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Quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

O Papa restaurará a Missa Tridentina?

Abade: A Missa Tridentina, a Missa de São Pio V, não pode ser considerada abolida pela assim denominada nova missa de Paulo VI. Nós nunca devemos esquecer que o Concílio Vaticano Segundo não foi uma ruptura com o passado, mas uma renovação em continuidade. Portanto, a pergunta que precisa ser feita é se o Indulto do Papa João Paulo II e a criação da Comissão Episcopal Ecclesia Dei, que deu permissão aos bispos para autorizar a celebração da Missa Tridentina, foi ou não implementado no espírito de justiça e compaixão.

Bem, o Indulto do Papa João Paulo II foi ou não implementado no espírito de justiça e compaixão?

Abade: Infelizmente, alguns Bispos não deram apoio ao Indulto. Quando tal realmente acontecia, as condições eram geralmente muito difíceis e quase impossíveis para sua implementação prática. Portanto, se houver um motu proprio, com relação a um indulto universal para Missa Antiga, significa que o atual indulto não está indo ao encontro das necessidades pastorais do mundo tradicionalista.

Mas o mundo tradicionalista é tão importante que o Santo Padre arriscaria seu pontificado para conceder a ele um motu proprio?

Abade: Jesus Cristo, ao falar sobre o Bom Pastor e a ovelha perdida, disse em deixar as noventa e nove a fim de buscar aquela que estava perdida. Estamos falando de um por cento. Mas também estamos falando sobre a própria vocação do Bom Pastor. É interessante notar que alguns Bispos falam dos Tradicionalistas como uma “gota no oceano”. Na verdade, o mundo tradicionalista constitui-se um pouco acima de um por cento da População Católica. A semelhança do próprio Cristo, seria oferecer um gesto de amor pastoral na forma de um motu proprio!

Seria um motu proprio com a intenção de trazer de volta os lefrevistas para Roma?

Abade: O motu proprio seria uma resposta de justiça e de compaixão, não apenas ao mundo tradicionalista, mas também para a Igreja como um todo. Nós nunca devemos pensar que o motu proprio seja escrito apenas para os lefevristas. Como o Arcebispo A. M. Ranjith, Secretário da Congregação para o Culto Divino declarou muito claramente, “A Missa Tridentina é um tesouro para o Povo de Deus como um todo e não uma propriedade privada da Sociedade São Pio X”. Mas estou muitíssimo seguro que os membros da Sociedade estão rezando e esperando com grande esperança por um motu proprio relativo a um indulto universal para a Missa Antiga.

Qual é o seu relacionamento com o mundo lefrevistas?

Abade: Encontrei com o Bispo Bernard Fellay, o Superior da Sociedade São Pio X, há mais de cinco anos atrás. Durante aquele período, eu vim a conhecer muitos outros padres, como também monges e religiosos que estão ligados à Sociedade. Fui convidado a falar no então recente Congresso do “Si, Si, No, No” em Paris. Lá eu falei sobre minha experienciam da Missa Tridentina como uma redescoberta da natureza sacrifical da Missa. O Rito Tradicional tem um papel muito importante a desempenhar na Igreja. Ele pode fortalecer a reverência e o senso de mistério e temor ante a ação de Deus.

Eu me sinto honrado pela amizade deles e também pela confiança por eles em mim depositada. Fui capaz de ouvir e acolher profundamente não apenas suas preocupações e lágrimas, mas também seu imenso amor pela Igreja e pelo Santo Padre. Suas palavras, artigos e cartas podem parecer para alguns muito fortes e, assim, causar muito embaraço; entretanto, não deve ser negligenciado ou descartado o que eles dizem sobre a liturgia e a teologia. Estão, antes, plenos de unidade e caridade mútua e não podemos nos deixar escandalizar por alguma “intemperança verbal”.

Mas alguns Bispos afirmam que os lefrevistas deveriam reconhecer a legitimidade do Papa.

Abade: Infelizmente, mesmo nos mais altos níveis da Igreja, nem sempre há um conhecimento pleno sobre a Sociedade. A Sociedade sempre reconheceu a legitimidade do sucessor de São Pedro. Existem grupos tradicionalistas que não reconhecem os últimos papas que se seguiram a Pio XII. Esses são chamados de “sede vacantistas.”. Visitando algumas casas da Sociedade, fiquei maravilhado em ver a foto de Bento XVI e também em saber que eles rezam diariamente por ele e pela Igreja.

O senhor acha que um possível motu proprio ajudaria no retorno dos lefevristas a Roma?

Abade: Eu acredito que o motu proprio seria um primeiro passo para a comunhão plena. Contudo, uma simples restauração da Missa Antiga não é apenas o que a Sociedade procura. Eles estão colocando muitas questões teológicas e litúrgicas sérias, questões que devem ser tratadas. Caso contrário, reduziremos toda a questão do Monsenhor Fellay e dos membros da Sociedade a uma questão coreográfica e não a questões substanciais da fé. O motu proprio, portanto, é um começo. Mas também é o possível começo de uma reforma e renovação do caráter sacramental da liturgia; e com isso, o início de um movimento litúrgico que quer um novo despertar da fé para o Povo de Deus.

Alguns Bispos, sacerdotes e teólogos dizem que um motu proprio permitindo um uso mais amplo do Rito Tridentino “arrastaria-nos de volta para uma vida litúrgica de uma outra era.” Qual sua opinião sobre isso?

Abade: O tempo litúrgico é um tempo sagrado e santo. Eu creio que deveríamos chamá-lo de “atemporal”. E a razão é que a Missa tem a ver com a eternidade e não com dias, semanas, meses e anos.

Há a necessidade de uma reforma litúrgica?

Abade: Eu acredito que a Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium foi uma resposta a uma convicção difundida que a liturgia precisava de uma reforma. Os Padres Conciliares buscavam resgatar os aspectos comunitários da missa, bem como torná-la mais eficaz no ensino das verdades da Fé Católica. Infelizmente, a exigência teológica de uma continuidade na doutrina subjacente e na estrutura da celebração da Missa em suas formas pré- e pós-conciliares sofreram um ruptura ou quebra com a Tradição. É com isso que estamos lidando hoje. O Concílio Vaticano Segundo claramente convidava para fazer algumas reformas modestas na liturgia, mas pretendiam-nas como orgânicas e claramente em continuidade com o passado.

O Rito Antigo torna-se um tesouro vivo da Igreja e também deve estabelecer um padrão de culto, de mistério e de catequese em direção aos quais as celebrações do Novus Ordo devem se mover. Em outras palavras, a Missa Tridentina é o elo que falta. A não ser que ele seja redescoberto, em toda a sua exata verdade e beleza, o Novus Ordo não responderá ao crescimento e mudança orgânicos que caracterizaram a liturgia desde seu início. Isso é o que deveria impelir muitos de nós para fundar um novo movimento litúrgico que seja capaz de devolver à liturgia seu caráter sacramental e sobrenatural, ao mesmo tempo em que desperte em nós um entendimento fiel da Liturgia Católica.

 
 
 

Será mais bem compreendida a relação com o comunismo, o nazismo e o fascismo

CIDADE DO VATICANO, domingo, 2 de julho de 2006 (ZENIT.org).- Bento XVI deu indicações para que se abra toda a documentação que os arquivos vaticanos contêm, inclusive o Arquivo Secreto, sobre o pontificado de Pio XI, que envolve o complicado período que vai desde 6 de fevereiro de 1922 a 10 de fevereiro de 1939.

Graças a esta decisão, anunciada pela Santa Sé em 30 de junho, os pesquisadores poderão consultar todas as fontes documentais relativas a esse período, «conservadas nas diversas séries dos arquivos da Santa Sé e principalmente no Arquivo Secreto Vaticano e no Arquivo da Segunda Seção da Secretaria de Estado (antigamente Congregação dos Assuntos Eclesiásticos Extraordinários)».

O anúncio foi feito através de um comunicado assinado pelos padres Marcel Chappin, S.I., e Sergio Pagano, B., respectivamente responsável do Arquivo Histórico da Secretaria de Estado e prefeito do Arquivo Secreto Vaticano.

Os pesquisadores credenciados poderão consultar toda a documentação no Arquivo Secreto Vaticano, segundo declara o anúncio.

Trata-se de um anúncio sumamente esperado, já desejado por João Paulo II, pois o pontificado de Pio XI foi testemunha de alguns dos fatos mais dramáticos do século XX, caracterizados pelos totalitarismos: comunismo, nazismo e fascismo.

Os arquivos permitirão compreender melhor a atitude do Papa ante estes totalitarismos, que levou à publicação de alguns de seus mais importantes documentos.

–Será aclarada a relação entre a Igreja e o fascismo de Benito Mussolini na Itália. Na encíclica «Non abbiamo bisogno» (29 de junho de 1931), Pio XI qualificou o fascismo de «doutrina totalitária», «autêntica ?estatolatria?» (culto ao Estado).

–Será analisada a relação entre a Igreja e a subida ao poder do nazismo na Alemanha. Em 14 de março de 1937, o Papa que havia afirmado: «todos somos semitas», publicou a encíclica «Mit Brennender Sorge» contra o nazismo, e em particular contra sua exaltação da raça.

–Será ilustrada mais em detalhe a relação da Igreja com o comunismo, «intrinsecamente perverso», como afirmou na encíclica «Divini Redemptoris» (19 de março de 1937).

–A relação da Igreja com a perseguição religiosa mexicana é outro dos dossiês desses anos. O Papa exaltou a fidelidade dos católicos mexicanos na carta «Firmissiamam constantiam» (28 de março de 1937).

–Os arquivos mostrarão também os novos documentos da relação da Santa Sé com a Espanha antes e durante a guerra civil espanhola, e a chegada ao poder do general Francisco Franco.

 
 
 
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