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Fonte: Padre Paulo Ricardo [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=NGq77h0WPEs[/youtube]

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Nosso Senhor, em aparição a Santa Margarida Maria Alacoque, uma religiosa visitandina que vivia em Paray-le-Monial, no século XVII, fez doze promessas à humanidade. A décima segunda promessa, conhecida como “a grande promessa”, diz o seguinte: “Eu prometo, na excessiva misericórdia do meu Coração, que meu amor onipotente concederá a todos os que comungarem durante nove primeiras-sextas feiras do mês seguidas, a graça da penitência final; não hão de morrer em pecado e sem receber os sacramentos, servindo-lhes meu Coração de asilo seguro naquele último momento.”

Pode-se confiar nessa prática devocional para alcançar a salvação? Qual o fundamento para crer nessa promessa?

É claro que, tratando-se de uma revelação privada, essa devoção não pertence ao depósito da fé [1] e não tem o caráter de obrigatoriedade. No entanto, o fato de o Magistério da Igreja ter aprovado repetidas vezes essa revelação torna-a digna de fé e confiança por parte dos fiéis.

Além disso, uma ligeira investigação teológica nas Sagradas Escrituras demonstra que a promessa de Nosso Senhor a Santa Margarida está em perfeita sintonia com o que Ele diz, por exemplo, no Evangelho de São João: “Todos aqueles que o Pai me dá, virão a mim. E eu nunca rejeitarei aquele que vem a mim (…). Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. (…) Quem come deste pão viverá para sempre.” [2]

Há uma ligação entre a Eucaristia e a vida eterna. E não se pode dizer que isso é, em si, supersticioso, pois não se trata de uma realidade natural, sobre a qual se poderia supor algum efeito mágico; é, antes, um sacramento da Igreja, em relação ao qual o próprio Deus estabelece uma promessa. No entanto, adverte a Igreja, “atribuir só à materialidade das orações ou aos sinais sacramentais a respectiva eficácia, independentemente das disposições interiores que exigem, é cair na superstição” [3].

Para evitar que tão bela promessa seja tratada de modo supersticioso, é importante que se comungue em estado de graça e que se confie na misericórdia divina, que é o conteúdo da devoção ao Sagrado Coração de Jesus. A graça da perseverança final, embora não possa ser merecida, é ladeada por esses sinais.

Portanto, a prática das nove primeiras sextas-feiras do mês não é uma mágica, mas uma realidade pedagógica, para que os fiéis se habituem a viver em estado de graça, crescendo na devoção eucarística e na confiança na misericórdia de Deus. Só assim, orando humilde e confiantemente ao Sagrado Coração de Jesus, a alma pode alcançar a graça da penitência final.

Referências

  1. Cf. Catecismo da Igreja Católica, 67: “No decurso dos séculos tem havido revelações ditas ‘privadas’, algumas das quais foram reconhecidas pela autoridade da Igreja. Todavia, não pertencem ao depósito da fé. O seu papel não é ‘aperfeiçoar’ ou ‘completar’ a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente (…).”

  2. Jo 6, 37.54.58

  3. Catecismo da Igreja Católica, 2111

 
 
 

Neste último artigo sobre os ensinamentos de Monsenhor Guido Marini a respeito da liturgia, oferecemos uma distinção entre música sacra e música profana na Missa

Liturgia: mistério da salvação - Parte V

A Missa católica foi o grande berço da música ocidental. Através da polifonia e do tradicional cantochão – o gregoriano -, a Igreja pôde transmitir a Palavra de Deus aos quatro cantos da terra, atingindo tanto os incautos quanto as almas mais elevadas. Foi precisamente por isso que, ao longo de sua história, o Magistério procurou distinguir, repetidas vezes, a música litúrgica ou sacra dos cantos seculares.

Com o advento da revolta protestante e o surgimento de expressões musicais das mais variadas, começaram a proliferar práticas fundamentalmente alheias ao autêntico espírito litúrgico. Foi então que o Concílio de Trento interveio no conflito cultural da época – lembra Monsenhor Guido Marini – “restabelecendo a norma pela qual era prioritário na música aderir à palavra, limitando o uso dos instrumentos e indicando clara diferença entre música profana e música sacra”. A contrarreforma do Concílio simplesmente pôs abaixo o castelo de cartas do protestantismo. A liturgia romana foi “um dos instrumentos mais poderosos da propaganda jesuítica”, derriçando as heresias das seitas ao mesmo tempo em que revigorava a tradição musical daquele período.01

Nos anos seguintes à reforma tridentina, a Igreja continuou sustentando o canto gregoriano como a legítima música litúrgica. E ainda hoje o ensinamento permanece o mesmo. Dando vitalidade aos trabalhos de São Pio X, diz o Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrosanctum Concilium, que a “Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na ação litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar.”02Todavia, apesar das claras admoestações dos padres conciliares – e, obviamente, do magistério posterior -, abriu-se espaço na Missa para expressões bruscamente opostas ao “sentire cum Ecclesia”, chegando-se a tachar a música louvada pelo Sacrossanto Concílio como “velharia”, “coisa ultrapassada” e outros pejorativos.

A argumentação contra o tradicional canto litúrgico – bem como a outras áreas da Tradição – redunda na ideologia do pauperismo. A Igreja não deveria, nas suas celebrações, assumir uma posição rígida, mas simplista, adotando a criatividade popular de forma totalmente subjetivista e aleatória, como se a liturgia fosse um canteiro de obras, sempre aberto a modificações. O protagonista da ação litúrgica passa a ser o povo, qual ocorre nos regimes democráticos da teologia calvinista: sem espaço para distinções, o culto deve ser de todos.

Com efeito, assim como o simplismo de Calvino acabou com a música na França de sua época, o mesmo raciocínio está destruindo as celebrações católicas de agora, pois no centro da ação não está Deus e a reverência devida a Ele, mas o gosto pessoal de um grupo que prevalece, de paróquia em paróquia, sobre o de outros03. E “uma Igreja que se baseia nas decisões da maioria” – recorda o Cardeal Joseph Ratzinger – “torna-se uma Igreja meramente humana”, uma vez que o que se faz a si mesmo “tem sabor do ‘si mesmo’ que desagrada a outros ‘si mesmos’ e bem cedo revela a sua insignificância”04.

No seu livro sobre a liturgia, Monsenhor Guido Marini procura lembrar que “a música sacra não pode ser entendida como expressão da pura subjetividade” já que “essas formas musicais”, ou seja, o gregoriano e a polifonia – “na sua santidade, bondade e universalidade – são precisamente as que traduzem o autêntico espírito litúrgico em notas, melodia e canto: encaminhando para a adoração do mistério celebrado; tornando-se musicada exegese da palavra de Deus”. Do mesmo modo, concorda Bento XVI quando diz que “nem sequer a grande música o gregoriano, ou Bach, ou Mozart é algo do passado, mas vive da vitalidade da liturgia e da nossa fé. Se a fé for viva, a cultura cristã não se tornará algo do “passado”, mas permanecerá viva e presente.”05

Recentemente, a escritora brasileira Adélia Prado fez uma ótima colocação acerca da dessacralização da liturgia. A teologia da libertação, comentava, na ânsia de atingir o pobre acabou por torná-lo mais pobre, pois retirou-lhe a única riqueza que ainda lhe restava: a beleza da liturgia.06 No lugar do órgão colocou-se a sanfona, no lugar das antífonas, os gritos de guerra, e a isso somados os pés de bananeiras, cocos, os berrantes e bandeirolas de festa junina. Ora, é evidente que assim a missa se torna um passatempo, um entretenimento tacanho e brega que, mais cedo ou mais tarde, deixará de ser interessante como qualquer programa de auditório.

O rigor da Igreja com o canto e com as demais partes da missa tem um nome: amor. É por amor a seu Divino Esposo, Jesus, que a Igreja adorna o templo com as mais belas peças e objetos. E assim também com a música. Ela deve se unir ao louvor dos anjos do céu, sendo uma verdadeira expressão de adoração a Deus, que motive sempre e mais e mais o seu rebanho a responder o imperativo das Sagradas Escrituras: “Cantai ao Senhor um cântico novo” (Cf. Sl 96, 1)

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

  1. CARPEAUX, Otto Maria. O Livro de Ouro da História da Música. Ediouro

  2. Constituição Sacrosanctum Concilium, n. 116 e 117

  3. Ibidem n. 1

  4. RATZINGER, Joseph. Compreender a Igreja hoje, vocação para comunhão. Editora Vozes

  5. Audiência Geral de Bento XVI

  6. Discurso de Adélia Prado sobre a liturgia católica

 
 
 

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Pluralismo e tolerância são palavras bastante populares na cultura atual. Mesmo dentro de ambientes considerados dogmáticos, como a religião, os dois conceitos têm adquirido enorme espaço, a ponto de alguns ensinamentos catequéticos se tornarem, de certo modo, assuntos “politicamente incorretos”. É o caso do tema da salvação. Numa época em que domina o lobby globalista a favor do relativismo religioso, “ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja” – como denunciava o Cardeal Joseph Ratzinger, em 2005 – “muitas vezes é classificado como fundamentalismo.”

Para a elite que deseja um “governo global”, o pluralismo religioso tem grande importância. Trata-se de uma verdadeira agenda ideológica. Unificando todos os credos numa superreligião, cria-se a – errônea – sensação de que qualquer uma delas é válida para a salvação, até a mais absurda. A tática consiste na elaboração de um neopaganismo, no qual não exista nenhuma autoridade planetária que não a política. Obviamente, a doutrina católica, sobretudo a do papado, torna-se uma pedra de tropeço para estes intentos, uma vez que o ensinamento sobre a necessidade da Igreja para a salvação é um artigo irrenunciável da fé cristã.

O Magistério da Igreja, preocupado com a onda relativista, procurou esclarecer esses assuntos em várias ocasiões. O Verbo de Deus se encarnou uma única vez, somente Nele se encontra a plenitude da revelação, os meios necessários para o autêntico encontro com Deus. É através de Jesus Cristo e de sua continuação histórica na terra, ou seja, a Igreja Católica que o homem pode ser salvo. Lembrando a Declaração Dominus Iesus, “como existe um só Cristo, também existe um só seu Corpo e uma só sua Esposa” e não há outro nome debaixo do céu pelo qual a humanidade possa alcançar a salvação.

Em 2001, a Congregação para a Doutrina da fé, em nota sobre o livro “Para uma teologia cristã do pluralismo religioso”, do padre jesuíta Jacques Dupuis, elencou cinco pontos básicos e inegociáveis da doutrina católica, principalmente na temática da salvação. A Santa Sé visava corrigir certos equívocos do padre Dupuis e, ao mesmo tempo, ajudar os católicos a praticarem uma reta reflexão acerca do pluralismo e da tolerância religiosa.

O primeiro ponto aborda a doutrina de Jesus Cristo como “o único e universal mediador da salvação de toda a humanidade”. A notificação rechaça a tese de “uma ação salvífica do Verbo” alheia à Pessoa de Cristo, ou seja, “independentemente da humanidade do Verbo encarnado”. Com isso, a Congregação reafirma a supremacia do cristianismo sobre todas as outras religiões. Somente na fé cristã Deus se encarnou, sofreu e morreu na cruz pela humanidade. A ideia segundo a qual Deus teria se encarnado em todas as religiões e que Jesus seria apenas mais uma dessas encarnações é simplesmente absurda, sem qualquer respaldo teológico ou bíblico.

A notificação destaca também a unicidade e a plenitude da revelação em Jesus Cristo. É um dever de todo cristão crer firmemente na mediação de Cristo, no cumprimento e na plenitude da revelação Nele e através Dele, sendo “contrário à fé da Igreja” afirmá-la “limitada, incompleta e imperfeita”. Não há uma única verdade de fé necessária à salvação que não esteja contida na doutrina cristã. E embora existam verdades nas outras religiões, todas elas, de uma maneira ou de outra, derivam “em última análise da mediação fontal de Jesus Cristo”.

Exatamente por isso, a Sagrada Congregação, no terceiro ponto, recorda a capacidade do Espírito Santo de agir “de maneira salvífica tanto nos cristãos como nos não-cristãos”. Todavia, a mesma notificação ensina ser “contrário à fé católica pensar que a ação salvífica do Espírito Santo possa estender-se para além da única e universal economia salvífica do Verbo encarnado”. Isso quer dizer que toda ação do Espírito Santo tem por meio a Igreja – sacramento universal da salvação -, mesmo entre os não-cristãos.

O quarto pilar recorda a vocação universal do homem. Toda a humanidade foi orientada para Jesus: existe uma vocação específica dos seres humanos de todos os tempos, de todos os lugares da história para a Igreja de Cristo. Com isso, a Congregação afirma que “também os seguidores das outras religiões estão orientados para a Igreja e todos são chamados a fazer parte dela”, não sendo possível “considerar as várias religiões do mundo como vias complementares à Igreja em ordem à salvação”.

Finalmente, a notificação da Congregação para a doutrina da fé responde à pergunta central: “nós podemos afirmar que todas as religiões são caminhos de salvação?” O dicastério esclarece que se por um lado “é legítimo defender que o Espírito Santo realiza a salvação nos não-cristãos também mediante os elementos de verdade e de bondade presentes nas várias religiões”, por outro “não tem qualquer fundamento na teologia católica considerar estas religiões, enquanto tais, caminhos de salvação, até porque nelas existem lacunas, insuficiências e erros, (16) que dizem respeito a verdades fundamentais sobre Deus, o homem e o mundo”. As verdades contidas nestas religiões contribuem para a salvação dos membros enquanto verdades ligadas à Pessoa de Jesus Cristo.

Com este ensinamento a Igreja não quer dificultar o diálogo interreligioso, tampouco insuflar a intolerância. Para que exista um saudável diálogo é necessário que ambas as partes sejam sinceras e conscientes de suas identidades. Caso contrário, corre-se o risco de edificar a casa sobre a areia da mentira, condenando-a, futuramente, ao desmoronamento. Foi o que explicou o próprio Cardeal Ratzinger a propósito das polêmicas relacionadas à Declaração Dominus Iesus.

A missão da Igreja é universal, pois corresponde ao chamado do Mestre: “ide pelo mundo e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19). A salvação dos homens só acontece por meio de Jesus Cristo, na sua continuação histórica nesta terra: a Igreja Católica.

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