeito da virgem. No capítulo seguinte, na introdução à história da natividade, está escrito que José — e também Maria, de acordo com muitos intérpretes cristãos da antiguidade, apesar de isso não estar explícito — era da casa e família de Davi (Lucas 2,4). Não obstante contém menos detalhes, especialmente sobre Maria, a versão de Mateus concorda com a de Lucas e também se refere a ela como virgem, citando a Profecia de Isaías: uma virgem [parthenos] conceberá e dará à luz um filho, e será seu nome é Emmanuel (Mateus 1,23; Isaías 7,14).

 
 
 
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Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

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