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Meditação do Pe. Thomas Rosica

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 5 de dezembro de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos a meditação do Pe. Thomas Rosica, c.s.b., sobre o segundo domingo do Advento.

O sacerdote, membro do Conselho Geral da Congregação de São Basílio, é professor de de Sagrada Escritura em várias universidades canadenses e presidente do canal de televisão desse país «Salt and Light» (rosica@saltandlighttv.org).

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João Batista, o profeta do Advento

Isaías 40, 1-5.9-11; Salmo 85(84), 9-10.11-12.13-14;

Uma das grandes estrelas das narrações do Advento e do Natal, João Batista, faz hoje sua aparição no cenário bíblico. Consideremos juntos alguns detalhes da vida de João e vejamos por que é tão bom modelo para nós. João Batista não tem travas na língua. Dizia o que pensava e o que precisava. Hoje nos dirigirá palavras igualmente cruas: tocarão diretamente os pontos fracos das nossas vidas. João Batista pregava o arrependimento com credibilidade porque antes amava a Palavra de Deus, que havia escutado no coração de seu próprio deserto.

Escutou, experimentou e viveu a palavra libertadora de Deus no deserto. Sua eficácia no anúncio desta palavra se devia ao fato de que sua vida e sua mensagem eram uma só coisa. A incoerência é uma das coisas mais desalentadoras que temos de enfrentar em nossas vidas. Quantas vezes nossas palavras, nossos pensamentos e nossos gestos não são coerentes! Os verdadeiros profetas de Israel nos ajudam a lutar contra toda forma de incoerência.

Ao longo de toda a história bíblica, os líderes e visionários foram ao deserto para ver com mais clareza, para escutar com atenção a voz de Deus e descobrir outras maneiras de viver. A palavra hebraica para dizer deserto, «midvar», deriva de uma raiz semítica que significa «levar o rebanho ao pasto». «Eremos», a palavra grega utilizada para traduzir «midvar», indica um lugar desolado, pouco povoado, e em seu sentido mais estrito, um terreno abandonado ou deserto.

O termo «deserto» tem dois significados diferentes, mas ligados, que fazem referência a algo selvagem e intrigante. Foi precisamente esta dimensão de desconhecido (intrigante) e descontrolado (selvagem) que levaram ao atual termo «deserto».

Mas há também outra maneira de compreender o sentido da palavra «deserto». Uma análise atenta da raiz da palavra «midvar» revela a palavra «davar», que significa palavra ou mensagem. A noção hebraica de deserto é, portanto, um lugar santo, no qual é possível escutar, experimentar, viver em liberdade a Palavra de Deus. Vamos ao deserto para escutar a Palavra de Deus, de uma maneira desapegada e completamente livre.

O Espírito de Deus permitiu que os profetas experimentassem a presença de Deus. Deste modo, eram capazes de compartilhar as atitudes, os valores, os sentimentos e as emoções de Deus. Este dom lhes permitia ver os acontecimentos de sua época como Deus os via e ter os mesmos sentimentos de Deus diante deles. Compartilham a cólera de Deus, sua compaixão, sua pena, sua decepção, sua repulsa, sua sensibilidade pelas pessoas e sua seriedade. Não viviam estas experiências de maneira abstrata, mas animados pelos mesmos sentimentos de Deus diante dos acontecimentos concretos de sua época.

João Batista é o profeta do Advento. Com freqüência é representado apontando com o dedo Aquele que deve vir, Jesus Cristo. Se, seguindo o exemplo de João, preparamos o caminho do Senhor no mundo de hoje, nossas vidas se converterão também em dedos de testemunhas vivas que mostram que é possível encontrar Jesus, e que está perto. João ofereceu às pessoas de sua época uma experiência de perdão e de salvação, sabendo muito bem que não era o Messias, o que podia salvar. Permitimos aos demais que façam a experiência de Deus, do perdão e da salvação?

João Batista veio para ensinar-nos que há um caminho que nos tira das trevas, da tristeza do mundo e da condição humana, e este caminho é o próprio Jesus. O Messias vem para salvar-nos das forças das trevas e da morte, e nos leva pelo caminho da paz e da reconciliação para que voltemos a encontrar nosso caminho para Deus.

O teólogo jesuíta Karl Rahner, hoje falecido, escreveu em uma ocasião: «Temos de escutar a voz do que nos chama no deserto, ainda que reconheça: não sou o Messias. Não podeis deixar de escutar esta voz ‘porque não é mais que a voz de um homem’. Do mesmo modo, vós tampouco podeis deixar de lado a mensagem da Igreja porque a Igreja ‘não é diga de desatar a correia das sandálias de seu Senhor, que a precede’. Nós nos encontramos, de fato, ainda no Advento».

Talvez não tenhamos o luxo de viajar ao deserto da Judéia, nem o privilégio de fazer um retiro de Advento no deserto do Sinai. De qualquer forma, podemos certamente encontrar um pequeno deserto no meio das nossas atividades e do barulho da semana. Vamos a esse lugar sagrado e deixemos que a Palavra de Deus nos interpele, que nos cure, que volte a orientar-nos, a levar-nos ao coração de Cristo, de quem esperamos a vinda neste Advento.

 
 
 

Por Anônimo Fonte: Veritatis Splendor

“Ora, Samuel tinha morrido e todo Israel o tinha pranteado. Então os filisteus se reuniram e avançaram. Mas quando Saul avistou os filisteus, foi tomado de medo e seu coração tremeu.Saul consultou ao Senhor, mas ele não lhe deu resposta nem por sonhos nem pela sorte e tampouco através dos profetas. Então Saul ordenou aos seus servos: Procurai-me uma mulher entendida em evocar os mortos, pois quero ir a ela e consultá-la.Saul se pôs a caminho com dois homens. Chegaram à casa da mulher de noite. Então ele disse: Por favor, adivinha para mim por meio da necromancia e evoca-me aquele que eu te disser!Então a mulher perguntou: A quem devo evocar? E ele respondeu: Evoca-me a Samuel. Vamos, o que estás vendo? A mulher respondeu a Saul: Estou vendo um deus subindo das profundezas da terra. Ele lhe disse: Qual é a sua aparência? Ela respondeu: É um homem velho que está subindo, envolto num manto. Então Saul reconheceu que era realmente Samuel e caiu com o rosto por terra, prostrando-se para ele.Samuel, porém, disse a Saul: Por que perturbas o meu repouso, evocando-me? Saul respondeu: Vejo-me numa situação desesperada: é que os filisteus me fazem guerra e Deus se retirou de mim, não me tendo respondido nem por boca dos profetas nem por sonhos. Por isso te chamei, para me indicares o que devo fazer.Samuel replicou: Por que ainda me consultas, quando o Senhor se retirou de ti, tornando-se teu adversário? O Senhor cumpriu o que tinha falado por meu intermédio. O Senhor arrancou da tua mão a realeza e a deu ao teu companheiro Davi. Já que não obedeceste ao Senhor e não levaste a cabo a sua cólera ardente contra Amalec, por isso o Senhor hoje te fez isto. O Senhor entregará contigo também a Israel nas mãos dos filisteus, e amanhã tu e teus filhos estareis comigo. O Senhor entregará nas mãos dos filisteus também o exército de Israel.Ao ouvir isto, Saul caiu como fulminado, estatelando-se no chão. É que estava profundamente apavorado com as palavras de Samuel.” (Trechos de 1Sm 28)

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Vemos o Rei Saul inquieto e em grande temor diante do exército dos filisteus, que marchava contra Israel. Ele busca orientação de Deus quanto a estratégia de guerra a usar, mas o Senhor nada responde.

Saul, desesperado, busca então uma médium em Endor, para saber o que fazer. A Bíblia narra que Saul pediu para a mulher evocar Samuel, que já havia morrido.

Aparecendo, poderia ter-se a falsa impressão que foi Samuel quem se comunicou com Saul. Porém, observe alguns detalhes nesta passagem:

Saul não viu nada. A necromante primeiro “viu” um “deus” e depois “viu” um ancião. E Saul deduziu, concluiu, teve uma interpretação subjetiva de que era Samuel.

O “espírito” que simulou ser o espírito de Samuel cometeu uma série de erros em suas previsões:

Disse que no dia seguinte Saul estaria morto. Saul não morreu no dia seguinte à consulta da necromante, mas vários dias depois (só nas passagens de 1Sm 30,13.17 e 31,1-6, temos 5 dias);

Disse que Saul seria entregue nas mãos dos filisteus. Só que Saul se suicidou e foi cremado pelo seu povo. Os filisteus não prenderam, amarraram, mataram, nem enterraram Saul;

Disse também que os filhos de Saul seriam mortos e também aí mentiu. Em 2Sm 2,10 vemos o seu filho Isbosete vivo. Em 2Sm 21,8 vemos mais dois de seus filhos vivos: Armoni e Mifiboset.

Será que este “espírito de Samuel” mentia? Teria o profeta se pervertido após a morte?

A Bíblia diz, em 1Cr 10,13-14, que Saul morreu “porque consultara uma necromante e não o Senhor”. Ora, se Deus permitisse que Samuel se comunicasse com Saul, por que teria ele feito isso com Saul? Ou Deus foi incoerente ou quem se comunicou com Saul não foi Samuel e sim um espírito maligno. Este texto é claro em colocar a situação de escolha: ou você consulta a necromante ou consulta o Senhor.

“Não vos dirijais aos espíritas nem aos adivinhos: não os consulteis, para que não sejais contaminados por eles” (Lv 19,31).

O contato com os espíritos malignos pode gerar sérios problemas físicos e espirituais: resistência às coisas de Deus; incredulidade; pensamentos, sonhos e desejos de morte, dificuldade de crescimento; doenças sem explicações médicas; desequilíbrios emocionais e psíquicos; perturbações mentais e nervosas; resistência e aversão à fé cristã e às coisas sagradas; morte física, espiritual e eterna.

 
 
 

Comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap., sobre a liturgia do próximo domingoROMA, sexta-feira, 7 de julho de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap. — pregador da Casa Pontifícia — sobre a liturgia do próximo domingo, XIV do tempo comum.

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Saiu dali e viu sua pátria

XIV Domingo do tempo comum (B) Ezequiel 1, 13-15-2, 23-25; 2 Coríntios 12, 7-10; Marcos 6, 1-6

Quando já se havia tornado popular e famoso por seus milagres e seu ensinamento, Jesus voltou um dia ao seu lugar de origem, Nazaré e, como de costume, se pôs a ensinar na sinagoga. Mas dessa vez não suscitou nenhum entusiasmo, nenhum hosana! Mais do que escutar o que dizia e julgá-lo segundo isso, as pessoas se puseram a fazer considerações alheias: «De onde tirou esta sabedoria? Não estudou; nós o conhecemos bem; é o carpinteiro, o filho de Maria!». «E se escandalizavam dEle», ou seja, encontravam um obstáculo para acreditar nEle no fato de que o conheciam bem.

Jesus comentou amargamente: «Um profeta só em sua pátria, entre seus parentes e em sua casa carece de prestígio». Esta frase se converteu em provérbio na forma abreviada: Nemo propheta in pátria, ninguém é profeta em sua terra. Mas isso é só uma curiosidade. A passagem evangélica nos lança também uma advertência implícita que podemos resumir assim: cuidado para não cometer o mesmo erro que cometeram os nazarenos! Em certo sentido, Jesus volta a sua pátria cada vez que seu Evangelho é anunciado nos países que foram, em um tempo, o berço do cristianismo.

Nossa Itália, e em geral a Europa, são, para o cristianismo, o que Nazaré era para Jesus: «o lugar onde foi criado» (o cristianismo nasceu na Ásia, mas cresceu na Europa, um pouco como Jesus havia nascido em Belém, mas foi criado em Nazaré!). Hoje correm o mesmo risco que os nazarenos: não reconhecer Jesus: A carta constitucional da nova Europa unida não é o único lugar do qual Ele é atualmente «expulso»…

O episódio do Evangelho nos ensina algo importante. Jesus nos deixa livres, propõe, não impõe seus dons. Aquele dia, ante a rejeição de seus conterrâneos, Jesus não se abandonou a ameaças e invectivas. Não disse, indignado, como se conta que fez Publio Escipión, o africano, deixando Roma: «Ingrata pátria, não terás meus ossos!». Simplesmente foi para outro lugar. Uma vez não foi recebido em certo povoado; os discípulos lhe propuseram fazer baixar fogo do céu, mas Jesus se virou e os repreendeu (Lc 9, 54).

Assim também hoje. «Deus é tímido». Tem muito mais respeito pela nossa liberdade do que temos nós mesmos uns dos outros. Isso cria uma grande responsabilidade. Santo Agostinho dizia: «Tenho medo de Jesus que passa» (Timeo Jesum transeuntem). Poderia, com efeito, passar sem que eu percebesse, passar sem que eu esteja disposto a acolhê-lo.

Sua passagem é sempre uma passagem de graça. Marcos disse sinteticamente que, tendo chegado a Nazaré no sábado, Jesus «se pôs a ensinar na sinagoga». Mas o Evangelho de Lucas especifica também o que ensinou e o que disse naquele sábado. Disse que havia vindo «para anunciar aos pobres a Boa Nova, para proclamar a liberdade aos cativos e a vista aos cegos; para dar a liberdade aos oprimidos e proclamar um ano de graça do Senhor» (Lucas 4, 18-19).

O que Jesus proclama na sinagoga de Nazaré era, portanto, o primeiro jubileu cristão da história, o primeiro grande «ano de graça», do qual todos os jubileus e «anos santos» são uma comemoração.

 
 
 
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