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  • SANTOS INOCENTES (Aurélio Prudêncio)

    O tirano está transido de pavor Acaba de chegar o Rei dos reis, Que deve reinar sobre Israel e subir ao trono de Davi. Tomando de loucura, ele grita ao mensageiro: “O pretendente se aproxima, expulsemo-lo, Soldado, vai, toma a espada, Tinge o berço de sangue.” Para que serve o crime? A malvadeza pode ajudar Herodes? No meio de todo esse massacre, Cristo foi o único a salvar-se. Salve, ó flores dos mártires! Na aurora de vossa vida O perseguidor de Cristo vos arrebatou Como a tempestade arrebata as flores recém abertas. Primeiras vítimas por Cristo, Terno rebanho de cordeiros imolados, Sob o altar, pequenos inocentes, Brincais com palmas e coroas. (Aurélio Prudêncio) #Igreja

  • O grande cisma do Ocidente

    Vamos falar hoje um pouco sobre um importante evento na história da Igreja que nem todos conhecem, o cisma do ocidente. Para entender o grande cisma do ocidente, temos que voltar um pouco no tempo. No século XIV o então rei da França Felipe IV, o belo, resolveu cobrar impostos do clero, seu país atravessava uma grave crise e ele viu nisso uma forma de recuperar o caixa do país. Lembremos que é esse mesmo rei que irá dissolver a ordem dos cavaleiros templários e confiscar os seus bens, mas isso é assunto para outro dia. A cobrança de imposto do clero era contra as leis da época, o então papa Bonifácio VIII se manifestou de forma veemente contra a atitude do rei. O rei tentou convocar um concílio para depor o papa, sem sucesso, então enviou suas tropas a cidade de Anagni para ameaça-lo, o que resultou numa grande confusão onde o papa foi espancado, coincidência ou não, o papa Bonifácio morreu um mês após esse evento. Os cardeais elegeram um novo papa, Clemente V, que devido a grande instabilidade política em Roma, decide permanecer na França, na cidade de Avingnon. O que era para ser passageiro levou 70 anos, e somente em 1376 o papa Gregório XI retorna de vez a Roma. Dando fim ao que ficou conhecido com “cativeiro de Avingnon”. Quando o papa Gregório XI morre em 1378, o povo de Roma fica muito receoso de que o novo papa retorne para Avingnon, e começam um série de tumultos para que se eleja um papa italiano. No meio dessa confusão, é eleito o novo papa italiano Urbano VI. Urbano VI é um homem rigoroso, ascético e irascível, os cardeais passam a se afastar dele, temendo seu o temperamento e também perder certos privilégios, e acabam se revoltando contra o papa. Secretamente os cardeais se reúnem em concílio e elegem um novo papa (antipapa), Clemente VII, que retorna com os cardeais para Avingnon. Isso dá início ao grande cisma do ocidente, que durará 40 anos. A Igreja agora tem dois papas, e em breve terá um terceiro. Após muitas trocas de acusações, ameaças e manobras políticas durante anos, um concílio foi reunido em Pisa no ano de 1409 para tentar resolver esse impasse, mas quando parecia que tudo ia dar certo, um terceiro papa surge, a Gregório XII e Bento XIII ajuntou-se mais uma cabeça, Alexandre V. A igreja tem agora três papas. O rei da Boêmia resolve intervir, obriga a convocação de um concílio que se realizará em na cidade de Constança em 1414. Levou-se anos, e após muita disputa os 3 papas foram depostos e Martinho V é eleito único papa em 1417, dando fim a quase 40 anos de cisma. Como consequência dessa grave crise, a imagem da Igreja ficou bem arranhada na época. Tenha em mente que o contexto da Europa daquela época agravou ainda mais as coisas. Em 1350 a peste negra varreu a Europa, deixando milhões de mortos, inclusive boa parte do clero, os melhores padres e bispos que sairam a cuidar dos doentes morreram. A guerra dos 100 anos, uma série de conflitos travados de 1337 a 1453 entre os reinos da França e Inglaterra exaltou as disputas políticas e os ânimos nacionalistas. Junte a isso a decadência do ensino universitário, a corrupção generalizada, e a ascensão do movimento renascentista – que fez ressuscitar a cultura pagã, ideais revolucionários e um crescente sentimento nacionalista…temos uma bomba prestes a explodir. Sei que existem muitas nuances e detalhes que não foram abordados, tentei dar um esboço geral do tema de forma simples mas sem ser simplista. Caso alguém se interesse em pesquisar mais sobre o tema, indico os livros abaixo, que serviram de fonte. A divisão da cristandade, da reforma a era do iluminismo – Christopher Dawson História da Igreja de Cristo – Vol. 04 – A Igreja da Renascença e da Reforma – Henri Daniel-Rops História Ilustrada do Cristianismo – Volume 1 – Justo L. Gonzales Tu és Pedro – Georges Suffert Espero que tenham gostado.

  • Decreto do Concílio de Roma (382) sobre o cânon bíblico

    Abaixo está o primeiro decreto eclesiástico sobre os livros canônicos da Igreja das Sagradas Escrituras. É exatamente o mesmo cânon usado hoje pela Igreja Católica que Martinho Lutero removeu sete desses livros, mais porções em Daniel e Ester. ”Como foi dito: Agora, de fato, devemos tratar das divinas Escrituras, que a Igreja Católica universal aceita e o que ela deve evitar. A ordem do Antigo Testamento começa aqui: Gênesis um livro, Êxodo um livro, Levítico um livro, Números um livro, Deuteronômio um livro, Josué Nave um livro, Juízes um livro, Rute um livro, Reis quatro livros, Paralipônemos [i.e. Crônicas] dois livros, Salmos um livro, Salomão três livros, Provérbios um livro, Eclesiastes um livro, Cântico de Cânticos um livro, do mesmo modo Sabedoria um livro, Eclesiástico [i.e. Sirach] um livro. Da mesma forma, a ordem dos profetas. Isaías um livro, Jeremias um livro, com Cinoth, isto é, com suas Lamentações, Ezequiel um livro, Daniel um livro, Oséias um livro, Amós um livro, Miquéias um livro, Joel um livro, Abdias um livro, Jonas um livro, Naum um livro, Habacuque um livro, Sofônias um livro, Ageu um livro, Zacarias um livro, Malaquias um livro. Da mesma forma, a ordem das histórias. Jó um livro, Tobias um livro, Esdras dois livros [i.e. Esdras e Neemias], Ester um livro, Judite um livro, Macabeus dois livros. Da mesma forma, a ordem dos escritos do Novo Testamento Eterno, que somente a Igreja Santa e Católica apóia. Dos Evangelhos, Segundo Mateus um livro, Segundo Marcos um livro, Segundo Lucas um livro, Segundo João um livro. As epístolas de Paulo, o apóstolo, no número de catorze. Para os romanos uma, duas aos coríntios, aos efésios uma, aos tessalonicenses duas, aos gálatas uma, aos filipenses uma, aos colossenses uma, duas a Timóteo, a Tito uma, a Filomom uma, aos hebreus uma. Da mesma forma, o Apocalipse de João, um livro. E os Atos dos Apóstolos um livro. Da mesma forma, as epístolas canônicas no número de sete. De Pedro, o Apóstolo, duas epístolas, de Tiago Apóstolo uma epístola, de João o Apóstolo uma epístola, de outro João, o presbítero, duas epístolas, de Judas, o zelote, o apóstolo uma epístola ”. – Decreto do Concílio de Roma (382 dC) sobre o Cânon das Escrituras durante o reinado do Papa Dâmaso I (366-384 AD).

  • O GRANDE EQUÍVOCO – Mattia Ferraresi

    O valor da civilização ocidental hoje está fora de moda, quando não é negado. Mas Rodney Stark vai contra a corrente e contesta a oposição entre modernidade e cristianismo. É o assunto do seu livro O TRIUNFO DO OCIDENTE, lançado em Portugal pela Editora Guerra e Paz, em 2014. A seguir, entrevista com o historiador americano. Ocidente é uma palavra equívoca. Lembra opressão e tendências imperialistas, horrores coloniais e obscuros projetos de hegemonia global, tanto que as conquistas historicamente nascidas no quadro da tradição ocidental – da ciência e da arte até às liberdades cívicas e políticas, passando pelo mercado livre – no discurso público têm de ser reconduzidas a outras tradições para não incorrer no pecado capital do etnocentrismo. As pretensões de universalidade no âmbito da filosofia e da ciência são na realidade sintoma desse complexo de superioridade com que a cultura ocidental alimentou ao longo dos séculos a sua prepotência. No limite, o ocidente é apresentado como o mais astuto e temível predador do engenho humano: os gregos imitaram a cultura egípcia, a Europa cristã roubou a ciência ao islão e a tecnologia à China. Não é mais do que um copy-paste do melhor da cultura global, perpetrado com meios ilícitos (frequentemente violentos) e sem sequer citar as fontes. Em linha com esta concepção, nas últimas décadas os cursos sobre a civilização ocidental têm sido sistematicamente eliminados das universidades americanas e nas elites acadêmicas a negação da identidade ocidental tornou-se uma posição comum. «Está incrivelmente fora de moda estudar, ou até mesmo falar, de ocidente nestes tempos», escreve Rodney Stark no seu último livro O Triunfo do Ocidente, publicado em Portugal pela Guerra e Paz Editores (2014). Stark nunca receou ir contra a corrente no debate sobre o ocidente. Refutou a superioridade tecnológica da cultura asiática na Idade Média, desmantelou a vulgata das cruzadas enquanto guerras de conquista, pôs até em questão a famosa tese de Max Weber sobre a ética protestante como origem do capitalismo: muito antes da Reforma tinha-se desenvolvido na Europa um sistema bancário florescente. Em dezenas de volumes e artigos, o eminente sociólogo que, segundo diz, se começou a dedicar à religião “por acaso”, explicou o contributo inegável da civilização ocidental, certamente cravejado de contradições, descarrilamentos e erros mas, ainda assim, motor positivo para o desenvolvimento humano e não sarjeta dos males do mundo que importa desmontar. Nascido em 1934 em Jamestown, no North Dakota, numa família luterana, Stark explorou a fundo o desenvolvimento do fenômeno religioso, identificando os elos entre a civilização ocidental – com os seus progressos e ambições universais – e o facto cristão que a cultura mainstream tende a obliterar ou a reduzir. Se no processo de desmantelamento se admite que o ocidente deu algum contributo original à civilização humana, o mérito cabe à modernidade secularizada, que livrou o homem das cadeias mentais do obscurantismo e da superstição cristã. Stark, que, quando em 2007 foi nomeado professor na Baylor University do Texas se definiu como um “cristão independente”, propõe uma leitura oposta: o cristianismo foi um fator decisivo no desenvolvimento das ideias, das instituições políticas, dos sistemas econômicos, das conquistas cívicas e do avanço tecnológico que agora o mundo exalta, mas só na condição de lhe censurar a origem. Talvez seja precisamente nisto que consiste a grandeza do contributo de Stark: ter trazido novamente à luz a ligação entre cristianismo e cultura que séculos de ideologia tentaram sepultar sob espessas camadas de lugares comuns e dicotomias intencionalmente criadas. Entre estas, a radical oposição entre cristianismo e modernidade: daqui parte a conversa com o professor norte-americano. (Mattia Ferraresi) O cristianismo é frequentemente apresentado em oposição à modernidade. Mas o senhor, pelo contrário, defende que a modernidade é um produto do cristianismo, ainda que por vezes se apresente como uma “verdade enlouquecida”, para usar a expressão de Chesterton. Qual é a origem da sua leitura? A base fundamental da modernidade é a fé na razão e a convicção de que o universo é razoável; portanto, em certa medida compreensível. Esta é uma prerrogativa do ocidente, baseada na concepção judaico-cristã de um Deus criador racional. A sua criação assentava, portanto, em leis racionais que podem ser descobertas através da observação e do uso da razão. No entanto a razão parece perder-se quando se julga auto-suficiente. Não é de surpreender que o homem possa abusar da razão e as nossas conquistas científicas possam ser o terreno onde cresce um orgulho desmesurado, é um dos pecados capitais. Quando leio intelectuais antirreligiosos, como por exemplo Richard Dawkins, impressiona-me sobretudo a sua incrível arrogância e o facto de não se darem conta da desproporção entre os seus reduzidíssimos conhecimentos e as maravilhas do universo. O senhor diz que historicamente o ocidente venceu, mas continua a vencer ainda hoje? Logo após o colapso da União Soviética parecia que a história ia no sentido da natural difusão do modelo ocidental em termos políticos, económicos e ideais, mas um olhar à nossa volta basta para entender que não foi assim. A civilização, na forma dos valores iluminados e das instituições liberais, é sempre precária. Especialmente agora que a modernização tecnológica inventada pelo ocidente se propagou, mas muitas vezes sem a civilização. Na realidade, também no ocidente a civilização poderá desaparecer, como sucedeu na Alemanha nazi e na União Soviética, deixando nações inteiras com aviões e tanques, mas sem moralidade. Quer dizer que a civilização não está conquistada de uma vez por todas? Infelizmente muitas pessoas nos países democráticos do ocidente esqueceram, ou nunca refletiram convenientemente, a necessidade de se defender a civilização de semelhante barbárie, então como hoje. Pior, muitas dão por adquiridos os privilégios e parecem incapazes de ver a necessidade de um sacrifício. Qual é a origem desta atitude? Creio que não se trata de um fenômeno novo. Durante anos hesitamos quando se tratou de travar Hitler e Estaline. Infelizmente quem aprendeu pela experiência que era necessário travar a opressão não conseguiu transmitir a mesma urgência às gerações mais jovens. Por isso é que demasiados jovens americanos e europeus pensam que a Guerra fria foi um grande desentendimento e não se querem maçar com problemas distantes, em lugares como a Ucrânia ou o Médio Oriente. Li recentemente que um terço dos jovens inglese não sabe que foi Churchill. Em 2006 dois terços dos americanos entre os 18 e os 24 anos não conseguiam indicar o Iraque no mapa. Dedicou-se durante longo tempo às transformações religiosas na América. Como tem evoluído a relação dos americanos com o fenômeno religioso? Há quem defenda que existe um regresso da necessidade religiosa, acompanhado porém de uma profunda crise das igrejas tradicionais. O ponto de observação menos favorável para tentar perceber o que sucede na América é uma sala de professores onde os professores falam entre si e apenas leem coisas escritas por eles ou por jornalistas que vivem igualmente isolados do mundo real. Apesar de todos estes estarem à espera de uma mudança do sentimento religioso na América, continuou incrivelmente estável. A participação nas vidas das igrejas é estável há cinquenta anos, mais de oitenta por cento dos americanos acredita nos anjos, a maior parte reza (um terço reza mais de uma vez ao dia) e os ateus são 4 por cento da população desde 1944, o primeiro ano de que há dados significativos. Onde nasceu o erro de perspectiva?  Muitas vezes a falsa impressão de secularização é originada por líderes religiosos que perderam a fé ou estão completamente afastados do sentimento geral, mas a tendência de estabilidade permanece porque estes líderes conduzem denominações que estão a perder rapidamente os seus fiéis, os quais se voltam para igrejas que “conservaram a fé”. A Europa parece decididamente mais secularizada.  Sim, é verdade. Mas é muito mais uma crise das igrejas do que uma questão de irreligiosidade. E isto em parte é o reflexo da falta de competição entre igrejas. Onde muitas trabalham para os seus membros, como sempre sucedeu nos Estados Unidos e agora também na América Latina, nota-se um nível mais profundo de religiosidade. Estou a trabalhar sobre as perspectivas religiosas europeias num livro que vai sair no próximo Outono, significativamente intitulado The Global Religious Awakening: the Triumph of Faith Over Secularity. (26-01-2015) Em: http://www.revistapassos.pt/default.asp?id=483&id_n=301&ricerca=chesterton

  • JESUS CRISTO – O SACRAMENTO DA NOSSA RECONCILIAÇÃO (São Leão Magno, papa)

    A humildade foi assumida pela majestade, a fraqueza, pela força, a mortalidade, pela eternidade. Para saldar a dívida de nossa condição humana, a natureza impassível uniu-se à natureza passível. Deste modo, como convinha à nossa recuperação, o único mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, podia submeter-se à morte através de sua natureza humana e permanecer imune em sua natureza divina. Por conseguinte, numa natureza perfeita e integral de verdadeiro homem, nasceu o verdadeiro Deus, perfeito na sua divindade, perfeito na nossa humanidade. Por “nossa humanidade” queremos significar a natureza que o Criador desde o início formou em nós, e que assumiu para renová-la. Mas daquelas coisas que o Sedutor trouxe, e o homem enganado aceitou, não há nenhum vestígio no Salvador; nem pelo fato de se ter irmanado na comunhão da fragilidade humana, tornou-se participante dos nossos delitos. Assumiu a condição de escravo, sem mancha de pecado, engrandecendo o humano, sem diminuir o divino. Porque o aniquilamento, pelo qual o invisível se tornou visível, e o Criador de tudo quis ser um dos mortais, foi uma condescendência da sua misericórdia, não uma falha do seu poder. Por conseguinte, aquele que, na sua condição divina se fez homem, assumindo a condição de escravo, se fez homem. Entrou, portanto, o Filho de Deus neste mundo tão pequeno, descendo do trono celeste, mas sem deixar a glória do Pai; é gerado e nasce de modo totalmente novo. De modo novo porque, sendo invisível em si mesmo, torna-se visível como nós; incompreensível, quis ser compreendido; existindo antes dos tempos, começou a existir no tempo. O Senhor do universo assume a condição de escravo, envolvendo em sombra a imensidão de sua majestade; o Deus impassível não recusou ser homem passível, o imortal submeteu-se às leis da morte. Aquele que é verdadeiro Deus, é também verdadeiro homem; e nesta unidade nada há de falso, porque nele é perfeita respectivamente tanto a humanidade do homem como a grandeza de Deus. Nem Deus sofre mudança com esta condescendência da sua misericórdia nem o homem é destruído com sua elevação a tão alta dignidade. Cada natureza realiza, em comunhão com a outra, aquilo que lhe é próprio: o Verbo realiza o que é próprio do Verbo, e a carne realiza o que é próprio da carne. A natureza divina resplandece nos milagres, a humana, sucumbe aos sofrimentos. E como o Verbo não renuncia à igualdade da glória do Pai, também a carne não deixa a natureza de nossa raça. É um só e o mesmo – não nos cansaremos de repetir – verdadeiro Filho de Deus e verdadeiro Filho do homem. É Deus, porque no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus: e o Verbo era Deus. É homem, porque o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,1.14). (Das Cartas de São Leão Magno, papa – Epist. 28, ad Flavianum, 4: PL 54,763-767 – Séc. V). #Cristologia #Igreja

  • IRINEU, VÍTOR E O PRIMADO ROMANO

    Por Fábio Morais, S. Irineu (afirmamos nós, católicos, cobertos de razão) constitui uma das principais testemunhas da primazia romana. Com efeito, a clareza com a qual se expressa em ‘Adversus Haereses’ é inatacável (versais minhas): —- “…ad hanc enim ecclesiam propter POTENTIOREM PRINCIPALITATEM necesse est omnem conveniere Ecclesiam, hoc est, eos quis sunt undique fidelis, in qua semper ab his, qui sunt undique, conservata est ea quae est ab apostolis traditio” (3,2) —- Thiago Dutra, no blog chimfrim do Elisson Freire, traduz corretamente, embora de latim não entenda patavinas (versais minhas): —- …”Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela, por causa da sua AUTORIDADE PREEMINENTE, toda a igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos’”. —- Roma, pois, para S. Irineu, tem uma “AUTORIDADE PREEMINENTE”. É guarda infalível da Tradição Apostólica. Todas as igrejas devem concordar com ela. É S. Irineu quem o diz. Todavia, houve a famosa controvérsia Quartodecimana, acerca da Páscoa, quando o Papa Vítor resolveu excomungar as igrejas da Ásia Menor por se recusarem a seguir a praxe de Roma. Ora, diante disso, S. Irineu escreve a Vitor, buscando a paz, em vista da unidade da Igreja. Eis uma das passagens de S. Irineu (segundo o ‘e-cristianismo’, site PROTESTANTE) (versais minhas): —- “ aqueles presbíteros que GOVERNARAM A IGREJA antes de Sotero E SOBRE A QUAL PRESDIS AGORA , digo Aniceto e Pio, Higino com Telésforo e Xisto, também não o observaram e não permitiram que seus seguidores o observasse. Ainda assim, ainda que eles mesmos não o observassem, nem por isso tiveram menos paz com os das igrejas em que aquilo era observado, sempre que vinham a eles; ainda que guardá-lo, então, fosse mais uma oposição aos que não o guardavam. E também EM TEMPO ALGUM DESLIGARAM ALGUÉM SÓ POR CAUSA DA FORMA. Mas os próprios presbíteros diante de vós, que não o observavam, enviaram a eucaristia àqueles das igrejas que o observavam. E quando o bendito Policarpo foi à Roma, nos dias de Aniceto, e tiveram pequena desavença entre eles igualmente a respeito de outras questões, reconciliaram-se de imediato, sem discutir muito um com o outro nesse assunto. Pois nem Aniceto conseguiu persuadir Policarpo a não observá-lo, porque ele sempre o observara com o apóstolo João e o restante dos apóstolos com quem se associara; nem Policarpo persuadiu Aniceto a observá-lo, pois este dizia que era obrigado a manter a prática dos presbíteros anteriores a ele. Sendo assim, eles comungaram um com o outro e, na igreja, Aniceto cedeu a Policarpo, sem dúvida por respeito, o ofício de consagrar; e se separaram em paz, ficando toda a igreja em paz; tanto os que observavam como os que não, mantendo paz”(ver aqui: http://www.e-cristianismo.com.br/…/irineu-e-a-igreja-em-rom…). —– Percebam as expressões acima destacadas . Para S. Irineu, Vítor “GOVERNA A IGREJA! S. Irineu não diz que Vítor governa “A IGREJA DE ROMA”, mas “A IGREJA”, sem maiores esclarecimentos. A Igreja INTEIRA, portanto. S. Irineu afirma que Vítor preside TODA A IGREJA (‘SOBRE A QUAL PRESIDIS AGORA…”) Porque para S. Irineu, em Roma residia a “POTENTIOREM PRINCIPALITATEM”, a “AUTORIDADE PREEMINENTE”… Por isso, deixa patente que o bispo de Roma TINHA AUTORIDADE PARA EXCOMUGAR as igrejas da Ásia (versais minhas): —- “Ainda assim, ainda que eles mesmos não o observassem, nem por isso tiveram menos paz com os das igrejas em que aquilo era observado, sempre que vinham a eles; ainda que guardá-lo, então, fosse mais uma oposição aos que não o guardavam. E também EM TEMPO ALGUM DESLIGARAM ALGUÉM SÓ POR CAUSA DA FORMA.” —- Ou seja: PODERIAM TER DESLIGADO, mas não o fizeram. Para S. Irineu, Vítor é o chefe da Igreja. Caros irmãos católicos, isso lembra, a vocês, alguma coisa ? A mim lembra! Lembra S. Inácio de Antioquia aos Romanos, cuja tradução retiro-a também do ‘e-cristianismo’, SITE PROTESTANTE (para não me chamarem de “tendencioso”) (versais minhas): —- “Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja que recebeu a misericórdia, por meio da magnificência do Pai Altíssimo e de Jesus Cristo, seu Filho único; à Igreja amada e iluminada pela bondade daquele que quis todas as coisas que existem, segundo fé e amor dela por Jesus Cristo, nosso Deus; À IGREJA QUE PRESIDE na região dos romanos…” (ver aqui: http://www.e-cristianismo.com.br/…/inacio-de-antioquia-epis…) S. Irineu e S, Inácio, dois testenunhos incontestáveis do Primado Papal. Especificamente sobre S. Irineu, sabemos que nasceu na Ásia Menor, foi discípulo de S. Policarpo, que por sua vez privou da companhia e dos ensinamentos do Apóstolo apóstolo João. É autoridade acima de qualquer contestação. E reconheceu o primado romano, como vimos acima. Se não o houvesse reconhecido, a sua atitude SERIA INTEIRAMENTE OUTRA! Para demonstrá-lo, passo a palavra ao terror dos hereges, o Pe, Leonel Franca (versais minhas): —- “A carta de Irineu…é, pelo contrário, para quem não é cego voluntário, uma das suas provas [ do Primado de Roma] mais claras. Poucos homens do século II possuiram a erudição, a intrepidez, a autoridade de Irineu. Discípulo de S. Policarpo, que o fora do apóstolo S. João, passara a sua juventude na Ásia. Mais tarde veio para o Ocidente e foi bispo das Gálias. Escreveu um grande volume contra as heresias do seu tempo e, quando explodiu a perseguição, deu animosamente a vida pela fé. Tal é o santo que escreveu a Vítor. – Suponhamos, por um instante, verdadeira a hipótese do sr. Oiticica [com quem então Leonel Franca debatia]: antes de Vítor todos os bispos eram iguais; a sua intervenção [de Vítor] na Ásia foi o primeiro ato autoritativo do bispo de Roma fora da sua diocese. A Irineu, portanto, ESSE ATO DEVERIA AFIGURAR-SE COMO UMA USURPAÇÃO; MAIS, COMO UMA DEFORMAÇÃO ESSENCIAL NA IGREJA PRIMITIVA. Qual então o dever do santo, sábio e intrépido pastor ? DENUNCIAR AO MUNDO ESTE DETURPADOR DA OBRA DE CRISTO COMO DENUNCIARA OUTROS HEREGES, DIZER-LHE, ALTO E BOM SOM, QUE AS SUAS EXCOMUNHÕES, INJUSTAS E USURPADORAS, NÃO TINHAM EFEITO, que ele [S.Irineu] e os outros bispos continuariam pacificamente a comunicar com os seus irmãos da Ásia Menor; que o maior de todos os males era, por uma ambição mesquinha e pessoal, desnaturar e perverter toda a antiga instituição de Cristo. ISTO DEVERIA FAZER IRINEU na hipótese desesperada do sr. Oiticica. Que fez ? Reconhece implicitamente ao Papa plenos poderes de excomungar , mas procura “decenter” [isto é:nos limites da conveniência] que não use da sua severidade em coisa que não interessa a fé” (Polêmicas, Agir, 1953, pp. 394-395). —- S. Irineu queria a paz. Nada além disso. Não questionou a legítima autoridade juridicional de Vítor. Antes, a atestou. Atestou-a S. Irineu, como antes dele atestara-a S. Inácio e, depois de ambos, os demais Pais da Igreja. Para a desgraça do protestantismo…

  • O erro dos protestantes

    Por Dayane Mota. Quando protestantes dizem que a Igreja católica foi “corrompida”, são eles que tomam a Igreja como uma mera instituição humana, não nós. Tudo que é mera instituição humana é passível de corrupção. Agora veja o seguinte: a Igreja de Cristo é, de certa forma, também uma instituição, já que instituição é aquilo que foi INSTITUÍDO. A diferença é que os católicos entendem que a Igreja foi instituída por Cristo e, como estamos num mundo material, ela não é apenas um corpo místico espiritual e invisível do Senhor, mas é também o corpo FÍSICO de Cristo, composto pelos MEMBROS pecadores e santos (nós) e a cabeça, que é o próprio Deus. Só uma pessoa com alguma espécie de atraso ou problema cognitivo não compreende que a Igreja não pode ser essa coisa etérea e anárquica fundamentada na livre interpretação protestante das Sagradas Escrituras. Toda a crise em relação a autoridade que temos hoje em dia, toda crise em relação às noções de unidade e todas as ideologias (que são uma tentativa de encaixar a realidade dentro dum modo subjetivo de pensamento) advém também da rebeldia dos homens em relação a Igreja Católica lá no passado. E isso não é uma tentativa de colocar os “evangélicos” como bodes expiatórios, até porque quem traiu a Igreja não foram os protestantes, mas sim os próprios católicos. Quem traiu Jesus foi Judas. Um protestante é só um ex católico, mesmo que ignore isso. Não ha essência no protestantismo se não há a Igreja como corpo para ele protestar. É como um parasitismo. Funciona através do ódio à Igreja e macaqueacão dela. Basicamente a mesma natureza decaída luciferina: ele sente ódio de Deus e o imita. Depois expõe suas razões “racionais” perventendo a verdade e incutindo outros pecados nos homens para que eles criem uma imagem mental sobre Deus, como a preguiça pra não procurar saber sobre a natureza Divina, a ideia de “tanto faz uma ou outra”, a soberba, a presunção etc. Isso ocorreu na queda e continua correndo aqui, evidentemente. Da mesma forma, não há possibilidade de entender o que é uma heresia quando você não sabe o que não é uma heresia. Para haver um herege, se faz necessária a ortodoxia para que ele a “corrompa”. Como você sabe o que é uma doença renal sem considerar a existência dum rim? É óbvio e evidente que o protestantismo é uma espécie de delírio coletivo que tomou conta de muitas almas e, enraizado pela repetição de mentiras sem sustentação, apenas fundamentados em versículos esparsos e explicações oriundas de premissas falsas e equivocadas, você vai ter pessoas vivendo suas vidas “normalmente” dentro dessa mentira colossal, repetindo os velhos mantras ensinados por essa casta de intelectuais que surgem depois do iluminismo, cheios de ideias revolucionárias e “modernas”, mas que na verdade não passam das velhas mentiras satânicas já refutadas pelo corpo de Cristo, que são as heresias. Como o corpo de Cristo é santo, nenhuma doença se casa com ELE. Ele vence tudo, renova tudo e expulsa tudo. A chaga pode ser feita no corpo físico, mas também é expulsa mais tarde. O que eu não compreendo é o simples fato de que esse pessoal ignora solenemente a razão quando você explica que, se Cristo verdadeiramente institui uma Igreja (Que também se reflete no mundo material com templos, doutrina, formação de magistério, hierarquias, sacramentos etc) como podem eles não compreenderem PELA FORÇA DA VERDADE que a acusação deles sobre “corrupção da Igreja” só pode ser uma alternativa falsa? Se a Igreja existe APESAR dos homens nela, por que insistem em dizer que ela se corrompeu? E afinal de contas, se A igreja se deixou corromper e não existe como tal (ou existe só como “pessoas professando Jesus” sem o menor senso de unidade, cada um fazendo o que dá na telha), por que o protestantismo ainda tem “templos”, “cultos”, pastores e formas afetadas e deturpadas de sacramentos? Se a igreja se corrompeu POR CAUSA DOS HOMENS, o que faz que os nossos amigos protestantes pensem que seus templos não são corrompidos, já que é um dado da realidade que todos os homens no mundo (exceto a Virgem e Cristo) nasceram SOB O PECADO? Só existem duas conclusões possíveis: Ou eles são todos uma casta de santos imaculados em seus templos e infalíveis em suas interpretações (mesmo que aleguem a falibilidade da Igreja usando do argumento de que homens são falíveis) ou a Igreja jamais se corrompeu e vocês perderam o fio da meada e estão adorando um falso deus. Protestantes estão errados.

  • A POLÊMICA PROTESTANTE NA HISTÓRIA DO BRASIL: UM FRACASSO COMPLETO

    ———————— São antigos os embates teológicos entre católicos e protestantes, neste nosso Brasil. Já na segunda metade do século XIX (época mais importante da implantação do protestantismo em nosso país) eles já se faziam presentes. Nesses quase dois séculos, vários personagens destacaram-se em tais lutas do pensamento, em busca sincera da verdade cristã em sua sua pureza original. Sobre o assunto, cito as palavras de Carlos Barros Gonçalves, Mestre em História pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFG) e Pesquisador do Centro de Documentação Regional da UFGD. ——— “Outros dois personagens de destaque na história do protestantismo brasileiro, sobretudo devido os debates e polêmicas sobre o catolicismo, foram os presbiterianos Álvaro Reis e Eduardo Carlos Pereira. Álvaro Reis (1864-1925) foi um grande pregador e polemista. Diversos de seus sermões e controvérsias foram publicados. O livro As setes palavras de Cristo na cruz, publicado numa série pelo Jornal do Comércio (RJ) durante a Semana Santa15 do ano de 1914, foi conforme palavras do próprio Álvaro Reis, fruto da espera pelo “costumeiro ataque do rev. Padre Dr. Julio Maria ao catholicismo evangélico. Surpreendido por não tê-lo feito, resolvi, na véspera de Domingo de Ramos, encetar uma série de conferências sobre o Evangelho da Cruz, tomando por tema as últimas sete quão sublimes palavras proferidas por Cristo quando pregado na cruz” (REIS, 1917)16. 14 Questão Religiosa é uma expressão brasileira da luta entre a Igreja e o mundo liberal. Anos antes do conflito entre os bispos e o Imperador D. Pedro II, o episcopado brasileiro vinha tendo confrontos com o pensamento liberal e o realismo imperial” (MENDONÇA; VELASQUES FILHO, 2002, p. 70). 15 A chamada Semana Santa faz parte do calendário cristão, sobretudo do católico, e tem como marco temporal de início a chegada de Jesus Cristo na cidade de Jerusalém, dias antes da crucificação, e o chamado Domingo de Páscoa, quando se comemora a ressurreição de Jesus e o fim da referida semana. 16 Outras obras do reverendo Álvaro Reis: O mimetismo católico, debate com o ultramontano Dr. Carlos Pimenta de Laet da Academia Brasileira de Letras; O tribunal de Cristo; As origens chaldaicas da Bíblia; Os escândalos; O clamor das pedras. 158 Fronteiras, Dourados, MS, v. 12, n. 21, jan./jun. 2010 Universidade Federal da Grande Dourados O reverendo Eduardo Carlos Pereira (1855-1923) foi o organizador da Sociedade Brasileira de Tratados Evangélicos que a partir de 1883 publicou diversos folhetos, a maioria escrito por protestantes brasileiros, e que diziam respeito ao discurso anticatolicismo: A bem-aventurada virgem Maria (1887), O único advogado dos pecadores (1884), O culto dos santos e dos anjos (1884) entre outros. O reverendo ainda publicou ao longo de seu ministério pastoral diversos textos nos jornais protestantes do país. Um das obras de sua autoria, fruto de debate foi O protestantismo é uma nulidade, polêmica com o Monsenhor Nascimento Castro, em 1896 (MENDONÇA, 1995, p. 87). Outro nome importante no que se refere a publicações anticatolicismo foi o reverendo presbiteriano Ernesto Luiz de Oliveira (1875-1938). Em 1906, por exemplo, entrou em contenda com o pároco de Campinas ao debater sobre a fala atribuída a Jesus Cristo Isto é o meu corpo, narrada no episodio conhecido como a última ceia, registrado no livro de I Coríntios, capítulo 11 e versículo 24, e a interpretação a ser dada a essa assertiva (LIMA, 1995, p. 10). Outros escritos foram Breves reparos às conferências do Revmo. Mar. Manoel Vicente (1903), Vindicação da fé evangélica perante a Bíblia-refutação ao opúsculo A Igreja Católica e o Protestantismo do bispo de Campinas (1904), Roma, a Igreja e o AntiCristo (2 ed. 1961), São Pedro ou São Rocha (1933). Convém citar também o reverendo Othoniel Mota (1878-1951), talvez o mais erudito dos polemistas protestantes. Importante filólogo e intelectual reconhecido. Dirigiu a Biblioteca Pública de São Paulo, atual Biblioteca Mário de Andrade, foi membro da Academia Paulista de Letras, escreveu diversos livros e artigos de jornal. Aposentou-se como professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (LIMA, 1995, p. 10). Do lado católico, convém citar o padre Julio Maria de Lombaerde (1878- 1944), que escreveu diversos textos ao longo da década de 1920 de combate aos “filhos de Lutero”. Os escritos de Julio Maria o tornaram nacionalmente conhecido como polemista, recebendo a alcunha de martelo do protestantismo no Brasil. Alguns de seus livros: O perigo dos colégios protestantes (1929), Palhaçada protestante (1929), A mulher e a serpente (1930), Objeções e erros protestantes (1932), Ataques protestantes às verdades católicas (1934) e muitos outros. Sem dúvida, o padre Júlio Maria fez por merecer o dito nome de martelo do protestantismo, pois, foi um dos escritores polemistas que mais publicaram textos de caráter antiprotestantismo no Brasil. Sem dúvida, um divisor na história dos debates entre católicos e protestantes no Brasil foram os escritos do padre Leonel Franca. Ao longo da década de 1920 Leonel Franca escreveu diversos textos de combate ao protestantismo no Brasil, bem como publicou respostas aos argumentos protestantes. Um exemplo foi a resposta ao livro O problema religioso da América Latina (1916)17. de Eduardo Carlos Pereira, que vinculava o atraso econômico e intelectual do Brasil à religião católica secular. A resposta de Franca foi intitulada A Igreja, a Reforma e a civilização, com o subtítulo com observações críticas à margem d’O problema religiosa da América Latina do Sr. Eduardo Carlos Pereira. As publicações dos debates ocorridos a partir das manifestações de Leonel Franca ganharam tal dimensão que ao longo dos anos de 1920 e primeiros de 1930, outros protestantes de renome como o reverendo Othoniel Motta, que utilizava o pseudônimo de Frederico Hansen, Ernesto Luiz de Oliveira e Lisânias de Cerqueira Leite. Entre as publicações de Leonel Franca, destacam-se Catolicismo e protestantismo (2. ed. 1952), Lutero e o sr. Frederico Hansen (3. ed. 1952), O protestantismo no Brasil (3. ed. 1952). Do reverendo Othoniel Motta, Lutero e o Padre Leonel Franca (1933), A defesa do padre Leonel Franca (1933), O papado e o padre Leonel Franca (1933), A divinação do papa (1934). Lisânias de Cerqueira Leite publicou Protestantismo e romanismo: resposta ao pé da letra, à obra de Leonel Franca S. J., A Igreja, a Reforma e a civilização (vol. I, 1933, vol. II 1938, vol. III 1942) e A Igreja, o papado e a Reforma (1941)” (ver aqui: http://ojs.ufgd.edu.br/…/FRONTEIR…/article/viewFile/1179/716) ———- Vemos, no artigo acima, que Carlos Barros Gonçalves citou várias personalidades, protestantes e católicas: Rev.. Álvaro Reis Dr. Carlos de Laet (católico) Pe. Júlio Maria de Lombaerde Rev. Eduardo Carlos Pereira Rev. Ernesto Luis de Oliveira Reverendo Othoniel Motta Rev. Lisânias de Cerqueira Leite e…. …O PE. LEONEL FRANCA! Este merece uma consideração à parte. Falemos, antes, porém, brevemente, alguma coisa sobre os demais. O pastor Álvaro Reis ( pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil e presidente, por dois anos, do Supremo Concílio da referida igreja (na época denominado Assembléia Geral) foi, segundo o texto acima: “um grande pregador e polemista”. O Rev. Reis é, de fato, um nome reconhecidíssimo e muito festejado pelos “reformados” brasileiros. Até um busto em sua homenagem foi inaugurado no Rio de Janeiro, em praça que leva o seu nome (ver aqui: https://www.google.com.br/search…) Muito bem. Esse “grande polemista” foi esmagado em debate com o leigo católico Dr. Carlos de Laet. ESMIGALHADO! Leigo entre aspas Carlos de Laet! Com efeito, “PRÍNCIPE DOS JORNALISTAS” chama-lhe Elvandro de Azevedo Burity, em obra sobre o grande autor. ver aqui: http://gleg.com.br/Livrospublic…/OPríncipedosJornalistas.pdf) Fez parte da ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. E no site da própria ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, da qual Carlos de Laet ocupou a cadeira de ninguém menos do que Ruy Barbosa, está: —- Carlos de Laet (Carlos Maximiliano Pimenta de Laet), jornalista, professor e poeta, nasceu em 3 de outubro de 1847, no Rio de Janeiro, RJ, e faleceu também no Rio de Janeiro em 7 de dezembro de 1927. Convidado para a última sessão preparatória da instalação da Academia, em 28 de janeiro de 1897, foi o fundador da cadeira n. 32, que tem como patrono Araújo Porto-Alegre…Na Academia Brasileira, Laet recebeu sempre provas de apreço e consideração de seus companheiros. Eleito presidente em 1919, na vaga de Rui Barbosa, exerceu três mandatos até 1922, quando renunciou. Foi presidente da primeira comissão do Dicionário da Academia.(ver aqui: http://www.academia.org.br/academi…/carlos-de-laet/biografia) —- Escreveu cerca de 3.000 artigos! (ver aqui: https://m.facebook.com/cdbosco/posts/1716328808663425) Um GIGANTE das letras nacionais, portanto. Vitorioso, por exemplo, em debates com homens da envergadura de Camilo Castelo Branco. “Debates vitoriosos”, digo, porque os li, em: “Obras Seletas de Carlos de Laet, v. 2 – Polêmicas”, com mais de 400 páginas. E na magnífica obra “HERESIA PROTESTANTE” (Editora A. Campos, s/d), reduziu a pó os argumentos do referido pastor (Álvaro Reis) , principalmente sobre a Intercessão dos Santos. Reduziu, sim! Porque também possuo a obra (em português antigo e belíssimo) e pude constatar. E quem quiser constatar também, que leia a obra e comprove. Está na Estante Virtual e custa cerca de R$ 300,00, por ser livro raro. Quanto ao Pe. Júlio Maria de Lombaerde, este não carece nem sequer de apresentação. Como vemos no texto acima, recebeu a alcunha de ” martelo do protestantismo no Brasil”. NUNCA FOI REFUTADO COM SUCESSO, apesar das muitas tentativas feitas. E, por fim, o príncipe dos apologistas católicos brasileiros, em minha modesta opinião: O PE. LEONEL FRANCA! Depois de ler a obra ” O Problema Religioso da América Latina”, do Rev. Eduardo Carlos Pereira ( que exerceu grande influência nos círculos protestantes de sua época), o Pe. Franca a rebateu em sua: “A Igreja, a Reforma e a Civilização”. E a rebateu de tal forma, que o PROTESTANTE Émile-G. Léonard (integrante da Escola Francesa de Roma e professor da Universidade de Nápoles), na obra “O Protestantismo Brasileiro”, editada pela ASTE, afirma do livro do Pe. Franca que este trouxe (versais minhas): —- “Respostas fáceis A UM FRACO LIVRO DE APOLOGÉTICA pragmatista de EDUARDO CARLOS PEREIRA”. ( s/d, p. 214) —- Sem falar que houve até pastores que, após lerem a obra do Pe. Leonel Franca, abandonaram o protestantismo e se fizeram católicos. Contra o Pe. Leonel Franca se insurgiram, depois, o Rev. Ernesto Luiz de Oliveira, o Rev. Othoniel Mota e o Rev. Lisânias de Cerqueira Leite. TODOS FORAM CABALMENTE REFUTADOS! Para terem um ideia, APENAS A INTRODUÇÃO de “Catolicismo e Protestantismo”, que o Pe. Franca escreveu em réplica à: “Roma, a Igreja e o Anticristo” (do Rev. Ernesto Luiz de Oliveira), APENAS TAL INTRODUÇÃO desacredita completamente a obra do pastor. Otoniel Motta e Lisânias Cerqueira Leite foram ambos refutados CABALMENTE em “O Protestantismo no Brasil”, livro que Éber Ferreira S. Lima, na obra: “Leonel França Versus Protestantes: Itinerário de uma Polêmica” (livro que recomendo), chama de: “O CANTO DO CISNE” do grande jesuíta. Para quem não sabe, a expessão metafórica “Canto do Cisne” é normalmente usada para as últimas realizações de uma pessoa. É usada, como diz https://www.significados.com.br/canto-do-cisne/ (versais minhas): —- “…para descrever a derradeira e mais importante obra de um artista, como se este tivesse alcançado nos últimos momentos de vida, UMA SUPREMA INSPIRAÇÃO ARTÍSTICA”. —- Foi o que se deu com o Pe. Franca em sua réplica à Othoniel Motta (que escrevia sob o pseudônimo de Frederico Hansen) e ao Rev, Lisânias. Uma obra de arte, emoldurada por um vernáculo magnífico. Vernáculo que muito me influenciou e que, talvez por isso, alguns hereges deste grupo duvidem que sou eu mesmo o autor do que posto. É que lendo carcaças como Silas Malafaia, R.R. Soares e Marco Feliciano, esse povo desaprende! Falo tudo isso, sobre essa polêmica toda que faz parte da nossa história religiosa e cujo resultado inegável foi o triunfo da apologética católica, porque TENHO COMIGO os autos do processo. Tenho os livros dos autores católicos e protestantes que citei. Tenho todas as exposições, com as respectivas réplicas e tréplicas… Portanto, embora eu não seja nenhum “funkeiro”, como disse, maliciosamente, o Fabiano Dias, reitero a frase: “TÁ TUDO DOMINADO!” Na história do Brasil, a apologética protestnte, no seu melhor, SEMPRE PERDEU. Como perde aqui, no seu pior. — Créditos: Fábio Morais

  • A fé na Providência de Takashi Nagai

    A nuvem blasfema em forma de cogumelo transformou a mulher que Takashi amava em ossos carbonizados. Ainda assim sua fé na Providência Divina transformou as Chamas malignas da fissão nuclear na carruagem misteriosa de Elias! Pode-se ver isso claramente em duas pinturas em Nanquim , que ele fez na Nyokodo. Atualmente , elas podem ser vistas no pequeno Museu , construído ao lado da Nyokodo. A primeira representa Maria, inspirada indubitavelmente na pintura , de Murilo, da Santíssima Virgem Maria elevada ao céu numa nuvem. A segunda é similar , porém a mulher sobre a nuvem é Midori. Ela não tem vestido ornamentado como o de Maria. Veste as calças largas do tempo de guerra e a blusa que usava na explosão da bomba sobre Urakami. Há uma outra diferença: Midori está de pé sobre uma nuvem de cogumelos! Hino a Nagasaki, Paul Glynn. Tradução : Pe. Lino Stahl, SJ. Edições Loyola. Pág. 200.

  • O DIA QUE O SENHOR FEZ PARA NÓS – Domingo da Divina Misericórdia

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Pela água e pelo sangue”, clicar AQUI PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Atos dos Apóstolos 4, 32-35) Fé no Ressuscitado, fundamento do amor cristão A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava como próprias as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum. Com grandes sinais de poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E os fiéis eram estimados por todos. Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas vendiam-nas, levavam o dinheiro, e o colocavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um. SALMO 117 Porque Deus é amor, amemos (Antífona): Dai graças ao Senhor, porque ele é bom; “eterna é a sua misericórdia!” — A casa de Israel agora o diga: “Eterna é a sua misericórdia!” A casa de Aarão agora o diga: “Eterna é a sua misericórdia!” Os que temem o Senhor agora o digam: “Eterna é a sua misericórdia!” — A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou, a mão direita do Senhor fez maravilhas! — Não morrerei, mas, ao contrário, viverei para cantar as grandes obras do Senhor! O Senhor severamente me provou, mas não me abandonou às mãos da morte. — A pedra que os pedreiros rejeitaram tornou-se agora a pedra angular. Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: que maravilhas ele fez a nossos olhos! Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1João, 5, 1-6) Amar é fazer a vontade de Deus Caríssimos: Todo o que crê que Jesus é o Cristo, nasceu de Deus, e quem ama aquele que gerou alguém, amará também aquele que dele nasceu. Podemos saber que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Pois isto é amar a Deus: observar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, pois todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé. Quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo. (Não veio somente com a água, mas com a água e o sangue.) E o Espírito é que dá testemunho, porque o Espírito é a Verdade. EVANGELHO (São João 20, 19-31) Não vimos, mas cremos Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, para que, crendo, tenhais a vida em seu nome. O DIA QUE O SENHOR FEZ PARA NÓS (Comentário de Scott Hahn) Três vezes, no Salmo de hoje, gritamos vitoriosamente que a misericórdia de Deus é eterna. Conhecemos verdadeiramente o amor eterno de Deus, que veio até nós como Salvador. Pelo sangue e pela água, que fluíram do seu lado transpassado (v. João 19,34), fomos feitos filhos e filhas de Deus, como diz a epístola de hoje. Contudo, nunca encontramos Jesus pessoalmente, nem o ouvimos pregar, nem o vimos ressuscitar dos mortos. Sua palavra de salvação chegou até nós pela Igreja – através do ministério dos apóstolos, os quais, no evangelho de hoje, são enviados assim como Ele foi enviado. Ele era um Espírito vivifivante (v. 1Coríntios 15,45) que encheu os seus apóstolos desse mesmo Espírito. Como ouvimos na primeira leitura de hoje, eles testemunharam sua ressurreição com grande poder. Pelo seu testemunho, transmitido à Igreja através dos séculos, seus ensinamentos e tradições chegaram até nós (v. Atos 2,42). Encontramos o Senhor assim como os apóstolos o encontraram — partindo o pão no dia do Senhor (v. Atos 20,7; 1Coríntios 16,2; Apocalipse 1,10). Há algo de litúrgico no modo como os eventos do evangelho de hoje se desenvolvem. É como se João estivesse nos mostrando como o Senhor ressuscitado vem até nós pela liturgia e pelos sacramentos. Ambas as cenas ocorrem em um domingo, ao entardecer. As portas estavam bem fechadas, mas mesmo assim Jesus entrou misteriosamente. Cumprimentou-os: “A paz esteja convosco”, que era a saudação de todo mensageiro divino (v. Daniel 10,19; Juízes 6,23). Dá-lhes provas de sua presença física. E, em ambas as noites, os discípulos respondem com alegria, recebendo Jesus como seu “Senhor”. Não é isto o que acontece na Missa — onde nosso Senhor nos fala em Sua Palavra, e se entrega a nós no sacramento de Seu corpo e sangue? Vamos nos aproximar do altar com alegria, sabendo que cada Eucaristia é o dia que o Senhor fez para nós — quando a vitória da Páscoa retorna, prodigiosamente, diante dos nossos olhos. https://stpaulcenter.com/el-dia-que-ha-hecho-el-senor-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-domingo-de-la-divina-misericordia/ https://stpaulcenter.com/the-day-the-lord-made-scott-hahn-reflects-on-divine-mercy-sunday/

  • NOVA CRIATURA EM CRISTO – O DOMINGO (Santo Agostinho, bispo)

    Minha palavra se dirige a vós, filhos recém-nascidos, pequeninos em Cristo, nova prole da Igreja, graça do Pai, fecundidade da Mãe, germe santo, multidão renovada, flor de nossa honra e fruto do nosso trabalho, minha alegria e coroa, todos vós que permaneceis firmes no Senhor. É com palavras do Apóstolo que vos falo: Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não deis atenção à carne para satisfazer as suas paixões (Rm 13,14), a fim de que, também na vida, vos revistais daquele que revestistes no sacramento. Todos vós que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. O que vale não é mais ser judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um só, em Jesus Cristo (Gl 3,27-28). Nisto reside a força do sacramento: é o sacramento da vida nova que começa no tempo presente pela remissão de todos os pecados passados, e atingirá sua plenitude na ressurreição dos mortos. Pelo batismo na sua morte, fostes sepultados com Cristo, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos, assim também leveis uma vida nova (cf. Rm 6,4). Agora caminhais pela fé, vivendo neste corpo mortal como peregrinos longe do Senhor. Mas o vosso caminho seguro é aquele mesmo para quem vos dirigis, Jesus Cristo, que se fez homem por amor de nós. Para os seus fiéis ele preparou um grande tesouro de felicidade, que há de revelar e dar abundantemente a todos os que nele esperam, quando recebermos na realidade aquilo que recebemos agora só na esperança. Hoje é o oitavo dia do vosso nascimento. Hoje completa-se em vós o sinal da fé que, entre os antigos patriarcas, consistia na circuncisão do corpo no oitavo dia depois do nascimento segundo a carne. Por isso, o próprio Senhor, despojando-se por sua ressurreição da mortalidade da carne e revestindo-se de um corpo não diferente mas imortal, ao ressuscitar consagrou o “dia do Senhor”, que é o terceiro dia depois de sua paixão, mas na contagem semanal dos dias, é o oitavo a partir do sábado, e coincide com o primeiro dia da semana. Por conseguinte, também vós participais do mesmo mistério, não ainda na realidade perfeita mas na certeza da esperança,porque recebestes a garantia do Espírito. Com efeito, se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória (Gl 3,1-4). (Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo – Sermo 8, in octava Paschae 1. 4: PL46, 838. 841 – Séc. V). #Batismo #Cristologia #Igreja

  • O AMOR ME EXPLICOU TUDO (João Paulo II)

    O amor explicou cada coisa. O amor resolveu tudo para mim. É por isso que admiro o amor onde quer que se encontre. Se o amor é tão bom e simples… Se sentimos saudade e nostalgia… Então eu entendo por que Deus aprecia as pessoas simples… Cujos os corações são puros mas não sabem expressar o amor. Deus veio de longe… E Ele parou a um passo do vazio… perto de nossos olhos. Talvez a vida seja uma onda de surpresas… Uma onda maior do que a morte. Não tenha medo. Nunca! (João Paulo II).

  • AS RESPONSABILIDADES SOBRE AS MORTES NA INQUISIÇÃO

    A Inquisição não condena à morte, e jamais se lerá o nome de um sacerdote católico no fim de uma condenação a pena capital. – Joseph de Maistre Se o herege era condenado à morte, era-o pela lei do estado. A igreja não tinha mais culpa da imposição da pena capital pelo Estado, que culpa você teria de uma eletrocução? Se, na qualidade de júri, desse um voto de culpado a um prisioneiro acusado de assassinato, que depois seria sentenciado à morte pelo juiz. – David Goldstein Crê-se que a Inquisição era um tribunal puramente eclesiástico; isto é mentira. Acredita-se que os eclesiásticos que se sentam neste tribunal condenam certos acusados à pena de morte; é falso. Crê-se que os condenam por simples opiniões; é falso. – Joseph De Maistre Podemos verificar que houve erros deliberados na forma de abordar este assunto, pois como se pode abordar um assunto corretamente prescindindo de suas partes essenciais? Menciona-se muito pouco o fato de que não era o tribunal de inquisição nem seus funcionários quem executava a pena capital, e sim o estado, “por meio de suas leis legitimamente impostas e unanimemente aceitas”, como reconhece Tuberville. Por sua vez, não se pode deixar de reconhecer que a maior parte dos condenados pelo tribunal da Inquisição com penas leves, se tivessem sido julgados por tribunais civis ou protestante, teriam tido como destino certo, a morte, pois assim ordenar a legislação vigente em crimes como a heresia, e inclusive em crimes menores. Já vimos até à saciedade que o condenado que o condenado como herege na Inquisição merece salvará sua vida simplesmente arrependendo-se. É por isso que acerta Tomás Barutta, ao afirmar que olhar “os hereges já eram mortos antes que inquisição se ocupasse deles”, pois se não era o poder civil, era o povo quem os executava ou perseguia. Em respeito à verdade, deve-se reconhecer que o tribunal da inquisição foi o que de melhor poderia acontecer naqueles tempos para os hereges: se alguém era suspeito, contava com uma série de garantias e direitos inquebrantáveis; se culpado, até mesmo dos mais graves delitos, sempre podia salvar sua vida. A melhor prova da benignidade do tribunal e desta realidade é, sem dúvida, o baixíssimo número de pessoas entregues ao poder civil: apenas cerca de 2%. Embora, como regra geral, a entrega do Herege ao estado significasse, na maioria das vezes, a morte certa, isto era algo que o tribunal nada podia fazer para evitar, já que transcendia o âmbito de sua competência e função. O tribunal devia limitar-se a estabelecer se o suspeito era ou não culpado de Heresia. Observa bem De Maistre: “separemos, portanto, e distingamos exatamente, quando discorremos sobre a Inquisição, a parte do governo da parte da igreja. Tudo o que o Tribunal apresenta de severo e espantoso, e sobretudo a pena de morte, pertence ao governo; é assunto próprio dele, e é somente a ele que se deve pedir contas. Pelo contrário, toda a clemência, que desempenha um grande papel no tribunal da Inquisição, deve-se à ação da Igreja, que se tem algo a ver com os suplícios, é para suprimí-los ou suavizá-los. Esse caráter independente nunca se alterou; hoje já não é um erro, mas sim um crime, afirmar ou simplesmente imaginar que os Padres possam pronunciar sentenças de morte”. A responsabilidade que pode ser lançada ao santo ofício é semelhante a que cabe ao juiz dos tribunais modernos, cuja função é específica consiste em manifestar-se sobre a culpabilidade ou inocência de uma pessoa, conforme a evidência disponível, empregando um agudo do critério. Se declarasse por exemplo, que uma pessoa é culpada de ter cometido múltiplos homicídios, e a pena estipulada pelo Estado e suas leis para este delito fosse a morte – como ainda acontece em muito estados dos Estados Unidos -, não teria nenhuma culpa ou sangue em suas mãos, pois o juiz não faz as leis, sua função está em fazê-las cumprir. Isto acontece na atualidade, entretanto não verá a ninguém por aí acusando de assassino ao juiz que declara o assassino culpado, e nem mesmo ao carrasco, ou aos próprios cidadãos que com seu voto endossam a pena máxima no estado. É preciso compreender que o tribunal da inquisição foi uma instituição estabelecida pela coroa com um fim específico (e exclusivo); investigar e processar os hereges. O tribunal nada podia fazer – pois não correspondia a ele – para mudar as leis vigentes e aceitas por todos, pois essa jurisdição correspondia à autoridade temporal e não à igreja. Já vimos em outros textos os incontáveis esforços que os inquisidores faziam para obter o arrependimento do réu, a fim de que salvasse sua vida, admitindo-o a qualquer momento à reconciliação. Se depois de tudo isto o Herege persistia em sua atitude de desafio às autoridades, apesar de todos os tratos dispensados, era evidente que desejava morrer e não tinha medo de ser condenado. Não era o Santo Ofício nem o estado quem o condenado à morte, mas sim ele mesmo. Insiste a esse respeito o Conde De Maistre: “Se a lei espanhola impõe a pena de morte contra tal ou qual o crime, a justiça secular não pode opor-se à lei; e se a inquisição, como ocorre sempre, só condena baseada em provas evidentes, suas sentenças, nos casos de condenação à morte, serão sempre seguidas de morte, mas sem que o tribunal em nada se misture com ela; e sempre permanece que a inquisição não condena à morte, que autoridades secular tem absoluto direito de proceder como melhor o entender, e que se, em virtude desta cláusula tão cara à igreja, os juízes enviavam um inocente ao suplício, os primeiros culpados seriam eles”. Com tudo isto, surpreende que até mesmo historiadores sérios e simpáticos ao tribunal com Bernardino Llorca considerem a entrega ao poder secular como um eufemismo da igreja para desligar-se das responsabilidades das mortes (com relação à este assunto, surpreende a posição do apologia esta espanhol Bernardino Llorca, que considera, em síntese, que a entrega do réu ao poder secular [pedindo misericórdia à autoridade civil] constituía um mero eufemismo, uma formalidade, a fim que aliviar a consciência e desligar-se da responsabilidade por sua morte. No entanto, temos razões para crer que esta sua afirmação não corresponde a uma convicção pessoal, mas sim ao desejo de fazer uma sólida defesa do tribunal, de maior aceitação, estruturada sobre os seus aspectos “mais fortes”. Acreditava, talvez ingenuamente, que este era um tema menor que de forma alguma poderia prejudicar a imagem de um tribunal virtuoso e justo, como demonstraria com abundância de argumentos em seu ensaio, apoiado por documentação categórica e fidedigna. Não levou em conta que o detrator, por essência, busca minuciosamente, sem dar tréguas, cada “ponto fraco”. Não se entenda esta apreciação como uma defesa “cega” do tribunal; simplesmente queremos observa que nesta questão particular, com freqüência tão mal estudada, há uma série de argumentos razoáveis que permitem afirmar que a atitude do tribunal não teve nada de eufemismo. O historiador francês Tuberville concorda com Llorca, dizendo que “do mesmo modo que é essencial compreender o fato de que os hereges eram queimados por Estado e não pela Inquisição, também é essencial não enganar-se com isso, imaginando que a inquisição se livra de todo a responsabilidade moral neste assunto. Somente o apologistas ignorantes do Santo Ofício cometem erro tão grande e estúpido de afirmar tal coisa”. O que Tuberville não entende, e de alguma maneira Llorca também não entendeu, é que a verdade, seja ou não “estrategicamente” conveniente, deve ser dita, ainda mais em um assunto tão importante como o que foi mencionado aqui. Não se trata aqui de ser ou não apologista ou detrator. A dor com que o inquisidores de ordinário entregavam o réu às autoridades civis era às vezes de estremecer. Registravam-se casos em que chegavam a irromper emocionalmente, rogando encarecidamente ao poder civil que tivesse clemência, que se fosse possível aliviasse o castigo. comenta Tuberville a este respeito: “Os Inquisidores faziam tudo quanto podiam para salvar o réu com incessantes argumentos e exortações. Somente quando este fervoroso reforço de redenção tropeçava contra uma grande obstinação é que afastavam seus braços protetores e deixavam-nos nas mãos do poder temporal, que procederia com ele não de acordo com a grande paciência que demonstrava igreja, mas com uma justiça estrita e imparcial (Tuberville). É escusado dizer que nenhum assassinato, por mais atual que seja, pode desculpar os assassinos do passado – e certamente não me refiro aqui á Inquisição. Porém algumas comparações, sempre que sejam válidas e razoáveis, podem servir para medir a atuação, intensidade e intenção de um e outro. Embora não seja a oportunidade de estender-nos demasiado sobre o que todos sabem e lêem todos os dias, não podemos deixar de mencionar o último informe da anistia internacional, onde se registra detalhadamente uma infinidade de casos de inocentes e suspeitos aprisionados, torturados e executados sistematicamente, sem julgamento nem garantias, pelas principais potências democrática do mundo. Isto sem contar os casos dos quais não se tem conhecimento, mas de cuja existência se suspeita com bastante segurança, e que são ainda mais graves. Em “o conceito do político”, observa muito bem Carl Schmitt:” Na atualidade a guerra se desenrola sob a forma de ‘última guerra final da humanidade’. Tais guerras são necessariamente de uma particular intensidade e desumanidade, posto que, superando o ‘político’, desqualificam o inimigo inclusive sob o perfil moral, assim como em todos os demais aspectos, e transformam-no em um monstro feroz que não pode ser apenas derrotado, senão que deve ser definitivamente destruído, isto é, que não deve ser mais somente um inimigo a se encerrar em seus limites”. É interessante a observação feita pelo grande historiador espanhol Adolfo Juncos, em meados do século passado: “com relação ao modo de executar, usava-se então geralmente o garrote (estrangulamento), e para os delitos mais graves, a fogueira. Hoje usa-se, segundo o costume dos diversos países, o fuzilamento no méxico, a forca na inglaterra, a guilhotina na frança, a cadeira elétrica nos EUA. Qual é o pior? Descubra você!( Alfonso Juncos, Inquisição sobre a inquisição, ediciones proa méxico 1933) A injustiça, selvageria e ilegalidade deveriam, como norma, preocupar seriamente a um século que ainda, em muitos aspectos, não chegou à altura do saco XVI. “O maior crime agora está – dizia um historiador – não nos que matam, mas nos que não matam mas deixam matar. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja #HistóriadaInquisição

  • CRISTO, AUTOR DA RESSURREIÇÃO E DA VIDA (Autor antigo)

    Lembrando a felicidade da salvação recuperada, Paulo exclama: assim como por Adão entrou a morte neste mundo, da mesma forma por Cristo foi restituída a salvação ao mundo. (cf. Rm 5,12). E ainda: O primeiro homem, tirado da terra, é terrestre; o segundo homem, que vem do céu, é celeste (1Cor 15,47). E prossegue, dizendo: Como já refletimos a imagem do homem terreno, isto é, envelhecido pelo pecado, assim também refletimos a imagem do celeste (1Cor 15,49), ou seja, conservaremos a salvação do homem recuperado, redimido, renovado e purificado em Cristo. Segundo o mesmo Apóstolo, Cristo é o princípio, quer dizer, é o autor da ressurreição e da vida; em seguida, vêm os que são de Cristo, isto é, os que vivendo na imitação da sua santidade, podem considerar-se sempre seguros na esperança da sua ressurreição e receber com ele a glória da promessa celeste. É o próprio Senhor quem afirma no Evangelho: Quem me segue não perecerá, mas passará da morte para a vida (cf. Jo 5,24). Deste modo, a paixão do Salvador é a salvação da vida humana. Precisamente para isso ele quis morrer por nós, a fim de que, acreditando nele, vivamos para sempre. Ele quis, por algum tempo, tornar-se o que somos, para que, alcançando a sua promessa de eternidade, vivamos com ele para sempre. É esta a imensa graça dos mistérios celestes, é este o dom da Páscoa, é esta a grande festa anual tão esperada, é este o princípio da nova criação. Nesta solenidade, os novos filhos que são gerados nas águas vivificantes da santa Igreja, com a simplicidade de crianças recém-nascidas, fazem ouvir o balbuciar da sua consciência inocente. Nesta solenidade, os pais e mães cristãos obtêm, por meio da fé, uma nova e inumerável descendência. Nesta solenidade, à sombra da árvore da fé, brilha o esplendor dos círios com o fulgor que irradia da pura fonte batismal. Nesta solenidade, desce do céu o dom da graça que santifica os recém-nascidos e o sacramento espiritual do admirável mistério que os alimenta. Nesta solenidade, a assembleia dos fiéis, alimentada no regaço materno da santa Igreja, formando um só povo e uma só família, adorando a Unidade da natureza divina e o nome da Trindade, canta com o Profeta o salmo da grande festa anual: Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos (Sl 117,24). Mas, pergunto, que dia é este? Precisamente, aquele que nos trouxe o princípio da vida, a origem e o autor da luz, o próprio Senhor Jesus Cristo que de si mesmo afirma: Eu sou a luz. Se alguém caminha de dia, não tropeça (Jo 8,12; 11,9), quer dizer, aquele que em todas as coisas segue a Cristo, chegará, seguindo os seus passos, ao trono da eterna luz. Assim pedia ele ao Pai em nosso favor, quando ainda vivia em seu corpo mortal, ao dizer: Pai, quero que onde eu estou, aí estejam também os que acreditaram em mim; para que assim como tu estás em mim e eu em ti, assim também eles estejam em nós (cf. Jo 17,20s). (Da Homilia pascal de um Autor antigo – Sermo 35, 6-9: PL17 [ed. 1879], 696-697). #Cristologia #Igreja

  • O BATISMO, SINAL DA PAIXÃO DE CRISTO (Das Catequeses de Jerusalém)

    Fostes conduzidos à santa fonte do divino Batismo, como Cristo, descido da cruz, foi colocado diante do sepulcro. A cada um de vós foi perguntado se acreditava no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Vós professastes a fé da salvação e fostes por três vezes mergulhados na água e por três vezes dela saístes; deste modo, significastes, em imagem e símbolo, os três dias da sepultura de Cristo. Assim como nosso Senhor passou três dias e três noites no seio da terra, também vós, na primeira emersão, imitastes o primeiro dia em que Cristo esteve debaixo da terra; e na imersão, a primeira noite. De fato, como aquele que vive nas trevas não enxerga nada, pelo contrário, aquele que anda de dia está envolvido em plena luz. Assim também vós, na imersão, como que mergulhados na noite, nada vistes; mas na emersão, fostes como que restituídos ao dia. Num mesmo instante, morrestes e nascestes, e aquela água de salvação tornou-se para vós, ao mesmo tempo, sepulcro e mãe. Apesar de situar-se em outro contexto, a vós se aplica perfeitamente o que disse Salomão: Há um tempo para nascer e um tempo para morrer (Ecl 3,2). Convosco sucedeu o contrário: houve um tempo para morrer e um tempo para nascer. Num mesmo instante realizaram-se ambas as coisas e, com a vossa morte, coincidiu o vosso nascimento. Ó fato novo e inaudito! Na realidade, não morremos nem fomos sepultados nem crucificados nem ainda ressuscitamos. No entanto, a imitação desses atos foi expressa através de uma imagem e daí brotou realmente a nossa salvação. Cristo foi verdadeiramente crucificado, verdadeiramente sepultado e ressuscitou verdadeiramente. Tudo isto foi para nós um dom da graça, a fim de que, participando da sua paixão através do mistério sacramental, obtenhamos na realidade a salvação. Ó maravilha de amor pelos homens! Em seus pés e mãos inocentes, Cristo recebeu os cravos e suportou a dor; e eu, sem dor nem esforço, mas apenas pela comunhão em suas dores, recebo gratuitamente a salvação. Ninguém, portanto, julgue que o batismo consista apenas na remissão dos pecados e na graça da adoção filial. Assim era o batismo de João que concedia tão-somente o perdão dos pecados. Pelo contrário, sabemos perfeitamente que o nosso batismo não só apaga os pecados e confere o dom do Espírito Santo, mas é também o exemplar e a expressão dos sofrimentos de Cristo. É por isso mesmo que Paulo exclama: Será que ignorais que todos nós, batizados em Jesus Cristo, é na sua morte que fomos batizados? Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele (Rm 6,3-4). (Das Catequeses de Jerusalém – Cat. 20, Mystagogica 2, 4-6: PG 33,1079-1082 – Séc. IV). #Igreja

  • A UNÇÃO DO ESPÍRITO SANTO (Das Catequeses de Jerusalém)

    Batizados em Cristo e revestidos de Cristo, vós vos tomastes semelhantes ao Filho de Deus. Com efeito, Deus que nos predestinou para a adoção de filhos tornou-nos semelhantes ao corpo glorioso de Cristo. Feitos, portanto, participantes do corpo de Cristo, com toda razão sois chamados “cristãos”, isto é, ungidos; pois foi de vós que Deus disse: Não toqueis nos meus ungidos (Sl 104,15). Tomastes-vos “cristãos” no momento em que recebestes o selo do Espírito Santo; e tudo isto foi realizado sobre vós em imagem, uma vez que sois imagem de Cristo. Na verdade, quando ele foi batizado no rio Jordão e saiu das águas, nas quais deixara a fragrância de sua divindade, realizou-se então a descida do Espírito Santo em pessoa, repousando sobre ele como o igual sobre o igual. O mesmo aconteceu convosco: depois que subistes da fonte sagrada, o óleo do crisma vos foi administrado, imagem real daquele com o qual Cristo foi ungido, e que é, sem dúvida, o Espírito Santo. Isaías, contemplando profeticamente este Espírito, disse em nome do Senhor: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu; enviou-me para dar a boa-nova aos humildes (Is 61,1). Cristo jamais foi ungido por homem, seja com óleo ou com outro unguento material. Mas o Pai, ao predestiná-lo como Salvador do mundo inteiro, o ungiu com o Espírito Santo. É o que nos diz Pedro: Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo (At 10,38). E o profeta Davi cantava: Vosso trono, ó Deus, é eterno, sem fim; vosso cetro real é sinal de justiça: vós amais a justiça e odiais a maldade. É por isso que Deus vos ungiu com seu óleo, deu-vos mais alegria que aos vossos amigos (Sl 44,7-8). Cristo foi ungido com o óleo espiritual da alegria, isto é, com o Espírito Santo, chamado óleo de alegria, precisamente por ser o autor da alegria espiritual. Vós, porém, fostes ungidos com o óleo do crisma, tornando-vos participantes da natureza de Cristo e chamados a conviver com ele. Quanto ao mais, não julgueis que este crisma é um óleo simples e comum. Depois da invocação já não é um óleo simples e comum, mas um dom de Cristo e do Espírito Santo, tornando-se eficaz pela presença da divindade. Simbolicamente unge-se com ele a fronte e os outros membros. E enquanto o corpo é ungido com óleo visível, o homem é santificado pelo espírito que dá a vida. (Das Catequeses de Jerusalém – Cat. 21, Mystagogica 3,1-3; PG 33,1087-1091 – Séc. IV). #Igreja

  • O PÃO DO CÉU E A BEBIDA DA SALVAÇÃO (Das Catequeses de Jerusalém)

    Na noite em que foi entregue, nosso Senhor Jesus Cristo tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e deu-o a seus discípulos, dizendo: “Tomai e comei: isto é o meu corpo”. Em seguida, tomando o cálice, deu graças e disse: “Tomai e bebei: isto é o meu sangue” (cf. Mt 26,26-27; 1Cor 11,23-24). Tendo, portanto, pronunciado e dito sobre o pão: Isto é o meu corpo, quem ousará duvidar? E tendo afirmado e dito: Isto é o meu sangue, quem se atreverá ainda a duvidar e dizer que não é o seu sangue? Recebamos, pois, com toda a convicção, o Corpo e o Sangue de Cristo. Porque sob a forma de pão é o corpo que te é dado, e sob a forma de vinho, é o sangue que te é entregue. Assim, ao receberes o corpo e o sangue de Cristo, te transformas com ele num só corpo e num só sangue. Deste modo, tendo assimilado em nossos membros o seu corpo e o seu sangue, tornamo-nos portadores de Cristo; tornamo-nos, como diz São Pedro, participantes da natureza divina (2Pd 1,4). Outrora, falando aos judeus, dizia Cristo: Se não comerdes a minha carne e não beberdes o meu sangue, não tereis a vida em vós (cf. Jo 6,53). Como eles não compreenderam o sentido espiritual do que lhes era dito, afastaram-se escandalizados, julgando estarem sendo induzidos por Jesus a comer carne humana. Na Antiga Aliança havia os pães da propiciação; por pertencerem ao Velho Testamento, já não mais existem. Na Nova Aliança, porém, trata-se de um pão do céu e de um cálice da salvação que santificam a alma e o corpo. Assim como o pão é próprio para a vida do corpo, também o Verbo é próprio para a vida da alma. Por isso, não consideres o pão e o vinho eucarísticos como se fossem elementos simples e vulgares. São realmente o corpo e o sangue de Cristo, segundo a afirmativa do Senhor. Muito embora os sentidos te sugiram outra coisa, tem a firme certeza do que a fé te ensina. Se foste bem instruído pela doutrina da fé, acreditas firmemente que aquilo que parece pão, embora seja como tal sensível ao paladar, não é pão, mas é o corpo de Cristo. E aquilo que parece vinho, muito embora tenha esse sabor, não é vinho, mas é o sangue de Cristo. Antigamente, bem a propósito, já dizia Davi nos salmos: O pão revigora o coração do homem, e o óleo ilumina a sua face (Sl 103,15). Fortifica, pois, teu coração, recebendo esse pão espiritual e faze brilhar a alegria no rosto de tua alma. Com o rosto iluminado por uma consciência pura, contemplando como num espelho a glória do Senhor, possas caminhar de claridade em claridade, em Cristo Jesus, nosso Senhor, a quem sejam dadas honra, poder e glória pelos séculos sem fim. Amém. (Das Catequeses de Jerusalém – Cat. 22, Mystagogica 4,1.3-6.9: PG 33, 1098-1106 – Séc.IV). #Cristologia #Eucaristia #Igreja

  • O Espírito vivifica – São Basílio, bispo (século IV)

    O Senhor que nos concede a vida, estabeleceu conosco a aliança do batismo, como símbolo da morte e da vida. A água é imagem da morte e o Espírito nos dá o penhor da vida. Assim, torna-se evidente o que antes perguntávamos: por que a água está unida ao Espírito? É dupla, com efeito, a finalidade do batismo: destruir o corpo do pecado para que nunca mais produza frutos de morte, e vivificá-lo pelo Espírito, para que dê frutos de santidade. A água é a imagem da morte porque recebe o corpo como num sepulcro; e o Espírito, por sua vez, comunica a força vivificante que renova nossas almas, libertando-as da morte do pecado e restituindo-lhes a vida. Nisto consiste o novo nascimento da água e do Espírito:na água realiza-se a nossa morte, enquanto o Espírito nos traz a vida. O grande mistério do batismo realiza-se em três imersões e três invocações, para que não somente fique bem expressa a imagem da morte, mas também a alma dos batizados seja iluminada pelo dom da ciência divina. Por isso, se a água tem o dom da graça, não é por sua própria natureza mas pela presença do Espírito. O batismo, de fato, não é uma purificação da imundície corporal, mas o compromisso de uma consciência pura perante Deus. Eis por que o Senhor, a fim de nos preparar para a vida que brota da ressurreição, propõe-nos todo o programa de uma vida evangélica, prescrevendo que não nos entreguemos à cólera, sejamos pacientes nas contrariedades e livres da aflição dos prazeres e do amor ao dinheiro. Isto nos manda o Senhor, para nos induzir a praticar, desde agora, aquelas virtudes que na vida futura se possuem como condição natural da nova existência. O Espírito Santo restitui o paraíso, concede-nos entrar no reino dos céus e voltar à adoção de filhos. Dá-nos a confiança de chamar a Deus nosso Pai, de participar da graça de Cristo, de sermos chamados filhos da luz, de tomar parte na glória eterna, numa palavra, de receber a plenitude de todas as bênçãos tanto na vida presente quanto na futura. Dá-nos ainda contemplar, como num espelho, a graça daqueles bens que nos foram prometidos e que pela fé esperamos usufruir como se já estivessem presentes. Ora, se é assim o penhor, qual não será a plena realidade? E, se tão grandes são as primícias, como não será a consumação de tudo? O Senhor que nos concede a vida, estabeleceu conosco a aliança do batismo, como símbolo da morte e da vida. A água é imagem da morte e o Espírito nos dá o penhor da vida. Assim, torna-se evidente o que antes perguntávamos: por que a água está unida ao Espírito? É dupla, com efeito, a finalidade do batismo: destruir o corpo do pecado para que nunca mais produza frutos de morte, e vivificá-lo pelo Espírito, para que dê frutos de santidade. A água é a imagem da morte porque recebe o corpo como num sepulcro; e o Espírito, por sua vez, comunica a força vivificante que renova nossas almas, libertando-as da morte do pecado e restituindo-lhes a vida. Nisto consiste o novo nascimento da água e do Espírito:na água realiza-se a nossa morte, enquanto o Espírito nos traz a vida. Pia Batismal, no Batistério em frente a Catedral de Florença O grande mistério do batismo realiza-se em três imersões e três invocações, para que não somente fique bem expressa a imagem da morte, mas também a alma dos batizados seja iluminada pelo dom da ciência divina. Por isso, se a água tem o dom da graça, não é por sua própria natureza mas pela presença do Espírito. O batismo, de fato, não é uma purificação da imundície corporal, mas o compromisso de uma consciência pura perante Deus. Eis por que o Senhor, a fim de nos preparar para a vida que brota da ressurreição, propõe-nos todo o programa de uma vida evangélica, prescrevendo que não nos entreguemos à cólera, sejamos pacientes nas contrariedades e livres da aflição dos prazeres e do amor ao dinheiro. Isto nos manda o Senhor, para nos induzir a praticar, desde agora, aquelas virtudes que na vida futura se possuem como condição natural da nova existência. O Espírito Santo restitui o paraíso, concede-nos entrar no reino dos céus e voltar à adoção de filhos. Dá-nos a confiança de chamar a Deus nosso Pai, de participar da graça de Cristo, de sermos chamados filhos da luz, de tomar parte na glória eterna, numa palavra, de receber a plenitude de todas as bênçãos tanto na vida presente quanto na futura. Dá-nos ainda contemplar, como num espelho, a graça daqueles bens que nos foram prometidos e que pela fé esperamos usufruir como se já estivessem presentes. Ora, se é assim o penhor, qual não será a plena realidade? E, se tão grandes são as primícias, como não será a consumação de tudo? O Espírito vivifica Espírito Santo, de São Basílio, bispo (século IV)

  • A SOMBRA DE DEUS – Rodrigo Gurgel

    Quanto mais o leitor avança em Mundos mortos, mais o incômodo, certo estranhamento, parece dominá-lo — estará, em vários trechos, perigosamente próximo do tédio; e, chegando ao final, não compreenderá o mal-estar, o desagrado que o domina. Sucede que o romance exige reeducação estética. Tudo o que hoje se venera como exemplar em literatura — da concisão telegráfica à exaltação do pansexualismo, passando pela ausência de reflexões filosóficas e pelo totalitarismo do narrador em primeira pessoa — está em completa oposição às escolhas estéticas do autor. Como bem mostrou José Carlos Zamboni em sua perfeita análise da Tragédia burguesa — Octavio de Faria, nosso contemporâneo, publicada no volume 2, novembro de 2014, da extinta revista Nabuco —, Mundos mortos, e os catorze livros subsequentes, “encaixam-se na grande tradição do romance ensaístico, ao lado de um Proust, um Musil, um Thomas Mann, um Hermann Broch”. Não por outro motivo, como salienta Zamboni, Gustavo Corção, ainda que elogiasse Otávio de Faria, reclamava, numa entrevista de 1946, da falta de “riqueza plástico-visual”, salientando que “os personagens sofrem da ausência de atitudes e palavras gratuitas que vivifiquem e oxigenem a cerrada trama psicológica em que se debatem”. Vida interior São reclamações semelhantes às dos editores que, na mesma década, se recusavam a publicar Under the volcano, de Malcolm Lowry, considerando-o lento e tedioso, com personagens de características débeis e um narrador pronto a cometer divagações em excesso. Otávio de Faria pertence a esse grupo de escritores — figuras como Thomas Mann, que sempre buscou revelar o que se esconde sob o “mar em sua monotonia ininterrupta”, pronto a “escutar sem fôlego o insignificante”, segundo suas próprias palavras. O narrador de Mundos mortos cumpre o anseio de Schopenhauer, partilhado por Mann: “Um romance será tanto mais elevado e mais nobre, quanto mais vida íntima e menos externa apresentar”, já que “a arte consiste em salientar bem a vida interior usando o menos possível a exterior: pois o íntimo é realmente o objeto do nosso interesse”. Tal narrador nos coloca, desde as primeiras páginas, no centro da crise experimentada por Ivo, adolescente órfão de mãe e pai, criado, junto com o irmão, Carlos Eduardo, pelas tias amorosas, Matilde e Lisa: (…) Lá fora chovia mais forte, agora. Como se fosse impossível conciliar todas as coisas que estava sentindo, Ivo sacudiu a cabeça e mergulhou-a fundamente no travesseiro. Viesse agora o que viesse. Estava por tudo, cedia de uma vez. Para que lutar? Para que se desesperar noites e noites, diante de uma coisa contra a qual não podia nada, absolutamente nada? Sacudiu o lençol com irritação várias vezes seguidas e sentiu que uma leve aragem lhe passava pelo corpo. O mesmo abafamento permanecia no entanto, a chuva não o tendo modificado em nada. Ivo continuava acordado. E dentro dele, reforçadas pela temperatura cúmplice, as mesmas imagens de sempre, da véspera e da antevéspera, de todos aqueles últimos dias, procurando continuar a viver nele, convidando-o incessantemente a um abandono completo. As mesmas ideias, as mesmas visões, que, por mais estranho lhe parecesse, estavam ali ao seu lado, no travesseiro onde mergulhava a cabeça, fora, independentes. (…) Crise que o levará ao fim do namoro com Lourdes, sua prima e primeiro amor, e também à cisão definitiva de sua personalidade: ao final do romance, Ivo não será mais o jovem que gostava de tudo como se gosta das coisas conservadas longo tempo (…), das casas onde se vive bem e feliz, da família que se teve e não tem mais, de tudo que foi nosso algum tempo e de que somos obrigados a nos separar antes do triste momento da saciedade ou do amargor que envenena as recordações. Assim fala o narrador tão onisciente e onipresente quanto os narradores de Balzac, pronto a revelar o móvel das decisões individuais e coletivas: “(…) Nunca ultrapassavam determinados limites, por receio, ou por se satisfazerem com o que conseguiam, ou ainda por escrúpulos de ir mais além, ou talvez mesmo por simples impossibilidade de vencer certas resistências encontradas”. O cenário da maior parte do romance é um colégio carioca, dirigido por padres jesuítas. Ali acompanhamos “as dificuldades da batalha por ocasião desses primeiros encontros de uma alma incerta, aturdida por choques constantes, como uma força em luta por se manifestar, por se expandir e viver em liberdade, ambicionando sempre um campo mais vasto onde lhe seja possível se lançar, se desenvolver e, por fim, se gastar inteiramente”, diz o narrador que não se nega às contorções necessárias para mostrar a subjetividade dos personagens. Catolicismo Na exata medida em que as crises — não só de Ivo, mas de outros personagens, como Roberto Dutra, que protagoniza a segunda parte — se acentuam, surge outra característica fundamental do autor: o catolicismo. Essa opção existencial e filosófica, não apenas religiosa, marca seu entendimento do drama humano. Se, como afirmou T. S. Eliot, “a totalidade da literatura moderna está corrompida por algo que chamaria de secularismo, que simplesmente não tem consciência ou não é capaz de entender a importância da primazia do sobrenatural sobre a vida natural”, para Otávio de Faria esse é o tema subjacente às escolhas de seus personagens. Para ele, estamos sempre colocados diante do Bem e do Mal; e crises, dramas, escolhas, angustiadas ou não, nunca representam eventos solitários, nos quais o homem pode se espojar numa aventura meramente narcísica, pois é impossível viver à margem dos nossos próximos. Muito além de qualquer pietismo, muito além de um cristianismo que é somente moralismo, Otávio de Faria apresenta o homem na sua principal debilidade — a inevitável tendência ao mal — e no seu inquietante percurso entre a vida e a morte, entre o pecado e a graça divina. Ateus terão dificuldade para compreender a luta interior dos personagens de Mundos mortos, mas a técnica literária mostra-se irrefutável. Veja-se, por exemplo, como o narrador reconstrói o itinerário de Roberto Dutra, a zona de sombra à qual ele adentra vagarosamente, acreditando, semelhante àqueles que não conhecem a si mesmos, ser formado apenas de boas intenções, até despertar para a consciência de que desenvolvera-se nele um desses processos misteriosos e subterrâneos que tudo conseguem porque nada dizem e nem mesmo parecem existir — tão silenciosos, na sua lenta e poderosa miragem, que é de repente, um belo dia, que se tem consciência da obra realizada, de que o edifício está por terra, o mundo sem eixo, a paixão transformada em desejo cego e repulsivo. O exercício de liberdade do personagem exacerba a revolta, tão sartriana quanto infantil, do homem contra Deus — mas não há maniqueísmo. Ao mostrar as sutilezas, os labirintos da mente humana, por onde mal e bem se insinuam, Otávio de Faria está pronto a revelar que “o amor não é impossível, seguramente não o é. Mas é um milagre — o milagre de um equilíbrio que nada consegue romper, apesar de sua infinita fragilidade”. Longe de ser, como julgam os apressados, obra de um sermoneiro, romance confessional ou apologético, Mundos mortos faz com que conheçamos “forças existentes no interior do homem que o levam a sentir terror de si mesmo” (o que Malcolm Lowry desejava para Under the volcano); e nos aguilhoa com as interrogações de Padre Luís, um dos principais personagens de toda a Tragédia burguesa: “É preciso não querer demarcar a sombra de Deus na terra… Nós, o que vemos da vontade de Deus, é uma sombra apenas — é como se víssemos a sombra que se projeta sobre a terra, de um vulto sempre em movimento… Como fixá-la? Como demarcar essa sombra em eterno movimento? Como julgar se é maior ou menor que uma outra?”. Em: http://rascunho.com.br/a-sombra-de-deus/

  • É POSSÍVEL CRITICAR O PAPA? – Cardeal Raymond L. Burke

    http://www.lanuovabq.it/it/burke-correggere-il-papa-per-obbedire-a-cristo

  • A sabedoria cristã – São Leão Magno ( Papa século V )

    * Este é um texto escrito a mais de 1500 anos, mas o primeiro parágrafo é direto ao ponto quanto a um dos principais problemas de certas teologias modernas, cuja prática é excessivamente desejosa de reparações terrenas. Em seguida diz o Senhor: Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque serão saciados (Mt 5,6). Esta fome nada tem de corpóreo. Esta sede não busca nada de terreno. Mas deseja ser saciada com a justiça e, introduzida no segredo mais oculto, anseia por ser repleta do próprio Senhor. Feliz espírito, faminto do pão da justiça e que arde por tal bebida. Na verdade não teria disso nenhuma cobiça, se não lhe houvesse provado a doçura. Ouvindo o espírito profético que lhe diz: Provai e vede como é suave o Senhor (Sl 33,9), tomou uma porção da altíssima doçura e inflamou-se pelo amor das castíssimas delícias. Abandonando todo o criado, acendeu-se-lhe o desejo de comer e beber a justiça e experimentou a verdade do primeiro mandamento: Amarás o Senhor Deus de todo o teu coração, com toda a tua mente, com todas as tuas forças (Dt 6,5; cf. Mt 22,37). Porque não são coisas diferentes amar a Deus e amar a justiça. Por fim, como o interesse pelo próximo se une ao amor de Deus, também aqui o desejo da justiça é acompanhado pela virtude da misericórdia, e se diz: Bem-aventurados os misericordiosos porque deles terá Deus misericórdia (Mt 5,7). Reconhece, ó cristão, a dignidade de tua sabedoria e entende de que modo engenhoso foste chamado ao prêmio. A misericórdia te quer misericordioso, a justiça, justo, para que em sua criatura transpareça o Criador e no espelho do coração do homem refulja a imagem de Deus expressa pelas linhas da imitação. Firme é a fé dos que assim agem, teus desejos te acompanham e daquilo que amas gozarás sem fim. Já que pela esmola tudo se faz puro para ti, chegas à bem-aventurança que é prometida como conseqüência. Diz o Senhor: Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus (Mt 5,8). Imensa felicidade, caríssimos, para quem se prepara tão grande prêmio. Que é, então, ter o coração puro? Entregar-se às virtudes acima descritas. Que inteligência poderá conceber e que língua proclamar quão grande seja a felicidade de ver a Deus? E, no entanto, isto acontecerá quando a natureza humana for transformada, de sorte que não mais em espelho ou enigma, mas face a face (1Cor 13,12), verá aquela Divindade que homem algum pôde ver tal qual é. E obterá o que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem subiu ao coração do homem (1Cor 2,9), pelo gáudio indizível da eterna contemplação. São Leão Magno, doutor da Igreja, que governou de 29 de Setembro de 440 até 10 de Novembro de 461. — Do Sermão sobre as Bem-aventuranças, de São Leão Magno, papa (século V)

  • Beata Catarina de Pallanza – 06 de Abril

    SANTO DO DIA – 06 DE ABRIL – BEATA CATARINA DE PALLANZA Virgem e Religiosa (1437-1478) Catarina nasceu na cidade de Pallanza em 1437. Logo depois que veio ao mundo, os pais, fugindo da peste que assolou a região, transferiram-se para Vale de Osa, onde faleceram, contraída a doença, pouco depois, com todos os filhos, excessão feita à futura bem-aventurada. Sozinha, Catarina foi recolhida por Tiago de Osa, que a confiou, mais tarde, a uma nobre dama de Milão. Educada piedosamente, a jovem órfã, aos catorze anos, demonstrou desejos de levar vida religiosa. Obstada pelo tutor, pacientemente ficou a aguardar melhor oportunidade. Quando completou vinte anos, ao ouvir, um dia, a pregação dum irmão menor sobre os padecimentos de Nossa Senhor, fez voto de castidade. Então, dias mais tarde, Jesus, pregado à cruz, apareceu-lhe, dizendo: – Querida filha Catarina, escolhi um lugar para ti, chamado Santa Maria do Monte, para que tu, ali, leves e acabes uma vida toda inteira consagrada a meu serviço. Catarina deixou Milão. Em busca de Santa Maria do Monte, que ficava perto de Pallanza. E a peste que ainda não desaparecera de todo, ofereceu-lhe quefazeres. Contaminada, fez a promessa de jamais deixar o lugar, se se curasse. Recuperada a saúde, passou a viver numa pequenina cabana, a levar vida de grande mortificação. Tal foi a reputação de santidade que adquiriu, e de sabedoria, que grande número de pessoas passou a procurá-la. E algumas pias mulheres, desejando permanecer a seu lado, deu ensejo para que mais uma comunidade nascesse. Logo, gente de maus sentimentos principiou a criticar aquelas santas mulheres, propalando às escancaras, que viviam sem regra nem aprovação pontifical, o que levou Catarina a procurar obter do Papa, então Sixto IV, um breve que lhe permitiu emitir votos sob a regra de Santo Agostinho. Priora, três anos depois, falecia. Em 1769, Clemente VII aprovou o culto que se lhe rendeu depois a morte, ocorrida a 6 de Abril de 1478. #SantodoDia

  • Beata Catarina de Pallanza – 06 de Abril

    SANTO DO DIA – 06 DE ABRIL – BEATA CATARINA DE PALLANZA Virgem e Religiosa (1437-1478) Catarina nasceu na cidade de Pallanza em 1437. Logo depois que veio ao mundo, os pais, fugindo da peste que assolou a região, transferiram-se para Vale de Osa, onde faleceram, contraída a doença, pouco depois, com todos os filhos, excessão feita à futura bem-aventurada. Sozinha, Catarina foi recolhida por Tiago de Osa, que a confiou, mais tarde, a uma nobre dama de Milão. Educada piedosamente, a jovem órfã, aos catorze anos, demonstrou desejos de levar vida religiosa. Obstada pelo tutor, pacientemente ficou a aguardar melhor oportunidade. Quando completou vinte anos, ao ouvir, um dia, a pregação dum irmão menor sobre os padecimentos de Nossa Senhor, fez voto de castidade. Então, dias mais tarde, Jesus, pregado à cruz, apareceu-lhe, dizendo: – Querida filha Catarina, escolhi um lugar para ti, chamado Santa Maria do Monte, para que tu, ali, leves e acabes uma vida toda inteira consagrada a meu serviço. Catarina deixou Milão. Em busca de Santa Maria do Monte, que ficava perto de Pallanza. E a peste que ainda não desaparecera de todo, ofereceu-lhe quefazeres. Contaminada, fez a promessa de jamais deixar o lugar, se se curasse. Recuperada a saúde, passou a viver numa pequenina cabana, a levar vida de grande mortificação. Tal foi a reputação de santidade que adquiriu, e de sabedoria, que grande número de pessoas passou a procurá-la. E algumas pias mulheres, desejando permanecer a seu lado, deu ensejo para que mais uma comunidade nascesse. Logo, gente de maus sentimentos principiou a criticar aquelas santas mulheres, propalando às escancaras, que viviam sem regra nem aprovação pontifical, o que levou Catarina a procurar obter do Papa, então Sixto IV, um breve que lhe permitiu emitir votos sob a regra de Santo Agostinho. Priora, três anos depois, falecia. Em 1769, Clemente VII aprovou o culto que se lhe rendeu depois a morte, ocorrida a 6 de Abril de 1478. #SantodoDia

  • JESUS e o deus pagão “Pan”.

    JESUS e o deus pagão “Pan”. Por que Jesus levou Pedro para o local onde as pessoas adoravam essa ‘divindade’? Cesareia de Felipe, lugar onde Jesus definiu o posto de Pedro e lhe entregou as chaves da Igreja Católica, diz muito mais sobre a Igreja e sobre o próprio Cristo do que você pode imaginar. JESUS não levou Pedro até o local a toa. Existe uma razão. Cesareia de Felipe era um local que teve esse nome por pouco tempo. Antes, o local era chamado PANIAS. Depois de “Cesareia de Felipe” voltou a ser chamado de BANIAS (apenas por causa do problema de pronúncia do “p” dos habitantes, que trocaram PANIAS POR BANIAS). O local tinha pedras e nichos. Era como um templo de ADORAÇÃO AOS deuses Pagãos, mas mais precisamente ao demônio PAN, que originou as nossas palavras “pandemônio” e “pânico”. O deus pagão em questão é este ser metade homem metade bode, que também era considerado a divindade dos bosques. No local, havia uma pedra enorme e um abismo imenso que parecia não ter fim. O local também era conhecido como portal para o hades, para o encontro com as divindades e o transcendente. Tambem era o lugar oondel os pagãos jogavam seu sacrifício vivo, pois havia águas correndo por lá. O sinal de que os “deuses” aceitaram sua oferta sacrificial era ver as águas límpidas, sem sangue. Se as divindades não aceitassem, o sangue da vítima correria pelo rio. Curiosamente, esse é o exato oposto dos sacrifícios bíblicos, onde o sangue deveria ser derramado. Pessoas de todo o império romano e do Oriente médio iam até o local para oferecerem seus sacrifícios. Nesse local havia grandes blocos de pedras com espécies de “nichos” para adoração. O principal “deus” adorado era exatamente o PAN, divindade da floresta que tocava flauta e perseguia as mulheres (daí a origem de pânico). Este deus era adorado por muitas pessoas, mas era muito conhecido também por ser o deus dos PASTORES E DAS OVELHAS. O que vocês acham que Jesus fazia ali? Ele estava substituindo o falso Deus pelo verdadeiro: ELE MESMO. No lugar duma falsa pedra, Ele estabeleceria uma pedra de verdade, NUM TEMPLO DE VERDADE, COM UM DEUS QUE VERDADEIRAMENTE É O DEUS DAS OVELHAS E PASTORES, COM UM SACRIFÍCIO VERDADEIRO, FORMANDO A NOVA E ETERNA ALIANÇA. Dos rios que corriam ali e emanavam morte, Deus estabeleceria que agora, através do novo e verdadeiro templo da verdadeira religião, eles emanariam VIDA. Como? Pelos sacramentos e pela palavra da Igreja. Para quem não sabe, a eucaristia é o sacramento principal da Igreja Católica: o próprio sacrifício vivo que Jesus nos deixou para nos alimentar eternamente. O fato de levar Pedro até esse local não para por aí. As implicações vão além. Quando Jesus Fala a Pedro, Ele antes pergunta a eles quem os os outros dizem que Ele é. Depois, Ele pergunta aos próprios discípulos quem eles pensavam que ELE era. PEDRO, o mais apressadinho, logo diz: :Tu és o filho de Deus”. Dessa forma, JESUS os fazia TESTEMUNHAR a sua natureza e autoridade. Logo depois disso, Cristo se volta para Pedro e diz que Pedro será a pedra SOBRE A QUAL A FUNDAÇÃO DA IGREJA será construída e, dessa forma, ele testemunha a natureza de PEDRO, que será o seu vice pastor. E Ele mesmo, o Cristo, daria as chaves do reino dos céus para Pedro, pois Ele iria para o céu “preparar um lugar, mas voltaria”. Veja que na cultura judaica, dar as chaves a alguém não era mera metáfora. Os reis possuíam pessoas de confiança a quem davam chaves, tornando aquilo um POSTO quando eles se ausentavam. Os encarregados até carregavam uma chave em volta do pescoço. Pensar no poder das chaves como um protestante é enxerga-la fora de seu espaço e tempo. E Jesus falava aos homens usando coisas que eles conheciam. Pedro jamais entenderia as chaves como um protestante duma democracia moderna, mas sim como um judeu que imediatamente imaginaria Isaías versículo 22:22: “2 Porei sobre seus ombros a chave da casa de Davi; se ele abrir, ninguém fechará, se fechar, ninguém abrirá”. E vejam só: ele também era chamado de PAI de Jerusalém. Isso é a prefiguracão do Papa. Protestantes costumam alegar que não devemos chamar ninguém de PAI como autoridade, mas a própria bíblia os desmente nisso. Eles precisam da “grande imagem”, mas se limitam às suas interpretações de pequenos versículos, sem notar que com isso podem simplesmente entrar e contradições absurdas. Abraão também foi chamado de PAI de muitos. Eva? A mãe de todos os viventes. MARIA? A nova Eva, portanto a Nova mãe. Justamente por isso Cristo a deixa como mãe na hora de sua morte: “eis aí a tua mãe”. Notem que esse “mordomo” que carregava as chaves do rei era reverenciado pelo povo, pois ele era vigário do rei, representava o rei. Cristo sabia disso. Assim também, quando o anjo Gabriel anuncia à Virgem Maria a sua imaculada Concepção, sabendo que também ela entenderia tudo pela cultura deles, o anjo diz que a criança no ventre sentará no trono de seu pai Davi. E advinhem quem era a rainha do Rei? Não era a esposa, mas sim a MÃE. O anjo já chegou saudando Maria como rainha. Ela é MÃE DE SEU REI. Na capela Sistina há uma pintura de Pedro devolvendo as chaves que lhe foram dadas a Jesus. O que ela representa? O fim. Não precisaremos mais do mordomo do Senhor, pois Ele voltará. Se as pessoas compreendessem a riqueza da fé Católica, jamais a deixariam ou a desprezariam. Todo engano vem da soberba e da ignorância. Na imagem, a divindade pagã PAN. (Texto elaborado a partir da palestra de Steve Ray, apologeta católico) #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Cristologia #Igreja

  • O «Dom do Espírito Santo» na Tradicão iconográfica e litúrgica Bizantina

    Nas Matinas do ofício bizantino da Festa, dois textos parecem comentar o ícone : «Oh Espírito Santo, que procedes do Pai e por meio do Filho te fez presente nos iletrados discípulos, salva a quantos te reconhecem como Deus e santifica a todos», diz o primeiro. O segundo expressa o louvor : «Luz é o Pai, luz o Verbo, luz o Santo Espírito, que foi enviado sobre os apóstolos em línguas de fogo: graças a ele está iluminado o mundo inteiro para render culto a Santíssima Trindade. O dom do Espirito Santo é visto como o que dirige a Igreja e a todos os fiéis para louvar e confessar a Trindade. Vários tropários do ofício contemplam à Mãe de Deus no mistério da Encarnação do Verbo de Deus, o qual após sua ascensão ao céu, sentado à destra do Pai, enviará à Igreja o dom do Espírito Santo: «Sem experimentar a corrupção concebeu e emprestou à carne ao Verbo, artífice do universo, oh Mãe que não conhece varão, oh Virgem Mãe de Deus, receptáculo daquele que não pode ser contido, morada de teu imenso creador: te glorificamos. É justo cantar para a Virgem que engendra; ela sozinha, de fato , levou, oculto em suas próprias entranhas, ao Verbo que cura a natureza enferma dos mortais, e que agora, sentado à destra paterna, enviou a graça do Espírito. Como pode se ver, o texto faz uso de uma audaz linguagem cristológica – ” emprestou -lhe a carne” – para falar da Encarnação. Jesus promete o Espirito Santo aos discípulos e, por esta razão, alguns textos põem em relevo a estreita relação que há entre a Ascensão e o Pentecostes : «Disse a augusta e venerável boca: Não sofrereis por minha ausência, vós, meus amigos; de fato, sentado junto ao Pai no trono excelso, derramarei a generosa graça do Espírito, para que resplandeça sobre aqueles que a desejam. Lei imutável, o Verbo da verdade dá a paz aos corações: assim, levando a bom termo sua obra, alegra Cristo a seus amigos, outorgando o Espírito, como o tinha prometido, com vento impetuoso e línguas de fogo. O Pentecostes é cantado como um momento salvífico em contraposição à dispersão de Babel: « O poder do Espírito divino, com seu advento compôs divinamente em uma única harmonia a língua que em um tempo se havia multiplicado nos que estavam unidos para um mal propósito; Ela instruiu os crentes na ciência da Trindade, pela qual fomos fortalecidos. Finalmente, a Festa é celebrada como se de um momento batismal se tratasse. O dom do Espírito é, com efeito, iluminação para os apóstolos e para todos os cristãos : « Fez eloquentes aos analfabetos que com uma Só palavra fizeram calar os oráculos do erro e com o fulgor do Espírito subtrairam um número incontável de povos da profunda noite . É o eterno esplendor do imenso poder iluminador que procede da luz ingênita àquele que agora, através do Filho, da essência do Pai, com o rugir de fogo manifesta seu próprio esplendor conatural as gentes que estão reunidas em Sião . E o flanco transpassado de Cristo se converte em um batismo e em um dom do Espírito Santo: « Mesclando a palavra com o divino lavatório para a regeneração de minha natureza composta, tu o derramas sobre mim como um rio que transborda de teu imaculado flanco transpassado, oh Verbo de Deus, confirmando- o com o ardor do Espírito. [Publicado por Manuel Nin em l’Osservatore Romano no dia 19 de Maio de 2013] Tradução: David Nesta

  • SANTO AGOSTINHO E A PEDRA

    Por Fábio Morais, Das citações agostinianas alegadas pelos protestantes, basta que consideremos um passo das ‘Retractationes’, visto nos remeter este às outras ocasiões em que expôs o bispo de Hipona a mesma compreensão. As ‘Retratações’, como dizem Altaner e Stuiber: ——- “Informam sobre a atividade literária de Agostinho até 427. Dão-nos a conhecer o ambiente onde foram redigidos os diversos escritos; particularmente, os que pareciam errôneos, ou sujeitos a equívocos, são corrigidos e explicados” (Patrologia’, Paulinas, São Paulo, 1972, p.418). ——- Eis o trecho das ‘Retratações’ invocado pelos protestantes: ———– “Em certo passo disse eu do apóstolo S. Pedro que a Igreja fora fundada sobre ele como sobre uma pedra, sentido esse que também se canta pelas multidões nos versos do bem-aventurado Ambrósio, onde diz no canto do galo: Hoc ipsa petra eclesiae canente culpam diluit. Lembro-me, porém, que depois, muitas vezes, expus assim as palavras do Senhor: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”, de modo que “sobre esta pedra” se entendesse daquele a quem Pedro confessara, dizendo: “Tu és o Cristo, Filho de Deus Vivo”. Assim foi que Pedro derivando o seu nome desta pedra figurava a pessoa da Igreja que sobre ela foi edificada e que recebeu as chaves do reino dos céus. Com efeito, não se lhe diz: “Tu és pedra, mas tu és Pedro”. A pedra, porém, era Cristo; Simão, tendo-o confessado, como o confessa toda a Igreja, foi chamado Pedro. Das duas interpretações escolha o leitor a que lhe parecer mais provável” (Retract.’ 1,21). ———— Por atraente que seja, tal exegese de S. Agostinho é insustentável. Pouco conhecedor do grego e totalmente desconhecedor do aramaico, ele julgou que a forma latina ‘petrus’ derivava de ‘petra’ como ‘cristão’ deriva de ‘cristo’. Mas nisto estava, como é de ver, equivocado. Soubesse S. Agostinho as línguas orientais e veria de imediato que a forma ‘petrus’, em latim, reproduz sem mais o grego ‘petros’, que significa pedra, rocha, e que a palavra grega, por sua vez, heleniza o aramaico ‘kepha’, que também significa rocha, servindo a designação, como nome próprio, ao irmão de André. Mas será que podemos, com base na passagem do grande doutor, acima transcrita, assegurar que o filho de Mônica repudiava o primado de Pedro e dos seus sucessores? Nunca! (1) Ora, uma coisa é o primado em si, e que outra é a interpretação de Mt 16,18. Mesmo que concedêssemos tenha S. Agostinho repudiado terminantemente a exegese tradicional do verso mateano – o que, veremos, não é exato – tal rejeição seria apenas de uma exegese e não de uma doutrina, que tem a seu favor ainda outros textos bíblicos, textos cuja clareza não permite nenhuma contestação. O primado de Pedro e dos bispos romanos S. Agostinho o afirma até o fim da vida. Para ele, na Igreja Romana: —- “…o primado da cátedra apostólica sempre existiu” (“In qua semper apostolicae cathedrae viguit principatus”) (Epist. 43,7’.). —- Comparando o martírio de S. Cipriano com o de Pedro, diz da cátedra petrina: —- “Quem não sabe que este primado de apostolado deve ser anteposto a todo episcopado”? (De bapt. contra donat., 2,1,2’). —- Em outro lugar, como observa B. Bartmann, escreve que a igreja romana possui a máxima autoridade (“Culmen auctoritatis obtinuit”) e que recusar-lhe o primeiro lugar (“Nolle primas dare”) seria a maior impiedade ou uma arrogância que se destrói por si mesma (Cf. Teologia Dogmática , Vol. II, p.484.). Do bispo S. Anastácio, que governou a Igreja de 399 a 401, disse S. agostinho que ocupava a mesma cátedra de Pedro. Maravilhoso! Um célebre exemplo da crença do grande bispo na supremacia do Papa vemo-lo durante o que ficou conhecido na História Eclesiástica como “Questão Pelagiana”. Em 416, na África do Norte, reuniram-se, por influência de S. Agostinho e de seus companheiros, dois concílios (Um em Cartago e o outro em Mileve.) para tratar das doutrinas de Pelágio, monge inglês que, entre outras heresias, negava o pecado original como herança adâmica transmitida ao gênero humano. Esses sínodos regionais (não foram concílios ecumênicos) condenaram os erros de Pelágio. Foram então enviadas a S. Inocêncio, bispo de Roma, duas cartas pedindo a ratificação da sentença. Sabiam os responsáveis pelos sínodos que a decisão de Roma implicava no assentimento de toda a Igreja. Sobre a resposta de S. Inocêncio, condenando também ele o herege, disse S. Agostinho: —- “Sobre esta causa foram enviados dois concílios à Sé Apostólica. Chegou-nos a resposta. Está terminada a causa. Oxalá acabe também o erro”( ‘Serm. 131,10’). —- Que maravilha de atitude! Que beleza de convicção! Para S. Agostinho, Roma é a “Sé Apostólica”, a voz decisiva nas controvérsias, a palavra final nas questões relativas à fé cristã. Não foi sem motivo que o famoso historiador anglicano W. Walker observou no procedimento de S. Agostinho o —- “…reconhecimento da autoridade papal” (História da Igreja Cristã’, Aste, São Paulo, 1967, Vol. I, p. 244). —- Claríssimo! Quanto ao primado, pois, S. Agostinho está conosco. O que dizer, porém, dos termos agostinianos aduzidos pelos protestantes? Teria o bispo de Hipona abraçado e depois rechaçado a exegese tradicional? De maneira nenhuma! Lembremos que as ‘Retratações’, como se depreende das considerações de Altaner e Stuiber, citados anteriormente, S. Agostinho não as escreveu com o intuito de “corrigir” os próprios erros, como imaginam muitos protestantes. Elas são, antes, um guia preparado por ele para as suas numerosas obras, guia no qual orienta os leitores acerca do título, finalidade, ocasião e ideia dominante de cada uma. É certo que ele ratifica ou precisa o seu pensamento onde julga necessário, mas isto não reduz a sua obra à uma mera “correção de erros”. À luz dessas ponderações, convém assinalar que, na referida passagem, S. Agostinho não afirma ter corrigido ou estar corrigindo um erro. Em parte alguma ele situa a exegese tradicional de Mt 16,18 entre as opiniões erradas que abraçou em seu itinerário de escritor cristão. Ele não diz que errou ao identificar a pedra do texto mateano com o apóstolo Pedro. O que ele faz, então ? Nada além de recordar que em ocasiões diferentes propôs interpretações diferentes para o mesmo verso de Mateus. Mas S. Agostinho não se decidiu! Não descartou a interpretação clássica com nenhum argumento apodítico. Para ele, ambas as interpretações eram possíveis, tanto que exortou os próprios leitores a escolherem a que lhes parecesse melhor: —- “… escolha o leitor a que lhe parecer mais provável”. —- Não se pode, portanto, a rigor, sustentar que S. Agostinho se opunha à interpretação tradicional de Mt 16,18. E o primado de Pedro, ele sempre o afirmou. Graças a Deus que é assim… ————– (1) Muito a propósito a observação do Pe. Franca: “Por que razão propôs S. Agostinho a segunda exegese? Acaso por não admitir o primado de S. Pedro? Talvez por julgar que eram iguais todos os apóstolos? Porventura convencido de que a supremacia de jurisdição do apóstolo privilegiado era uma usurpação humana e uma ofensa às prerrogativas de Cristo? Nada disto. O primado de Pedro, o grande doutor afirma-o do princípio ao termo de sua vida, da primeira à última de suas obras, sem sombra de hesitação… A propor como provável a nova interpretação não induziu ao santo doutor nenhuma razão de ordem teológica, tirada de objeções contra o primado de Pedro, sugeriu-lhe tão somente uma etimologia evidentemente errônea” (‘O Protestantismo no Brasil’, pp. 245-246). (2) História da Igreja Cristã’, Aste, São Paulo, 1967, Vol. I, p. 244.

  • A intercessão de Nossa Senhora

    Que a prática de invocar aos Santos, afim de nos alcançarem a divina graça, seja não somente lícita, mas também útil, é um ponto da fé. Entre os Santos, porém, que são amigos de Deus, e a Santíssima Virgem, que é sua verdadeira Mãe, há esta diferença, que a intercessão de Maria não é só utilíssima, mas também moralmente necessária, de modo que o Bemaventurado Alberto Magno e São Boaventura chegam a afirmar que todos os que se descuidam da devoção a Nossa Senhora, não a servem, e consequentemente não são por ela protegidos, morrerão todos em pecado mortal, e se condenarão: “A gente que te não servir, perecerá”. É esta, diz Soares, a opinião universal da Igreja. E com razão; porquanto, não sendo nós capazes de conceber um só bom pensamento em ordem à vida eterna, a graça divina nos é indispensável para a salvação. Verdade é que só Jesus Cristo nos mereceu esta graça, por ser Medianeiro de justiça. Mas, para nos inspirar mais confiança de obtermos a graça, e ao mesmo tempo para exaltar sua Mãe Santíssima, Jesus a depositou nas mãos de Maria, e, constituindo-a medianeira de graça, decretou que nenhuma graça fosse dispensada aos homens sem que passasse pelas mãos de Maria. Numa palavra, diz São Bernardo, Deus constituiu Nossa Senhora como que um “aqueduto” dos bens celestes que descem à terra, e determinou que por meio de Maria recebamos o Salvador que por seu intermédio nos foi dado na Incarnação. Vede, pois, conclui o Santo, vede, ó homens, com que afeto de devoção quer o Senhor que honremos à nossa Rainha, refugiando-nos sempre a ela e confiando em seu patrocínio! Assim como Holofernes, para conquistar a cidade de Bethulia, ordenou que se cortassem os aquedutos, também o demônio faz quanto pode, afim de que as almas percam a devoção à Mãe de Deus. Pela experiência o espírito maligno sabe que, tapado este canal das graças, depois fácil ou, antes, certamente consegue conquista-las. Quantos cristãos estão agora no inferno por se terem deixado iludir assim. Nós, portanto, demos graças á divina Mãe, por nos ter tomado debaixo de seu santíssimo manto, como no-lo garantem as graças recebidas pela sua intercessão. Ao mesmo tempo, porém, examinemos se por ventura estamos resfriados na sua devoção, e renovemos nosso propósito de sermos para o futuro mais constantes. Sim, eu vos dou graças, ó minha Mãe amorosíssima, por todos os bens que tendes feito a este desgraçado réu do inferno. Ó minha Rainha, de quantos perigos me tendes livrado! Quantas luzes e quantas misericórdias me tendes alcançado de Deus! Que grande bem, ou que grande honra recebestes de mim para vos empenhardes tanto a meu favor? Foi só a vossa bondade que a isso vos moveu. Ah! Se eu pudesse dar por vosso amor o sangue e a vida, ainda seria pouco, à vista da obrigação que vos devo, pois que me livrastes da morte eterna e me fizestes recuperar, como espero, a graça divina; a vós sou devedor de toda a minha felicidade. Senhora minha amabilíssima, eu, miserável, não tenho que vos dar senão os meus louvores e o meu amor. Ah, não desprezeis o afeto de um pobre pecador, abrasado em amor pela vossa bondade. Se o meu coração é indigno de vos amar, por estar imundo e cheio de afetos terrestres, vós o podeis mudar: mudai-o, pois. Ah, minha Senhora prendei-me a meu Deus, e prendei-me de tal modo que nunca mais possa separar-me de seu amor. Vós quereis que eu ame o vosso Deus; e eu quero que me alcanceis este amor; fazei que o ame sempre e nada mais deseje. — Do livro Meditações para Todos Dias do Ano, de Santo Afonso Maria de Ligório (século XVII)

  • Eva e Maria – Santo Irineu, bispo (século II)

    Quando o Senhor veio de modo visível ao que era seu, levado pela própria criação que ele sustenta, tomou sobre si, por sua obediência, na árvore da cruz, a desobediência cometida por meio da árvore do paraíso. A sedução de que foi vítima, miseravelmente, a virgem Eva, destinada ao primeiro homem, foi desfeita pela boa-nova da verdade, maravilhosamente anunciada pelo anjo à Virgem Maria, já desposada com um homem. Assim como Eva foi seduzida pela conversa de um anjo e afastou-se de Deus, desobedecendo à sua palavra, Maria recebeu a boa-nova pela anunciação de outro anjo e mereceu trazer Deus em seu seio, obedecendo à sua palavra. Uma deixou-se seduzir de modo a desobedecer a Deus, a outra deixou-se persuadir a obedecer-lhe. Deste modo, a Virgem Maria tornou-se advogada da virgem Eva. Por conseguinte, recapitulando em si todas as coisas, o Senhor declarou guerra contra o nosso inimigo. Atacou e venceu aquele que no princípio, em Adão, fez de todos nós seus prisioneiros; e esmagou sua cabeça, conforme estas palavras, ditas por Deus à serpente, que se lêem no Gênesis: Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça enquanto tu tentarás ferir o seu calcanhar (Gn 3,15). Desde esse momento, pois, foi anunciado que a cabeça da serpente seria esmagada por aquele que, semelhante a Adão, devia nascer de uma virgem. É este o descendente de que fala o Apóstolo na sua Carta aos Gálatas: A lei foi estabelecida até que chegasse o descendente para quem a promessa fora feita (cf. Gl 3,19). Na mesma Carta, o Apóstolo se exprime ainda com mais clareza, ao dizer: Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher (Gl 4,4). O inimigo não teria sido vencido com justiça se o homem que o venceu não tivesse nascido de uma mulher, pois desde o princípio ele tinha se oposto ao homem, dominando-o por meio de uma mulher. É por isso que o próprio Senhor declara ser o Filho do homem, recapitulando em si aquele primeiro homem a partir do qual foi modelada a mulher. E assim como pela derrota de um homem o gênero humano foi precipitado na morte, pela vitória de outro homem subimos novamente para a vida. — Do Tratado contra as heresias, de Santo Irineu, bispo (século II)

  • O INFERNO EXISTE? 

    O inferno existe — ou não? O demônio existe — ou não? “O inferno é aqui mesmo”, garante um título de romance brasileiro contemporâneo, escrito pelo ateu Luiz Vilela. Outro ateu, mas de fama mundial, Jean-Paul Sartre, dizia que o inferno eram as outras pessoas, o nosso próximo. Ao menos em parte, podemos admitir que os dois escritores têm razão. O inferno não é aqui, mas pode perfeitamente começar neste mundo; e de fato começa, quando a pessoa opta por ir, servilmente, no caminho dos sete vícios capitais: gula, luxúria, avareza, ira, vaidade, inveja, preguiça. E quem já foi obrigado a conviver com um guloso, um devasso, um mão-de-vaca, um consumista, um colérico, um presumido, um invejoso, um comodista, sabe que é um verdadeiro inferno… Mas, à parte essas utilizações figuradas da palavra inferno, é um termo que indica uma sólida verdade de fé. Ao menos para os cristãos, a existência do inferno é um dogma, um ponto básico de nossa doutrina — pedra do alicerce que, se você retirar, todo o edifício desmorona. Quem vai para o Inferno? Ninguém sabe. São as pessoas que escolhem esse deplorável destino, ao recusar viver de acordo com as sábias leis divinas. O Catecismo da Igreja Católica fala antes em auto-exclusão; e nunca se atreveu a nomear um único homem que para lá tenha ido. É um segredo trancado a sete chaves. Deus, bondade suprema, não manda ninguém ao Inferno. Diz-se que a principal astúcia do demônio é convencer as pessoas de que ele e o inferno não existem. E — admitamos — o tinhoso tem tido muito sucesso, hoje em dia, ao veicular essa mentira, inclusive no clero católico… No entanto, o próprio Jesus Cristo dele falou muitas vezes, nos evangelhos. A imagem do “fogo que não se apaga”, destino dos que recusam viver segundo a vontade do Senhor, diz muito acerca do terrível que é passar a eternidade longe do único e verdadeiro bem, que é Deus. O inferno possui uma lógica irrefutável; e é consequência da nossa liberdade. Sabemos como é impossível educar filhos e alunos sem a ideia de retribuição ou castigo. Não pode haver vida civilizada sem a submissão do “princípio do prazer” ao “princípio de realidade”, como dizia o ateu Freud. Se isto é verdade aqui para este mundo, por que não o seria em âmbito sobrenatural? Sem o conceito e a realidade do inferno, a moral cristã seria impraticável. Como se não bastasse o que disse Jesus sobre a perdição eterna, algumas aparições da Virgem Maria — ao menos para nós, católicos — vêm confirmar essa verdade da fé cristã. Numa de suas manifestações (em Fátima, Portugal), a mãe de Jesus disse, com muita clareza: “Muitas almas vão ao inferno, pois não há quem se sacrifique e reze por elas”. Mais recentemente, em Medjugorje (uma cidadezinha da Bósnia), referindo-se ao nosso destino depois da morte, afirmou que poucas almas sobem diretamente ao Céu; a maioria deve passar pelo filtro do purgatório. Avisou, no entanto, que em nossa época um número muito grande de almas se perde para sempre (ou seja, terminam no inferno). Parece que nossa época está pouco se lixando para o destino eterno — prefere aproveitar o momento que passa, como aqueles dois jovens bêbados de uma velha anedota, que tinham passado a noite no prostíbulo. Já era madrugada, quando saíram e toparam com um padre, que voltava para casa depois de ministrar a extrema-unção a um doente grave. Um deles zombou do sacerdote: — Que decepção, padre, quando o senhor morrer e perceber que o Céu não existe! O padre não deixou por menos: — Decepção maior será a sua, irmão, quando morrer e verificar que existe o Inferno…

  • Confissão Sacrílega ou Bilhete para o Inferno

    Influenciado pela maçonaria, promoveu uma política laicista e anticlerical. Se considerava católico, mas também liberal e progressista e punha sempre os interesses do Estado acima dos da Igreja. Foi excomungado por apoiar a lei Siccardi contra as imunidades do Clero. Sobre seu governo caiu uma segunda excomunhão por apoiar a Lei Ratazzi, que expropriava os bens da Igreja e expulsava às ordens religiosas (ver meu artigo anterior). Cavour conhecia pessoalmente São João Bosco, inclusive privadamente fez importantes doações a sua obra. Estava impressionado pela morte de seu amigo, o ex-ministro Pedro de Santa Rosa que, excomungado, preferiu morrer sem sacramentos para não ficar mal ante seus amigos. Um dia, em 1855, chamou a Dom Bosco e lhe pediu para confessar-se e comungar. A Igreja exigia para levantar a excomunhão, uma retratação pública e total. Mas Dom Bosco lhe recordou cortesmente que ele não podia lhe dar a absolvição se ele, Cavour, não se retratasse tal e como exigia a Igreja. Do contrário , seria uma confissão sacrílega pela que ambos se condenariam. “Dom Bosco, eu quero me confessar, mas o senhor compreenda que não pode me pedir algo contrário a minha honra como seria uma retratação ” Dom Bosco insistiu em que não podia lhe dar a absolvição sem retratação: “ Nessas condições confio em que vossa excelência não me pedirá”. “Não, não pedirei, mas haverá outros sacerdotes menos intransigentes que o senhor”, disse o poderoso primeiro ministro, um pouco irritado. 6 anos mais tarde, no dia 29 de maio de 1861, Cavour sofreu um ataque de apoplexia. Após alguns dias de certa melhora, seu estado se agravou consideravelmente e compreendeu que havia chegado sua hora. Mandou chamar a um sacerdote amigo seu chamado Frei Santiago. Em seu leito de morte estavam presentes o rei Victor Manuel II e todos os ministros. Frei Santiago lhe administra o Viático e a extrema- unção em uma cerimônia de grande solenidade. Cavour morre no dia 6 de junho. Toda a imprensa comenta que Cavour morreu plenamente reconciliado com a Igreja. Mas no dia 20 de junho seu irmão Gustavo publica uma carta na imprensa em que diz que seu irmão morreu sem retratar-se, já que não se lhe pediu tal coisa. Pouco depois se soube que o sacerdote Frei Santiago tinha sido previamente um revolucionário protegido por Cavour. A Igreja suspendeu imediatamente Frei Santiago por ter-se feito cúmplice de um sacrilégio. Contudo, Victor Manuel II, ressentido com Dom Bosco pelas mortes ocorridas em sua familia (ver meu artigo anterior ) nomeou Frei Santiago cavaleiro e lhe deu uma generosa pensão. Cavour enganou brevemente o povo italiano, mas não pôde enganar a Deus. E é o que uma confissão sacrílega pode outorgar é um bilhete somente de ida para o inferno. ______ A fonte para meus artigos “ A Maldição dos Reis Anticristãos ” e “ Uma Confissão Sacrílega” foram os artigos de Gerardo Manresa na revista ” Cristiandad ”. ______ Texto: Rafael María Molina Sánchez Tradução : David Nesta Publicado em: https://adelantelafe.com/confesion-sacrilega-o-billete-hacia-el-infierno-2/

  • Seja eu quem for, sou a ti manifesto, Senhor – Santo Agostinho

    Que eu te conheça, ó conhecedor meu! Que eu também te conheça como sou conhecido! Tu, ó força de minha alma, entra dentro dela, ajusta-a a ti, para a teres e possuíres semmancha nem ruga. Esta é a minha esperança e por isso falo. Nesta esperança, alegro-me quando sensatamente me alegro. Tudo o mais nesta vida tanto menos merece ser chorado quanto mais é chorado, e tanto mais seria de chorar quanto menos é chorado. Eis que amas a verdade, pois quem a faz, chega-se à luz. Quero fazê-la no meu coração, diante de ti, em confissão, com minha pena, diante de muitas testemunhas. A ti, Senhor, a cujos olhos está a nu o abismo da consciência humana, que haveria de oculto em mim, mesmo que não quisesse confessá-lo a ti? Eu te esconderia a mim mesmo, e nunca a mim diante de ti. Agora, porém, quando os meus gemidos testemunham que eu me desagrado de mim mesmo, enquanto tu refulges e agradas, és amado e desejado, que eu me envergonhe de mim mesmo, rejeite-me e te escolha! Nem a ti nem a mim seja eu agradável, anão ser por ti. Seja eu quem for, sou a ti manifesto e declarei com que proveito o fiz. Não o faço por palavras e vozes corporais, mas com palavras da alma e clamor do pensamento. A tudo o teu ouvido escuta. Quando sou mau, confessá-lo a ti nada mais é do que não o atribuir a mim. Quando sou bom, confessá-lo a ti nada mais é do que não o atribuir a mim. Porque tu, Senhor, abençoas o justo, antes, porém, o justificas quando ímpio. Na verdade minha confissão, ó meu Deus, faz-se diante de ti em silêncio e não em silêncio porque cala-se o ruído, clama o afeto. Tu me julgas, Senhor, porque nenhum dos homens conhece o que há no homem a não ser o espírito do homem que nele está. Há, contudo, no homem algo que nem o próprio espírito do homem, que nele está, conhece. Tu, porém, Senhor, conheces tudo dele, pois tu o fizeste. Eu, na verdade, embora diante de ti me despreze e me considere pó e cinza, conheço algo de ti que ignoro de mim. É certo que agora vemos como em espelho e obscuramente, ainda não face a face. Por isto enquanto eu peregrino longe de ti, estou mais presente a mim do que a ti e, no entanto, sei que és totalmente impenetrável, ao passo que ignoro a que tentações posso ou não resistir. Mas aí está a esperança, porque és fiel e não permites sermos tentados acima de nossas forças e dás, com a tentação, a força para suportá-la. Confessarei aquilo que de mim conheço, confessarei o que desconheço. Porque o que sei de mim, por tua luz o sei; e o que de mim não sei, continuarei a ignorá-lo até que minhas trevas se mudem em meio-dia diante de tua face. — Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo (século V)

  • MULHER OU ESPOSA? – SOBRE 1 COR. 9,5

    Por Fábio Morais. (Em resposta a Welington Mendes) Lucas Banzoli, em seu blog bisonho, se esmera em malabarismos desprezíveis para demonstrar que, em 1 Cor 9,5, o apóstolo S. Paulo reivindicava para si o direito de levar uma “esposa” à tiracolo. E começa pelo que chama de “Análise exegética, lógica e contextual”. Oh! Que erudito! Vamos ver, aqui, a “lógica” da exegese banzolina, à luz do texto paulino e do seu contexto, bem como do contexto geral das Escrituras. Como fez o Lucas, farei eu. Começarei pelo texto. Primeiramente, pelo texto grego da passagem: —- “μὴ οὐκ ἔχομεν ἐξουσίαν ἀδελφὴν γυναῖκα περιάγειν ὡς καὶ οἱ λοιποὶ ἀπόστολοι καὶ οἱ ἀδελφοὶ τοῦ κυρίου καὶ Κηφᾶς” — Agora a TRADUÇÃO PROTESTANTE de João Ferreira de Almeida (Acf): —- “Não temos nós direito de levar conosco uma esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas? —- Muito bem. A palavra “γυναῖκα”, em Ferreira de Almeida, é vertida por “esposa”. Ora, mas isso NÃO É, RIGOROSAMENTE, TRADUZIR! É interpretar! E lembra a “equivalência dinâmica” (ou “funcional” de Nida, tão combatida, quando convém, pelos protestantes, embora eu nada tenha contra ela). No caso de 1cor 9,5, o Banzoli esqueceu a “equivalência formal”, decantada pelos fiéis na abordagem da versão corrigida e “Fiel” de Almeida, e a própria versão esqueceu, ela mesma, o próprio princípio que pretendeu utilizar. Ora, a TRADUÇÃO de “γυναῖκα”, no texto, é simplesmente “MULHER”. A TRADUÇÃO, pois, do versículo, é: “MULHER IRMÔ (“ἀδελφὴν γυναῖκα”). “ESPOSA CRENTE” é INTERPRETAÇÃO DO TRADUTOR, baseada em inferências DO TRADUTOR. A menos que Lucas Banzoli demonstre que o sentido PRIMÁRIO de “γυναῖκα” é “esposa”. Pode fazer isso, Banzoli ? Agora, se a tal MULHER (“γυναῖκα”) mencionada por S. Paulo, é a esposa do apóstolo, é outra conversa. Porque, tradução por tradução, eu posso indicar aqui várias que trazem “mulher irmã” e não “esposa crente”. Como a dos Monges de Maredsous, a de Mateus Hoepers e outras, inclusive protestantes. Estão erradas ? Evidentemente não! O texto grego esta aí. Vá, Lucas e procure em Strong o significado primário de “γυνή” e encontrará: —- guné: a woman Original Word: γυνή, αικός, ἡ Part of Speech: Noun, Feminine Transliteration: guné Phonetic Spelling: (goo-nay’) Short Definition: a woman, wife, my lady Definition: a woman, wife, my lady. (ver aqui: http://biblehub.com/greek/1135.htm) —- “A WOMAN”, Banzoli! “UMA MULHER”! Mulher casada ? NÃO NECESSARIAMENTE, embora POSSA ser, sem violar o significado primário do termo. Você, achando que está a expor grande argumento, lança a seguinte frase de efeito: —- “Ela [γυνή] é usada em todos os textos que tratam indiscutivelmente de esposa”. —- Óbvio, Lucas! Pois você mesmo observou que: —- “no grego não havia palavra para distinguir “mulher” e “esposa” ” —- Queria que fosse usada que outra palavra ? O texto, em si, portanto, NADA PROVA em favor da tese protestante. Não é, pois, caro Banzé, a TRAUÇÃO EM SI que vai solucionar o problema. É o CONTEXTO! Ao contexto, então. Você escreve: —- “No caso de 1ª Coríntios 9:5, está perfeitamente claro que se trata mesmo de uma esposa, e não de uma outra mulher, pois Paulo está reivindicando para si e para Barnabé o direito de levar a esposa nas viagens como faziam os outros apóstolos, direito este que ele abria mão.” —- Antes de qualquer coisa, quem lhe disse, Banzoli, que “Paulo está reivindicando para si e para Barnabé o direito de levar a esposa nas viagens como faziam os outros apóstolos” ? Você, que se diz adepto da “Sola Scriptura”, em que parte da Bíblia encontrou que os apóstolos levaram consigo as suas “esposas” nas viagens missionárias que empreenderam ? Onde, na sua “única refra de fé”, consta o nome da “esposa” de algum apóstolo, a acompanhá-lo no “ide por todo o mundo” ordenado por Jesus ? (Cf. Mc 16,15). Cite uma! Só uma! Será que ocorrerá o que estou pensando e você irá pedir arrego, como um “romanista”, à tradição ? Você diz, todo desenxabido: —- “A tese da apologética católica é de que Paulo estava apenas abrindo mão de levar consigo em suas viagens uma “colaboradora” (não uma esposa). Mas isso não faz sentido nenhum” —- Não faz sentido por quê ? Você procura explicar a “ausência de sentido” através de 8 “motivos”. Vamos a eles: —- “(1) O próprio Senhor Jesus era acompanhado por mulheres colaboradoras em seu ministério (Lc 23:55). Por que Paulo abriria mão de algo que o próprio Senhor Jesus, muito mais abnegado que ele, não abria?” —- Jesus também “comia e bebia”, e S. Paulo diz: “Não temos nós direito de comer e beber?” (v.4). Por que, Lucas, pergunto, Paulo reivindicaria um direito básico de todo ser humano e que nem Cristo ( por tratar-se de um direito básico), reivindicou ? Ora, essas palavras de Paulo constituem, por assim dizer, a “chave” de toda a argumentação do apóstolo na referida passagem. ELE TINHA DIREITOS, garantidos, dada a sua condição, de SUBSISTIR. E, para tal subsistência, compreendia justa a necessidade de ter colaboradoras cristãs, mulheres dignas, para servir nas tarefas diárias que uma mulher sabe realizar melhor que um homem, principalmente quando este está concentrado em tarefas de grande magnitude. É razoável, então, que achasse justo levar consigo e com Barnabé, uma auxiliar cristã. —- (2) “Se Paulo abriu mão de um direito que nem o próprio Cristo abriu, por que ele não citou Jesus como exemplo, uma vez que é ele o exemplo máximo para o cristão? Ele cita apenas os apóstolos, os irmãos de Jesus e Pedro do lado contrário, mas não cita o próprio Cristo, o que fortaleceria muito mais seu argumento. Na tese protestante isso faz sentido, pois Jesus não era casado, então Paulo só poderia usar como exemplo estes outros casos, de pessoas casadas”. —- Paulo abriu mão de uma COLABORADORA (não de uma “esposa”) e ainda de outras coisas, porque, como ele mesmo diz, não queria ser fardo para ninguém, como está em uma das cartas aos de Tessalônica (versais minhas): “Porquanto, vós mesmos sabeis como deveis seguir o nosso exemplo, pois não vivemos de forma ociosa durante o tempo que estivemos convosco, 8nem comíamos de graça dos alimentos de ninguém; pelo contrário, trabalhávamos dia e noite com esforço e fadiga, a fim de NÃO SERMOSPESADOS A NENHUM DE VÓS” (2Ts 3,7-8). Ora, se ele se referisse à uma “esposa” na cara aos Coríntios, esse desejo de “não ser pesado”, não faria sentido, pois o auxílio da esposa seria justo e até mesmo obrigatório. —- (3) Por que levar uma mulher colaboradora em viagem seria algo tão importante assim a ponto de ter que dizer que poderia reivindicar esse direito, e ainda citar o exemplo dos apóstolos e dos irmãos de Jesus? O que há de tão especial em andar acompanhando de mulheres comuns? —- Não era algo “tão importante assim”, Banzoli! Isso é ilação SUA! Era apenas um direito que foi lembrado por Paulo para reforçar o quão importante era a sua missão, a ponto de poder, se quisesse, ter uma COLABORADORA. Por outro lado, lhe pergunto: ” Por que levar uma “esposa” em viagem seria algo tão importante assim a ponto de ter [Paulo] que dizer que poderia reivindicar esse direito” ? O que vale para a sua pergunta, vale para a minha! —- “(4) Paulo frequentemente andava acompanhado de colaboradores no ministério, como João Marcos, Barnabé, Silas, Lucas, Timóteo e outros. Então o “problema” era apenas o fato de ser mulher? —- Não! Pois “João Marcos, Barnabé, Silas, Lucas, Timóteo e outros” eram, como o próprio Paulo, MINISTROS DO EVANGELHO e não ajudantes em coisas materiais próprias da condição feminina naquele contexto histórico. Barnabé, inclusive, foi chamado de apóstolo! (Cf. At 14,14). Não confunda as coisas! —- (5) “Note que Paulo faz questão de citar nominalmente Pedro no fim do verso, que era casado (Mt 8:14) e não iria ficar andando em particular em todo lugar por aí com uma outra mulher que não fosse a sua própria esposa, e era certamente um exemplo bem conhecido. Para os papistas, inacreditavelmente, Pedro havia “abandonado a sua mulher”(!), entrando no anátema de Paulo em 1ª Timóteo 5:8, mas mesmo tendo abandonado a sua esposa fazia questão de andar viajando com outra mulher! E o mais impressionante é que na moral católica abandonar a esposa para “cumprir o ministério” e trocá-la por outra mulher que o servisse de “colaboradora” não tem nada de anormal. Pedro abandona sua própria esposa “por causa do ministério”, então percebe que precisa de uma mulher para ser sua colaboradora no ministério, e, em vez de ter a brilhante ideia de escolher sua própria esposa, prefere continuar deixando sua mulher no abandono e escolher uma outra mulher para acompanhá-lo. É essa a aberração que se chega para se negar que, de fato, Paulo estava falando de esposa, e não de uma mera “colaboradora”…” —- Comentário extremamente MALDOSO! Se, por ocasião da cura da sogra de Pedro (se!) a mulher deste ainda vivia, seria lógico e natural que ela, e não a sogra de Pedro, servisse a Jesus depois de curada. Ademais, o próprio Pedro diz que deixou “TUDO” para seguir Jesus (Cf. Mt 19,27). E nesse “TUDO” está, certamente, incluída a esposa: “E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou MULHER, ou filhos, ou terras, por amor de meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna” (Mt 19,29) Agora, o que dirá, Banzoli ? Que Pedro não deixou a mulher (devidamente amparada, é claro) para seguir Jesus e levou-a consigo ? Onde a “Sola Scriptura” corrobora que “MULHER” em Mt 19,29 EXCLUI A MULHER DE PEDRO ? Hein, apologista de esquina ? Só esse fato de Pedro ter deixado TUDO, inclusive a MULHER, conforme se infere naturalmente de Mt 19, já é suficiente para demonstrar que em 1Cor 9 Paulo não está falando em “esposas” e sim em COLABORADORAS. E nem ficou Pedro “andando em particular em todo lugar por aí com uma outra mulher que não fosse a sua própria esposa” – como você diz. Seu comentário, repito, é MALDOSO, porque sugere que Pedro, “andando por aí” com outra mulher, daria mau exemplo, sugerindo, por tal atitude, que estava fornicando. É maldoso ainda o comentário, quando sugere que Pedro “trocou” sua esposa “por outra mulher” e fez “questão de andar viajando com outra mulher!” Tudo maldade! Tudo fruto de uma mente suja, a imaginar o grande apóstolo às voltas com mulheres e pecando com elas. Pedro NUNCA faria isso! E se andasse ao lado de uma irmã na fé, íntegra e dedicada, NINGUÉM ousaria pensar isso dele. Só você e canalhas como o Elisson Freire, se vivessem na época… Tenha mais respeito! —- (6) Não faz absolutamente sentido algum dizer que neste texto a “mulher” é uma mulher qualquer, como uma amiga, uma mulher da igreja ou coisa do tipo, porque ninguém sai em particular com uma mulher específica levando-a para todos os lugares que não seja a sua companheira (esposa). Note que o texto não fala de “mulheres”, no plural, mas de uma “mulher irmã” ou “esposa crente”, ou seja, uma mulher em específico, cada uma delas acompanhando cada um deles, e não “colaboradoras”, como seria no caso de ajudantes.” —- Não faz sentido mesmo não, dizer que era “uma mulher qualquer”! Por que não era! Eram irmãs na fé, dispostas a dedicar a vida ao seguimento de Jesus, auxiliando os seus apóstolos. Não eram simples “amigas”, eram, antes, mulheres devotadas a uma causa que importava salvação eterna e que esse seu cérebro medíocre jamais entenderá. —- (7) Não há sentido em se colocar o termo gune no singular, se estava falando de meras colaboradoras. Isso porque quem tinha colaboradores costumava ter mais de um, como era o caso de Cristo, e não uma única pessoa, e ainda mais uma única mulher. Mas Paulo não diz que poderia levar pessoas para colaborar consigo no ministério, mas sim uma mulher ou esposa, que neste contexto é óbvio que se trata de uma esposa mesmo. É por isso que os escribas pró-celibato costumavam adulterar este versículo em suas cópias, geralmente trocando “mulher” por “mulheres”, que viam como necessário para dar algum sentido à tese das “colaboradoras”. —- O singular faz sentido sim, senhor! Desde que Paulo estava tratando de um PRINCÍPIO, exempificando-o. E, para isso, o singular basta. Assim, por exemplo, nada obsta que alguém, dizendo: “-Preciso urgentemente de um ajudante para consertar minha casa”, receba, ao invés de um, dois ou três. Argumento bolha de sabão. —- (8) O xeque-mate à “tese das colaboradoras” das quais Paulo supostamente teria aberto mão é o texto de Filipenses 4:2-3, onde o próprio Paulo diz ter colaboradoras! “O que eu rogo a Evódia e também a Síntique é que vivam em harmonia no Senhor. Sim, e peço a você, leal companheiro de jugo, que as ajude; pois lutaram ao meu lado na causa do evangelho, com Clemente e meus demais cooperadores. Os seus nomes estão no livro da vida” (Filipenses 4:2-3)” —- Isso não chega nem a ser um xeque, que dirá um “xeque-mate”! E quem lhe disse que tais “colaboradoras” ACOMPANHAVAM PAULO E BARNABÉ EM SUA VIAGENS ? Quem ? Há maneiras e maneiras de se colaborar com alguém, Banzoli! Uma acolhida temporária, uma mensagem contendo informações importantes, a própria divulgação feita por elas, entre seus parentes e conhecidos, do trabalho de Paulo etc. etc. Por onde se conclui que o seu artigo é de uma pobreza franciscana. Você continua: —- “Está na cara que Paulo estava mesmo falando de esposa”. —- Só se for na sua cara de pau! Já os comentários que você, inicialmente, citou, TODOS PROTESTANTES, (Gill’s Exposition of the Entire Bible, Jamieson-Fausset-Brown , Matthew Henry, The Enduring Word Bible Commentary (de David Guzok) Pulpit Commentary, Coffman’s Commentaries on the Bible, William Barclay’s Daily Study Bible, Adam Clarke Commentary, Thomas Coke Commentary on the Holy Bible, Schaff’s Popular Commentary on the New Testament….) NADA PROVAM, além da parcialidade protestante. Todos protestantes, os comentários!! Todos! O que esperava, Banzoli ? Que eles corroborassem a tese católica ? Se quiser eu posso, por exemplo, listar o dobro desses comentários, TODOS (e muitos deles PROTESTANTES) afirmando que em Mt 16,18 a PEDRA é Pedro. Acreditará neles ? Não! Você não acreditará! E por quê ? Porque – você dirá – são todos “romanistas”. Do mesmo modo, diante do texto em si e da maneira que sempre o compreendeu a Igreja antiga e o compreendem ainda muitos exegetas, devo dizer-lhe que o número talvez impressione puxa-sacos seus, como o analfabeto do Welington Mendes. Não a mim! Com efeito, diz o Dr. Henri Deen, no periódico (já extinto, acho) “Hora Presente”, que: —- “Este texto [1Cor 9,5] NUNCA FOI COMPREENDIDO DE MANEIRA DIFERENTE [DA COMPREENSÃO CATÓLICA] NO CONJUNTO DA IGREJA”…Não encontramos UM ÚNICO TEXTO AUTÊNTICO PARA APOIAR O PONTO DE VISTA PROTESTANTE” (P.165). —- No “CONJUNTO”, Lucas! Entenda! Dois ou três Padres isolados não decidirão nada. E quanto aos comentários católicos que você citou ? Bem, nada posso fazer contra uma ou outra opinião evidentemente insustentáveis deles. Você acha mesmo, Banzoli, que eu acato qualquer comentário só porque provém de fonte (pelo memos em tese) católica ? Acha que sou igual a esses “apologistazinhos” protestantes de Facebook ? Agora, sim, vem o cheque-mate: E é em você (versais minhas): —– “Ora, quanto às coisas que me escrevestes, bom seria que o homem não tocasse em mulher;Mas, por causa da fornicação, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido.O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher. Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência. Digo, porém, isto como que por permissão e não por mandamento. PORQUE QUERERIA QUE TODOS OS HOMENS FOSSEM COMO EU MESMO” (1Cor. 7,1-70) Paulo, caro Banzé, era SOLTEIRO! Ou, no máximo, VIÚVO. Casado é que não era! O contexto de 1 Cor 7 não revela, da parte dele, A MENOR INTENÇÃO DE MUDAR DE ESTADO CIVIL. Como, então, reivindicaria “esposa” em 1Cor 9,5 ? Responda! Por ora basta. Fiz esta réplica de um jato. E só a fiz para demonstrar a todos que você é um sofista de carteirinha. E para mostrar ao Welington Mendes que, bajular sofista (como bajular qualquer pessoa), é ridículo. Só que muito mais ridículo…

  • “Pentecostes” na Iconografia e Hinografia da Tradicão Bizantina”

    O ícone de Pentecostes normalmente traz os apóstolos formando dois grupos, com Pedro e Paulo presidindo cada um destes. Se trata sobre tudo de um ícone litúrgico; os apóstolos estão reunidos tal como para uma celebração litúrgica, ou uma concelebração, em torno de um trono vazio, preparado para Cristo. A presença de Pedro e Paulo no ícone assinala a presença de toda a Igreja em espera do Espírito Santo e, ao mesmo tempo, por este mesmo reunida. O ícone destaca como a Igreja nasce em uma situação de profunda comunhão entre os apóstolos, num contexto em que deveria brotar também a comunhão para toda a Igreja, para todo o mundo. Os tropários do Ofício bizantino de Pentecostes têm um carácter marcadamente trinitário, e se convertem quase em um canto litúrgico do símbolo de fé niceno-constantinopolitano. Um deles é em sua primeira parte toda uma profissão de fé trinitária; a segunda parte é uma paráfrase do Trisagion: ” Santo Deus , Santo Forte, Santo Imortal”, lido em clave claramente trinitária: “Vinde, povos, adoremos a Deidade hispostática: ao Filho no Pai com o Santo Espírito . O Pai , de fato, engendrou intemporalmente o Filho; um só poder, uma só substância, uma só dignidade que todos nós adoramos dizendo: Santo Deus, que tudo creou por meio do Filho, com a sinergia do santo Espírito ; Santo forte, pelo qual temos conhecido o Pai e pelo qual o Espírito santo veio ao mundo; Santo imortal, oh Espírito Paráclito, que do Pai procedes e no Filho repousas. Tríada santa, glória a Ti”. Enquanto as Igrejas de Tradicão siríaca e outras Igrejas anticalcedonianas lêem o Trisagion em clave cristológica, este tropário manifesta evidentemente a leitura trinitária que fazem dele as Igrejas de Tradicão bizantina. Diversos textos litúrgicos fazem um paralelismo entre Babel e Pentecostes; um é lugar de confusão e divisão e o outro, lugar de concórdia e louvor : “Um tempo foram confundidas as línguas pela audácia que forçou a construir a torre, mas agora são repletos de sabedoria pela glória da ciência divina. Ali, Deus condenou aos ímpios por suas culpas, aqui Cristo ilumina aos pescadores com o Espírito. Então se produziu como castigo a impossibilidade de falar, agora se inaugura a concorde sinfonia das vozes pela salvação de nossas almas… Quando o Altíssimo desceu à Terra para confundir as línguas, dispersou os povos;mas, quando distribuiu as línguas de fogo, chamou-nos todos à unidade. Glorifiquemos a uma só voz o Espírito de toda Santidade.” Dois dos tropários do Ofício das Vésperas são um comentário ao ícone da festa: o poder do Espírito Santo infunde nos apóstolos o dom das línguas: “Porque as pessoas ignoravam, oh Senhor, o poder do Espírito Santíssimo infundido sobre teus apóstolos, atribuíam à embriaguez o alternar -se das diversas línguas. Mas nós, que por elas fomos confirmados, incessantemente dizemos assim: Tu santo Espírito não apartes de nós, oh amigo dos homens, te rogamos… Senhor, a efusão de teu santo Espírito, que preencheu teus apóstolos, os fez capazes de falar em línguas estrangeiras: o prodígio parecia embriaguez para os incrédulos, mas , para os crentes, era portador de salvação. Faça-nos dignos também a nós da iluminação de teu Espírito, oh amigo dos homens, te rogamos”. Nos textos litúrgicos da festa, encontramos além disso dois tropários que entraram na celebração cotidiana da liturgia bizantina. O primeiro é o tropário: “ Rei celeste, Consolador, Espírito de verdade, presente em toda parte e ocupando todo lugar; tesouro de bens e dispensador da vida, vem e habita em nós; purifica-nos de toda a impureza e salva as nossas almas, tu que és bom”; este texto converteu na invocação inicial do Espírito Santo que inicia todas as celebrações litúrgicas bizantinas ao longo do ano litúrgico, exceto no período pascal. O segundo tropário: “Vimos a luz verdadeira, recebemos o Espírito celeste, encontramos a fé verdadeira, adorando a indivisível Trindade: pois foi ela que nos salvou; é o texto que se canta imediatamente depois de receber a comunhão dos santos Dons do Corpo e do Sangue de Cristo. Os Dons santificados pelo Espírito Santo se convertem para aqueles que os recebem em verídica luz, fé verdadeira e louvor à santa Trindade. Bendito és tu, Cristo nosso Deus, que tornaste sábios a simples pescadores, enviando-lhes o Espírito Santo e, por eles, colheste na rede o universo inteiro. Glória a ti, Amigo dos homens”. Este tropário dá sentido a toda a festa de Pentecostes na Tradicão bizantina e a seu ícone: graças ao dom do Espírito Santo os discípulos levam ao mundo a boa nova: o Pai , por meio do Filho envia o Espírito Santo à Igreja, a cada um de seus discípulos. Se o Pentecostes cristão – o dom do Espírito a Igreja – começa no dia descrito nos Atos dos Apóstolos, este não permanece fechado, senão que continua fazendo- se presente – o Espírito Santo – cada dia na vida da comunidade e na vida de cada um dos fiéis que o invocam com fé. A epíclese eucarística que é feita a cada dia sobre os Santos Dons é uma invocação do Espírito Santo sobre os Dons e sobre os fiéis: “Ademais te oferecemos este culto espiritual e incruento, e a Ti te invocamos, rogamos e suplicamos: envia teu Espírito Santo sobre nós e sobre estes dons a Ti oferecidos… Para que se convertam, para aqueles que os levam, em purificação da alma, remissão dos pecados, comunhão com teu Espírito Santo, plenitude do reino, confiança em Ti…” (Publicado por Manuel Nin em l’Osservatore Romano em 27 de Maio de 2012) Tradução: David Nesta.

  • A Liturgia em Santo Isidoro de Sevilha (I)

    As sete orações que compõe o sacrifício Compõe o sacrifício sete orações que, tal como assinala no final deste capítulo, «nos foram confiadas pelo ensino evangélico e apostólico». Mas, Por que são sete? «A razão determinante do número destas orações, −diz o Bispo Hispalense −, é, quer o conjunto septenário da catolicidade da santa Igreja, quer pela graça septiforme do Espírito, por cujo dom são santificadas as oferendas que antes foram apresentadas sobre o altar». Continua o Santo Doutor comentando cada uma destas. Como metodologia, poremos o nome das orações e, seguidamente, o comentário que faz a cada uma: 1.- Oratio Admonitionis: «É como uma advertência ao povo para que se sinta movido a suplicar ao Senhor». 2.- Alia: «É uma invocação a Deus para que, por sua clemência, receba as orações dos fiéis e suas oblações». 3.- Post Nomina: «Se pronuncia para o bem dos oferentes ou bem dos fiéis defuntos , para que alcancem o perdão graças a aquele mesmo sacrifício». 4.- Oratio ad Pacem: «Se recita em função do beijo de paz, afim de que, reconciliados todos entre sí pela caridade, sejam associados dignamente ao sacramento do corpo e do sangue de Cristo, para que o indivisível corpo de Cristo não seja objeto de dissensão alguma». 5.- Illatio: «(O prefácio) para a santificação da oblação, à que são convocados também para o louvor a Deus todas as criaturas terrenas e todas as potências celestiais. Além disso, menciona que nesta oração se canta o Hosanna in excelsis recordando o nascimento de Nosso Salvador Jesus Cristo: «porque, quando nasceu o Salvador, da linhagem de Davi, para a salvação do mundo, este canto se elevou às alturas». Enquanto que na versão romana do Santo aparece tanto na primeira como na segunda parte o Hosanna in excelsis, pelo contrário, na versão Hispano-Moçárabe, na primeira parte se diz Hosanna Filio David e na segunda Hosanna in excelsis. 6.- Post Pridie: «Contém a preparação do sacramento, para que a oblação que se oferece a Deus, santificada pelo Espírito, se transforme no corpo e sangue de Cristo». 7.- Pater Noster: « A última oração de todas elas é aquela com que nosso Senhor ensinou a orar seus discípulos». O Bispo Isidoro, citando os Santos Padres, faz uma descrição das sete petições que contém a Oração Dominical: Enquanto que nas três primeiras se pedem os dons eternos, nas quatro últimas se pedem os dons temporais, cuja função é poder alcançar os primeiros. Começa com a invocação ao Pai, continua com as três petições «que têm aqui seu início, mas se orientam a esperar naquela vida em que a santificação de Deus, sua vontade e seu reino permanecerão de maneira imortal en seus santos» e finaliza com as outras quatro. Na primeira petição desta segunda parte se pede «o pão de cada dia, tanto para a alma como para o corpo»; após o subsídio do pão, na segunda se pede o perdão «tendo em mente o exemplo da indulgência fraterna»; na terceira se pede que não nos deixemos levar pela tentação do pecado e, na quarta, «suplicamos também a proteção de Deus para que nos vejamos livres do mal». Santo Isidoro, depois de comentar as sete petições, assinala duas coisas: em primeiro lugar, referida às quatro petições da segunda parte, diz que « na vida futura, nada disto precisaremos (dons temporais)» e, em segundo lugar, que esta oração a ensinou o mesmo Salvador e « nela encontramos tanto a esperança dos fiéis como a confissão dos pecados». Por Salvador Aguilera López Tradução: David Nesta

  • As causas imediatas da expulsão dos cristãos do Japão

    A ordem de Hideyoshi, determinando a expulsão dos missionários datada de 24 de julho de 1587, justifica a medida com os seguintes argumentos: > É inadmissível a transmissão de doutrinas heréticas de países cristãos a uma nação dos deuses, o Japão; >> Constitui fato sem precedentes a destruição de Santuários Xintoístas e templos budistas, como resultado da conversão de populações de vários feudos. Os Daimios têm sob sua guarda temporária as terras e seus habitantes, razão por que devem defender as leis do país. Tendo este preceito em mente, precisam impedir que mesmo elementos mais modestos descumpram as leis; >>> Pensamos que os padres, com seus conhecimentos, podem fazer o seu proselitismo; mas como foi dito acima, destroem as leis religiosas do Japão, razão por que não podemos tolerá- los. Por isso, decidimos vedar a permanência de sacerdotes cristãos em território nipônico, devendo, dentro de vinte dias a contar desta data, retornarem aos seus países de origem. Aqueles (japoneses), Durante esse período, cometerem ofensas aos sacerdotes cristãos serão punidos. >>>> Os navios mercantes não estão incluídos neste édito, já que eles vêm para prática de comércio. Mesmo doravante podem comerciar, durante muitos anos. Que tomem conhecimento de que mercadores e outros elementos têm permissão de vir (ao Japão) procedentes de países cristãos. Contudo, alguns autores apontam como possíveis causas imediatas da decisão de Hideyoshi, entre outras as seguintes: > Recusa por parte de belas jovens católicas do feudo cristão de Arima em acatar a ordem de participarem do harém do ditador; >> Tendo terminado a campanha de pacificação de Kyushu, com ajuda de daimios cristãos, já podia dispensar o apoio dos padres; >>> Os portugueses não atenderam ao pedido de Hideyoshi de lhe fornecer navios armados para a campanha da Coréia. É possível que o conjunto dessas causas tenham contribuído para a repentina mudança de orientação de Hideyoshi. Fonte: Choque luso no Japão dos séculos XVI e XVII. Pág. 69,70 e 71. José Yamashiro

  • QUEM MANDA É VÍTOR, E IRENEU SABE.

    Por Fábio Morais. Duas maneiras há que nos obrigam admitir a autoridade indiscutível de alguém. Se este alguém arroga para si autoridade sobre determinadas pessoas e tais pessoas reconhecem o direito arrogado, então não há dúvidas: Temos um superior legítimo. A questão quartodecimana, sob o bispado romano de Vítor, é um desses fatos que deixam, muito claramente, consignada a autoridade do bispo de Roma sobre todas as igrejas, constituindo testemunho irreprochável do Papado em seus primórdios. Foi no século II, por volta do ano 190. Vejamos, rapidamente, o que se passou: Não querendo as igrejas da Ásia Menor uniformizar-se às outras na celebração da Páscoa, determinou Vítor, bispo de Roma, excluí-las da comunhão da Igreja. A sanção pareceu demasiado severa a Irineu e a outros bispos, e a fim de impedir este lanço de rigor e estabelecer a paz, escreveu o bispo de Lião uma carta a Vítor. A atitude de Vítor, a reação dos bispos asiáticos e a carta de Irineu, constituem os autos desse processo, onde, para os católicos, fica estabelecida a supremacia do bispo de Roma e, para os protestantes, o não reconhecimento dessa prerrogativa, impugnada, segundo eles dizem, por Irineu e por outros bispos da Igreja. Assim Helysson Freyre, que escreve em seu blog: ” Ameaçou [Vítor ] de excomunhão às Igrejas orientais por celebrarem a Páscoa em 14 de Nisã. Polícrates, bispo de Éfeso, respondeu que não temia as ameaças de Vitor, e afirmou a independência de sua autoridade. Irineu de Lião, embora bispo ocidental e simpatizante do ponto de vista do ocidente sobre a celebração da Páscoa (isto é, que fosse em dia fixo de semana, e não em dia fixo de mês), repreendeu Vitor por pretender impor-se às igrejas orientais” (O desenvolvimento do Papado – parte I – De Lino a Leão I). Da mesma maneira Thiago Dutra, no artigo “O relato equivocado de Irineu de Lyon”: “Tão verdade é que fundação e papado ou primado Universal NÃO SÃO A MESMA COISA, que o mesmo Irineu que afirmou que Pedro e Paulo fundaram a comunidade cristã em Roma se levantou contra o bispo de Roma de sua época, Vítor, o qual foi severamente repreendido” Os dois protestantes saem, pois, à liça e afirmam, muito desenxabidamente, que Vítor foi “repreendido” por Irineu. Thiago Dutra vai ainda mais longe. Para ele, Vítor foi “severamente repreendido”… Nada disso! Helysson e Thiago, seu discípulo, não estão certos. Bem diferente a exposição feita pela Paulus e contida na obra “Demonstração da pregação apostólica” (“Demonstratio praedicationis apostolicae”), por ela publicada e inserida na “Coleção Patrística”, dessa editora: “A Questão Pascal, que versa sobre a data de celebração da Páscoa, gerou muitas tensões entre as comunidades do Oriente e as do Ocidente, que se tornaram mais sentidas no final do século II, época em que o papa Vítor tomou uma notável atitude. Neste momento, temos um grande posicionamento de Santo Irineu, que é também o último acontecimento de que se tem notícia a seu respeito. No começo do século II, entre 110 e 117, a questão da data da celebração da Páscoa havia sido discutida entre o papa Santo Aniceto (+166) e São Policarpo, bispo de Esmirna, Ásia Menor, que foi a Roma tratar dessa e de outras questões disciplinares. Nessa ocasião, ficou decidido que as comunidades permaneceriam segundo as suas tradições. As comunidades da Ásia Menor, a metrópole de Éfeso, liderada por Polícrates, e suas sufragâneas, costumavam celebrar a Páscoa comendo um cordeiro na tarde do décimo quarto dia de março, como fazem os judeus, e a dar-lhe, como esses, o nome de banquete pascal, e três dias depois celebravam a ressurreição, fosse ou não domingo. Conserva-se, assim, a data hebraica da festa da Páscoa, costume que vinha dos apóstolos. Nas demais comunidades, esse banquete era realizado no sábado santo, unido à solenidade da ressurreição, sempre no primeiro domingo após o décimo quarto dia de março. Os que conservavam a data hebraica são chamados de quartodecimanos. Esse costume apresentava alguns inconvenientes: interrompia o jejum e o recolhimento da semana santa; fazia a alegria dos cristãos coincidir com a dos judeus; a celebração pascal não era num domingo; escandalizava os pagãos pela divisão da Igreja e fazia-lhes confundir os cristãos com os judeus. Em Roma, havia uma comunidade de orientais, que mantinham esse costume e, assim, ressaltava-se a divergência de costumes. São Vítor I (+198), décimo primeiro bispo de Roma, por volta de 190 determinou que a Páscoa deveria ser celebrada na mesma data, tanto no Oriente como no Ocidente. Polícrates, bispo de Éfeso, escreveu ao papa Vítor afirmando que esse costume da celebração da Páscoa era tradição recebida de São João e São Filipe, apóstolos, e de São Policarpo e Melitão; este último, inclusive, compôs um tratado sobre a Páscoa. São Vítor convocou vários sínodos regionais para tratar a questão. Vários bispos reagiram contra a atitude de São Vítor. A história registrou o pujante e feliz posicionamento de Santo Irineu, que interveio em favor das comunidades orientais, pedindo que o papa Vítor guardasse a linha de seus predecessores, pois sabia que estava em jogo a vida de toda a Igreja. O papa, por fim, acolheu a argumentação de Irineu. Posteriormente, no Concílio de Niceia, em 325, foi decidida definitivamente a questão, e os orientais passaram a celebrar a Páscoa como os demais cristãos”. (ler a obra aqui http://catolicaconect.com.br/…/Patrística-vol.-33-Irineu-de…) Vejam que não houve “repreensão” alguma a Vítor. Irineu, definitivamente, não “repreendeu severamente” o bispo de Roma, como quer Thiago Dutra, apadrinhado por Helysson Freyre. Eusébio de Cesareia, relatando a intervenção de Irineu, diz que este: “EXORTA DELICADAMENTE a Vítor a não apartar da comunhão Igrejas de Deus inteiras, que conservava uma tradição de antigo uso” (História Eclesiástica, livro 5, 24,11 – maiúsculas minhas). Que diferença! Eusébio fala de uma exortação “DELICADA”! Mas Helysson e Thiago veem nisso uma “repreensão”, uma “severa repreensão”… Quanto preconceito! O que dizer da atitude desses dois protestantes ? Ignorância ou má fé ? Como quer que seja, Irineu quis apaziguar, quis evitar uma excomunhão em massa. E conseguiu! Para tanto, intefereriu, respeitosamente, junto ao bispo romano. É o que diz ainda Eusébio, comentando a postura de Irineu: “E Irineu bem merecia tal nome, pois era pacificador pelo nome e a conduta, visto que exortava e servia de intermediário, em prol da paz entre as Igrejas” (Obra citada, livro 5, 24,18). Irineu queria a paz! E se fez ouvir junto a Vítor. Ora, por quê o fez, senão porque via, no mesmo Vítor, a autoridade para excomungar as comunidades asiáticas ? E tanto via, que, conforme o mesmo Eusébio, em citação feita há pouco: “Exorta [Irineu] delicadamente a Vítor a não apartar da comunhão Igrejas de Deus inteiras…” Ora, se Irineu exorta a Vítor a não apartar” é porque Vítor poderia, efetivamente, apartar! É porque Vítor estava investido de autoridade para apartar! É porque Vítor era Papa reconhecido! Irineu, por conseguinte, testemunha, pela sua iniciativa, a autoridade do bispo romano sobre as demais igrejas. Do contrário, aí sim, o repreenderia. Mas não o fez! Ao invés de pedir (e delicadamente!) que Vítor não excomungasse, poderia Irineu ter dito que ele não tinha o direito de fazê-lo. Irineu fez isso ? Não! Não fez. Nem Irineu, nem ninguém… Desafio aqui os protestantes a apresentarem qualquer testemunho primitivo que negue, a Vítor, naquela ocasião, o direito de excomungar. Não existe! E nem se venha alegar Polícrates. Porque Polícrates não negou a atribuição de Vítor. Quis desobedecê-lo! São coisas distintas. E Roma, mais uma vez, desponta, à partir dos desdobramentos da História Eclesiástica, com a suprema autoridade a regular os assuntos da Igreja. Graças a Deus que é assim…

  • ESOTERISMO E ESPIRITISMO, EXORTAÇÕES DOS PADRES DA IGREJA

    O primeiro mandamento proibe prestar honra a outros deuses afora o único senhor que se revelou a seu povo. Proscreve a superstição e a ireligião. A superstição representa, de certo modo, um excesso perverso da religião; a irreligião é um vício oposto por deficiência a virtude da religião (CIC 2010). ASTROLOGIA, SUPERSTIÇÕES E MAGIAS “A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Pode afetar também o culto que prestamos ao verdadeiro Deus, por exemplo: quando atribuímos uma importância de alguma maneira mágica a certas práticas, em si mesmo legítimas pou necessárias Atribuir eficácia exclusivamente à materialidade das orações ou dos sinais sacramentais, sem levar em conta as disposições interiores que exigem, é cair na superstição. Todas as formas de adivinhação hão de se rejeitadas: recurso a Satanás ou aos demônios, evocação dos mortos ou outras práticas que erroneamente se supõe “descobrir” o futuro. A consulta dos horóscopos, a astrologia, a quiromancia, a interpretação dos presságio e da sorte, os fenômenos de visão, o recurso a médiuns escondem uma vontade de poder sobre o tempo, sobre a história e, finalmente, sobre os homens, ao mesmo tempo que um desejo de ganhar para si os poderes ocultos. Estas práticas contradizem a honra e o respeito que, unidos ao amoroso temor, devemos exclusivamente a Deus. Todas as práticas de magia ou de feitiçaria com as quais a pessoa pretende domésticar os poderes ocultos para coloca-los a seu serviço, e obter um poder sobrenatural sobre o próximo – mesmo que seja para proporcionar a este a saúde – são gravemente contrárias à virtude da religião cristã. Essas práticas são ainda mas condenadas quando acompanhadas de uma intenção de prejudicar a outrem, ou quando recorrem à intervenção dos demônios. O uso de amuletos também é repreensível. O espiritismo implica frequentemente práticas de adivinhação ou de magia. Por isso, a igreja adverte os fiéis a evitá-lo. O recurso aos assim chamados remédios tradicionais não legítima em votação dos poderes joão alérgicos nem a exploração da credor idade alheia” (2111,2116,2117). Didaqué ” Meu filho: não seja dado à adivinhação, pois a adivinhação leva à idolatria. Também não pratica encantamentos, astrologia ou purificações, nem queira ver ou ouvir sobre estas coisas, pois de todas essas coisas provém a idolatria” (3,4). Justino de Roma “De antemão vos avisamos que tenhais cuidado para não serdes enganados por esses mesmos demônios que acabamos de acusar e, assim, eles vos impeçam totalmente de ler entender o que dizemos, pois eles lutam para tê-los como seus escravos e servidores. Por aparições em sonhos ou por artes de magia, eles se a poderam de todos aqueles que, de um modo ou de outro, não trabalham por sua própria salvação. Depois de crer no verbo, nós nos afastamos deles e, por meio do filho seguimos o único Deus unigênito” (1° Apologia 14,1). Taciano da Síria “O objetivo da perversão deles (os demônios) são os homens, pois, mostrando-lhes, como os jogadores de dados, uma tábua com a descrição da posição dos astros, introduziram o destino – império extremamente injusto -porque foram produzidos conforme o destino tanto o que julga como aquele que é julgado (…) dessa forma, o colérico e o sofrido, temperante e o intemperante, o pobre e o rico dependem dos demônios que estabeleceram a lei do seu horóscopo. Com efeito, a configuração do círculo do zodíaco é obra de seus “deuses” e a luz de um deles, quando predomina, triunfa sobre todos os outros, embora aquele que afora foi derrotado, costume, depois, vencer. Mas os que se divertem com eles são os sete planetas, com aqueles que jogam os dados. Nós, porém, somos superiores ao destino e, ao invés de demônios errantes, reconhecemos um só senhor inerrante, e aqueles de nós que são conduzidos pelo “destino” rejeitaram aqueles que estabeleceram suas leis (…) Portanto, como vou reconhecer horóscopo do nascimento, quando vejo tais ‘administradores do destino’ (os demônios)”? (discurso contra os gregos 8.10. 11). “Uma mulher que bebe água enlouquece e com as perfumes incenso sai de si mesma, e tu dizes que ela adivinha. Apolo foi profeta e mestre de adivinhos e, no entanto, dafne o enganou. Por tua vida, dize-me: como é que um carvalho adivinha, pássaros predizem o futuro, e tu és inferior às plantas e aos pássaros? Portanto, seria bom que te convertesses em árvore fatídica e tomasses as asas do habitantes do ar! Aquele que te torna avaro é o que te vaticana como enriquecer-te; aquele que provoca sedições e batalhas, esse mesmo de profetiza a vitória na guerra. Se tornasses superior às tuas paixões, desprezarias tudo o que existe no mundo” (discurso contra os gregos 19). Bibliografia: A fé cristã primitiva, Carlos Martins Nabeto #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #Patrística #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja

  • A VIDA NO INFINITO (Dom Fernando Gomes dos Santos)

    Tudo foi tão rápido! De repente, O espaço sumiu, o tempo acabou. – Não sei como foi. Entrei com a vida no Infinito. – Não sei como foi. O corpo sumiu, para onde não sei. – Desnudo, liberto, tomei consciência de ser alguém. Por isso, talvez, senti-me tão bem! Julguei ser seguro como se todos e tudo, os homens, o mundo, estivessem comigo no infinito. – Descrever não se pode. Não há frio, nem calor… Nada se sente! É diferente! A gente não ouve, não sofre, não geme, não tem fome, nem bebe. Sem tato, sem dor, sem cheiro, sem gosto, sem grito, sem choro, sem nada que impeça a liberdade na glória dos filhos de Deus. – O infinito consiste em ver e amar. Basta ver, intuir, conhecer sem cessar, por amor, para amar. – Amar é morrer sem acabar. Morrer é amar. Só isso, mais nada! – Libertação total da inveja e do ódio, do ciúme e do medo. – No infinito não há aventura ou calúnia, conivência, omissão, injustiça, opressão. Morrer é tão bom! – Tudo isso foi sonho? Será profecia? Ficou na lembrança… – Um sonho, talvez, que me trouxe alegria, me alimenta a Esperança! – Quem me dera morrer de repente, sem dar trabalho, mas trabalhando na missão, como agente da Redenção. – Morrer é tão bom! Para ver sem sombra, sem véu, a face de Deus, na casa do Pai, que mora no céu! (Dom Fernando Gomes dos Santos, Antigo Arcebispo Metropolitano de Goiânia – GO).

  • PARTE DE NÓS (João Paulo II)

    Espero que você possa aceitar as coisas como elas são, sem pensar que tudo conspira contra você, porque parte de nós  é entendimento, mas outra parte é aprendizado. Que você possa ter força para vencer todos os seus medos, e que no final, possa alcançar todos os seus objetivos, porque parte de nós é cansaço, mas a outra parte é vontade. Que tudo aquilo que você vê e escuta possa lhe trazer conhecimento. Que essa escola possa ser longa e feliz, porque parte de nós é o que vivemos, mas a outra parte é o que esperamos. Que você possa aprender a perder sem se sentir derrotado. Que isso possa fazer você cada vez mais guerreiro, porque parte de nós é o que temos, mas a outra parte é sonho. Que durante a sua vida você possa construir sentimentos verdadeiros. Que você possa aceitar que só quem soube da sombra pode saber da luz, porque parte de nós é angústia, mas a outra parte é conforto. Que você nunca deixe de acreditar. Que nunca perca sua fé, porque parte de Deus é amor, e a outra parte também. (João Paulo II)

  • A RESSURREIÇÃO (Orígenes)

    No último dia, a morte será vencida. A ressurreição de Cristo, após o suplício da cruz, contém misteriosamente a ressurreição  de todo o Corpo de Cristo. Tal como o corpo visível de Cristo é crucificado, amortalhado e depois ressuscitado, assim o Corpo inteiro dos santos de Cristo é com ele crucificado e já não vive em si mesmo. Mas quando chegar a hora da ressurreição do verdadeiro Corpo de Cristo, do seu Corpo total, então os membros de Cristo, hoje semelhantes a ossos secos, juntar-se-ão, articulação com articulação (Ez 37,1s), cada um encontrando o seu lugar e «todos juntos constituirão um homem perfeito à medida da plenitude do corpo de Cristo» (Ef 4,13). Então a multidão de membros será um corpo, pois todos pertencem ao mesmo corpo (Rm 12,4). (Orígenes – 185 – 243) #Cristologia #Igreja

  • ORAÇÃO DE SANTA MACRINA (São Gregório de Nissa – † 392)

    Tu, ó Senhor, nos libertaste do temor da morte. Para nós fizeste do fim desta vida princípio de verdadeira vida. Tu por algum tempo adormeces com o sono os nossos corpos e de novo os despertas com a última trombeta. Dás como penhor à terra a nossa terra que com tuas mãos plasmaste e de novo tomas o que deste, enobrecendo com a imortalidade e a graça o que de nós é mortal e inconveniente. Tu nos salvaste da maldição e do pecado, tornando-te por nós ambas as coisas. Esmagaste as cabeças do dragão que através do báratro da desobediência agarrou o homem com as fauces. Abriste-nos o caminho para a ressurreição rompendo as portas do Hades e reduzindo à impotência aquele que tinha o domínio da morte. Deste aos teus timoratos o símbolo da Cruz para destruição do adversário e para segurança de vida. Ó Deus eterno, a quem fui consagrada logo que fui dada à luz, que meu ânimo amou com todas as suas forças, a quem dediquei a carne e a alma até agora, põe a meu lado o anjo fiel que me guie para o lugar do refrigério, onde está a água do descanso no seio dos santos padres. Tu que quebraste a espada de fogo e restituíste ao paraíso o homem crucificado contigo e que se tinha entregue à tua piedade, recorda-te também de mim no teu reino, porque também eu fui crucificada contigo, cravando as minhas carnes por temor de ti e temendo o teu juízo… Tu que tens na terra o poder de perdoar os pecados, perdoa-me, a fim de que eu encontre refrigério, e seja encontrada ao ser despojada do corpo, não com mancha na forma da minha alma, mas pura e imaculada seja recebida a minha alma, como fumaça de incenso na tua presença. Amém! (Oração De Santa Macrina – São Gregório de Nissa – † 392)

  • O LOUVOR DE CRISTO (Melitão, bispo de Sardes)

    Prestai atenção, caríssimos: o mistério pascal é ao mesmo tempo novo e antigo, eterno e transitório, corruptível e incorruptível, mortal e imortal. É mistério antigo segundo a Lei, novo segundo a Palavra que se fez carne; transitório pela figura, eterno pela graça; corruptível pela imolação do cordeiro, incorruptível pela vida do Senhor; mortal pela sua sepultura na terra, imortal pela sua ressurreição dentre os mortos. A Lei, na verdade, é antiga, mas a Palavra é nova; a figura é transitória, mas a graça é eterna; o cordeiro é corruptível, mas o Senhor é incorruptível, ele que, imolado como cordeiro, ressuscitou como Deus. Na verdade, era como ovelha levada ao matadouro, e contudo não era ovelha; era como cordeiro silencioso (Is 53,7), e no entanto não era cordeiro. Porque a figura passou e apareceu a realidade perfeita: em lugar de um cordeiro, Deus; em vez de uma ovelha, o homem; no homem, porém, apareceu Cristo que tudo contém. Por conseguinte, a imolação da ovelha, a celebração da páscoa e a escritura da Lei tiveram a sua perfeita realização em Jesus Cristo; pois tudo o que acontecia na antiga Lei se referia a ele, e mais ainda na nova ordem, tudo converge para ele. Com efeito, a Lei fez-se Palavra e, de antiga, tornou-se nova (ambas oriundas de Sião e de Jerusalém); o preceito deu lugar à graça, a figura transformou-se em realidade, o cordeiro em Filho, a ovelha em homem e o homem em Deus. O Senhor, sendo Deus, fez-se homem e sofreu por aquele que sofria; foi encarcerado em lugar do prisioneiro, condenado em vez do criminoso e sepultado em vez do que jazia no sepulcro; ressuscitou dentre os mortos e clamou com voz poderosa: “Quem é que me condena? Que de mim se aproxime (Is 50,8). Eu libertei o condenado, dei vida ao morto, ressuscitei o que estava sepultado. Quem pode me contradizer? Eu sou Cristo, diz ele, que destruí a morte, triunfei do inimigo, calquei aos pés o inferno, prendi o violento e arrebatei o homem para as alturas dos céus. Eu, diz ele, sou Cristo. Vinde, pois, todas as nações da terra oprimidas pelo pecado e recebei o perdão. Eu sou o vosso perdão, vossa páscoa da salvação, o cordeiro por vós imolado, a água que vos purifica, a vossa vida, a vossa ressurreição, a vossa luz, a vossa salvação, o vosso rei. Eu vos conduzirei para as alturas, vos ressuscitarei e vos mostrarei o Pai que está nos céus; eu vos levantarei com a minha mão direita”. (Da Homilia sobre a Páscoa, de Melitão, bispo de Sardes – Nn. 2-7.100-103: SCh 123,60-61.120-122 – Séc. II). #Cristologia #Igreja

  • EM AMOR O SENHOR DEU A SI MESMO POR NÓS (Clemente)

    Em amor o Senhor deu a si mesmo por nós. Por conta do amor que ele nos deu à luz, Jesus Cristo nosso Senhor deu seu sangue por nós pela vontade de Deus;  Sua carne por nossa carne; Sua alma por nossas almas. (1 Clemente 49,6)

  • PERDOAR PARA SER PERDOADO (São Policarpo)

    E se nós suplicamos ao Senhor para nos perdoar, também nós devemos perdoar, pois estamos diante dos olhos do nosso Deus e Senhor, e porque todos devemos comparecer no tribunal de Cristo,  e cada um deve prestar contas de si mesmo. (São Policarpo 6,2)

  • TU ME MOVES, SENHOR (Santa Teresa de Ávila)

    Não me move, meu Deus, para querer-te O céu que me hás um dia prometido: E nem me move o inferno tão temido Para deixar por isso de ofender-te. Tu me moves, Senhor, move-me o ver-te Cravado nessa cruz e escarnecido. Move-me no teu corpo tão ferido Ver o suor de agonia que ele verte. Moves-me ao teu amor de tal maneira, Que a não haver o céu, ainda te amara E a não haver o inferno te temera. Nada me tens que dar porque te queira; Que se o que ouso esperar não esperara, O mesmo que te quero te quisera. (Santa Teresa de Ávila)

  • SÊ FIEL AO ALTÍSSIMO (Santa Clara de Assis)

    Não esqueças teu santo propósito, não percas de vista as motivações de início. Mantém-te firme  no que já alcançaste. Sê constante no que fazes. Não desanimes no caminho, corre veloz, com passo leve e sem tropeçar. Que nem a teus pés o pó se apegue. Avança seguro, alegre e jovial, no caminho da felicidade. Não acredites nem confies em quem te tentar desviar deste propósito. Ultrapasse todo o obstáculo do caminho, e sê fiel ao Altíssimo. (Santa Clara de Assis)

  • ROMA, O TRIUNFO DO CRISTIANISMO OU DE CONSTANTINO?

    ROMA, O TRIUNFO DO CRISTIANISMO OU DE CONSTANTINO? • A PEREGRINAÇÃO DO PAPADO, DE JERUSALÉM À ROMA. • Para finalizar a sequência dos textos sobre os estudos da peregrinação da Igreja que à levou de Jerusalém à Roma como a capital do cristianismo, primeiro quero fazer um comentário sobre a obra de três doutores da Unicamp, e assim confirmar que as ideologias modernistas tem afetado o campo de trabalho científico, o modernismo tem uma influência marxista muito grande. Vamos a um trecho, “Jesus de Nazaré, pode ser considerado um dos grandes sábios da antiguidade que, não deixou nada por escrito, assim como Sócrates e sidarta gautama, o Buda. Eles têm em comum, além disso, a imensa influência que tiveram, mesmo sem serem deixado nada registrado. Mais do que isso, os três parecem ter defendido o princípio de retribuir a agressão com o amor. Claro, como não deixaram nada escrito, esta é uma inferência retirada dos seus seguidores imediatos e que parece ser verdadeira, pelo inusitado. No caso de Jesus de Nazaré 4 a.C. – 30 d.C), não podemos desvencilhar este imenso personagem do Mediterrâneo oriental em que nasceu e viveu. Jesus pode ser considerado a pessoa com maior número de seguidores no mundo, em todos os tempos e isto se deve a muitos fatores, dentre os quais sua inserção nessa encruzilhada cultural. Até pela falta de dados diretos de Jesus, muitas teorias foram desenvolvidas sobre ele: seria um filósofo cínico grego, uma asceta, um Místico persa, um líder camponês, um revolucionário? ou apenas um judeu influenciado por tudo isso e muito mais”? • “Sabemos muito pouco, de fato, sobre a vida de Jesus, tudo que conhecemos foi escrito por seus seguidores, décadas depois de sua morte, quando já era considerado Cristo. Mesmo assim. Pode deprender-se dos Evangelhos de Marcos (70d.C.), Mateus e Lucas (90 d.C) e João (100 d. C.) • segundo esses doutores, nós temos uma idéia errada sobre a Igreja Primitiva, de que era homogênea sem divisões e separações. • Segundo esses doutores, não existia uma igreja institucional como conhecemos hoje. Logo, não havia unidade de pensamento. Ao longo de cerca de 300 anos de que a Igreja viveu na ilegalidade, até chegar Constantino, cometem um erro ao dizer que a religião cristã foi composta por diferentes grupos, que divergiam em especial pelo modo como interpretavam a personalidade do o iniciador do movimento Jesus de Nazaré. Como veremos mais adiante, discussões aconteceram muitas vezes, esse foi o motivo do primeiro Concílio apostólico, a ortodoxia doutrinária vem dos apóstolos, não é simplesmente um preconceito com um pensamento diferente, mas se manter no tronco Apostólico. • É fato que houve discussões desde o início entre grupos cristãos que eram menos ou mais influenciados pelas tradições judaicas; menos ou mais influenciados pelo processo de helenização. Não aceitam um cristianismo com uma linha ortodoxa, eles comentam que existiam várias correntes de pensamento e confundem com o essas correntes, afirmando que existiam vários tipos de cristianismo. Infelizmente, este tipo de atitude também existe entre cristãos modernistas, os protestantes gostam desse tipo de argumento, justamente para justificar suas crenças. Entre esses grupos heterodoxos estão vários grupos que nós chamamos de heréticos, temos os ebionitas, entre outros. Qual é a verdade? São alguns grupos que fogem do tronco principal, empenham-se na defesa de um Jesus humano, negando sua divindade, outros seguiam o caminho contrário. Ainda no final do século I, em particular nas comunidades da Ásia menor, disseminava-se uma perspectiva segundo a qual Jesus não teria um corpo físico. Chamada de docetismo, esta corrente de pensamento de tendência gnóstica também acreditava e defendia que Jesus teve apenas um corpo aparente. Para eles, a hipótese de um Deus feito humano, crucificado e morto era absurda, pois como gnósticos, entendiam que toda matéria é má e incapaz por natureza, enquanto o espírito, em oposição à matéria, deve ser considerado superior e bom. Como, então, a divindade assumiria qualquer parcela da matéria encarnando-se nela? Com essa convicção os docetistas negavam a condição humana e a realidade Histórica de Jesus de Nazaré. • O outro movimento que importante do século II era o monarquianismo, também chamado de Patripassionismo. O mais proeminente seguidor desta corrente de pensamento foi um cristão chamado Práxeas, que levava o monarquianismo Patripassionismo passeando da Ásia para Roma por volta do ano 190. Por não abrirem mão do monoteísmo herdado da tradição Judaica e, ao mesmo tempo, não rejeitar a crença na divindade de Jesus de Nazaré, os monarquianis entendiam que considerá-lo uma pessoa distinta do pai Seria o mesmo que afirmar a existência de outro deus. A alternativa proposta pelos Monarquianos era definir que Jesus não era a pessoa distinta, mas a própria e a única pessoa de Deus que, hora manifestava-se como pai, hora manifestava-se como filho, dessa forma segundo os Monarquianos foi Deus pai que, tornando-se filho, desceu ao seio de Maria, viveu, cresceu, morreu e ressuscitou. A partir dessa interpretação, os monarquianos também foram conhecidos como Patripassianos, por entenderem que o próprio Deus pai sofrera o sacrifício da Cruz. vemos aí uma ideia de um Deus bipolar. • A última corrente Cristã proeminente em relação à interpretação cristológica que antecedeu a liberdade de culto dada ao cristianismo no tempo de Constantino, foi o arianismo, contemporâneo ao Imperador que vamos falar mais à frente detalhadamente em outro texto tanto do arianismo quanto do Imperador. • Podemos ver claramente que nos tempos dos Apóstolos haviam controvérsias, a Igreja estava se desenvolvendo doutrinariamente e nos dogmas, vemos isso claramente nas epístolas católicas de São Paulo, Daniel Rops faz um comentário de um momento desses que os doutores marxistas chamam de pluralidade cultural da Igreja, nós chamamos de erros e Heresias. “Conhecemos homens que, capazes de conceber uma grande obra, são incapazes de levá-lo a bom termo. São Paulo, gênio completo, dotado de todos os dons, sabe não só projetar, mas vigiar e rematar; a prova disso é a temporada que passou em Éfeso (Atos 19). Chegando à grande metrópole helênica na primavera de 53, no começo da sua terceira missão, fica lá dois anos, desprezando os perigos que corre e o combate contra as feras que tem de travar. A comunidade cristã que ali encontra, ao voltar de Corinto, parece-lhe promissora e, ao mesmo tempo, frágil. A propaganda da Boa Nova, feita por um alexandrino chamado Apolo, apresenta graves lacunas. Paulo põe-lhes remédio, corrige erros, elimina certa tendência para a magia e fortalece a fé com sua pregação e os seus milagres”. Diante dessa situação podemos pensar que os apóstolos eram opressores? Não, cuidavam da ortodoxia da doutrina que estava sendo elaborada a cada dia, diante de cada situação diferente que encontravam nos povos que pregavam, então temos a plena certeza que devemos continuar como os apóstolos, defendendo a sã doutrina. • A questão é, havia diversidade ou unidade? No último texto que fiz abordei sobre esse tema, já vimos as discussões que levaram ao primeiro Concílio apostólico em Jerusalém, vamos recordar; sabemos que as discussões naquela época estavam em torno dos pagãos convertidos guardassem as práticas judaicas, como a circuncisão e dietas judaicas. • Nada indica que entre Paulo e os apóstolos, depositários da mensagem de Jesus, tem havido contradição sobre este ponto essencial. Pelo contrário, o acordo foi rapidamente selado: Tiago, Cefas e João, que eram considerados as colunas da igreja. Deram as mãos a Barnabé e Paulo, em sinal de comunhão” (Gálatas 2, 9). Fixaram-se os princípios por meio de um decreto e determinaram-se com exatidão as observâncias judaicas que convinha manter. A concepção de São Paulo acabava de estabelecer como doutrina as tendências Profundas, mais ainda pouco elaboradas, da consciência Cristã (Atos 15,1 – 35). Mas em Antioquia, Pedro parece tomar o partido do judaizantes. Mais fechados e e desviar-se do cristianismo Universalista, é Paulo quem o repreende com uma firme amizade. Conforme esclarece Tertuliano, não se tratava da parte do Príncipe dos Apóstolos, senão de “um erro de atitude e não de um erro de doutrina”; mas poderia vir a ter consequências graves, e São Paulo evitou que ele o cometesse (Gálatas 2,1). • O apóstolo Paulo é levado a Roma para ser julgado. Não foi por acaso que sempre foi desejo de São Paulo ir à cidade eterna, e o procurador Festo tinha sem Saber servido de instrumento do designo de Deus. Já em 58, quando se encontrava em Corinto. Paulo tinha escrito aos romanos a carta que lhes anunciava a sua ida e, louvando a sua fé viva, tão renomada, lhes espunha o essencial da sua doutrina sobre o pecado, a redenção, a justiça de Deus e o Poder da Fé. • Roma era era o centro do mundo. Talvez um milhão de habitantes nesta cidade, latinos, gauleses, os negros da África, estavam todos ali representados, assim como o espanhol, grego, Sírio, e o dálmata. por isto Este foi o principal campo de ação do apóstolo Paulo. Entre estes grupos heterogêneos, a colônia judaica destacava-se pela sua Coesão e pela sua força. Sem pretender igualar a de Alexandria, não devia ter menos de 40 ou 50 mil almas. Assim, por exemplo, no ano 4 antes da nossa era a delegação Israelita que tinha ido ver Augusto compunha-se de oito mil homens; por outro lado, dentre os judeus, Tibério tinha levado quatro mil soldados para sua expedição à Sardenha. Em sua maioria, era um sobretudo homem de negócios e de pequenos ofícios. Espalhados por toda a cidade e não reunidos em Gueto, como durante muito tempo se acreditou, habitavam o centro da cidade, o campo de Marte e as cercanias da porta Capena. Possuíam uma dezena de sinagogas e vários cemitérios, onde a arqueologia encontrou os seus grafites artísticos, Candelabros de 7 braços e o armário da Torá. • Dos começos desta comunidade, não conhecemos senão um episódio narrado por Suetônio. Sob o reinado de Cláudio, sem dúvida cerca de 49, houve tumulto na colônia Judaica por instigação de um certo Chrestus – fórmula vaga, escrita por um homem bastante mal informado. Mas que permite imaginar a realidade do incidente, as disputas e as invejas entre judeus do templo e judeus da Cruz, as suas arruaças e, por último um decreto do Imperador exilando os turbulentos. O episódio referido por suetônio é confirmado pelos Atos dos Apóstolos, que nos falam de Áquila e Priscila, protetores e amigos de São Paulo em Corinto, como os judeus desterrados de Roma por Cláudio. Este fato prova a vitalidade desse primeiro núcleo de cristãos na cidade de Roma e a efervescência provocada pela evangelização. • Mas, para explicar o seu sucesso que a história confirmará não será necessário supor a presença de uma outra personalidade além da de São Paulo na comunidade Romana? A igreja pensa que sim, e não apenas a mais alta tradição católica, mas também liberais como Harnack e Protestantes como Lietzmann, que afirmam: o homem que contribuiu para esta Fundação, eminente entre todas, muito antes de São Paulo desembarcar em Pozzuoli, não foi outro senão aquele a quem o senhor havia confiado o cuidado de dirigir a sua igreja, o príncipe dos Apóstolos, São Pedro, a velha Rocha. (A permanência de São Pedro em Roma constitui um dos assuntos mais discutidos a respeito deste período da história cristã, e a discussão é tanto mais viva quanto uma relação precisa entre a Igreja de Roma e São Pedro é evidentemente de toda a importância para se determinar a origem da autoridade dos Papas. Ficaremos aos trabalhos do Historiador protestante H. Lietzmann [Petrus und Paulus in Rom, Berlim, 1927], impõe-se a conclusão de que, por volta do final do século II, estava firmemente estabelecida em Roma a tradição da permanência e do martírio do Príncipe dos apóstolos na cidade eterna. Todos os documentos literários depõe nesse sentido: um texto do letrado Gaio, que escreveu perto do ano 200 e foi citado por Eusébio; o famoso catálogo liberiano, iniciado por volta do ano 235, que estabelece a lista dos bispos de Roma, e que depois irá até o século IV, o Papa Libério (352-366); cartas de Santo Irineu, Bispo de Lyon, por volta do ano 180, e do bispo Diniz de Corinto, da mesma época. Os dois textos mais antigos que se conhecem são os famosos comentários das sentenças do senhor, em que Papias, o velho Bispo asiático de hierápolis, que conheceu os discípulos diretos dos Apóstolos, assegura que Marcos resumiu o no seu evangelho as pregações de São Pedro em Roma, e uma carta de São Clemente papa e Mártir, terceiro sucessor de São Pedro, que dirigindo-se aos Coríntios Por volta do ano 95, fala claramente do martírio de Pedro e Paulo em Roma. Por outro lado, as pesquisas arqueológicas provaram que, no decurso do século III, os cristãos das catacumbas veneravam a memória dos dois Apóstolos. A questão parece, portanto, resolvida quanto ao fato. Quanto à duração, pelas datas que se lhe podem assinalar, todos os historiadores sérios, cristãos ou não, concordam em que apenas se podem estabelecer hipóteses. Eusébio diz que são Pedro chegou a Roma no ano 42 e sofreu o martírio no ano 67). • OS PRIMEIROS CRISTÃOS AGUARDAM A VOLTA DE JESUS E O FIM DOS TEMPOS • É difícil para nós, imaginar os apóstolos e aqueles que começaram a se reunir em volta deles, todos tinham pressa de difundir o evangelho por volta de 50-60. Para muitas dessas pessoas Jesus e decerto o Messias, o filho de Deus. A fé é que lhes permitirá entrar num universo desconhecido. No entanto, elas não conheceram Jesus. Imaginam a sua silhueta, como nos dias de hoje muitos ainda discutem até a cor da pele de Jesus, mas podemos imaginar que foram inúmeras vezes descrita; só isso. O homem de Nazaré, àquele que passeava pelo Tiberíades, atravessa os tempos e penetra na imaginação pelos tempos. É certo que as pessoas ouvem a pregação dos discípulos e participam das reuniões de oração. Seu desejo oculto é se aproximar de seu modelo. Sua esperança é a volta dele. Pois Ele assim quem prometeu. voltará. Então, a antiga Terra terá acabado, outra surgirá. O mundo terá enfim se tornando esse Jardim cheio de leite e mel descrito na Bíblia. O fim dos tempos – Isto é, o advento do Reino dos que crêem, tanto pobres quanto ricos, ele é o Senhor do gênero humano total, e não de uma classe social desfavorecida – será também o reino de Deus. Isto também foi anunciado por Jesus. • Essa incrível revelação precisa ser o quanto antes transmitida aos homens do mundo inteiro. Quantos são eles? onde estão? Mistério para os humildes Apóstolos que conquistarão o mundo. Para esses cristãos das origens, seu universo vai do eixo de Nazaré a Cafarnaum ao de Jerusalém-hebron. É a antiguíssima terra prometida a Moisés. Ademais, toda a evangelização iniciada se Desenrola nesse país do tamanho de um bairro. No entanto os apóstolos sabem que precisarão se afastar dessa população Judaica que os ouve com sentimentos acalmados. O que está além do País das origens os aguarda. • É aí que nossa imaginação voa. O que é o Império Romano para esse judeus que, em geral, nunca viram o mar, mesmo que saibam perfeitamente situá-los? Esses judeus para quem as cidades como Antióquia ou Gaza são remotas e meio Fabulosas. • Naturalmente, há a diáspora dos judeus. Há quase dois séculos, comunidades mais ou menos importantes vêm sendo implantadas em Roma, Éfeso e Alexandria. A população destas cidades aumentará maciçamente logo depois da guerra. Mas desde os anos 50-60, elas podem servir de pouso, se é possível dizer. Em seu seio, as pessoas encontram pelo menos uma maneira de viver, de comer, de rezar. Com os judeus da diáspora, elas podem se expressar na língua comum: o aramaico, Às vezes o hebraico. Na verdade, os que ousarem deixar o ninho original se beneficiarão, bem ou mal, da existência desses grupos afastados as disputas continuarão, como ni Templo de Jerusalém. • É verdade, e no entanto é uma derradeira ilusão. Chegará um momento, muito rápido, em que será necessário realmente deixar o mundo judeu, fora dele estão o Império, uma potência Universal, que a maioria dos judeus detesta, mas cuja imensidão tem algo de apavorante. Roma fará do cristianismo uma religião Universal, pois tem os povos, os portos, as estradas; seu exército é onipresente. Mais graves tem seus deuses, tem seus ritos, sua língua. A que Romano se dirigir para tentar ensinar a revelação Cristã? • Pois que uma evidência perturba o espírito da minúscula igreja das origens: a Grécia, ela está relativamente próxima. Inventou tudo, afirma-se; em todo caso, a filosofia, pelo menos. Não só os gregos dispõe de uma língua universal. O que não intimida muitos judeus. Pode-se fingir ignorar-los, mas, na verdade, isso é impossível. Será necessário então transpor esse rio imenso. • Apóstolos e discípulos tem consciência desses obstáculos? Não explicitamente. O que não impede que cada um dos Evangelhos tenha como alvo – sem que isso seja dito – uma população determinada. É evidente que Paulo em geral se dirige as comunidades helenizadas. Lucas escreverá para elas também, o que não basta. Mais uma vez o grego não é somente uma língua – que a maioria dos judeus instruídos compreende -, é também uma maneira de estar no mundo. Se os cristãos querem transmitir a revelação do norte e do Sul, se querem ser bem compreendidos tanto em Atenas quanto em Alexandria, é preciso que a passagem de Jesus por esta terra entre nas categorias intelectuais gregas; é o preço a pagar para que o mundo se torne de Cristão. • Teriam esses primeiros cristãos consciência das extravagâncias do desafio que lançavam à mais alta cultura da antiguidade? Sem duvida não, mas pouco importa. Eles têm fé. Seus ouvintes não crêem em mais nada. Os cristãos partiram então para a conquista da cultura grega. • A EXPANSÃO • Quem é o sucessor de Pedro? Os documentos, são extremamente raros. Apenas dois nomes que Irineu (século III) menciona sem comentários: Lino 67-79 e Cleto (79-90). Eles teriam dirigido a comunidade de Roma nesse período. Ou seja, por mais de 20 anos. Só por volta do ano 100 é que vai surgir um personagem com mais que temos referências bibliográficas abundantes, o Papa Clemente, que nitidamente têm a Constituição de um responsável. Clemente é conhecido pela epistola que dirige aos Coríntios. Nessa carta, ele descreve com detalhes a comunidade de Roma, que compreende episcopos e diáconos (os primeiros se tornarão bispos os segundos fiscais e intendentes). Ele, Clemente, é o chefe de duas Hierarquias paralelas. Menciona os Martírios de Pedro e Paulo. Demonstra os ter conhecido no início de sua conversão. Participa sua experiência de conversão e de vida cristã. Evidentemente, é um papa preciso e modesto, é preciso então esclarecer o significado do termo Papa desde início do século II. • O que é uma comunidade cristã em 100 d.C.? Temos as mais precárias informações: é a propaganda boca-a-boca, trata-se dos envolvidos e muitas vezes anônimos e inconscientes missionários que em seus contatos cotidianos e por seu estilo de vida despertavam a atenção para o cristianismo. Esse processo de fermentação não deve ter operado apenas a partir dos séculos II e III (Harnack), Mas deve ter se desenvolvido desde o início (Reinbold). É bem entendido um grupo de mulheres e homens dispersos no seio de uma cidade, em lugar nenhum a evangelização começou pelo campo. Entre os cristãos, há artesãos, Comerciantes, pescadores, aos quais deve-se acrescentar funcionários, às vezes oficiais, e com frequência o que chamaríamos de notáveis. • Na maioria dos casos a assembléia reúne-se pelo menos uma vez por semana. Muitas vezes na noite de sábado para domingo. o Bispo Preside as cerimônias religiosas. Trata-se de orar junto e compartilhar o pão e o vinho, obviamente, é o rito da missa como conhecemos começando a se desenhar sob nossos olhos. Muitas vezes foi escrito que essas reuniões em Roma, realizavam-se nas Catacumbas. Literalmente: De fato tratava-se de cemitérios subterrâneos usados como locais de culto, mas cuja existência nada tinha de secreta, a polícia os conhecia e os invadia com frequência. Essas reuniões nas catacumbas foram na verdade bastante raras. Em tempos normais a cerimônia era realizada na sala comum da casa de um dos cristãos. Isto era uma espécie de rodízio em algumas casas, que faz as vezes da igreja, são os patriarcas familiares que dão lugar a reunião dos cristãos, provavelmente daí surgiram os patriarcados regionais, ainda levará muitos anos para que elas comecem a desenhar o território do que será a cristandade. Não conhecemos todos os detalhes da cerimônia, um texto de Justino – um filósofo Pagão que se converteu e morreu como mártir, decapitado em 165 – nos dá algumas indicações. Justino redige suas Apologias por volta de 150. Mas o que ele descreve é muito antigo. Primeira certeza: lemos a memória dos apóstolos. Porém elas ainda não constituem um conjunto fixo, parece que assistimos ao nascimento da forma pública dos Evangelhos. Essas leituras são um momento privilegiado, já que narram para a assembleia Os Sermões relativos aos atos de Jesus. • Segunda certeza: recitam-se “os escritos dos Profetas”, Justino não diz de que textos se trata, mas devem ser as epístolas de Paulo e de Pedro que são lidas para os participantes, naturalmente, é preciso acrescentar alguns textos selecionados do Antigo Testamento. Não estamos muito longe da divisão atual das leituras. Os fiéis ouvirão em em seguida a homilia. Depois rezarão em conjunto por esta ou aquela intenção dita em voz alta. Trocarão o beijo da Paz; finalmente receberam o pão e o vinho consagrados. • Vamos abordar rapidamente o que foi o triunfo do cristianismo, mas que para os inimigos da Igreja foi o triunfo de Constantino. Devido às interpretações cristológicas e também sobre outros temas relacionados à crença dos primeiros cristãos, todos os movimentos que fazem uma interpretação errada sobre esse assuntos, são é sempre foram sectários. Na perspectiva histórica é necessário avaliar as origens da doutrina cristã, e para fazer uma avaliação honesta é necessário verificar quem estava certo e quem estava errado em termos teológicos – o cristianismo não se trata de pluralismo cultural. • Para deixar bem claro para o leitor vamos analisar rapidamente a heresia Ariana, contemporânea à Constantino, na mesma época houve o conflito entre os clérigos africanos que foi o donatismo. Após a perseguicão de Diocleciano, alguns cristãos, tanto leigos como clérigos, retornavam às comunidades das quais faziam parte. No entanto, dependendo do modo como se comportaram frente às perseguições, foram bem ou mal recebidos pelos que haviam permanecido nas comunidades. A questão é que alguns desses sobreviventes, ao retornarem, foram chamados de “traditores” ou traidores por, quando presos, terem negociado com os soldados romanos em troca da liberdade. Eram acusados de entregarem textos litúrgico e sagrados para serem queimados, além de negarem a fé e de terem fugido do martírio. • Como consequência, os cristãos mais rigorosos defendiam que os traditores, para serem aceitos novamente, deveriam ser rebatizados e, em caso de clérigos, deveriam ser proibidos de administrar os sacramentos da igreja. Até o bispo primaz de cartago, Mensúrio, estava na lista dos chamados traditores censurado pelos mais rigorosos. Com a morte de Mensúrio, seu arquidiácono Ceciliano foi escolhido para substituí-lo. Também odiado, Ceciliano foi pressionado e deposto pelos radicais, que elegeram para seu lugar o capelão Marjorino. • As informações sobre esse conflito na Igreja africana chegaram à corte Romana através do eclesiástico Ósio Córdoba, resultando na primeira intervenção de Constantino, cujo objetivo era evitar divisões nas províncias do império, aqui vemos a grande motivação para Constantino convocar o concílio de Nicéia, resolver os conflitos internos da Igreja. • Para entendermos e entrar nas questões do pensamento debatidas e decididas no concílio de Nicéia, de início podemos afirmar que foi um Concílio que, apesar da participação de Constantino, ele apenas promoveu o Concílio, podemos dizer que no Concílio de nicéia onde haviam 318 Bispos de vários locais de todo o império, entre os bispos presentes, alguns eram arianos é uma forma em que verificamos quê não foi um Concílio de um pensamento só, Eusébio de cesaréia ao que tudo indica, era ariano ou semi-ariano, e levou ao Concílio a Confissão de Fé que utilizava em sua igreja local, o que era muito comum à época. • O que foi relatado acima é mais um motivo para quê não acreditemos que Constantino teve qualquer influência na ortodoxia da igreja, e que ao final do concílio foi definida. Constantino dentro da sua opinião, acreditava que o credo de Eusébio era suficiente para solucionar o problema em torno da cristologia Ariana. A única observação feita pelo Imperador após provável orientação de Ósio, foi a de que deveria ser acrescentado ao texto um termo que explicitasse a ideia de que o pai e o filho tinham a mesma substância divina. • No entanto, o arianismo foi condenado em nicéia, e continuo ganhando expansão. Os arianos mesmo após a condenação no concílio ainda seriam beneficiadas pelo Imperador Constâncio II que se declarava contrário as decisões nicenas. Então podemos ver que os imperadores não influenciaram as decisões do Concílio, pelo contrário foram contrariadas. Ao tornar-se o único Imperador após a morte de seus dois irmãos Constantino II e Constante, Constâncio II teria relativa facilidade para fazer de Roma um império Ariano. Assim como Ário e seus adeptos foram obrigados a se exilar após Nicéia, com a ascensão de Constâncio II os principais adversários do arianismo – em especial Atanásio (295-373) – também foram exilados, em quanto os arianos retornaram do exílio e foram amplamente beneficiados pelo novo Imperador. • Verificamos que mesmo antes da morte de Constantino, os arianos conseguiram experimentar alguns momentos de tolerância Imperial, transitando entre o exílio e a liberdade. Porém, foi com Constâncio II que eles voltaram a ser favorecidos. E em muitos momentos saquearam Roma a cidade eterna, ele era defensor declarado do arianismo, Constâncio II investiu todo seu poder político em prol da expansão Ariana naquele que já era um império cristão, foi este Imperador por exemplo, que ordenou o terceiro exílio de Atanásio, dando a este a possibilidade de escrever sua Apologia de fuga, na qual quis defender-se da condenação Imperial que lhe foi imposta. Após a morte de Constâncio II, já nos tempos de Juliano, Atanásio retornou para Alexandria, mas ainda enfrentaria mais dois filhos antes de morrer. • Vejamos a leitura que Charles Freeman, ele insinua que houve uma ruptura com a narrativa convencional do chamado Triunfo de um único e verdadeiro cristianismo. Em contrapartida, Seguindo os passos que Freeman, que que segundo ele havia uma série de cristianismos, de tal maneira que alguns buscavam seu espaço em meio àquela diversidade, enquanto outros pretendiam conquistar autenticidade sobre os demais. O que podemos dizer sobre essas palavras? define que ele quer dizer que houve uma imposição. O que é bem contraditório, pois é só voltar algumas linhas atrás e veremos que não foi uma imposição imperial, mas uma decisão filoso-teológica, a vitória foi do cristianismo que defendia a trindade, nas duas substâncias e uma natureza de Cristo, e que é chamado de ortodoxia. Não são opiniões que foram estabelecidas em nome de uma dogmática providencial, posicionada sobre a diversidade Cristã, que na chamamos de sectarismo, heresia, está é a ortodoxia desde os apóstolos, houveram ou discussões teológicas, e sempre chegaram a decisão sobre os assuntos, nunca existiu um cristianismo ambíguo ou relativo, e continuando, ele insinua que isso coincide com o triunfo político de Constantino, como o texto não é apenas histórico, mas é um texto que para marcar a história da igreja, que é muito além de acontecimentos naturais, podemos dizer que o triunfo foi do cristianismo e não de um Imperador. • Bibliografia: Constantino e o triunfo do cristianismo na antiguidade tardia, Jeferson Ramalho, Pedro Paulo Funari, Claudio Umpierre Carlan • A Igreja dos apóstolos e dos mártires, Daniel Rops • Tu és Pedro, Georges Suffert • História ecumênica da Igreja, Thomas Kaufman, Raymund Kottje, Bernard Moeller, Hubert Wolff #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #Bizâncio #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgiptoB #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #desenvolvimentodoutrinal #SantíssimaTrindade #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja #Monofisismo

  • Martinho Lutero vs Nestório

    Nestório começou a defender seu padre Anastácio, que havia pregado que a Virgem Santa não deveria ser chamada de Mãe de Deus, pois desde que ela era humana ela não podia carregar a Deus. Isso ofendia a todos os cristãos e eles não tinham entendido nenhum outro significado além de que ele sustentava que Cristo, nascido de Maria, não era Deus, mas um simples homem, como todos nós; e daí surgiu tal estado de coisas, a ponto do imperador ter que convocar um concílio para ajudar as coisas. . . . Além disso, ele admitiu que Cristo, o Filho de Deus, nasceu da Virgem Maria de acordo com Sua humanidade, não de acordo com Sua divindade, como nós, e todos os cristãos, também dizemos. Mas lá ele encontrou uma dificuldade. Ele não queria que Maria fosse chamada, por causa disso, mãe de Deus, já que Cristo não nasceu dela segundo a divindade; ou, para falar claramente, ele acreditava que Cristo não tinha Sua divindade dela, como Ele tinha sua humanidade. . . . Nós também sabemos muito bem que Cristo não derivou Sua divindade de Maria; mas isso não significa que deva, portanto, ser falso dizer: “Deus nasceu de Maria” e “Deus é o Filho de Maria” e “Maria é a mãe de Deus”. Devo lhe dar uma ilustração clara. Se uma mulher tem um filho, um estuído Nestório. . . pode ser orgulhoso e ignorante, e levantar a queixa: “Esta mulher deu à luz a criança, mas ela não é sua mãe, porque a alma da criança não é de sua natureza ou sangue, mas é infundida de outro lugar, isto é, de Deus. Portanto, esta criança é, de fato, nascida da mulher de acordo com o corpo; mas desde que sua alma não é de seu corpo, ela não é a mãe da criança, porque ela não é a mãe de sua alma. ”Tal lamentável sofista não nega que as duas naturezas, corpo e alma, são uma pessoa; nem ele diz que há duas pessoas ou dois filhos; mas ele confessa que duas naturezas, corpo e alma, são uma pessoa, ou um filho, e que a mãe não gestou dois filhos, mas um; mas ele não vê o que ele está negando ou o que ele está dizendo. Tal homem era Nestório. Ele admite que Cristo é Deus e homem em uma pessoa; mas desde que Sua divindade não vem de Sua mãe, Maria, ela não deveria ser chamada a mãe de Deus. Isso foi justamente condenado no concílio e deveria ser condenado. Embora Nestório tenha uma opinião correta sobre um ponto da questão principal, a saber, que Cristo é Deus e o homem, o outro ponto não deve ser suportado. É expresso em palavras e provérbios, como “Deus não nasceu de Maria e não foi crucificado pelos judeus”. O sofista diz corretamente, em um ponto, que a mãe não pode gerar, ou dar, a alma da criança, mas não deve ser endossado quando ele diz que a criança não é a criança natural da mãe e a mãe não é a mãe natural da criança. . . . Aquele que admite que uma mãe deu à luz um filho, que é corpo e alma, deve também dizer e acreditar que a mãe deu à luz toda a criança e é sua mãe, mesmo que ela não seja a mãe de sua alma. . . . Deve-se, portanto, dizer que Maria é a verdadeira mãe natural da criança chamada Jesus Cristo, e a verdadeira mãe e portadora de Deus. Assim, o que mais pode ser dito das mães das crianças pode ser dito dela; elas amamentam seus filhos, dão-lhes comida e bebida, e Maria amamenta Deus, banha Deus, faz caldo e sopa para Deus. Porque Deus e o homem são uma pessoa, um só Cristo, um só Filho, um só Jesus, não duas pessoas, nem dois Cristos, nem dois filhos, nem dois Jesuses; assim como seu filho não é dois filhos, dois feirantes, dois sapateiros, etc., embora ele tenha duas naturezas, corpo e alma, corpo de você, alma somente de Deus. (Sobre os concílios da igreja, 1539; trazido por C. M. Jacobs; intervalos de paragrafos adiconados) Traduzido de: http://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2018/03/martin-luther-vs-nestorius-re-mother-of-god.html#1HTKuB2ETXXarosp.99

  • JESUS, O MÉDICO DOS MÉDICOS (Inácio de Antioquia)

    Existe um Médico que possui tanto espírito quanto carne, feito e não criado, Deus existindo em carne, verdadeira vida na morte, de Maria e de Deus, primeiro possível e então impossível,  Jesus Cristo nosso Senhor. (Inácio de Antioquia – Efésios 7,2) #Cristologia #Igreja

  • HINO DE NATAL (Prudêncio)

    «Vai chamar-Se Filho do Altíssimo… e reinará eternamente» Mostra-Te, doce criança, Trazida ao mundo por mãe tão casta, Que deu à luz sem ter conhecido homem; Mostra-Te, Mediador, em ambas as Tuas naturezas. Ainda que nascido no tempo, da boca do Pai, Engendrado pela Sua palavra (Lucas 1,38), Já habitavas no seio do Pai (João 1,2) Ó Sabedoria eterna (1 Coríntios 1,24). Tu és a Sabedoria que tudo criou (Provérbios 8,27), Os céus, a luz e todas as coisas. Tu és o Verbo poderoso que fez o universo (Hebreus 1,3) Porque o Verbo é Deus (João 1,2). Tendo ordenado o curso dos séculos E fixado as leis do universo, Este artesão do mundo, este construtor, Permaneceu no seio do Pai. Mas, quando se cumpriu o tempo, Passados milhões de anos, Desceste a visitar Este mundo há muito pecador… Cristo não suportava a queda Dos povos que se perdiam; Não podia aceitar que a obra do Pai Se dissolvesse em nada. Revestiu-Se de um corpo mortal A fim de que a ressurreição da nossa carne Quebrasse as cadeias da morte E nos conduzisse ao Pai… Não sentes, ó nobre Virgem, Apesar dos dolorosos pressentimentos, Que esse glorioso nascimento Faz aumentar o brilho da tua virgindade? Teu seio puríssimo contém o fruto bendito Que encherá de alegria toda a criatura. Por ti nascerá um mundo novo, Aurora de um dia brilhante como o ouro. (Prudêncio (348-após 405), poeta em Espanha «Emerge, dulcis pusio», extracto do hino de Natal «Quid est quod artum circulum») #Cristologia #Igreja #mariologia

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Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

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