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- O PAI NÃO FOI CRUCIFICADO, JESUS CRISTO NÃO É UM ANJO E O ESPÍRITO SANTO NÃO É FANTASMA
O PAI NÃO FOI CRUCIFICADO, JESUS CRISTO NÃO É UM ANJO E O ESPÍRITO SANTO NÃO É UM FANTASMA Essa desvantagem de Tertuliano e Hipólito a Epifânio e o pseudatanásio, quarto discurso contra os arianos, foi o fardo da Polêmica contra essa posição, o ponto básico da Polêmica foi declarado por Tertuliano: “Ainda que o um [Deus] não fosse também dessa forma [pai, filho e Espírito Santo], que eles são todos um, a saber, pela Unidade da substância, apesar de o mistério dessa economia, não obstante, estar protegido, o que dispõe a unidade na Trindade, apresentando Pai, Filho e Espírito como três, e, no entanto, não três em qualidade, mas em sequência; não em substância, mas em aspecto; não em poder, mas em [sua] manifestação” (Tertuliano contra Práxeas 2.4.1). Ou como Tertuliano, de forma mais sucinta, acusou Práxeas de expulsar o paráclito e de crucificar o pai (Tertuliano contra Práxeas 1.5). Esse esforço para esclarecer a relação entre Cristo e Deus parece ter ido a pique no mesmo lugar em que sua ovelha negra, a especulação pluralista de Marcião e dos e gnósticos, o foi: a crucificação e a morte daquele que era chamado de Deus. Esse ensinamento contradizia totalmente a impassibilidade de Deus. Noeto, de acordo com Hipólito, raciocinava assim: “preciso, uma vez que um [Deus] é reconhecido, tornar Esse um o sujeito do sofrimento. Pois Cristo era Deus e sofreu por nossa causa, sendo ele mesmo o pai, para que pudesse nos salvar” Hipólito contra Noeto 2 página 10:805). Esse, respondeu Hipólito, era “um dogma imprudente e audacioso [de que] o pai é ele mesmo Cristo, ele mesmo o filho, ele mesmo nasceu, ele mesmo sofreu, ele mesmo se ressuscitou,” (Hipólito contrato Noeto 3, página 10: 808). Tertuliano, levando a posição modalista a suas inevitáveis consequências, argumentou que os monarquianistas, ao contrário de suas intenções, terminaram separando um Deus do outro mesmo quando aboliram a distinção entre pai e filho; Pois “aquele que ressuscitou Cristo dentre os mortos também dará vida a seus corpos Mortais (Romanos 8. 11), como se houvesse outro ressuscitador além do pai que morreu e o pai que foi ressuscitado, se for o caso de que Cristo, o que morreu, ser o pai” (Tertuliano contra Práxeas 28.13). O comentários de Tertuliano imediatamente depois foi: “silenciamos essa blasfêmia, silenciamos. Basta dizer que Cristo, o filho, morreu, e isso só porque está escrito assim” (Tertuliano contra Práxeas 29.1). Era bastante difícil atribuir sofrimento e morte ao filho de Deus para que, na ausência de evidência bíblica esmagadora, alguém pudesse recuar até mesmo disso; mas era absoluta blasfêmia atribuí-lis a divindade em um sentido não diferenciado. Isso também deixa implícito que a maldição da Cruz, proferida pelo pai sobre o filho por causa da humanidade, agora seria pronunciado sobre o pai mesmo; pois “apenas como uma coisa dita de alguém que pode apropriadamente ser Dita é dita sem blasfêmea [ou seja, de Cristo], de modo que o que não é apropriado é blasfêmia se for dito, [ou seja, do pai]” (Tertuliano contra Práxeas 29.4). O pai não podia compartilhar o sofrimento do filho. O ensino monarquianismo colidia não menos diretamente como principal corpo da exegese cristã. Pois embora as passagens de identidade, como a de Isaías 63.9 (LXX), significassem que “não um intercessor nem um anjo, mas o senhor mesmo” tinha agido para salvar o homem na cruz de Cristo, a exegese Cristã dava atenção especial às passagens de distinção do antigo testamento, em que um “senhor” era distinguido de outro “senhor” ou era postulado alguma outra distinção, que embora não negasse a adequabilidade desses títulos como “Senhor” ou mesmo de “Deus” para Cristo, ainda fornecia uma justificação para transcender a identificação ingênua do Pai com o filho. Para Justino, Gênesis 19. 24 significava que ali tinha de haver alguma distinção entre “o pai e o senhor de tudo” e “o senhor” que era Cristo Justino diálogo com Trifão 127.5) e mais uma vez entre “o senhor que recebeu uma comissão” e “o senhor que [permanece] no céu” (Justino diálogo com Trifão 56.23); para Irineu, a passagem significava que nem o espírito santo nem os apóstolos usariam o título “senhor” para ninguém “exceto para Deus Pai governante sobre todos e seu filho que recebeu de seu pai domínio sobre toda a criação” (Irineu sobre heresias 3.6.1); para Tertuliano, era a prova de uma distinção entre o pai e o filho (Tertuliano contra Práxeas 16.2). Justino, Irineu e Tertuliano todos eles ligaram Gênesis 19.24 mais ou menos estreitamente a salmo 110.1; ambas as passagens significam que “uma vez que o pai é verdadeiramente senhor; e o filho, verdadeiramente senhor; o espírito santo designa-os adequadamente pelo título de senhor” (Irineu sobre heresias 3.6.1). Até mesmo a identificação mais explícita de cristo como deus no novo testamento romanos 9.5: “Deus bendito para sempre” que noeto e Práxeas parecem ter citado em apoio à posição monarquianista (hipólito contra Noeto) na verdade, significa que o título “Deus” podia ser corretamente aplicado a cristo, mas isso, ainda por cima, deixava implícito que havia uma distinção (Tertuliano conta Práxeas 15.7). quer os ditos prólogos monarquianistas dos evangelhos tivessem sido de fato composto com essa tendência em vista quer não, a exegese monarquianista teve dificuldade em se ajustar ao uso da segunda e terceira pessoas permeando a linguagem de cristo sobre o pai no novo testamento e atribuída a cristo na interpretação ortodoxa do antigo testamento. Portanto, a resolução monarquianista do problema, a despeito de sua tentativa de validar sua ortodoxia por meio da referência ao uso da devoção cristã, foi condenada como heresia, primeiro pelo veredicto de todos, mas não unânime dos defensores da ortodoxa (sendo zeferino, Bispo de Roma, uma notável exceção) Hipólito contra heresias 9.11.3) e, depois, formalmente por reuniões como o sínodo de braga, do século VI, que decretou: “se alguém não confessa que o pai, e o filho e o espírito santo são três pessoas de uma essência, virtude e poder, como ensina a igreja católica e apostólica, mas diz que [eles são] só uma pessoa e solitária, de tal maneira que o pai é o mesmo com filho e esse um também é o espírito paracleto, como disseram Sabélio e priciliano, seja anátema” (Mansi 9: 774). contudo, a própria data deste sínodo indica que apesar de que a posição monarquianista possa ter sido anátema, a questão levantada por ela e a intuição representada por ela puderam ser descartadas com tanta facilidade. #históriadaigrejaprimitiva
- A VITÓRIA DA TEOLOGIA CRISTÃ SOBRE A FILOSOFIA GREGA
A vitória da doutrina cristã sobre o pensamento clássico, em alguma extensão, foi uma vitória muito cara, pois a teologia que triunfou sobre a filosofia grega continuou a ser modelada desde essa época pela linguagem e pelo pensamento da metafísica clássica. Por exemplo, o quarto concílio de latrão, em 1215, decretou que, “no sacramento do altar[…], O pão é transubtanciado no corpo de [Cristo] e o vinho em [seu] sangue”, e o concílio de Trento declarou , em 1551, que o uso do termo “Transubstanciação” era “adequado e apropriado”. A maioria das exposições teológicas do termo “Transubstanciação”, começando já no século XIII, interpreta “substância” com base no sentido dado a esse termo por essas discussões clássicas como do quinto livro de metafísica, de Aristóteles; assim, poderia parecer que o termo Transubstanciação está atado à aceitação da metafísica Aristótelelica ou até mesmo a da física Aristótelelica. Contudo, o uso do termo “substância” para a discussão da presença eucarística é anterior à redescoberta de Aristóteles. No século IX, Ratramo falou de substâncias visíveis, mas invisíveis, e seu oponente Radberto declarou que”nas substâncias do pão e do vinho o mesmo corpo e sangue de Cristo é misticamente consagrado. Até mesmo o termo “Transubstanciação foi usado durante o século XII em um sentido não técnico. Essa prova empresta credibilidade ao argumento de que a doutrina da Transubstanciação, conforme codificado pelos decretos do quarto concílio de Latrão e de Trento, não canonizaram a filosofia Aristótelelica como indispensável para a doutrina cristã. Mas se ela, em princípio, faz isso ou não; faz, com certeza, em efeito; da mesma maneira como a lei natural é equacionada com uma formulação eclesiástica em particular do que deve ser natural, portanto a substância veio a ser definida conforme uma teologia filosófica específica a define. O CRISTIANISMO FOI HELENIZADO? A Transubstanciação é um caso individual do que é denominado o problema da “helenização do Cristianismo”. A acusação de que o oponente teológico de alguém subordina a verdade da revelação divina à filosofia dos gregos é comum nana história das polêmicas teológicas . O pequeno labirinto, provavelmente escrito por Hipólito, atacava o adocionismo de Teodoto e de Artemom porque, entre outros erros, esses heréticos tinham desertado das sagradas escrituras e Deus (ap. Eus. H.e 5. 28.13-14) e conferiram a eles mesmos o estudo de Euclídes e Aristóteles; e Nestório acusou seus oponentes do século V de controvérsias cristológicas de ser “desviados pela mentalidade dos gregos” (Nest. Ep. Cir. 2.7). A acusação voltou a aparecer nos ataques dos reformadores sobre o escolasticismo medieval, mas foi nos tempos modernos que a ideia de dogma como helenização do Cristianismo passou a ser uma explicação amplamente propagada do desenvolvimento da doutrina cristã primitiva. O termo “helenização”, tomado como se apresenta, é muito simplista e desqualificado para o processo que resulta na doutrina cristã, em sua linguagem e, às vezes, em suas idéias, ainda carrega as marcas de sua luta para entender e subjugar o pensamento pagão, para que as gerações seguintes da igreja (incluindo gerações que ignoravam a antiguidade) herdassem o dogma da igreja incluindo também mais um pouco de filosofia grega, sem dúvida, houve a vitória sobre o pensamento clássico, mas a vitória pela qual alguns teólogos cristãos estavam dispostos a pagar um preço bem alto. Eles de várias maneiras, afirmam a tese de que Cristo veio como revelador da verdadeira filosofia, antiga e ainda nova, como correção e também o cumprimento do que a mente filosófica já tinha apreendido. Essa tese recebeu sua exposição mais autoritativa nas apologéticas de Clemente de Alexandria. Este, como outros apologistas, é representado como um HELENIZADOR completo que adaptou à fé cristã para se ajustar às pressuposições de uma filosofia estranha porque”a tradição da igreja era uma coisa estranha para ele tanto em sua totalidade quanto em cada detalhe” (Harnack 1931), daí, seus escritos serem interpretados como exclusivamente, apologético no intento. Mas o tema predominante de sua autoria foi, o problema de treinar sabiamente o imaturo na doutrina cristã e na vida cristã. Mas Clemente na obra exortação aos gregos, dirigiu um apelo aos seus colegas filósofos para completar de mundo aceitando Cristo(H.Chadwik, 1966). Ele denominou o que eles tinham aprendido a respeito da natureza suprema da realidade de pequena centelha , capaz de ser apagada na chama, um traço de sabedoria e um impulso de Deus (Clem.str. 6.17.149.2). Ele reprovou-os por estarem satisfeitos com a percepção religiosa que pintava a divindade como suas religiões a pintavam, enquanto a percepção filosófica deles tinha excedido em muito essas imagens imperfeitas. A representação de Zeus era “uma imagem de uma imagem”, mas a verdadeira imagem de Deus estava no logos; portanto, a autêntica “imagem da imagem” (Clem. Prot. 10.98.4) #Igreja
- O Segundo Concílio de Niceia (787 D.C)
INTRODUÇÃO Uma recomendação para convocar um concílio ecumênico, a fim de corrigir os hereticos iconoclastas, tinha sido dirigida à Imperatriz Irene, agindo como regente de seu filho imperador Constantino VI (780-797), que ainda era menor, ambos pelo Patriarca Paulo IV de Constantinopla (que se arrependeu de suas visões iconoclasta anteriores) antes de sua abdicação da Sé em 784 e por seu sucessor, patriarca Tarasius. O objetivo era unir a igreja e condenar os decretos aprovados pelo concílio dos 338 bispos realizados em Hiereia e Santa Maria de Blachernae em 754. A convocação do concílio foi anunciada ao papa Adriano I (772-795) em uma carta de Constantino VI e Irene, datada de 29 de agosto de 784. Eles o exortaram a comparecer pessoalmente ou a enviar legados. O Patriarca Tarasio enviou a mesma mensagem em cartas sinodais ao papa e aos três patriarcas orientais. O Papa Adriano deu sua aprovação para a convocação do concílio, estipulando várias condições, e enviou como seus legados o arcipreste Pedro e Pedro, abade do mosteiro grego de São Sabas, em Roma. O concílio, convocado por um edito imperial no verão de 786, reuniu-se pela primeira vez em 1 de agosto de 786, na presença do Imperador Constantino e da Imperatriz Irene. Quando o processo foi interrompido pela entrada violenta de soldados iconoclastas, fiéis à memória do Imperador Constantino V (741-775), o concílio foi adiado até a chegada de um exército confiável sob Staurakios. Ele se reuniu novamente em Nicéia, no dia 24 de setembro de 787, e os legados papais vieram novamente da Sicília. Após a admissão dos bispos suspeitos de heresia, 263 padres abraçaram a doutrina sobre o culto das imagens sagradas, como explicado nas cartas do papa Adriano I, que foram lidas na segunda sessão. A questão da intercessão dos santos foi tratada na quarta sessão. Uma vez que todas essas questões foram aprovadas, uma definição doutrinária foi decretada na sétima sessão. Na oitava e última sessão, que foi realizada a pedido de Constantino e Irene no palácio Magnaura em Constantinopla, a definição foi novamente decretada e proclamada e 22 cânones foram lidos. Os legados papais presidiram o concílio e foram os primeiros a assinar as atas; mas na realidade foi o Patriarca Tarasius que presidiu, e foi ele, sob o comando do concílio, que informou o Papa Adriano I sobre isso: “A ocasião em que as cartas de sua santidade fraterna foram lidas e todas as aclamaram”. O Papa Adriano não escreveu nenhuma carta em resposta, mas a defesa que ele fez do concílio em 794 contra Carlos magno mostra que ele aceitou o que o concílio decretou, e que ele não enviou nenhum reconhecimento porque as concessões que ele havia solicitado em sua carta de 26 Em outubro de 785 a Constantino e Irene não lhe haviam sido concedidas, especialmente no que diz respeito à restauração do patrimônio do papado no estado em que tinha sido anterior a 731, isto é, antes de Iírico ter sido confiscado pelo imperador Leão III. O imperador Constantino VI e sua mãe, Irene, assinaram as atas do concílio, mas não está claro se promulgaram ou não um decreto sobre o assunto. Definição O santo, grandioso e universal sínodo, pela graça de Deus e pela ordem de nosso imperador e imperatriz piedosos e amantes de Cristo, Constantino e sua mãe Irene, reuniram-se pela segunda vez na famosa metrópole dos Nicéia na província da Bitínia, na sagrada igreja de Deus, nomeada pela a Sabedoria, seguindo a tradição da igreja católica, decretou o que está aqui estabelecido. {O concílio baseia-se na inspiração da Tradição mesma} Aquele que nos concedeu a luz de reconhecê-lo, aquele que nos redimiu da escuridão da insanidade idólatra, Cristo nosso Deus, quando ele tomou por sua noiva sua santa igreja católica, sem mancha ou rugas, prometeu que ele a guardaria e assegurou aos seus santos discípulos dizendo: Estou com vocês todos os dias até a consumação desta era. Esta promessa, no entanto, ele fez não só para eles, mas também para nós, que graças a eles vieram a acreditar em seu nome. A esta oferta graciosa, algumas pessoas não prestaram atenção, sendo enganadas pelo inimigo traidor e abandonaram a verdadeira linha de raciocínio e se colocando contra a tradição da igreja católica, vacilaram em sua compreensão da verdade. Como diz o provérbio, eles desviaram os eixos de suas carroças de fazenda e não juntaram colheita nas suas mãos. Na verdade, eles tiveram o descaramento de criticar a beleza agradável a Deus estabelecida nos santos monumentos; Eles eram sacerdotes em nome, mas não em realidade. Eles eram aqueles de quem Deus clama por profecia. Muitos pastores destruíram minha videira, contaminaram minha porção. Porque eles seguiram os homens profanos e confiaram em seus próprios frenesi, caluniaram a santa igreja, que Cristo nosso Deus esposou a si mesmo, e eles não conseguiram distinguir o santo do profano, afirmando que os ícones de nosso Senhor e de seus santos não eram diferentes das imagens de madeira de ídolos satânicos. Portanto, o Senhor Deus, sem considerar que o que estava sujeito a ele, deveria ser destruído por tal corrupção, por seu bom prazer nos convocou através da divina diligência e decisão de Constantino e Irene, nosso fiel imperador e imperatriz, nós quem somos responsáveis pelo sacerdócio em todos os lugares, para que a tradição divinamente inspirada da igreja católica seja recebida por um decreto público. Assim, tendo feito a investigação com toda a precisão e tendo escutado conselhos, estabelecendo para o nosso objetivo a verdade, não diminuímos nem aumentamos, mas simplesmente guardamos intacto tudo o que pertence à igreja católica. {Recapitulação e reafirmação de tudo ensinado por qualquer concílio ecumênico anterior} Assim, seguindo os seis santos sínodos universais, em primeiro lugar que se reuniram na famosa metrópole dos Nicenos {{1} Niceia I}, e depois o que se manteve depois na cidade imperial, guardada por Deus: (isto é, {2} Constantinopla, eu} Cremos em um Deus … [o Credo Niceno-Constantinopolitano segue]. Nós abominamos e anatematizamos – Arius e aqueles que pensam como ele e compartilham seu erro insano; também Macedônio e aqueles com ele, propriamente chamado Pneumatomachia; também confessamos a nossa Senhora, a santa Maria, ser realmente e verdadeiramente a portadora de Deus, porque ela deu à luz em Cristo, um da Trindade, nosso Deus, assim como o primeiro sínodo em Efésio decretou; Também expulsou da igreja Nestorius e aqueles com ele, porque estavam introduzindo uma dualidade de pessoas. Juntamente com esses sínodos, também confessamos as duas naturezas daquele que se encarnou por nós da portadora de Deus sem nenhuma mancha, a sempre Virgem Maria reconhecendo que ele é Deus perfeito e homem perfeito, como o sínodo em {4 } Calcedônia também proclamou, quando dirigiu o divino preceito aos falastrões Eutiques e Dióscoro. Rejeitamos junto com eles Severus Peter e seu bando interligado com suas muitas blasfêmias, em cuja companhia anathematizamos as especulações míticas de Orígenes, Evágrio e Didímo, assim como o quinto sínodo, que se reuniu em {5} Constantinopla. Além disso, declaramos que existem duas vontades e princípios de ação, de acordo com o que é próprio de cada uma das naturezas em Cristo, da mesma maneira que o sexto sínodo, em {6} Constantinopla, proclamou, quando também rejeitou publicamente Sergio Honorius, Cyrus, Pirro, Macarius, aqueles desinteressados na verdadeira santidade e seus seguidores parecidos. Para resumir, declaramos que defendemos livre de qualquer inovação todas as tradições escritas e não-assasicáveis que nos foram confiadas. {O Concílio formula pela primeira vez o que a Igreja sempre acreditou em relação aos ícones} Uma delas é a produção de arte representacional ; Isso está bastante em harmonia com a história da propagação do evangelho, pois confirma que o homem que se tornou a Palavra de Deus era real e não apenas imaginário, e que nos traz um benefício semelhante. Pois, as coisas que se ilustram mutuamente, sem dúvida, possuem a mensagem uns dos outros. Dado esse estado de coisas e caminhando como se estivessemos na estrada real, seguindo como estamos os ensinamentos provenientes de Deus de nossos santos padres e a tradição da igreja católica – pois reconhecemos que esta tradição vem do Espírito Santo que habita nela – decretamos com total precisão e cuidado que, como a figura da cruz honrada e vivificante, as imagens reverenciadas e sagradas, pintadas ou feitas de mosaico ou de outro material adequado, devem ser expostas nas igrejas sagradas de Deus, em instrumentos sagrados e vestimentas em paredes e painéis, em casas e por meios públicos, são as imagens de nosso Senhor Deus e Salvador, Jesus Cristo e de nossa senhora sem defeito, a santa portadora de Deus, e dos anjos reverenciados e de qualquer um dos santos homens santos. Quanto mais freqüentemente são vistos na arte representacional, mais são aqueles que se vêem atraídos a se lembrar e anseiar por aqueles que servem de modelos e prestarem a essas imagens o tributo de saudação e veneração respeitosa. Certamente, esta não é a adoração plena de acordo com a nossa fé, que é devidamente prestada apenas à natureza divina, mas se assemelha à dada à figura da cruz honrada e vivificante, e também aos livros sagrados dos evangelhos e outros objetos de culto sagrado. Além disso, as pessoas são atraídas a honrar essas imagens com a oferta de incenso e velas, como foi estabelecido piedosamente pelo costume antigo. Na verdade, a honra paga a uma imagem transcende-a, alcançando o modelo que ela representa, e aquele que venera a imagem, venera a pessoa representada nessa imagem. Assim o ensino de nossos santos padres é fortalecido, a saber, a tradição da igreja católica que recebeu o evangelho de um lado da terra para o outro. Assim é que nós realmente seguimos a Paulo, que falou em Cristo, e todo o grupo apostólico divino e a santidade dos padres, agarrando-se às tradições que recebemos. Assim é que nós cantamos com os profetas os hinos da vitória à igreja: Exultai, ó filha de Sião, proclamai a filha de Jerusalém; Aproveite a felicidade e a alegria com um coração cheio. O Senhor removeu as injustiças de seus inimigos, você foi redimido da mão de seus adversários. O Senhor, o rei, está no meio de você, você nunca mais verá o mal, e a paz estará sobre você por tempo eterno. Portanto, todos aqueles que se atrevem a pensar ou ensinar algo diferente, ou que seguem os hereges malditos na rejeição das tradições eclesiásticas, ou que inventam inovações ou que desprezam qualquer coisa confiada à igreja (seja o evangelho ou a figura da cruz ou qualquer exemplo de arte representacional ou a sagrada relíquia de um mártir), ou que fabricam pervertidos preconceitos malignos contra a estimar qualquer uma das leais tradições da igreja católica ou que secularizam objetos sagrados e monastérios santos, ordenamos que sejam suspensos se forem bispos ou clérigos e excomungados se forem monges ou leigos. Anatemas que concernem aos sagrados ícones Se alguém não confessa que Cristo, nosso Deus, pode ser representado em sua humanidade, seja anátema. Se alguém não aceitar a representação na arte das cenas evangélicas, que este seja anátema. Se alguém não saudar tais representações como representações do Senhor e seus santos, que este seja anátema. Se alguém rejeitar qualquer tradição escrita ou não escrita da igreja, que este seja anátema. Canônes 1 Para aqueles a quem é atribuída a dignidade sacerdotal, as diretrizes contidas nos regulamentos canônicos são testemunhos e diretrizes. Nós os aceitamos com prazer e cantamos ao Senhor Deus com Davi, o revelador de Deus: no caminho dos seus testemunhos, me deleitei, como com toda a riqueza; e você ordenou a justiça, seus testemunhos são para sempre; instrua-me a dar-me a vida. E se a voz profética nos ordena por toda a eternidade observar as mensagens de Deus e viver nelas, é óbvio que elas permanecem inabaláveis e imutáveis; assim Moisés, que olhou para Deus, declara: para isso não há adição, e a partir destes não há subtração. O apóstolo divino orgulha-se deles quando ele clama, estas coisas que os anjos desejam observar e, se um anjo lhe trazer um evangelho contrário ao que você recebeu, que seja amaldiçoado. Uma vez que essas coisas realmente são tais e nos foram testemunhadas dessa maneira, nós exultámo-las como uma pessoa faria se ela encontrasse com uma grande soma de saque. Nós abraçamos com alegria os cânones sagrados e mantemos completa e inabalável a sua regulação, tanto as expostas pelas trombetas do Espírito, os apóstolos dignos de todo o louvor quanto os dos seis santos sínodos universais e dos sínodos reunidos localmente para a promulgação de tais decretos, e de nossos santos padres. Na verdade, tudo isso, iluminado por um mesmo Espírito, decretou o que é conveniente. No caso daqueles a quem colocaram sob anátema, nós também os anatemizamos, aqueles que eles suspenderam, nós também suspendemos; aqueles que eles excomungaram, também excomungamos; aqueles que colocaram sob penalidades, também tratamos da mesma maneira. Deixe a sua conduta ser livre da avareza, contentando-se com o que você tem, gritou com toda explicitação o apóstolo divino Paulo, que se aproximou do terceiro céu e ouviu palavras que não podem ser pronunciadas. 2 Uma vez que fazemos um compromisso diante de Deus enquanto cantamos, eu deverei meditar sobre seus julgamentos, eu deverei não negligenciar suas palavras, é essencial para nossa salvação que todo cristão observe essas coisas, mas mais especialmente aqueles que foram investidos de dignidade sacerdotal. Portanto, decretamos que todos os que devem ser elevados para o grau de bispo devem ter um profundo conhecimento do saltério, para que ele possa instruir todo o clero subordinado a ele, para ser iniciado nesse livro. Ele também deve ser examinado sem falta pelo metropolitano para ver se ele está disposto a adquirir conhecimento – um conhecimento que deve procurar e não superficialmente – dos cânones sagrados, do evangelho sagrado, do livro do apóstolo divino e de todas as escrituras divinas; também se ele estiver disposto a conduzir-se e a ensinar ao povo que lhe foi confiado de acordo com os mandamentos divinos. “A substância de nossa hierarquia são as palavras transmitidas de Deus”, isto é, o verdadeiro conhecimento das escrituras divinas, como o grande Dionísio explicou. Se alguém é duvidoso quanta a tal conduta e ensino, não seja ordenado. Porque Deus disse através do profeta: Você rejeitou o conhecimento, e eu o rejeitarei, para que você não me sirva em uma função sacerdotal. 3 Qualquer eleição de um bispo, sacerdote ou diácono provocado pelos governantes deve ser nula e sem efeito de acordo com o cânon que diz: “Se algum bispo, por influência dos governantes seculares, adquire a responsabilidade de uma igreja por causa deles, que seja suspenso e deixe todos aqueles que estão em comunhão com ele serem excomungados “. É necessário que a pessoa que deve ser elevada a um bispado deva ser eleita pelos bispos, como foi decretado pelos santos padres em Niceia, no cânon, que diz: “É desejável que um bispo seja nomeado por todos [os bispos] na província. Mas se isso for difícil por causa de uma necessidade urgente ou da duração da jornada envolvida, deixe que pelo menos três se juntem e realizem a ordenação, mas somente depois que os bispos ausentes participaram da votação e receberam seu consentimento por escrito. Mas em cada província o direito de confirmar o processo pertence ao metropolitano “. 4 O arauto da verdade, Paulo, o apóstolo divino, estabelecendo uma espécie de governo para os presbíteros de Éfeso, ou melhor, para todo o orden sacerdotal, declarou com firmeza: não cobiçai prata, ouro ou roupa de ninguém; Deixei completamente claro que é trabalhando desta forma que devemos garantir que os fracos estejam convencidos de que é abençoado doar. Portanto, também, depois de ter sido ensinado por ele, decreto que um bispo nunca deve ter qualquer tipo de designo com lucro desprezível, inventando desculpas para seus pecados, nem exigir ouro ou prata ou algo parecido dos os bispos, clérigos e monges sujeitos a ele . Porque o apóstolo diz: Os injustos não herdarão o reino de Deus; e, não são as crianças que devem arrumar tesouros para seus pais, mas os pais para seus filhos. Então, se ser descoberto que alguém, por causa de uma demanda de ouro ou algo parecido, ou por causa de uma paixão privada dele, excluiu da liturgia ou excomungou um dos clérigos sob sua autoridade ou fechou uma das igrejas sagradas, impedindo a celebração das liturgias de Deus nele, derramando sua própria loucura contra coisas insensíveis, então ele é verdadeiramente sem sentido e ele deve ser submetido a sofrer aquilo que ele infligiu e a penalidade imposta por ele cairá sobre sua própria cabeça , porque ele transgrediu a lei de Deus e as decisões dos apóstolos. Pois Pedro também, o porta-voz dos apóstolos, exorta: Seja pastores para o rebanho de Deus confiado a você, não sob compulsão, mas voluntariamente agradável a Deus, não por ganho sórdido, mas com entusiasmo, não como homens que dominam aqueles confiados a você, mas como modelos para o rebanho. Então, quando o pastor principal for revelado, você levará a coroa de glória imperecível. 5 É um pecado que leva à morte quando os pecadores permanecem não corrigidos, mas ainda pior é quando as pessoas exibem seu pecado, porque eles anulam a santidade e a verdade, ambos preferindo mammon à obediência a Deus e negligenciando suas instruções legalmente formuladas. O Senhor Deus não está presente entre essas pessoas, a menos que elas se envergonhem humildemente de sua culpa. Seu dever é aproximar-se de Deus com um coração contrito e implorar seu perdão por seu pecado e seu perdão, em vez de se orgulhar de uma distribuição profana de presentes: porque o Senhor está perto do contrito do coração. Portanto, no caso daqueles que se vangloriam de que foram nomeados na igreja distribuindo presentes de ouro e que estabelecem suas esperanças sobre esse costume maligno, que aliena uma pessoa de Deus e de todo sacerdócio, e que leva isso como motivo para ridicularizar abertamente aqueles que foram escolhidos pelo Espírito Santo e designados pela a virtude de suas vidas, sem qualquer distribuição de presentes de ouro, quando eles fazem isso pela primeira vez, cada um deve ter o menor grau na sua ordem, e se eles persistem, eles devem ser corrigidos com uma penalidade. Se alguém foi descoberto ter feito isso a qualquer momento em conexão com uma ordenação, proceda de acordo com o cânon apostólico que diz: “Se algum bispo ou sacerdote ou diácono obteve sua dignidade por meio do dinheiro, deixe ele e a pessoa que realizou a ordenação suspensas, e deixem eles excluídos completamente da comunhão, como Simão Magus foi por mim, Pedro”. Da mesma forma, de acordo com o cânone 2 de nossos santos padres em Calcedônia, que diz: “Se algum bispo realiza uma ordenação por dinheiro e coloca a graça incalculável à venda, e ordena um bispo por dinheiro, um coepiscopo, um presbítero ou diáconos ou outros daqueles contados entre o clero; ou nomeia um gerente, um oficial legal ou um diretor por dinheiro, ou qualquer outro eclesiástico em tudo por ganho sordido pessoal; Deixe aquele que tentou e foi descoberto que seja condenado a perder o seu estatuto pessoal, e deixe a pessoa ordenada não obter nada da ordenação ou nomeação que ele comprou; mas que ele seja removido da dignidade ou responsabilidade que ele ganhou por dinheiro. E se alguém parece ter agido mesmo como intermediário em tratos tão vergonhosos e ilegais, deixe ele também, se ele for clérigo, ser rebaixado de sua classificação pessoal, e se ele é leigo ou monge, seja anatematizado “. 6 Embora haja um cânone que diga: “Em cada província, as investigações canônicas devem ocorrer duas vezes por ano por meio de uma reunião dos bispos”, por causa do problema e porque aqueles que participam das reuniões não têm recursos para tais jornadas, o santos padres do sexto sínodo decretaram “devem ser mantidos em qualquer caso e, apesar de todas as desculpas, uma vez por ano, e tudo o que é incorreto deve ser resolvido corretamente”. Nós também renovamos esse cânone, e se um governante por vir impedir sua observância, que seja excomungado; no entanto, se um dos bispos metropolitanos negligenciar a sua realização, deixe-o estar sujeito a penalidades canônicas, a menos que seja um caso de necessidade, restrição ou alguma outra causa razoável. Quando tal sínodo é realizado para discutir assuntos canônicos e evangélicos, os bispos reunidos devem prestar especial atenção às leis divinas e vivificantes de Deus: há uma grande recompensa pela sua observância; porque uma lei é uma lâmpada, um regulamento é uma luz, e a repreensão e a disciplina são o caminho da vida, de fato, a lei do Senhor dá luz aos olhos. No entanto, o bispo metropolitano não tem o direito de exigir nada que um bispo tenha trazido consigo, como um animal ou alguma outra coisa; e se ele for condenado por fazê-lo, que ele pague quatro vezes mais de volta aquilo que ele tomou 7 O apóstolo divino Paulo disse: Os pecados de algumas pessoas são manifestos, os outros aparecem mais tarde. Alguns pecados assumem o primeiro lugar, mas outros seguem seus passos. Assim, no trem da infestável heresia dos difamadores dos cristãos, surgiram muitas outras impiedades. Assim como esses hereges removeram a sé de ícones veneráveis da igreja, eles também abandonaram outros costumes, que agora devem ser renovados e que devem vigorar em virtude de legislação escrita e não escrita. Portanto, decretamos que em veneráveis igrejas consagradas sem relíquias dos santos mártires, a instalação das relíquias deve ocorrer junto com as orações habituais. E se no futuro qualquer bispo é descoberto consagrando uma igreja sem relíquias, que seja deposto como alguém que tenha violado as tradições eclesiásticas. 8 Uma vez que alguns dos que vêm da religião dos hebreus pensam erroneamente fazer uma escárnio de Cristo, que é Deus, fingindo tornar-se cristãos, mas negando a Cristo em particular, tanto secretamente, continuando a observar o sábado e mantendo outras práticas judaicas, decretamos para que não sejam recebidos para a comunhão ou na oração ou na igreja, mas sim que se deixem abertamente serem hebreus de acordo com sua própria religião; eles não devem batizar seus filhos ou comprar, ou entrar em posse de um escravo. Mas se um deles faz a sua conversão com fé e coração sincero e pronuncia sua confissão de todo o coração, revelando suas práticas e objetos na esperança de que outros sejam refutados e corrigidos, essa pessoa deve ser bem-vinda e batizada junto com seus filhos, e deve-se ter cuidado de abandonar as práticas hebraicas. No entanto, se eles não são desse tipo, eles certamente não devem ser bem-vindos. 9 Todas aquelas quinquilharias infantis e discursos turbulentos, os escritos falsos compostos contra os ícones veneráveis, devem ser dados no edifício episcopal em Constantinopla, para que possam ser guardados junto com outros livros heréticos. Se alguém for descoberto escondendo tais livros, se ele é bispo, sacerdote ou diácono, deixe-o ser suspenso, e se ele é leigo ou monge, deixe-o ser excomungado. 10 Como alguns clérigos, que desprezam a ordenança canônica, abandonam suas próprias dioceses e correm para outras dioceses – algo que acontece com frequência especial nesta cidade imperial e guardada por Deus – e ali se alojam com os governantes, celebrando a liturgia em suas capelas, Não se permita que sejam recebidos em qualquer casa ou igreja sem a aprovação de seu próprio bispo e do bispo de Constantinopla. Se o fizerem e persistirem, devem ser suspensos. No caso daqueles que fazem isso com a aprovação dos prelados acima mencionados, não é permitido que eles assumam responsabilidades mundanas e seculares, uma vez que são proibidos fazê-lo pelos cânones sagrados; e se alguém é enganado para se ocupar com a responsabilidade dos chamados altos mordomos, ele deve desistir ou ser suspenso. Em vez disso, deixe que se ocupe do ensinamento dos filhos e criados, ensinando-os nas escrituras divinas, porque é por tal atividade que ele recebeu o sacerdócio. 11 Uma vez que somos obrigados a observar todos os cânones sagrados, devemos também manter em toda sua integridade o que diz que deve haver administradores em cada igreja. Portanto, se cada bispo metropolitano instala um administrador em sua própria igreja, isso é bom; mas, se não, o bispo de Constantinopla por sua própria autoridade tem o direito de nomear um sobre a igreja do outro, e de modo semelhante com os bispos metropolitanos, se os bispos sob eles não escolherem administradores para manter esses postos em suas próprias igrejas. A mesma regra também deve ser observada em relação aos mosteiros. 12 Se se descobriu que um bispo ou um superior monástico está transferindo terras episcopais ou monásticas ao controle do governante, ou a concedeu a outra pessoa, a transação é nula e sem efeito de acordo com o cânone dos santos apóstolos que estipula : “Que o bispo cuide de todos os assuntos eclesiásticos, e deixe-o administrá-los como se fosse inspeção de Deus. Não é permitido que ele se aproprie de nenhuma dessas coisas, nem faça de presente as coisas de Deus para seus próprios parentes. Se este fosse pobre, deixe-o cuidar deles como para outras pessoas pobres, mas não o use como uma desculpa para vender os bens da igreja. “No entanto, se ele afirma que a terra é uma perda e não traz lucros, deixe-o fazer do lugar um presente para clérigos ou trabalhadores da terra, mas mesmo nessas circunstâncias não deve ser dado aos governantes locais. Se eles usam a astúcia do mal e o governante compre a terra do trabalhador do país ou do clérigo em questão, essa venda também será nula e sem efeito nessas circunstâncias, e a terra será restaurada ao bispado ou ao mosteiro. E o bispo ou superior monástico que atua assim deve ser expulso, o bispo da casa episcopal e o superior monástico do mosteiro, porque desperdiçam perversamente o que eles não acumularam. 13 Por causa do desastre que surgiu nas igrejas devido aos nossos pecados, certos veneráveis edíficios de casas-episcopais como de mosteiros – foram apreendidas por certos homens e se tornaram posadas públicas. Agora, se aqueles que os mantêm optar por restaurá-las, para que elas estejam estabelecidas mais uma vez como antes, isso é bom e excelente. No entanto, se tal não for o caso, se eles estiverem inscritos na lista de sacerdotes, ordenamos que eles sejam suspensos, e se forem monges ou leigos, que sejam excomungados, visto que eles são criminosos condenados pelo Pai, o Filho e Espírito Santo, e deixe-os serem inscritos lá onde o verme não morre e o fogo não se apaga, porque se opõem à voz do Senhor declarando: Não fareis a casa de meu pai uma casa de comércio. 14 É perfeitamente claro para todos que uma certa ordem foi estabelecida no sacerdócio, e que é um prazer de Deus que a nomeação para os ofícios sacerdotais seja observada com cuidado. No entanto, notamos que alguns, sem a imposição de mãos, estão adotando a tonsura clerical enquanto ainda são jovens, e sem terem recebido a imposição das mãos do bispo, eles estão empenhando-se a ler publicamente do pulpito durante o serviço da igreja, mesmo que estejam agindo de forma não canônica. Exortamos, portanto, que isso seja interrompido, e que o mesmo regulamento seja observado entre monges. Cada superior monástico tem permissão de fazer a imposição de mãos em um leitor para seu próprio mosteiro, e apenas para esse mosteiro, desde que o superior monástico tenha recebido do bispo a imposição de mãos para governar lá e, obviamente, desde que seja ele mesmo um padre. Da mesma forma, é um costume antigo que o coepiscopo, com a permissão do bispo, deva nomear leitores. 15 De agora em diante, nenhum clérigo deve ser nomeado para o cargo em duas igrejas. Tal procedimento, sabores do comércio e de lucro sórdido, e é bastante estranho ao costume eclesiástico. Aprendemos da própria voz do Senhor: Ninguém pode servir dois mestres, porque ou odiará aquele e amará o outro, ou será dedicado a esse e desprezará o outro. Portanto, seguindo o conselho do apóstolo, cada um deve ficar onde ele foi chamado e permanecer em uma igreja. Em questões eclesiásticas, tudo o que é feito por causa do ganho sórdido constitui algo estranho a Deus. Mas, no que diz respeito às necessidades desta vida presente, existem várias ocupações remuneradas; cada um pode usar essas, como ele prefere, para obter o que é necessário para o corpo. Como o apóstolo disse: Estas minhas mãos providenciaram minhas próprias necessidades e as pessoas que me acompanham. Estes são os regulamentos para esta cidade protegida por Deus; Para o que diz respeito aos lugares do país, pode ser concedida uma concessão por falta de população. 16 Toda indulgência e adorno concedidos ao corpo é estranho à ordem sacerdotal. Portanto, todos os bispos e clérigos que se colocam em roupas brilhantes e vistosas devem ser chamados à ordem, e se persistirem, sejam punidos. O mesmo vale para aqueles que usam perfumes. No entanto, uma vez que a raiz da amargura brotou, apareceu na igreja católica a praga de uma heresia que se delicia na difamação dos cristãos. Aqueles que adotam esta heresia, não só insultam as coisas na arte representacional, mas também rejeitam todas as formas de reverência e fazem uma zombaria daqueles que vivem vidas piedosas e santas, distorcendo em favor da sua opinião, a palavra das escrituras, pois a piedade pecadora é uma abominação. Então, se forem encontradas pessoas que se divertem com aqueles que usam roupas simples e respeitosas, elas devem ser corrigidas com punição. Na verdade, desde os tempos mais antigos, todos os que foram ordenados ao sacerdócio se acostumaram a se apresentar em público vestidos com roupas modestas e respeitosas, e qualquer um que adicione em suas vestes por causa de decoração e não por necessecidade merece, como o grande Basílio comentou, ser acusado de “vangloria”. Nem se vestir com roupas variegadas feitas de seda, nem acrescentar vários ornamentos coloridos às franjas de suas roupas. Eles ouviram a língua que falava as palavras de Deus declarou: aqueles que se vestem com roupas suaves estão nas casas dos reis. 17 Alguns monges abandonam seus próprios mosteiros porque desejam estar em autoridade e desdenham obedecer os outros, e então eles tentam fundar casas de oração, embora careçam de recursos adequados. Se alguém se compromete a fazer isso, deixe-o ser repreendido pelo bispo local. Se alguém possui recursos adequados, no entanto, seus planos devem ser concluídos. A mesma decisão é válida para leigos e clérigos. 18 Seja irrepreensível mesmo para aqueles que estão lá fora, diz o apóstolo divino. Agora, as mulheres que vivem nas casas dos bispos ou nos mosteiros são motivo de todo tipo de escândalo. Portanto, se alguém é descoberto mantendo uma mulher, seja escrava ou livre, na casa do bispo ou em um mosteiro para realizar algum serviço, que seja censurado, e se ele persistir, ele seja deposto. Se acontecer que as mulheres vivem na residência suburbana e que o bispo ou o superior monástico deseja viajar lá, nenhuma mulher deve ser autorizada a realizar qualquer tipo de trabalho durante o tempo em que o bispo ou superior monástico está presente; ela deve ficar sozinha em alguma outra área até o bispo ter se retirado, a fim de evitar todas as críticas possíveis. 19 A barulheira da avareza se espalhou tanto entre as autoridades eclesiásticas que mesmo alguns chamados homens e mulheres piedosos, esquecendo os mandamentos do Senhor, foram enganados a autorizar, por causa dos pagamentos em dinheiro, a entrada daqueles que se apresentam para a ordem sacerdotal e a vida monástica. Assim acontece, como diz o grande basílio: “quando as pessoas começam erroneamente, tudo o que fazem é ser rejeitado”, pois não é possível servir a Deus através de mammon. Então, se alguém descobrir que se está fazendo isso, se ele é um bispo ou um superior monástico masculino ou um dos sacerdotes, que eles parem ou sejam depostos, de acordo com o cânone 2 do concílio sagrado de Calcedônia. Se a pessoa é uma superior monastica feminina , deixe ela ser expulsa do mosteiro e submetida a obediência em outro mosteiro, e de modo semelhante para um superior monástico masculino que não recebeu a ordenação sacerdotal. No que diz respeito aos dons oferecidos pelos pais sob o conceito de dotes para seus filhos, ou em relação aos bens adquiridos pessoalmente que este último forneceu desde que aqueles que os apresentam declarem que estes são presentes oferecidos a Deus, decretamos que esses presentes são para permanecer no mosteiro, mesmpo que a pessoa fique ou saia, de acordo com o compromisso explícito, a menos que haja uma causa repreensível por parte do responsável. 20 Nós decretamos que, a partir de agora, não mais mosteiros duplos devem ser iniciados porque isso se torna uma causa de escândalo e um obstáculo para pessoas comuns. Se há pessoas que desejam renunciar ao mundo e seguir a vida monástica junto com seus parentes, os homens devem sair para um mosteiro masculino e suas esposas entrarem em um mosteiro feminino, pois Deus certamente está satisfeito com isso. Os monastérios duplos que existiram até agora devem continuar a existir de acordo com a regra de nosso santo padre, Basilo, e suas constituições devem seguir suas ordenanções. Monges e freiras não devem viver em um edifício monástico, porque o adultério aproveita essa coabitação. Nenhum monge deveria ter a licença para falar em privado com uma freira, nem qualquer freira com um monge. Um monge não deve dormir em um mosteiro feminino, nem deve comer sozinho com uma freira. Quando o alimento necessário é levado da área masculina para as freiras, a superior feminina, acompanhada por uma das freiras mais velhas, deve recebê-lo fora da porta. E se acontecer que um monge deseja visitar uma das suas parentes, deixe-o falar com ela na presença da superiora feminina, mas brevemente e rapidamente, que ele a deixe rapidamente. 21 Não é correto para um monge ou uma freira deixar seu próprio mosteiro e transferir-se para outro. No entanto, se isso ocorrer, é obrigatório que a hospitalidade seja administrada, mas essa pessoa não deve ser aceita como membro sem o acordo de seu superior monástico. 22 É muito importante dedicar tudo a Deus e não se tornar escravo de nossos próprios desejos; pois se você come ou bebe, diz o apóstolo divino, faça tudo para a glória de Deus. Agora, Cristo nosso Deus nos instruiu nos seus evangelhos para erradicar o começo dos pecados. Então, não só o adulterio é repreendido por ele, mas também a própria intenção de alguém para a realização do adultério, quando ele diz: O que olha para uma mulher com desejo já cometeu adultério com ela em seu coração. Assim instruído, devemos purificar nossas intenções: Pois, se todas as coisas são lícitas, nem todas as coisas nos convém, como aprendemos com as palavras do apóstolo. Agora, todo mundo é certamente obrigado a comer para viver, e no caso daqueles cuja vida inclui o casamento e os filhos e as condições próprias dos leigos, não é censurável que os homens e as mulheres comam na companhia do outro; embora eles devam, pelo menos, dizer graça para agradecer ao doador de sua alimentação, e devam evitar certos entretenimentos teatrais, canções diabólicas, lágrimas de liras e as danças para as prostitutas, contra tudo isso existe a maldição do profeta que diz: Ai daqueles que bebem o seu vinho ao som da lira e da harpa, aqueles que não prestam atenção às obras do Senhor e nunca pensaram nas obras de suas mãos. Se alguma vez essas pessoas forem encontradas entre os cristãos, eles devem reformar, e se não o fizerem, imponha-se as sanções canônicas estabelecidas pelos nossos predecessores. Aqueles cujo modo de vida é contemplativo e solitário devem se sentar e ficar em silêncio, porque eles entraram em um contrato com o Senhor que o jugo que eles carregam será solitário. Na verdade, todos aqueles que escolheram a vida dos sacerdotes certamente não são livres para comer em particular em companhia de mulheres, mas, no máximo, na companhia de certos homens e mulheres tementes a Deus e piedosos, para que tal refeição sendo tomada em comum possam atraí-los para o melhoramento espiritual.Que o mesmo seja feito em caso de parentes. Quanto a outra situação, se um monge ou mesmo um homem em ordens sacerdotais está fazendo uma jornada e não carrega consigo suas provisões indispensáveis, e então deseja satisfazer suas necessidades em uma pousada pública ou em casa de alguém, ele tem permissão para fazê-lo quando é um caso de necessidade urgente. Texto traduzido deste site: http://www.papalencyclicals.net/councils/ecum07.htm
- SANTO AGOSTINHO E O PURGATÓRIO
Santo Agostinho e o Purgatório Conhecido como o “Grande Pai do Purgatório”, Agostinho de Hipona – junto com Gregório de Nissa – foi um dos primeiros padres da Igreja a tratarem extensamente esta doutrina em seus escritos. De forma peculiar, ele detalha diversos aspectos da doutrina que formam hoje a definição doutrinária da Igreja em relação ao purgatório. Neste presente texto, desejamos apresentar ao leitor, as definições de Agostinho, bem como sua fundamentação bíblica a respeito do purgatório. Nossa análise será acompanha dos comentários do historiador francês Jacques LeGoff, retirados do seu livro “O Nascimento do Purgatório”. Legoff como ele mesmo declara, não é patrologista, nem teólogo, nem historiador eclesiástico, mas seus comentários serão úteis como “fonte imparcial” para a interpretação dos escritos de Santo Agostinho em relação ao purgatório. A exposição do texto será feita de forma cronológica, para mostrar todo o pensamento de Agostinho através dos anos. A DEFINIÇÃO DE PURGATÓRIO NO CATECISMO DA IGREJA E NOS CONCÍLIOS ECUMÊNICOS Antes de analisar o ensinamento de Agostinho, é necessário estudar a doutrina do Purgatório nos documentos da Igreja, para saber o que é “purgatório”, caso contrário, nada poderá ser compreendido. É necessário que o leitor leia com atenção o que os documentos da Igreja dizem, para quando lerem Agostinho, compararem os dois. O Catecismo da Igreja Católica explica o Purgatório da seguinte maneira: “1030. Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu.1031. A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao Purgatório sobretudo no Concílio de Florença e de Trento. Fazendo referência a certos textos da Escritura, a tradição da Igreja fala de um fogo purificador:‘No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo [final] um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo, que, se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem no presente século nem no século futuro (Mt 12,32). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro’ (São Gregório Magno, Dial. 4,39)“. (Catecismo da Igreja Católica Parágrafos 1030 – 1031). Aqui cabe ressaltar que a Igreja define o purgatório como “a purificação final”, não necessariamente “um lugar”. A menção do purgatório como um lugar na Igreja Católica vem de teólogos e muitos santos, o magistério da Igreja nunca definiu o purgatório como “um terceiro lugar” tal como céu ou inferno, veremos nos decretos dos concílios que o purgatório é tratado apenas como a “purificação final”, purgatório como lugar fica mais do campo das explorações teológicas. Antes do Concílio Ecumênico de Florença dois outros Concílios Ecumênicos definiram dogmaticamente o doutrina do purgatório, foram eles os Concílios Ecumênicos de Lião I e II, em 1245 e 1274 respectivamente estabeleciam que: “…Finalmente, afirmando a Verdade no Evangelho, que se alguém blasfemar contra o Espírito Santo não ser-lhe-á perdoada nem neste mundo nem no futuro [Mat. 12,32], o que dá a entender que algumas culpas são perdoadas no século presente e outras no futuro, bem como também disse o Apóstolo, que o fogo provará a obra de cada um; e aquele cuja obra arder sofrerá dano; ele, porém, se salvará, mas como quem passa pelo fogo [1Cor. 3,13.15]; e como os próprios gregos dizem que creem e afirmam verdadeira e indubitavelmente que as almas daqueles que morrem, recebida a penitência, porém sem cumpri-la; ou sem pecado mortal, mas apenas veniais e pequenos; são purificadas após a morte e podem ser auxiliadas pelos sufrágios da Igreja; visto que [os gregos] dizem que o lugar desta purificação não lhes foi indicado com nome certo e próprio por seus doutores, como nós que, de acordo com as tradições e autoridades dos Santos Padres, o chamamos ‘Purgatório’, queremos que daqui por diante também eles o chamem por este nome. Porque com aquele fogo transitório certamente são purificados os pecados, não os criminais ou capitais que antes não tenham sido perdoados pela penitência, mas os pequenos ou veniais, que pesam mesmo depois da morte, ainda que tenham sido perdoados em vida…” (Concílio Ecumênico de Lião I, 13º Ecumênico). “…Mas por causa dos diversos erros que alguns por ignorância e outros por malícia introduziram, devemos dizer e pregar que aqueles que depois do batismo caem no pecado não devem ser rebatizados, mas que obtêm pela verdadeira penitência o perdão dos pecados. E se verdadeiramente arrependidos morrerem em caridade antes de ter satisfeito com frutos dignos de penitência por seus atos e omissões, suas almas são purificadas após a morte com penas purgatórias ou catartérias, como nos explicou frei João; e para alívio dessas penas lhes aproveitam os sufrágios dos fiéis vivos a saber: os sacrifícios das missas, as orações e esmolas, e outros ofícios de piedade que, segundo as instituições da Igreja, alguns fiéis costumam a fazer em favor de outros. Mas aquelas almas que após terem recebido o santo batismo não incorreram em mancha alguma de pecado e também aquelas que após o contraírem se purificaram – quer enquanto permaneciam em seus corpos quer após deixá-los – como acima foi dito, são recebidas imediatamente no céu” (Concílio de Lião III, 14º Ecumênico). Com efeito, o Concílio de Florença simplesmente reafirmava o que estes outros Concílios Ecumênicos já tinham definido alguns séculos antes: “…Desta forma, se os verdadeiros penitentes deixarem este mundo antes de terem satisfeito com frutos dignos de penitência pela ação ou omissão, suas almas são purgadas com penas purificatórias após a morte; e para serem aliviadas destas penas, lhes aproveitam os sufrágios dos fiéis vivos, tais como o sacrifício da missa, orações e esmolas, e outros ofícios de piedade que os fiéis costumam praticar por outros fiéis, segundo as instituições da Igreja. E que as almas daqueles que após receberem o batismo não incorreram absolutamente em mancha alguma de pecado e também aquelas que, após contrair mancha de pecado, a purgaram, quer enquanto viviam em seus corpos quer após o deixarem, segundo o que foi dito acima, são imediatamente recebidas no céu…” (Concílio de Florença, 17º Ecumênico). O mesmo reafirma o Concílio de Trento (de 1545 a 1563): “Tendo a Igreja Católica, instruída pelo Espírito Santo, segundo a doutrina da Sagrada Escritura e da antiga tradição dos Padres, ensinado nos sagrados concílios e atualmente neste Geral de Trento, que existe Purgatório, e que as almas detidas nele recebem alivio com os sufrágios dos fiéis e em especial com o aceitável sacrifício da missa, ordena o Santo Concílio aos Bispos, que cuidem com máximo esmero que a santa doutrina do Purgatório, recebida dos santos Padres e sagrados concílios, seja ensinada e pregada em todas as partes, e que seja acreditada e conservada pelos fiéis cristãos. Excluam-se, todavia, dos sermões pregados em língua vulgar à plebe rude, as questões muito difíceis e sutis que a nada conduzem à edificação e com as quais raras vezes se aumenta a piedade. Também não se permita que sejam divulgadas e tratadas as coisas incertas, ou que tenham vislumbres ou indícios de falsidade. Ficam proibidas, por serem consideradas escandalosas e que servem de tropeço aos fiéis, as que tocam em certa curiosidade ou superstição, ou tem resíduos de interesse ou de sórdida ganância. Os bispos deverão cuidar para que os sufrágios dos fiéis, a saber, os sacrifícios das missas, as orações, as esmolas e outras obras de piedade que costumam fazer pelos defuntos, sejam executados piedosa e devotadamente segundo o estabelecido pela Igreja, e que seja satisfeita com esmero e exatidão, tudo quanto deve ser feito pelos defuntos, segundo exijam as fundações dos entendidos ou outras razões, não superficialmente, mas sim por sacerdotes e ministros da Igreja e outros que têm esta obrigação” (Concílio de Trento, 19º Ecumênico – Sessão 25: Decreto sobre o Purgatório). Além de tudo, muito antes destas definições conciliares, a doutrina do Purgatório era ensinada por Agostinho e por toda a Igreja, como bem demonstram as evidências de suas obras que serão vistas a seguir. O ENSINAMENTO DE AGOSTINHO Começaremos nossa exposição a partir do ano 388. 388 D.C No Comentário ao Génesis contra os Maniqueistas, de 388, ele distingue o fogo da expurgação do da condenação eterna: “Quem cultiva este reino interior da alma e a si mesmo, mas com trabalho, seu pão, pode suportar esse trabalho até o fim da vida; mais depois desta vida não lhe verá na precisão do sofrimento. Em vez disso, aqueles que não cultivam o campo e permitem que os espinhos sufoquem-no, nesta vida terá a maldição da terra em todas as suas obras, e depois desta vida ou o fogo da purificação ou punição eterna; portanto, ninguém escapa esta frase; portanto, ele tem que agir para que, pelo menos, se mantenha em pé nesta vida.” (Comentário ao Génesis contra os Maniqueistas – Livro II, 30) Do Latim: “Qui enim coluerit agrum istum interius, et ad panem suum quamvis cum labore pervenerit, potest usque ad finem vitae huius hunc laborem pati: post hanc autem vitam non est necesse ut patiatur. Sed qui forte agrum non coluerit, et spinis eum opprimi permiserit, habet in hac vita maledictionem terrae suae in omnibus operibus suis, et post hanc vitam habebit, vel ignem purgationis vel poenam aeternam. Ita nemo evadit istam sententiam: sed agendum est ut saltem in hac tantum vita sentiatur. 397 D.C Em sua famosa autobiografia chamada de “Confissões” que foi escrita após a morte de sua mãe Mónica, ele faz uma grande exposição de como suas orações ajudarão sua mãe entrar no Paraíso mais rápido: “Quanto a mim, com o coração finalmente curado daquela ferida em que se poderia censurar uma fraqueza da carne, derramo perante ti, ó nosso Deus, por aquela que foi tua serva, lágrimas de um outro género: elas brotam de um espírito fortemente abalado perante o espetáculo dos perigos de toda a alma que morre em Adão. Sem dúvida, uma vez vivificada em Cristo, mesmo antes de ser liberta dos laços da carne, ela viveu de maneira a fazer louvar o teu nome na sua fé e na sua conduta; e no entanto, não ouso dizer que a partir do momento em que a regeneraste pelo baptismo nenhuma palavra contrária aos teus preceitos saiu da sua boca. Foi dito pela Verdade, pelo teu filho: «Se alguém disser ao seu irmão” Louco”, esse será passível da geena do fogo.» [….] Pois por mim, oh meu louvado e minha vida, oh Deus do meu coração, deixando por um instante de lado as suas boas acções, pelas quais te rendo graças em alegria, agora é pelos pecados de minha mãe que te imploro. Atende-me, por aquele que, suspenso do madeiro, foi o remédio para as nossas feridas e que, sentado à tua direita, intercede por nós! Eu sei que ela praticou a misericórdia e que de todo o coração perdoou as dívidas aos seus devedores. Perdoa-lhe tu também as suas dívidas, que ela própria contraiu durante tantos anos depois da ablução da salvação! Perdoa, Senhor, perdoa-lhas, suplico-te! Não a julgues! Que a misericórdia passe por cima da justiça, pois as tuas palavras são verdadeiras e tu prometeste misericórdia aos misericordiosos! Se eles o foram é a ti que o deveram, a ti que terás piedade de quem quiseres ter piedade, que concederás misericórdia a quem quiseres conceder misericórdia. Mas, creio, já terás feito o que te peço. No entanto, estes votos espontâneos que vêm da minha boca, aceita-os, Senhor! E é verdade que, ao aproximar-se o dia da sua libertação, ela não teve nenhuma ideia de envolver sumptuosamente o seu corpo ou de o mandar embalsamar com aromas, nem o desejo de um monumento especial, nem a preocupação de um túmulo na sua terra. Não, não foi isso que ela nos recomendou, mas apenas que invocássemos a sua memória no teu altar; foi este o seu desejo. Pois, sem falhar um só dia, ela serviu esse altar, sabendo que nele se dita a sorte da vítima santa que afastou a sentença a que fomos condenados e triunfou do inimigo, aquele que avalia os nossos pecados ao procurar com que nos inculpar, mas nada encontra n’Aquele em quem somos vencedores. Quem lhe resgatará o seu sangue inocente? Do preço por que ele nos comprou, quem o reembolsará para nos arrancar a ele? A esse mistério do preço da nossa compra, a tua serva ligou a sua alma pelo laço da fé. Que ninguém a arranque à tua protecção! […] Que ela esteja, pois, em paz juntamente com o seu marido: antes dele ninguém e depois dele ninguém a teve como esposa; ela serviu-o oferecendo- te o fruto da sua paciência, para o levar para ti, a ele também! E depois inspira, meu Senhor, meu Deus, inspira os teus servos meus irmãos, os teus filhos meus pais, a cujo serviço ponho o meu coração, a minha voz e os meus escritos, todos de entre eles que lerem estas linhas, inspira-os para que no teu altar se recordem de Mônica, tua serva, e de Patricio que foi seu esposo, aqueles por cuja carne tu me puseste nesta vida, sem que eu saiba como. Que, num sentimento de piedade, se recordem deles, meus pais nesta luz passageira, meus irmãos em ti, nosso Pai e na Igreja católica nossa Mãe, meus concidadãos na Jerusalém eterna pela qual suspira o teu povo em peregrinação, desde o ponto de partida ao ponto de chegada! Assim, o voto supremo que ela me dirigiu será mais abundantemente cumprido pelas preces de muitos, graças a estas com fissões, do que somente pelas minhas preces.” (Confissões, IX, XIII, 34-37) O texto é claro em afirmar que as orações dos vivos ajudam a alma dos mortos a entrarem no céu, logo só é possível isso ser coerente com um local ou estado intermediário, antes da entrada no céu. Sobre este texto, assim comenta Jacques LeGoff: “Este texto admirável não é uma exposição doutrinal, mas é possível extrair dele alguns dados importantes para a eficácia dos sufrágios pelos mortos. A decisão de colocar ou não Mónica no Paraíso, na Jerusalém eterna, só pertence a Deus. Apesar de tudo, Agostinho está convencido de que as suas preces podem comover Deus e influenciar a sua decisão. Mas o julgamento de Deus não será arbitrário, e a sua prece não será absurda nem absolutamente temerária. É porque Mónica, apesar dos seus pecados – pois todo o ser humano é pecador – mereceu em vida a salvação, que a misericórdia de Deus poderá exercer-se e a prece do seu filho ser eficaz. Sem que seja dito, o que se pressente é que a misericórdia de Deus e os sufrágios dos vivos podem apressar a entrada dos mortos no Paraíso e não fazê-los transpor as suas portas, se foram grandes pecadores cá em baixo.” (Jacques LeGoff – O Nascimento do Purgatório. Pg 88) Uns anos mais tarde (entre 400 – 414 d.C), no seu comentário do Salmo XXXVII, Agostinho pede a Deus por si próprio, que o corrija nesta vida para que não tenha de suportar, depois da morte, o fogo corretivo (ignis emendatorius”: “Senhor, não me interpeles na tua indignação. Não me encontres entre aqueles a quem haverás de dizer: ‘ide para o fogo eterno que está preparado para o diabo e seus anjos’. Nem me corrijas em teu furor, mas purifica-me nesta vida e torna-me tal que já não necessite do fogo corretor, atendendo aos que hão de salvar-se, ainda que, não obstante, como que através do fogo. Por que acontece isto se não é porque edificam aqui sobre o cimento, lenha, palha e feno? Se tivesse edificado sobre o ouro, a prata e as pedras preciosas, estariam livres de ambas as classes de fogo, não apenas daquele eterno, que atormentará os ímpios para sempre, mas também daquele que corrigirá aos que hão de salvar-se através do fogo” (Comentário ao Salmo 37,3) Perceba se aqui a diferença entre as penas temporárias dadas com fogo para os que vão se salvar, mas que ainda tem alguma mancha de pecado, e as penas eternas pelo fogo dadas aos ímpios. Logo, para Agostinho, o fogo corretor irá corrigir os salvos que necessitam de alguma purificação, isto é claramente o purgatório. Mais adiante veremos esse ensinamento de Agostinho se repetindo. Na continuação deste mesmo parágrafo ao Salmo XXXVII, avança com uma afirmação que confirma ainda mais seu firme posicionamento a respeito do purgatório: “Se bem que alguns sejam salvos pelo fogo, esse fogo será mais terrível do que tudo o que um homem pode suportar nesta vida!’.” Do Latim «Ira plane quamuis salui per ignem, gravior tamen erit iIIe ignis, quam quidquid potest homo pati in hac vita» (Enarratio in Ps. XXXVII, 3). APÓS 413 D.C As afirmações de Santo Agostinho são tão claras e óbvias que alguns protestantes, não tendo o que falar ou retirar de suas obras para fazer livre exame, resolveram apelar para a desonestidade intelectual. Resolveram recortar e montar trechos da obra de Jacques LeGoff, que aqui utilizamos, para defenderem que Santo Agostinho “mudou de opinião”, ou que deixou o purgatório de lado após 413, como que o purgatório para ele era apenas uma “especulação”. A citação que utilizam é a seguinte: “[Joseph Ntedika] pôs o dedo num ponto chave, mostrando não apenas que a posição de Agostinho evoluiu ao longo dos anos, o que era de se esperar, mas que passou por uma mudança acentuada num ponto específico no tempo, que Ntedika situa no ano 413 (…) Na Carta a Dardinus (417), ele [Agostinho] esboçou uma geografia do além, onde não há lugar para o Purgatório.” (The Birth of Purgatory [Chicago, Illinois: The University of Chicago Press, 1986], pp 62, 70). Essa citação que é montada a partir de duas frases em contextos e páginas diferentes da obra de LeGoff surgiu de um site em inglês, alguns protestantes brasileiros traduziram e agora usam como “trunfo” para dizer que Santo Agostinho mudou de opinião supostamente ancorados na afirmativa de Jacques LeGoff. Já não fosse hilário usarem um livro que nunca leram, ainda usam uma citação que não fazem a mínima ideia se está correta. Vamos ver a citação em seu real contexto, a primeira parte é retirada da página 85: “No seu excelente estudo sobre a Evolução da doutrina do Purgatório em Santo Agostinho (Évoiution de Ia doctrine du Purgatoire chez saint Augustin), de 1966, Joseph Ntedika recenseou o conjunto dos numerosos textos agostinianos que constituem o processo do problema. Destacou, a maioria das vezes com acerto, o lugar de Agostinho na pré-história do Purgatório, e mostrou o facto fundamental: a posição de Agostinho não só evoluiu, o que é normal, mas também se modificou consideravelmente a partir de determinado momento que Ntedika situa em 413 e a que ele atribui a causa da luta contra os laxistas do além, os «misericordiosos » (misericordes), luta a que Agostinho se entrega apaixonadamente a partir dessa data. Contentar-me-ei com citar, situar e comentar os principais textos agostinianos respeitantes ao Purgatório. Fá-lo-ei numa dupla perspectiva: o conjunto do pensamento e da ação agostinianos e a génese do Purgatório a longo prazo.” O que LeGoff quis dizer com “a posição de Agostinho não só evoluiu, o que é normal, mas também se modificou”, nem de longe foi que ele “deixou de crer no purgatório”, como diz o site em inglês, e paroleiam protestantes brasileiros, e sim que ele passou a ser mais rígido em relação as penas dos maus e dos meio bons, contra os laxistas ou “misericordiosos” que pregavam que até mesmo os homicidas poderiam ser purificados no purgatório, e contra isso Santo Agostinho rebate que só poderão ser purificados aqueles que em vida tiveram fé, fizeram o bem e acumularam boas obras que foram úteis para, após sua morte, se ainda rest6ar alguma mancha, serem purificados. LeGoff volta a falar sobre isso e explica esses parágrafos nas páginas 90 e 91: “Depois de 413: duras penas purgatórias entre a morte e o Julgamento para aqueles que não são inteiramente bons. A partir de 413 as convicções de Agostinho sobre a sorte dos mortos e em particular sobre a possibilidade de redenção depois da morte tornam-se mais precisas e evoluem para posições restritivas. A maioria dos especialistas do pensamento agostiniano, e especialmente Joseph Ntedika, viu a justo título neste endurecimento uma reação às ideias dos laxistas «misericordiosos» que Agostinho considerava muito perigosos, e nele se viu também a influência das concepções milenaristas que teriam movido Agostinho por intermédio dos cristãos espanhóis. Creio que também aí se deve ver o reflexo do grande acontecimento do ano de 410: a tomada de Roma por Alarico e os Ostrogodos que parece marcar o fim não só do Império Romano e da invulnerabilidade de Roma, mas também anunciar o fim do mundo para certos cristãos, enquanto grande parte da aristocracia romana culta e ainda pagã acusava os cristãos de terem minado a força de Roma e de serem responsáveis por uma catástrofe sentida como, se não o fim do mundo, pelo menos o fim da ordem e da civilização. Foi para responder a esta situação, a estas conjecturas e a estas acusações que Agostinho escreveu a Cidade de Deus. [parágrafo explicando sobre os “misericordiosos” omitido para abreviar…] Reagindo, Agostinho vai afirmar que existem mesmo dois fogos, um fogo eterno destinado aos condenados para os quais qualquer sufrágio é inútil, e no qual insiste com veemência; e um fogo purgatório em reação ao qual tem mais hesitações. O que interessa pois a Agostinho, se assim se pode dizer, não é o futuro Purgatório mas sim o Inferno.” (Jacques Le Goff – O Nascimento do Purgatório Pg. 90-91) Esta parte refuta qualquer alegação protestante. Fica claro que quem faz uso da citação montada, nunca leu a obra de Jacques LeGoff. Será que sujeitos que fazem uso de tais artifícios têm alguma credibilidade para falar sobre o pensamento de Santo Agostinho em um tema tão complexo? Sobre a última parte retirada da página 93 e seu contexto é o seguinte: “A oposição de Agostinho aos «misericordiosos» e a evolução do seu pensamento sobre a sorte dos mortos surgem no seu tratado Sobre a fé e as obras (De fide et operibus) de 413, mas exprimem-se sobretudo no seu Manual, o Enchiridion, em 421, e no livro XXI da Cidade de Deus, em 426-427. Entretanto fizera certas precisões a pedido de amigos. Na Carta a Dardanus, em 417, esboçava uma geografia do além na qual não havia lugar para o Purgatório. Voltando à história do pobre Lázaro e do rico mau distinguia, com efeito, uma região de tormentos e uma região de repouso mas não as situava às duas nos Infernos, como alguns, porque a Escritura diz que Jesus desceu aos Infernos mas não que visitou o seio de Abraão. Este não é senão o paraíso, nome genérico que não designa o Paraíso terrestre onde Deus colocara Adão antes do pecado‘”.” (Jacques Le Goff – O Nascimento do Purgatório Pg. 93) Não há qualquer registro aqui que desabone o purgatório no pensamento de Agostinho. Jacques LeGoff explica apenas que ao descrever o além, Santo Agostinho esboçava uma geografia do além no qual não havia um purgatório como “lugar”, e isso é simples. Muitos autores e teólogos da antiguidade e até mesmo da atualidade, não veem o purgatório como um “lugar” ou têm incertezas sobre isso. Como mostramos no início do texto, nem os concílios, nem mesmo catecismo da Igreja definiram o purgatório como um “lugar”, o catecismo no parágrafo 1031 diz somente: “A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados”. Portanto, a Igreja denomina como purgatório a purificação final, não necessariamente “um lugar”, logo, se em sua geografia do além Agostinho não menciona o purgatório, segue o mesmo sentido dos concílios e do catecismo, sendo assim em nada esta afirmação de LeGoff vai contra a doutrina católica, nem mesmo é sinal de Santo Agostinho ter desacreditado no purgatório. É bom lembrar também que ele também fala de várias dificuldades levantadas pela existência de um “fogo expurgatório” depois da morte, se seria, literal, fictício ou espiritual, nisso ele diz é uma «questão obscura» (obscura quaestio). Outro ponto é que Agostinho na carta a Dardano estava apenas falando de céu e inferno, ou seja, condenação e salvação, a purificação final dos eleitos não era o objetivo da sua explanação neste momento, a purificação foi objeto de explicação nas obras posteriores que veremos a seguir. Vale deixar registrado que muitos teólogos da Igreja e até santos veem sim o purgatório como um lugar, mas isso são conjecturas e esboços teológicos do além, muito explorados principalmente na baixa idade média, porém não existe nada definitivo nas decisões do Magistério da Igreja Católica. Vamos analisar agora as obras apontadas por Jacques LeGoff nesta mesma citação, e demonstraremos tanto no pensamento de Agostinho, quanto na obra do próprio LeGoff que a única mudança que houve, foi para afirmações ainda mais claras sobre o purgatório após 413. 421 d.C ENCHIRIDIUM Na sua Obra Enchiridium palavra grega para “Manual”, reafirma categoricamente a existência do fogo purificador para os eleitos que morreram com alguma mancha de pecado: “Que algo semelhante aconteça igualmente depois desta vida, não é impossível. Será de facto assim? É lícito investigá-lo, seja ou não para o descobrir. Alguns fiéis (neste caso) poderiam, mais cedo ou mais tarde, ser salvos por um fogo purgatório, conforme tenham amado mais ou menos os bens transitórios. Porém, nunca o serão aqueles de que se diz que «não possuirão o reino de Deus» (I Corintios, VI, li) se, por uma penitência adequada, não obtiverem a remissão dos seus pecados (crimina), Adequada, disse eu, que não sejam avaros em esmolas, visto que a Santa Escritura atribui a estas um valor tal, que o Senhor anuncia (Mateus, XXV, 34-35) dever contentar-se unicamente com esta colheita para colocar (os homens) à sua direita ou unicamente com a ausência dela para os pôr à esquerda, e dirá a uns: «Vinde, os abençoados por meu Pai, recebei o reinos e aos outros: «Ide para o fogo eterno.» Livremo-nos de pensar, apesar de tudo, que estes crimes infames de que ele diz que aqueles que deles são culpados «não possuirão o reino de Deus» podem ser cometidos todos os dias e todos os dias resgatados por meio de esmolas. O que é preciso é mudar a vida para melhor e, por meio de esmolas, aplacar Deus pelas culpas passadas, e não comprá-lo, por assim dizer, de maneira a poder sempre cometê-Ias impunemente. «Com efeito, a ninguém Deus dá licença de pecar (Eclesiastes, XV, 21), se bem que, na sua misericórdia, apague os pecados cometidos, se não for negligenciada a satisfação adequada.” (Enchiridium 69-70) Aqui Agostinho é ainda mais claro na sua exposição sobre a purgação das manchas dos fiéis após sua morte. Alguns tentam usar estas palavras de Agostinho “Que algo semelhante aconteça igualmente depois desta vida, não é impossível. Será de facto assim? É lícito investigá-lo, seja ou não para o descobrir. “ para dizer que ele estava “especulando” sobre o purgatório e que não tinha em si uma doutrina. Esse argumento de desespero, além de refutado em todas as obras de Agostinho já demonstradas anteriormente, é também refutado pelo fato que Agostinho não está duvidando da purgação após a morte, mas sim sobre como seria este fogo, por esta razão ele diz “certo fogo” do qual não tem certezas ou definição, e não sobre purgação post mortem que está recheada em suas obras. Muito estranha esta “especulação” ser defendida em inúmeras obras e lugares das obras de Agostinho, este ponto é tratado extensamente para ser mera especulação. Assim comenta Jacques LeGoff: “Na passagem precedente, Agostinho sublinhara que, para se ser salvo pelo fogo, era preciso ter reunido, na vida terrena, a fé e as obras. Aqui (Enchiridton, 69-70) é ainda mais conciso. Não se deve apenas ter dado esmolas, é preciso «mudar a vida para melhor» (in melius quippe est vila mutanda) e, em especial, é preciso entregar-se a uma penitência conveniente e dar satisfação, isto é, cumprir uma penitência canónica. Neste caso a remissão poderá ser conseguida após esta vida (post hanc vitam) graças a «um certo fogo purgatório» (per ignem quemdam purgatorium ) sobre o qual Agostinho parece não ter certezas, mas que é diferente do fogo eterno, do fogo do Inferno. Retomará a distinção entre os dois fogos, aquele que atormenta eternamente e aquele que expurga e salva, no capítulo XVI do livro XXI da Cidade de Deus. A penitência, em todo o caso, pode ser tão eficaz que, com excepção dos crimes infames, possa até resgatar os pecados que, sem serem infames (infanda), são no entanto designados como «crimes» (crimina). O fogo expurgatório é destinado quer aos fiéis não submetidos à penitência canónica quer àqueles que lhe são submetidos mas não a concluíram. Em compensação aqueles que, estando sujeitos à penitência, não lhe foram submetidos, não pode ser purificados pelo fogo.” (Jacques Le Goff – O Nascimento do Purgatório Pg 95) Nos capítulos seguintes Agostinho continua o que protestantes chamam de “especulação”: “No intervalo entre a morte do homem e a ressurreição suprema, as almas são retidas em depósitos secretos onde conhecem ou o repouso ou a pena de que são dignas, segundo a sorte que talharam para si enquanto viviam na carne. Não se pode, porém, negar que as almas dos defuntos sejam aliviadas pelas preces dos seus próximos ainda vivos, quando por elas é oferecido o sacrifício do Mediador ou na Igreja são distribuídas esmolas. Mas estas obras servem apenas para aqueles que, enquanto viviam, mereceram que elas pudessem servir-lhes mais tarde. Com efeito, existem homens cuja vida não é sufícientemente boa para não terem necessidade desses sufrágios póstumos, nem suficientemente má para que eles não possam ajudá-los. Ao contrário, há-os que viveram suficientemente bem para os dispensar e outros suficientemente mal para não poderem tirar deles proveito depois da morte. Pelo que é sempre aqui em baixo que se adquirem os méritos que podem assegurar a cada um, depois desta vida, alívio ou infortúnio. Aquilo que foi desprezado neste mundo, que ninguém espere obter de Deus após a morte. Assim, as práticas observadas pela Igreja tendo em vista recomendar a Deus as almas dos defuntos não são contrárias à doutrina do Apóstolo, que dizia: «Todos nós compareceremos perante o tribunal do Cristo» (Romanos, XIV, 10), para lá recebermos, «cada um segundo o que fez durante a vida, seja para o bem, seja para o mal» (11Coríntios, V, 10). Pois é durante a sua vida terrena que cada um se torna merecedor do beneficio eventual das preces em questão. Nem todos tiram dele vantagem; e porque será que o proveito que dele advém não é o mesmo para todos, se não por causa da vida diferente que tiveram cá em baixo? Os sacrifícios do altar ou da esmola que são oferecidos em intenção de todos os defuntos baptizados, para aqueles que foram inteiramente bons, são acções de graças; para aqueles que não foram inteiramente maus, são meios de propiciação; para aqueles cuja maldade foi total, por não terem aliviado os mortos, servem para consolar, mesmo assim, os vivos. O que eles asseguram àqueles que deles aproveitam é ou a amnistia completa ou, pelo menos, uma forma mais suportável de condenação aos Infernos.” (Enchiridium 109-110) Onde estariam os fiéis defuntos, que toda a Igreja oferecia sacrifício e esmolas? Para que oferecerem esmolas e sacrifícios por quem já morreu se isso não implicasse em uma purificação ou limpeza após a morte? 422 D.C DO CUIDADO DEVIDO AOS MORTOS Seu livro do cuidado devido aos mortos feito em resposta aos questionamentos de São Paulino de Nola, dispensam quaisquer comentários: “De fato, a sentença do Apóstolo exorta-nos que é antes da morte que podemos fazer o que seja útil para depois dela e não depois que ela ocorre, quando recolhemos os frutos que praticamos durante a vida. A questão então é resolvida da seguinte maneira: enquanto vivemos neste corpo mortal, há uma certa forma de viver que permite, após a morte, obter certo alívio através das obras pias feitas em seu sufrágio. Porém, tal ajuda será proporcional ao bem que cada um de nós fizemos durante a vida.”(Do Cuidado devido aos Mortos 1, 2) “Lemos nos livros dos Macabeus que foi oferecido um sacrifício pelos falecidos. E apesar de não podermos ler isto em nenhum outro lugar do Antigo Testamento, não é pequena a autoridade da Igreja universal que reflete este costume, quando nas orações que o sacerdote oferece ao Senhor, nosso Deus, sobre o altar encontra seu momento especial na comemoração dos falecidos” (Do Cuidado devido aos Mortos 1,3) “Já que o sepultamento é, por si mesmo, uma obra religiosa, a escolha do local não poderia ser estranha ao ato religioso. É consolo para os vivos, uma forma de testemunhar sua ternura para com os familiares desaparecidos. Não enxergo, porém, como os mortos podem encontrar aí alguma ajuda, a não ser quando o lugar onde descansam é visitado e são encomendados, pela oração [dos visitantes], à proteção dos santos junto ao Senhor. Contudo, isso pode ser feito ainda quando não é possível sepultá-los em tais lugares santos…” (Do Cuidado devido aos Mortos 4, 2) “Não se pode duvidar de que essas súplicas, feitas pelos fiéis em nome dos seus caros defuntos, são úteis a estes caso apenas tenham merecido – durante a vida – beneficiar-se após a morte. Ainda que se suponha que alguma circunstância impediu o sepultamento ou que não foi dada a autorização para sepultar num desses locais sagrados, não será por isso que deveremos negligenciar as orações pelos falecidos. A Igreja tomou para si o encargo de orar por todos aqueles que morreram dentro da comunhão cristã e católica. Ainda que não conheça todos os nomes [de seus fiéis defuntos], ela os inclui numa comemoração geral. Dessa forma, aqueles que não possuem mais pais, filhos ou outros parentes e amigos para auxiliá-los, são amparados pelo sufrágio dessa piedosa Mãe comum. Julgo, porém, que caso esses sufrágios pelos mortos sejam feitos sem verdadeira fé e piedade, de nada valeria ao espírito deles que seus corpos sem vida se encontrassem sepultados nos lugares mais santos.” (Do Cuidado devido aos Mortos 4, 4) 422 D.C DAS 8 QUESTÕES DE DULCÍCIO Em 422 em sua obra chamada “De VIII Dulcitii quaestionibus”, isto é “Das 8 Questões de Dulcício” continua a fazer largo ensinamento do purgatório. Dulcício foi um oficial romano do século V que em 420 foi enviado para a África para suprimir a heresia donatista. Neste ano, Agostinho respondeu uma carta de Dulcício a respeito do tratamento dos heréticos e em 422, escreveu um tratado em resposta a suas oito perguntas. A segunda pergunta de Dulcício é pertinaz a nosso texto, ela foi: “Será que a oferta feita pelos defuntos se aproveita algo a seu favor? É evidente que somos aliviados ou punidos de acordo com nossas obras; e, certamente, lemos que ninguém pode louvar ao Senhor no inferno. Ao que muitos respondem que, se após a morte pode haver algum lugar em alívio, a alma, confessando os seus pecados, procuraria um refrigério muito maior do que aquele que buscam os demais com os sufrágios” Agostinho responde a essa pergunta, mostrando sua resposta a Paulino de Nola (Do Cuidado Devido Aos Mortos) e a Lorenzo (Enchiridium) sobre o mesmo assunto. O fim da sua resposta a Lorenzo, resume a questão: “Não se pode negar que as almas dos falecidos são aliviadas pela piedade dos parentes vivos, quando oferecem por elas o sacrifício do Mediador ou quando praticam esmolas na Igreja. Porém, estas coisas aproveitam aquelas [almas] que, quando viviam, mereceram que se lhes pudessem aproveitar depois. Pois há um certo modo de viver, nem tão bom que aproveite destas coisas depois da morte, nem tão mal que não lhes aproveitem; há tal grau no bem que o que possui não aproveita de menos; ao contrário, há tal [grau] no mal que não pode ser ajudado por elas quando passar desta vida. Portanto, aqui o homem adquire todo o mérito com que pode ser aliviado ou oprimido após a morte. Ninguém espere merecer diante de Deus, quando tiver falecido, o que durante a vida desprezou. Estas coisas, frequentemente praticadas na Igreja para ajudar os seus mortos, não se opõem a aquela sentença apostólica que disse: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba o pagamento devido, ao bom aos pelo bem que fez ou ao mau pelas más ações, enquanto estavam na carne”. […] Assim, os sacrifícios, e os Sacrifícios do altar, e as esmolas de qualquer espécie, que são oferecias para todos os mortos, para os muito bons, são ações de graças;[…]”. (Das Oito Questões de Dulcício – II, 1-4) 426 – 427 d.C A CIDADE DE DEUS O livro cidade de Deus é mais um dos livros que deixam claro o pensamento de Agostinho a respeito do destino dos fiéis com algum resquício de pecado, e a eficácia da oração dos fiéis vivos em seu favor. Maiores comentários são desnecessários: “Quanto a nós, confessamos que, mesmo nesta vida mortal, há penas purgatórias; não são atormentados por elas aqueles cuja vida não melhora ou até se torna pior, mas são purgatórias para aqueles que, castigados por elas, se corrigem. Todas as outras penas, quer temporárias quer eternas, conforme a maneira como cada um deve ser tratado pela divina Providência, são aplicadas pelos pecados quer passados quer atuais, nos quais ainda vive aquele que é por elas atingido, seja para exercer ou pôr em evidência as virtudes, e isto por intermédio ou dos homens ou dos anjos bons e maus. Pois se alguém sofre qualquer mal por maldade ou em de outrem, este homem peca, na verdade, pois faz mal a outro por ignorância ou por injustiça; mas Deus, esse, não peca quando permite isso por um julgamento justo, mesmo que seja secreto. Mas uns sofrem as penas temporárias apenas nesta vida, outros depois da morte, outro tanto durante como depois desta vida: de qualquer modo, antes desse julgamento muito severo e o último de todos. Mas não caem nas penas eternas que virão depois desse julgamento aqueles que suportaram as penas depois da morte. Pois para uns aquilo que não é remido neste século será remido o século futuro, quer dizer evitar-lhes-á serem punidos pelo suplício eterno desse século futuro: já o dissemos atrás.” (A Cidade de Deus 21,13). No capítulo XVI repete: “A maior parte [das pessoas], uma vez conhecida a obrigação da lei, se veem vencidas primeiramente pelos vícios que chegam a dominá-las; tornam-se, assim, transgressoras da lei. Logo buscam refúgio e auxílio na graça, com a qual recuperarão a vitória, mediante uma amarga penitência e uma luta mais vigorosa, submetendo primeiro o espírito a Deus e obtendo depois o domínio sobre a carne. Quem quiser, pois, evitar as penas eternas não deve apenas se batizar; deve ainda se santificar seguindo a Cristo. Assim é como quem passa do diabo para Cristo. Quanto às penas expiatórias, não pense ninguém em sua existência se não será antes do último e terrível juízo”. (A Cidade de Deus 21, 16) No capítulo XXIV Agostinho volta à eficácia das orações pelos mortos, mas para precisar com mais clareza os seus limites. “A razão pela qual não se rezará pelos homens votados ao fogo eterno é a mesma razão pela qual, nem agora nem nunca, não se reza pelos maus anjos, e é ainda pela mesma razão que a partir de agora não se reza já pelos infiéis e ímpios defuntos, ainda que se reze pelos homens. Pois, a favor de certos defuntos, a prece da própria Igreja e de alguns homens piedosos é atendida, mas por aqueles que estão regenerados em Cristo, e cuja vida no seu corpo não foi tão má que sejam julgados indignos de tal misericórdia, nem tão boa que se suponha que uma tal misericórdia não lhes será necessário”: também depois da ressurreição dos mortos haverá aqueles a quem, após as penas que sofrerão as almas dos mortos, será concedida essa misericórdia que lhes evitará serem lançados no fogo eterno.Com efeito, a respeito de alguns não se poderá dizer com verdade que não lhes é perdoado nem no século presente nem no século futuro, pois existem aqueles a quem o perdão, se não Ihes é concedido neste século sê-lo-á no século futuro. Mas quando o juiz dos vivos e dos mortos disser: Vinde, os abençoados por meu Pai, possuí o reino que está preparado para vós desde a criação do mundo, e aos outros pelo contrário: [de para longe de mim, malditos, para o fogo eterno que foi preparado pelo diabo e pelos seus anjos e eles tiverem ido, estes para o suplício eterno, mas os justos para a vida eterna'”, é presunção excessiva dizer que o suplício eterno não terá lugar para algum daqueles a quem Deus declara que irão para o suplício eterno e, graças à convicção de uma tal conjuntura, fazer com que se desespere mesmo desta vida ou que se duvide da vida eterna.” (Cidade de Deus– XXI, 24) Assim comenta Jacques LeGoff: “Enfim, em 426-427 na Cidade de Deus (XXI, 24), Agostinho volta à eficácia das orações pelos mortos, mas para precisar com mais clareza os seus limites. Os sufrágios são inúteis pelos demónios, pelos infiéis e os impios, portanto pelos condenados ao inferno. Só podem ser válidos para uma certa categoria de pecadores não nitidamente definida mas em todo o caso caracterizada de maneira especial: aqueles cuja vida não foi muito boa nem muito má.” (Jaques LeGoff – O Nascimento do Purgatório pg. 89) No Capítulo seguinte Agostinho volta a afirmar o purgatório: “Após a morte deste corpo, até que chegue o dia que se seguirá à ressurreição dos corpos e que será o dia supremo da condenação e da remuneração, se se afirma que, neste intervalo de tempo, as almas dos defuntos suportam esta espécie de fogo, não o sentem aqueles que nos seus corpos não tiveram durante a vida costumes e amores tais que o seu feno, a sua madeira e a sua palha sejam consumidos; mas os outros sentem-no, aqueles que trouxeram consigo construções de materiais semelhantes; encontram o fogo de uma atribulação passageira que queimará completamente essas construções que vêm do século, seja apenas aqui, seja aqui e lá em baixo, ou mesmo lá em baixo e não aqui e que não são, aliás, passíveis de condenação aos Infernos; pois bem, não repilo esta opinião, pois talvez seja verdadeira. De facto, dessas atribulações pode fazer parte a própria morte da carne, que foi concebida pela perpetração do primeiro pecado; de tal modo que o tempo que se segue à morte é sentido por cada um segundo a sua própria construção. Também as perseguições que coroam todos os mártires e as que sofrem todos os cristãos põem à prova os dois géneros de construções, como o fogo; consomem umas juntamente com os construtores, se não encontram nelas o Cristo como alicerce; outras sem os construtores se o encontram, pois são salvos mas não sem dor; mas não consomem outras porque vêem que elas podem subsistir para sempre. Haverá também no fim do século, na época do Anticristo, uma atribulação tal que nunca houve outra igual antes. Como serão então numerosas as construções quer de ouro quer de feno edificadas sobre o mais sólido alicerce que é Jesus Cristo; umas e outras, esse fogo pô-las-à à prova, a umas dará alegria, a outras prejuízo; não destruirá, no entanto, nem uns nem outros daqueles em que encontrar essas construções, em virtude do estável alicerce. Mas quem quer que coloque antes do Cristo, já nem digo a esposa com quem estabelece a união recíproca da carne por causa da volúpia carnal, mas os outros laços de afeição habituais entre os homens, mas estranhos àquelas volúpias, amando-os de uma maneira carnal; esse não tem o Cristo como alicerce; por consequência, não será salvo pelo fogo; não será mesmo salvo simplesmente, porque não poderá estar com o Salvador que diz muito claramente ao falar nisso: Aquele que ama o seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; e aquele que ama o seu filho ou sua filha de preferência a mim, não é digno de mim. Mas aquele que ama os seus próximos de uma maneira carnal mas sem no entanto os colocar antes de Cristo Senhor, de modo a preferir ser privado deles a ser privado do Cristo, se a provação o levar a esse extremo, esse será salvo pelo fogo, pois é necessário que, pela perda dos seus próximos, a dor o queime em proporção com a força do seu amor. Além disto, aquele que amar o pai, a mãe, o filho ou a filha segundo Cristo, de tal modo que se ocupa deles para os fazer atingir o seu reino e ficar unidos a Ele, ou que amar neles o facto de serem membros do Cristo: queira Deus que esse amor não seja de molde a ser classificado entre as tais construções de madeira, de feno e de palha, para ser queimado! então será reconhecido como uma construção de ouro, de prata e de pedras preciosas. Como pode ele amar mais do que o Cristo aqueles que ama, de facto, em intenção do Cristo?” (Cidade de Deus – XXI, 26) Tal qual é entendido clara e objetivamente as palavras de Agostinho, assim também Jacques LeGoff Comenta: “Agostinho retoma, finalmente, no fim do capítulo XXVI, a exegese do mesmo texto de S. Paulo e presta dois esclarecimentos. Primeiro, a confirmação nítida de que o fogo purgatório se exercerá entre a morte corporal e a ressurreição dos corpos «nesse intervalo de tempo» (hoc temporis intervallo). Depois uma definição das atitudes humanas que levam ou à condenação aos Infernos ou ao beneficio do fogo purgatório. O critério é a natureza do alicerce sobre o qual o homem construiu a sua vida. O único alicerce salutar é o Cristo. Se se preferir para alicerces as volúpias carnais em vez do Cristo, corre-se para a condenação aos Infernos. Se, pelo contrário, se sacrificou de mais a essas volúpias mas sem as colocar no lugar do Cristo, como alicerce, ser-se-á salvo «por essa espécie de fogo».”(Jacques LeGoff – O Nascimento Do Purgatório Pg 99) CONCLUSÃO Em todas as citações vistas aqui são claras as palavras de Santo Agostinho: poenae purgatoriae: as penas purgatórias (Cidade de Deus, XXI, XIII e XVI), tormenta purgatória: tormentos purgatórios (Cidade de Deus, XXI, 16), ignis purgatorius: fogo purgatório (Enchiridion. 69).Poenae temporariae: penas temporárias, opostas às poenae sempiternae, penas eternas (Cidade de Deus, XXI, 13). Poenae temporales ,penas temporárias Cidade de Deus (XXI, XXIV) ignis purgationis: o fogo da purgação (De Genesi contra Manicheos, II, XX, 30) e ignis emendatorius: fogo corrector (Enarrationes in Psamos XXXVII, 3). Na passagem da Cidade de Deus, XXI, 13, onde se encontra por três vezes em doze linhas a expressão poenae purgatoriae, Agostinho emprega também como sinónimo a expressão poenae expiatoriae, penas expurgatórias. Analisamos aqui citações do ano 388 até o ano 427 d.C próximo a morte de Santo Agostinho, e ficou claro em toda a sua vida o nítido ensinamento sobre o purgatório derivado da tradição apostólica da Igreja, que ele recebeu e explorou como São Gregório de Nissa em sua Obra De Anima Et Ressurrectione. Ainda assim, existem elementos exóticos que vagueiam internet a fora afim de tentar negar o óbvio. A desonestidade intelectual chega a níveis alarmantes, o ódio anticatólico e a cegueira espiritual fazem pessoas com que essas pessoas cheguem às raias da irracionalidade ao contra argumentar contra exposições teológicas tão claras quanto as de Agostinho, quanto a isso, só temos que lamentar, ninguém é convencido da verdade se deseja enganar aos outros e a si próprio. Como diria Dom Chapman: “E, depois de tudo, a coisa toda é tão falsa, tão cruel, e tão ofensiva. A refutação foi por tantas vezes repetida, e é tão fácil, que se sente quase a necessidade de ficar com raiva ao reiterar isso. Eu gostaria de dar a resposta aqui com toda exatidão meticulosa, de modo que não possa haver nenhum espaço para qualquer outra resposta além de declarações falsas ou abuso; mas me sinto como alguém que está usando um bate estacas para matar uma pulga, ou provando a tabuada contando nos dedos de alguém. E, no entanto, é claro, ninguém será convencido se não deseja isso.” (Dom John Chapman – Studies On Early Papacy) PARA CITAR RODRIGUES, Rafael. Santo Agostinho e o Purgatório. Disponível em: <_ apologistascatolicos.com=”apologistascatolicos.com” index.php=”index.php” patristica=”patristica” estudos-patristicos=”estudos-patristicos” _874-santo-agostinho-e-o-purgatorio=”_874-santo-agostinho-e-o-purgatorio”>.
- A RESPOSTA DE ROMA AO CÂNONE TRÊS DO CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA
A RESPOSTA DE ROMA AO CÂNONE TRÊS DO CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA O terceiro canon foi a proposta de Constantinopla ser o 2° em honra após Roma, pois era o bispado da “Nova Roma”. Se o argumento ortodoxo tivesse alguma razão, e o bispo de Roma fosse o primus inter pares por ser o bispo do reino (um argumento típico ortodoxo, já que coloca a política tomando precedência sobre o espírito), porque Constantinopla pediria para ter a prerrogativa de honra APÓS o bispo de Roma, quando na verdade o Reino já estava em Constantinopla, e não se colocaria como primus ele mesmo (sem necessidade de concílio algum, já que agora ele teria procedência política)? Quanto ao 3° cânone, Roma nunca o aprovou, e foi contestado por Roma na época pela redução de honra do bispado de Antioquia e Alexandria e negado no futuro pelo papa Leão, o Grande. O Primeiro Concílio de Constantinopla não tinha originalmente a intenção de ser um concílio ecumênico, mas regional, motivo pelo qual os bispos ocidentais e papa Damaso | foram ignorados. Somente em 451, o Concilio de Calcedônia considerou o Primeiro Concílio de Constantinopla como ecumênico e só foi reconhecido pelo Ocidente no século VI pelo papa Hormisda e mesmo assim a validade do terceiro cânone (que deu ao bispo de Constantinopla a precedência sobres os bispos de Alexandria e Antioquia) não foi aceito pelos papas, argumentando-se que violava o cânon sexto do Concílio de Niceia, os direitos de Alexandria e Antioquia, nos quais o Bispo de Roma baseava sua autoridade no fato de ser o sucessor de São Pedro, e não o bispo da capital imperial. este argumento poderoso em apoio à interpretação do sexto canon de Nicéia, é que os antigos viram nele um reconhecimento simples e formal pelos Padres de Nicéia do primado da Sé Apostólica. De fato, o papa St. Gelasius proclama um judicium invictum et singulare . Por que processo de raciocínio você pode persuadir-se, ele escreve aos bispos orientais, que os direitos dos outros serão respeitados, se não se derrame a veneração do Beato Pedro, porque aquilo que tem Sempre foi o apoio e baluarte de toda a dignidade sacerdotal, e ao qual o testemunho único e irrefragável dos trezentos e dezoito Pais reconhecem a veneração imemorial Por isso, se acreditarmos em Gelasius, o nome do Pontífice romano foi usado pelos pais Nicenos para servir de apoio e baluarte para os privilégios de Alexandria, Antioquia e outras igrejas. Os imperadores Teodosio e Valentiniano também expressam esse sentimento generalizado em seu célebre edito sobre o primado da Sé Apostólica. O poder civil, eles argumentam, deve reconhecer o Bispo de Roma como Chefe da Igreja, primeiro porque é o sucessor de São Pedro, o Chefe dos Bispos; Segundo, por causa da dignidade de sua cidade; E terceiro, porque sua supremacia foi confirmada pelo concilio sagrado….. A posição de Roma está dada pela primazia e sucessão de S. Pedro e foi um erro (crasso) considerar que se tratava do ”centro do mundo” no ”Império”, como preconizado pelo neoplatônico João Filopono. Assim, parecia que o centro do Cristianismo não tinha ligação intrínseca e eterna com a Cidade Eterna, Roma, mas, ao contrário, poderia ser movida de acordo com o eixo do ”centro do mundo”, isto é, de acordo com a capital do Império Romano. Coisa que se mostra falsa. Acrescentando que o Papa Leão Magno recusou-se a aceitar esse cânone(no final do texto está o documento), e empregando uma espécie de (veto de item de linha), ordenou que isso acontecesse a partir dos documentos do Concilio. Nisto, Dom Anatolius de Constantinopla escreve ao Papa Leão, pedindo desculpas e explicando como o cânone chegou, dizendo … Quanto às coisas que o Concílio universal de Calcedônia recentemente ordenou em favor da igreja de Constantinopla, deixe Sua Santidade ter certeza de que não houve culpa em mim, que desde a minha juventude sempre amei a paz e a quietude, me mantendo humilde. Era o clérigo mais reverente da igreja de Constantinopla que estava ansioso por isso, e eles eram igualmente apoiados pelos mais reverentes sacerdotes dessas partes, que concordaram com isso. Mesmo assim, toda a força de confirmação dos atos foi reservada para a autoridade de sua bem-aventurança. Portanto, deixe a Sua Santidade saber com certeza que não fiz nada para aprofundar o assunto, sabendo sempre que eu me obrigava a evitar os desejos de orgulho e cobiça. – Patriarca Anatolius de Constantinopla ao Papa Leão Magno. A posição dos ortodoxos é insustentável com relação a própria carta de Dom Anatolius de Constantinopla que confirma que é o orgulho e a cobiça que levaram a propor o Cânon 3 Esta variação é encontrada em todas as versões ante-Dionisianas, como pode ser visto consultando a edição Ballerini-Quesnel das obras de São Leão, vol. 3. Se este fosse o lugar apropriado, seria uma ocupação instrutiva e divertida traçar o processo de corrupção que o nosso cânone sofreu quando passou pelas mãos dos sucessivos editores. O additamentum foi, sem dúvida, em primeira instância, o título selecionado pelo primeiro tradutor romano. Em seguida, na Antiquissima, o Quod foi abandonado. Então, os seguintes editores, achando necessário que cada cânone tenha um título apropriado e acreditando que o sexto não tivesse nenhum, acrescentou as palavras De Primatu Ecclesim Romanm. O editor da Prisca, para confundir a confusão, – como vários escritores protestantes fizeram – que podem estar no Concilio de Nicéia, como alguns autores católicos tentaram fazer. Para os católicos que expressam indignação na tentativa de Calvino de substituir Rufinus pelo Conselho e ao protestante que está igualmente indignado com o que podemos chamar de substituição de Darras-Rohrbacher de uma versão latina para o cânone original. ROMA E CONSTANTINOPLA O concílio de Constantinopla(381) – honra imediata Cânon 3, Mansi, 560 C O bispo de Constantinopla tem a primazia de honra imediatamente depois do bispo de Roma, pois Constantinopla é a nova Roma O concílio de Calcedónia (451) – jurisdição paralela Cânon 9, 28. Bright, cânones dos primeiros quatro concílios gerais, XLI, XLVIII [ESTES CÂNONES FORAM DENUNCIADOS POR LEÃO E NUNCA FORAM ACEITOS NO OCIDENTE] 9. O clérigo que tiver uma demanda contra outro clérigo não pode deixar o foro do seu próprio bispo nem recorrer a tribunais seculares. Levará sua causa, em primeira instância, ao próprio bispo ou, com vénia deste, a árbitros aceitos por ambas as partes… Mas, se um clérigo tiver uma demanda contra seu bispo ou algum outro bispo, seja esta enviada ao sínodo de sua própria província. Se um bispo ou um clérigo tiver uma demanda contra seu metropolitano, a envie ao exarca da diocese [ao metropolitano mais elevado de um grupo de dioceses] ou à cátedra da cidade imperial de Constantinopla, e aí pleiteie-se a causa. 28. Fiéis em tudo à determinação dos santos pais apostólicos e reconhecendo os cânones dos 150 bispos mais piedosos [reunidos no concílio de Constantinopla, em 381] que acabamos de ler, determinamos e decretamos idênticas prerrogativas e privilégios a favor da santíssima cidade de Constantinopla, a nova Roma. Os pais tinham conhecido por justas razões privilégios ao trono da velha Roma, pois era cidade imperial. Pelas mesmas ponderações, os 150 bispos estenderam esses privilégios ao santíssimo trono da nova Roma; estimaram com toda razão que a cidade, ilustrada pela monarquia e pelo senado, e adornada com os mesmos privilégios da velha cidade imperial, deveria receber igual distinção em assuntos eclesiásticos e, depois dela, ocupar o segundo lugar. Semelhantemente, decretamos que os metropolitanos, e somente eles, das dioceses do ponto, da Ásia e da trácia (juntamente com os bispos das dioceses estabelecidas entre os bárbaros) sejam ordenados pela mencionada santíssima cátedra da santa igreja de Constantinopla. Cada metropolitano dessas dioceses ordenará os bispos de sua província, como estabelecido pelos divinos cânones… [Nota: Naquele tempo, a unidade de organização, tanto eclesiástica como imperial, era província, sendo a diocese um grupo de províncias. Posteriormente, estes termos foram invertidos, tomando o sentido que conservam até hoje] [Relativamente aos editos de Graciano e de Valentiniano III, reporta-se a primeira parte da seção I, III,s.e.v] A respeito do Concílio , o Papa e o Imperador já não concordavam entre si. Por isto Justiniano convocou o Concílio por sua exclusiva iniciativa. Reunido sob a presidência de Eutiquio , novo Patriarca de Bizâncio, renovou a condenação dos Três Capítulos ( maio e junho de 553). Virgílio então em 13/05/553, no decurso do próprio concilio , publicou o Constitutum, que se opunha à condenação dos Três Capítulos. Justiniano não aceitou a nova posição do Papa e mandou cancelar o nome de Virgilio nas orações da Liturgia. Finalmente, sob o peso das pressões e da doença, o Papa em dezembro de 553 retirou o seu Constitutum e aderiu às decisões do Concílio de Constantinopla de 553. Num segundo Constitutum de 23/02/554, expôs as razões da sua atitude. Em conseqüência, o Imperador permitiu-lhe voltar para Roma; todavia morreu em viagem (555). Era vítima da sua inconstância de seu caráter. Os papas que lhe sucederam, a começar por Pelágio | ( 556-561), reconheceram o concílio de 553 como ecumênico; é o Constantinopla || . As dioceses do Ocidente aos poucos também o foram reconhecendo, embora tivessem consciência de que significava uma humilhação para o Papado. Notemos que as hesitações do Papa Virgílio não versavam sobre assuntos de fé propriamente dita, mas sobre a oportunidade ou não de se condenarem três nomes de escritores antigos. — O episódio também é interessante por evidenciar quanto era prestigiada a Sé Romana; o Imperador quis absolutamente ganhar o consenso do Papa Virgílio; por isto mandou buscá- lo em Roma e pressionou- o repetidamente para que subscrevesse ao decreto imperial, como se este precisasse da assinatura do papa para ser válido. #históriadaigrejaprimitiva
- Satanás nunca foi Lúcifer
SATANÁS NUNCA FOI LÚCIFER! As Sagradas Escrituras Numerosas, em NENHUM lugar, que anularam a vida de Lúcifer caiu e se tornou Satanás !! em NENHUM lugar, que anularam a vida de Lúcifer e se tornou Satanás !! Alguns teólogos tiveram dito que Isaías 14 relata uma história da queda de Lúcifer, MAS NÃO É verdade !!! Isaías 14 é, na verdade, sobre o rei humano da Babilônia !!! Como Escrituras Sagradas, é uma linguagem metafórica, chamada de rei da Babilônia, que é o planeta Vênus: Como foi atirado a terra, você, que derrubava como nações! ”(Isaías 14.12) !! E ‘lúcifer’ é uma palavra, em latim, para a estrela da manhã! Então, escrito, aplicado a satanás? Por causa da fé e da interpretação de Isaías 14.12, MUITOS comentaristas INSERIRAM ALGO Outro texto, visto como uma explicação da fonte de satanás e, assim, uma palavra ‘veio ser associado com Satanás e sua versão como seu nome’ !! Como Escrituras, PORÉM, QUEBRAM O QUE É NUNCA O chamam de ‘lúcifer’ !!! PORTANTO, o nome ‘lúcifer’ é, impresso, aplicado a Satanás, MAS NÃO há NENHUMA base BÍBLICA para esta ideia !!! Isaías 14.1-23 é uma profecia sobre a queda do rei da Babilônia, que se exalta, buscando uma glória que pertencia SÓ ao SENHOR Deus, e mostra o que é rei morto! O Novo Testamento fala sobre “a estrela da alva” (em 2 Pedro 1.19) e sobre “a estrela da manhã” (Apocalipse 2.28; 22.16)! Nessas 3 passagens do NT, é MUITO claro que “a estrela da manhã” NÃO é Satanás ou qualquer outra criatura blasfema !! A resplandecente Estrela da Manhã que abençoa os Seus servos fiéis é Cristo Jesus !!! Eu via Satanás, como raio, cair do céu. Lucas 10:18 Isso foi um erro na hora do Jerônimo traduzido para o latim, o certo seria luciferus, mas a tradição que se fez com esse mito já não deixa concerteza esse erro! O hino do precério da pás é exasitante dos primeiros séculos e as pessoas mal intencionadas dizem que estamos exaltando satã, veja a última estrofe desse hino. Flammas eius lucifer matutinus Inventário Ille, inquam, lucifer, qui nescit ocasus Christus Filius tuus, qui, regressus ab inferis, human generus serenus illuxit, et vivit et regnat in saecula saeculorum Amen Veja uma tradução agora. Imagem de conteúdo: Jesus Cristo, vosso Filho, iluminar o género humano com a luz e viver glorioso da séculos dos séculos. Um homem Em Isaías 14,12, na passagem em que fala da queda da Estrela da Manhã (o Rei da Babilônia), lemos: Na Bíblia ‘Almeida Revista, Corrigida e Anotada’, evangélicos USADA POR: > > “Como caíste do Céu, ó estrela da > Manhã, filha da alva! [como] foste > lançado > por > terra, > tu que debilitavas as nações! ” Na Bíblia Vulgata, uma edição base em latimadotada Como oficial Pela Igreja católica e, posteriormente, Pelos Protestantes, consta para o MESMO versículo: > > “quomodo cecidisti de caelo luciferqui juba oriebaris corruisti interram qui > vulnerabas gentes”. 2) Porém, em referência a Jesus, em 2 Pedro 1,19 lemos: Na Bíblia ‘Almeida Revista, Corrigida e Anotada’: > > “E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem > fazeis em estar atentos como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que > o dia esclareça, e a estrela da manhã [Jesus] apareça em > vossos corações, (…)” Na Vulgata: > > “et habemus firmiorempropheticum sermonem cuibene > facitis adtendentes quasilucernae lucenti in caliginoso loco donec dies > inlucescat et lucifer oriatur incordibus > vestris.” O ponto de vista histórico Quando no séc. III a.C. se realiza a versão grega da Torah encomendada por Ptolomeu Philadelphus, conhecida como Septuaginta, a expressão hebraica é traduzida como “heosphoros” (heos = da manhã + phoros = o que transporta ou o que é transportado). Apesar de não ser uma tradução exata, manteve o significado de “portador da aurora”, equivalente a “aquele que brilha”, ou seja, foi uma tradução baseada em uma interpretação, e não uma tradução exata da palavra. No séc. IV, Dâmaso I – aliás, nascido na antiga Lusitânia – ordena ao seu secretário S. Jerónimo que traduza a Bíblia para latim. Nessa versão da Vulgata a expressão de Isaías é traduzida como “lucifer” (lux, lucis = luz + ferre = transportar, trazer), isto é, “o portador da luz”, cuja correspondente em grego é “phosphoros”, significa “o portador do archote” ou “o portador da luz”, fazendo dele mesmo, como indica o seu nome, aquele que traz a luz onde ela se faz necessária. Na Nova Vulgata, realizada por determinação do Papa Paulo VI e aprovada por João Paulo II, alterou-se para “lucifer, fili aurorae”. Em qualquer dos casos manteve-se o sentido do texto hebraico “filho da aurora” e aumentou o sentido: “de luz” para “portador da luz” , como na Septuaginta. #Portugal #Timorleste #Macau # Goa # Angola # Moçambique #Caboverde # GuinéBissau # GuinéEquatorial # SãotoméePrincipe #demonologia
- Fé e razão
Mc 8,28 “e vós quem dizeis que eu sou?” Neste contexto vale lembrar o que diz a Fides et ratio sobre a relação entre fé e razão:” A razão, privada do contributo da revelação, percorreu sendas marginais com o risco de perder de vista a sua meta final. A fé, privada da razão, pôs em maior evidência o sentimento e a experiência, correndo o risco de deixar de ser uma proposta universal. É ilusório pensar que, tendo pela uma razão débil, a fé goze de maior incidência; pelo contrário, cai no grave perigo de ser reduzida a um mito ou superstição. Da mesma maneira, uma razão que não tenha pela frente uma fé adulta não é estimulado a fixar o olhar sobre a novidade e radicalidade do ser” JOÃO PAULO II. Carta encíclica Fides et ratio. A posição de Santo Tomás de Aquino em relação ao conhecimento intelectual humano dá conta de todos os fenômenos e é surpreendente pelo equilíbrio metafísico que transmite. O Aquinate sabe um milhão de semelhanças sensíveis não podem dar lugar a uma semelhança inteligível, portanto de uma experiência puramente sensorial não se podem extrair senão propriedades sensíveis semelhantes, que talvez se conformem a uma imagem vaga em que caibam muitos indivíduos. Uma imagem assim não é nem pode um verdadeiro conceito. A postulação platônica da teoria da reminiscência não foi arbitrária, senão que respondeu a esta sólida observação, mas, uma destruída por Aristóteles a teoria das ideias separadas, o intelecto agente toma uma parte do lugar da reminiscência. Nossas espécies vêm, em um sentido, da condição inteligível da nossa alma e das coisas sensíveis, cuja essência é inteligível em potência. Somos em parte passivos, em parte ativos, na captação intelectual. Por isso se distingue o intelecto possível e do agente: a da luz e do artesão. A dimensão ativa do entender, necessária para separar as rationes formais da matéria individual e tornalas inteligíveis em ato, está na raiz do ser humano conhecer nesta vida intelectualmente e diretamente apenas os universais ( e por reflexão, a própria alma). Deus, por sua vez, conhece em si todas as coisas, também as singulares, porque possui a concepção que cria o ser inteiro de todas elas, forma e matéria; enquanto o anjo conhece as essências e os singulares porque Deus infunde em seu intelecto, ao criá-lo, as espécies que são semelhanças das idéias divinas. A razão dessa diferença entre o intelecto humano e os outros intelectos reside em que só as coisas sensíveis nos são dadas diretamente, e em que delas tomamos as espécies, as essências formalizadas. Só por copulação com o sentido nosso intelecto pode voltar ao singular, a matéria concreta. #Portugal #Timorleste #Macau #Goa #Angola #Moçambique #Caboverde #GuinéBissau #GuinéEquatorial #SãotoméePrincipe
- Os santos podem interceder por nós ou encontram-se “dormindo” esperando o dia do Juízo?
DESDE O INÍCIO, a Igreja sempre ensinou que aqueles que morreram na Amizade do Senhor intercedem pelos que ainda se encontram na Terra. Essa doutrina, perfeitamente bíblica e totalmente cristã, é denominada intercessão dos santos. Diz o Catecismo da Igreja Católica: “Pelo fato de os habitantes do Céu estarem mais intimamente unidos com Cristo, consolidam mais firmemente a toda a Igreja na santidade. (…) Não deixam de interceder por nós ante o Pai. Apresentam, por meio do único Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, os méritos que adquiriram na Terra. (…) Sua solicitude fraterna ajuda muito à nossa debilidade.“ (CIC §956) Para a Igreja Católica, portanto, os santos intercedem por nós junto ao Pai, não por seu próprio poder, mas pelo Poder de Cristo, Nosso Senhor, único Mediador entre Deus e os homens para a nossa salvação. Os adeptos do fundamentalismo bíblico, porém, costumam apresentar objeções à este ensinamento. Tais objeções podem ser divididas basicamente em cinco categorias. Neste estudo buscaremos analisá-las e respondê-las, uma por uma: Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens Acabamos de ver que a Igreja Católica não nega a exclusividade da Mediação de Nosso Senhor. Mesmo assim, esta continua sendo, baseada na leitura literal de uma passagem da Sagrada Escritura, a principal das objeções à doutrina da intercessão dos santos. A passagem bíblica em questão, evidentemente, é 1 Timóteo 2, 5: “Pois há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens: um homem, Cristo Jesus”. No entendimento de algumas pessoas, aqui a Sagrada Escritura não deixa dúvidas de que só Jesus pode interceder pelos homens junto a Deus. E tais pessoas estão certas, sim, neste ponto específico. Não há nenhum santo, – nem Pedro nem Paulo e nem a Virgem Maria, – que possa interceder por nós junto a Deus no sentido de salvar as nossas almas, de nos resgatar do Pecado e da morte. “Só Jesus salva!”, costumam bradar os nossos irmãos afastados mais exaltados quando falamos dos santos, e nós concordamos com isso, sem nenhuma dúvida! De todos os que pisaram esta Terra, somente Jesus é Deus, e somente Ele, sendo Deus, se fez Cordeiro Imolado para a nossa salvação: o único Sacrifício capaz de nos resgatar do Pecado e da morte é o de Cristo, insistimos mais uma vez, porque esta é e sempre foi a fé e a verdadeira doutrina católica. Então, em que sentido cremos na intercessão dos santos? Neste ponto do texto, prezado leitor, permita-me abrir parênteses para deixar um testemunho pessoal: anos atrás, eu andava perdido, desorientado e confuso, procurando Deus numa série de falsas doutrinas. Cheguei a acreditar na validade da necromancia como caminho para chegar a Deus, pois achava que todas as religiões eram iguais e que procurar conhecer a retrógrada Igreja Católica seria uma perda de tempo… Entretanto, através do testemunho e do exemplo de uma série de bons e fiéis cristãos católicos, acabei conhecendo a verdadeira Igreja Católica. E percebi que a Igreja que eu imaginava era completamente diferente da Igreja real, – aquela que de fato existe. – O que eu ouvia dizer da Igreja, nas falsas religiões que eu frequentava, era uma caricatura, uma imagem totalmente distorcida da realidade. Através de um longo e progressivo processo de conhecimento da Igreja, rezando com fé, estudando os Primeiros Padres, a História, a vida dos santos, o Catecismo, conversando com bons padres e assistindo com frequência à Santa Missa, fui agraciado com o conhecimento da Verdade que eu tanto procurava. A minha vida se tornou, então, cheia de Luz e de Graça, e hoje eu posso dizer que conheço, a cada dia um pouco mais, o verdadeiro Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Agora navego em segurança, na ilustríssima companhia de incontáveis santos e santas, do Céu e da Terra, por este mar muitas vezes bravio, a bordo do grande Barco da Igreja. Esta é uma longa história, mas por que menciono agora a minha experiência de vida? Porque o meu exemplo é perfeito para ilustrar a ideia que tento transmitir: foi através do testemunho e do exemplo dos bons católicos que eu encontrei o Cristo, e, nEle, encontrei a salvação. Eu poderia dizer que esses bons cristãos me salvaram? De certo modo, sim, embora Quem tenha me salvado verdadeiramente tenha sido Jesus, – e unicamente Ele poderia fazê-lo. – Mesmo assim, daqueles que me conduziram ao Salvador eu poderia dizer que foram, sim, num certo (e menor) sentido, meus “salvadores”. Foram reflexos do único verdadeiro Salvador, que é Cristo. – E é exatamente isto que todo cristão fiel deve ser neste mundo: um reflexo de Cristo! Outro exemplo: imagine-se, leitor, perdido num deserto, há vários dias, e já quase morre de sede: um viajante passa por você, conduzindo um jipe; ele não para, não lhe presta socorro nem lhe dá de beber, mas indica a direção que você deve seguir para se salvar. Desesperado, você segue a orientação desse viajante, segue o caminho que ele indicou e logo encontra uma habitação; ao bater na porta, alguém muito caridoso prontamente o atende, o acolhe e lhe dá água fresca para beber, alimento e um leito para descansar. Além de tudo, essa alma bondosa lhe permite usar o telefone, para que você peça ajuda e possa enfim retornar à sua casa. Sua vida foi salva. Quem o salvou? O viajante não lhe deu água nem alimento, e nem mesmo carona. Quem lhe deu água, comida, descanso e a possibilidade de retornar à sua casa foi o dono da casa. O viajante, porém, indicou o caminho até ele. O mesmo ocorre com a intercessão dos santos. Eles mesmos não são o Caminho. O único Caminho para a salvação é Jesus; somente Ele se deu em Sacrifício para a nossa salvação. Mas os santos nos indicam o Caminho e, mais do que isto, são agentes do próprio Salvador e caminham junto conosco; levam nossas intenções a Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Agora veja: se alguém crê naquilo em que está escrito na Bíblia, também precisa crer na intercessão dos santos. Não podemos tomar uma parte isolada da Bíblia, acreditar somente neste trecho e descartar todo o resto. Se cremos nas Sagradas Escrituras, precisamos crer em toda ela, meditar em tudo o que diz, e tudo dentro do seu devido contexto. E por acaso não ensina o Apóstolo Paulo, nas mesmas Escrituras, que os cristãos devem dirigir orações a Deus em favor de todos? Vejamos o que diz o primeiro versículo da própria 1 Carta a Timóteo: “Acima de tudo, recomendo que se façam pedidos, orações, súplicas, e ações de graças por todos os homens, pelos reis e todos os que detêm autoridade, para que possamos viver uma vida calma e tranquila, com toda a piedade e dignidade.“ (1 Tm 2,1) Ora, quem pede a Deus pelo outro, com “pedidos, orações e súplicas”, está intercedendo pelo outro junto a Deus. Sim, S. Paulo nos pede abertamente, no versículo 1, que antes de tudo sejamos intercessores junto a Deus, uns pelos outros. E logo adiante, no versículo 5, ele diz que só Jesus é nosso Mediador. Estaria o Apóstolo se contradizendo? Também na Carta de S. Tiago, capítulo 5, versículo 16, está escrito o seguinte: “Confessai uns aos outros os vossos pecados e orai uns pelos outros, para que sejais curados. A oração fervorosa (ou assídua) do justo tem grande poder.“ Afinal, se eu creio na Bíblia, em que devo crer? Que somente Jesus intercede por nós, ou que nós também podemos interceder uns pelos outros? Ensina a Bíblia uma coisa numa parte e outra coisa diferente, em outra parte? Não. Se a Bíblia contradissesse a si mesma, não seria Palavra de Deus. Na verdade, a solução para esse dilema é bem simples: a questão é que, dentro do contexto bíblico, a natureza da intercessão tratada no versículo 1 de 1 Timóteo é diferente da mediaçãodo versículo 5. No Antigo Testamento, a mediação entre Deus e os homens se dava através da prática da Lei e dos sacrifícios e ofertas no Templo. No Novo Testamento, isto é, na Nova e Eterna Aliança entre Deus e os seres humanos, é Cristo quem nos reconcilia com Deus através do seu Sacrifício único e suficiente na cruz. É esta a nova mediação, e é neste sentido que o Cristo é nosso único Mediador, pois através d’Ele recuperamos para sempre a Amizade com Deus: “Assim como pela desobediência de um só homem foram todos constituídos pecadores, assim pela obediência de um só todos se tornarão justos” (Rom 5, 19). Portanto, a exclusividade da medição de Cristo se refere à justificação e à salvação dos seres humanos. Mas a intercessão dos santos é de uma outra natureza: refere-se à graça que Deus nos concede de intercedermos em oração uns pelos outros. É dessa maneira que os santos intercedem por nós. Não há nenhum problema, nenhuma discordância quanto a isso. Dirão então que nós, cristãos que vivemos ainda neste mundo, podemos interceder uns pelos outros pelo fato de estarmos vivos, mas não os santos já falecidos. Veremos agora esta objeção, em todos os seus detalhes. Objeção 2: Aqueles que já morreram, mesmo que tenham sido santos, não podem interceder por nós aqui na Terra, porque após a morte não há consciência; ficamos todos como que ‘dormindo’, esperando o Dia da Ressurreição Os defensores desta objeção usam como fundamento as palavras do Eclesiastes: “Com efeito, os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem mais nada; para eles não há mais recompensa, porque sua lembrança está esquecida (…) Tudo que tua mão encontra para fazer, faze-o com todas as tuas faculdades, pois que na região dos mortos, para onde vais, não há mais trabalho, nem ciência, nem inteligência, nem sabedoria.“ (Ecl. 9, 5.10) Mais uma vez, é preciso manter em mente que a Bíblia é um conjunto coeso de livros, que precisa ser entendido como um todo: se quisermos entender a sua Mensagem mais profunda, não podemos tomar uma parte isoladamente e elaborar a partir desta uma doutrina diferente daquela que a Igreja ensina. Esta é a razão de Jesus Cristo ter dado autoridade a Pedro e aos Apóstolos para conduzir a sua Igreja até a sua volta. É por isso, também, que o Senhor jamais nos disse que bastaria o exame das Escrituras para encontrar o Reino de Deus e alcançar a Salvação. Pois bem. Se alguém crê na Bíblia, não pode aceitar a doutrina da “inconsciência”, que diz que os mortos estão como que “dormindo”, aguardando o Dia do Juízo”, simplesmente porque há diversos outros versículos muito claros na Sagrada Escritura que dizem o contrário. Podemos ver, por exemplo, Isaías 14,9-10; 1 Pedro 3,19; Mateus 17,3; Apocalipse 5,8; 6,10; 7,10. A solução evidente é que os versículos do Eclesiastes (obviamente) não fazem referência ao estado mental de todos os mortos, mas sim ao infortúnio espiritual daqueles que morreram na inimizade de Deus. Tanto é assim que o Livro dos Provérbios atesta que “o sábio escala o caminho da vida, para evitar a descida à morada dos mortos” (Pr 15,24). – A região dos mortos ali denominada é o lugar de desgraça para onde são encaminhados os inimigos de Deus. E acaso não morrerão também os sábios, como todos os outros? Claro que os sábios também morrem, mas a Bíblia diz que estes não irão para a “morada” ou “região dos mortos” onde “não há mais trabalho, nem ciência, nem inteligência, nem sabedoria”. Assim entendemos que o Livro do Eclesiastes, na passagem em questão, está se referindo ao infortúnio que existe nessa “região dos mortos” para onde vão aqueles que estão mortos para Deus. Muitos grupos de protestantes aceitam esta realidade, mas não querendo aceitar a doutrina católica, apelam para uma outra argumentação, que veremos em seguida. Objeção 3: Os santos não podem ouvir as orações dos que estão na Terra, porque não são oniscientes e nem onipresentes Esta argumentação em especial, quando a ouvimos pela primeira vez, parece fazer muito sentido. E agora? Será que um santo pode receber as nossas orações e os nossos pedidos de intercessão, mesmo não tendo onipresença e onisciência próprias? Vejamos o que diz o Livro de Atos 16,9-10: “De noite, Paulo teve uma visão: um macedônio, em pé, diante dele, lhe rogava: ‘Passa à Macedônia, e vem em nosso auxílio!’ Assim que teve essa visão, procuramos partir para a Macedônia, certos de que Deus nos chamava a pregar-lhes o Evangelho.“ O que percebemos nesta passagem? Entre outras coisas, que S. Paulo não precisou ser onipresente e nem onisciente para receber a oração do Macedônio, que suplicava por auxílio. O próprio Apóstolo ensinou que a Igreja é o Corpo de Cristo: os que estão unidos a Cristo através da Igreja são membros do Seu Corpo. – Um só Corpo. – Isso quer dizer que tanto nós, aqui na Terra, quanto os que já morreram para este mundo, na Amizade do Senhor, todos somos membros da Igreja, do mesmo Corpo Místico, do qual o Senhor é a Cabeça: “Agora alegro-me nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu Corpo, que é a Igreja.“ (Cl 1, 24) Como membros do Corpo de Cristo, enquanto cristãos, estamos mística e intimamente ligados uns aos outros: “Embora sejamos muitos, formamos um só Corpo em Cristo, e cada um de nós é membro do outro” (Rm 12,5). Nosso Senhor Jesus Cristo é a Cabeça do seu Corpo, que é a Igreja: “Ele é a Cabeça do Corpo, a Igreja” (Cl 1,18). Portanto, está claro que os santos, tanto os da Terra quando os que já estão no Céu, na Presença de Deus, estão ligados, enquanto membros do Corpo do Senhor, a Igreja. Assim como a minha mão direita não pode se comunicar com a esquerda sem que esse comando tenha sido coordenado por minha cabeça, da mesma forma, no Corpo de Cristo, os membros podem se comunicar uns com os outros, sendo que essa comunicação acontece através da Cabeça, que é o próprio Cristo. Desta maneira, quando nós pedimos aos santos que intercedam por nós junto a Deus, é como a comunicação de um membro com outro membro no Corpo de Cristo: acontece através de Cristo Jesus, que é Deus. Assim como a nossa cabeça pode coordenar movimentos simultâneos entre os vários membros de nosso corpo, Cristo, Cabeça da Igreja, que é onisciente e onipresente, possibilita a comunicação entre os membros do seu Corpo. Portanto, o fato de os santos não serem onipotentes e oniscientes não impede que eles conheçam ou recebam os nossos pedidos e possam interceder por nós junto a Deus. “E da mão do anjo subiu à Presença de Deus a fumaça do incenso com as orações dos santos” (Ap 8,4). Objeção 4: Nós não podemos dirigir nossa orações aos santos pois isto caracterizaria a evocação dos mortos, que é proibida na Bíblia Esta objeção baseia-se principalmente nos seguintes versículos: “Não se ache no meio de ti quem pratique a adivinhação, o sortilégio, a magia, a necromancia, a evocação dos mortos: porque todo homem que fizer tais coisas constitui abominação para o Senhor.“ (Dt 18, 9-14) “Se uma pessoa recorrer aos espíritos ou adivinhos, e andar atrás deles, voltarei minha Face contra essa pessoa e a exterminarei do meio do meu povo. (…) Qualquer mulher ou homem que evocar espíritos será punido de morte.“ (Lev 20, 6 – 27) Destacamos acima os trechos que explicitam que a condenação divina se refere à evocação dos mortos. Sem dúvida Deus abomina a evocação dos mortos. No entanto, há uma tremenda diferença entre evocar os mortos e pedir a intercessão dos santos. Evocar os mortos, dentro deste contexto, é pedir ao espírito do defunto que se apresente e se comunique com os vivos, por meio de necromantes (atualmente chamados ‘médiuns’), como se aquela pessoa falecida ainda estivesse vagando em algum lugar, numa dimensão paralela ou “penando” na Terra. Como podemos perceber, trata-se da mesmíssima prática dos espíritas de hoje. O que Allan Kardec chamou de “mediunidade” já era praticado nos tempos do Antigo Testamento, e sempre foi categoricamente condenado por Deus. Ao invés de confiar na Providência Divina, os que praticam a necromancia ou mediunidade preferem confiar nas instruções de espíritos, dos quais não têm como conhecer a origem (conf. 1Sm 28). No caso da intercessão dos santos, não estamos pedindo que o santo se apresente para conversar conosco através de algum médium ou “psicografar” uma carta a fim de obter informações. Nada disso. Estamos, sim, dirigindo pedidos de oração aos santos do Senhor, os quais, pela fé, cremos que estão mais vivos do que nós no Céu, o que é completamente diferente de invocação dos mortos. Continuamos confiando somente na Providência Divina, e continuamos crendo que, em última análise, somente Deus atende às nossas preces. Desta forma, as proibições divinas quanto à prática de espiritismo não se aplicam de modo algum à doutrina da intercessão dos santos. Objeção 5: Não há referência bíblica quanto à intercessão dos santos Aqui está uma objeção completamente falsa já na própria afirmação. Existem, sim senhor, diversos versículos bíblicos mostrando que os santos elevam as suas e as nossas orações na Presença de Deus. Vejamos: “Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do Altar as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus, e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam a Deus em alta voz, dizendo: ‘Até quando Tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da Terra?’ Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos.“ (Apocalipse 6, 9-11) “Os quatro viventes e os vinte e quatro anciões se prostraram diante do Cordeiro. Tinha cada um uma cítara e taças de ouro cheias de perfumes, que são as orações dos santos.“(Ap 5,8) “A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus.“ (Ap 8,4) Vemos com toda a clareza como os santos, no Céu, clamam a Deus em intenção dos que estão na Terra. Sim, os santos elevam suas orações a Deus. E por que estariam orando, se já estão salvos, desfrutando da Presença divina? Suas orações são em nosso favor, para que os que estão no mundo também possam um dia estar com eles, na felicidade perfeita e eterna plenitude. No Livro do Profeta Jeremias, lemos: “Disse-me, então, o SENHOR: ‘Mesmo que Moisés e Samuel se apresentassem diante de Mim, meu Coração não se voltaria para esse povo’.“ (Jr 15,1) No tempo de Jeremias, Moisés e Samuel já estavam mortos. No entanto, a Sagrada Escritura apresenta o SENHOR Deus, diretamente, dizendo que estes mesmos profetas, já mortos para o mundo, poderiam se colocar em sua Presença para pedir pelo povo de Israel. Se isto fosse uma completa impossibilidade, como pregam certos “pastores”, então nem seria mencionada na Escritura – Aí está a intercessão dos santos, literalmente, no texto da Bíblia Sagrada. O testemunho dos primeiros cristãos Finalizando este estudo, vejamos o que professavam os cristãos da Igreja primitiva, nos primeiros séculos, quando não havia divisão na Cristandade e a Igreja de Jesus Cristo era uma só: “O Pontífice [o Papa] não é o único a se unir aos orantes. Os anjos e as almas dos juntos também se unem a eles na oração.“ – Orígenes (185-254 dC), Tratado da Oração “Se um de nós partir primeiro deste mundo, não cessem as nossas orações pelos irmãos.“ – Cipriano de Cartago (200-258 dC), Epístola 57 “Aos que fizeram tudo o que tiveram ao seu alcance para permanecer fiéis, não lhes faltará, nem a guarda dos anjos nem a proteção dos santos.“ – Santo Hilário de Poitiers (310-367 dC), Apologetica ad Reprehensores Libri de Synodis Responsa “Comemoramos os que adormeceram no Senhor antes de nós: Patriarcas, Profetas, Apóstolos e Mártires, para que Deus, por suas intercessões e orações, se digne receber as nossas.“ – São Cirilo de Jerusalém (315-386 dC), Catequeses Mistagógicas “Em seguida [na Oração Eucarística], mencionamos os que já partiram: primeiro os Patricarcas, Profetas, Apóstolos e Mártires, para que Deus, em virtude de suas preces e intercessões, receba a nossa oração.” – São Cirilo de Jerusalém, idem “Se os Apóstolos e mártires, enquanto estavam em sua carne mortal, e ainda necessitados de cuidar de si, ainda podiam orar pelos outros, muito mais agora que já receberam a Coroa de suas vitórias e triunfos. Moisés, um só homem, alcançou de Deus o perdão para 600 mil homens armados; e Estevão, para seus perseguidores. Serão menos poderosos agora que reinam com Cristo? São Paulo diz que com suas orações salvara a vida de 276 homens, que seguiam com ele no navio [naufrágio na ilha de Malta]. E depois de sua morte, cessará sua boca e não pronunciará uma só palavra em favor daqueles que no mundo, por seu intermédio, creram no Evangelho?” – São Jerônimo (340-420 dC), Adversus Vigilancio 6 “Portanto, como bem sabem os fiéis, a disciplina eclesiástica prescreve que, quando se mencionam os mártires nesse lugar durante a Celebração Eucarística, não se reza por eles, mas pelos outros defuntos que também aí se comemoram. Não é conveniente orar por um Mártir, pois somos nós que devemos encomendar suas orações.“ – Santo Agostinho (391-430 d.C. – Sermão 159, 1) “Não deixemos parecer para nós pouca coisa; que sejamos membros do mesmo Corpo que elas [Santa Perpétua e Santa Felicidade] (…). Nós nos maravilhamos com elas, elas sentem compaixão de nós. Nós nos alegramos por elas, elas oram por nós (…). Contudo, nós todos servimos um só Senhor, seguimos um só Mestre, atendemos um só Rei. Estamos unidos a uma Cabeça; nos dirigimos a uma Jerusalém; seguimos após um Amor, envolvendo uma Unidade.“ – Santo Agostinho (391-430 dC), Sermão 280,6 “Por vezes, é a intercessão dos santos que alcança o perdão das nossas faltas (1Jo 5,16; Tg 5,14-15) ou ainda a misericórdia e a fé.“ – São João Cassiano (360-435 dC), Conferência 20 Conclusão Como podemos ver, quanto à doutrina da intercessão dos santos, não se trata de “invenção” do catolicismo, como afirmam certos falsos profetas, mas sim da legítima doutrina cristã como sempre foi, embasada tanto nas Sagradas Escrituras quanto na Tradição Apostólica. Quanto a isto, os primeiros cristãos jamais tiveram dúvidas (outra prova disso é que este tema jamais foi motivo de disputas conciliares). Esta doutrina só confirma o Amor de Deus para conosco e Seu Plano de que sejamos, uns para os outros, instrumentos deste Amor. ___ Ref.: LIMA, Alessandro, artigo ‘A Intercessão dos Santos’, disp. em http://www.veritatis.com.br/apologetica/imagens-santos/555-a-intercessao-dos-santos Fonte:pr.gonet.biz
- A Primazia de Pedro
A “Primazia de Pedro” tem sido disputada por caluniadores em vários aspectos. Foi dada a Pedro a primazia em Mat 16,18: “E EU TE DECLARO: TU ÉS PEDRO, E SOBRE ESTA PEDRA EDIFICAREI MINHA IGREJA.” Alguns dizem que Pedro não era a “pedra”. Outros tentam separar Pedro do Bispo de Roma, tentando mostrar que ele nunca esteve em Roma. Há ainda outros que dizem que a palavra ‘EDIFICAREI’ em Mat 16,18, indica um tempo futuro. Eles incluem Mat 16,19: “EU te DAREI as chaves…” como “prova” de que Pedro não recebeu as chaves mas que, de certa forma, TODOS os Apóstolos a receberam em Mat 18,18. É óbvio que Jesus falou somente a Pedro em Mat 16,19 e deu a ele pessoalmente o poder de atar e desatar. Também é óbvio que Jesus deu a ele o poder de atar e desatar junto com os outros Apóstolos em Mat 18,18, e mais uma vez em João 20,30. Entretanto, Jesus deu a Pedro, e somente a ele, as Chaves do Reino dos Céus em Mat 16,19. Detratores da primazia de Pedro tem argumentos tão fracos que quase nem existem. Eu poderia discutir cada um desses pontos, mas nessa seção da carta vou discutir apenas um ponto, que faz com que todos os outros argumentos contra a primazia de Pedro sejam discutíveis. A Lei da Primeira Menção… Quando algo é mencionado pela primeira vez na Bíblia, o significado permanece o mesmo por todo o resto da Bíblia. Quando DEUS deu autoridade a alguém na Escritura, ELE mudou o nome daquela pessoa. DEUS mudou o nome de Abrão para Abraão quando Ele o fez “Pai de uma Multidão de Nações”, em Gn 17,5. ELE deu a Abraão a “primazia” sobre todos os outros homens. DEUS mudou o nome de Sarai para Sara quando ELE a fez “Mãe de Nações” em Gn 17,15-16. ELE deu a Sara “primazia” sobre todas as outras mulheres. DEUS mudou o nome de Jacó para Israel, o nome da Nação Judaica, e Jacó se tornou o primeiro israelita em Gn 32,29; 35,10. DEUS mudou o nome de Simão para Pedro em Mt 16,18, dando-lhe então “primazia” sobre todos os Apóstolos. Por qual outra razão DEUS daria um novo nome a Simão? A “Lei da Primeira Menção”, conforme aplicada a Abraão, Sara e Israel, funciona realmente muito bem. Por que então alguns acreditam que não funciona quando se trate de Simão-Pedro? Mateus 16,13-17… Jesus disse: “No dizer do povo, quem é o Filho do Homem?” (13) Responderam: “Uns dizem que é João Batista; outros Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas.”(14) Disse-lhes Jesus: “E VÓS, quem dizeis que Eu sou?” (15) Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho de DEUS Vivo.” (16) Jesus então lhe disse: “Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas Meu Pai que está no Céu.” (17) Este versículo expressa uma bênção do Filho para Pedro. Você percebeu que Pedro era o único Apóstolo que sabia quem era Jesus Cristo? Todos o resto exprimiu uma opinião. DEUS o Pai, Ele Próprio, disse somente a Pedro, e a nenhum outro dos Apóstolos. Foi uma bênção do Pai para Pedro. Este é um sinal claro da Primazia de Pedro perante o Pai. João 21,1-11… Há pelo menos três exemplos da primazia de Pedro nestes versículos. No versículo 2-3, sete dos discípulos estão reunidos quando Pedro decide ir pescar. Os outros concordam em ir com ele. Eles pescaram a noite toda e não conseguiram nada, como sempre. Jesus lhes disse para jogar a rede, eles assim o fizeram e pegaram tantos peixes que nem todos eles juntos conseguiram puxar a rede (versículo 6). João, o discípulo que Jesus amava, disse a Pedro (ele informou primeiro a Pedro) que era o Senhor em pé na praia. Pedro mergulhou no mar depois de ouvir isto (versículo 7). Os outros seis discípulos vieram com o barco, arrastando a rede cheia de peixes. No versículo 10, Jesus pediu a eles que Lhe trouxessem alguns peixes. No versículo 11, foi Pedro sozinho que puxou a rede com 153 peixes grandes até à terra. Agora, quanto pesavam os 153 peixes grandes? Não sabemos o peso médio de cada, mas já que eram grandes, mesmo somente 1 quilo e meio cada, daria um total de mais de 200 quilos e mesmo assim Pedro sozinho conseguiu puxá-los para a praia quando todos os sete discípulos não tinham conseguido arrastar a rede no versículo 6. Isto mostra claramente o poder humano de Pedro. Mais uma vez, a presença de Jesus permitiu com que fizessem uma grande pescaria e, depois de saberem que era o Senhor, Pedro apresenta um poder incomum ao concluir a pesca sozinho. João 21,15-17… Três vezes nestes versículos Jesus Cristo diz a Pedro para “Alimentar Meu Rebanho”, ou para “Alimentar Minhas Ovelhas”. Para compreensão adequada destes versículos é necessário se referir ao texto grego apontado. No versículo 16, a palavra grega usada para “alimentar” é “poimaino” (segunda pessoa do singular), que significa: agir como um PASTOR, dirigir, governar, pastorear ou um funcionário que preside. É a única vez que esta palavra grega é usada no Evangelho de João. Nos versículos 15 e 17, a palavra grega usada para “alimentar” é “bosko”, que significa alimentar. Então os versículos 15-17 dizem “alimente minhas ovelhas, pastoreie minhas ovelhas, e alimente as minhas ovelhas”. Jesus disse somente a Pedro para ser o PASTOR de Seu rebanho. Em João 10,16, Jesus disse: “…e haverá um só rebanho e UM SÓ PASTOR.” A palavra grega usada aqui é “poimen (masculino, singular)”. Claramente, Jesus disse nesses versículos que haveria somente UM PASTOR, e aquele pastor será Pedro, o primeiro Bispo de Roma e o primeiro Papa. Atos 15,7: durante o primeiro Concílio da Igreja, o Concílio de Jerusalém… Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e lhes disse: “Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo DEUS me escolheu dentre vós, para que da MINHA boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem.” Quem fez a escolha? Foi DEUS. Quem DEUS escolheu? Ele escolheu Pedro. Ora, isto é uma primazia. Alguns detratores da primazia de Pedro tentam mostrar que Tiago (At 15,13-21) tinha a primazia simplesmente porque era o Bispo de Jerusalém. Bom, ele pode ter sido Bispo de Jerusalém durante este Concílio, mas Pedro era o Bispo de todo o mundo. Leia At 1,8, onde Jerusalém era apenas uma das muitas igrejas locais (comunidades) a serem fundadas pelos Apóstolos. O Livro dos Atos, Apocalipse e alguns outros, registram mais de 30 locais adicionais para a Igreja além de Jerusalém. Jerusalém nem teria sido considerada pelos Apóstolos para ser a sede da Cristandade, já que eles haviam sido advertidos pelo Próprio Jesus Cristo de que a cidade iria ser totalmente destruída em breve. Esta profecia se cumpriu em 70 D.C. quando as legiões romanas realmente a destruíram. Leia Mateus 24 começando pelo versículo 15. Eusebius (263-339) Bispo de Cesaréia e conhecido como “O Pai da História da Igreja”, escreveu em “A História da Igreja”, volume 2 capítulo 1, “Mas Clemente no sexto livro de suas Hypotyposes escreve desta maneira: “Pois eles dizem que Pedro e Tiago e João depois da ascensão de nosso Salvador, como também teria preferido nosso Senhor, não lutaram por honra, mas escolheram Tiago como o justo bispo de Jerusalém”.” Primazia de Pedro: Mt 10,2; 16,15-19, Lc 22,24-33; 24,34, Jo 10,16; 21,1-11.15-19, At 2,14-41, At 5,29; 9,36-43; 10,1-48; 11,1-18, At 15,7, 1Cr 15,5. Os nomes de Pedro, que incluem Simão e Cefas, são mencionados mais vezes no Novo Testamento que os de qualquer outro Apóstolo. “Muito se sabe sobre Pedro. Pedro é mencionado 195 vezes, o resto dos Apóstolos somente 130 vezes. O mais próximo a Pedro mencionado em termos de frequência é João, do qual há 29 referências.” Arcebispo Fulton J. Sheen, “Life of Christ” (“Vida de Cristo”), página 106. O nome Tiago é mencionado num total de 38 vezes e deste número havia 2 pessoas: Tiago Maior e Tiago Menor. Então se dizem que Tiago Menor tinha a primazia, por que ele é mencionado tão poucas vezes comparado com Pedro? Toda vez que os nomes dos Apóstolos são listados, exceto por Gl 2,9, seu nome aparece primeiro. Em Mt 10,2 é até dito que Pedro é o primeiro: “Eis os nomes dos doze Apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro,…”. Veja também Mc 3,16, Lc 6,13-14, e At 1,13. O nome de Pedro aparece primeiro também quando 3 ou 4 dos Apóstolos são listados: Mt 17,1, Mc 5,37, Mc 9,2, Mc 13,3, Mc 14,33, Lc 5,8-10, Lc 8,51, Lc 9,28. Quanto a Gl 2,9, era costume então, como é até hoje, nomear o Bispo da Diocese primeiro. Se o Papa visitava uma Diocese, o Bispo seria nomeado antes dele, conforme o protocolo adequado. Em Gl 2, Pedro estava visitando Jerusalém, conforme indicam os versículos 1-8. Nunca deixa de me espantar o fato de que aqueles que negam a Primazia de Pedro, invariavelmente apontam para este único versículo onde Pedro é nomeado em segundo lugar e ignoram completamente os muitos versículos que listam o seu nome primeiro. Se Tiago tivesse a primazia conforme alguns gostariam que acreditássemos, então por que ele só é mencionado em primeiro lugar num único versículo? Através da história da nossa salvação, DEUS tem sempre providenciado uma ‘Figura Paterna‘ para guiar Seu povo. Alguns exemplos são: Noé, Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Davi, Salomão e Pedro e a sucessão de Papas. 50 versículos do Novo Testamento que mostram a “primazia” de São Pedro…. * Mateus 16,18: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” A “pedra” (em grego: “petra”) mencionada aqui é o próprio São Pedro, não a sua fé ou Jesus Cristo. Cristo aparece aqui não como o fundamento, mas como o arquiteto que “constrói”. A Igreja é erguida, não sobre confissões, mas sobre confessores – homens viventes (veja Pe 2,5). Hoje, o consenso esmagador da grande maioria dos estudiosos e comentadores é a favor do que a Igreja tradicionalmente entendeu. Aqui São Pedro é mencionado como a pedra-fundamental da Igreja, fazendo dele cabeça e superior da família de Deus – quer dizer, a semente da doutrina do papado. Mais ainda, “Pedra” incorpora uma metáfora aplicada a ele por Cristo num sentido análogo ao do Messias sofredor e desprezado (veja 1Pe 2,4-8; Mt 21,42). Sem uma fundação sólida a casa cai. São Pedro é a fundação, mas não o fundador da Igreja; administrador, mas não o Senhor da Igreja. O Bom Pastor (Jo 10,11) nos dá também outros pastores (Ef 4,11). * Mateus 16,19: “Eu te darei as chaves do Reino dos céus.” O “poder” das chaves tem a ver com a autoridade em assuntos de disciplina e administração eclesiástica com relação aos requisitos da fé, como em Isaías 22,22 (veja Is 9,6; Jó 12,14; Ap 3,7). De seu poder flui o uso de censuras, excomunhão, absolvição, disciplina batismal, a imposição de penalidades e poderes legislativos. No Antigo Testamento, um administrador, ou primeiro ministro, é um homem que está “encarregado de uma casa” (Gn 41,40; Gn 43,19; 44,4; 1 Rs 4,6; 16,9; 18,3; 2 Rs 10,5; 15,5; 18,18; Is 22,15, Is 20-21). * Mateus 16,19: “Tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” “Ligar” e “desligar” eram termos técnicos rabínicos que significavam “proibir” e “permitir” com referência à interpretação da lei e, secundariamente, “condenar”, “colocar sobre banimento”, ou “exonerar.” Dessa forma é dada a São Pedro e aos papas a autoridade de determinar as regras para doutrina e vida pela virtude da revelação e da orientação do Espírito (veja Jo 16,13), assim como demandar obediência por parte da Igreja. “Ligar e desligar” representam os poderes legislativo e judiciário do papado e dos bispos (Mt 18,17-18; Jo 20,23). São Pedro, entretanto, é o único apóstolo que recebe esses poderes pelo nome e no singular, dando-lhe assim a primazia. * O nome de Pedro aparece primeiro em todas as listas de Apóstolos (veja Mt 10,2; Mc 3,16; Lc 6,14; At 1,13). Mateus até o chama “o primeiro” (10,2). (Judas Iscariotes é invariavelmente mencionado por último.) * Pedro é quase sem exceção nomeado primeiro sempre que aparece mais alguém. Num exemplo do contrário, Gálatas 2,9, onde ele é listado depois de Tiago e antes de João, ele é claramente superior no contexto inteiro (veja, por exemplo, Gal 1:18-19; 2:7-8). Tomado em contexto, Paulo está em Jerusalém (2,1), a Sé de Tiago. O protocolo até hoje é que o Bispo da diocese seja mencionado primeiro antes de qualquer visitante ser mencionado, mesmo que seja o Papa. São Paulo estava meramente seguindo o protocolo adequado no versículo 2,9. * Somente Pedro entre os apóstolos recebe um nome novo, “Pedra”, conferido solenemente (Jo 1,42; Mt 16,18). * Cristo pede a Pedro três vezes para alimentar Suas ovelhas, é reconhecido por Jesus como o pastor-chefe depois dele mesmo (Jo 21,15-17), singularmente pelo nome, e sobre a Igreja universal, mesmo que outros tenham um papel similar, embora subordinado (At 20,28; 1 Pd 5,2). * Somente Pedro entre os apóstolos é mencionado pelo nome como tendo sido objeto de oração por parte de Jesus Cristo para que sua “fé não falhasse” (Lc 22,32). * Somente Pedro entre os apóstolos é exortado por Jesus a “fortalecer seus irmãos” (Lc 22,32). * Pedro é o primeiro a confessar a divindade de Cristo (Mt 16,16). * Somente a Pedro é dito que recebeu conhecimento divino por uma revelação especial (Mt 16,17). * Pedro é reconhecido pelos Judeus (At 4,1-13) como líder e representante da Cristandade. * Pedro é reconhecido da mesma forma pelas pessoas comuns (At 2,37-41; 5,15). * Jesus Cristo associou unicamente Pedro a ele próprio no milagre do dinheiro do tributo (Mt 17,24-27). * Cristo prega do barco de Pedro, e se segue a pesca milagrosa (Lc 5,1-11) talvez uma metáfora para o papa como um “pescador de homens” (Mt 4,19). * Pedro foi o primeiro apóstolo a ir e entrar no túmulo vazio (Lc 24,12; Jo 20,6). * Pedro é apontado por um anjo como o líder e representante dos apóstolos (Mc 16,7). * Pedro lidera os apóstolos na pesca (Jo 21,2-3.11). A barca de Pedro tem sido considerada pelos Católicos como uma figura da Igreja, com Pedro no leme. * Somente Pedro se atira ao mar para vir até Jesus (Jo 21:7). * As palavras de Pedro são as primeiras registradas e as mais importantes na Sala Superior antes de Pentecostes (At 1,15-22). * Pedro toma a liderança ao pedir um substituto para Judas (At 1,22). * Pedro é a primeira pessoa a falar (e o único a ser registrado) depois de Pentecostes, então ele foi o primeiro Cristão a “pregar o Evangelho” na era da Igreja (At 2,14-36). * Pedro faz o primeiro milagre da Era da Igreja, curando um homem aleijado (At 3,6-12). * Pedro pronuncia o primeiro anátema (Ananias e Safira) confirmado enfaticamente por Deus (At 5,2-11). * A sombra de Pedro faz milagres (At 5,15). * Pedro é a primeira pessoa depois de Cristo a ressuscitar os mortos (At 9,40). * Um anjo diz a Cornélio para procurar Pedro e receber instrução sobre o Cristianismo (At 10,1- 6). * Pedro é o primeiro a receber os pagãos, depois de uma revelação de Deus (At 10,9-48). * Pedro instrui os outros apóstolos sobre a catolicidade (universalidade) da Igreja (At 11,5-17). * Pedro é o objeto da primeira intervenção divina em nome de um indivíduo na Era da Igreja (um anjo o liberta da prisão – At 12,1-17). * A Igreja inteira (ênfase fortíssima) reza por Pedro “sem cessar” quando ele é preso (At 12,5). * Pedro preside e abre o primeiro concílio do Cristianismo, e determina princípios que depois são aceitos por este (At 15,7-11). * Paulo diferencia as aparições pós-ressurreição do Senhor a Pedro das aparições aos outros apóstolos (1 Cr 15,4-5). * Fala-se de Pedro frequentemente como distinto entre os apóstolos (Mc 1,36; Lc 9,28.32; At 2,37; 5,29; 1 Cr 9,5). * Pedro é frequentemente o representante dos outros apóstolos, especialmente em momentos climáticos (Mc 8,29; Mt 18,21; Lc 9,5; 12,41; Jo 6,67). * O nome de Pedro é sempre o primeiro a ser listado no “círculo interno” dos discípulos (Pedro, Tiago e João – Mt 17,1; 26,37.40; Mc 5,37; 14,37). * Pedro é frequentemente a figura central em relação a Jesus em cenas dramáticas do Evangelho, como por exemplo andar sobre as águas (Mt 14,28-32, Lc 5,1, Mc 10,28, Mt 17,24). * Pedro é o primeiro a reconhecer e a rejeitar heresia em Simão o Mago (At 8,14-24). * O nome de Pedro é mencionado com mais frequência do que o de todos os outros discípulos juntos: 191 vezes (162 como Pedro ou Simão Pedro, 23 como Simão e 6 como Cefas). João é o seguinte em termos de frequência com apenas 48 aparições, e Pedro está presente em 50 por centro do tempo no qual encontramos João na Bíblia. O Arcebispo Fulton Sheen calculou que todos os outros discípulos juntos foram mencionados 130 vezes. Se isto é correto, Pedro é citado em 60% do tempo no qual outro discípulo é citado. * A proclamação de Pedro em Pentecostes (At 2,14-41) contém uma interpretação da Escritura totalmente autoritária, uma decisão doutrinal e um decreto disciplinador com relação aos membros da “Casa de Israel” – um exemplo de “ligar e desligar”. * Pedro foi o primeiro “carismático,” tendo julgado com autoridade o primeiro exemplo do dom de línguas como sendo genuíno (At 2,14-21). * Pedro é o primeiro a pregar arrependimento e batismo Cristão (At 2,38). * Pedro (presumivelmente) toma a liderança no primeiro batismo em massa registrado (At 2,41). * Pedro ordenou que os primeiros Cristãos pagãos fossem batizados (At 10,44-48). * Pedro foi o primeiro missionário itinerante, e o primeiro a exercer o que agora seria chamado de “visita pastoral” (At 9,32-38.43). Paulo pregou em Damasco imediatamente depois de sua conversão (At 9,20), mas não tinha viajado para lá com este propósito (Deus mudou seus planos). Suas viagens missionárias começam em At 13,2. * Paulo foi a Jerusalém especificamente para ver Pedro por 15 dias no início de seu ministério (Gl 1,18), e fui incumbido por Pedro, Tiago e João (Gl 2,9) de pregar aos pagãos. * Pedro age, com forte ênfase, como bispo/pastor-chefe da Igreja (1 Pd 5,1), já que exorta a todos os outros bispos, ou “anciãos.” * Pedro interpreta profecia (2 Pd 1,16-21). * Pedro corrige aqueles que fazem mau uso dos escritos de Paulo (2 Pd 3,15-16). * Pedro escreveu sua primeira epístola de Roma, como seu bispo, e como o bispo universal (papa) da Igreja nascente, de acordo com a maioria dos estudiosos. “Babilônia” (1 Pd 5,13) é tida como um código para a Roma pagã. Esta seção de 50 Versículos do Novo Testamento foi escrita por: Dave Armstrong – Evangélico convertido ao Catolicismo. Pedro é a “Pedra” ou apenas uma “pedrinha”? Protestantes dizem que Pedro não é a “pedra” porque a palavra grega usada para “pedra” neste versículo significa uma pedrinha. Logo de início, é óbvio que existe um problema de tradução. Estudiosos têm determinado que Mateus não foi escrito em grego, mas sim em aramaico, e logo traduzido para o grego, então temos que ir à língua original na qual foi escrito para encontrar o significado verdadeiro deste versículo. Pedro foi chamado de “Cephas” ou “Kepha(s)” em aramaico, por Cristo em Mateus 16,18, e significa uma pedra enorme ou rocha. Ele disse isso em Cesaréia de Filipe, o local de uma enorme massa rochosa. Veja Mateus 16,13. A palavra aramaica para uma pequena pedra é “evna”. “Kepha”, quando traduzido para a língua grega significa “Petra” (uma grande rocha) ou “Petros” (uma pequena pedra). Entretanto, diferente das palavras aramaicas que não têm gênero, as palavras gregas têm, e “Petra” é feminino. Tradutores do Aramaico para o Grego mudaram a palavra para o gênero masculino ou “Petros” porque não queriam designar um homem com um nome de gênero feminino. Em Mateus 16,18, é correto dizer que Jesus teria dito: “Você é ‘Kepha’, e sobre esta ‘Kepha’, edificarei Minha Igreja.” Em grego, traduziria para: “Você é ‘Petros’, e sobre esta ‘Petra’, edificarei Minha Igreja.” Foi a tradução da palavra aramaica “Kepha” (Cephas), para a língua grega que causou a confusão entre alguns que acham que Pedro não é chamado “pedra, rocha”, mas apenas uma “pedrinha”. Mateus 16,13-18, João 1,42, 1Coríntios 1,12; 3,22; 9,5; 15,5, Gálatas 2,8-9 Acusadores alegam que Pedro não podia ser a rocha porque DEUS o é: 2 Samuel 22,2. Bom, a Escritura não chama apenas Pedro de rocha, mas também chama Abraão de rocha, em Isaías 51,1-2. Mais ainda, quem é a Luz do Mundo? É Jesus Cristo em João 8,12, mas são os Discípulos em Mateus 5,14. As palavras “Rocha” e “Luz do Mundo” não se limitam a descrever somente a DEUS, mas dependem do contexto e objetivo da mensagem. O mandato de Pedro: Aqui estão alguns dos atributos de Jesus Cristo que Ele transmitiu ou compartilhou com Pedro agindo por meio dele…Jesus é:Pedro é:O Bom Pastor: João 10,11-14Pastor da Igreja: João 21,17A Porta das Ovelhas: João 10,7João 20,21-23; 21,17A Rocha: 1Coríntios 10,4Mateus 16,18O Fundamento: 1Coríntios 3,11Mateus 16,18, Efésios 2,20O que carrega as chaves: Apocalipse 3,7Mateus 16,19Infalível: João 14,6Lucas 10,16; 22,28-32O Receptáculo da Palavra de DEUS: João 5,30Mateus 16,17, At 15,7Que Tem Autoridade: Mateus 28,18Mateus 18,15-20, At 2,14-40; 15,7Um Taumaturgo: Mc 2,2-12At 3,6-12; 5,15Capaz de ressuscitar os mortos: João 11,43-44At 9,36-42A Cabeça Invisível de Sua Igreja: Ef 5,23-24A Cabeça Visível da Igreja de Cristo: Mt 16,18 Os Pais da Igreja foram os mais próximos aos Apóstolos e, o que quer que tenhamos, veio a nós através deles. Para que alguém seja qualificado como um Pai da Igreja, é preciso que cumpra quatro condições. Tem que ter vivido antes do ano 800. O último Pai do Oriente foi São Damasceno 674-749, e do Ocidente foi o Santo Venerável Beda 672-735. Tem que ter seguido ensinamentos ortodoxos, fiéis às doutrinas verdadeiras da Igreja. Santidade: Todos os Pais maiores e a maioria dos menores são Santos canonizados, e viveram vidas virtuosas. Tinha que ter uma sanção da Igreja, uma aceitação geral. A Primazia de Pedro conforme escrita pelos Pais da Igreja… Cipriano, Unidade da Igreja Católica 4. J555-556, 251 D.C. Sobre ele Ele edifica a Igreja e a ele Ele dá o comando de alimentar as ovelhas (Jo 21,17); e embora Ele conceda um poder semelhante a todos os Apóstolos, Ele fundou uma única cátedra, e Ele estabeleceu por Sua própria autoridade uma fonte e uma razão intrínseca para aquela unidade. De fato, os outros também eram o que Pedro era; mas a primazia foi dada a Pedro, e assim se faz claro que só há uma Igreja e uma cátedra. Assim também são todos os pastores, e o rebanho é mostrado como sendo um, alimentado pelos Apóstolos de comum acordo. Se alguém não mantém fortemente esta unidade de Pedro, pode imaginar que ainda mantém a fé? Se ele abandona a cátedra de Pedro sobre a qual a Igreja foi erguida, ainda pode estar confiante de que está na Igreja? Orígenes, Comentários sobre João 5,3 J479a, 226 D.C. Pedro, sobre o qual é construída a Igreja de Cristo… Cornélio I, Papa, Carta a Cipriano Epist 49. J546-546a, 252 D.C. Nós não ignoramos o fato de que há um único DEUS, um único Cristo Senhor o qual confessamos, e um único Espírito Santo; e deve haver um bispo na Igreja Católica. Cipriano, Carta a Quintas 71,1. J592a, 254 D.C. Pois Pedro, a quem o Senhor escolheu primeiro e sobre quem Ele construiu Sua Igreja, quando Paulo mais tarde discordou dele acerca da circuncisão, não reivindicou nada para si mesmo insolentemente nem assumiu algo com arrogância, de forma que ele manteve a primazia e que deveria ser obedecido por noviços e por aqueles que chegaram mais recentemente. Firmiliano, Bispo, Carta a Cipriano 75,17 J602a, 255 D.C. A este respeito estou justamente indignado com essa estupidez tão aberta e evidente de Estêvão; que embora ele se glorifique tanto de seu bispado e afirme que é sucessor de Pedro, no qual os fundamentos da Igreja foram postos… Eusébio, História da Igreja 2:14:6. J651dd, 300 D.C. No mesmo reino de Claudio, a providência boníssima e cheia de graça que cuida de todas as coisas guiou Pedro, o grande e poderoso dos Apóstolos, que, por causa de sua virtude, foi o representante de todos os outros para Roma. Aphraates, Tratados 21:13 J693a, 336 D.C. E Jesus deu as chaves a Simão, e ascendeu e retornou Àquele que lhe enviara. St. Julio I, Papa, Carta aos Bispos de Antioquia 22:35. J806a, 337 D.C. Pois o que recebemos do Apóstolo Pedro, estas coisas lhes exprimo. Dâmaso, Decreto de Dâmaso 3. J910u,382 D.C. A primeira sé, portanto, é aquela de Pedro o Apóstolo, aquela da Igreja Católica Romana, que não tem mancha nem defeito ou algo semelhante. *S. Ambrósio de Milão, Sobre Doze Salmos 40:30+. J1261, 387 D.C. É ao próprio Pedro que Ele diz: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja (Mt 16,18).” Onde está Pedro, lá está a Igreja. E onde está a Igreja, não existe morte, mas sim vida eterna. Jerônimo, Carta ao Papa Dâmaso 15:2, J1346,1346a, 374 D.C. Não sigo a nenhum líder a não ser Cristo e não me junto a ninguém em comunhão a não ser sua santidade, que é a cátedra de Pedro. Sei que esta é a rocha sobre a qual a Igreja foi edificada. Quem quer que coma o Cordeiro fora desta casa é profanador. Quem quer que não esteja na arca de Noé vai perecer quando vier o dilúvio… Eu aceito aquele que se juntou à cátedra de Pedro. *St. Agostinho, Carta a Generosus 53:1:2. J1418, 400 D.C. Se a própria ordem de sucessão episcopal é considerada, quanto mais certa, verdadeira e seguramente a contamos vinda do próprio Pedro, a quem, como a um que representa a Igreja inteira, o Senhor disse: “Sobre esta pedra edificarei Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16,18).” Pedro foi seguido por Lino, Lino por Clemente, Clemente por Anacleto, etc… Veja esta lista completa da linha ininterrupta de Papas. *Agostinho, Sermões 295:2+. J1526, 391 D.C. Antes de Seu sofrimento o Senhor Jesus Cristo, conforme sabeis, escolheu Seus discípulos, aos quais Ele chamou Apóstolos. Entre estes Apóstolos em quase toda parte somente Pedro mereceu representar toda a Igreja. Por conta de representar a Igreja inteira, o que só ele podia fazer, mereceu ouvir: “Eu te darei as chaves do Reino dos céus (Mt 16,19).” Pedro Crisólogo, Carta a Eutyches 25:2. J2178, 449 D.C. Nós lhe exortamos em todo aspecto, irmão honorável, a prestar atenção obedientemente ao que foi escrito pelo Bentíssimo Papa da Cidade de Roma; pois o Bendito Pedro, que vive e preside em sua própria sé, dá a verdade da fé àqueles que a procuram. *S. Leão I, Papa, Carta aos Bispos da Província de Viena 10:1. J2178a, julho 445 D.C. Mas o Senhor desejou que o sacramento deste dom pertencesse a todos os Apóstolos de tal maneira que poderia ser encontrado principalmente no Beatíssimo Pedro, o maior de todos os Apóstolos. Leão I, Papa, Carta a Anastácio, Bispo de Tessalônica 14:11. J2179a, 446 D.C. Através deles o cuidado da Igreja Universal convergiria para a única sé de Pedro, e nada deveria estar em conflito com esta cabeça. Leão I, Papa, Sermões 4:2. J2191, 461 D.C. Do mundo inteiro somente um, Pedro, é escolhido para presidir sobre o chamado das nações, e sobre todos os outros Apóstolos, e sobre os pais da Igreja. * Nota: As referências Jxxxx são de: ‘The Faith Of The Early Fathers’ (“A Fé dos Primeiros Pais”), por William A. Jurgens Se Tiago, e não Pedro, tinha a primazia conforme alguns querem que acreditemos, então por que ele não é mencionado nem uma única vez por um único Pai da Igreja ou escritor antigo como sendo mantenedor deste ofício? Bob Stanley Fonte: Veritatis Splendor
- RESPONDENDO A ARGUMENTOS CONTRA A DOUTRINA DO PURGATÓRIO
Os católicos sabem que a doutrina do purgatório é uma das mais difíceis para o entendimento protestante e, por isso, freqüentemente estes argumentam contra esta baseando-se em idéias que são frutos justamente deste mal-entendido. Neste texto procuro considerar alguns argumentos protestantes contra o purgatório e confrontar com o real ensino da Igreja Católica sobre este tão mal compreendido tema. …Porque o Senhor vosso Deus é um fogo devorador, um Deus zeloso (Dt 4,24) Ele é precedido por um fogo que devora em redor os inimigos (Sl 96,3) Põe-me como um selo sobre o teu coração, como um selo sobre os teus braços; porque o amor é forte como a morte, a paixão é violenta como o sheol. Suas centelhas são centelhas de fogo, uma chama divina (Ct 8,6) A questão do purgatório envolve muitas outras questões essenciais a serem discutidas para que as pessoas entendam. Mas não podemos discutir por causa disso todos os dogmas cristãos, sendo assim, temos que nos esforçar ao máximo em focar apenas o núcleo do problema. São forjados textos para rejeitar a canonicidade dos livros deuterocanônicos, chamados pelos protestantes de ?apócrifos?, para argumentar contra a doutrina do purgatório. Mas se formos tomar este exemplo (a canonicidade dos livros bíblicos), teríamos que enveredar por vários outros campos para refutar tal hipótese, pois a rejeição à teologia do purgatório também envolve a questão das indulgências, da doutrina da justificação imputada, da doutrina da eleição de Calvino e da conseqüência da prática do dogma da Sola Scriptura. Se formos discutir todos estes temas para incluir o purgatório no meio deles, então não sairemos do lugar e poderíamos confundir ainda mais as pessoas. Existem certos parâmetros que devemos delimitar para que o entendimento seja bem absorvido, e as dúvidas que surjam sejam decorrentes deste entendimento que foi passado, e não do que se acha que foi passado, como bem fazem alguns protestantes. O que é o Purgatório? A Igreja Católica ensina o que é o purgatório no seu Catecismo, parágrafos 1030 a 1032, páginas 290 e 291. Vejamos o que ele diz: Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida a sua salvação eterna, passam, após a sua morte, por uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrarem na alegria do céu. A Igreja denomina purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao purgatório sobretudo no Concílio de Florença (1660) e de Trento (1661). Fazendo referência a certos textos da Escritura (1662), a tradição da Igreja fala de um fogo purificador. No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma que é a Verdade, dizendo que se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem no presente século nem no século futuro (Mt 12,32). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro (1663). Este ensinamento apóia-se também na prática da oração pelos defuntos, da qual já a Sagrada Escritura fala: ?Eis porque ele [Judas Macabeu] mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado? (2 Mac 12,46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico (1664), a fim de que, purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos: Levemo-lhes o socorro e celebremos a sua memória. Se os filhos de Jó foram purificados pelo sacrifício de seu pai (1665), por que duvidar de que as nossas oferendas em favor dos mortos lhes leve a alguma consolação? Não hesitamos em socorrer os que partiram e em oferecer as nossas orações por eles (1666). 1660. cf. DS 1304 ? 1661. cf. DS 1820; 1580 ? 1662. Por exemplo 1 Cor 3,15; 1 Pd 1,7 ? 1663. S. Gregório Magno, Dial. 4,39 ? 1664. cf. DS 856 ? 1665. cf. Jó 1,5 ? 166. S. João Crisóstomo, Hom. In 1 Cor 41,5: PG 61,594-595. Diante do ensino oficial da Igreja Católica podemos dizer agora o que o purgatório não é: 1 O purgatório não é uma segunda chance para a salvação, como afirmam os protestantes quando citam passagens como Tt 1,14 e Ef 1,7. O Catecismo deixa bem claro que as almas no purgatório possuem a garantia da salvação eterna. 2 ? A prática de oração aos mortos não foi ?inventada? pela Igreja Católica, que somente a definiu, ou seja, organizou as idéias a seu respeito. Esta prática está descrita já em 2 Mc 12,46. Sobre este livro falaremos depois. 3 O ?fogo? no purgatório é diferente do ?fogo? do inferno. Este é um fogo de tristeza e de dor, aquele é um fogo purificador. 4 O purgatório não é uma passagem obrigatória, mas somente aos que não atingiram a santificação necessária para ver a Deus. Muito bem, existem outras coisas que o purgatório não é, mas podemos deixar para mais adiante à medida que for desenvolvendo o texto. Porque os protestantes rejeitam a doutrina do purgatório? Bem, existem vários motivos. Existem aqueles protestantes que o rejeitam somente porque se trata de um ensino da Igreja Católica, e assim como fazem com tudo o que vem dela, a rejeitam, sem ao menos saber porquê. Existem os que o rejeitam pela tradição teológica dos reformadores. A formulação do dogma da Sola Fide e da doutrina da eleição de Calvino deixou uma herança que não dá margens para uma possibilidade ou necessidade de purificação do homem. O fato histórico de Lutero ter retirado o Livro dos Macabeus, junto com outros 6 livros da Bíblia, também gerou a confusão entre os protestantes em achar que tal ensinamento não se encontra na Bíblia. Destarte, muitos dizem que não aceitam tal doutrina porque não está na Bíblia. Ora, as grandes verdades que dão razão de ser do cristianismo são o mistério da Santíssima Trindade e o da Encarnação do Verbo. Onde, por acaso, vemos as palavras ?Santíssima Trindade? ou ?Encarnação? na Bíblia? Não é porque a Bíblia não cita a palavra ?purgatório? que devamos rejeitá-la, senão deveríamos proceder com os mesmos mistérios apontados acima e outros tantos mais. Existe alguma necessidade de nos purificarmos para podermos entrar no céu, onde ?não entrará nada impuro? (Ap 21,27)? Segundo o Antigo Testamento, o que está destinado ao serviço de Deus deve ser perfeito. Mesmo os animais para o sacrifício devem ser perfeitos. Não oferecereis ao Senhor animal algum cego, estropiado, mutilado, atacado de úlcera, de sarna ou de dartro; não fareis dele um holocausto ao Senhor sobre o altar (Lv 22,22) Da mesma forma os sacerdotes e ministros de culto. Dize a Aarão o seguinte: homem algum de tua linhagem, por todas as gerações, que tiver um defeito corporal, oferecerá o pão de seu Deus. Desse modo, serão excluídos todos aqueles que tiverem uma deformidade: cegos, coxos, mutilados, pessoas de membros desproporcionados, ou tendo uma fratura no pé ou na mão, corcundas ou anões, os que tiverem uma mancha no olho, ou a sarna, um dartro, ou os testículos quebrados. Homem algum da linhagem de Aarão, o sacerdote, que for deformado, oferecerá os sacrifícios consumidos pelo fogo. Sendo vítima de uma deformidade, não poderá apresentar-se para oferecer o pão de seu Deus. Mas poderá comer o pão de seu Deus, proveniente das ofertas santíssimas e das ofertas santas. Não se aproximará, porém, do véu nem do altar, porque é deformado. Não profanará meus santuários, porque eu sou o Senhor que os santifico (Lv 21,17-23) A perfeição deve corresponder de uma entrega total a Deus de acordo com os ensinamentos de sua Lei. Que o vosso coração seja todo para o Senhor, nosso Deus, sem reserva, a fim de que andeis segundo as suas leis e observeis os seus preceitos, como hoje o fazeis (1 Rs 8,61) Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças (Dt 6,5) Mas como pode um pecador atingir este estado de perfeição? O Salmo 50 pode nos ajudar: Só contra vós pequei, o que é mau fiz diante de vós. Vossa sentença assim se manifesta justa, e reto o vosso julgamento… Aspergi-me com um ramo de hissopo e ficarei puro. Lavai-me e me tornarei mais branco do que a neve… Ó meu Deus, criai em mim um coração puro, e renovai-me o espírito de firmeza… Deus, ó Deus, meu salvador, livrai-me da pena desse sangue derramado, e a vossa misericórdia a minha língua exaltará… (Sl 50,6.9.12.16) O Novo Testamento reafirma ainda mais a nossa necessidade de buscarmos a nossa santificação: Depositários de tais promessas, caríssimos, purifiquemo-nos de toda imundície da carne e do espírito, realizando plenamente nossa santificação no temor de Deus (2 Cor 7,1) Para que nos preparemos para ?que ele confirme os vossos corações, e os torne irrepreensíveis e santos na presença de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos!? (1 Tes 3,13). Existem aqueles que não atingem este grau de perfeição exigido, devido a fraqueza da natureza humana. Sabemos, de fato, que a lei é espiritual, mas eu sou carnal, vendido ao pecado? (Rm 7,14) e por isso o homem pode não atingir esta perfeição. Mas, como ensina a Igreja, como o próprio apóstolo Paulo escreve, existem pessoas que serão salvas, ?mas como que através do fogo? (1 Cor 3,15). Estas pessoas são aquelas cuja obra não foi devidamente perfeita. O purgatório não é nada mais que a purificação final. A doutrina do purgatório, ao contrário do que pensam os protestantes, não se baseia somente no livro de Macabeus. Ela não se encontra explícita na Escritura, mas esta traz sua idéia implícita. Alguns rejeitam esta forma de entendimento, pois somente aceitam o que se pode perceber de imediato, como vemos com os fundamentalistas protestantes (a suposta “claridade das Escrituras“). Mas os próprios protestantes aceitam que existam doutrinas que sejam determinadas, mesmo estando implícitas nas Escrituras. CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE 1689 7. Na Escritura não são todas as coisas igualmente claras, nem igualmente evidentes para todos.? Passemos agora a analisar as passagens que a Igreja usa para testificar a existência de uma purificação final aos imperfeitos ?que morreram na amizade de Deus?. 2 Mac 12,46 O texto diz: Era esse um bom e religioso pensamento; eis por que ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas Mas só este texto não basta. Os protestantes fazem objeção ao grau de pecado dos judeus que acompanhavam Judas Macabeu e à canonicidade do próprio Livro. Bem, vejamos uma coisa: A Igreja Católica diz que a prática de oração expiatória aos mortos já era feita desde tempos antes de Cristo, já na época dos Macabeus ou até mesmo antes. Para isso não há necessidade nenhuma de considerar o Livro dos Macabeus como inspirado. Se não é inspirado, como dizem os protestantes, que não possuem a autoridade necessária para determinar se algum livro bíblico é inspirado ou não, é, no mínimo, um livro histórico que apresenta a todos um fato! E isso os protestantes não podem negar. Negue-se a autoridade canônica do livro, mas não neguem que ele foi escrito em algum momento da história de Israel. Além do mais, na Bíblia Católica, os livros dos Macabeus são incluídos no grupo dos livros históricos. Portanto, existia, de fato, a prática de oração aos mortos na antiga Israel. Um argumento protestante diz: Devemos notar também que muito, muito ao contrário do que os católicos afirmam de que o ensinamento sobre o Purgatório tem raízes já na crença dos próprios judeus, cerca de 200 anos antes de Cristo, quando ocorreu o episódio de Judas Macabeus é uma mentira…!!! Querem usar um apócrifo para sustentar o purgatório.? Vejamos que não é mentira nenhuma, pois o livro não foi escrito por um autor católico, mas um autor Judeu, e se o argumento protestante nega a autoridade do livro, não pode, sob hipótese alguma, negar a historicidade do livro. Também dizem que: A referência mais antiga ao cânon hebraico é do historiador judeu Josefo (37-95 AC)?. Mas esquece de dizer que não existia nenhum cânon definitivo até o fechamento (questionável, diga-se) do cânon hebraico em Jâmnia na Palestina, onde ficaram de fora os 7 livros encontrados no cânon dos judeus de Alexandria, por exemplo. O Cânon do Antigo Testamento não foi definido por critério de inspiração pelo Espírito Santo pelo fato de que tal Cânon é da religião judaica e por isso estes (os judeus) excluem que haja um ?Espírito Santo? que inspire autores a escrever. O Cânon palestinense foi definido com bases na língua escrita e em fatores patrióticos e políticos (e, porque não, anti-cristãos…). Existe ainda um livro, este sim ?apócrifo?, chamado ?A Vida de Adão e Eva? que retrata Adão à espera do regozijo: ?…Ele ficará até o dia do julgamento nos últimos tempos, quando tornarei seu pesar em regozijo? (A Vida de Adão e Eva, 46,7). Este livro a Igreja Católica não considera como canônico, mas nunca negou que apresenta uma crença histórica. Dizem ainda: Usam este livro apócrifo, que serve apenas para revelar o costume pagão de alguns judeus, e que não deveria, evidentemente, ser tomado como norma para o povo de Deus, para provar a doutrina do Purgatório? Vou analisar cada frase usada neste argumento: 1 – ?Vocês usam este livro apócrifo? Primeiro, este livro não é apócrifo para todos os cristãos. Os cristãos orientais negam a autoridade do Papa, mas consideram este livro como canônico. Os protestantes negam a autoridade do Papa, e negam este livro. O porquê está no fato de Lutero ter retirado este livro juntamente com outros 6, e, se não fosse impedido por outros reformadores, o livro de Tiago, chamado por ele de ?verdadeira epístola de palha? onde “nada de evangélico existe”, também iria junto, por refutar sua nova doutrina da salvação somente pela fé. Se o livro de Macabeus deve ser apócrifo, e os protestantes baseiam-se somente na Bíblia para determinar em quê acreditar, então esta determinação deveria estar na Bíblia, o cânon de quais livros os cristãos deveriam aceitar ou não, deveria vir nas Escrituras. Mas o fato é que não veio. 2 – Que serve apenas para revelar o costume pagão de alguns judeus? Ora, o costume da oração aos mortos tinha um objetivo: Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. Mas, se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento; eis por que ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas (2 Mac 12,43-46) A prática se deu pela crença na ressurreição dos mortos, que é uma crença cristã. Logo o costume pagão? a que o argumento se refere é a crença cristã na ressurreição dos mortos. 3 – Não deveria, evidentemente, ser tomado como norma para o povo de Deus, para provar a doutrina do Purgatório? O argumento atrela a necessidade da crença na doutrina de acordo com a quantidade das pessoas que crêem nela. Bem, vejamos que alguns protestantes são adeptos das doutrinas teológicas de João Calvino (TULIP), e sei que somente uma pequena parte dos protestantes hoje em dia aceita tal sistema, pois a maioria tem tendência arminiana. Será que os calvinistas não gostariam que a sua teologia (?de alguns cristãos?) fosse aceita como norma para o povo de Deus inteiro, por acharem-na a verdadeiramente correta? Bem, existe um problema para resolver. Ele consiste em dizer que, pelo fato de terem sido encontradas imagens de ídolos junto aos corpos dos soldados de Judas Macabeu, o que a lei judaica proíbe, os mesmo praticaram pecado mortal, e portanto não poderiam receber a expiação tentada por Macabeu, pois o pecado mortal leva ao fogo eterno, necessariamente. “Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas? (1 Cor 6,9) Outra passagem: “O sangue de Jesus Cristo que nos purifica de todo pecado” (1 Jo 1.7) E por fim os protestantes alertam: ?todo pecado é todo pecado?. Será que entre ?todo pecado? o pecado da idolatria se inclui? Jesus o faz: Por isso, eu vos digo: todo pecado e toda blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não lhes será perdoada? (Mt 12,31) Por isso sabemos que mesmo o pecado da idolatria pode ser perdoado. Os soldados de Macabeu praticaram a idolatria, mas ao morrerem estavam servindo a Deus, mesmo que carregando ídolos, o que foi a causa de sua morte. Eles morreram pelo pecado cometido, o que configura sua pena temporal, mas estavam atuando na obra de Deus, na ?amizade de Deus? como diz o catecismo, o que não lhes imputava a pena eterna. Mesmo existindo entre os soldados de Macabeu alguns que praticaram a idolatria, Deus não deixou de estar com eles: Sob a proteção do Senhor, Macabeu e seus companheiros retomaram o templo e a cidade? (2 Mc 10,1) E mesmo possuindo o pecado, fizeram o que era da vontade de Deus: Destruíram os altares que os estrangeiros haviam edificado na praça pública, como também os troncos sagrados. Após terem purificado o templo, erigiram um outro altar dos perfumes; utilizaram uma pedra para tirar faíscas das quais eles se serviram para oferecer os sacrifícios, após dois anos de interrupção; queimaram o incenso, acenderam as lâmpadas e recolocaram os pães da proposição? (2 Mac 10,2-3) E nunca se esqueciam de louvar a Deus por isso: Foi assim que, levando tirsos, ramos verdejantes e palmas, cantaram hinos àquele que lhes havia concedido a dita de purificar o seu templo? (2 Mac 10,7) E para suas batalhas, Macabeu e seus companheiros sempre pediam o auxílio de Deus: Então Macabeu com seus companheiros atacaram as fortalezas da Iduméia, após haver rezado e invocado o auxílio de Deus? (2 Mac 10,16) E o Senhor os ouvia: Ao despontar a aurora, travaram combate os dois lados, contando uns com o êxito e a vitória, por causa de sua valentia e do socorro do Senhor, e os outros entregando-se ao combate, apoiados no próprio furor? (2 Mac 10,28) E sempre após cada vitória, louvavam ao Senhor, que os concedia a fortaleza. Após essa façanha, cantaram hinos e cânticos ao Senhor, que havia operado grandes prodígios em favor de Israel, concedendo-lhe a vitória? (2 Mac 10,38) Vejam que mesmo estando alguns deles em pecado, Deus não os abandonou, simplesmente porque agora estavam realizando a sua vontade. Por isso os companheiros de Judas Macabeu, apesar do pecado, morreram piedosamente, e ele, por crer na ressurreição dos mortos, mandou realizar a oração expiatória em favor deles, o que seria supérfluo se não cressem nesta ressurreição. Ora, sob a túnica de cada um encontraram objetos consagrados aos ídolos de Jânia, proibidos aos judeus pela lei: todos, pois, reconheceram que fora esta a causa de sua morte. Bendisseram, pois, a mão do justo juiz, o Senhor, que faz aparecer as coisas ocultas, e puseram-se em oração, para implorar-lhe o perdão completo do pecado cometido. O nobre Judas falou à multidão, exortando-a a evitar qualquer transgressão, ao ver diante dos olhos o mal que havia sucedido aos que foram mortos por causa dos pecados. Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. MAS, SE ELE ACREDITAVA QUE UMA BELA RECOMPENSA AGUARDA OS QUE MORREM PIEDOSAMENTE, era esse um bom e religioso pensamento; eis por que ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas? (2 Mac 12,40-46) Desta forma percebemos que os companheiros de Judas Macabeu não permaneceram no pecado, ainda que os tivessem cometido. Deus não os rejeitou nas suas orações de ajuda e escutava seus louvores. Morreram por causa do pecado, mas não cometendo o pecado, mas sim praticando a vontade de Deus. Por isso eles estavam passíveis de uma purificação, e não destinados ao inferno, a pena eterna. Sabemos que Deus não resiste ao pecador que se dirige a Ele: Meu sacrifício, ó Senhor, é um espírito contrito, um coração arrependido e humilhado, ó Deus, que não haveis de desprezar? (Sl 50,19) Sabemos que Deus ?destrói a casa dos soberbos? (Pv 15,25) e que ?Deus resiste aos soberbos, mas dá sua graça aos humildes? (Pr 3,34). Não podemos negar que os soldados de Macabeu, ainda que carregassem ídolos, não se humilharam diante de Deus e o louvaram. E sabemos que todo pecado é passível de perdão. Mas os protestantes poderiam dizer que o pecado da idolatria leva incondicionalmente à morte e suponhamos que eu aceite esta definição. Sabemos que o pecado da idolatria está enumerado ao lado do pecado do adultério (1 Cor 6,9). Todo mundo aqui sabe da história de adultério de Davi com a esposa de Urias. Pois bem. Sobre isso vejam o que aconteceu: Natã disse então a Davi: Tu és esse homem. Eis o que diz o Senhor Deus de Israel: ungi-te rei de Israel, salvei-te das mãos de Saul, dei-te a casa do teu senhor e pus as suas mulheres nos teus braços. Entreguei-te a casa de Israel e de Judá e, se isso fosse ainda pouco, eu teria ajuntado outros favores. Por que desprezaste o Senhor, fazendo o que é mau aos seus olhos? Feriste com a espada Urias, o hiteu, para fazer de sua mulher a tua esposa, e o fizeste perecer pela espada dos amonitas. Por isso, jamais se afastará a espada de tua casa, porque me desprezaste, tomando a mulher de Urias, o hiteu, para fazer dela a tua esposa. Eis o que diz o Senhor: vou fazer com que se levantem contra ti males vindos de tua própria casa. Sob os teus olhos, tomarei as tuas mulheres e dá-las-ei a um outro que dormirá com elas à luz do sol!? (2 Sm 12,7-11) Segundo o entendimento protestante, Davi estaria destinado ao inferno definitivamente. Mas vejamos a seqüência da história. Davi disse a Natã: Pequei contra o Senhor. Natã respondeu-lhe: O Senhor perdoa o teu pecado; não morrerás. Todavia, como desprezaste o Senhor com essa ação, morrerá o filho que te nasceu.. O Senhor feriu o menino que a mulher de Urias tinha dado a Davi, e ele adoeceu gravemente. Davi suplicou ao Senhor pelo menino; jejuou e passou a noite em sua casa prostrado por terra, vestido com um saco. Os anciãos de sua casa, de pé junto dele, insistiam em que ele se levantasse do chão, mas ele não o quis, nem tomou com eles alimento algum. Ao sétimo dia, morreu o menino? (2 Sm 12,13-18a) Vemos que Davi ?desprezou o Senhor? pelo seu pecado, e foi castigado com a morte do seu filho (pena temporal). Porque então deveríamos negar que o mesmo ocorreu com os companheiros de Macabeu? Sabemos de antemão que Deus não faz acepção de pessoas e que Davi não morreu apenas por ser Davi, mas porque reconheceu o erro, quis permanecer ?na amizade de Deus?. Da mesma forma os soldados de Judas Macabeu. Mas ainda é bom atentar para um interessante fato. Os protestantes dizem que o costume de orar pelos mortos é um costume pagão e que poucos judeus o faziam. Bem, já mostrei que não era nada de costume pagão, mas não mostrei a outra parte. Na verdade não são poucos judeus que faziam a oração pelos mortos, mas muitos judeus fazem a oração pelos mortos, mantendo este ?costume pagão? até os dias de hoje. Os judeus possuem uma oração feita após a morte de alguém, por esse alguém! Os judeus ortodoxos acreditam que exista um lugar de purificação final que chamam de Gehenom?. Quando morre um judeu ocorre a prática do ?Taharh? onde se realiza a ?Chevra kaddisha — gmilat khessed shel emet? que podemos abreviar por ?Chevra Kadisha? ou simplesmente ?Kaddish?. Nesta oração os judeus pedem a clemência pelos pecados que a pessoa cometeu. Rezam esta oração por 11 meses. Vamos agora para Mt 12,31-32 Por isso, eu vos digo: todo pecado e toda blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não lhes será perdoada. Todo o que tiver falado contra o Filho do Homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro? O argumento protestante entende esta passagem desta forma: ?Em Mateus 12.31, Jesus simplesmente enfatiza a gravidade do pecado contra o Espírito Santo, dizendo que o perdão é impossível, não importando o tempo e o espaço?. O Evangelho de Mateus no mostra um belo confronto entre os fariseus e Cristo. Estes o estavam acusando de possuir autoridade sobre os demônios pelo poder de Belzebu, que é o príncipe dos demônios (Mt 12,24). Vejamos: Mas, ouvindo isto, os fariseus responderam: É por Beelzebul, chefe dos demônios, que ele os expulsa? E por isso Jesus os adverte quanto ao pecado contra o Espírito Santo (Mt 12,31-32). O que se diz por ?tempo e espaço? Jesus diz por ?neste século ou no século vindouro (que virá)?. Se este pecado, o contra o Espírito Santo, é o único que não pode ser perdoado nem neste século nem no século que virá (a Bíblia TEB traduz esta parte como ?mundo vindouro?, assim com traduções protestantes), é porque existem pecados que poderão ser perdoados no século vindouro. Para auxiliar o entendimento desta passagem devemos ler Mt 5,23-26: ?Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta. Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo? Com entender as últimas palavras: dali não sairás até teres pago o último centavo? Jesus está se referindo a uma imagem escatológica. O Juiz jogará quem ainda tem alguma dívida numa ?prisão?. Jesus alerta para não haver demora no ?acordo com o teu irmão?, pois o ?juiz? está a caminho. De onde é ?dali?? Ora, sabemos que do inferno ninguém sai. É um dos dois únicos lugares eternos. Sabemos também que no céu ?nada de impuro pode entrar? (Ap 21,27). Deste lugar há possibilidade de sair, mas sob o ?pagamento até do último centavo?, ou seja, até que o que causou a sua ?entrada? seja equacionada. Não pode ser o inferno, pois de lá ninguém sai, não pode ser o céu, pois se ainda se têm ?algo a pagar? lá não se entra. Somente a existência de um estado intermediário, temporário, uma purificação final, dá sentido a esta passagem. Com isso podemos passar para 1 Cor 3,12-15 para complementar este entendimento. Agora, se alguém edifica sobre este fundamento, com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com madeira, ou com feno, ou com palha, a obra de cada um aparecerá. O dia (do julgamento) demonstrá-lo-á. Será descoberto pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo? Desta forma os protestantes interpretam: ?O assunto de 1 Coríntios 3.15 gira em torno dos cristãos que hão de comparecer ao Tribunal de Cristo (Bema – palavra grega que significa pódio). Não para sermos julgados, mas, sim, galardoados. Nesse Tribunal, as pessoas receberão suas recompensas de acordo com as obras que realizaram (Ver 2 Co 5.10)?. A passagem diz que no dia do julgamento nossas obras aparecerão, e o fogo provará o trabalho de cada um. O argumento protestante diz que os cristãos hão de comparecer ao tribunal, mas não para serem julgados. Pra que serve o fogo, então? A recompensa que o texto se direciona é a nossa salvação. O autor da obra que foi provada pelo fogo e que provou ser resistente, receberá a salvação. Porém se a obra de alguém ?pegar fogo?, por ter ?construído com madeira feno e palha?, este não será recompensado da mesma forma que o anterior. Ele deverá arcar com os danos da sua obra ?queimada?, pois estava imperfeita, vacilante. Entretanto sua salvação está assegurada, porém ?como que passando pelo fogo?. O que São Paulo quer dizer? Ele não está se referindo ao inferno, pois as pessoas que se submeterão a este ?fogo purificador? serão salvas, enquanto que aqueles condenados ao inferno estão para sempre perdidos. E também não pode ser o céu, pois ele se refere a ?arcar com os danos?, e no céu ninguém ainda ?arca com os danos? de nada, pois lá Deus ?enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição? (Ap 21,4) A Bíblia nos mostra que Deus é um ?fogo devorador? (Hb 12,28). O que São Paulo quer dizer é que Deus, quando nos traz a si após a morte para o julgamento, há um processo de purificação pelo fogo da presença de Deus. É Deus quem nos purifica das obras imperfeitas, simbolizadas na madeira, na palha e no feno. E esta purificação é necessária, porque, como já mostrei, a Bíblia diz que no céu (a Nova Jerusalém) ?nada de impuro pode entrar? (Ap 21,27). Esta imagem bíblica da pessoa sendo purificada pelas suas obras imperfeitas, mas obtendo a salvação, é o puro ensino da Igreja Católica sobre o purgatório. Uma das maiores objeções ao purgatório é que dizem que ele nega o sacrifício de Cristo. Este sacrifício foi suficiente? Claro! É suficiente para nos redimir e permitir que o Espírito Santo nos santifique. Esta é a obra do Espírito Santo, nos purificar e nos santificar. O purgatório não é uma ?segunda chance? de salvação, pelo qual aqueles que rejeitaram a Cristo possam ?ganhar a salvação?. Jesus é claro em dizer que aquele que se recusa a segui-lo é culpado: ?Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; por que não crê no nome do Filho único de Deus? (Jo 3,18). A purificação final somente é concedida aos que se reconciliaram com Deus nesta vida. Os protestantes citam Fl 1,21-23 e 1 Cor 5,8 para defender a máxima de que quando o cristão morre automaticamente vai para o céu. Fl 1,21-23 (versão TEB) ?Pois para mim viver é Cristo e morrer um ganho. Mas se viver neste mundo me permite um trabalho fecundo, não sei o que escolher. sinto o desejo de partir e estar com cristo, o que é muito preferível? Ora, Paulo exprime o desejo de ?sair? do corpo e estar com Cristo, mas qual cristão não o quer??? Paulo exprime o seu desejo, mas não significa que de fato o obtenha. Por isso não há porque entender que sair do corpo é o mesmo que estar automaticamente no céu. E este versículo não serve para refutar a doutrina do purgatório, pois de uma forma ou de outra todas as almas no purgatório estão em direção ao céu, da mesma forma como ficaram à espera do paraíso as principais figuras do Antigo Testamento. Hb 11,13.16: ?Todos estes morreram sem ter alcançado a realização das promessas…Por isso Deus não se envergonha de ser chamado seu Deus; de fato, ele preparou-lhes uma cidade?. É-nos questionado também sobre o destino de São Dimas, o ?bom ladrão? da tradição cristã. Sobre esta questão lemos em Lc 23,43: ?Jesus lhe respondeu: ?Em verdade eu te digo, hoje, estarás comigo no paraíso??. Bem, sabemos que a salvação depende somente da graça de Deus, sem a participação anterior de nossas obras. O ladrão no momento mais crítico da paixão de Cristo o defendeu ?…mas ele não fez nada de mal? (v. 40) e apelou para Jesus ?Jesus, lembra-te de mim quando vieres como Rei? (v. 42) então Jesus aceitou sua oração ?Em verdade eu te digo, hoje, estarás comigo no paraíso? (v. 43). O que aconteceu é que, pelo menos implicitamente, o bom ladrão pediu a Cristo pela sua salvação. Devido a esta sua atitude de reconhecimento do pecado e da fé, ele recebeu o perdão de todos os seus pecados e penas temporais. Portanto não havia necessidade de purgatório para ele. Portanto este texto não serve para refutar a doutrina do purgatório. Dizem ainda ?O purgatório é uma invenção papista – inspirada por Satanás – das mais perniciosas porque ela termina por perverter a soteriologia bíblica inteiramente ao inverter o sentido da expiação dos pecados, tirando o foco da cruz de Cristo e Sua obra substitutiva, transferindo-o para o homem em uma suposta obra auto-expiatória, através de sofrimentos em um processo de purificação pós-morte.? De fato Cristo nos conseguiu tudo para nossa salvação através de seu sacrifício na cruz, entretanto Ele em lugar algum nos impede de termos parte de nossa salvação através de sacrifícios, seja na terra, seja no purgatório. Deus escolheu para nós a melhor forma de alcançarmos o paraíso, que é participar com o seu filho em nossa salvação, e Ele faz isso, em parte, por permitir que carreguemos nossas próprias cruzes e nos permitindo sofrer: Agora encontro minha alegria nos sofrimentos que suporto por vós; e o que falta às tribulações de Cristo, eu os completo em minha carne em favor do seu corpo que é a Igreja? (Cl 1,24). Qual a necessidade de Paulo sacrificar sua carne se o sacrifício de Cristo não o levaria a isto? O purgatório não é algo que desvie este único sacrifício de Cristo, mas é onde nós poderemos terminar nossa purificação, nossa santificação, pelo poder de Deus e não nosso, sem a qual ninguém vê a Deus, se assim precisarmos. A propósito, algum protestante aceita a teologia do purgatório? Bem, alguns… O teólogo anglicano C.S. Lewis escreveu em sua ?Carta a Malcom?, refutando a posição protestante contra a necessidade do purgatório: Nossas almas exigem o purgatório, não é mesmo? Não nos quebraria o coração se Deus nos dissesse, ?é verdade, meu filho, que tu não cheiras bem, que tuas vestes são surradas e derramam lama e lodo, mas aqui somos caridosos e ninguém irá te reprovar por você ser assim, muito menos te enviará de volta. Regozije-se conosco?. Por acaso não responderíamos ?Com submissão meu Senhor, e se não houver nenhuma objeção, eu prefiro me limpar antes?. ?Há sofrimento, sabias disso??. ?Ainda assim, meu Senhor??. Jerry L. Walls, professor de filosofia e religião no Asbury Theological Seminary ? presbiteriano – escreveu um artigo à revista teológica protestante ?First Things? chamado ?Purgatório para Todos? (Purgatory for Everyone) onde ele analisa a teologia protestante sobre a justificação pela fé e o purgatório. Ele diz: ?Alguns protestantes continuam insistindo em dizer que o purgatório rejeita a justificação pela fé? e que ?é uma inovação separar justificação de santificação?. Ele ainda diz que ?pelo fato de a justificação não nos tornar efetivamente justos, é simplesmente irrelevante que se negue o purgatório?. O purgatório não é uma invenção papista, como foi atentado. Qual foi o Papa que ?inventou? o purgatório? E sobre os antigos e os atuais judeus, que rezaram pelos mortos e ainda o fazem utilizando o Kaddish? Os judeus e cristãos ortodoxos, ainda que não contenham a doutrina do purgatório, entendem perfeitamente a existência de uma purificação final. Vejamos mais. O purgatório é a palavra latina para o hebraico Sheol e o grego Hades. E nas Escrituras nós podemos encontrar referências que mencionam um estado que não é nem o inferno e nem o céu. No Antigo Testamento este estado é descrito por Sheol, no grego Hades. Alguém pode até pensar que Sheol (Hades) é igual ao inferno no AT, mas a Bíblia faz a diferença, pois ?inferno? na Escritura é descrito como Gehenna, o lago de fogo dos condenados (Mc 9,434-47; Mt 5,22-30). A Escritura diz, no AT, que as almas dos justos e dos ímpios, iam para o Sheol: Um mesmo destino para todos: há uma sorte idêntica para o justo e para o ímpio, para aquele que é bom como para aquele que é impuro, para o que oferece sacrifícios como para o que deles se abstém. O homem bom é tratado como o pecador e o perjuro como o que respeita seu juramento? (Ecl 9,2) E neste lugar não importa o que se havia feito anteriormente, é para lá que se vai depois da morte: Tudo que tua mão encontra para fazer, faze-o com todas as tuas faculdades, pois que na região dos mortos, para onde vais, não há mais trabalho, nem ciência, nem inteligência, nem sabedoria? (Ecl 9,10) Esta posição sobre o Sheol é confirmada por São Paulo quando diz que ?foi na fé que todos (nossos pais) morreram. Embora sem atingir o que lhes tinha sido prometido? e esperavam no Sheol pelo que havia sido prometido ?Eles aspiravam a uma pátria melhor, isto é, à celestial. Por isso, Deus não se dedigna de ser chamado o seu Deus; de fato, ele lhes preparou uma cidade? (Hb 11,13.16). Sabemos que Davi é servo de Deus, mas Lucas diz que ?Davi pessoalmente não subiu ao céu? (At 2,34), e sabemos que Davi não foi ao inferno. Muito menos foi para sair depois de lá. Desta forma, o Sheol contém as almas daqueles que foram justos, mas também dos ímpios. Isto tudo mudou com a morte e ressurreição de Jesus. ?Porque Deus, que tinha para nós uma sorte melhor, não quis que eles (as almas no Sheol ? adendo meu) chegassem sem nós à perfeição?. Jesus veio e retirou as almas dos justos do Sheol e deixou os ímpios. Como ele fez isso? Depois que Cristo ?padeceu a morte na carne? (1 Pd 3,18) Ele desceu ao Sheol e ?foi pregar aos espíritos que eram detidos no cárcere, àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes? (1 Pd 3,19) e Jesus pregava o Evangelho ?também aos mortos; para que, embora sejam condenados em sua humanidade de carne, vivam segundo Deus quanto ao espírito? (1 Pd 4,16) Após isso o Sheol não desapareceu. Jesus diz: Pois estive morto, e eis-me de novo vivo pelos séculos dos séculos; tenho as chaves da morte e da região dos mortos? (Ap 1,18) Esta região dos mortos é o Sheol (Hades) e Jesus não estaria segurando a chave de alguma coisa que não existe mais, lógico. E é esse Sheol, ou Hades ou ainda Purgatorium que os judeus ortodoxos, os católicos latinos e os ortodoxos orientais crêem ser o ?estado? onde ocorre a purificação final Infelizmente, por falta de espaço neste artigo, preciso terminar a reflexão por aqui, sentido que sempre haverá algo mais a esclarecer, pois, de fato, a doutrina do purgatório é um belo exemplo dos mais insondáveis mistérios de Deus. Para finalizar, queria propor uma questão aos protestantes: At 9, 36-37;40-41 Em Jope havia uma discípula chamada Tabita – em grego, Dorcas. Esta era rica em boas obras e esmolas que dava. Aconteceu que adoecera naqueles dias e veio a falecer. Depois de a terem lavado, levaram-na para o quarto de cima. Pedro então, tendo feito todos sair, pôs-se de joelhos e orou. Voltando-se para o corpo, disse: Tabita, levanta-te! Ela abriu os olhos e, vendo Pedro, sentou-se. Ele a fez levantar-se, estendendo-lhe a mão. Chamando os irmãos e as viúvas, entregou-lha viva?. Por quem Pedro estava orando? Rondinelly Ribeiro Fonte: Veritatis Splendor
- Liturgia é obra do povo?
Liturgia NÃO significa uma “Obra do povo” (Contra o Pelagianismo litúrgico) – Tradução por J. R. R. Exemplos da palavra λειτουργία no Novo Testamento Tornou-se algo bastante arrojado nas reformas litúrgicas dos anos 60 e 70 ensinar que a palavra grega para liturgia é λειτουργία (leitourgia) e que isso significa “serviço da parte do povo/obra do povo”. Isso leva a uma nova ideia de que λειτουργία, ou a “liturgia”, é algo que deve ser dirigida e até executada pelos leigos dentro de um contexto de adoração. Mas será que λειτουργία significa uma “obra do povo”? Não. A liturgia não é “obra do povo”, e eu irei mostrar a vocês exemplos na Sagrada Escritura. Mas antes de irmos às Escrituras, vamos dar uma olhada de fato na palavra grega: A palavra “Liturgia” em grego: λειτουργία, assim como várias palavras em grego, é uma palavra composta. O primeiro radical da palavra vem do grego “laos” que significa povo. (Há também a variação “leos” no grego ático que é a mesma palavra para “povo”). Essa palavra “laos”, ou “leos” no grego ático, é de onde deriva a palavra “leigos”. É uma palavra genérica para um coletivo de pessoas. A palavra grega Menelaos significa “resistência ao povo”, enquanto a palavra Nikolaos significa “conquistar o povo”. A segunda parte da palavra vem do radical “ergon” que significa “obra/trabalho/ação”, como vemos nas palavras “ERGOnômico”, “enERGia” (Energos), sinERGia (SYNERGIA). Quando se une os dois radicais do grego para descrever a algo, tem-se leitourgia ou λειτουργία. A palavra λειτουργία significa “obra do povo” ou “obra para o povo”? Está certo que o termo contém os dois radicais gregos para “povo” e “serviço”, mas como chegamos ao seu significado? Por um lado pode ser “obra DO povo”, significando um produto da união dos esforços do povo. Por outro, pode ser “obra PARA O povo”, significando algo feito para o benefício do povo. Opção 1: A liturgia como “obra do povo” A multidão de Kumbaya (uma espécie de liturgia comandada por Elvis Kingsley) dos anos 60 e 70 insistiu que no passado significou “algo que as pessoas trabalham juntas quando se unem”. Isso levou a ideia de que os leigos devem comandar as preces, ler os ensinamentos, preparar o altar, manusear cálices, manusear a comunhão, distribuir a comunhão, abençoar as pessoas na fila da comunhão, e purificar os recipientes. Afinal de contas, se liturgia significa uma “obra do povo”, então as pessoas devem estar participando de forma ativa. Opção 2: A liturgia como “obra para o povo” A tradição histórica recebida tem como definição a liturgia ou λειτουργία como algo que é feito para o bem das pessoas. Isso pode vir como um golpe severo para as legiões de cristãos a quem foram ensinados que a liturgia é uma “obra do povo”, mas essa é a mais pura verdade. Para Platão e outros pensadores gregos, λειτουργία é algo que alguém faz para o bem das pessoas. Consequentemente, o termo grego é normalmente usado em termos sacerdotais ou políticos a depender do contexto. Na Bíblia, normalmente é em termos sacerdotais, mas iremos examinar uma passagem em Romanos que é expresso em forma política: Vamos olhar na Sagrada Escritura para assentar o debate: Por conta do nascimento de João Batista, nós descobrimos que o seu pai, Zacarias, é um sacerdote aarônico da tribo de Levi. Sendo assim, ele servia no templo como sacerdote quando era a sua hora. A passagem explica que São Zacarias ia ao Templo para administrar (os ritos) e a palavra do original em grego é que ele vai lá para fazer a liturgia: E sucedeu que, terminados os dias de seu ministério (λειτουργία), voltou para sua casa. (Lucas 1:23) Por acaso Zacarias reuniu um amontado de pessoas para adorar a Deus? Não, a passagem explica que o dever dele era ir ao Templo e oferecer incenso a Yahweh. Ele fez isso para de forma cerimoniosa apresentar as preces do povo a Deus. Fica claro que a “liturgia” dele era algo que ele fazia como sacerdote para o benefício do povo, não algo que ele fazia como sacerdote com as outras pessoas presentes. Vamos dar uma olhada em outro exemplo extraído em Hebreus: Igualmente também aspergiu com sangue o tabernáculo e todos os utensílios do serviço (λειτουργίας) sagrado. (Hebreus 9:21) Esta é uma descrição de como Moisés consagrou o tabernáculo e seus utensílios para prestar culto no Antigo Testamento. O tabernáculo e seus respectivos utensílios só podiam ser manejados pelos Levitas, uma vez que os administravam para o benefício de Israel. Mais uma vez no vemos que λειτουργίας se refere ao que é feito pela classe sacerdotal em prol dos leigos. A Liturgia de Cristo para o povo: Agora, com efeito, obteve jesus (um) ministério (λειτουργία) tanto mais excelente, quanto é ele também mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas. (Hebreus 8:6) O autor descreve a Cristo como um Alto sacerdote que agora administra uma nova melhor aliança através de uma melhor λειτουργίας ou Liturgia. Novamente, esta λειτουργίας é algo que Cristo está administrando em nosso nome para nossa salvação. Notavelmente, isto é a entrega Dele do Seu Corpo e Sangue ao Pai para nossa redenção, algo que está presente em toda Liturgia da Missa. O imperador romano como um liturgista: E, não nos esqueçamos, que São Paulo chama ao terrível Imperador Nero de “liturgista”. Em Romanos 13, São Paulo explica como o imperador romano (naquele tempo, Nero) e todos os governantes são “liturgistas”: 3 Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela. 4 Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro (διάκονός ou diakonos) de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal. 5 Portanto é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo castigo, mas também pela consciência. 6 Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros (λειτουργοὶ ou leitourgoi) de Deus, atendendo sempre a isto mesmo. 7 Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra. (Romanos 13:3-7) São Paulo trata ao imperador como διάκονός ou diácono, enquanto aos governantes por λειτουργοὶ ou “liturgistas”. Tenha em mente que esse imperador era o Nero, e mesmo assim ainda recebeu um título sacerdotal de Paulo. A propósito, é por isso que a realeza cristã usa faixas sobre os ombros que nem os diáconos. Na verdade, a dalmática (veste própria dos diáconos) é um traje imperial tradicionalmente reservada para a corte bizantina. Eu não consigo me recordar da fonte agora, mas me lembro de ler certa vez que era permitido a Constantino ler as Escrituras na liturgia mesmo não estando batizado ainda devido a ele ser considerado um “semi-diácono” em razão de sua condição como imperador. E o imperador em Constantinopla seguia em procissão junto ao Patriarca e o clero, quase sempre usando uma dalmática. De volta a “liturgia” a Romanos 13. Ali é manifestado que ao imperador romano e seus governadores é dado o título de λειτουργοὶ. Eles não são liturgistas designando tarefas. Nero não está liderando as pessoas como se dissesse “Ajuntemo-nos, os ricos e soberbos”. Longe disso, esses dirigentes romanos são, segundo Paulo, apontados por Deus para administrar a justiça (em nome do povo) PARA o povo. A liturgia como algo feito para o povo Liturgia, pelo menos no Antigo e Novo Testamento, é algo sacerdotal ou político que é feito pelo bem do povo. Só é comunitário em ser aquilo que é feito para os outros. Um sacerdote recitando a missa sozinho em um quarto de hotel está fazendo uma “obra para o povo” sem ter mais ninguém junto a ele. De mesmo modo, o Papa reunir para uma missa 10.000 pessoa está também fazendo um “serviço para o povo”, mas as pessoas presentes não fazem disso uma “liturgia”. A liturgia é alcançada in persona Christi (em Cristo) para o povo. Tal qual Zacarias foi capaz de fazer a “liturgia” completamente só com seu incensório no Templo. Quando Cristo morreu na cruz, Ele ministrou uma nova λειτουργία para as pessoas do mundo. Foi um ato litúrgico do qual ninguém participou dançando, atuando, lendo de um livro ou carregando algum utensílio. A verdadeira “participação ativa” foi feita pela Mãe de Deus, Santa Maria Madalena, pelas outras mulheres e pelo apóstolo João quando eles elevaram seus corações ao divino Mestre crucificado na cruz. Eles dolorosamente e silenciosamente receberam o sangue λειτουργία de Cristo para a salvação deles. Já é chegada a hora de nós entendermos a liturgia como algo sacerdotal e que é feito por Cristo para o Seu povo. O cardeal Sarah resumiu bem isso recentemente com as seguintes palavras: “A Liturgia trata-se de Deus e Sua obra para Seu povo. Quem quer que diga que devemos celebrar a nós mesmos na liturgia está corrompendo a liturgia bíblica. A Liturgia como uma “obra do povo” é um Pelagianismo litúrgico, a heresia que afirmava que o homem pode naturalmente trabalhar para sua salvação.” Por Dr. Taylor Marshall.”
- Perito desmente mitos anti-católicos sobre as Cruzadas
O perito historiador Dr. Paul F. Crawford do Departamento de História e Ciências Políticas da Universidade de Pensilvânia (Estados Unidos), desmente quatro mitos anti-católicos sobre as Cruzadas, como por exemplo que os participantes teriam se fartado de riquezas quando na verdade aconteceu é que muitos terminaram na ruína financeira. O investigador das Cruzadas assinala em um artigo publicado em abril deste ano que com freqüência “as cruzada são mostradas como um episódio deploravelmente violento no qual libertinos ocidentais, que não tinham sido provocados, assassinavam e roubavam muçulmanos sofisticados e amantes da paz, deixando padrões de opressão escandalosa que se repetiriam na história subseqüente”. “Em muitos lugares da civilização ocidental atual, esta perspectiva é muito comum e demasiado óbvia para ser rebatida”, prossegue. Entretanto, precisa o perito autor do livro “The Templar of Tyre”, a “unanimidade não é garantia de precisão. O que todo mundo sabe sobre as cruzadas poderia, de fato, não ser certo”. Seguidamente rebate, um por um, quatro mitos que terminam por mostrar algo que, em realidade, não foram as Cruzadas. Primeiro mito: “as cruzadas representaram um ataque não provocado de cristãos ocidentais contra o mundo muçulmano” Crawford assinala que “nada poderia estar mais longe da verdade, e inclusive uma revisão cronológica esclareceria isso. No ano 632, Egito, Palestina, Síria, Ásia Menor, o norte da África, Espanha, França, Itália e as ilhas da Sicilia, Sardenha e Córsega eram todos territórios cristãos. Dentro dos limites do Império Romano, que ainda era completamente funcional no Mediterrâneo oriental, o cristianismo ortodoxo era a religião oficial e claramente majoritária”. Por volta do ano 732, um século depois, os cristãos tinham perdido a maioria desses territórios e “as comunidades cristãs da Arábia foram destruídas completamente em ou pouco tempo depois do ano 633, quando os judeus e os cristãos de igual maneira foram expulsos da península. Aqueles na Pérsia estiveram sob severa pressão. Dois terços do território que tinha sido do mundo cristão eram agora regidos por muçulmanos”. O que aconteceu, explica o perito, a maioria das pessoas sabem mas só lembra quando “recebem um pouco de precisão”: “A resposta é o avanço do Islã. Cada uma das regiões mencionadas foi tomada, no transcurso de cem anos, do controle cristão por meio da violência, através de campanhas militares deliberadamente desenhadas para expandir o território muçulmano a custa de seus vizinhos. Mas isto não deu por concluído o programa de conquistas do Islã”. Os ataques muçulmanos contra os cristãos seguiram já não só nessa região mas contra a Europa, especialmente Itália e França, durante os séculos IX, X e XI, o que fez que os bizantinos, os cristãos do Império Romano do Oriente, solicitassem ajuda aos Papas. Foi Urbano II quem enviou as primeiras cruzadas no século XI, depois de muitos anos de ter recebido o primeiro pedido. Para o Dr. Crawford, “longe de não terem sido provocadas, então, as cruzadas realmente representam o primeiro grande contra-ataque do Ocidente cristão contra os ataques muçulmanos que se deram continuamente desde o início do Islã até o século XI, e que seguiram logo quase sem cessar”. Quanto a este primeiro mito, o perito faz uma singela afirmação para entender um pouco melhor o assunto: “basta perguntar-se quantas vezes forças cristãs atacaram Meca. A resposta é obvia: nunca”. Segundo mito: “os cristãos ocidentais foram às cruzadas porque sua avareza os motivou a saquear os muçulmanos para ficarem ricos” “Novamente explica não é verdade”. Alguns historiadores como Fred Cazel explicam que “poucos cruzados tinham suficiente dinheiro para pagar suas obrigações em casa e manter-se decentemente nas cruzadas”. Desde o começo mesmo, recorda o Dr. Paul F. Crawford, “as considerações financeiras foram importantes no planejamento da cruzada. Os primeiros cruzados venderam muitas de suas posses para financiar suas expedições que geraram uma estendida inflação”. “Embora os seguintes cruzados levaram esta consideração em conta e começaram a economizar muito antes de embarcar nesta empresa, o gasto seguia estando muito perto do proibitivo”, acrescenta. Depois de recordar que o que alguns estimavam que as Cruzadas iam custar era “uma meta impossível de ser alcançada”, o historiador assinala que “muito poucos se enriqueceram com as cruzadas, e seus números foram diminuídos sobremaneira pelos que empobreceram. Muitos na idade Média eram muito conscientes disso e não consideraram as cruzadas como uma maneira de melhorar sua situação financeira”. Terceiro mito: “os cruzados foram um bloco cínico que em realidade não acreditava nem em sua própria propaganda religiosa, senão que tinham outros motivos mais materiais” Este, assinala o perito historiador em seu artigo, “foi um argumento muito popular, ao menos desde Voltaire. Parece acreditável e inclusive obrigatório para gente moderna, dominada pela perspectiva do mundo materialista”. Com uma taxa de mortes que chegava perto de 75 por cento dos que partiam, com uma expectativa de voltar financeiramente quebrado e não poder sobreviver, como foi que a predicação funcionou de tal forma que mais pessoas se unissem?, questiona o historiador. Crawford responde explicando que “as cruzada eram apelantes precisamente porque era uma tarefa dura e conhecida, e porque empreender uma cruzada pelos motivos corretos era entendido como uma penitência aceitável pelo pecado. Longe de ser uma empresa materialista, a cruzada não era prática em termos mundanos, mas valiosa para a alma”. “A cruzada era o exemplo quase supremo desse sofrimento complicado, e por isso era uma penitência ideal e muito completa”, acrescenta. O historiador indica logo que “com o complicado que pode ser para que as pessoas na atualidade acreditem, a evidência sugere fortemente que a maioria dos cruzados estavam motivados pelo desejo de agradar a Deus, expiar seus pecados e colocar suas vidas ao serviço do próximo, entendido no sentido cristão”. Quarto mito: “os cruzados ensinaram aos muçulmanos a odiar e atacar a cristãos” Outra vez, esclarece Paul Crawford, que nada está mais afastado da verdade. O historiador assinala que “até muito recentemente, os muçulmanos recordavam as cruzadas como uma instância na que tinham derrotado um insignificante ataque ocidental cristão”. A primeira história muçulmana sobre as cruzadas não apareceu senão até 1899. Por isso então, o mundo muçulmano estava redescobrindo as cruzadas, “mas o fazia com um giro aprendido dos ocidentais”. “Ao mesmo tempo, o nacionalismo começou a enraizar-se no mundo muçulmano. Os nacionalistas árabes tomaram emprestada a idéia de uma longa campanha européia contra eles da escola européia antiga de pensamento, sem considerar o fato de que constituía realmente uma má representação das cruzadas, e usando este entendimento distorcido como uma forma para gerar apoio para suas próprias agendas”. Então, precisa o Dr. Crawford, “não foram as cruzadas as que ensinaram o Islã a atacar e odiar os cristãos. Os fatos estão muito longe disso. Essas atividades tinham precedido as cruzadas por muito tempo, e nos conduzem até à origem do Islã. Em vez disso, foi Ocidente quem ensinou o Islã a odiar as Cruzadas. A ironia é grande”. Fonte: Veritatis Splendor
- O Purgatório, a Igreja primitiva e os Santos Padres
O Purgatório é uma das doutrinas que mais tem sido rejeitadas pelos protestantes. Frequentemente ouvimos fundamentalistas afirmarem, sem o mínimo rigor histórico, que trata-se de uma invenção de São Gregório Magno em plena Idade Média. Entre alguns exemplos que extraímos de diversos artigos da Internet encontra-se o do conhecido protestante anticatólico Dave Hunt: “No Catolicismo, a ‘purificação’ ocorre em um lugar chamado ‘purgatório’, inventado pelo Papa Gregório o Grande no ano 593 d.C.”[1]. Um comentário bastante semelhante é feito por Daniel Sapia, que cita o anterior em detalhes: “A idéia do Purgatório – um lugar fictício de purificação final – foi inventada pelo Papa Gregório o Grande no ano 593. Havia tal rejeição para se aceitar a idéia – visto que era contrária à Escritura – que o Purgatório não se tornou um dogma oficial durante quase 850 anos, quando o Concílio de Florença, em 1439, o definiu”[2]. Seria verdade que o Purgatório é uma invenção de São Gregório Magno, na Idade Média, como afirma Hunt e repete Sapia? Seria verdade que houve tal rejeição para se aceitar a doutrina do Purgatório que não se tornou um dogma de fé até o Concílio de Florença? Antes de respondermos a estas perguntas é necessário estudar a doutrina do Purgatório, caso contrário não a reconheceremos nos escritos da Igreja primitiva: A DEFINIÇÃO DE PURGATÓRIO NO CATECISMO DA IGREJA E NOS CONCÍLIOS ECUMÊNICOS O Catecismo da Igreja Católica explica o Purgatório da seguinte maneira: “1030. Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu. 1031. A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao Purgatório sobretudo no Concílio de Florença e de Trento. Fazendo referência a certos textos da Escritura, a tradição da Igreja fala de um fogo purificador: ‘No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo, que, se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem no presente século nem no século futuro (Mt 12,32). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro’ (São Gregório Magno, Dial. 4,39)”. É oportuno começar esclarecendo a inexatidão de Sapia – a quem algumas lições de história não fariam mal! – pois já antes do Concílio Ecumênico de Florença dois outros Concílios Ecumênicos haviam definido o Purgatório de forma clara: os Concílios Ecumênicos de Lião I e II, em 1245 e 1274 respectivamente: “…Finalmente, afirmando a Verdade no Evangelho, que se alguém blasfemar contra o Espírito Santo não ser-lhe-á perdoada nem neste mundo nem no futuro [Mat. 12,32], o que dá a entender que algumas culpas são perdoadas no século presente e outras no futuro, bem como também disse o Apóstolo, que o fogo provará a obra de cada um; e aquele cuja obra arder sofrerá dano; ele, porém, se salvará, mas como quem passa pelo fogo [1Cor. 3,13.15]; e como os próprios gregos dizem que crêem e afirmam verdadeira e indubitavelmente que as almas daqueles que morrem, recebida a penitência, porém sem cumprí-la; ou sem pecado mortal, mas apenas veniais e pequenos; são purificadas após a morte e podem ser auxiliadas pelos sufrágios da Igreja; visto que [os gregos] dizem que o lugar desta purificação não lhes foi indicado com nome certo e próprio por seus doutores, como nós que, de acordo com as tradições e autoridades dos Santos Padres, o chamamos ‘Purgatório’, queremos que daqui por diante também eles o chamem por este nome. Porque com aquele fogo transitório certamente são purificados os pecados, não os criminais ou capitais que antes não tenham sido perdoados pela penitência, mas os pequenos ou veniais, que pesam mesmo depois da morte, ainda que tenham sido perdoados em vida…” (Concílio Ecumênico de Lião I, 13º Ecumênico). “…Mas por causa dos diversos erros que alguns por ignorância e outros por malícia introduziram, devemos dizer e pregar que aqueles que depois do batismo caem no pecado não devem ser rebatizados, mas que obtêm pela verdadeira penitência o perdão dos pecados. E se verdadeiramente arrependidos morrerem em caridade antes de ter satisfeito com frutos dignos de penitência por seus atos e omissões, suas almas são purificadas após a morte com penas purgatórias ou catartérias, como nos explicou frei João; e para alívio dessas penas lhes aproveitam os sufrágios dos fiéis vivos a saber: os sacrifícios das missas, as orações e esmolas, e outros ofícios de piedade que, segundo as instituições da Igreja, alguns fiéis costumam a fazer em favor de outros. Mas aquelas almas que após terem recebido o santo batismo não incorreram em mancha alguma de pecado e também aquelas que após o contraírem se purificaram – quer enquanto permaneciam em seus corpos quer após deixá-los – como acima foi dito, são recebidas imediatamente no céu” (Concílio de Lião III, 14º Ecumênico). Com efeito, o Concílio de Florença simplesmente reafirmava o que estes outros Concílios Ecumênicos já tinham definido alguns séculos antes: “…Desta forma, se os verdadeiros penitentes deixarem este mundo antes de terem satisfeito com frutos dignos de penitência pela ação ou omissão, suas almas são purgadas com penas purificatórias após a morte; e para serem aliviadas destas penas, lhes aproveitam os sufrágios dos fiéis vivos, tais como o sacrifício da missa, orações e esmolas, e outros ofícios de piedade que os fiéis costumam praticar por outros fiéis, segundo as instituições da Igreja. E que as almas daqueles que após receberem o batismo não incorreram absolutamente em mancha alguma de pecado e também aquelas que, após contrair mancha de pecado, a purgaram, quer enquanto viviam em seus corpos quer após o deixarem, segundo o que foi dito acima, são imediatamente recebidas no céu…” (Concílio de Florença, 17º Ecumênico). O mesmo reafirma o Concílio de Trento (de 1545 a 1563): “Tendo a Igreja Católica, instruída pelo Espírito Santo, segundo a doutrina da Sagrada Escritura e da antiga tradição dos Padres, ensinado nos sagrados concílios e atualmente neste Geral de Trento, que existe Purgatório, e que as almas detidas nele recebem alivio com os sufrágios dos fiéis e em especial com o aceitável sacrifício da missa, ordena o Santo Concílio aos Bispos, que cuidem com máximo esmero que a santa doutrina do Purgatório, recebida dos santos Padres e sagrados concílios, seja ensinada e pregada em todas as partes, e que seja acreditada e conservada pelos fiéis cristãos. Excluam-se, todavia, dos sermões pregados em língua vulgar à plebe rude, as questões muito difíceis e sutis que a nada conduzem à edificação e com as quais raras vezes se aumenta a piedade. Também não se permita que sejam divulgadas e tratadas as coisas incertas, ou que tenham vislumbres ou indícios de falsidade. Ficam proibidas, por serem consideradas escandalosas e que servem de tropeço aos fiéis, as que tocam em certa curiosidade ou superstição, ou tem resíduos de interesse ou de sórdida ganância. Os bispos deverão cuidar para que os sufrágios dos fiéis, a saber, os sacrifícios das missas, as orações, as esmolas e outras obras de piedade que costumam fazer pelos defuntos, sejam executados piedosa e devotadamente segundo o estabelecido pela Igreja, e que seja satisfeita com esmero e exatidão, tudo quanto deve ser feito pelos defuntos, segundo exijam as fundações dos entendidos ou outras razões, não superficialmente, mas sim por sacerdotes e ministros da Igreja e outros que têm esta obrigação” (Concílio de Trento, 19º Ecumênico – Sessão 25: Decreto sobre o Purgatório). Porém, muito antes destas definições conciliares, era amplamente conhecida a doutrina do Purgatório, como bem demonstram as seguintes evidências patrísticas: PERPÉTUA Santa Perpétua foi uma mártir cristã martirizada em 203 juntamente com outros cinco cristãos (Felicidade, Revocato, Saturnino, Segundo e Saturo). Esquanto estava na prisão, teve uma dupla visão em que viu seu irmão, falecido 7 anos antes, sair de um lugar tenebroso onde estava sofrendo. Santa Perpétua passou então a rezar pelo descanso eterno de sua alma e, logo após ser ouvida pelo Senhor, teve uma segunda visão em que viu seu irmão seguro e em paz porque sua pena havia sido satisfeita: “Imediatamente, nessa mesma noite, isto me foi mostrado em uma visão: eu vi Dinocrate saindo de um lugar sombrio, onde se encontravam também outras pessoas; e ele estava magro e com muita sede, com uma aparência suja e pálida, com o ferimento de seu rosto quando havia morrido. Dinocrate foi meu irmão de carne, tendo falecido há 7 anos de uma terrível enfermidade… Porém, eu confiei que a minha oração haveria de ajudá-lo em seu sofrimento e orei por ele todo dia, até irmos para o campo de prisioneiros… Fiz minha oração por meu irmão dia e noite, gemendo e lamentando para que [tal graça] me fosse concedida. Então, certo dia, estando ainda prisioneira, isto me foi mostrado: vi que o lugar sombrio que eu tinha observado antes estava agora iluminado e Dinocrate, com um corpo limpo e bem vestido, procurava algo para se refrescar; e onde havia a ferida, vi agora uma cicatriz; e essa piscina que havia visto antes, vi que seus níveis haviam descido até o umbigo do rapaz. E alguém incessantemente extraía água da tina e próximo da orla havia uma taça cheia de água; e Dinocrate se aproximou e começou a beber dela e a taça não reduziu [o seu nível]; e quando ele ficou saciado, saiu pulando da água, feliz, como fazem as crianças; e então acordei. Assim, entendi que ele havia sido levado do lugar do castigo” (Paixão de Perpétua e Felicidade 2,3-4).[3] ABÉRCIO Bispo de Hierápolis, na Frígia, na segunda metade do século II e início do III, foi desde cedo bastante venerado pela Igreja grega e, posteriormente, pela Igreja latina. Sabe-se que visitou Roma regressando logo depois pela Síria e Mesopotâmia. Antes de morrer, compôs seu próprio epitáfio, datado de finais do século II ou início do III, em que pede que se ore por ele: “Cidadão de pátria ilustre, / Construí este túmulo durante a vida, / Para que meu corpo – num dia – pudesse repousar. / Chamo-me Abércio: / Sou discípulo de um Santo Pastor, / Que apascenta seu rebanho de ovelhas, / Por entre montes e planícies. / Ele tem enormes olhos que tudo enxergam, / Ensinou-me as Escrituras da Verdade e da Vida / […] / Eu, Abércio, ditei este texto / E o fiz gravar na minha presença / Aos setenta e dois anos. / O irmão que o ler por acaso / Ore por Abércio.” (Epitáfio de Abércio).[4] ATOS DE PAULO E TECLA Os Atos de Paulo e Tecla, escritos no século II (ano 160), narram a história de uma convertida que se converteu ao ouvir as pregações de São Paulo e, após desfazer o compromisso com seu noivo, se dedica a assistir Paulo na evangelização. Lemos aí uma oração de intercessão para que uma cristã falecida seja levada para o lugar dos justos: “E após a exibição, Trifena novamente a recebeu. Sua filha Falconila havia morrido e disse para ela em sonhos: ‘Mãe: deverias ter esta estrangeira, Tecla, como a mim, para que ela ore por mim e eu possa ser levada para o lugar dos justos” (Atos de Paulo e Tecla).[5] CLEMENTE DE ALEXANDRIA Nasceu por volta do ano 150, provavelmente em Atenas, de pais pagãos. Após tornar-se cristão, viajou pelo o sul da Itália, Síria e Palestina, em busca de mestres cristãos, até que chegou em Alexandria. Os ensinamentos de Panteno, líder da escola catequética de Alexandria (Egito), fizeram com que se estabelecesse ali. No ano 202, a perseguição de Sétimo Severo o obrigou a abandonar o Egito e a se refugiar na Capadócia, onde morreu pouco antes de 215. Seu conhecimento dos escritos pagãos e da literatura cristã é notável! Segundo Quasten, em suas obras podemos encontrar cerca de 360 citações dos clássicos, 1500 do Antigo Testamento e 2000 do Novo; portanto, é considerado cronologicamente como o primeiro sábio cristão, conhecedor profundo não apenas da Sagrada Escritura mas ainda das obras cristãs anteriores a ele e, inclusive, obras da literatura profana. Nos “Stromata” ou “Tapeçarias” (??????????), fala da purificação pelo “fogo” que a alma sofre posteriormente à morte, quando não atingiu a plena santidade: “Através de grande disciplina o crente se despoja das suas paixões e passa a mansão melhor que a anterior; passa pelo maior dos tormentos, tomando sobre si o arrependimento das faltas que possa ter cometido após o seu batismo. Então, é torturado mais ao ver que não conseguiu o que os outros já conseguiram. Os maiores tormentos são atribuídos ao crente porque a justiça de Deus é boa e sua bondade é justa; e estes castigos completam o curso da expiação e purificação de cada um” (Stromata 4,14).[6] “Porém, nós dizemos que o fogo santifica não a carne, mas as almas pecadoras; referindo-se não ao fogo comum, mas o da sabedoria, que penetra na alma que passa pelo fogo” (Stromata 8,6).[7] TERTULIANO Tertuliano nasceu em Cartago antes do ano 160. Por volta do ano 195, se converteu ao Cristianismo e chegou a se tornar em um notável escritor eclesiástico. Infelizmente, por volta do ano 207, aderiu abertamente à seita herética de Montano e acabou fundando sua própria seita (a dos Tertulianistas). Encontram-se nos escritos de Tertuliano numerosas e claras referências ao Purgatório. Entre elas, podemos mencionar: “De Anima” (Da Alma), que fala da purificação da alma após a morte; em “De Carnis Resurrectione” (Da Ressurreição da Carne), chega ao extremo de afirmar que apenas os mártires viverão diretamente na presença de Deus; em “De Monogamia” (Da Monogamia), fala como as orações pelos falecidos podem ajudá-los; e em “De Corona” (Da Coroa), menciona o costume da Igreja celebrar a Eucaristia pelo descanso eterno dos falecidos: “Por isso, é muito conveniente que a alma, sem esperar a carne, sofra um castigo pelo que tenha cometido sem a cumplicidade da carne. E, igualmente, é justo que, em recompensa pelos bons e piedosos pensamentos que tenha tido sem a cooperação da carne, receba consolos sem a carne. Mais ainda: as próprias obras realizadas com a carne, ela é a primeira a conceber, dispor, ordenar e pô-las em alerta. E ainda naqueles casos em que ela não consente em pô-las em alerta, no entanto, é a primeira a examinar o que logo fará no corpo. Enfim, a consciência não será nunca posterior ao fato. Consequentemente, também a partir deste ponto de vista, é conveniente que a substância que foi a primeira a merecer a recompensa seja também a primeira a recebê-la. Em suma: já que por esta lição que nos ensina o Evangelho entendemos o inferno, já que ‘por esta dívida, devemos pagar até o último centavo’, compreendemos que é necessário purificar-se das faltas mais ligeiras nesses mesmos lugares, no intervalo anterior à ressurreição; ninguém poderá duvidar que a alma recebe logo algum castigo no inferno sem prejuízo da plenitude da ressurreição, quando receberá a recompensa juntamente com a carne” (Da Alma 58: PL 2,751).[8] “Ao deixar o seu corpo, ninguém vai imediatamente viver na presença do Senhor – exceto pela prerrogativa do martírio, pois então adquire uma morada no paraíso e não nas regiões inferiores” (Da Ressurreição da Carne 43).[9] “Certamente, ela roga pela alma de seu marido; pede que durante este intervalo ele possa encontrar descanso e participar da primeira ressurreição […] Oferece, a cada ano, o sacrifício no aniversário de sua dormição” (Da Monogamia 10).[10] “O sacramento da Eucaristia, encomendado pelo Senhor no tempo da ceia e para todos, o recebemos nas assembléias, antes do amanhecer, e não das mãos de outros que não sejam os que as presidem. Fazemos oblações pelos falecidos, a cada ano, nos dias de aniversário” (Da Coroa 3: PL 2,79).[11] Não se pode deixar de observar que Tertuliano escreveu isto muitos anos antes de São Gregório Magno “sonhar” em nascer… CIPRIANO DE CARTAGO São Cipriano nasceu em torno do ano 200, provavelmente em Cartago, de família rica e culta. Dedicou-se, em sua juventude, à retórica. O desgosto que sentia diante da imoralidade dos ambientes pagãos contrastados com a pureza de costumes dos cristãos o induziu a abraçar o Cristianismo por volta do ano 246. Pouco depois, em 248, foi eleito bispo de Cartago. Durante a perseguição de Décio, em 250, julgou melhor afastar-se para outro lugar, para continuar a se ocupar com seu rebanho de fiéis. Dele conservamos uma dezena de opúsculos sobre diversos temas de então e, particularmente, uma coleção de 81 cartas. Em São Cipriano encontramos, da mesma forma que nos anteriores, referências ao Purgatório feitas séculos antes de São Gregório Magno: “Uma coisa é pedir perdão; outra coisa, alcançar a glória. Uma coisa é estar prisioneiro sem poder sair até ter pago o último centavo; outra coisa, receber simultaneamente o valor e o salário da fé. Uma coisa é ser torturado com longo sofrimento pelos pecados, para ser limpo e completamente purificado pelo fogo; outra coisa é ter sido purificado de todos os pecados pelo sofrimento. Uma coisa é estar suspenso até que ocorra a sentença de Deus no Dia do Juízo; outra coisa é ser coroado pelo Senhor” (Epístola 51,20).[12] São Cipriano também atesta o comum costume de se fazer orações e oferecer a Eucaristia pelo descanso eterno dos falecidos, o que seria inútil caso as orações não pudessem ajudá-los: “Oferecemos por eles sacrifícios, como percebeis, sempre que na comemoração anual celebramos os dias da paixão dos mártires” (Epístola 33,3).[13] No seguinte texto também podemos ver São Cipriano atestando de maneira implícita o costume de se oferecer a Eucaristia pelos falecidos. É negado para o caso particular de Victor em razão da violação das decisões conciliares, por ter ordenado ilegitimamente Gemínio Faustino como presbítero: “…E quanto a Victor, visto que contrariamente à forma prescrita pelo recente Concílio dos sacerdotes se atreveu a constituir tutor ao presbítero Gemínio Faustino, não há razão para que se celebre, entre vós, a oblação pela sua morte ou se reze por ele qualquer oração na Igreja; desta forma, observaremos nós o decreto dos sacerdotes, elaborado religiosamente e por necessidade, dando-se, ao mesmo tempo, exemplo aos demais irmãos, para que ninguém deseje as moléstias mundanas aos sacerdotes e ministros de Deus dedicados ao seu altar e Igreja” (Epístola 65,2).[14] Outro texto similar: “Finalmente, anotai também os dias em que eles morrem, para que possamos celebrar suas comemorações entre as memórias dos mártires; por mais que Tertuliano, nosso fidelíssimo e devotíssimo irmão, com aquela solicitude e cuidado que reparte com os irmãos sem se orgulhar da sua atividade, e como no cuidado dos cadáveres remanescentes ali, tenha escrito e me faça saber, entre outras coisas, os dias em que nossos ditosos irmãos partiram do cárcere para a imortalidade através de uma morte gloriosa, celebramos aqui nossas oblações e sacrifícios em comemoração deles, as quais prontamente celebraremos convosco, com a ajuda de Deus” (Epístola 36,2).[15]. ORÍGENES Ilustre teólogo e escritor eclesiástico. Nascido em Alexandria por volta do ano 231, foi reconhecido como o maior mestre da doutrina cristã em sua época, exercendo uma extraordinária influência como intérprete da Bíblia. Orígenes enxerga em 1Coríntios 3 uma alusão ao Purgatório: “Pois se sobre o fundamento de Cristo contruístes não apenas ouro e prata mas pedras preciosas e ainda madeira, cana e palha, o que esperas que ocorra quando a alma seja separada do corpo? Entrarias no céu com tua madeira, cana e palha e, deste modo, mancharias o reino de Deus? Ou em razão destes obstáculos poderias ficar sem receber o prêmio por teu ouro, prata e pedras preciosas? Nenhum destes casos seria justo. Com efeito, serás submetido ao fogo que queimará os materiais levianos. Para nosso Deus, àqueles que podem compreender as coisas do céu, encontra-se o chamado ‘fogo purificador’. Porém, este fogo não consome a criatura, mas aquilo que ela construiu: madeira, cana ou palha. É manifesto que o fogo destrói a madeira de nossas transgressões e logo nos devolve o prêmio de nossas grandes obras” (P.G. 13, col. 445,448).[16] LACTÂNCIO Loarte comenta que foi chamado “o Cícero cristão” por seu elegante manejo da língua latina. Nasceu no norte da África por volta do ano 250, de pais pagãos. Provavelmente converteu-se ao Cristianismo na Nicomédia. Durante a última grande perseguição, por volta do ano 303, viu-se obrigado a abandonar sua cátedra e exilar-se na Bitínia. Após o Edito de Milão, Constantino o chamou a Tréveris, para confiar-lhe a educação de Crispo, seu filho mais velho. Pouco mais conhecemos da vida de Lactâncio, que deve ter falecido por volta do ano 317. Em suas “Instituições Divinas”, livro 7, enxerga 1Coríntios 3 da mesma forma que Orígenes: como uma referência ao Purgatório… “Porém, quando julgar os justos, Ele também os provará com fogo. Então aqueles cujos pecados excederem em peso ou número, serão chamuscados pelo fogo e queimados; mas aqueles a quem imbuiu a justiça e plena maturidade da virtude não perceberão esse fogo porque eles têm algo de Deus neles mesmos, que repele e rejeita a violência da chama” (Instituições Divinas 7,21).[17] EFRÉM DA SÍRIA Nasceu por volta do ano 306, no povoado de Nísibis (hoje chamada Nusaybim, na Turquia). Diácono, Doutor da Igreja e escritor eclesiástico. Estima-se que faleceu por volta do ano 373, embora alguns autores afirmem que viveu até 378 ou 379. Em seu testamento, solicita que orem por ele e cita o livro dos Macabeus como evidência de que as orações dos vivos podem ajudar a expiar os pecados dos falecidos: “Quando se cumprir o trigésimo dia [da minha morte], lembrai-vos de mim, irmãos. Os falecidos, com efeito, recebem ajuda graças a oferenda que fazem os vivos (…) Se como está escrito, os homens de Matatias encarregados do culto em favor do exército expiaram, pelas oferendas, as culpas daqueles que tinham perecido e eram ímpios por seus costumes, quanto mais os sacerdotes de Cristo, com suas santas oferendas e orações, expiarão os pecados dos falecidos” (Testamento, 72,28:EP 741).[18] BASÍLIO MAGNO Nasceu por volta do ano 330, do seio de uma família profundamente cristã. No ano 364 foi ordenado sacerdote e, 6 anos depois, sucedeu a Eusébio, bispo de Cesaréia, metropolita da Capadócia e exarca da diocese do Ponto. Faleceu no ano 379. Fala como aqueles atletas de Deus, logo após terem sido salvos, podem ser “detidos” se por acaso conservarem algumas manchas de pecado: > “Penso que os valorosos atletas de Deus, os quais durante toda a sua vida estiveram frequentemente em luta contra os seus inimigos invisíveis, após terem superado todos os seus ataques, ao chegarem ao fim de suas vidas serão examinados pelo príncipe do século, a fim de que, se em consequência das lutas tiverem algumas feridas ou certas manchas ou vestígios de pecado, sejam detidos; porém, se são encontrados imunes e incontaminados, como invictos e livres encontram o descanso junto a Cristo” (Homilias sobre os Salmos 7,2: PG 29,232).[19] CIRILO DE JERUSALÉM Nasceu em Jerusalém ou em sua circunvizinhança, em torno do ano 313 ou 315. Foi Padre da Igreja e arcebispo de Jerusalém. Estima-se que morreu em 386. Em sua catequese reafirma a imemorial Tradição da Igreja de orar pelos falecidos por seu eterno descanso: “Recordamos também de todos os que já dormiram; em primeiro lugar, os patriarcas, os profetas, os apóstolos, os mártires, para que, por suas preces e intercessão, Deus acolha a nossa oração. Depois, também pelos santos padres, bispos falecidos e, em geral, por todos cuja vida transcorreu entre nós, crendo que isso será da maior ajuda para aqueles por quem se reza. Quero vos esclarecer isso com um exemplo: visto que muitos ouviram dizer: para que serve a uma alma sair deste mundo com ou sem pecados se depois faz-se menção dela na oração? Suponhamos, por exemplo, que um rei envia ao desterro alguém que o ofendeu; porém, depois, os seus parentes, afligidos pela pena, lhe oferecem uma coroa. Por acaso não ficarão agradecidos pelo relaxamento dos castigos? Do mesmo modo, também nós apresentamos súplicas a Deus pelos falecidos, ainda que sejam pecadores. E não oferecemos uma coroa, mas sim Cristo morto por nossos pecados, pretendendo que o Deus misericordioso se compadeça e seja propício tanto com eles quanto conosco” (Catequese 13,9-10).[20] EPIFÂNIO DE SALAMINA Nasceu por volta do ano 315 na Judéia. Fundou um mosteiro que dirigiu por quase 30 anos. Foi bispo de Salamina e metropolita do Chipre. Morreu no ano 367. Testemunha, da mesma maneira que os anteriores, a utilidade das orações pelos falecidos para obter de Deus o perdão das suas culpas: “Quanto a recitação dos nomes dos falecidos, o que pode haver de mais útil e que seja mais oportuno e digno de louvor, a fim de que os presentes percebam que os falecidos continuam vivendo e não foram reduzidos ao nada, mas continuam existindo e vivem junto do Senhor, restando assim afiançada a esperança daqueles que rezam por seus irmãos falecidos, considerando-os como se tivessem emigrado para outro país? São úteis, com efeito, as preces que são feitas em seu favor, mesmo que não possam eliminar todas as suas culpas” (Panarion 75,8: PG 42,513).[21] GREGÓRIO DE NISSA Nasceu entre os anos 331 e 335. Era irmão de São Basílio Magno, que o consagrou bispo de Nissa em 371. Faleceu no ano 394. O seguinte texto é uma referência tão clara ao Purgatório que não necessita de nenhum comentário: “Quando ele renuncia a seu corpo e a diferença entre a virtude e o vício é conhecida, não pode pode se aproximar de Deus até que seja purificado com o fogo que limpa as manchas com as quais a sua alma está infectada. Esse mesmo fogo em outros cancelará a corrupção da matéria e a propensão ao mal” (Sermão sobre a Morte 2,58).[22] JOÃO CRISÓSTOMO São João Crisóstomo é o representante mais importante da Escola de Antioquia e um dos quatro grandes Padres da Igreja no Oriente. Nascido por volta do ano 350, talvez antes, foi ordenado sacerdote no ano 386 e em 397 foi consagrado bispo de Constantinopla. Morreu em 407. Atesta que foram os próprios Apóstolos que instituíram a celebração da eucaristia pelo descanso eterno dos falecidos e exorta a não cessarmos de ajudar os defuntos com nossas orações, já que, graças a elas, recebem consolo: “Não sem razão foi determinado, mediante leis estabelecidas pelos Apóstolos, que na celebração dos sagrados e impressionantes mistérios se faça a memória dos que já passaram desta vida. Sabiam, com efeito, que com isso os falecidos obtêm muito fruto e tiram grande proveito. Quando todo o povo e os sacerdotes estão com as mãos estendidas e se está celebrando o santo sacrifício, por acaso Deus não se mostrará propício com aqueles em favor dos quais lhe imploramos? Tratam-se daqueles que morreram conservando a fé” (Homilias sobre a Carta aos Filipenses 3,4: PG 62,203).[23] “Se os filhos de Jó foram purificados pelo sacrifício de seu pai, ‘porque deveríamos duvidar que quando nós também oferecemos [o sacrifício] pelos que já partiram, recebem eles algum consolo’? Já que Deus costuma atender aos pedidos ‘daqueles que pedem pelos demais’, não cansemos de ajudar os falecidos, oferecendo em seu nome e orando por eles” (Homilias sobre 1Corintios 41,8).[24] SANTO AGOSTINHO Doutor da Igreja nascido em Tagaste (África) no ano 354, filho de Santa Mônica. Após uma vida ímpia, converteu-se no ano 387 e, posteriormente, foi eleito bispo de Hipona, ministério que exerceu durante 34 anos. É considerado um dos Padres mais influentes do Ocidente e seus escritos são de grande atualidade. Morreu no ano 430. As descrições do Purgatório por parte de Santo Agostinho também são bastante anteriores a São Gregório Magno e são tão claras que tampouco necessitam de explicações: “Senhor, não me interpeles na tua indignação. Não me encontres entre aqueles a quem haverás de dizer: ‘ide para o fogo eterno que está preparado para o diabo e seus anjos’. Nem me corrijas em teu furor, mas purifica-me nesta vida e torna-me tal que já não necessite do fogo corretor, atendendo aos que hão de salvar-se, ainda que, não obstante, como que através do fogo. Por que acontece isto se não é porque edificam aqui sobre o cimento, lenha, palha e feno? Se tivesse edificado sobre o ouro, a prata e as pedras preciosas, estariam livres de ambas as classes de fogo, não apenas daquele eterno, que atormentará os ímpios para sempre, mas também daquele que corrigirá aos que hão de salvar-se através do fogo” (Comentário ao Salmo 37,3: BAC 235,654).[25] “Quando alguém padece algum mal, pela perversidade ou erro de um terceiro, peca, certamente, o homem que por ignorância ou injustiça causa um mal a alguém; porém não peca Deus, que por um justo mas oculto desígnio, permite que isto ocorra. Contudo, há penas temporais que alguns padecem apenas nesta vida, outros após a morte, e outros agora e depois. De toda forma, estas penas são sofridas antes daquele severíssimo e definitivo juízo. Mas nem todos os que hão de sofrer penas temporais através da morte cairão nas eternas, que terão lugar após o juízo. Haverá alguns, de fato, a quem se perdoarão no século futuro o que não se lhes foi perdoado no presente; ou seja, que não serão castigados com o suplício eterno do século futuro, como falamos mais acima” (A Cidade de Deus 21,13: BAC 172,791-792).[26] “A maior parte [das pessoas], uma vez conhecida a obrigação da lei, se veem vencidas primeiramente pelos vícios que chegam a dominá-las; tornam-se, assim, transgressoras da lei. Logo buscam refúgio e auxílio na graça, com a qual recuperarão a vitória, mediante uma amarga penitência e uma luta mais vigorosa, submetendo primeiro o espírito a Deus e obtendo depois o domínio sobre a carne. Quem quiser, pois, evitar as penas eternas não deve apenas se batizar; deve ainda se santificar seguindo a Cristo. Assim é como quem passa do diabo para Cristo. Quanto às penas expiatórias, não pense ninguém em sua existência se não será antes do último e terrível juízo” (A Cidade de Deus 21, 16: BAC 172,798.[27] “Não se pode negar que as almas dos falecidos são aliviadas pela piedade dos parentes vivos, quando oferecem por elas o sacrifício do Mediador ou quando praticam esmolas na Igreja. Porém, estas coisas aproveitam aquelas [almas] que, quando viviam, mereceram que se lhes pudessem aproveitar depois. Pois há um certo modo de viver, nem tão bom que aproveite destas coisas depois da morte, nem tão mal que não lhes aproveitem; há tal grau no bem que o que possui não aproveita de menos; ao contrário, há tal [grau] no mal que não pode ser ajudado por elas quando passar desta vida. Portanto, aqui o homem adquire todo o mérito com que pode ser aliviado ou oprimido após a morte. Ninguém espere merecer diante de Deus, quando tiver falecido, o que durante a vida desprezou” (Das Oito Questões de Dulcício 2, 4: BAC 551,389).[28] “Lemos nos livros dos Macabeus que foi oferecido um sacrifício pelos falecidos. E apesar de não podermos ler isto em nenhum outro lugar do Antigo Testamento, não é pequena a autoridade da Igreja universal que reflete este costume, quando nas orações que o sacerdote oferece ao Senhor, nosso Deus, sobre o altar encontra seu momento especial na comemoração dos falecidos” (Do Cuidado devido aos Mortos 1,3: BAC 551,439).[29] “Na pátria (=céu) não haverá lugar para a oração, mas apenas para o louvor. Por que não para a oração? Porque nada faltará. O que aqui é objeto de fé, ali será objeto de visão. O que aqui se espera, ali se possuirá. O que aqui se pede, ali se recebe. Contudo, nesta vida existe uma certa perfeição alcançada pelos santos mártires. A isto se deve o uso eclesiástico, conhecido pelos fiéis, de se mencionar os nomes dos mártires diante do altar de Deus; não para orar por eles, mas pelos demais falecidos de que se faz menção. Seria uma injúria rogar por um mártir, a cujas orações devemos nos encomendar. Ele lutou contra o pecado até derramar seu sangue. Aos outros, imperfeitos todavia, mas sem dúvida parcialmente justificados, diz o Apóstolo na Epístola aos Hebreus: ‘Todavia não resististes até tombar em vossa luta contra o pecado’” (Sermão 159,1: BAC 443,498).[30] GREGÓRIO MAGNO Papa e doutor da Igreja, é o quarto e último dos originais Doutores da Igreja latina. Defendeu a supremacia do Papa e trabalhou pela reforma do clero e da vida monástica. Nasceu em Roma por volta do ano 540 e faleceu em 604. Enxergava em Mateus 12,32 uma referência implícita ao Purgatório: “Tal como alguém sai deste mundo, assim se apresenta no Juízo. Porém, deve-se crer que exista um fogo purificador para expiar as culpas leves antes do Juízo. A razão para isso é que a Verdade afirma que se alguém disser uma blasfêmia contra o Espírito Santo, isto não lhe será perdoado nem neste século nem no vindouro. Com esta sentença se dá a entender que algumas culpas podem ser perdoadas neste mundo e algumas no outro, pois o que se nega em relação a alguns deve-se compreender que se afirma em relação a outros (…) No entanto, tal como já disse, deve-se crer que isto se refere a pecados leves e de menor importância” (Diálogos 4,39: PL 77,396).[31] CONCLUSÃO Isto é apenas uma seleção parcial de textos patrísticos referentes ao Purgatório. Na verdade, torna-se difícil entender, à luz das sentenças anteriores, como ainda existem pessoas que afirmam que o Purgatório foi invenção da Idade Média. Peço a Deus que isto se dê por ignorância e não por malícia. Felizmente, estes textos estão ao alcance de todos e oferecem uma evidência indiscutível quanto a fé da Igreja primeira… a nossa Igreja [católica]. (…) —– Notas: [1] “A justiça, o perdão e a restauração”, 31.03.2008, por Dave Hunt. [2] “O Purgatório: verdade de Deus?”, por Daniel Sapia. [3] Texto em inglês em Ante Nicene Fathers [ANF] 3,701-702 – http://www.ccel.org/print/schaff/anf03/vi.vi.iv [4] Traduzido do “Epitáfio de Abércio” (ano 190 d.C.), em PAT 1:172. Texto em inglês em http://www.ccel.org/ccel/wace/biodict.txt [5] “Atos de Paulo e Tecla” em ANF 8,490. Texto em inglês em http://www.ccel.org/print/schaff/anf08/vii.xxvi [6] “Stromata / Tapeçarias”, livro 7, capítulo 14, em ANF 2,504. Texto em inglês em http://www.ccel.org/print/schaff/anf02/vi.iv.vi.xiv [7] “Stromata / Tapeçarias”, livro 7, capítulo 6, em ANF 2. Traduzido de http://www.ccel.org/print/schaff/anf02/vi.iv.vii.vi [8] “Patrologia 1”, Johannes Quasten, p. 311. “O Além nos Padres da Igreja”, Guillermo Pons, p. 69. [9] “Patrologia 1”, Johannes Quasten, p. 311. [10] Ibid. [11] “O Além nos Padres da Igreja”, Guillermo Pons, p. 69. [12] “Epístola 51[55]”: a Antoniano, sobre Cornélio e Novaciano 20; ANF 5,332. Traduzido de http://www.ccel.org/print/schaff/anf05/iv.iv.li e http://www.newadvent.org/fathers/050651.htm [13] Carta 39,3 (HARTEL, 583, BAYARD, ML 4,323 A:Epist. 34). Texto em inglês em http://www.newadvent.org/fathers/050633.htm [14] Carta 1,2 (HARTEL:CSEL v.3 p.2 pg.463s, L. BAYARD, São Cipriano, Correspondência (Paris 1945), ML 4,399 AB:Epist. 66). Texto em inglês em http://www.newadvent.org/fathers/050665.htm [15] Carta 12,2 (HARTEL, 503s, BAYARD, ML 4,328 b 329 a:Epist.37). Texto em inglês em http://www.newadvent.org/fathers/050636.htm [16] Extraído da “Enciclopédia Católica”, verbete Purgatório. [17] Lactâncio, “Os Divinos Institutos”, livro 7, capítulo 21; ANF 7. Texto em inglês em http://www.ccel.org/print/schaff/anf07/iii.ii.vii.xxi [18] “O Além nos Padres da Igreja”, Guillermo Pons, p. 69. [19] Ibid, p. 70. [20] Extraído de http://www.mercaba.org/tesoro/CIRILO_J/Cirilo_25.htm. Texto em inglês em Leitura Catequética 23,9-10; NPNF 2,7,154-155 – http://www.ccel.org/print/schaff/npnf207/ii.xxvii [21] “O Além nos Padres da Igreja”, Guillermo Pons, pp. 70-71. [22] “Sermão sobre os Mortos”, Jurgens 2,58. [23] “O Além nos Padres da Igreja”, Guillermo Pons, p. 71. [24]Texto em inglês em http://www.ccel.org/print/schaff/npnf112/iv.xlii e http://www.newadvent.org/fathers/220141.htm [25] “O Além nos Padres da Igreja”, Guillermo Pons, pp. 71-72. [26] Ibid, p. 72. [27] Ibid, p. 72-73. [28] Ibid, p. 73. [29] Ibid, p. 73-74. [30] Ibid, p. 74. [31] Ibid, p. 74-75 Fonte: apologeticacatolica.org; tradução: Carlos Martins Nabeto
- Os primitivos Padres da Igreja acreditavam na “Sola Scriptura”?
O Sr. Webster escreve: “A Reforma foi responsável pela restauração na Igreja do princípio da Sola Scriptura, princípio que tinha estado sempre presente na Igreja desde o início da era pós-apostólica. Inicialmente os apóstolos ensinavam oralmente mas, com o término da era apostólica, toda revelação especial que Deus queria preservar para os homens foi reunida nas Escrituras escritas. Sola Scriptura é o ensinamento e a crença de que há uma única revelação de Deus que o homem possui atualmente: as Escrituras escritas ou a Bíblia, e que, consequentemente, as Escrituras são materialmente suficientes e, já que inspiradas por Deus, são por sua natureza a última autoridade para a Igreja.” Dois pontos devem ser observados a respeito. Primeiramente, o Sr. Webster iguala a Sola Scriptura com a suficiência material das Escrituras. Em segundo lugar, de acordo com o Sr. Webster, os Reformadores foram responsáveis pela restauração desse entendimento limitado da Sola Escritura. A Sola Scriptura consiste de um elemento material e de um formal. Em primeiro lugar, a Sola Scriptura afirma que todas as doutrinas da fé cristã estão contidas no corpo do Antigo e do Novo Testamentos. Por conseguinte, as Escrituras são materialmente suficientes. Em segundo lugar, as Escrituras não necessitam de outra autoridade coordenadora tais como uma Igreja Mestra ou a Tradição para determinar seu sentido. A Sola Scriptura sustenta a suficiência formal das Escrituras. Os Católicos podem afirmar a suficiência material das Escrituras e, portanto, a posição do Sr. Webster prova que a crença dos Padres da Igreja na suficiência material da Sola Scriptura é inquestionável. Para o Sr. Webster levantar essa questão da Sola Scriptura deve provar que os Padres da Igreja afirmaram a suficiência formal das Escrituras. Os Padres afirmaram tanto a suficiência material como a insuficiência formal das Escrituras. O Sr. Webster afirma: “E não há indicação nos escritos dos Padres de uma Tradição que é oral por natureza, e para defender isso eles apelam para a Tradição Apostólica. A Tradição Apostólica para Irineu e Tertuliano se constitui simplesmente das Escrituras.” Observem o prestidigitação do Sr. Webster. Ele iguala o entendimento da Tradição de Santo Irineu e de Tertuliano com as Escrituras. Ambos os Padres entenderam claramente a Tradição como uma autoridade substantiva e coordenadora ao lado das Escrituras. Esses mesmos Padres acreditavam que as doutrinas da Igreja Católica estavam fundamentadas na Tradição tanto quanto nas Escrituras. Contudo, não tiraram a errônea conclusão de que a Tradição é igual às Escrituras já que a Tradição inclui as mesmas doutrinas contidas nas Escrituras. A diferença primordial entre as Escrituras e a Tradição é que se unem no mesmo ensinamento, mas através de meios diferentes. Uma transmite as doutrinas via as Escrituras escritas, enquanto a Tradição transmite as mesmas doutrinas através da vida, da fé e das práticas da Igreja. Se as Escrituras fossem igualadas com a Tradição então os escritos de Santo Irineu e Tertuliano ficariam sem sentido. Santo Irineu escreve como se antecipasse os primeiros Protestantes: “Quando, contudo, eles foram refutados pelas Escrituras, voltaram atrás e acusaram essas mesmas Escrituras, como se elas não fossem corretas, nem tivessem autoridade, e afirmaram que elas são ambíguas, e que a verdade não pode ser retirada delas por aqueles que não conhecem a tradição… Aconteceu, portanto, que aqueles homens agora nem concordam com as Escrituras nem com a tradição” (Contra as Heresias III,2,1). “Suponhamos que se levante uma questão sobre algum importante ponto entre nós, e não possamos recorrer às mais primitivas comunidades com as quais os apóstolos mantiveram constante relacionamento, as quais aprenderam deles o que é certo e claro a respeito dessa questão. O que aconteceria se os próprios apóstolos não nos tivessem deixado escritos? Não seria necessário (nesse caso) seguir o curso da tradição que transmitiram àqueles aos quais entregaram às Igrejas?” (Contra as Heresias III,4,1). De conformidade com Santo Irineu, a Tradição é substantiva em seu conteúdo, normativa em sua autoridade e continua a viver nas comunidades Apostólicas. Como Tertuliano escreve: “Erros de doutrina nas comunidades eclesiais devem ter surgido necessariamente sobre vários assuntos. Quando, contudo, se encontrava de forma unânime e igual aquela doutrina que fora passado a muitos, não era resultado de um erro, mas da tradição. Pode alguém, então, ser tão irresponsável que diga que aqueles que receberam a tradição estavam em erro?” (Prescrição contra os Hereges, 28). De modo igual, as palavras de Tertuliano ficariam sem sentido se aplicássemos o entendimento do Sr. Webster sobre a Tradição. O sr. Webster continua: “Irineu e Tertuliano tiveram contenda com os Gnósticos que foram os primeiros a sugerir e ensinar que possuíam uma Tradição oral Apostólica que era independente das Escrituras. Aqueles Padres Primitivos rejeitaram tal conceito e apelaram unicamente para as Escrituras para sua proclamação e defesa da doutrina.” Primeiramente, Santo Irineu e Tertuliano não emitiram opinião sobre o conceito de uma Tradição com autoridade ao lado das Escrituras. Suas críticas aos Gnósticos foi à tradição que era privada e encontrada somente entre os Gnósticos usada em oposição a uma Tradição que era pública, reconhecida, ensinada e preservada pela Igreja Católica. Este foi o ponto que foi lançado ao rosto dos Gnósticos por Santo Irineu e Tertuliano: “Mas, novamente, quando os pomos diante daquela tradição que se originou dos apóstolos, [e] que é preservada através das sucessões de presbíteros nas Igrejas, eles objetam contra a tradição, dizendo que são mais instruídos…” (Irineu, Contra as Heresias, III,2,2). “Seu testemunho, portanto, é verdadeiro, e a doutrina dos apóstolos está às claras e firme, de nada fazendo reservas; nem ensinaram eles um acervo de doutrinas privadamente e um outro publicamente.” (Contra as Heresias, III,15,1). “[Os Apóstolos] logo foram pelo mundo e pregaram a mesma doutrina da mesma fé às nações. Eles, portanto, de modo semelhante, andaram pelas igrejas em cada cidade, e dessas para todas as igrejas, uma após outra, e transmitiram a tradição da fé e as sementes da doutrina, e a cada dia as passavam adiante para constituírem igrejas. Certamente, é por causa disso somente que foram capazes elas próprias de se considerarem apostólicas, tendo sua origem nas igrejas apostólicas. Cada espécie de coisa deve necessariamente voltar às suas origens para sua adequação. Daí, as igrejas, embora sejam tantas e tão grandes, são ligadas a uma única igreja primitiva [fundada] pelos apóstolos, delas todas [fonte]. Dessa maneira todas são primitivas e todas apostólicas, enquanto são todas confirmadas por uma, [indissolúvel] unidade, por sua comunhão pacífica, por característica de irmandade e por laço de hospitalidade, privilégios que nenhuma outra norma determina senão que uma única tradição do mesmo mistério.” (Tertuliano, Prescrição Contra os Hereges, 20). O entendimento do Sr. Webster de que os Padres apelaram somente para as Escrituras é simplesmente uma fantasia. Como apoio de sua recente idéia de que Santo Irineu e Tertuliano abraçaram a Sola Scriptura, Sr. Webster cita Ellen-Flessman-Van Leer, uma erudita não católica. Infelizmente para o Sr. Webster, Ellen Flessman-Van Leer escreveu com profundidade e sem equívoco sobre o entendimento de Santo Irineu e Tertuliano a respeito da Tradição Apostólica. O Sr. Webster deixa-nos a impressão de que Van Leer e os Padres abraçaram a Sola Scriptura. Nada poderia estar mais longe da verdade. Ellen Flessman-Van Lerr disse: “Para Irineu, por outro lado, a tradição e as Escrituras convivem ambas perfeitamente sem problemas. Elas estão independentemente lado a lado, ambas com autoridade total, ambas incondicionalmente verdadeiras, fidedignas e convincentes” (A Tradição e As Escrituras na Igreja Primitiva, p. 139). Em outro lugar, Van Leer comenta Tertuliano: “Tertuliano disse explicitamente que os apóstolos transmitiram seus ensinamentos ou oralmente ou mais tarde através de epístolas, e o corpo todo desses ensinamentos ele designava com a palavra “traditio”… Isso é tradição no sentido real da palavra. Ela foi usada na mensagem original dos apóstolos, vindo em seguida à revelação, e na mensagem proclamada pela Igreja, a qual foi recebida através dos apóstolos” (Ibid. pp. 146, 147 e 168). Van Leer conclui: “Irineu e Tertuliano apontam para a tradição da Igreja como a fonte de autoridade do ensinamento inalterável dos apóstolos, porque eles não mais podiam apelar para a memória imediata como o faziam os primeiros escritores. Em seu lugar eles permaneciam firmes na afirmação de que esse ensinamento tinha sido transmitido fielmente de geração para geração. Poder-se-ia dizer que, em seu modo de pensar, a sucessão apostólica ocupa, nos Padres Apostólicos, o mesmo lugar que é dada à memória viva” (ibid. p.188). Claramente o Sr. Webster não entendeu Van Leer, nem Santo Irineu, nem Tertuliano. O Sr. Wesbster continua: “A Bíblia foi a última autoridade para os Padres da Patrística. Ela era materialmente suficiente e o árbitro final em todas as matérias de verdade doutrinal. Como J.N.D. Kelly destacou: ‘A evidentíssima posição do prestígio gozado pelas Escrituras é o fato de que todo o esforço teológico dos Padres – fossem seus objetivos polêmicos ou construtivos – era despendido no acervo da exposição da Bíblia. Mais tarde, generalizadamente se admitiu que, para que qualquer doutrina fosse aceita, fosse primeiramente baseada nos fundamentos das Escrituras’ (Primitivas Doutrinas Cristãs, San Francisco: Harper & Row, pp. 42 e 46).” Aqui temos o Sr. Webster apresentando erroneamente a fé de J.N.D. Kelly, o erudito patrístico Anglicano. Interessante é como o Sr. Webster deixou de citar o que se segue na mesma obra: “Seria desnecessário juntar mais evidências. Durante todo o período as Escrituras e a tradição foram colocadas como autoridades complementares, diferentes na forma instrumental, mas coincidentes no conteúdo. Pesquisar o que era tido como superior ou mais definitivo, é estudar a questão com termos enganosos. Se as Escrituras eram completamente suficientes em princípio, a tradição era reconhecida como a mais segura pista para sua interpretação, porque na tradição a Igreja reteve um legado dos apóstolos que estava embebido em todos os órgãos de sua vida institucional, laço infalível do sentido e significação reais da revelação, da qual as Escrituras e a tradição eram como testemunhas repetitivas” (Primitivas Doutrinas Cristãs, pp. 47-48). O Sr. Wesbster cita então vários parágrafos de São Cirilo de Jerusalém, São Gregório de Nissa e São Basílio o Grande em apoio a Sola Scriptura. E resume seus achados sobre a primitiva Igreja: “Esses Padres são simplesmente representativos da totalidade dos Padres. Cipriano, Orígenes, Hipólito, Atanásio, Firmiliano, Agostinho são alguns poucos dos Padres que podem ser citados como proponentes do princípio da Sola Scriptura, em adição a Tertuliano, Irineu, Cirilo e Gregório de Nyssa. A primitiva Igreja operava com base no princípio da Sola Scriptura e foi seu princípio histórico que os Reformadores procuraram restaurar na Igreja.” Para uma completa refutação da reivindicação acima, cito minha contribuição em “Não Somente pelas Escrituras” (Santa Bárbara Queenship, 1997), capítulo 8: “O que ensinaram os Padres da Igreja sobre as Escrituras e a Tradição” e o Apêndice: “Um dossiê dos Padres da Igreja sobre as Escrituras e a Tradição”. Há um par de temas recorrentes nos escritos dos Padres da Igreja sobre as regras da fé. Primeiramente os Padres afirmam que a mais perfeita expressão da fé dos Apóstolos se encontra nas Sagradas Escrituras. Os Padres afirmam a suficiência material das Escrituras. De acordo com os Padres, todas as doutrinas da fé Católica devem se encontrar na Bíblia. Em segundo lugar, os Padres afirmam, ao mesmo tempo e com igual convicção, que a fé apostólica foi transmitida à Igreja através da Tradição. De acordo com os Padres, as Escrituras podem somente ser interpretadas dentro da Igreja Católica na luz de sua Sagrada Tradição. Os Padres, principalmente aqueles que combateram as heresias, afirmaram que a falha fatal dos hereges era interpretar as Escrituras de acordo com suas interpretações particulares, diferentemente da mãe Igreja e de sua Tradição. Em resumo, quando os Padres afirmam a suficiência e autoridade das Escrituras, eles o fazem não no vazio, mas dentro das estruturas da autoridade da Igreja e da Tradição. Permitam-me citar passagem dos mesmos Padres que o Sr. Webster usou: São Cirilo de Jerusalém (~315-386), Doutor e Bispo Católico de Jerusalém, entre os anos 348-360, escreveu: “Mas aprendendo a Fé e a professando, tenhais em mente e conservai aquilo somente que vos é agora transmitido pela Igreja e que foi estruturado fortemente nas Escrituras” (Leituras Catequéticas, 5,12). O sr. Webster citou tal trecho, mas eu acrescento aqui que ele preste atenção ao conceito católico de São Cirilo da regra da fé! Em outro lugar, São Cirilo chama a atenção não para as Escrituras quando fala da definição do Cânon: “Aprendei também diligentemente da Igreja quais são os livros do Antigo Testamento e quais os do Novo” (Leituras Catequéticas, 4,33). São Gregório de Nissa (~335-394), irmão de São Basílio o Grande, Doutor da Igreja Católica e Bispo de Nissa escreve: “Pois é suficiente para provar nossa afirmação de que a Tradição veio até nós por nossos pais, transmitida como uma herança, por sucessão dos apóstolos e dos santos que os sucederam. Aqueles, por outro lado, que mudaram suas doutrinas com novidades, necessitariam do suporte de abundantes argumentos, se quisessem mostrar seus pontos de vista, não à luz de homens controversos e instáveis, mas de homens de peso e firmeza. Mas já que suas posições se apresentam sem fundamentos e sem provas, quem é tão louco e tão ignorante para considerar os ensinamentos dos evangelistas e apóstolos, e daqueles que sucessivamente brilharam como luzes nas igrejas de menos força do que tais coisas sem sentido e sem provas?” (Contra Eunômio, 4,6). São Basílio o Grande (329-379), Doutor da Igreja Católica, Bispo de Cesaréia e irmão de São Gregório de Nissa escreve: “Sobre os dogmas e querigmas preservados pela Igreja, alguns de nós possuímos ensinamento escrito e outros recebemos da tradição dos Apóstolos, transmitidos pelo mistério. Com respeito à observância, ambos são da mesma força. Ninguém que seja versado mesmo um pouco no proceder eclesiástico, deverá contradizer qualquer um deles, em nada. Na verdade, se tentarmos rejeitar os costumes não escritos como não tendo grande autoridade, estaríamos inconscientemente danificando os Evangelhos em seus pontos vitais; ou, mais ainda, estaríamos reduzindo o querigma a uma única expressão” (O Espírito Santo, 27,36). Irineu, Cirilo de Jerusalém, Gregório de Nissa e Basílio são os únicos Padres citados pelo sr. Webster para fundamentar a Sola Scriptura. Eu citei passagens desses mesmos Padres para contradizer-lhe devidamente. Seria fácil a qualquer um recortar e copiar trechos dos Padres à sua vontade, contudo para encontrar a verdadeira fé de um Padre devemos verificar seus escritos completos. É claro que os Padres da primitiva Igreja apelaram para a Tradição lado a lado com as Escrituras. Essa Tradição era normativa, substantiva, aplicável a todos, e preservada pelas Igrejas Apostólicas, particularmente pela Sede de Roma. Fonte: Site Agnus Dei. Tradução de José Fernandes Vidal
- A Verdadeira Israel de Deus é a Igreja (PARTE VIII)
A questão da re-judaização não indica nenhuma recuperação de associação próxima entre o judaísmo e a teologia cristã; ela, ao contrário, mostra quanto a doutrina cristã se libertou de suas origens Judaicas e quão livre ela se sente para se apropriar de termos e conceitos da tradição judaica a despeito de seu anterior desprezo por elas. Agora que os teólogos cristãos não estavam mais obrigados a se envolver em diálogos sérios com o Judaísmo, eles conseguiram seguir seu próprio caminho cristão na formulação das declarações universais do Cristianismo. Não só as escrituras Judaicas e o sacerdócio Levítico,mas também outras prerrogativas e reinvindicações do povo escolhido foram transferidas de forma consistente para a igreja — prática que era tanto um indicador como a causa de isolamento do pensamento cristão gentio do Judaísmo contemporâneo com ele mesmo, bem como do Cristianismo judeu do qual viera originalmente. A igreja, portanto, era a herdeira das promessas e prerrogativas dos Judeus. “Da mesma maneira como Cristo é ISRAEL e Jacó, também nós que fomos tirados das entranhas de Cristo somos a verdadeira raça israelita”, a “terceira ISRAEL” falada em Isaías (Just. Dial. 135.3); (Just. Dial. 123.5). Da mesma maneira, a igreja, agora, era “a sinagoga de Deus” ( Iren. Her. 3.6.1), “Os que crêem” em Cristo se tornaram “uma alma, e uma sinagoga e uma igreja” ( Just. Dial. 63.5). A igreja, não a antiga Israel, tinha o direito de chamar Abraão de pai, de se intitular “o povo escolhido” (Just. Dial. 119.5) e de esperar herdar a terra prometida. Nenhum título para a igreja no Cristianismo primitivo é mais abrangente que o termo “o povo de Deus”, que originalmente significava “a nova Israel”, mas , aos poucos, perdeu essa conotação à medida que a declaração cristã de ser o único verdadeiro povo de Deus não precisar ser mais confirmado. Essa apropriação das escrituras Judaicas e da herança de Israel ajudou o cristianismo a sobreviver à destruição de Jerusalém e a argumentar que Jerusalém, com a vinda de Jesus Cristo, tinha servido seu propósito no plano divino e podia ser abandonada (Iren. Her. 4.4.1). Ela também capacitou o cristianismo a declarar uma afinidade com a tradição não judaica, bem como a judaica e a formular doutrinas, como a da trindade, em uma base mais inclusiva que a fornecida só pelo monoteísmo judaico. Essas e outras vantagens foaram citadas pelos defensores do Cristianismo contra o judaísmo; o empobrecimento, acarretado pela suposição de que a igreja cristã, no antigo testamento e nos elementos judaicos do novo testamento, teve tanto da tradição do Judaísmo quanto necessitaria.
- A Verdadeira Israel de Deus é a Igreja (PARTE VII)
Nem todas as formas heréticas do Cristianismo judeu, contudo, manifestaram esse dualismo, Ireneu relatou que “os que são chamados de ebionitas concordam [com a ortodoxia judaica e cristã] de que o universo foi criado por Deus” (Iren. Her. 1.26.2). O ponto em que eles divergiam da ortodoxia cristã era em sua percepção de Cristo. De acordo com Orígenes, havia “duas seitas ebionitas, a primeira confessa, como nós o fazemos, que Jesus nasceu de uma virgem, a outra sustenta que ele não nasceu desse modo, mas como os outros homens” (Or. Cels. 5.61). A primeira dessas seitas parece ter sido pelos cristãos ortodoxos de origem judaica, mencionados antes que continuavam a observar as regulamentações das leis mosaicasmesmo depois de aceitarem Jesus como o messias e a filiação divina de Jesus Cristo; parece provável que eles pensassem de maneira idêntica aos “nazarenos”. O segundo grupo de ebionitas ensinava que Jesus, embora tivesse nascido como os outros homens, foi eleito para ser filho de Deus e que em seu batismo Cristo, um arcanjo desceu sobre ele, como fez com Adão, Moisés e outros profetas (Epif. Haer. 30. 16.3-4). Jesus também não era nada além de um “verdadeiro profeta” (Iren. Her. 1.26.1). A distinção entre Jesus é Cristo também foi usada por Cerinto e era simbolizada em vários sistemas Cristãos gnósticos, mas parece que entre os ebionitas tinha de refletir o ensinamento essênio. Além disso, os hereges ebionitas “usavam o evangelho só de acordo com Mateus e reputiavam o apóstolo Paulo, sustentando que ele era um apóstata da lei” (Iren. Her. 1.26.2; Tert. Presc.33.5). O nome deles, ao contrário do que pensavam alguns pais da igreja, não parece derivar de um fundador chamado Ebion, mas da palavra hebraica para “pobre” (Tert. Carn. 14.5). Os ebionitas podem ter sido descendentes dos essênios que continuaram cristãos depois do ano 70. Oselquesaítas, como os ebionitas consideravam Jesus “um homem como todos os homens” hip. Her. 9.14.1) e um dos profetas; nessa extensão, eles também trazem as marcas das formas heréticas do Cristianismo Judeu. Talvez a ilação mais importante dos pergaminhos do mar morto para a história do desenvolvimento da doutrina Cristã depois do novo testamento é o esclarecimento das conexões entre os sectários do Judaísmo e o começo do Cristianismo Herético. Com a ajuda dessas formas adicionais, estão sendo esclarecidos os aspectos menos familiares da herança Judaica do ensinamento cristão primitivo e começa a ser possível verificar de forma mais acurada os vários relatos dos pais da igreja sobre a influência das ideias judaicas heréticas sobre a teologia cristã herética. Também há influência na direção oposta, à medida que o Mandeísmo e outras espécies de Judaísmo herege absorveram elementos da heresia cristã; e, assim, aconteceu que tanto a heresia judaica quanto a cristã contribuíram para a origem do islamismo. Nas tendências predominantes do Cristianismo ortodoxo, todavia, a herança Judaica continua visível de outras maneiras. O crescimento das estruturas culturais, hierárquicas e éticas do Cristianismo levou à cristianização de muitas características do Judaísmo. Embora, boa parte desse crescimento não pertença diretamente a história do desenvolvimento da doutrina, ele é importante por causa dessa “re-judaização” do Cristianismo. Justino argumentou que uma das diferenças entre a antiga aliança e a nova era de que o sacerdócio tinha sido substituído e “nós [a igreja como um todo] somos a verdadeira raça de sumos sacerdotes de Deus”(Just. Dial.116.3). No próprio novo testamento, o conceito de “Sacerdote” refere-se aos Levitas do antigo testamento, agora obsoletos, ou a Cristo ou a toda a igreja —– e não ao presbítero ordenado pela igreja. Mas Clemente, que também foi o primeiro a usar o termo “laico [laikos, grego]” (1Clem. 40.5), já falou de “sacerdotes” e do “sumo sacerdote” (1Clem. 32, 2; 40,5) e relacionou de forma relevante esses termos com o sacerdócio Levítico (Didq. 13.3; Hip.trad. ap. 3); um paralelo semelhante aconteceu no Dia e em Hipólito. Para Tertuliano, o bispo já era “o sumo pontífice” (Tert. Bat. 17.1); e para seu discípulo, Cipriano, era totalmente natural falar de um sacerdócio cristão (Cipr. Ep. 63.19). E também na época do tratado de Crisóstomo, sobre o sacerdócio, parece que passara a ser aceita a prática de se referir a Arão e Eli como exemplos e advertências para o sacerdócio da igreja cristã (Cris. Sac. 4.1.357). Crisóstomo também falou do “senhor ser sacrificado e deitado sobre o altar, e o sacerdote orar pela vítima de pé” (Cris. Sac. 3.4.177), resumindo a linguagem sacrificial sobre a eucaristia, que também passara a ser uma prática aceita. Portanto, os apóstolos também foram representados como sacerdotes (Epif. Her. 29.4.4)
- A Verdadeira Israel de Deus é a Igreja (PARTE VI)
Da mesma maneira, o curso seguido pelo desenvolvimento da tradição agostiniana foi afetado pela perda de contato com o pensamento judaico, cuja recusa em polarizar a livre soberania de Deus e o livre arbítrio do homem é frequentemente rotulado de pelagianismo. Mas o rótulo não é apropriado, pois o Judaísmo tem uma doutrina pelagiana da natureza, mas uma doutrina Agostiniana da graça. Agostinho acusou os pelagianos de “por o novo testamento no mesmo patamar do antigo testamento” (Ag. Fest. Pelg. 5. 15) por intermédio de sua percepção de que é possível que o homem obedeça à lei de Deus, Jerônimo via o Farisaísmo na noção Pelagiana de que a justiça perfeita era atingível na vida do homem aqui na terra (Hier. Pelag. 3.14;16). O desenvolvimento da teologia cristã no oriente, em especial na escola de Antioquia, manifestou outras formas de transceder a antítese dominante no Ocidente e de estabelecer “uma doutrina que não pode ser adequadamente chamada de Agostiniana nem de Pelagiana”. Mas também formulou a questão de uma maneira estranha à tradição judaica, como se tentasse encontrar a resposta para a questão na Bíblia judaica. Porque a vitória da teologia cristã sobre o pensamento Judaico aconteceu mais por um curso predefinido de ação que por conquista, a questão da relação entre as duas alianças vive voltando a chamar a atenção dos cristãos. A importância dos pensadores judeus para os teólogos cristãos > por exemplo de Moisés Maimôdenes para Tomás de Aquino, de Espinoza para Friedrich Scheiermacher ou Martin Buber tanto para a teologia protestante quanto para a católica-romana no século XX > não é apenas parte da continuação da interação entre o pensamento teológico e o secular. Os teólogos cristãos da da tendência filosófica desses pensadores judeus, os ouvem mais como parentes que como estranhos. Ao mesmo tempo, os elementos menos filosóficos e mais bíblicos da tradição judaica teológica não desempenham um papel semelhante na história cristã. Mas sempre que os teólogos individuais parecem estar indo longe demais em sua aviltação do antigo testamento, como fez Marcião no século II e a critica bíblica no século XIX, eles foram denunciados por relegar grande parte da Bíblia cristã a uma condição subcristã. Um dos indicadores mais confiáveis da interpretação do Judaísmo no pensamento cristão é a exegese de Romanos 9-11. A história dessa exegese é o registro da luta da igreja para dar uma estrutura teológica a suas instruções concernente à relação entre as alianças ou para restabelecer o sentido de continuidade-com-descontinuidade evidente na linguagem do novo testamento sobre ISRAEL como o povo escolhido. Por conseguinte, voltamos reiteradamente a exegese, bem como às implicações doutrinais das litanias e das pequenas orações da igreja que, às vezes, preservam esse sentido com fidelidade. Aparentemente, foaram do sectarismo judaico que vieram que vieram algumas das primeiras formas de heresias cristãs. De acordo com Ireneu, “todas são derivadas de Simão da Samaria” (Iren. 1.23.2), e um dos catálogos mais antigos dos hereges cristãos, o de hegésipo conforme preservado por Eusébio, traz Simão em primeiro lugar entre os que vieram de “sete seitas entre o povo [judeu]” para “corromper a [igreja] com ensinamentos vãos”(ap. Eus. H.e.4.22.5). O próprio Eusébio denominou Simão como o “principal autor de todo tipo de heresia” e o identificou com o Simão de atos 8. 9-25(Eus. H.e. 2.13.6). Cirilo de Jerusalém também o chamou de “inventor de todas as heresias” (Cir. H. Cateq. 6.14). Mas Justino Mártir, ele mesmo nativo da Samaria, é a principal fonte de informação sobre a heresia de Simão. De acordo com Justino, Simão era conhecido por sua adesão ao movimento”o primeiro Deus”, e eles diziam que uma determinada “Helena[…] Foi o primeiro pensamento que ele trouxe à existência” (Just. 1Apol. 26.3). O conceito do primeiro pensamento parece ser derivado, pelo menos em parte, das especulações Judaicas sobre a sabedoria pessoal de Deus. “A gnose simoniana surgiu do sectarismo Judaico-samaritano”( R. Grant 1959) e, por meio dela, contribui também para o início do gnosticismo Cristão. O Simonianismo, como outras formas de gnosticismo, era extremamente pessimista em sua percepção do mundo criado, levando aparentemente a implicação da doutrina dos dois espíritos dos pergaminhos do mar morto até o ponto do dualismo ontológico.
- A Verdadeira Israel de Deus é a Igreja (PARTE V)
A VERDADEIRA ISRAEL É A IGREJA A VITÓRIA DA TRADIÇÃO CRISTÃ Parte V Essa vitória, contudo, foi em Grande parte conseguida por um curso pre-definido de ação. Não pela força superior de exegese, do aprendizado ou da lógica cristã, mas o movimento da história judaica parece ser grandemente responsável por essa vitória. Sugere-se que a ascensão do movimento cristão despojou o Judaísmo de um tanto de sua dinâmica anterior, em especial do zelo prosélito que marcou o pensamento judaico na diáspora helenista e até mesmo na palestina, onde se dizia que os judeus “percorrem terra e mar para fazer um convertido” (Mt 23, 15). Havia diversas traduções da Bíblia Hebraica para o grego feita por judeus (e talvez também uma ou mais feitas por cristãos). No final do séc II e início do III da era cristã, quando o Latin começou a substituir gradativamente o grego na parte ocidental do império Romano, a situação no próprio judaísmo tinha mudado. Parece que a Septuaginta surgiu por causa da incapacidade dos jovens judeus da diáspora de ler hebraico e do desejo de apresentar o caso pró-judaismo para o mundo de fala grega. Mas parece que nenhum desses fatores produziu alguma tradução do antigo testamento para o Latin feita por um judeu; quando a Bíblia Hebraica começou a sair em versões latinas , essa parece ter sido a obra de tradutores cristãos anônimos e, finalmente, de Jerônimo. Depois do saque de Jerusalém em 70 d.c. e de sua profanação nos seguintes, a polêmica judaica contra o cristianismo estava cada vez mais na defensiva, enquanto a doutrina Cristã se sentiu capaz de seguir o próprio caminho sem engajar os rabis em um diálogo contínuo. Parece que Orígenes foi um dos poucos país da igreja a participar desse diálogo (Or.Cels. 1.55; 2.31). Talvez Orígenes tenha sido o primeiro o primeiro pai da igreja a estudar o hebraico, “em oposição ao espírito de seu tempo e de seu povo”, como diz Jerônimo (Hier. Vir. ill. 54); de acordo com Eusébio, ele “aprendeu o hebraico a fundo” (Eus. H. e. 6.16), mas há um motivo para duvidar dessa exatidão. Jerônimo, todavia, foi corretamente celebrado como “trilíngue” (Hir. Rufin. 3.6) por sua competência em latim, grego e hebraico; e Agostinho claramente admirava, talvez até mesmo invejasse, sua capacidade de interpretar as escrituras divinas em ambas as línguas” (Ag. Pecc. Merit.3.6.12[CSEL. 60:138-39]). O testemunho acerca do conhecimento de hebraico de outros pais da igreja—–por exemplo, Dídimo o cego, ou Teodoro de mopsuéstia——é menos conclusivo(Didim. Trin. 1.18; Didim. Espir.15). Mas parece seguro propor a generalização de que, com exceção de convertidos do Judaísmo, foi só com os humanistas bíblicos e os reformadores do século XVI que o conhecimento do hebraico se tornou um padrão para os expositores cristãos do antigo testamento. A maioria da doutrina cristã foi desenvolvida em uma igreja sem qualquer conhecimento do texto original da Bíblia Hebraica. Independentemente dos motivos, os teólogos cristãos que escreviam contra o Judaísmo, conforme o tempo passava, pareciam levar seus oponentes cada vez menos a sério; e o que podia faltar em vigor e justeza em suas obras apologéticas, eles tendiam a suprir com autoconfiança. Eles não consideravam a comunidade judaica uma participante continua na história santa que produziu a igreja. Eles não mais consideravam a sério a interpretação judaica do antigo testamento ou o histórico judaico do novo testamento. Portanto, a urgência e a pungência sobre o mistério de Israel tão vívidas no Novo testamento só aparecem ocasionalmente no pensamento cristão, como em algumas passagens de Agostinho ( Ag. Sal. 9.7); mas essas passagens, mesmo em Agostinho (Ag. Ev.João 16.3), são superadas pelas muitas outras que falam de Judaísmo e de paganismo quase como se eles fossem igualmente estranhos para “o povo de Deus” —– a igreja de gentios cristãos. Mas a “desjudaização do Cristianismo” (Dix 1953, pg. 109) não foi espressa só pelo lugar concedido ao judaísmo pelos teólogos cristãos. Um efeito mais difundido desse processo fica evidente no desenvolvimento das várias doutrinas cristas. Entre estas, a doutrina de Deus e a do homem trazem marcas de desjudaização. No judaísmo era possível atribuir simultaneamente mudança de propósito a Deus (1Sm15,11) e declarar e declarar que ele não mudava (1Sm 15,29) sem resolver o paradoxo; pois a imutabilidade de Deus era considerada a confiabilidade de relacionamento da aliança com seu povo na história concreta de seu julgamento e misericórdia, em vez de como uma categoria principalmente ontológica. Mas a imutabilidade, no desenvolvimento da doutrina cristã de Deus, assumiu a condição de uma pressuposição axiomática para a discussão de outras doutrinas. Por conseguinte, a desjudaização do pensamento cristão, por exemplo, contribui para a forma assumida pela controvérsia cristológica, no fato de que os dois lados definiram o poder absoluto de Deus de acordo com o princípio de imutabilidade, embora eles tenham chegado a conclusões cristológicas opostas a partir desse princípio.
- A Verdadeira Israel de Deus é a Igreja (PARTE IV)
Parte IV JUDAÍSMO UMA FASE DA IGREJA SENDO ULTRAPASSADA Os dois propósitos dos testemunhos eram: mostrar que o judaísmo com suas leis tinha tido sua época; e provar que “aquele que viria fora predito de acordo com as escrituras” do antigo testamento (Cipr. Test. Pr. [CSEL]). Os testemunhos, para essa finalidade, compilavam essas passagens que eram mais rapidamente aplicáveis a Jesus como o Cristo. A rebelião das nações contra Iavé, conforme descrita em Salmos 2, foi cumprida no sofrimento de Cristo: “Os pagãos eram Pilatos e os romanos; o povo era as tribos de Israel; os reis foram representados por Herodes; e os governantes, pelos chefes dos Sacerdotes” (Tert. Mac. 4.42.2). Os Salmos que falam da entronização podem ser aplicados à ressurreição de Cristo, por meio da qual ele foi elevado à posição de senhorio; Salmos 110, já no novo testamento, era o texto prova favorito para essa afirmação (At 2.34,35; Just. Dial.32.6). O outro texto-prova favorito era a descrição do servo sofredor de Isaías 53 (At 8.30-35). Os rabis que debatiam com Orígenes sustentavam que “se referia a todo o povo [de Israel] como se fosse um único indivíduo” (Or. Cels. 1.55), mas o testo foi interpretado tão unânime e inequivocadamente como escritura cristã que até mesmo Trifão se sentiu obrigado a admitir que o Messias tinha de sofrer, embora não que ele tivesse de ser crucificado (Just. Dial.89.3). A expressão “vinda do senhor”, na profecia judaica posterior e apocalíptica, também se referia se referia a Jesus como o Cristo; mas, agora, tinha se ser dividida em duas vindas, a primeira já fora realizada nos dias de sua carne e a segunda ainda estava no futuro. Além da diferença entre humilhação e glória não ficava sempre claro qual era o fundamento para essa divisão, a qual nem o Judaísmo nem os Marcionitas antijudaismo aceitaram (Just. Dial. 49.2; Tert. Apol. 21.15; Or. Cels. 1.56; Clem. Rec. 1.49.2-5; Lact.Inst. 4.12.14-15). O que a tradição cristã fez foi assumir assumir as escrituras Judaicas como suas, por isso, Justino pôde dizer para Trifão que as passagens sobre Cristo “estão nas suas escrituras, ou antes, não nas suas, mas nas nossas” (Just. Dial. 29.2). Na verdade, algumas das passagens são encontradas só nas “nossas” escrituras, ou seja, no antigo testamento cristão. Os teólogos cristãos tinham tanta certeza de sua posse das escrituras que acusavam os judeus não só de entendê-las ou interpretá-las equivocadamente, mas até mesmo de falsificar textos escriturais. Quando tinham consciência das diferenças entre o texto hebraico do antigo testamento e o da Septuaginta, eles capitalizavam essas diferenças para provar a acusação de que os judeus tinham “tirado muitas passagens da escritura a partir da tradução feita pelos setenta anciãos” (Just. Dial. 71.2). Era de especial importância a tradução da Septuaginta de”virgem[parthenos,gr]” em Isaías 7.14 que foi adotada no novo testamento e canonizada pelos primeiros escritores Cristãos(Just. Dial.66-67; Mt 1,23). Em Salmos 22.16 podem ter havido duas leituras hebraicas transmitidas pela tradição judaica: ” perfuraram minhas mãos e meus pés”, e: “e como um Leão perfuraram minhas mãos e meus pés””. Os professores cristãos, seguindo a Septuaginta, lêem “perfuraram” e aplicavam esse versículo, junto com o salmo completo, à crucificação ( Barn. 5.13; Iren. Dem. 79; Cipr. Test. 2.20; seus oponentes Judeus “sustentam que esse salmo não se refere ao messias” (Just. Dial.97.4). Além dessas leituras variantes e traduçõescanonizadas foi desenvolvido um grupo de acréscimos cristãos ao texto da Septuaginta ou,coos denominou Daniélou, targumin e midrashin(Daniélou 1964), que parafrasearam e expandiram passagens do antigo testamento de formas quesubstanciavam a doutrina cristã. Justino Mártir acusou os Judeus de mutilar a passagem “O senhor reinava da árvore” (Sl. 96.10) a fim de apagar a óbvia referência da crucificação de Cristo. A tradição exegética cristã afirmou ter encontrado outras eliminações e mutilações da tradição judaica de interpretação (Just. Dial.73.1; Just. Apol.41.4). Talvez isso fizesse parte do mesmo processo de apropriação de quando Eusébio, historiador cristão, atribuiu a Josefo, historiador judeu, um parágrafo confessando o Messiado e a divindade de Jesus (Eus.H.e. 2.7-8); ou quando o mesmo escritor cristão supôs que a obra sobre a vida contemplativa, de Fílon, descrevia os cristãos primitivos, em vez de uma comunidade de judeus ascéticos (Eus.H.e. 2.7-8). A crescente facilidade com que eram feitas apropriações e acusações era proporcional à completude da vitória cristã sobre o pensamento judaico.
- A verdadeira Israel de Deus é a igreja (PARTE III)
Um elemento diferente de destaque nessa literatura de diálogo era inevitavelmente a questão da continuidade da validade da lei mosaica. O antigo testamento tinha destacado que a lei era tão permanente quanto a aliança com Israel (Cipr. Test. 2.1[CSEL 3:63]); mas os cristãos “tratados essa aliança com descaso irrefletido rejeitaram as responsabilidades inerentes a ela” (Just. Dial. 10.4). Isso pareceu ao pensamento judaico ser um repúdio tanto da lei quanto da aliança. Justino replicou acusando Trifão, com efeito, por estratificar a lei antigo testamento. Os cristãos mantiveram todas as coisas da lei de Moisés que fossem “que fossem naturalmente boas, piedosas e justas” (Just. Dial. 45.3), qualquer coisa, em geral, adequada a uma concepção reducionista da lei natural. Até mesmo entre os Judeus, insistiam os cristãos, a lei natural precedeu a lei de Moisés como, por exemplo, quando uma mulher dá à luz uma criança no sábado (Anf. Mesop. [PG 39:121]). Isso indica que “a providência – que havia muito tempo dera a lei [Moisés], mas agora, dava o evangelho de Jesus Cristo – não queria que as práticas dos Judeus continuassem” (Or. Cels. 7.26). Os cristãos não tinham de ficar presos por nada que fora dirigido à antiga Israel como povo. Essa estratificação dos elementos morais, civis e cerimoniais da lei Mosaica provou ser muito difícil de seguir com alguma consistência, e os pais não fizeram com que aderissem a esses elementos. Ireneu, por exemplo, celebrou a superioridade da doutrina e da vida cristã sobre toda a lei, incluindo o decálogo, embora ele também afirmasse que “as palavras do decálogo” tinham sido “expandidas e ampliadas”, em vez de terem sido “canceladas” pela vinda de Cristo na carne (Iren. Dem. 96. Iren. Her. 4.16.4. A exegese alegórica e tipológica fornece uma forma mais eficaz que a estratificação para estar à altura do antigo testamento. Aqui, a Epístola de Barnabé vai mais uma vez além da maioria, À questão: “não existe um mandamento de Deus que proíba comer” animais cerimonialmente impuros, ela replica: “Há,sim, Moisés estava falando em termos espirituais ” (Barn. 10.2). O mesmo era verdade em relação à circuncisão de Abraão (Barn.9.7). Tertuliano, argumenta que uma “nova lei” e uma “nova circuncisão” substituíram as antigas que foram instituídas apenas como um sinal ou tipo do que estava por vir (Tert. Jud 3.8). Orígenes, extraindo diretamente de fontes do Judaísmo helenista, põe sua interpretação da lei Mosaica no contexto de uma alegoria do Êxodo do Egito; “com Orígenes a alegoria de Fílon [sobre a vida de Moisés e o Êxodo] é incorporada à tradição cristã e se torna parte da tipologia tradicional” (Danielou 1960, pg. 219). Uma característica especial da tipologia de Êxodo era a antecipação do Batismo pelo milagre do mar vermelho; o batismo, por sua vez, foi estabelecido em oposição à circuncisão do antigo testamento (Just. Dial. 29.1). Com certeza, é um exagero, dizer que “os pais apostólicos, pela transformação do evangelho na nova lei, retornaram a situação impossível” (Torrance 1959, pg.134) do homem sem Cristo, para que o termo”nova lei” e termos relacionados, como “sob a lei de cristo” não era destituída de conteúdo evangélico que a “lei”, às vezes, carrega no uso no novo testamento. Ao mesmo tempo, fica evidente que enquanto o moralismo e o legalismo se manifestaram na teologia cristã (Rm 3.27), apararam-se boa parte das arestas do argumento da apologética cristã contra o que era considerado a concepção “farisaica” da lei. A teologia cristã, embora a lei e os profetas pertencentes à linguagem da teologia judaica, identificava sua causa com a dos profetas contra a lei. Ignácio argumentou que os profetas tinham observado o Domingo, em vez do sábado Judaico (Ign. Mag. 9.1). As apologéticas cristãs eram ainda mais persistentes na procura dr provas de que Jesus era o cumprimento das promessas proféticas do que eram em encontrar indicações de que ele era “o fim da lei” (Rm 10.4). O começo desse processo já está evidente no novo testamento, em especial, claro, em livros como o evangelho de Mateus e a Epístola para os Hebreus, mas também no evangelho de Lucas, o único escritor do novo testamento tradicionalmente identificado como grego; é nesse evangelho que o Cristo ressurreto ” começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito em todas as escrituras [antigo testamento]” (Lc 24 27). A fórmula do novo testamento: “para que se cumprisse a escritura”, às vezes,refere-se ao resultado, em vez de a um propósito, mas a tradução “para que a escritura [por decreto divino] fosse cumprida” sugere que a precisa distinção entre propósito e resultado não é realmente aplicável aqui. Ireneu resumiu o ensinamento do novo testamento e da tradição cristã primitiva, de modo geral, quando declarou: “todas essas coisas que aconteceriam foram preditas pelo espírito de Deus por intermédio dos profetas, e os que servem a Deus em verdade tem de acreditar firmemente neles” (Iren.Dem.42). Bibliografia: Jaroslav pelikan #históriadaigrejaprimitiva
- A verdadeira Israel de Deus é a Igreja (PARTE II)
Essa disputa acerca da autoridade do antigo testamento e a respeito da natureza da continuidade entre o judaísmo e o cristianismo foi a primeira forma de buscar por uma tradição, que voltou ao longo da história cristã em outras formas. A adoção cristã de Abraão como “pai de todos os que crêem” (Rm 4.11; Ag. Civ.15.1[CCSL 48:453-54]) e a identificação cristã da igreja, a cidade de Deus, com a herança de Abel ilustram essa questão. Quando a igreja formulou sua busca por uma tradição em uma doutrina de correção e cumprimento, ela foi capacitada a reivindicar todos os Santos e crentes até Abraão e até mesmo até Adão como seus (Eus. H. e. 1.4.6[GCS, 9;40]; Ag. Pel. 3.4.11[CSEL 60: 497-98]). Essa doutrina de correção e cumprimento também ajudou a estabelecer um padrão para o tratamento do problema da tradição nos séculos subsequentes. Atanásio reivindicou ter a tradição do seu lado a despeito do fato de a linguagem de muitos dos pais soar herética (Atn. Dion. 14). Agostinho tentou inocentar os pais grecos da acusação de pelagianismo; os oponentes ortodoxos de Gottschalk do século IX, por sua vez, tentaram inocentar Agostinho; os debates entre o grego oriental e o Latin ocidental giravam em torno do testemunho da tradição; e os reformadores protestantes podiam afirmar sua lealdade à tradição católica apesar de sua separação de Roma. Todos esses argumentos seguiram o esboço da apropriação da tradição judaica pelos cristãos dos séculos I e II. A principal evidência para o desenvolvimento dessa apropriação é um gênero de literatura cristã devotada à comparação do cristianismo com o judaísmo. Nesse gênero literário “não há diálogo [……] Conduzido em tão alto nível de cortesia e justiça” na igreja primitiva quanto o diálogo comTrifão, de Justino Mártir; e o tratado de Justino foi apenas um dentre muitos. Praticamente todo escritor cristão importante dos primeiros cinco seculos compôs um tratado contra o judaísmo ou tornou essa questão o tema dominante em um tratado devotado a algum outro assunto. Os estudiosos, em geral, concordam que a obra de Justino representa a forma literária de uma entrevista real, mas que foi composta muitos anos após o fato é reflete a percepção do autor sobre o debate em retrospectiva. Mas fica igualmente claro que muitos dos últimos tratados “contra os judeus” não refletem não refletem nem contemplam essas entrevistas. O diálogo com o Judaísmo, ao contrário, tornou-se um conceito literário no qual a questão da singularidade do Cristianismo em comparação com o Judaísmo virou uma oportunidade para uma exposição literária da doutrina cristã para uma audiência não Judaica de leitores cristãos. A comparação dos tratados dos três primeiros séculos contra os judeus revela a recorrência de determinadas passagens bíblicas e a combinação de passagens bíblicas, de determinadas referências históricas e de certas formas de argumentação. Por isso, no início do século XX, a descoberta do texto havia muito perdido da prova da pregação apostólica, de Ireneu, em uma versão Armênia, forneceu mais apoio para a teoria de que existia ali uma compilação “de textos escriturais agrupados sob o títulos de debates com a intenção de convencer os judeus a partir do próprio antigo testamento de que a antiga lei fora abolida, que sua abolição estava prevista no antigo testamento e que seu propósito fora preparar e prefigurar a nova lei de Cristo”. Esse lugar comum na literatura cristã ajudou na demonstração de que a igreja, agora, tinha se tornado a nova e a verdadeira Israel e pode bem ser anterior aos próprios evangelhos. A partir título de tratados tradicionais como para Quirino: três livros de testemunhos contra os judeus, de Cipriano (Cipr. Test. [CSEL 3:35-184]), esse conjunto de lugares comuns adquiriu o título de “testemunhos”. A literatura do diálogo com o Judaísmo fornece dados importantes sobre o desenvolvimento do autoentendimento da teologia cristã, bem como seu entendimento das diferenças o cristianismo e o Judaísmo. #históriadaigrejaprimitiva
- A verdadeira Israel de Deus é a Igreja (PARTE I)
• A VERDADEIRA ISRAEL DE DEUS É A IGREJA • (PARTE I) • Sabemos através da TRADIÇÃO, que um dos escritores do novo testamento, não era judeu, Lucas. Que saibamos, nenhum dos pais da igreja era judeu, embora tanto Hermas quanto a Hegésipo, por exemplo, pudessem ser; Justino Mártir nasceu em Samaria, mas era gentio. A transição representada por esse elemento teve como consequência o desenvolvimento da doutrina cristã. • Os primeiros cristãos foram judeus e encontraram na fé cristã uma continuidade com a antiga fé. Eles se lembravam que seu Senhor mesmo tinha tido que seu propósito era cumprir a lei e os profetas, não não aboli-los; e era inútil os hereges negarem esse dito (Ireneu contra as heresias 4. 34.2;Mateus 5. 17; Tertuliano contra Marcião. 4.7. 4; 4 .9.15; 4.12.14; Tertuliano contra Marcião 5.14 14); Com os primeiros capítulos do livro dos Atos dos apóstolos obtemos uma imagem um tanto idealizada de uma comunidade cristã que se mantém seguindo como escrituras, a adoração e as observâncias da vida religiosa judaica. A igreja de jerusalém, que Ireneu chamou de “igreja da qual toda a igreja originou-se, capital dos cidadãos da nova aliança” (Ireneu contra as Heresias 3.12.5), Sequido de Tiago que, como “irmão do senhor” (Gálatas 1.19) era um tipo de “califa” (Staufler [1952] página 193-214), mas se recusou a fazer um rompimento com as tradições judaicas, não houve uma linha de divisão na comunidade de Jerusalém a aceitar uma separação fundamental entre suas vidas anteriores e sua nova condição. Eles, reconheciam que havia chegado algo novo – mas não algo inteiramente novo, mas algo recém-restaurado e cumprido. Mesmo depois da queda de jerusalém, em 70 d.c., esses “nazarenos” mantinham uma hereditariedade com o judaísmo; eles “queriam observar as ordenanças dadas por Moisés, contudo, escolheram viver como os cristãos e os fiéis” (Justino diálogo com Trifão 47. 2). começo da teologia cristã. Mas as tensões no pensamento judaico, especialmente no período anterior a 70 d.c., se refletiram no começo da teologia cristã. • O grupo chefiado por Tiago manifestou um grande apego às tradições judaicas, embora o grupo missionário que, mais adiante foi identificado com o apóstolo Paulo, bem como os apologetas do século II refletiam algumas afinidades com o pensamento judaico da diáspora helenista. Sobre à questão da continuidade do cristianismo com o judaísmo (Atos dos apóstolos 6-7). Depois de 70d.c., Esse conflito marcou as relações entre o pensamento cristão e o pensamento judeu em todos os lugares (Agostinho de Hipona Epístolas 82.4-22 [CSEL 34-II: 355-75]). A extensão e escopo da continuidade geraram uma controvérsia entre Pedro e Paulo; e essa controvérsia continuou inquietar a igreja. Foram produzidas várias soluções práticas para resolver os problemas de observação cultural e dietética, mas essas soluções não foram colocadas em uma forma consistente de interpretar uma questão teológica: o que há de novo na nova aliança? Como diferenças entre as medidas como estas são respondidas em atos (Atos dos Apóstolos 15. 6-21), a forma como Paulo discute em gálatas (Gálatas 2. 11-14) é uma continuação da difículdade enfrentada pela igreja. Os líderes dos dois lados eram cristãos de origem judaica; eles, a despeito de diferenças nas respostas, responderam à questão da diferença entre o judaísmo e o cristianismo com um profundo rigor pessoal (Romanos 9-5). Quando os convertidos começaram a vir mais do lado dos pagãos que das judaicas, o rigor foi abrandando e o lado de observação da questão ficou mais marcante. Para os judeus cristãos, a questão da continuidade era uma questão de sua relação com a mãe; para os cristãos gentios, era uma questão de sua relação com a sogra. O que, aos olhos dos gentios, era ofensivo no cristianismo, em extensão do período, era o que este tinha herdado do judaísmo. Celso e outros críticos pagãos ridicularizaram a declaração de que Deus, de todos os lugares existentes, fez uma aparição em “algum canto da judéia” (GC 3: 149), Orígenes contra Celso 5,50 [GCS, 3:55]); O imperador Juliano registrou o conceito judaico e cristão de Deus como “essencialmente uma divindade de um povo primitivo e incivilizado” (Cochrane [1944], página 266; Juliano contra os Galileus 43 A, 3; 320), embora ele tenha repreendido os galileus por terem abandonado o judaísmo. Não só os críticos gentios do Cristianismo, mas também os gentios convertidos ao cristianismo exigiram uma decisão sobre quanto da tradição judaica eles eram obrigados a seguir. A atitude de Marcião foi um exemplo herético do que antes, poderia ser um ressentimento disseminado também entre os crentes ortodoxos; pois é um Barnabé, embora não chegue ao mesmo ponto que o que Marcião chegou em sua rejeição do antigo testamento, afirmou que as tábuas originais da aliança do Senhor foram quebradas no Sinai e que Israel nunca teve uma aliança autêntica com Deus (Barnabé 14, 3-4). A declaração de Tertuliano, em oposição à Marcião, de que havia mais pessoas que aceitavam a autoridade do antigo testamento do que a rejeitavam levantou a questão de se o número de pessoas que a rejeitavam, em algum momento, chegou a ser cconsideráve (Tertuliano contra a Marcião). • essa disputa acerca da autoridade do antigo Testamento a respeito da natureza da continuidade entre o judaísmo e o cristianismo foi a primeira forma de busca por uma tradição, que voltou ao longo da história cristã em outras formas. A adoção Cristã de Abraão como o pai de todos os que crêem romanos 4.9 e a identificação cristã da igreja, a cidade de Deus, com a herança de Abel ilustram essa questão. Quando a igreja formulou sua busca por uma tradição em uma doutrina de correção e cumprimento, ela foi capacitado a reivindicar todos os santos e crentes até Abraão e até mesmo até Adão como seus filhos (Eusébio de cesareia, história eclesiástica, 1.4.6; Agostinho contra duas epístolas de Pelágio 3.4.11.) essa doutrina de correção e cumprimento, também ajudou a estabelecer um padrão para o tratamento do problema da tradição nos séculos subsequentes. Santo Atanásio reivindicou a tradição do seu lado a despeito do fato de a linguagem de muitos dos pais soar herética (Santo Atanásio, A defesa de Dionísio 14). Santo Agostinho tentou inocentar os pais gregos da acusação de pelagianismo, os oponentes ortodoxos de Gottschallk do século IX, por sua vez, tentaram inocentar Agostinho; os debates entre o grego oriental e o latim ocidental giravam em torno do testemunho da tradição; os reformadores protestantes no seu início usavam da afirmação da sua lealdade à tradição católica, tradição essa que herdou de Roma, apesar de sua separação de Roma. Lembremos que a própria Bíblia sagrada com seu novo testamento, é parte da tradição cristã, não havendo vínculo com a tradição judaica, a não ser pelos judeus que se converteram, hoje vemos um grande esforço dos protestantes pentecostais em não reconhecer esse elo com a tradição da Igreja Católica, então vão buscar símbolos que remetem a um Judaísmo que não pertence a eles, a uma Israel atual que não tem em nada com a Israel do antigo testamento, os judeus permanecem na diáspora até os dias atuais. Todos esses argumentos seguiram o esboço da apropriação da tradição judaica pelos cristãos dos séculos I e II. #históriadaigrejaprimitiva
- CASTIDADE, MATRIMÔNIO E FAMÍLIA
CASTIDADE, MATRIMÔNIO E FAMÍLIA: [O matrimônio é] de um com uma e para sempre. (Homilias sobre São Mateus, 62, 1) Se aquele que olhar uma mulher para desejá-la já cometeu com ela adultério (cfr. Mt 5, 28), quem a todo o custo se empenha em vê-la nua não ficará mil vezes cativo? […] Quando se trata de preeminências, aspirais ao primeiro lugar em toda a terra, por ter sido a vossa cidade [Antioquia] a primeira que se coroou com o nome de “cristão”; mas neste combate da pureza, não vos envergonhais de ocupar um lugar inferior ao das mais rústicas aldeias! “Muito bem – respondei-me -, que queres então que façamos? Que subamos esses montes e nos façamos monges?” Isto é o que me faz gemer, que penseis que a modéstia e a castidade convêm somente aos monges. Não, Cristo promulgou leis comuns a todos. Com efeito, quando disse: Aquele que olhar uma mulher para desejá-la, não falava com o monge, mas com o homem casado, pois desses homens estava cheio o monte sobre o qual o Senhor falava. […] Não te proíbo de te casares nem me oponho a que te divirtas. Só quero que o faças com temperança, não com impudor, não com culpas e pecados sem conta. Não imponho como lei que vades aos montes e aos desertos, mas que sejais bons, modestos e castos, mesmo vivendo no meio das cidades. Para dizer a verdade, temos em comum com os monges todas as leis divinas, com exceção do matrimônio […]. Permanece na tua casa com a tua mulher e os teus filhos, mas não ultrajes essa mesma mulher, não desonres os teus próprios filhos, não metas na tua casa a peste dos teatros. Não ouves Paulo que diz: O varão não tem poder sobre o seu corpo, mas a mulher? (1 Cor 7, 4). [O Apóstolo] impõe leis comuns ao homem e à mulher. Tu, no entanto, se a tua mulher freqüenta a igreja, logo a cobres de implacáveis recriminações; mas passares tu o dia inteiro no teatro, não pensas que mereça recriminação alguma. És tão exigente quanto à castidade da tua mulher que chegas ao excesso e à falta de medida, a ponto de não lhe permitires as saídas necessárias; quanto a ti, porém, pensas que tudo te está permitido. Mas não será Paulo quem to permita, pois dá à mulher o mesmo poder que a ti: Pague o homem – afirma – a honra que deve à mulher. Mas que honra é essa, quando a ultrajas da maneira mais cortante e entregas a uma prostituta o corpo que lhe pertence – porque o teu corpo pertence a ela -, quando crias em tua casa alvoroços e guerras, quando fazes em praça pública o que não podes contar na intimidade sem envergonhares a tua esposa que te ouve, sem envergonhares a tua filha que está presente, sem te envergonhares antes a ti mesmo? Mostra à tua mulher que aprecias muito viver com ela e que por ela preferes ficar em casa a andar pela rua. Prefere-a a todos os teus amigos e mesmo aos filhos que ela te deu; ama esses filhos por amor dela […] Fazei juntos as vossas orações […] Aprendei o temor Deus. Todas as outras coisas fluirão daí como de uma fonte e a vossa casa se encherá de inumeráveis bens. (Homilias sobre a carta aos Efésios, 20) Mas tu, deixando a fonte do sangue, o cálice estremecedor, vais à fonte do diabo, para ver como nada uma meretriz e como naufraga a tua própria alma. […] Porque não imagines que, por não te haveres unido à meretriz, estás limpo de pecado. O desejo fez tudo. Se agora a paixão te domina, foste tu que acendeste mais o seu fogo; e se nenhuma impressão te produz o que viste, ainda é maior a tua culpa, porque foste pedra de escândalo para os outros e com semelhante espetáculo manchaste os teus olhos, e com os teus olhos a tua alma. Mas não nos contentemos apenas com repreender o mal; pensemos também no modo de corrigi-lo. Que modo será este? Eu quereria entregar-vos às vossas próprias mulheres para que elas vos instruam. […] E se te envergonhas de ter uma mulher por mestra, a Escritura te remete aos mais vis animais, para que aprendas com eles. […] E o mesmo faremos nós agora. Por ora, vos entregaremos às vossas mulheres; mas, se despre-zardes essas mestras, vos enviare-mos à escola dos irracionais, e ali vos mostraremos quantas aves, quantos peixes, quantos quadrúpedes e serpentes são mais pudicos e castos que vós. Se te envergonhas e enrubesces com a comparação, sobe à tua própria nobreza, ao trono que por Deus te foi dado. (Homilias sobre São Mateus, 7, 6) Porque também se pode olhar de outra maneira para uma mulher, tal como olham os homens castos. É por isso que o Senhor não proibiu de forma absoluta olhar, mas olhar com concupiscência. Se o tivesse querido, tê-lo-ia dito de maneira absoluta: “Aquele que olhar uma mulher”. Na realidade, não disse isso, mas sim: Aquele que olhar uma mulher para desejá-la Com efeito, Deus não nos deu os olhos para que por eles penetre o adultério na nossa alma, mas para contemplarmos as suas criaturas e por elas admirarmos o seu Criador. Ora bem, tal como uma pessoa pode irar-se sem motivo, também pode olhar sem motivo, e é o que acontece quando olha para excitar a concupiscência. Se queres olhar para teu deleite, olha para a tua mulher e ama-a continuamente: não há lei que te proíba fazê-lo. Mas se andas à busca de belezas alheias, ofendes em primeiro lugar a tua própria mulher, pois levaste os teus olhos a outra parte, e ofendes também aquela que olhaste, pois a tocaste ilegitimamente. Se não a tocaste com a mão, pelo menos fizesteo com os olhos, e por isso o teu olhar é considerado adultério. (Homilias sobre São Mateus, 17, 3) Como posso, pois, persuadir-me de que seja possível salvarem-se os vossos filhos, quando vejo que os incitais a fazer tudo aquilo que Cristo declarou ser impedimento absoluto para a salvação? Quando vejo que menosprezais como coisa secundária a sua alma e colocais todo o vosso afã no que verdadeiramente é secundário, como se fosse o necessário e principal? Todo o vosso empenho é que o vosso filho possa ter escravos, montar a cavalo, vestir a melhor das vestes; mas não chegais a pensar um só momento em como se fará ele mesmo melhor. Levais ao extremo a vossa preocupação por madeiras e pedras, mas não considerais a alma merecedora da menor parte desse cuidado. Estais dispostos a suportar tudo para terdes em casa uma primorosa estátua de arte e um enfeite de ouro, mas não quereis nem mesmo pôr o pensamento em fazer de ouro a mais preciosa das estátuas, a alma dos vossos filhos. (Contra os adversários da vida monástica,)
- CARDEAL DÁ INSTRUÇÕES PARA PARTICIPAR DA MISSA COM DIGNIDADE
O arcebispo de Valência, Espanha, Cardeal Antonio Cañizares, enviou uma carta aos sacerdotes da sua diocese no início deste ano de 2018 – intitulada “Minha casa é uma casa de oração” -, na qual dá diretrizes tanto aos fiéis, que vêm ao templo, quanto aos religiosos responsáveis por eles, para fazer com que as igrejas sejam o que em verdade são: casas de oração e não lugares profanos. Cardeal Antonio Cañizares foi nomeado em 2008 por Bento XVI para o cargo de prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, encarregada, entre outras tarefas, de velar pela correta celebração da liturgia católica. O cardeal permaneceu à frente desse dicastério até 2014. Conversas durante a Missa A carta do cardeal começa com uma mensagem clara: o silêncio é fundamental, mas parece ter caído no esquecimento. “Quando eu era criança, meus pais e professores me ensinaram a ficar quieto no templo. Agora, no entanto, alguns entram no templo como em qualquer outro lugar, prontos para o show. Quando chega o momento do abraço da paz, uma verdadeira confusão é criada, um rumor às vezes desrespeitoso e, no final da celebração, a algazarra está armada. Peço aos sacerdotes e a todos os fiéis que procedam de uma maneira diferente; peço-lhes que mantenham a compostura”. Roupas inadequadas O cardeal Cañizares também diz que não é raro encontrar-se nos templos pessoas inadequadamente vestidas. E dá instruções precisas: «Seria necessário alertar com cartazes que chamassem a atenção de que maneira se pode entrar no templo e de que maneira não, como se faz, por exemplo, na Basílica de San Pedro, em Roma. Se alguém entra de forma inadequada ou indecorosa, seria necessário convidá-lo educadamente a se retirar, para mudar de roupa e só então voltar ao templo. O que não é possível é essa falta de respeito”, diz a carta do Cardeal. Entre as roupas aceitas na Basílica de São Pedro, em Roma, estão as calças compridas, saias até o joelho e ombros cobertos. O templo não é estúdio de fotografia O máximo responsável pela arquidiocese de Valência está indignado com o alvoroço e a falta de respeito que surgem no momento das fotos, quando se finalizam as celebrações Missas e ocorrem quando se finalizam celebrações como as primeiras comunhões, batismos, casamentos ou crismas. Cardeal Cañizares também faz o seu “mea culpa”. “Eu sou o primeiro a sucumbir a isso e receio que meus irmãos bispos façam o mesmo. Temos que ter muito cuidado; as coisas podem ser feitas de forma diferente, e bem feitas, sem impedir que as pessoas registrem em fotografia esses momentos que lhes são tão gratos. O que não podemos é transformar o templo em um estúdio de fotografia, nem tampouco em ocasião de distrações e frivolidades”. Indiferença diante do Sacrário Em muitas ocasiões, diz o Cardeal, “passa-se diante do Sacrário sem qualquer reverência ou a genuflexão que é devida. É preciso educar as crianças e os adultos para esse hábito.” Recolhimento e devoção na comunhão O arcebispo de Valência também não está satisfeito com a forma como os fiéis recebem a comunhão. Confessa o quanto lhe faz mal ver como algumas pessoas se aproximam da Eucaristia, sem nenhum recolhimento e devoção, sem nenhum gesto de adoração, como alguém que pega um biscoito ou algo parecido. Pode-se comungar diretamente na boca, ou na mão, levando-se depois o Corpo de Cristo à boca, porém a forma mais apropriada ao mistério do Corpo de Cristo é receber comunhão de joelhos e na boca.” http://infocatolica.com/?t=noticia&cod=31417
- Uma Breve Análise Sobre os Deuterocanônicos do AT
Muitos protestantes através de livros, folhetos e sítios na Internet, procuram defender sua posição contra os livros deuterocanônicos do AT, afirmando que estes livros contêm heresias. Segundo eles, (que eles chamam de apócrifos) não são livros canônicos porque ensinam as seguintes heresias: 1. perdão do pecado mediante esmolas: Dizem que Tobias 12,9; 4,10; Eclesiástico 3,33 e 2 Macabeus 43-47 ensinam que as esmolas apagam os pecados, negando então a redenção do sacrifício de Cristo e por isso não podem ser considerados canônicos. Primeiro estas referências são do AT, portanto não podem ter qualquer relação com o sacrifício de Cristo. Segundo, elas estão em plena conformidade com o AT, que ensina que o bem feito ao próximo será considerado em nosso julgamento. Este é o princípio das esmolas. E esta mesma doutrina se encontra em Prov 10, 12, por exemplo. Será que o Livro dos Provérbios não é canônico também? Em terceiro lugar, esta mesma doutrina é confirmada no NT, basta verificar Mc 9,41; Lc 11,41. Jesus confirma até mesmo o valor da esmola juntamente com outras formas de piedade (cf. Mt 6,2-18), veja também 1 Pd 4,8; At 10,3-4; 10,31. 2. a vingança e a prática do ódio contra os inimigos: Dizem que isto está em Eclo 12,6 e Judite 9,4 e contradiz ferozmente Mt 5,44-48. Mais uma vez Eclo diz respeito ao AT, onde valia a lei do retalião. Se o Livro do Eclesiástico não é canônico por esta razão, também não são Êxodo, Deuteronômio e Levítico, veja Ex 21,24; Lv 24,20; Dt 19,19-21. 3. prática do suicídio: Dizem que o ensino sobre a prática do suicido está em 2 Macabeus 14,41-42. Entretanto em Jz 16,28.30 Sansão se suicida e sua morte é tida como grandiosa pelo autor do Livro de Juízes. A Bíblia possui diversos casos de suicídio – principalmente entre guerreiros -basta ver: Jz 9,54; 16,28-29; 1Sm 31,4-5; 2Sm 17,23; 1Rs 16,18. 4. ensino de artes mágicas: Dizem que Tobias 6,8-9 favorece a prática de artes mágicas. Ora, em Tobias 8,3 vemos que não é Tobias quem expulsa o demônio, mas sim o Anjo Rafael. O interesse era ocultar a ação do Anjo para Tobias. Em Jo 9,6 vemos que Jesus reconstituiu os olhos de um cego com saliva e logo em Tg 5,14 há instruções para usar óleo na cura de enfermos; será que por isso estes livros também deixaram de ser canônicos? 5. prática da mentira: Dizem que Judite 11,13-17 e Tob 5,15-19 favorecem a prática de mentiras. Abrão disse ao rei Abimelec que Sara era sua irmã, e na verdade era sua esposa (Gn 20,2). Jacó, auxiliado pela mãe, mente ao pai cego, dizendo que era o filho mais velho e no entanto era o mais novo (cf. Gn 27,19), além de também enganar o sogro (cf. Gn 31,20). Será que o livro de Gênesis também não é canônico? 6. erros históricos e cronológicos: Dizem ainda que os livros de Baruc e Judite são cheios de contradições em relação aos protocanônicos do AT. Devemos nos lembrar que a Sagrada Escritura não é um livro histórico ou geográfico, nela Deus através das limitações humanas comunicou seus desígnios. Veja que II Reis 8,26 se contradiz com II Cro 22,2; II Reis 23,8 também se contradiz com I Cro 11,11. Isto também faz deles livros não canônicos? Veja também Os Erros de John McArthur sobre a Sola Scriptura II Há citações dos deuterocanônicos do AT no NT? Um grande motivo de disputa entre católicos e protestantes em relação ao Cânon Bíblico diz respeito a um conjunto de sete livros disponíveis na Septuaginta, além de acréscimos nos Livros de Daniel e Ester; e que se encontram no AT católico e ortodoxo e não no protestante. Estes livros são considerados apócrifos pelas confissões protestantes e deuterocanônicos pelas confissões católica e ortodoxa. São eles: Judite, Baruc, Sabedoria de Sirac, Eclesiástico, 1o. Macabeus, 2o. Macabeus e Tobias. As confissões protestantes acreditam que este conjunto de livros apresenta erros doutrinários e até mesmo heresias; por isso seriam contrários à Fé Cristã. Porém, o fato do NT possuir tantas referências à versão da Septuaginta, que continha esses livros, pode ser um indício de que nem os judeus de Alexandria, nem os da Palestina, nem Jesus e nem os Apóstolos, tiveram qualquer restrição a esses livros, ou então por que usariam uma versão bíblica que continham livros heréticos? Há ainda objeções que afirmam que nem Jesus e os Apóstolos citaram os deuterocanônicos. Ora, se este fosse um critério verdadeiro para determinar a conformidade de um livro com a Fé Cristã, estariam em não conformidade pelo menos os livros Juizes, Crônicas, Ester, Cântico dos Cânticos, que também não são citados por eles. Entretanto, não é verdade que falta no NT referências aos deuterocanônicos do AT. Por exemplo, em Hebreus 11, somos animados a imitar os heróis do AT, “as mulheres [que] receberam a seus mortos pela ressurreição. Alguns foram torturados, recusando aceitar ser libertados, para poder levantar-se novamente a uma vida melhor” (Hb 11,35). Nos protocanônicos do AT (que corresponderia ao AT Protestante), encontramos vários exemplos de mulheres recebendo a seus mortos mediante ressurreição. Encontraremos Elias ressuscitando o filho da viúva de Sarepta em 1 Reis 17, encontraremos seu sucessor Eliseu ressuscitando o filho da mulher sunamita em 2 Reis 4. Mas jamais encontraremos (desde Gênesis até Malaquias) algum exemplo de alguém sendo torturado e recusando aceitar ser liberto, por causa de uma melhor ressurreição. A história, cuja referência é feita em Hebreus, se encontra em um dos livros deuterocanônicos, a saber, em 2 Macabeus. Vejamos: “[durante a perseguição dos Macabeus] Também foram detidos sete irmãos, junto com sua mãe. O rei, flagelando-os com açoites e feixes de couro de boi, tratou de obrigá-los a comer carne de porco, proibida pela Lei. […] Os outros irmãos e a mãe se animavam mutuamente a morrer com generosidade, dizendo: ‘o Senhor Deus está nos vendo e tem compaixão de nós…’ Uma vez que o primeiro morreu […] levaram o suplicio ao segundo […] também ele sofreu a mesma tortura que o primeiro. E quando estava por dar o último suspiro, disse: ‘Tu, malvado, nos privas da vida presente, mas o Rei do universo nos ressuscitará a uma vida eterna, se morrermos por fidelidade às suas leis’” (2 Mac 7,1.5-9) Um após outro os filhos morrem, proclamando que serão recuperados na ressurreição. Vejamos ainda: “Incomparavelmente admirável e digna da mais gloriosa lembrança foi aquela mãe que, vendo morrer a seus sete filhos em um só dia, suportou tudo valorosamente, graças à esperança que tinha posto no Senhor. Exortava a cada um deles, [dizendo] ‘Eu não sei como vocês apareceram em minhas entranhas; não fui eu que lhes dei o espírito e a vida nem fui eu que ordenou harmoniosamente os membros de seu corpo. Por conseguinte, é o Criador do universo, o que formou o homem em seu nascimento e determinou a origem de todas as coisas, quem lhes devolverá misericordiosamente o espírito e a vida, já que vocês se esquecem agora de si mesmos por amor à suas leis’, dizendo ao último: ‘Não temas a este verdugo: mostra-te digno de seus irmãos e aceita a morte, para que eu volte a encontrá-lo com eles no tempo da misericórdia’” (2 Mac 7,20-23.29). Veja também A Sagrada Tradição é igual à Sagrada Escritura? Perceba o leitor que em Hb 11,35, o escritor sagrado, ao ensinar um artigo de Fé refere-se a um exemplo de testemunho, que se encontra somente em um dos livros deuterocanônicos. Ora, se por isto o livro dos Macabeus contivesse alguma doutrina estranha à fé, com toda certeza o autor da Carta aos Hebreus, evitaria mencioná-lo em sua pregação. Esta informação possui mais um detalhe muito importante: a Carta aos Hebreus foi escrita para os judeus da Palestina, demonstrando mais uma vez que a versão da Septuaginta foi também aceita por eles; caso contrário, não faria sentido o escritor sagrado fazer referência a uma história que não era conhecida por seus destinatários. Também é importante saber que em alguns dos livros deuterocanônicos do AT, há revelações divinas confirmadas no NT. Por exemplo: “Quando tu oravas com lágrimas e enterravas os mortos, quando deixavas a tua refeição e ias ocultar os mortos em tua casa durante o dia, para sepultá-los quando viesse a noite, eu apresentava as tuas orações ao Senhor. Mas porque eras agradável ao Senhor, foi preciso que a tentação te provasse. Agora o Senhor enviou-me para curar-te e livrar do demônio Sara, mulher de teu filho. Eu sou o anjo Rafael, um dos sete que assistimos na presença do Senhor” (Tobias 12,12-15) (grifos meus). Em nenhum lugar nos livros protocanônicos do AT, há alguma revelação dos 7 anjos que assistem na presença do Senhor e que Lhe entregam as orações dos justos. Esta revelação é confirmada no livro do Apocalipse: “Eu vi os sete Anjos que assistem diante de Deus. Foram-lhes dadas sete trombetas. Adiantou-se outro anjo e pôs-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhe dados muitos perfumes, para que os oferecesse com as orações de todos os santos no altar de ouro, que está adiante do trono. A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus. Depois disso, o anjo tomou o turíbulo, encheu-o de brasas do altar e lançou-o por terra; e houve trovões, vozes, relâmpagos e terremotos” (Ap 8,2-5) (grifos meus). Um outro caso intressante está no livro da Sabedoria: “Ele se gaba de conhecer a Deus, e se chama a si mesmo filho do Senhor! Sua existência é uma censura às nossas idéias; basta sua vista para nos importunar. Sua vida, com efeito, não se parece com as outras, e os seus caminhos são muito diferentes. Ele nos tem por uma moeda de mau quilate, e afasta-se de nossos caminhos como de manchas. Julga feliz a morte do justo, e gloria-se de ter Deus por pai. Vejamos, pois, se suas palavras são verdadeiras, e experimentemos o que acontecerá quando da sua morte, porque, se o justo é filho de Deus, Deus o defenderá, e o tirará das mãos dos seus adversários. Provemo-lo por ultrajes e torturas, a fim de conhecer a sua doçura e estarmos cientes de sua paciência. Condenemo-lo a uma morte infame. Porque, conforme ele, Deus deve intervir” (Sabedoria 2,13-21). Veja também A proibição bíblica de comer sangue: como se explica? A profecia acima se refere ao escárnio promovido pelo Sinédrio contra o Senhor Jesus. Veja o testemunho do NT sobre o seu cumprimento: “A multidão conservava-se lá e observava. Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo: Salvou a outros, que se salve a si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus! […] Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo. […] Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele: Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!” (Lc 23,35.37.39). “Mas Jesus se calava e nada respondia. O sumo sacerdote tornou a perguntar-lhe: És tu o Cristo, o Filho de Deus bendito? […] Alguns começaram a cuspir nele, a tapar-lhe o rosto, a dar-lhe socos e a dizer-lhe: Adivinha! Os servos igualmente davam-lhe bofetadas” (Mc 14,61.65) “Querendo Pilatos satisfazer o povo, soltou-lhes Barrabás e entregou Jesus, depois de açoitado, para que fosse crucificado. […] Davam-lhe na cabeça com uma vara, cuspiam nele e punham-se de joelhos como para homenageá-lo. Depois de terem escarnecido dele, tiraram-lhe a púrpura, deram-lhe de novo as vestes e conduziram-no fora para o crucificar” (Mc 15,15.19-20). “salva-te a ti mesmo! Desce da cruz! Desta maneira, escarneciam dele também os sumos sacerdotes e os escribas, dizendo uns para os outros: Salvou a outros e a si mesmo não pode salvar! Que o Cristo, rei de Israel, desça agora da cruz, para que vejamos e creiamos! Também os que haviam sido crucificados com ele o insultavam” (Mc 15,30-31). É importante dizer que nos protocanônicos do AT, há registro de coisas muito reprováveis, como as filhas de Lot engravidaram dele, depois de o embebedar (Gn 19,30-36). O Rei Saul consultou uma espírita (I Reis 28,8), Abraão arrumou um filho fora de seu casamento (Gn 16), e o Patriarca Jacó vários (Gn 30,4-5.7.9-10.12). Davi planejou a morte de um de seus soldados para ficar com sua esposa (cf. 2 Sm 11). Alguém poderia dizer ainda que o Livro de Gênesis promove a poligamia (cf. Gn 29,28-30) e todos os cristãos sobre a terra ainda o consideram canônico apesar disso. Portanto, se não é o juízo subjetivo e pessoal que coloca ou retira livros no Cânon Bíblico, o que é? Qual foi o juízo adotado pelos primeiros cristãos para receber ou não um livro como canônico? O critério deles foi o mesmo dos cristãos que viveram na era apostólica quando aceitaram que a Lei de Moisés não era necessária para alcançar a Justiça (cf. At 15): o discernimento da Única e Verdadeira Igreja de Cristo. Alessandro Lima Fonte: Veritatis Splendor
- Os Cátaros
Os albigenses ou cátaros A heresia albigense foi a que reuniu maior número de adeptos na Baixa Idade Média e a que teve maior repercussão naquela época. Os cátaros distinguiam-se das seitas desse período pelo caráter dualista de sua doutrina. Dualismo, nesse sentido, significa a crença de que a bondade existe somente no mundo espiritual do deus bom e que o mundo material é mau e foi criado por um deus mau ou espírito chamado Satã. O Bem e o Mal possuem dois criadores diferentes, e tal concepção está próxima das seitas gnósticas que também tinham as mesmas idéias e foram igualmente disseminadas no início da Idade Média, nos Bálcãs e no Oriente Próximo, pelas seitas dos paulicianos e bogomilos.[1] Os cátaros relacionam-se com esses dois últimos, que eram conhecidos no Ocidente como publicani (corrupção de paulicianos e também um eco dos publicanos do Novo Testamento) ou bougres (isto é, búlgaros, pois na Bulgária localizavam-se os bogomilos) e mais tarde como cathari (cathari = puros) ou albigenses, da cidade de Albi, um dos centros de influência herética no Sul da França. A palavra “albigense” muitas vezes se refere a todos os heréticos da região, inclusive os valdenses. As fontes cátaras Pouco se sabe dos-livros ou das fontes cátaras, não restando nenhum documento original que permita a investigação sobre fontes diretas, com exceção de um Novo Testamento, traduzido para o provençal, seguido de um ritual cátaro em langue d‟oc. Talvez os tratados cátaros, já numericamente limitados por pertencerem a uma doutrina esotérica para uma elite, os Perfeitos ou Puros, tivessem sido eliminados, sem deixar vestígio, pelo aparato inquisitorial. Temos enfim três tipos de fontes para estudar a heresia: a) os processos deixados pela Inquisição; b) os escritos dos polemistas que, para combaterem a heresia, detalhavam os seus erros; c) os manuais que alguns inquisidores compuseram para orientar os seus iniciados no combate à heresia. Os que combateram a heresia foram Bernardo de Clairvaux; Eckbert, Monge de Schõnau, que escreveu contra os cátaros alemães de Colônia; Alain de Lille, professor em Paris e Montpellier; e também os italianos Rainiero Sacconi (1190-1258), autor da Summa de Catharis et Leonistis seu pauperibus de Lugduno, anteriormente bispo cátaro, que fazia profissão de fé católica entre os dominicanos; e Bonacorsi, que fora doutor e bispo da seita e depois escreveu, em Milão, seu Manifestatio haeresis cathororum. Entre os autores de manuais para inquisidores, o mais célebre é Bernardo Guy, inquisidor de Toulouse. Sua Practica Inquisilionis haereticae praevitatis, escrita em princípios do século XIV, é uma verdadeira obra histórica, onde o autor completou sua experiência pessoal com numerosa documentação extraída de seus predecessores. A essas fontes é preciso acrescentar outras, tais como: correspondências, crônicas, bulas papais, cânones de concílios, que permitem controlar as primeiras. Pedro des Vaux-de-Cernay abre a sua história com uma tabela precisa e documentada das heresias cátara e valdense Surgimento da heresia Na primeira metade do século XI, apareceram grupos isolados de heréticos, mas pouco se sabe de seus costumes. Estes grupos eram anticlericais, puritanos e talvez havia entre eles alguns dualistas. Apareceram na Alemanha Ocidental, Flandres, França e Norte da Itália, e um pouco mais tarde não se houve falar mais neles. Entretanto, no século XII, reapareceram nos mesmos lugares, disseminando-se entre a população. O período mais rápido de crescimento localiza-se nos trinta anos seguintes a 1140. Nesta época, a Igreja bogomil foi reorganizada, formando episcopados, enviando missões. Uma das causas dessa expansão foi que a Reforma Gregoriana, acompanhada no início por entusiasmo popular, não conseguiu que a Igreja canalizasse esse entusiasmo em seu favor. O desenvolvimento da educação clerical e a elevada ênfase dada à importância dos sacramentos fez do clero mais uma classe à parte e deixou os leigos com pouca possibilidade de desenvolver sua própria iniciativa nos assuntos da Igreja. Foi entre os cavaleiros pobres, mercadores e artesãos que a heresia se tornou mais popular no século XII. O movimento herético foi um aspecto do renascimento religioso da época e, em parte, um subproduto das mudanças culturais, sociais e econômicas dos séculos XI e XII. A pregação de São Bernardo contra a heresia não se mostrou muito eficiente. Por volta de 1149, o primeiro bispo cátaro estabeleceu-se no Norte da França; anos mais tarde, outros estabeleceram-se em Albi e na Lombardia. A autoridade destes bispos não estavam bem definida. O Bispo Nicetas dos bogomilos visitou o Ocidente em 1167, chegando à Lombardia e ao Sul da França. Nos anos seguintes, mais bispos foram se instalando na Itália, e no fim do século já havia onze bispados no total: um no Norte da França, quatro no Sul (Albi, Toulouse, Carcassonne, Val d‟Aran), outros dois foram acrescentados mais tarde, e seis na Itália (Concorezzo, perto de Milão, Desenzano, Bagnolo, Vicenza, Florença e Spoleto). Na segunda metade do século XII, a palavra cathari foi usada, pela primeira vez na Alemanha, em 1163. Organização da Igreja Cátara Rainiero Sacconi distingue as seguintes igrejas cátaras no Midi: de Albi, de Toulouse e de Carcassone. É preciso agregar as de Agen e de Razés, cuja existência é revelada pelos dossiês interrogatórios da Coleção Doat. Cada igreja tinha, em princípio, um chefe – um bispo assistido por dois auxiliares fiéis, também considerados bispos pelos fiéis. Em 1255 realizou-se uma espécie de Concílio Cátaro, em Pieusse, sob a presidência de Guilabert de Castres, onde Benedito de Termes foi eleito Bispo de Razés. Os bispos eram secundados por diáconos itinerantes, intermediários entre os bispos e os Perfeitos, cabendo-lhes a administração material das igrejas. Possuíam casas onde os Perfeitos viviam em comunidade e recebiam os neófitos para o estágio obrigatório. A nobreza herética confiava seus filhos aos Perfeitos, sobretudo as filhas, do mesmo modo que os nobres católicos as faziam entrar no convento. Essas casas, espalhadas por todo o Languedoc Ocidental, eram dirigidas por um superior ou superiora, além de serem uma instituição pública até o momento da Cruzada organizada contra os heréticos. Com o crescimento da heresia, o voto de pobreza cátara ficou ameaçado, pois o desenvolvimento de igrejas e bens materiais era inevitável. A acusação de avareza e cupidez imputada à Igreja Romana foi também lançada contra a Igreja Cátara. Rainiero Sacconi, antigo Perfeito, acusou-os de querer enriquecer avidamente, embora acrescentasse que tal atividade se devia às perseguições que os levavam a acumular bens para os tempos mais difíceis. É significativa a acusação de Joaquim de Fiore, inimigo dos cátaros, que afirmou terem eles atraído adeptos por suas riquezas terrenas. Podemos considerar como causa principal da expansão da heresia cátara a opulência da Igreja Romana no Midi. O clero era rico e os bispos dispunham de um poder temporal considerável. Os Bispos de Béziers, de Agde, de Lodève, de Albi, eram os senhores de grande parte de suas cidades. Também as abadias foram se constituindo, pouco a pouco, em verdadeiros domínios. Essa riqueza teve um efeito dissolvente sob o ponto de vista religioso, e podemos dizer que não encontrou nenhuma oposição. As grandes reformas monásticas não conseguiram penetrar no Midi, que levava uma vida à parte do Norte da França. O episcopado meridional estava nas mãos da nobreza, que fazia eleger por pressão ou simonia os seus candidatos aos cargos eclesiásticos. Muitos prelados foram acusados de indignos e tolerantes para com a heresia, e até abades eram recriminados pelo seu estilo de vida laico e secular. Inocêncio III criticou violentamente tanto uns quanto outros. Por outro lado, convém lembrar que a avidez da aristocracia meridional em espoliar uma Igreja opulenta levou-a a apoiar os heréticos. As terras eclesiásticas sempre atraíram os senhores laicos que, de qualquer modo, quando não podiam apossar-se das terras apossavam-se dos dízimos. Dois partidos A multiplicação de bispados na Itália devia-se também a uma divergência doutrinal. O Bispo Nicetas esteve no Ocidente em 1167 com a finalidade de persuadir seus colegas a seguirem um dualismo mais rigoroso. A divergência dentro da própria Igreja Bogomil consistia naqueles que acreditavam que Satã, o criador do mundo, fora um anjo de Deus caído em desgraça, e os que julgavam ser ele uma divindidade independente. A primeira posição acarretava o fato de que Deus foi o criador universal, revestindo-se, assim, de um dualismo moderado; a segunda, claramente afirmada no Liber de duobos principüs, escrito por um companheiro de João de Luzio, o bispo herético de Bérgamo, era mais radicalmente dualista. Os do Sul da França eram mais radicais em seu dualismo, e os da Itália divididos em duas partes, ainda que as divergências variassem de lugar para lugar. Segundo o consenso geral, a matéria era má e o homem um alienado habitando num mundo mau. O objetivo principal era que o homem deveria restaurar este mundo para a comunhão com Deus. Acreditavam na redenção dos espíritos, embora nem sempre na redenção universal. Acreditavam, igualmente, na transmigração das almas do homem para o homem, e do homem para a besta, pois os animais, segundo eles, também possuíam almas. Tinham regras para jejuar e a carne era proibida. As relações sexuais eram vedadas e tinham horror à procriação, pois implicava o aprisionamento de seus espíritos ao mundo da carne. Acreditavam piamente no celibato e em qualquer forma ascética de renúncia ao mundo, olhando favoravelmente o suicídio. Pelo extremo ascetismo, os cátaros eram, na verdade, uma igreja de eleitos. Mas, sendo popular, distinguiam-se dois corpos de fiéis: os “Perfeitos” e os “Crentes”. Os Perfeitos eram isolados das grandes massas dos Crentes por uma elaborada cerimônia de iniciação, ou batismo espiritual, o consolamentum. Havia entre os Perfeitos uma hierarquia de bispos e diáconos, mas estes últimos não tinham o direito exclusivo de administrar os sacramentos. Afora o consolamentum e a ordenação, os cátaros tinham dois outros sacramentos: a penitência e a quebra do pão. Esta era uma espécie de comunhão, pois não acreditavam na transubstanciação. Os Perfeitos dedicavam-se à contemplação e esperava-se que mantivessem o mais elevado nível moral, cabendo aos Crentes fornecer-lhes alimentos. Os Crentes não podiam aspirar ao alto nível dos Perfeitos. Por não obedecerem inteiramente à proibição das relações sexuais, por exemplo, eles provocavam aberrações nos relacionamentos, o que constituía motivo para os católicos acusarem-nos de todos os tipos de vícios. Mas é possível que estas acusações tenham sido exageradas. As doutrinas cátaras da criação levaram a reescrever o relato bíblico e a elaborar uma mitologia que o substituísse para negar a noção de que a Bíblia toda era sagrada. Viam o Velho Testamento com reserva, e o Novo Testamento foi reinterpretado. A doutrina da encarnação de Deus era impossível aos cátaros, para os quais Jesus foi um anjo que veio para indicar o caminho da salvação, mas não fornecê-lo em pessoa; logo, seus sofrimentos e morte eram uma ilusão.” A cristandade frente à heresia Pelo fato de as doutrinas cátaras negarem o cristianismo, como religião, e as instituições da cristandade, as autoridades da Igreja e do Estado reuniram-se para atacá-las. Os heréticos do século XI e princípios do século XII, porém, morreram mais pelo zelo das autoridades laicas ou pela violência da turbamulta instruída pelas autoridades eclesiásticas. Com a propagação da heresia chegou-se facilmente à conclusão de que era preciso uma perseguição mais sistemática. A própria existência da heresia é, sem dúvida, sinal demonstrativo da vida religiosa dos tempos medievais. Por isso, não se deve estranhar a violência gerada no combate à ela, violência com profunda base popular. Nem sempre o extermínio dos heréticos cátaros era executado pelos funcionários que deviam justiçá-los, mas por iniciativa do populacho fanatizado que não tolerava a heresia “filha de Satã”. E temos exemplos em que, por descuido ou não da justiça, os heréticos eram arrancados das prisões e queimados sem piedade. Foi o que ocorreu em 1120, em Soissons, quando o Bispo Lisiardo prendeu suspeitos de heresia e, na sua ausência, os burgueses dessa cidade os queimaram. A fogueira não era, na época, aplicada apenas aos heréticos, mas também a pena empregada para os envenenadores e os feiticeiros. A atitude da Igreja perante a heresia era, primariamente, a de tentar converter os heréticos à fé católica, só adotando uma atitude agressiva e o uso da violência quando nada se conseguia no primeiro caso. A violência popular também era condenada pela Igreja. Vemos estas tendências nas palavras de São Bernardo, escritas ao papa após o massacre de Colônia (1145): ”O povo de Colônia passou da medida. Se aprovamos seu zelo, não aprovamos, de modo algum, o que fez, pois a fé é obra da persuasão e não podemos impô-las.” De qualquer modo, o herético era considerado mais perigoso que o infiel, pois em sua ação proselitista desviava o fiel da verdadeira religião para lançá-los nos braços do “demônio”. O uso do poder temporal para perseguir, julgar e exterminar a heresia apoiava-se na teoria das “duas espadas” do Papa Gelasius, que afirmava que Deus havia dado o poder temporal e espiritual ao papa que, por sua vez, entregara o poder temporal aos reis, monarcas e príncipes para proteger a fé, como bons súditos que lhe deviam obediência.[3] Em última instância, a heresia que visava atacar a cátedra de São Pedro, o papa, era perigosa não só do ponto de vista religioso dogmático, mas também sob o aspecto da unidade política do mundo cristão. Inocêncio III, que considerava o papa acima dos reis e do poder temporal, com o direito de julgá-los, tentou estabelecer o imperium mundi, sob a hegemonia da Santa Sé, vendo, portanto, no combate à heresia a eliminação daquela tendência desagregadora que levava a criar comunidades isoladas, sem contato com o resto da cristandade, provocando conflitos. O esforço de Inocêncio III para conseguir o apoio de Raimundo VI, Conde de Toulouse, a fim de exterminar a heresia, acabou desastrosamente. (Papa Inocêncio III [1198-1216] ) O Legado Papal, Pedro de Castelnau, foi assassinado, em 15 de janeiro de 1208, e umCruzada foi declarada, com um exército liderado por um grupo de barões do Norte da França, que massacrou os habitantes de Toulouse. A Cruzada foi violenta e cruel, mas a perseguição organizada por Luís XI, em aliança com a Inquisição nascente, foi mais efetiva para quebrar o poder dos cátaros. Em 1244, a grande fortaleza da Montségur, perto dos Pirineus, foi capturada e destruída. Os cátarus passaram à clandestinidade e muitos cátaros franceses fugiram para a Itália, onde a perseguição era menos intensa. Com a fundação da Ordem Dominicana, no século XIII, criaram-se elementos dotados para a perseguição, julgamento e conversão dos heréticos. Por outro lado, a fundação da Ordem Franciscana ameaçava os cátaros sob outro aspecto, pois São Francisco pregava às mesmas classes em que se apoiavam os cátaros. Sua mensagem, porém, era de alegria, e afirmava que o mundo era de Deus, e era bom. É melhor acreditar que os cátaros malograram em sua doutrina e apelo, do que devido às fogueiras da Inquisição; sabe-se que o catarismo desapareceu na França e Itália ao mesmo tempo, embora a perseguição fosse maior na França. Entretanto, na França Meridional, com a proteção da nobreza e aproveitando-se da negligência do clero, os albigenses haviam-se constituído numa potência terrível, e parte da burguesia aderira a eles. O Papa lnocêncio III enviou repetidamente, a partir de 1198, à França Meridional, cistercienses na qualidade de legados, mas com poucos com poucos resultados. Sua apresentação pomposa não era indicada para reduzir ao silêncio as censuras que os hereges lançavam contra a riqueza da Igreja e o lucro do clero. Mesmo a obra missionária, desenvolvida com abnegação por São Domingos, não obteve resultados positivos. No Cap. XIII do Libellus de principüs ordinis praedicatorum, de Jordão da Saxônia, lemos: Naquele tempo, o Papa lnocêncio enviara doze abades da Ordem Cisterciense com um legado, a fim de pregar a verdadeira fé contra os hereges albigenses.[4] E, mais adiante, referindo-se à ação missionária de São Domingos, diz: Durante o tempo que as Cruzadas estiveram lá, até a morte do Conde de Montfort, Frei Domingos foi o pregador laborioso da palavra de Deus.[5] Já em 1207, Inocêncio III, no Concilio de Toulouse, incitou o Rei Filipe Augusto e outros a reprimirem com as armas a heresia. Em janeiro de 1208, quando o Legado Papal, Pedro de Castelnau, da Ordem Cisterciense, foi assassinado, o papa conclamou uma Cruzada contra os albigenses e seu poderoso protetor, o Conde Raimundo VI de Toulouse, reunindo um considerável exército, composto, em grande parte, de franceses do Norte. A guerra albigense (1209-1229), iniciada sob a direção militar de Simão de Montfort e a direção eclesiástica do Legado Papal, Abade Arnaldo de Cister, foi travada por ambas as partes com selvagem crueldade (o massacre de Béziers em 1209, por exemplo), prolongando-se durante muito tempo devido também à ambição pessoal de Simão de Montfort e de outros barões. A paz de Paris de 1229 assinalou finalmente o término, quando quase toda a França Meridional já estava devastada e a força da heresia subjugada. Só alguns pequenos núcleos heréticos mantiveram-se ainda vivos, obscuramente, por certo tempo, apesar da perseguição movida pela Inquisição. Ao contrário do Norte, no Midi os laços feudais não eram tão fortes. Os reis da França, principalmente a partir de Filipe-Augusto, conseguiram criar a unidade na Ile-de-France subjugando os grandes senhores feudais. Os fatores da desagregação do Império Carolíngeo, em decomposição, foram superados por outros que favoreceram a união, tais como as invasões normandas no Oeste e as magiares no Leste. A defesa e a organização frente ao perigo das invasões é que estreitaram os laços do feudalismo do Norte. Conforme Belperron, a máxima militar do Norte era: “Nenhuma terra sem senhor”; e no Midi é conservada a fórmula jurídica, “Nenhum senhor sem título”.[6] Assim se procura mostrar o caráter diversificado do. feudalismo militar do Norte, e o jurídico, sob influência romana, do Midi. Uma das conseqüências destas diversificações foi que o allodium persistiu no Midi, demonstrando o caráter independente dos grandes senhores. Também no Norte o homagium teve caráter religioso sacro, que era diminuído ou quase inexistente no Midi, já que a Igreja se encontrava debilitada pela heresia que proscrevia o juramento. Isso explica por que os Raimundos de Toulouse, senhores, por direito, de todo o Midi, não encontraram as forças necessárias para impor a sua autoridade em seu próprio domínio, como os Capetos fizeram na França da langue d‟oeil. Como antecedentes da Cruzada contra os albigenses, encontramos a ação de Afonso II de Aragão e seus aliados, os Trencavel e Hermengarda de Narbona, que invadiram Rovergue; ao mesmo tempo, o Legado Henrique de Albano reunia uma Cruzada de sulinos e provinciais para assediar Lavaur a fim de obrigar Rogério Trencavel a romper com os heréticos. Nas batalhas travadas, empregavam-se, em ambos os lados, routiers [7] mercenários, hábito da época. As grandes cidades do Midi, que conquistaram a liberdade, eram também cidades opulentas, em mãos de uma aristocracia seminobre e semiburguesa, capaz de se opor eficazmente aos poderosos feudais. Sabemos que estas cidades não se juntaram em uma frente única para fazer face ao invasor. É evidente que se tivessem se unido para apoiar Rogério Trencavel e mais tarde, Raimundo VI, em vez de ver somente seus próprios interesses, dando-lhes apoio financeiro, mobilizando seus cavaleiros e milícias, abrindo às tropas languedocianas o abrigo de suas muralhas, a Cruzada não teria conhecido sucesso ímpar e Simão de Montfort teria sido incapaz de manter-se no Languedoc. O fato é que as cidades não eram uniformes, pois Narbona, Montpelier, Nîmes, Cahors e Rodez eram católicas e não tinham nenhum motivo para combater a Cruzada. Em 1184, o Papa Lúcio III e Frederico Barbarroxa, reunidos em Verona, publicaram a Bula Ad abolendarn, que instruía sobre o procedimento para um julgamento eclesiástico; ela permitia, após a sentença, que um herege fosse entregue ao braço secular para a punição; esta poderia consistir em confisco da propriedade, em exílio, e até em morte. Como dissemos anteriormente, a tradição punia com a fogueira um herege não arrependido. O Papa Inocêncio III preferia a conversão à perseguição. Os cátaros, porém, não se convertiam facilmente, uma vez que a crescente propagação da heresia no Sul da França e no Norte da Itália fazia com que acreditassem no predomínio dela sobre a Igreja Católica. Os adeptos eram recrutados entre os humildes, sobretudo entre os artesãos; daí serem chamados “tecelões”, nome com que são conhecidos na Inglaterra, em 1160, por William de Newburgh e outros autores. Mas na Provença e em certas partes da Itália, como vimos antes, eles receberam o apoio da nobreza. A Cruzada Espiritual (1147-1209) Cerca de cinqüenta anos antes da Cruzada contra os albigenses, usaram-se meios pacíficos para impedir a expansão da heresia. O historiador da Cruzada contra os albigenses, Belperron, denomina este período de “Cruzada Espiritual”. Destacam-se, nesta fase, como pregadores contra a heresia, duas grandes personalidades da Igreja medieval: São Bernardo e São Domingos. A ameaça representada pela heresia cátara foi notada, oficialmente, pela primeira vez, em 1119, no Concílio de Toulouse. Ela foi excomungada por Calixto II,[8] excomunhão posteriormente reforçada por Inocêncio II. Este Papa designou seu Legado no Midi, Alberico, Monge de Cluny, para combater a mesma. Alberico pediu a ajuda de Geoffroy, Bispo de Chartres, e de São Bernardo. Ao chegar a Toulouse, onde Henrique de Lausanne convertera à heresia nobres, burgueses e, em particular, tecelões, São Bernardo conseguiu reavivar, com sua pregação, a fé católica, mas mesmo assim a heresia não foi extirpada. Em 1163, o Concílio de Tours, presidido pelo Papa Alexandre III, verifica que uma perigosa heresia se espalhou na região de Toulouse, onde ganhou, pouco a pouco, a Gasconha e outras províncias… Por volta dessa época, realizou-se o Concílio Cátaro de Saint-Felix de Caraman (c. 1167), presidido pelo patriarca cátaro de Constantinopla, Nicetas. Mas com o insucesso da pregação e as condenações esporádicas, o tom de combate à heresia fez-se cada vez mais forte. No Concilio de Lombers (c. 1178), a heresia foi novamente condenada. Assim, no Terceiro Concilio de Latrão, em 1179, recorre-se, pela primeira vez, ao braço secular. O Cânone 27 trata dos heréticos e, em particular, dos cátaros do Languedoc: “Embora a Igreja”, como diz São Leão, “se satisfaça com um julgamento sacerdotal e não realize execuções sangrentas, ela deve recorrer às leis seculares e pedir ajuda aos príncipes para que o temor de um suplício temporal obrigue os homens a utilizar o remédio espiritual. Deste modo, como os heréticos, que alguns denominam cátaros, outros patarinos e outros publicanos, fizeram grandes progressos na Gasconha, em Albi, em Toulouse e em outras regiões, onde ensinam os seus erros e se esforçam em perverter os simples, nós os anatemizamos, bem como a seus protetores. Nós proibimos a todos de ter qualquer relação com eles. Se persistirem no pecado, não se fará nenhuma ação em seu favor e não se lhes dará sepultura entre os cristãos”.[9] Para executar essa sentença, Alexandre III designou como Legado o Abade de Clairvaux, Henrique, mais tarde Cardeal de Albano. Este, além de enviar pregadores, organizou uma Cruzada, a primeira contra os heréticos. Reuniu um contingente de cavaleiros católicos da Provença e do Baixo Languedoc e sitiou Lavaur, reduto dos heréticos, protegidos por Rogério Trencavel II, em 1181. Apesar de tudo, a heresia continuou florescendo no Languedoc até a ascensão ao trono papal, em 1198, de Inocêncio III. Já em 1204 e 1205, Inocêncio III dirigira-se ao Rei Filipe-Augusto salientando que pela Bula Ad abolendam ele tinha direito de privar dos feudos os vassalos que protegessem os heréticos. Filipe-Augusto, ocupado com a guerra contra os Plantagenetas, não deu muita atenção ao pedido papal. Em 1207, Inocêncio III escreve novamente a Filipe-Augusto: É preciso que os sectários sejam esmagados pelo vosso poder e que as misérias da guerra os aproximem da verdade.[10] Ao mesmo tempo enviou uma carta circular nos mesmos termos aos grandes feudatários do reino, ao Duque de Borgonha, aos Condes de Bar, de Nevers, de Dreux e, em geral, a todos os fiéis do Reino da França, aos quais prometeu indulgências iguais às da Cruzada à Terra Santa. Na verdade isto já representa um apelo direto à Cruzada contra a heresia. A resposta de Filipe-Augusto ao Papa mostra uma tentativa de evasão em participar de tal empreendimento. O que mudou a atitude do monarca e de seus vassalos foi um acontecimento inesperado: o assassinato do Legado Papal Pedro de Castelnau, por Raimundo VI, em 14 de janeiro de 1208. A Cruzada Aibigense Trataremos neste item, com mais pormenores, da Cruzada contra os albigenses, a que já nos referimos antes. No mês de junho de 1209, o exército cruzado concentrou-se em Lyons, tendo sido formado no molde de todos os exércitos feudais. A sua frente marchavam os grandes senhores eclesiásticos e laicos, seguidos de um número variável de vassalos e cavaleiros assalariados ou voluntários. Dentre os representantes da elite feudal pode-se citar o Arcebispo de Sens, os Bispos de Autun, de Clermont e de Nevers, bem como três grandes feudatários da Coroa: Eudes III, Conde de Borgonha, Hervé IV, Conde de Nevers e Gaucher de Châtillon, Conde de Saint-Pol. Depois, alinhavam-se os grandes barões e os cavaleiros mais importantes, que agrupavam, ao redor de si, número reduzido de cavaleiros: Guilherme de Roches, o célebre Senescal de Anjou, o Conde de Bar-sur-Seine, Gaucher de Joigny, Guichard de Beaujeu e muitos outros nobres. Aderiram também à Cruzada os senhores da Provença, vassalos de Raimundo VI, que a ela se uniram na sua passagem pela região, entre os quais se encontravam Ademar de Poitiers e Pedro Bermond, genro de Raimundo VI. Além dos simples cavaleiros, participaram da Cruzada muitos aventureiros que desejavam ganhar as indulgências prometidas por Inocêncio III. A pregação popular arrastou consigo elementos de todas as camadas da população, universis populis. Segundo o autor da Chanson, Guilherme de Tudela, o número de participantes da Cruzada era de aproximadamente 20 000 cavaleiros armados e de mais de 200 mil vilões e camponeses, sem considerar o clero e os burgueses.[11] Ora, como um cavaleiro, conforme suas posses, normalmente era seguido de um ou mais escudeiros, de sargentos de armas montados ou a pé e de valetes, ele constituía uma célula de mais ou menos cinco combatentes, em média. Por conseguinte, a cifra de Guilherme de Tudela é astronômica e fantasiosa. Nessa primeira fase da Cruzada destaca-se a crueldade na destruição de Béziers (julho de 1209) e de Carcassonne (agosto de 1209). Em Béziers o massacre foi terrível, conforme o testemunho da Chanson. [12] A Cruzada contra os albigenses continuou no afã de extermínio da heresia. Simão de Montfort declarou guerra ao Vice-Condado de Trencavel (setembro de 1209-maio de 1211), reduto de heréticos sob a proteção de Raimundo e Rogério de Trencavel. A campanha militar estendeu-se, em seguida, ao Condado de Toulouse (junho de 1211-dezembro de 1212). Destacam-se, nesta fase da campanha, a rendição de Cabaret e a tomada de Lavaur. Em junho de 1211 foi feito o cerco de Toulouse e em setembro de 1212 o de Castelnaudary. De outubro de 1211 a novembro de 1212, efetuou-se a conquista de Agenais e de Comminges. Em dezembro de 1212, Simão de Montfort promulgou os estatutos de Pamiers, codificando as conquistas dos novos senhores feudais e regularizando-as com um novo direito. Em 1212, porém, Raimundo VI, despojado de seu condado, atravessou os Pireneus a fim de solicitar a ajuda de Pedro II de Aragão. Apesar da coligação estabelecida entre Pedro de Aragão e Raimundo VI, Simão de Montfort derrotou-os de forma espetacular na batalha de Muret (10 de setembro de 1213) onde o Rei de Aragão encontrou a morte. Com o triunfo militar, Simão de Montfort afirmou-se mais e mais como senhor de Toulouse. O Concílio de Latrão, em 1215, organizado por Inocêncio III e que tratou das heresias da época, confirmou as novas possessões de Simão de Montfort. Ao mesmo tempo, o Concílio permitiu a conciliação dos senhores do Sul com a Igreja, com o compromisso de perseguirem a heresia. Com isto, as terras dos senhores do Midi foram, em parte, asseguradas. Em 1216 a Provença sublevou-se e Simão de Montfort foi novamente obrigado a pegar em armas, desta vez já cansado de tantas lutas. Raimundo VII conseguiu cercar Baucaire (em maio-agosto de 1216) e vencê-la, desobedecendo por completo ao compromisso firmado no Concílio de 1215; nesse ínterim, Inocêncio III já havia falecido e Simão de Montfort foi obrigado nessa batalha a negociar com seus inimigos. Os senhores do Midi, estimulados pela derrota de Simão de Montfort, estenderam a sublevação, ocasionando novas batalhas, que não contaram, porém, com o apoio e o prestígio anteriores. Após tentar várias vezes enfrentar a nova situação, Simão de Montfort acabou morrendo no segundo cerco de Toulouse (outubro de 1217-julho de 1218), morrendo com ele também a Cruzada, após ter semeado a destruição em todo o Sul, sem, entretanto, extinguir a heresia. Com a morte de Simão de Montfort, Honório III, sucessor de Inocêncio III, foi obrigado a transferir ao Rei da França, Luís VIII, a liderança da luta contra a heresia. Raimundo VI morrera em 1222, e seu filho, Raimundo VII, substituiu-o no amparo à heresia, que de 1220 a 1226 teve um intervalo pacífico, e passou a praticar a sua doutrina. Durante a Cruzada e a ocupação francesa os Perfeitos passaram de Carcassonne para Toulouse, daí para Foix, desta para a Provença e, por último, para as montanhas. Montségur serviu-lhes de refúgio por ser uma fortaleza inacessível; com a calma reinante entre 1220 e 1226, os Perfeitos começaram a sair de seu refúgio e reabriram os antigos conventos. Em 1224, Luís VIII, liderando os barões do Norte, empreendeu uma nova Cruzada que durante três anos alcançou sucessivas conquistas até chegar a Avignon onde, após um cerco prolongado (junho-novembro de 1226), terminou esta fase da luta contra a heresia. Na conferencia de Maux (dezembro de 1228-janeiro de 1229) estabeleceu-se um projeto de paz assinado em Paris, em abril de 1229, no qual ficou determinado que o Languedoc permaneceria parte integrante do Reino. Nessa ocasião, Raimundo VII submeteu-se a todas as condições que lhe foram impostas pelo tratado. A partir de 1230 começou a cessar a oposição ao tratado que havia despojado Raimundo VII e seus barões de suas possessões e de seus bens. A política dúbia do novo Papa Gregório IX em relação a Raimundo VII também provocou uma reação do Midi, visto que a nobreza dessa região se encontrava em situação difícil, privada de todo o poder e incapaz de dar aos seus súditos uma proteção real. Assim, em 1240 e em 1242, verificamos novas revoltas no Midi. Em uma delas, foram assassinados inquisidores, fato que provocou a ira da opinião pública (isso ocorreu em Avignoret, em 1242). Como reação ao assassinato, Avignoret foi conquistada, e, em 1244, o grande reduto dos cátaros em Montségur foi tomado de assalto, provocando um duro golpe nos heréticos. A heresia, contudo, não terminara com Montségur. Na última metade do século XIII, após a morte de Raimundo VII em 1249, constatamos uma intensa atividade da Inquisição na perseguição dos heréticos, demonstrando deste modo que a heresia continuava viva, apesar de Afonso da França, sucessor de Raimundo VII, ter prometido clemência para os descendentes dos heréticos. Os que restaram da perseguição fugiram para a Lombardia e para outros lugares da Itália que serviam de refúgio à heresia. De acordo com Runciman,[13] estima-se que em 1274 não havia mais nenhum bispo cátaro na França, e que para ser ordenado Perfeito o herético deveria viajar para a Itália a fim de receber o rito dos bispos que lá se encontravam. As violências e perseguições da Inquisição salientaram-se em 1277 e 1278. Em 1296, em Béziers e Carcassonne, os inquisidores foram repelidos pelo povo e pelas autoridades municipais, e verificamos a queda da simpatia popular por essa instituição. No início do século XIV houve um reinicio das perseguições (entre 1304 e 1302), durante o reinado de Filipe IV, o Belo, acabando-se a esperança da heresia de renovar-se. A constante pressão sobre os heréticos, nas décadas seguintes, levou ao seu desaparecimento quase completo do cenário da França.” Doutrina ”A doutrina cátara Na verdade, a base da doutrina cátara encerra o eterno mistério da coexistência e da relação entre o perfeito e o imperfeito, o absoluto e o transitório, o eterno e o temporal, o bem e o mal, o espírito e a matéria. Procurando conciliar o inconciliável, os adeptos da doutrina afirmavam que Deus, infinitamente bom e perfeito, não podia ser o criador de um mundo mau e corruptível. Portanto, o mundo da matéria seria a obra de um segundo deus, o deus do mal, que o criou para sobrepor-se ao deus bom. Os cátaros não estavam inteiramente de acordo quanto à natureza desse deus-mal, que chamavam de Satã, Lúcifer ou Lúcibel. Os do Languedoc acreditavam na coexistência dos dois deuses, sem que um se originasse do outro, ao passo que os monarquianistas, numerosos na Itália, julgavam que Lúcibel não passava de um demiurgo, uma encarnação do deus-bem, e que agia segundo a vontade deste. Os monarquianistas aproximavam-se, portanto, de um monoteísmo católico. A cosmogonia cátara não era muito rígida e encontramos nela algumas concepções do mundo. Os dualistas, que não admitiam a participação do deus-bem, tiveram de dar ao deus-leal o poder de criar o mundo ex-nihilo. Os monarquianistas aceitaram o fato de ter o deus-bem criado o caos ou os quatro elementos, tendo Satã-Lúcibel feito o mundo em seguida. A criação do homem era explicada da seguinte maneira: Lúcibel, após ter criado a terra, decidiu povoá-la e constituir uma milícia para combater o deus-bem. Penetrou no céu, seduziu alguns anjos pela concupiscência e para prendê-los à terra deu-lhes uni corpo. Depois disso, induziu-os ao pecado carnal, ligando-os à condição humana. Possuía uma reserva de anjos decaídos que forneciam alma a cada novo corpo que nascia. Do mesmo modo que na doutrina cristã, o homem estaria condenado desde o nascimento; mas, segundo o catarismo, o pecado original era determinado pelo céu. O deus-bem, compadecido de seus anjos encadeados na terra pelo deus-mal, decidiu salvá-los e recuperá-los. Dentre os anjos, enviou um voluntário como emissário, que se tornou o Filho de Deus. O corpo mortal de Cristo foi apenas uma aparência, visto que uma emanação do deus-bem não pode ter contato com a matéria, obra impura do deus-mal. Certos cátaros explicavam deste modo as teorias da gnose sobre a natureza de Cristo. Por uma sucessão de hipóteses, formara-se entre Deus e os homens uma corrente de eons, sendo cada um deles a emanação da divindade. A última destas emanações fora Jesus, que por ser a mais afastada de Deus aceitou entrar num corpo humano. Mas em sua paixão, tirou este invólucro carnal e assistiu, invisível, ao seu sacrifício. Como recompensa à sua missão, tornou-se Filho de Deus. Para os cátaros, Jeová, Deus dos judeus, era o deus-mal, pois criara o mundo. Foi, pois, Jeová que, por intermédio dos judeus, se propôs em vão a supliciar e a matar Cristo, enviado do deus-bem. Aos anjos decaídos Cristo levara os meios e o conhecimento para libertarem-se, graças ao Evangelho. As conseqüências dessa teoria são evidentes, estando em primeiro plano a rejeição do Velho Testamento, obra de Jeová, deus-mal. O encargo de Cristo foi uma simples missão num mundo satânico, sendo negadas a encarnação, a paixão e a ressurreição. O homem não foi criado à imagem de Deus, mas pelo demônio. Daí o ódio dos cátaros pela cruz e pelo sinal da cruz que se relacionam aos sofrimentos de Cristo e o ligam à matéria impura. A mensagem levada por Cristo aos anjos decaídos, nos quais a alma divina se encontrava presa no corpo satânico dos homens, estava contida no Evangelho de São João, que recebia dos cátaros atenção especial. Pretendiam encontrar a confirmação de sua doutrina no Anticristo do Apocalipse. De acordo com a doutrina cátara, o deus-bem triunfará sobre o deus-mal, e conseqüentemente todos os homens serão, por certo, salvos, pois o triunfo de Deus sobre Satã não poderia ser completo enquanto a última criatura deste não abandonasse o seu invólucro carnal, para alcançar seu lugar no seio da milícia celeste. Para eles, não havia Inferno ou Purgatório, pois o impuro não poderia aproximar-se do deus-bem e penetrar no reino supraterrestre. A purificação da alma deveria ser feita na terra. Esta teoria, que salvava definitivamente todas as almas, abolia o Inferno e a danação eterna, era de fato consoladora Os Perfeitos Os cátaros dividiam-se em Perfeitos e Crentes: só os Perfeitos, que recebiam o consolamentum, faziam parte da Igreja Cátara; os Crentes, como os catecúmenos da primitiva Igreja, estavam excluídos e não possuíam existência religiosa, salvo se recebessem o consolamentum. Visto que para os Perfeitos tudo que fora criado era obra do demônio, o homem, portanto, não poderia entrar na “Religião do Espírito”, exceto se tivesse rompido com a matéria de tal maneira que levasse uma vida material limitadíssima, a ponto de permitir-se apenas a sobrevivência física. Para os cátaros, dar à luz a uma criatura, seja ela qual for, era participar da luta do deus-mal contra o deus-bem. Os Perfeitos proscreviam tudo que se originasse da procriação. Abstinham-se totalmente da carne, da gordura, dos ovos, do leite e do queijo. Só admitiam o vinho, o pão, os legumes, as frutas e os peixes. Afora isso, os Perfeitos observavam três quaresmas por ano, durante as quais passavam três dias por semana a pão e água. A castidade era uma obrigação absoluta para os Perfeitos. A mulher era um perigo permanente, e se fosse tocada, mesmo involuntariamente, expunha o Perfeito a três dias de jejum. O casamento era considerado um estado satânico porque regularizava o crime da carne e tinha como conseqüência natural a procriação. A concubina era mais aceita do que a mulher casada, fato que levou aos cátaros a acusação de terem hábitos promíscuos. Os Perfeitos que observavam a castidade não podiam impô-la aos Crentes, mas desaprovavam o casamento, o que causava certo embaraço aos adeptos. Deste modo, o casamento era condenado e a destruição da família favorecida, levando assim à aceitação da união livre e à restrição de nascimentos. Foi uma antecipação da liberdade sexual absoluta. Interpretavam literalmente certas passagens do Evangelho. Por exemplo, “não matarás” levou os cátaros a condenarem a “morte” sob qualquer forma, tanto nas guerras como nas penas impostas pela justiça. Censuravam também os poderes públicos e o direito de julgar e ordenar, pois afirmavam que a autoridade descrita no Velho Testamento era obra do deus-mal e fora abolida por Cristo. Não prestavam qualquer juramento, base das relações humanas na cristandade medieval. Negavam à Igreja o direito de propriedade temporal, bem como a si mesmos o direito da posse. Mas na realidade, quando se organizaram em Igreja, foram obrigados a abolir esta teoria. O consolamentum Era pelo consolamentum que uma pessoa se tornava um Perfeito, um puro, e entrava realmente na Igreja Cátara. Havia um período de noviciado que durava de um a dois anos antes da pessoa receber o consolamentum, que era proibido às crianças. Nessa fase ficavam submissos a um mestre que lhes ministrava os ensinamentos religiosos. Se durante esse tempo o iniciado se mostrasse firme, era apresentado à comunidade que deveria “elegê-lo”. Por fim, marcava-se o dia da cerimônia. No meio de uma sala bem iluminada, o “Texto”, isto é, o Evangelho de São João, repousava sobre uma mesa coberta com uma toalha branca. O Perfeito que oficiava e seus dois auxiliares lavavam as mãos e o celebrante pronunciava uma alocução na qual expunha os princípios da doutrina e as obrigações às quais se submeteria o futuro Perfeito. Em seguida, recitava-se o Pater, comentado frase por frase, e que era repetido pelo iniciado. Na ocasião, enunciava-se o abrenunciatio, pelo qual o iniciado rompia com a Igreja Católica. Depois disso, o neófito prosternava-se três vezes para entrar na fé verdadeira, sob a bendição do Perfeito e, enfim, renunciava a comer o proibido, a mentir, a prestar juramento, a matar e a cometer o pecado da carne. Após uma nova alocução do oficiante, o iniciado fazia publicamente uma confissão de suas faltas e pedia a Deus e ao público que o perdoassem.[14] O celebrante colocava o “Texto” sobre a cabeça do iniciado, enquanto todos os presentes estendiam as mãos pedindo a Deus que o recebesse e lhe enviasse o Espírito Santo. Depois, o público recitava em voz alta a oração dominical, o oficiante lia os dezessete primeiros versículos do Evangelho e dizia novamente o Pater. O neófito recebia então a vestimenta do Perfeito. Os cabelos longos, sem tonsura, eram inteiramente cobertos de negro, sendo facilmente reconhecidos. Mas durante a Cruzada procuraram não se expor tanto e passaram a usar um cordão simbólico, que os homens traziam em volta do pescoço. Quando o novo Perfeito já havia recebido a vestimenta, o oficiante dava-lhe o beijo da paz, que era transmitido à pessoa ao seu lado e assim por diante. Quando se tratava de uma mulher, o oficiante contentava-se em tocar sua espádua com o “Texto”. Se o iniciado fosse casado, antes da imposição do livro, prometia nunca mais ver seu consorte e libertava-se do juramento conjugal. Por fim, os Perfeitos que o haviam “consolado” confiavam-no a um confrade veterano, na qualidade de socius ou companheiro. Era proibido a um Perfeito isolar-se, e o socius acompanhava-o a todo lugar. Pelo consolamentum, o Espírito Santo, o Paracleto consolador, descia na alma do novo Perfeito. Seu desejo era abandonar o corpo satânico para sua alma poder subir ao céu a fim de encontrar seu corpo celeste e se tornar novamente um anjo de Deus. Alguns cátaros, à força de mortificação e vontade, viviam em completo isolamento do mundo. Outros, devido a muitos anos de austeridade, apressavam a realização de seu ideal por meio do suicídio, ainda que este não fosse uma prática recomendada. Além do suicídio por envenenamento ou salto num precipício, ou ainda a pneumonia voluntariamente contraída, era comum procurar-se a morte pela fome ou endura; deixavam de comer até se extinguir. Em resumo, o consolamentum substituía e contrapunha-se aos sacramentos, já que, quando admitido na Igreja Cátara, o Perfeito recebia de imediato o Espírito Santo, tendo assim o batismo, a comunhão e a confirmação. Por outro lado, como fora definitivamente absolvido de suas faltas passadas, recebia o sacramento da penitência, e como podia “consolar” outros, obtinha também o sacramento da Ordem. Até a extremunção foi substituída como sacramento pelo fato do Perfeito desligar-se do mundo satânico dos vivos. Assim, o consolamentum substituía todos os sacramentos da Igreja Católica, salvo o do casamento. Na realidade, a Igreja Cátara compunha-se apenas de seus Perfeitos, pois estes eram os beneficiários dos sacramentos. A elite que recebia o consolamentum era numericamente pequena, mas suas qualidades morais eram muito elevadas. Os Crentes Os Crentes não tinham as obrigações religiosas dos Perfeitos e comparados a estes possuíam, pelo contrário, uma liberdade ímpar. Todo Crente, na presença de um Perfeito, deveria “adorá-lo” ou fazer o seu melioramentum. Este rito consistia em prostrar-se diante do Perfeito, inclinar-se três vezes e solicitar por uma fórmula tradicional a sua bênção. Os Crentes, pelo menos os praticantes e os que não ousavam enfrentar as provas impostas aos “consolados”, faziam-se “aparelhar” regularmente, em geral uma vez por mês. No curso do apareliamentumn, presidido por um Perfeito, os Crentes faziam publicamente uma confissão de suas faltas e imploravam o perdão, à semelhança da confissão pública no cristianismo primitivo. Neste rito, o Crente lia uma fórmula, na qual estavam enumerados os pecados que todo homem poderia cometer. Depois disso, o Perfeito declarava que o Crente fora absolvido e deveria fazer uma penitência, que consistia em três dias de jejum e cem genuflexões, com alguns Pater como suplemento. A cerimônia terminava com um beijo da paz, transmitido de um a outro. O melioramentum era obrigatório e o apareliamentum era facultativo. O consolamentum dado in extremis facultava a salvação ao crente; mas o problema era estar seguro de que o doente não continuaria a viver. O zelo dos Perfeitos, quando ocorriam a um leito de moribundo, era conhecido. E atinham-se ao princípio de que o enfermo deveria solicitar o consolamentum, e fazê-lo de viva voz. Pelo fato dos mudos não poderem fazê-lo ou dos moribundos não conseguirem articular as palavras, os Perfeitos criaram a convenientia. Era uma promessa solene que o Crente fazia em bom estado de saúde, comprometendo-se a receber o consolamentum, se estivesse prestes a morrer. A convenientía correspondia a um verdadeiro ingresso na seita e era dada aos Crentes que fossem inteiramente dignos de confiança. Tinham direito a ela os cavaleiros que iam à guerra. O consolamentum in infirmitate era administrado de forma mais simples do que o in sanitate. O fato dos Crentes não terem de arcar com os compromissos religiosos dos Perfeitos e poderem receber o consolamentum antes de morrer tirava a força moral e espiritual da religião cátara, já que não havia crença no inferno e na sanção do mundo post-mortem. Os Perfeitos passaram a ser a alma da seita cátara, consagrando integralmente o seu tempo a um intenso apostolado. Eles percorriam as cidades e os campos, pregando com a palavra e com o exemplo. A finalidade dos Perfeitos era, por um lado, engrossar as fileiras de seus adeptos e, por outro, arrebatar seguidores da Igreja de Satã, a Igreja Católica. Daí arremeteram com violência contra os sacramentos, as igrejas, a cruz e os cemitérios, contra o culto, as relíquias e, enfim, contra o clero. A paixão anticlerical, e não o anticatolicismo, levou, talvez, mais gente à Igreja Cátara, pois, na época, a vida secular do clero era alvo de crítica popular ao mesmo tempo impiedosa e justa.” [1]- Devido a problemas criados para o Império Bizantino pelas inúmeras heresias que nele grassavam sucessivamente até o século IX, os maniqueus, apesar das perseguições que sofreram, puderam manter-se nos séculos XI e XII, onde os encontramos implantados em Constantinopla e nos Bálcãs sob o nome de bogomilos [2]-SÃO BERNARDO. «Sermo in Cant. 66n, no 12. In MIGNE, Patrologia Latina, CLXXXIII. [3]-GELASIO I, Ep. “„Famuli vestrae pietatis‟ ad Anastasium I”‟. In: DENZINGER-SCHONMETZER. Enchiridion symbolorum definitionum et declarationum de rebus fidei et morum, Barcelona, Herder 1963, p. 120. [4]-Santo Domingo de Guzmán, su vida, su orden, sus escritos. Madri, B. A. C., 1966, p. 154. [5]-Ibid., p. 158. [6]-BELPERRON, Pierre. La rroisade contre les albigeois et l‟union du Languedoc à la France (1209-1249). Paris, 1942, p. 19. [7] –GUERAUD, H. «Les routiers au XIIº siècle. In: Bibl. de École de Chartres, 1841-1842, pp. 125-147, pp. 417-447. [8]-MANSI, Concilia. Vol. XXI, p. 226. [9]-MANSI. Concilia. Vol. XXII, p. 232. [10]-MIGNE, Patrologia Latina, CCXV [11]-La Chanson de la Croisade Albigeoise. Paris, «Les classiques de l‟histoire de France au Moyen Age», 1931, p. 37. 12 Ibid., p. 59 [12]-Ibid., p. 59. [13]- RUNCIMAN, S. Le Manichéisme médiéval. Paris, Payot, 1949, p. 133. [14]- GUIRAUD, J. Histoire de I‟Inquisition au Moyen Age. Paris, ed. Auguste Picard, 1935, pp. 107-142. —————————————————————————————————————————————— FALBEL, Nachman. Heresias Medievais. #Gnosticismo #Guerra #HistóriadasHeresias #Igreja
- História da igreja primitiva (PARTE II)
A IGREJA EM SEU DESENVOLVIMENTO AQUILO QUE FOI DITO E CRIDO, EM TODO LUGAR, EM TODO TEMPO E POR TODO FIEL “Não podemos deixar de falar do vimos e ouvimos!” Mais vale obedecer a Deus do que aos homens (At 4, 20) A expansão do Cristianismo começou logo após sua fundação e nunca mais parou. Este é um dos traços mais surpreendentes de toda a sua história. A igreja não é uma entidade petrificada, definida e delimitada de uma vez para sempre, é uma força viva que progride, uma realidade humana que se desenvolve na sociedade segundo uma lei que chamaríamos orgânica, tal o modo como sabe se adaptar às circunstâncias, utilizar para seus fins as condições de lugar e tempo, tornar-se prudente na sua audácia e lentamente persuasiva mesmo nas rupturas que provoca, sem nunca perder de vista o seu fim único : o estabelecimento do reino de Deus. O desenvolvimento da comunidade cristã não tardaria em suscitar problemas, em primeiro lugar o das relações com o mundo judaico de que ela fazia parte. Como sabemos os primeiros fiéis de Cristo não se colocavam à margem da obediência à Torah. Não tinha dito Jesus (Mt 5, 17-18) que não viera “abolir a lei ou os profetas, mas consumá-los”? Não tinha afirmado que não passaria “um jota ou um til da lei”? No entanto, começava a desenhar -se uma fenda entre os primeiros cristãos e os israelitas. Sem que o procurassem, simplesmente porque viviam em Jesus, a sua existência iria diferenciá-los na prática daqueles que não criam nele. Um exemplo, era a festa ritual do sabbath, destinada unicamente à oração, celebrava-se todos os sábados. Sabemos que os primeiros fiéis a observavam da mesma forma que os judeus. Mas ao mesmo tempo lhes aparecia uma outra festa, a do “dia do senhor”, em que se comemorava a ressureição. Nas epístolas de São Paulo ( 1cor 16,2), nos Atos (20,7), e também no texto não-canônico chamado Carta de Barnabé, que data aproximadamente do ano 132, encontra-se a prova de que”este primeiro dia da semana” era festa cristã. Daí resultou uma rivalidade entre esses dois dias igualmente santos, e pouco a pouco o domingo foi prevalecendo. Foi por meio de situações como essa que os primeiros Cristãos passaram a tomar consciência de si próprios e a revelar -se nitidamente diferentes dos outros Judeus. Em um determinado momento os judeus passaram a perseguir ou manter sob vigilância os herdeiros do crucificado. No século II, São Justino apresenta o judeu Trifão pronunciando estas palavras, que bem revelam um estado de espírito anticristão: “Sabemos perfeitamente que as escrituras anunciam um messias sofredor, que voltará em glória para receber o reinado eterno sobre o universo. Prova-lhes, porém, que ele deva ser crucificado, que deva passar por essa morte de verge infâmia, morte amaldiçoada pela lei, por porque nós nem sequer a conceber tal coisa”. O conflito era fatal, portanto, o livro dos Atos logo nos primeiros capítulos (3 e 4) relata-nos um episódio revelador. Pouco tempo depois de pentecostes, Pedro e João sobem ao templo para a oração da hora nona. Já tinham passado o pátio dos pagãos, onde qualquer um podia entrar, mesmo que não estivesse circuncidado. No momento em que iam subindo a escadaria que conduzia ao recinto do Tabernáculo, um paralítico pediu-lhes esmola. “Não tenho ouro nem prata”, respondeu São Pedro, “mas o que tenho isso te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda” (At 3,6). Nesse momento a multidão a multidão fica sabendo do milagre e vão ao pórtico de Salomão ao encontro de Pedro. O apóstolo a ocasião e fala. Afirma que foi em nome de Jesus, o mesmo que foi crucificado, que se realizou essa cura surpreendente. E reafirma sua fé no Messias Jesus. Aqueles que o escutam, aqueles que mataram o mestre, bem como seus chefes, pecaram por ignorância. É preciso que se arrependam e se convertam! Nesse momento surgem os sacerdotes e o comandante dos guardas do templo. Os apóstolos são detidos e mandados para a prisão. No dia seguinte, reúne-se o Sinédrio, sob a presidência do sumo sacerdote Anás também se encontra Caifás, um velho conhecido, e sem dúvidas muitos daqueles que condenaram Jesus. Interrogaram Pedro, e ele torna a falar, indiferente as represálias do tribunal. A pedra que vós rejeitastes tornou-se a pedra a pedra angular. Não há salvação senão em Jesus, e abaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual eles possam se salvar!” O Sinédrio proíbe que os dois Apóstolos falem e ensinem em nome de Jesus é então que Pedro e João dão a resposta que é o fundamento da tradição cristã: “Não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos !” Mais vale obedecer a Deus do que aos homens (At 4,20). Assim se define uma oposição cada vez mais acirrada entre os judeus da Torah e os judeus da cruz. Em pouco tempo, a relativa tolerância dos chefes de Israel cessará e dará lugar a perseguição. Pedro e João vão passar por essa por essa perseguição, serão presos novamente e, desta vez, açoitados. Isso aconteceu em Jerusalém e em outras cidades, procuraram lutar com todos os meios contra a pregação da boa nova, mas os primeiros fiéis à doutrina de Jesus vão se recusar a se calar “ocultar a luz debaixo do alqueire”. Não poderão deixar de falar! Quanto mais os perseguirem mais será a sua força e audácia, pois sempre hão de considerar-se “felizes por terem sido dignos de padecer ultrajes pelo nome de Jesus” (At 5, 41).
- História da igreja primitiva (PARTE I)
A IGREJA DOS APÓSTOLOS Para compreender o sentido do mistério profético da igreja vamos à tradição profética judaica. De que todos esses homens estavam impregnados. A efusão do espírito devia ser o último sinal da era messiânica. Assim dissera Ezequiel: “eu lhes darei um só coração e incutirei neles um espírito novo. Tirar-lhe-eis o coração de pedra e dar-lhe-eis um coração de carne, para que caminhem segundo os meus mandamentos e cumpram as minhas ordens. Sobre a casa de Davi e sobre o povo de Jerusalém, espalharei um espírito de graça e de oração” ( Ez 36,26). A vinda do espírito santo fora, portanto, o terceiro penhor sobrenatural e o mais definitivo, os outros dois são sua concepção sobrenatural, e a sua ressurreição. A partir desse momento, estes homens já não formavam uma comunidade fraterna, mas uma entidade ao mesmo tempo humana e sobrenatural de almas escolhidas, completamente renovados e prontas para assumir todos os riscos da sua fé; uma comunidade que, mais tarde, havia de chamar-se IGREJA.”se alguém não tem o espírito de Cristo, não é de Cristo”(Rm 8,9) Foi exatamente isso que se manifestou no cenáculo quando teve lugar a efusão do espírito santo. O ruído do fenômeno atraiu uma multidão de pessoas para junto da casa —- a festa do pentecostes trouxera muitos visitantes a Jerusalém —-, e o espetáculo daquela agitação, bem como o discursos poliglotas daqueles homens, despertaram os risos. Houve quem dissesse: “estão cheios de mosto” (At 2,13). Mas Pedro levantou-se e encarou multidão. Já não tinha medo; o galo que cantara quando tinha negado o mestre não voltaria a cantar. Foi então que, pela primeira vez, nos termos que já conhecemos, gritou a sua fé inquebrantável em Jesus o messias. Começou nesse instante a história cristã, nesse momento começa a instituição que chamamos igreja. Com essa primeira declaração apologética, que era também uma declaração de guerra ao mundo. Não podemos por em dúvida que havia uma organização, pois todo empreendimento humano a pressupõe, o sucesso do cristianismo no plano temporal prova que o seu desenvolvimento obedeceu a essa lei profunda da história segundo a qual um movimento, para se desenvolver, precisa de quadros sólidos, de um princípio de comando, de um método de ação, e tudo isso em estreita relação, como que fazendo corpo com a doutrina. O próprio Jesus, tinha transmitido essas estruturas aos seus discípulos: para quem souber ler o evangelho, um dos aspectos mais admiráveis da sua atividade sobre a terra é o esforço prático de organização e de instrução que realizou, e cujos efeitos se prolongaram até os nossos dias. Tudo nos prova que Jesus, DEUS feito homem, sabia perfeitamente que, para lhe sobreviver, a sua obra teria necessidade de instrução humana. Na comunidade primitiva, distingue-se bem os valores institucionais criados por Cristo. É bem evidente de que os apóstolos, suas primeiras testemunhas, aqueles que ele mesmo “designou e estabeleceu” gozam de uma grande autoridade moral. O número de doze, a que Jesus limitou o seu pequeno grupo, tem certamente o valor de um sinal, porque, assim que se tornou conhecido o suicídio de Judas, e antes que tivesse soprado o vento do pentecostes, Pedro pediu aos outros que o substituíssem de comum acordo; tendo o colégio apostólico proposto dois candidatos, lançaram sorte e o espírito santo designou Matias (At 1. 15-26). Entre os doze Pedro parece ocupar o primeiro plano. Vemos por diversas vezes ele assumindo a liderança, como vez por ocasião desta eleição; é ele que toma as iniciativas e a sua opinião sempre tem muito peso. Além dele, apenas João, filho de Zebedeu , parece se destacar. Esta preeminência de Pedro, cuja importância será considerável em relação às consequências da história Cristã, assenta também sobre uma declaração expressa de Jesus, que quis dar quis dar à sua fundação um princípio hierárquico; Cristo nitidamente designara, como ” a pedra sobre a qual a sua igreja seria construída”, este homem de coração generoso: Simão, a velha rocha. Junto dos apóstolos, há ajudantes e assistentes, uma espécie de apóstolos de segundo plano. Fariam eles parte do colégio ampliado dos setenta (ou setenta e dois) que, no segundo ano do seu ministério, vendo crescer o número dos fieis, o próprio Jesus tinha instituído? Seriam a origem daqueles presbíteros encontramos mais tarde em todas as comunidades cristãs? Qual era exatamente a sua função? Não é fácil precisá-la. Temos a impressão de que, ao lado da autoridade apostólica, existe a comunidade de Jerusalém — talvez num plano diferente —- a autoridade de outros personagens, principalmente de Tiago, chamado “irmão do Senhor”, isto é, um dos seus primos em primeiro grau, Eusébio ao recolher no século IV tradições diferentes das contidas nos evangelhos e nos Atos acerca dessas remotas origens, consistirá sobre o papel deste santo personagem, que “não tomava vinho nem qualquer bebida que embriagasse, nem nada que tivesse tido vida […] e cuja pele se tornara calosa nos joelhos como a dos camelos, de tanto permanecer ajoelhado em oração”. Deve-se ver em Tiago, de acordo com esse retrato, o líder de uma tendência especificamente judaica, que teria encerrado a nova fé nos moldes do mais estrito legalismo, em oposição mais ou menos clara ao colégio apostólico, podemos observar que já de início, as da comunidade já refletia algumas questões que causaram divergências sobre a interpretação da mensagem de Jesus. Havia laços muito sólidos entre eles para que as reações da natureza humana viessem a comprometer a unidade da instituição. À semelhança dos pormenores da organização, também não podem comentar com total precisão sobre os ritos e as obervâncias que caracterizavam os primeiros fiéis. Mas podemos distinguir três práticas fundamentais, que constituirão para o futuro, a base da vida religiosa cristã: o batismo, a imposição das mãos e o ágape fraterno. Quanto ao batismo, tanto em Atos como as epístolas de são Paulo revelam com clareza que as primeiras igrejas o consideram indispensáveis e que que todo novo adepto o recebe no momento da admissão. Por que? Evidentemente porque o próprio Jesus recebeu o batismo de João batista e os seus discípulos também se tinham batizado. Mas o rito cristão possuía certamente, características próprias. O batismo de João distinguia-se das abluções Judaicas e dos mikweh pelo fato de ser um “batismo de penitência”. O dos cristãos inclui também a vontade de renovação e de purificação moral, mas abrange ainda outra dimensão. Os Atos dizem que cada um devia ser batizado em nome de Jesus Cristo, “para a remissão dos seus pecados” (At 2, 38), e veremos que são Paulo, ao encontrar em Éfeso os que tinham se batizados por João batista, lhes revelou que o rito praticado por eles não era suficiente, e os batizou novamente em “nome de Jesus” (At 19, 1-5). Devemos então admitir que, segundo uma fórmula que desconhecemos, os batizados da nova fé deviam reconhecer o messianismo de Jesus e abjurar a falta nacional cometida contra a sua pessoa? ( A didaquê , texto cristão do fim do século I , diz-nos que era normalmente administrado por imersão e podia sê-lo também, excepcionalmente por aspersão. A ação sobrenatural do Batismo parece ser completada por outra cerimônia: a imposição das mãos. Tratava-se de uma prática israelita muito antiga, de que há exemplos no Antigo testamento, quando era necessário conferir a alguém uma eficácia sobrenatural, o poder patriarcal ou o poder real (Gn 48, 17). Uma prática familiar a Jesus também (Mc 5, 23; Mt 9, 18;19, 13-15; Lc 4, 40; 13, 13). Vemos o ato sacramental por excelência da igreja de Jerusalém, encontramos repetidas muitas vezes na história dos primeiros tempos cristãos (At 6, e 8, 17-19; 9, 12-17; 13, 3; 19, 6; 28, 8). Parece que esse já era o sentido sacramental do crisma que temos hoje, isto é, uma transmissão direta dos dons que o espirito santo derramava sobre os primeiros discípulos no dia de pentecostes, dons de graça, de luz, de coragem e de sabedoria. Destes antigos ritos o mais comovente é o da comunhão. Os primeiros fiéis perseveravam “na doutrina dos apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas orações” (At 2,42). Estes ágapes em comum são verdadeiras refeições; o texto é preciso: “tomavam o seu alimento”(2,46). Mas admitiriam, como a atual Eucaristia. A multidão dos fiéis tinha um só coração e uma só alma. Praticava-se verdadeiramente essa caridade doce e humilde, essa amizade de irmãos que São Pedro louvará em sua primeira Epístola. E a prova de que este quadro não é idílico, mas verdadeiro, é que o autor de Atos não hesita em acentuar-lhe também as sombras, deixando ver que a natureza humana, aflorando por vezes à superfície, introduzia nele um traço de pecado e de miséria. Cristo está ainda ali, muito próximo. Dentre os que dirigem a comunidade, muitos o conhecwram. E esses homens evocam recordações pessoais e contam o que viram e ouviram quando ele ensinava no lago de Tiberíades, ou no meio da multidão, no átrio do templo. Reúnem-se todos os pormenores que se possuem sobre a sua vida, e assim se elabora uma catequese que dará origem à tradição oral e depois será passada a escrito, convertendo-se nos evangelhos. Nota-se sensivelmente a presença do mestre no seio das almas; como já acontecera com Maria Madalena e com os discípulos de Emaús, cada uma delas experimenta essa presença dentro de si, com uma certeza que pertuba e com um ardor que incendeia: “ficai conosco, Senhor. —- O mestre está aqui!” Um aspecto como é muitas vezes comentado desta era primitiva era cristã deriva ao mesmo tempo do ideal de fraternidade e da convicção da proximidade da segunda vinda de Cristo. Os Atos relatam que os fiéis punham tudo em comum. “Todos os que tinham campos ou casas os vendiam e traziam o produto da sua venda, e depositavam aos pés dos apóstolos, e cada um se lhe repartia segundo a sua necessidade”(At 4, 32-35). Assim se tornou norma comum o preceito que Jesus ensinara ao jovem rico: “vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu” (Lc 18, 22). Cita-se com admiração um homem, José, conhecido como Barnabé, cuja generosidade parece ter sido contagiosa. Mas relata refere-se também a Ananias e Safira, que tinham tentado enganar o Espírito Santo, fingindo trazer todos os seus bens para a comunidade —- o que não lhes havia sido imposto —-, enquanto escondiam uma parte. E a justiça divina os fulminara a ambos (At 5, 1-11). Sem ser exigida por nenhuma lei, essa prática comunitária tinha-se generalizado. Neste período, a fraternidade cristã não era uma palavra vã. Referência bibliográfica: Daniel Rops – a igreja dos apóstolos e mártires
- Defesa contra as heresias
Estes foram os princípios usados pela igreja para proteger as pessoas das heresias, sob estes princípios foram realizadas as cruzadas e a Santa Inquisição. O esforço do estado em reprimir a difusão de comportamentos que levam os direitos humanos e as regras fundamentais da convivência civil, corresponde a uma exigência de preservar o bem comum. É direito e dever da autoridade pública legítima infringir penas proporcionadas à gravidade do delito […]. A doutrina tradicional da igreja, Desde que não haja mínima dúvida acerca da identidade e da responsabilidade do ocupado, não exclui o recurso à pena de morte, se for está a única solução possível para defender eficazmente vidas humanas de um injusto agressor. Defender o bem comum implica colocar o agressor injusto na impossibilidade de fazer mal. É por esta razão que os detentores legítimos da autoridade tem o direito de recorrer mesmo às armas para repelir os agressores da comunidade civil confiada a sua responsabilidade (catecismo da igreja católica 2265-2267) A defesa legítima das pessoas e das sociedades não é uma exceção a proibição de matar o inocente em que constitui o homicídio voluntário. “Do ato de defesa pode-se Seguir em duplo efeito:um, a Conservação da própria vida; outro, a morte do agressor. Nada impede que um ato possa ter dois efeitos, dos quais só um esteja na intenção, estando o outro para além da intenção. (catecismo da igreja católica 2263) A legítima defesa pode ser não somente um direito, mas até um grande dever para aquele que é responsável pela vida de outrem. (catecismo da Igreja Católica 2265)
- Maria, A Mulher prefigurada no Antigo Testamento e revelada nas Escrituras Neotestamentárias
Não encontramos muitas passagens que fala sobre Maria no Novo Testamento, mas se analisarmos bem o Antigo Testamento vemos que não seria mesmo necessário falar muito, pois tudo que sabemos de Maria hoje ja estava escrito prefigurando a Maria do Novo Testamento e a fé que temos hoje. É uma pena que os protestantes muitas vezes não se abram a estas analises exegéticas, indo por um caminho de fundamentalismo biblico que acaba deixando versiculos tão importantes passarem despercebidos ou propositalmente ignorados acolhendo somente o que lhes convém.E até mesmo também o fato de usarem a Biblia faltando os 7 livros ajuda a incompreender a Mulher das Escrituras, Maria, porque o canom do antigo testamento que estes usam são do Sínodo de Jâmnia do ano 70 d.C. realizado por um grupo de Judeus ( que não representou a maioria uma vez que os judeus da dispersão não consideraram o citado Sinodo) para freiar o Cristiniamo e evitar que fosse agregado livros as Escrituras uma vez que Paulo e os apostolos ja haviam feitos muitos e os proprios evangelhos teriam sido feitos até o ano 64 d.C. E se então levarmos em conta os simbolismos numericos muitos importante para a exegese biblica, o numero 7 representa o numero de Deus, a perfeiçao ou seja se faltam 7 livros significa que não esta perfeito como era antes do Sinodo de Jamnia e como é hoje tanto para Judeus como para os Protestantes. Seja como for, ainda há inumeros versiculos que quero citar para que possamos analizar e meditar aqui neste artigo e com a Graça de Deus e a intercessão de Nossa Mãe num futuro proximo fazer um artigo fazendo a exegese de cada uma, Minha intenção é fazer com que a gente possa entender melhor o quanto Maria é citada não só por ser a Mae de Jesus, mais também sua realeza, imaculada conceição , intercessao e nossa Mãe, ajudar a aumentar nosso amor por ela e também ajudar nossos irmãos separados a amar -la. Veja também outros artigos neste site referindo a Maria nas Escritura do Bob Stanley que é Bendita Virgem Maria na Biblia e Bendita Virgem Maria Na Biblia, óh Filha de Sião e também os artigos que esclarecem melhor sobre o canom protestante e o Sínodo de Jâmnia. Vejamos agora os versiculos sobre Maria: MARIA NÃO É MULHER COMUM APESAR DE SER SIMPLES E HUMILDE: Lucas 1:28 O proprio anjo gabriel anunciou: “Ave cheia de GRAÇA o Senhor é CONTIGO, ÉS BENDITA ENTRE AS MULHERES” É MARIA QUE PISA A CABEÇA DA SERPENTE Genesis 3:15 “Porei odio entre ti e a mulher, entre a tua descendencia e a dela. Esta te ferira a cabeça e tu lhe feriras o calcanhar” Judite 13: 23-25 “Ozias, príncipe do povo de Israel, acrescentou: Minha filha, tu és bendita do Senhor Deus altíssimo, mais que todas as mulheres da terra. Bendito seja o Senhor, criador do céu e da terra, que te guiou para cortar a cabeça de nosso maior inimigo! Ele deu neste dia tanta glória ao teu nome, que nunca o teu louvor cessará de ser celebrado pelos homens, que se lembrarão eternamente do poder do Senhor.” MARIA SEMPRE VIRGEM MAIS COM MUITOS FILHOS: Judite 13:20 “Mas juro-vos, pelo mesmo Senhor, que o seu anjo me protegeu (diz Judite), tanto ao partir, como ao demorar-me lá, e como ao voltar, e o Senhor não permitiu que sua serva fosse manchada: ele reconduziu-me a vós livre de toda a mancha de pecado, cheia de alegria por sua vitória, pela minha salvação e pela vossa libertação.” Ezequiel 44: 2-3 ” O Senhor disse-me: Este pórtico ficará fechado. Ninguém o abrirá, ninguém aí passará, porque o Senhor, Deus de Israel, aí passou; ele permanecerá fechado. O príncipe, entretanto, enquanto tal, poderá aí assentar-se para tomar sua refeição diante do Senhor. Ele entrará pelo vestíbulo do pórtico e sairá pelo mesmo caminho.” Isaias 49:18b,20-22 Por minha vida, diz o Senhor, de gala te revestirás, como uma noiva te cingirás.[…] Teus ouvidos ouvirão ainda de teus filhos, que julgavas perdidos: O espaço é estreito demais para mim; dê-me espaço para que eu me instale! Então dirás a ti mesma: Quem me gerou estes filhos? Não tinha filhos, era estéril: Quem os criou? Eis que eu estava desamparada e só: De onde vieram eles?Eis o que diz o Senhor Deus: com a mão vou fazer sinal às nações, e levantar meu estandarte para alertar os povos. Trarão teus filhos na dobra de seu manto, e em seus ombros carregarão tuas filhas. MARIA A MÃE DA DESCENDÊNCIA E ODIADA PELO DRAGÃO E SEUS SEGUIDORES: João 19: 26-27 “Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.” Apocalipse 12:13 a 17 “O Dragao vendo que fora precipitado a terra, perseguiu a Mulher que dera a luz ao Menino.Mas a mulher fora dadas duas asas de grande aguia a fim de voar para o deserto.ESTE ENTAO SE IRRITOU CONTRA A “MULHER” E FOI GUERRA AO RESTO DE SUA DESCENDENCIA. MARIA A RAINHA DOS CÉUS E DA TERRA Salmos 45:10 “As filhas do Rei formam vosso cortejo, posta-se a vossa direita a RAINHA,ornada de ouro de ofir” Salmos 45:12 “Da tua beleza se encantara o Rei, Ele é teu Senhor , rende-lhe homenagens”….. Nosso Senhor se encantou com a pureza de Maria e sua obediencia e rende-lhe homenagens. Ester 2:17 “O rei amou-a mais que todas as outras mulheres; e ganhou ela as graças e o favor real mais que todas as demais jovens. Tanto que o rei colocou sobre sua cabeça o diadema real e a fez rainha em lugar de Vasti.” Salmos 45(44),10-12.14b-16 “Entre as tuas amadas estão as filhas do rei; à tua direita uma dama, ornada com ouro de Ofir. Ouve, ó filha, vê e inclina teu ouvido: esquece o teu povo e a casa do teu pai, que o rei se apaixone por sua beleza: prostra-te à sua frente, pois ele é o teu senhor! Vestida com brocados, a filha do rei é levada para dentro, até o rei, com séquito de virgens. Introduzem as companheiras a ela destinadas, e com júbilo e alegria elas entram no palácio” Neste texto os Santos Padres viram a Virgem Maria em sua entrada triunfal na glória, aproximando-se do trono do Rei imortal, Cristo Senhor. MARIA, A RAINHA INTERCESSORA JUNTO AO REI Joao 2:1-11 Vemos que os noivos nao pediram o milagre do vinho diretamente a Jesus, mas tiveram a intercessao de Maria junto a seu Filho Jesus mesmo não sendo a hora de fazer milagres, isso mostra claramente que Jesus aceita pedidos de intercessores, principalmente de sua mãe como os reis do Antigo Testamento. I Reis 2: 12-20 “Salomão sentou-se no trono de Davi, seu pai, e seu reino foi solidamente estabelecido. Adonias, filho de Hagit, foi ter com BETSABÉ, MÃE DE SALOMÃO. Ela disse-lhe: Vens como amigo? Sim, disse ele, preciso falar-te. Fala. Ele continuou: Sabes que o reino era meu, e que todo o Israel me considerava como o seu futuro rei. Mas o trono foi transferido a outro, passando para o meu irmão, porque o Senhor lho deu. Tenho a esse respeito um pedido a fazer-te; não mo recuses. Fala. Pede ao rei Salomão, QUE NADA TE RECUSA, que me dê Abisag, a sunamita, por mulher. Está bem, respondeu BETSABÉ, falarei por ti ao rei. BETSABÉ foi, pois, ter com o rei para falar-lhe em favor de Adonias. O rei LEVANTOU-SE PARA IR-LHE AO ENCONTRO, FEZ-LHE UMA PROFUNDA REVERÊNCIA e sentou-se no trono. MANDOU COLOCAR UM TRONO PARA A SUA MÃE, E ELA SENTOU-SE À SUA DIREITA: Tenho um pequeno pedido a fazer-te, disse ela; NÃO MO RECUSES. PEDE, MINHA MÃE, respondeu o rei, PORQUE NADA TE RECUSAREI . “ Ester 5:6-8 “O rei foi, pois, com Amã ao banquete que Ester tinha preparado. Enquanto se bebia o vinho, o rei disse à rainha: Qual é o teu pedido? Ser-te-á concedido. Que desejas? Mesmo que fosse a metade de meu reino, a receberias. Eis, respondeu, meu pedido e meu desejo:se achei graça aos olhos do rei, e se lhe agrada aceder ao meu pedido e cumprir o meu desejo, que o rei e Amã tornem a vir ao banquete que lhes mandarei preparar. “ Ester 7: 2-3 ” No segundo dia, bebendo vinho, disse ainda o rei a Ester: Qual é teu pedido, rainha Ester? Será atendido. Que é que desejas? Fosse mesmo a metade de meu reino, tu obterias. A rainha respondeu: Se achei graça a teus olhos, ó rei, e se ao rei lhe parecer bem, concede-me a vida, eis o meu pedido; salva meu povo, eis o meu desejo. “ Ester 9:12 E o rei disse a Ester: Em Susa, na capital, os judeus mataram quinhentos homens e os dez filhos de Amã. Que não terão feito nas outras províncias do rei! (Entretanto), tens ainda algum pedido? Ser-te-á concedido. Tens algum desejo? Será satisfeito. Judite 13: 25 Ante os sofrimentos e a angústia de teu povo, não poupaste a tua vida, mas salvaste-nos da ruína, em presença de nosso Deus. ( Judite a serva, resgata todo o Israel de uma invasão dos Assírios e ela é descrita como Defensora de Israel, lembrando que exegeticamente sempre que aparece a Palavra Israel na Biblia se lê o nosso nome ) FELIZES OS QUE BENDIZEM A MARIA POR TODO O SEMPRE, ISSO É BIBLICO: Perceba comparando com: Lucas 1:48 “Porque olhou para sua pobre serva. Por isso desde agora me proclamarao bem aventurada todas as geraçoes. Judite 13: 23-25 Ozias, príncipe do povo de Israel, acrescentou: Minha filha, tu és bendita do Senhor Deus altíssimo, mais que todas as mulheres da terra.Bendito seja o Senhor, criador do céu e da terra, que te guiou para cortar a cabeça de nosso maior inimigo! Ele deu neste dia tanta glória ao teu nome, que nunca o teu louvor cessará de ser celebrado pelos homens, que se lembrarão eternamente do poder do Senhor. Como é lindo ver que Maria é realmente a Mulher do Genesis ao Apocalipse 12 e nós Católicos infelizmente somos os unicos desde o inicio do cristianismo até hoje que entendeu os designios de Deus para ela e que ela não é meramente uma simples mulher, mas a Mulher do das Escrituras e Nossa Mãe !!! *Livre para cópia e difusão na íntegra e com menção do autor Rogério SacroSancttus #históriadaigrejaprimitiva #HistóriadaInquisição
- Historical Difficulties : The Fallacy of “Heretical Popes”
Various historical incidents are alleged as being incompatible with the supremacy, or at any rate with the infallibility, of the Pope. It is in the first place remarkable that in so long a period, amongst so many Pontiffs, so differently circumstanced, and in such a multitude of their decisions, there should be so few instances of the kind. It would be out of place here to discuss them in any detail, and it must suffice to indicate very briefly the character of the objections and that of the replies, which fuller investigation must be left to corroborate. Pope Liberius . Liberius, it is said, subscribed a heretical creed, and anathematized St. Athanasius, the champion of orthodoxy. Reply, 1. The facts are doubtful. It is not certain that the creed subscribed was actually heretical. It is certain that Liberius did not anathematize Athanasius. At most he withdrew from his communion, as a disturber of the peace of the Church, and communicated with his enemies. 2. He thus acted under terror, when in the hands of the Arian Emperor, and by so doing undoubtedly exhibited shameful and sinful weakness, and caused great scandal. But he never taught the Church heresy. He fell like Peter—though we cannot be sure to what extent ; and when the danger was past he proclaimed the orthodox faith as before. Pope Vigilius He was undoubtedly weak and fluctuating with regard to works suspected of heresy, and published a declaration to the effect that he was unwilling to condemn them. But he afterwards changed his mind and did condemn them. Pope Honorius It cannot be denied (although Baronius and others have tried to prove the contrary) that the Sixth General Council (Second of Constantinople, a.d. 681) pronounced “Anathema on Honorius the heretic,” which was approved by the Pope of the time,—Leo II.,—and by subsequent councils. All that is needful is to understand the history. Sergius of Constantinople broached a new heresy (the Monothelite), but in covert and guarded language. All turned on the precise signification attached to certain philosophical terms which different writers understood differently. Some, however, suspecting the utterances of Sergius as unorthodox, began to agitate against him, whereupon he wrote to Honorius that it was a mere question of words, to which it would be foolish to attach importance. Honorius, not seeing the trend of his system, agreed with him and wrote saying that he saw nothing erroneous. That Honorius misapprehended, not the Catholic doctrine, but Sergius’ meaning is evidenced by the fact that in the same documents in which he expresses himself as above, he lays down the correct doctrine on the very point in question. (Hefele, Conciliengeschichte, vol. iv.) Later, however, it became manifest that the teaching of Sergius was heretical, and he was accordingly condemned, at Constantinople, Honorius being coupled with him as culpably neglectful of his duty in not having condemned the heresiarch. But whatever fault he may have committed, he certainly defined nothing:—indeed he expressly disclaimed the idea of any definition. It is moreover probable that he was blameless in the whole transaction, as the crucial words had not then acquired the signification presently attached to them, making their use by Sergius inadmissible. Others, no doubt, had a keener scent than he to detect the beginnings of error, but such acumen is not amongst the gifts which a Pope is required to possess. (John Gerrard S. J. , A Course of Religious Instruction For Catholic Youth)
- POR QUE VOCÊ NÃO SE CONVERTE HOJE? – 3º Domingo do Tempo Comum
Ouça aqui a homilia do Padre Paulo Ricardo: “Por que você não se converte hoje?” 1. PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Jonas 3,1-5.10) Quando Nínive se converteu A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas, pela segunda vez: “Levanta-te e põe-te a caminho da grande cidade de Nínive e anuncia-lhe a mensagem que eu te vou confiar”. Jonas pôs-se a caminho de Nínive, conforme a ordem do Senhor. Ora, Nínive era uma cidade muito grande; eram necessários três dias para ser atravessada. Jonas entrou na cidade, percorrendo o caminho de um dia; pregava ao povo, dizendo: “Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída”. Os ninivitas acreditaram em Deus; aceitaram fazer jejum, e vestiram sacos, desde o superior ao inferior. Vendo Deus as suas obras de conversão e que os ninivitas se afastavam do mau caminho, compadeceu-se e suspendeu o mal que tinha ameaçado fazer-lhes, e não o fez. 2. SALMO 24 O caminho da conversão (Antífona): Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, vossa verdade me oriente e me conduza! Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação. Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e a vossa compaixão que são eternas! De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia e sois bondade sem limites, ó Senhor! O Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres ele ensina o seu caminho. 3. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1ªCoríntios 7,29-31) Este mundo que passa… Eu digo, irmãos: o tempo está abreviado. Então que, doravante, os que têm mulher vivam como se não tivessem mulher; e os que choram, como se não chorassem, e os que estão alegres, como se não estivessem alegres; e os que fazem compras, como se não possuíssem coisa alguma; e os que usam do mundo, como se dele não estivessem gozando. Pois a figura deste mundo passa. 4. EVANGELHO (São Marcos 1,14-20) Convertei-vos e crede no Evangelho Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!” E, passando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”. E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus. Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus. SEGUINDO O CAMINHO DO CRISTO (Comentário de Scott Hahn) O chamado dos irmãos, no Evangelho de domingo, lembra a escolha de Eliseu pelo profeta Elias (v. 1Reis 19,19-21). Assim como Elias encontra Eliseu trabalhando na roça, Jesus vê os irmãos trabalhando na beira do mar. E como Eliseu deixou sua mãe e seu pai para seguir Elias, os irmãos também deixaram seu pai para seguir Jesus. A promessa de Jesus — de torná-los “pescadores dos homens” — lembra as esperanças mais profundas de Israel. O profeta Jeremias anunciou um novo êxodo, no qual Deus enviaria muitos “pescadores de homens” para tirar os israelitas do exílio, como já havia feito quando os salvou da escravidão do Egito (v. Jr 16,14-16). Através da cruz e ressurreição de Jesus, este novo êxodo já começou (v. Lc 9,31). E os apóstolos são os primeiros membros do novo povo de Deus, que é a Igreja: uma família baseada não em laços de sangue, mas na fé em Cristo e no desejo de cumprir a vontade do Pai (v. Jo 1,12-13; Mt 12,46-50). De agora em diante, até mesmo as nossas mais importantes preocupações mundanas — relacionamentos familiares, obrigações cotidianas, bens — devem ser julgadas à luz do Evangelho, como diz São Paulo na epístola deste domingo. A primeira palavra do Evangelho de Jesus — arrependei-vos — significa que devemos mudar totalmente a nossa maneira de pensar e de viver, deixando as obras más e tudo fazendo por amor a Deus. Devíamos nos sentir consolados pelo arrependimento de Nínive, relatado na primeira leitura desta semana. Mesmo os ninivitas malvados puderam se arrepender com a pregação de Jonas. E em Jesus temos alguém maior do que Jonas (v. Mt 12,41). Nós temos Deus, que veio como nosso Salvador para mostrar aos pecadores o caminho, como cantamos no Salmo dominical. Isso deve nos dar a esperança de que os amados de Deus, que estão longe Dele, terão compaixão se se voltarem para Ele. Mas nós também devemos avançar no caminho do arrependimento — lutando todos os dias para moldar nossas vidas conforme o modelo de Cristo. https://stpaulcenter.com/following-him-scott-hahn-reflects-on-the-third-sunday-in-ordinary-time/ https://stpaulcenter.com/siguiendolo-a-el-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-3o-domingo-de-tiempo-ordinario/ Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Por que você não se converte hoje?”, clicar aqui
- Self-Control in a Sex-Crazed World
In our time, over 80% of what we watch on TV are quite harmful to the soul,ranging from the movies to music to the fashion show etc. Surely the fashion shows cannot be left out of the carriage, considering the crazy designs and the “almost-nude” dresses aimed at exciting lust. The shocking aspect is that over half of the world population sees nothing wrong in modern fashion trend; in fact the society craves for these immodest fashions, in other words they love looking “sexy.” It is no mere coincidence that this deplorable condition arose as soon as the world dumped the ascetic ideal i.e the subjection of the lustful impulses of the flesh for the benefit of the soul. Concepts such as self-mastery, self-discipline barely exists; now its all about “having fun.” The society today have drank to its dregs, the poison of concupiscence; and being dead to self control( Asceticism), the stench of its decaying body reeks even at its basic unit – the family. Infidelity within this basic unit is no longer news. Our educational institutions are not actually giving us hope of producing students who are glowing in chastity. The story is not different both in the political and religious circles. The story is the same – Sexual Perversion, Sex Scandals. Matters get worse as the society, in view of solving this problem subscribes to superficial intellectual solution called Sex Education. Exponents of this method believe that the solution lies in educating the masses on issues relating to human sexuality which includes sexual activity and safe-sex. They disparage the Church’s ascetic methods, and accuse the medieval Catholics of neglecting nature through penance and mortification. Unfortunately this disgusting programme has found its way in Catholic Schools, homes etc and as a result, the Catholic gentleman has awoken to a sex-crazed world. The Problem with Sex Education. 1.) Through its method of educating the masses on sexual activity and safe-sex, they end up attracting instead of distracting the mind from sex. St. John Vianney wisely points out that; “It requires only one immodest word to start a thousand evil thoughts,” therefore it is no surprise why our educational institutions are cesspools of impurity despite the sex education initiative. Distracting the mind(especially of the young) consists of imprinting on the mind, the values of self-conquest or self-discipline and on the other hand make strong emphasis on the demerits or harmful effects of premarital sexual relationships. The later should be employed only when it is necessary. The less you speak of sex related matters, the better. 2.)To overcome the concupiscence of the flesh, it takes much more than knowing . It requires action rather than just knowing(i.e over-dependence on the intellect). Sex Education places more emphasis on knowing and it is not surprising that their methods produces no success. This Action consists not in negation of nature, but as earlier mentioned, subduing the lustful impulses of the flesh by acts of mortification. St. Paul says, “I chastise my body, and bring it into subjection”( 1 Cor. 9 : 27). St. Thomas Aquinas wrote, “We must realize that the avoidance of concupiscence demands much labor, for it is based on something within us. It is as hard as trying to capture an enemy in one’s household.” Life of Saints For the Saints, it was no easy task overcoming the concupiscence of the flesh. St. Benedict cast his body amidst sharp thorns so as to banish the thoughts through pain. St. Macarius shouldered a heavy bag and walked through the desert to weaken his body and as a result overcame the temptation. His very words were, “I am tormenting the tormentor.” In St. Thomas Aquinas’ case, the tempter who was a prostitute had to run for her life when the enraged Saint gave her a chase with a big stick. St. Francis Xavier encountered his in an extraordinary manner. His companion seeing blood in his room made inquiries as to the cause. Under strict promise of silence, he narrated the following: “I was asleep when an impure phantom clouded my mind. It seemed to me that I was in a certain inn, and that a disreputable woman approached and placed her hand on my bossom. I, who by the great mercy of God still a virgin, was horrified at this audacious proceeding, that in order to push this abominable object from me, I vigorously used my arms, and in the violence of the struggle, ruptured a vein, which occasioned the copious flow of blood that you witnessed.” Self Control can only be obtained in Asceticism. To understand the significance of asceticism, it should be remembered that natural life does not flourish unless the spirit retains the upper hand. Nothing could be more effective in bringing humanity back to the best traditions of manhood than a respect for the spiritual strength and conquest which is symbolized in ascetic lives of the Saints. To ensure conquest over concupiscence, St. Thomas Aquinas says, “You must resist the flesh by means of fasting; for by fasting the flesh is weakened.” May God help us all. Our Lady, Refuge of Sinners – Pray for Us.
- The New Mass and Sacred Music
Back in those days as a novus-ordo Catholic, I always felt it was wrong to play drums at “mass”( new mass) and interestingly, some co-religionists then shared the same view. All attempts to avoid participating in a “band mass” was simply a sad case of “the right act in a wrong church”. Before going into the Church’s position on these instruments as regards to the Mass, the first question is: What is Sacred Music? “Sacred music is understood as that which, being created for the celebration of divine worship, is endowed with a certain holy sincerity of form.” (St. Pius X, Motu Proprio ‘Tra le sollecitudini,’) In summary, Pope St. Pius X stated that a Sacred Music; 1.) Must be holy, and must therefore exclude all profanity not only in itself, but in the manner in which it is presented by those who execute it. 2.) It must be a true art, for otherwise it will be impossible for it to exercise on the minds … that efficacy which the Church aims at obtaining in admitting into her liturgy, the art of musical sounds. 3.) It must, at the same time, be Universal. These qualities are found in; 1.) The Gregorian Chant, the supreme model for Sacred Music. 2.)Classic Polyphony(e.g. works of Pierluigi da Palestrina) because it agrees admirably with Gregorian Chant. A certain misconception which lurks among the novus-ordo catholics (especially in my country Nigeria) see the theatrical style of music, such as the works G. F. Handel, as liturgical, therefore fit for mass. This is wrong. This style of music is diametrically opposed to Gregorian Chant and Classic Polyphony. The rhythm itself is badly fit for true liturgical music. The Saintly Pope forbade the modern style of music containing reminiscences of motifs adopted in the theatres, and its external forms fashioned after profane pieces. Hence the following rule is laid down: “…the more closely a composition for Church approaches – in its movement, inspiration and savor – the Gregorian form, the more sacred it becomes; and the more out of harmony it is with that supreme-model, the less worthy it is for the temple.” (St.Pius X, Tra Le Sollecitudini) By now, you are beginning to figure out why the noisy and frivolous instruments are forbidden. Declaring the church’s position on these instruments, he wrote: “It is strictly forbidden to have band play in church, and only in special cases with the consent of the ordinary will it be permissible to admit wind instruments … and (its) accompaniment be written in grave and suitable style, and conform in all respects to that proper to the organ.”(ibid) If you persist in attending the New Mass, don’t even bother yourself with what is sacred; for the Catholic sense of sacredness was lost when pentecostalism was introduced by the Vatican II church. As a result, there is no longer a unified form of worship in the novus ordo. In a “mass”, you may find it celebrated with a modicum of orthodoxy; and in another , you will witness an outrightly protestant version with the band and its likes. With no straightforward prohibition whatsoever, the Vatican II council ruled that the permission of other instruments maybe given based on the decision and consent of the competent territorial authority(See Constitution on the Liturgy, Art 120). Considering the advent of Pentecostalism in the Novus Ordo religion, there exist two factions – the liberal and the conservative. Hence if your territorial authority is liberal, be rest assured that your “masses” will be “jamming” with these instruments. This has been the case in the Vatican II mass – confusion, irreverence and loss of faith. Should we be suprised at the drastic reduction in the number of Catholics who attend the new mass. Tra Le Sollectitudini (Instruction on Sacred Music) by Pope Pius X: “Nothing should have the place, therefore, in the temple calculated to disturb or even merely to diminish the piety and devotion of the faithful, nothing that may give reasonable cause for disgust or scandal, nothing above all, which directly offends the decorum and sanctity of the sacred functions and is thus unworthy of the House of Prayer and the Majesty of God.”
- A Dangerous Age in Man’s Life
When we hear of the “most dangerous age”, we often picture teenagers addicted to drugs or entangled in unhealthy relationships with the opposite sex. So much is said today about incalcucating the good old qualities such as self-control, modesty, equanimity etc. I agree that the teenage period is quite a dangerous one, but I don’t agree that it is the most dangerous age in Man’s life. There is no age more dangerous than the period at which a man becomes inaccessible to fresh ideas and impervious to enthusiasm. He puts up his intellectual shutters and makes a truce with the world. When things go wrong around him, you find him too weak to act. At this age, according to Rev. Charles Plater, you hear him say: “Ah, my dear boy, I thought the same when I was young. I had ambitions and a crusading spirit. But it was no use. Crime injustice and class hatred and destitution and degrading poverty and commercial dishonesty – they are all rampant and can’t be slain. I’m twice your age; now, which of us ought to know better.” Evil easily overcome good in the society when highly respected citizens bear such frame of mind and the same also happens in the Church when the Shepherds adopt this attitude. In our time, we see this dangerous age sets in about 40 or 45, and often lasts till 60. At this age, he accepts things as incurable, and just settles down in his groove trying to save his own soul or pick up a few pieces out of the social wreckage. The young man who crusades for a better life treads on the right path. For when we look at young men like Giorgio Frassati, we will understand that life, to the Catholic young man of strong faith and generous sympathies, is not a weary battle of insuperable foes, but a stirring crusade against evils which can be conquered. He is strong because he borrows strength from God. Therefore, the dangerous age is not a mere matter of years, but a frame of mind. It is not inevitable. We’ve also had men like St. Bernard who most vigorously fought against the injustices of his time at the said most dangerous age ( 40 – 60 years ). That men of our time usually become pessimistic within the said is not because of the number but that of will. The indifference or infidelity to the Catholic religion of young men between 22 – 35 years, brings upon them at 40 years , a certain inertia, an inability to fight against a supposed insuperable foes. In a society where there is indifference to religion, the men often crumble under this frame of mind – then evil triumphs. This becomes a most dangerous age, because his mental disposition does not only affect him, but also young minds who look up to him. Thereby affecting the society at large. Just as a man may be a cynic and pessimistic at 21, so a man may be a youth and an optimist at 50. It is not a matter of number, but largely a matter of will. The Catholic faith is a gift to all who, like the saints, stand and fight against an immoral and indifferent world. Be Virtuous … Be Catholic.
- Did Jesus Christ claim to be God?
Is it not possible that Jesus, when he said He was the Son of God, was merely claiming to be a prophet sent by God? No. In the first place such a claim would not have been taken as blasphemy. Moreover, Jesus called God “My Father”, in a way in which no mere man could speak of God. On one occasion He said openly, “I and the Father are one”. The jews took up stones to cast at Him, saying, “Thou being a man, makest thyself God.” (John 10:33) Does not Jesus at times speak as if He were inferior to the Father and at other times as if He was equal? Yes. For example, He said, ” The Father is greater than I” (John 14:28) and also “All things whatsoever the Father hath are mine.” (John 16:15) Jesus Christ is one Person. But that one Person is both God and Man. At the time of the Incarnation He took a human body and soul. As God, the second divine Person, He always existed. The second divine Person, therefore, now possesses two natures, a human and a divine. In the Gospels He acts and speaks sometimes in His human nature i.e. as Man; sometimes in his divine nature, i.e. as God. He spoke in His human nature when he said, “The Father is greater than I”; and in His divine nature when he said, “All things whatsoever the Father hath are mine.”
- Priesthood and Marriage
Priests and Marriage by Fr. R. J. Griffin When did the Church make the law forbidding Priests to marry? Pope Siricius in 385 made a law forbidding Priests to marry and Pope Gregory VII in 1074 confirmed and enforced it more strongly. Why did the Church make a law forbidding Priest to marry? The Church has made this law for a number of good reasons: 1. A priest stands in the place of Christ. Christ was a virgin, and praised virginity. See Matt. 19:11-12. St. Paul was not married, and advised others who wanted to serve God perfectly not to marry also. (See 1 Cor. 7:7-8; 25-28; 32-33). St. John praises virginity. (Revelation 14:3-5) 2.) A Priest who is not married is freer than a priest who has wife and children. If he were married, his wife and children would come first. If he is not married, his flock, his spiritual children, will come first. For example, when a priest has to give the last sacraments to a person dying of plague or small pox, if he is married, he will naturally fear catching the plague himself and so giving it to his wife and Children. 3.)If a Priest were married, where would he get sufficient money for his wife and family especially on the foreign missions? If all priests were married, it would be impossible to have so many missions. Priests make the sacrifice of the happiness of family life for the love of God, and to be able to help people better.
- Why is it hard to understand the Bible?
Answers by Rev. R. J. Griffin Some parts of the Bible are hard to understand because the Bible deals with great mysteries of God, and of man’s redemption. It is also hard for us to get a fully correct understanding of everything in the Bible because we live so long after the happenings spoken about in the Bible, and they were written in languages very different from ours. The customs of the people and the conditions of their lives in Biblical times were in many ways different from our own. I will give you an example of this to show what I mean. You remember when Our Lord says: “It is easier for a camel to pass through the eye of the needle than for a rich man to enter into the kingdom of heaven”(Matt. 19 vs 24). At first that seems very foolish. How could a camel get through the small eye of a needle, such as a tailor uses? But the words “eye of a needle” was the name that the Jews gave to a narrow gate in the walls of the town, through which the camels passed when the main gate was closed. It was just large enough to let an unloaded camel enter. You can see that an ordinary person without study would not get the full meaning of such a text. How then can the Bible be understood? Much of the Bible is quite clear and easy, and the general sense can be understood by following the explanations of learned men who form the beginning of the Church have studied it. They are kept from making mistakes by the Church. I will tell you a story to show how foolish it is for people without proper training and without the guidance of the Catholic Church to try to understand the Bible fully by themselves. One day a doctor is ill, and cannot work, so he calls his friend who is a postmaster. He says to him: “My friend will you help me today, and go to my hospital and attend to my patients? Some will need medicine, others operations, examine them and see”. But his friend replies: “I have never studied as a doctor, so I cannot help you”. But the doctor replies: “Do not worry, it is quite easy, I have a big medical book called ‘The Doctor’s Bible’, which contains everything you will need about medicines and operations. Take it, and when you have examined a patient, read the book, and you will know what to do. After reading the book, do whatever you think is right”. So the friend agrees, and goes to the hospital. Now I ask you, do you think the postmaster will be able to understand that medical book? Do you think he will be able to give the proper medicine, and perform operations, and cure patients? No, very often he will give the wrong medicine, and make mistakes in the operations, and so he will often poison and kill the patients by his mistakes. Why? Because he will not be able to understand the ‘Doctor’s Bible’. It is the same when ordinary people without any proper training, and without the guidance of the Church, try to understand the Church’s Bible. They too, make mistakes , and instead of helping souls, they often poison and kill them. The ‘Doctor’s Bible’ came from doctors, and only doctors can properly understand it. The Church’s Bible came from the Catholic Church and only the church can explain it without making mistakes which are harmful to people’s souls.
- Bible and Tradition – Rev. R. J. Griffin
For Catholics who already know their doctrine well, the Bible is of great use. In spite of the difficulties I have spoken of, very much of the Bible is easy to understand, and it can help us very much to lead good lives. We can read how wonderfully God dealt with His people in olden times; we can read about the life and sayings of Our Lord; we can learn how kind and good God is to us, and so get to love Him more. The Bible has been called “a collection of letters from our Heavenly Father to His loved children”. Just as children love to keep the letters of their earthly parents, so we should respect and love the letters of our Heavenly Father, and follow the advice given in them. Because a Catholic has the Church to keep him from making mistakes, he has not got to trouble himself to search out what to believe in the Bible. The Church has already done that for him. He knows that if a certain part is difficult to understand, or seems to go against his own ideas, he need not trouble, because there can be no real difference between the Bible and the teachings of the Church, as they both come from God. What do Catholics Mean by “Tradition”? By Tradition, we mean those teachings of Christ and the Apostles which were not written in the Bible. As you know, only a part of Our Lord’s teaching was written in the Gospel. From John 21:25 that is clear. Your own sense would tell you that Our Lord, who went about for three years, teaching all the time, must have said a lot more than we find in the Gospels, which are really quite short of books. The chief teaching of Tradition has been written down in various Creeds(for example, the Apostles’ Creed). It is supported by the government of those great teachers of the Church who lived in the first centuries after Christ – they are called the Fathers of the Church. Catholic Tradition is very different from the stories and legends handed down among men, such as the stories of old kings and heroes of tribes. This tradition has been kept from mistakes by the Holy Ghost. Is Tradition spoken about in the Bible? The Bible tells us to believe in Tradition. St. Paul writes to Timothy: “And what you have heard from me before many witnesses, entrust to faithful men who will be able to teach others also.” (2 Tim. 2:2) . To the Thessalonians he wrote; “So then, brethren, stand firm and hold to the traditions which you were taught by us, either by word of mouth or by letter.” (2 Thesis. 2:15). He commanded the Thessalonians to avoid those living in idleness and not in accord with the tradition that they have received from them.(see 2 Thess. 3:6)
- The Bible came from the Catholic Church – Rev. R. J. Griffin
Questions on the Bible. You said that the Bible is a collection of books. Who collected them and when and how did they become one book? About the year 300 A.D., the Catholic Church began to collect from all parts of the known world all those books and also all copies of books which were said to have been written by the Apostles. The Church then slowly and very carefully examined them all to find out for certain which had been written by the Apostles. Those which the Church proved had been written by the Apostles, she ordered to be bound together in one big book, that book is called the New Testament. This work took many years, and the results were considered at various councils from 382 AD, the most important being the council of Carthage in 397AD, when the correct collection of the New Testament was finally settled and sent to Rome for confirmation. It was again confirmed at a second Council of Carthage in 419 presided over by Saint Augustine and sent to Pope Boniface for approval. Does that mean that the Bible came from the Catholic Church? Yes! The Bible, as we know it, came from the Catholic Church, and all the writers of the New Testament were members of the Catholic Church. Then the Catholic Church existed before the Bible? If you mean the New Testament only, then the answer is yes, because the Catholic Church existed over 300 years before the whole of the New Testament was accepted as a part of the complete Bible. Has the Church more authority than the Bible? Yes! The Catholic Church has more authority than the Bible, because Christ gave His Church all authority to teach. The one safe way of finding the truth is to listen to the Church as Christ commanded. (see Matt. XVIII. 17) Which is safer then: to follow the teachings of the Church or the teachings of the Bible? If you follow the teachings of the Bible as explained by the Catholic Church, then you are safe, because the teachings of the Church and the teachings of the Bible are the same. If ,however, you try to understand the Bible by yourself, or with the help of one of the many protestant religions, then you will not have the real teachings of the Bible, and it will not be safe to follow it.
- Is it in the Bible?
Certain doctrines and practices of the Catholic Church are attacked by the Protestants and their favorite line as always is – “is it in the Bible?” The following is an answer to this question by Rev. R. J. Griffin Bible, Not The Sole Criterion of Truth. Does not the Bible contain all that Christ did and taught? No, certainly not. Read the last verse of St. John’s Gospel: “But there are also many other things which Jesus did; which if they were written every one, the world itself, I think, would not be able to contain the books that should be written” (John xxi.25) So it is clear from the Gospels themselves that they only contain parts of what Jesus taught. Where then can we learn the truth? Where can we learn ALL Christ’s teachings? We can learn the truth and all Christ’s teachings from the Church which Christ made, namely, the Catholic Church. Remember the following points: a.) Christ never ordered anyone to write the Bible. b.) Christ Himself never wrote anything. c.) Christ never ordered anyone to learn his religion from the Bible. d.) He sometimes referred to the old testament to prove to the Jews that He was the Messiah, and to explain the law of Moses, (John v. 39) e.) There were no printing presses until 1400 years after Christ died, and so it was impossible for many people to have Bibles. They were few because they had to be written by hand. f.) Many people did not know how to read in the time of Christ, and later.(Hence, Our Lord wouldn’t have made it mandatory that Christians should believe ONLY in the written word). Now I will ask you a question. If Christ had wanted people to learn His religion from the Bible, why did He found a Church to teach it? Surely if He had wanted all people to learn his religion from the Bible He would not have made us wait 1400 years for the printing press. This briefly explains the absurdity of believing ONLY in the bible. If we are to hold such a view that the bible is the sole criterion of truth, the ONLY true guide to heaven, we will end up damning the early Christians of the first 300 years after the death of Christ. For in those times, the bible never existed yet their faith was so strong. The Oral Tradition(communicated through the teaching magisterium of the Church) and the Bible is our source of truth. Kyrie Eleison.
- Sins Against The Holy Spirit.
In giving explanations I will only stick to the basics , the reason being that I have no intention to present a theological treatise(of which I’m not even capable of). The aim is to dispel the falsehoods and half-truths circulated in the Vatican II or Novus Ordo sect regarding this topic. In Matthew 12:32, it is written; “who speaks against the Holy Spirit will not be forgiven either in this age, or in the next.” The Catholic Church presents the following as sins against the Holy Spirit: 1. Despair 2. Presumption 3. Impenitence 4. Obstinacy 5. Resisting the Known Truth 6. Envy of our brother’s spiritual good Looking at the above mentioned sins, one cannot say that he is entirely innocent of these sins. People sometimes lose hope in God’s mercy (despair) while others presume and some others envy their brother’s spiritual good. Does this mean that they have sinned against the Holy Spirit? Is all hope is lost for those who – still alive – has blasphemed against the Holy Spirit? To answer these question, we must understand that these sins can be committed in two ways: 1.Out of weakness or ignorance; in other words it can be called a “circumstance of sin.” One can fall into despair out of weakness or remain obstinate out of ignorance but this cannot be called the sin against the Holy Spirit. 2. Out of malice i.e a desire to do evil or taking pleasure in evil for its own sake. This is a sin against the Holy Ghost because out of love of evil, the soul chooses evil over good thereby contemning the good which the Holy Spirit communicates to the soul e.g hope, holy fear, compunction etc. When the above mentioned sins are committed out of malice, it is said be a Sin against the Holy Spirit. To get a clearer understanding, let take a quick look at these sins. DESPAIR This is losing hope in God’s mercy (which pardons sins and rewards good deeds.) A man might fall into the sin of despair due to the nature of sin he has committed. His crime appears so grave to him that he loses hope in God’s mercy. This cannot be called a sin against the Holy Spirit because he falls into despair “out of weakness.” He has no love for the sins, but simply falls into its temptation out of weakness. He bears no hatred for God or despise His actions. Here is another man who falls into the sin of despair. He has no hope in God’s mercy because he is not even sorry in the first place! Unlike the first man, he has no compunction(sorrow for sin), there is no love of God. he resists the actions of the Holy Spirit to bring him back to repentance. This is a sin out of malice. This is a sin against the Holy Spirit. PRESUMPTION This is the false hope of presuming to obtain pardon while persevering in sin; in other words presuming to obtain God’s mercy without merit. Take for instance, a soul who is hardened in sin and still hopes to obtain forgiveness. There is no intention to refrain from sin, yet he hopes to obtain pardon thereby demanding from God what is unbecoming of Him i.e. rewarding evil with good or giving glory to those who cease from doing good. He does not acknowledge God’s justice. Out of love for sin, he is hardened in it and resists the grace of holy fear given by the Holy Spirit. This is a sin against the Holy Spirit. “The fear of the Lord is the beginning of wisdom.” This should not be mixed up with another kind of presumption where a soul falls into sin with the hope of going to confession and obtaining pardon in the future. In this case, he intends to make amendment, he acknowledges God’s justice, he hates the sin but falls “out of weakness.” IMPENITENCE This is the firm purpose of not repenting. Due to the love of evil for its own sake, the soul resists all forms of grace (given by the Holy Spirit) which would bring him to repentance. He despises the actions of the Holy Spirit and sins through malice. This is a sin against the Holy Spirit. This should not be confused with a different kind of impenitence otherwise called “permanence in sin until death.” In this case, the soul does not love the sin, but falls into it out of weakness.The Holy Spirit communicates grace but through weakness he chooses evil over good. There is a battle, but the enemy is victorious. OBSTINACY This is a sin against the Holy Spirit where out of malice, a soul clings to evil. Like a man who had sold his soul to the devil, he rides straight ahead on the path of evil for its own sake. He has a firm purpose to remain in sin no matter what and cares not of its consequences. This is contrary to another kind of obstinacy, where a soul remains obstinate in sin due to a little ‘good’ derived from it. For instance, a girl who obstinately remains in prostitution since the occupation provides a means of livelihood. She does not love the sin, but she remains obstinate because she believes its her means of survival. This is sin out of weakness. RESISTING KNOWN TRUTH This is not the resistance of truth out of ignorance, but resisting the truth which he has previously acknowledged so as to sin more freely. ENVY OF A BROTHER’S SPIRITUAL GOOD This is not only when one is envious of his brother’s person, but also of the increase in Divine grace in the world. They love to see the world immersed in of sin out love for evil and contemn the action of the Holy Spirit in increasing divine grace in the world. WHY ARE THESE SINS UNFORGIVABLE They are unforgivable because they deserve not to be forgiven. The reason being that the soul being hardened in sin removes those things which could have directed them to pardon. A disease is said to be incurable, when there is no means of cure; so also is the sin against the Holy Spirit, when the soul shuts out all means that could lead to pardon. IS ALL HOPE LOST FOR THOSE WHO SIN AGAINST THE HOLY SPIRIT? St. Thomas Aquinas in his “Summa Theologiae” answers that, “this (sin against the Holy Spirit) does not, however, close the way of forgiveness and healing to an all-powerful and merciful God, who, sometimes, by a miracle, so to speak, restores health to such men.” St. Augustine (in De Verb. Dorm., Serm. lxxi) adds that “it ( blasphemy against the Holy Spirit) is not confined to utterance by word of mouth, but extends to words in thoughts and deed, not to one word only, but to many.” Although the Jews blasphemed against the Holy Spirit as pointed out in Mark 3:29-30, Our lord warned them lest by similar utterances, they should come to sin against the Holy Ghost. It is in this sense that we understand the words of Our lord both in Matthew and in Mark. “We should despair of no man in this life, considering God’s omnipotence and mercy.” St. Thomas Aquinas. Holy Ghost, inspire us with the horror of sin. Holy Ghost, grant us the only necessary knowledge. Come Holy Ghost, fill the hearts of the faithful ; And enkindle in them the fire of Thy love.
- Biblical Proof of Mary’s Sinless Nature
In the olden time, an Angel would not show reverence to a man because Angels are greater than men. Man is of a corruptible nature, always inclining to sin due to original sin inherited from Adam. Therefore it is fitting that man should reverence to a sinless creature, like an Angel. Acts of reverence to Angels by men can seen in various places the bible. For example, Joshua prostrated before an Angel(Joshua 5:14); Daniel also did the same in terror before Angel Gabriel(Dan. 8:17). For an Angel to show reverence to a man was never heard of until the Angel Gabriel reverently greeted the Blessed Virgin Mary, “Hail.” This did not only confirm her sinless nature, but also points to us, her dignity which surpasses that of an angel. For the word “Hail” is a greeting accorded to persons of royal personage. Kindly note that Angel Gabriel who reverently saluted the Blessed Virgin, was the same Angel who Daniel saw and with great fear fell upon his face, and this was the same Angel who made Zacharias dumb, for expressing doubt by asking for signs. Surely, she must be free from sin for her to hold such dignity. Mary’s exempt from sin (including the original sin) is expressed in the Angel’s words “full of grace”; for sin cannot be taken away except by grace, hence, she couldn’t bear a stain of sin since she is “full of grace.” “Thou art all fair my love, there is no spot in you.”(Song of Solomon 4:7). Erroneously maintaining that she was of the sinful nature (due to the misunderstanding of Romans 3:23) will be derogatory to the sanctity of God, for how could our All-Holy God take flesh from a sinful creature, since “nothing clean can come out of the unclean”(Job 14:4). Hence the necessity of exemption from original sin, and herein lies the dogma of Immaculate Conception. In Ex. 25: 11-21, the ark was made of the purest gold for God’s word, therefore it was fitting that the Lord’s Ark, the Blessed Virgin Mary, bearing the Word(Christ) be also pure from sin. The birth of Christ was of supernatural nature, and wouldn’t have occurred if Mary was of sinful nature, for a Perfect God( Matt. 5:48) takes flesh only from a perfect creature. To Mary, the Angel Gabriel said, “The Holy Spirit will come upon thee, and the power of the Most High will overshadow thee.”(Luke 1:35) This would not be possible if our Lady incurred the stain of sin, for in Exodus chapter 40 and – as earlier mentioned – chapter 25, the tabernacle had to be sanctified before God’s glory came upon it; for it is written “the cloud covered the tent of meeting and the glory of the Lord filled the tabernacle.”(Ex. 40:34). Therefore Mary must have been sanctified for the power of God to overshadow her. The sanctification we speak of is the exempt from original sin. God exempted her from original sin, for she was to be the Mother of our Lord Jesus Christ – “who shall save His people from their sins.”(Matt. 1:21). Would it be impossible for Christ to save His mother from original sin, if He was to save people from sin? Of course it would not, for with God all things are possible . In gratitude for this most singular privilege, she sang, “My soul magnifies the Lord, and my spirit rejoices in God my Saviour.” Happy Feast of Immaculate Conception.
- Praying to Angels and Saints
“Necromancy!” This is what protestants often call our prayers to angels and saints. We pray to angels and saints to intercede for us because they stand in a better position to obtain favors or graces from the Almighty God. This devotion impresses on our mind, the greatness of God and our unworthiness stand before him, “for our sins are ever before us”(Psalm 51:3). Praying to God when we say “Our Father” does not condemn prayer to angels and saints, nor does it eliminate the belief in the intercession of these celestial beings. If angels and saints offer prayers to God, would it be outrightly impossible if they intercede on our behalf? In Luke 16 : 19 – 30, If the rich man (in Luke 16 : 19 – 30) burning in hell, interceded for his brothers on earth; would it be abominable for an angel to do so before God? Absolutely Not! If the martyred saints could pray to God for earthly vindication(c. Rev. 6:9), would they not be able to offer prayers on our behalf? The four living creatures and the twenty-four elders carried golden bowls of incense, which were the prayers of the holy ones,before the Almighty(c. Rev. 5:8), do we become necromancers when we pray to the heavenly citizens? Of course not. The Angel of the Lord in Zechariah 1:12 interceded for Jerusalem saying: “O Lord of hosts, how long wilt thou have no mercy on Jerusalem and the cities of Judah, against which thou hast had indignation these seventy years?” It was due to the intercession of this angel that the Lord said (in verse 16), “I have returned to Jerusalem with compassion; my house shall be built in it.” If an angel could intercede for a city, would it be wrong if we ask the angels to intercede for us when it is written: “For he will give his angels charge of you.”(Psalm 91:11). What more can I say on this subject. How can people understand the scriptures when they read only to attack Catholic doctrine. Proverbs 16:22 says, “folly is the chastisement of fools”, hence we all get what we deserve. All ye Angels and Saints of God, Pray for us!
- Praying for the Dead and Doctrine of Purgatory
Praying For The Dead and the Doctrine of Purgatory. Praying for the dead is undoubtedly a profession of belief in the purification of souls after death. Since the souls in heaven or in Hell do not need prayers, there must exist a state or condition, whereby a soul after death stands in need of prayers and God’s mercy. The Protestant’s objection to the doctrine of Purgatory stems from a total denial of the above mentioned state or condition of a soul. As a result, they do not pray for the souls of the dead, regarding it as pagan. From the scriptures we read in: 2Maccabees12:46; “It is therefore a holy and a wholesome thought to pray for the dead, that they may be loosened from their sins.” In 2Tim. 1:16 -18, St. Paul prayed for a dead friend Onesiphorus. The early Christians baptized themselves on behalf of the dead(see 1 cor. 15:29-30), a practice which was never condemned by the apostles. Christ confirmed the existence of this state in Matt.12:32, where He said, “the sin against the Holy Spirit cannot be forgiven either in this world or IN THE NEXT.” Thereby attesting to the truth that souls after death may stand in need of grace or purification. Interpreting it otherwise will only lead to making blasphemous claims which is unbecoming of our Lord Jesus Christ. Purgatory is the condition of souls which, at the moment of death, are in the state of grace, but which have not completely expiated their faults, nor attained the degree of purity necessary to enjoy the vision of God; for it is written, “nothing unclean shall enter it”(Rev. 21:27). St. John explains that there are sins that are not mortal (in 1 John 5: 16 – 17) i.e the non-damnable (Venial) sins. Hence, when souls who die in state of God’s grace bear these venial sins, they must be purified; they “will not be released until they have paid the last penny”(Matt. 5:26). Truly, there exist a place or state of purification of soul after death for “Christ preached to the SPIRITS IN PRISON” (1 Peter 3: 18 – 20). If these spirits where in heaven or in hell, they wouldn’t need the gospel, would they? Referring to these souls St. Peter wrote, “this is why the gospel was preached even to the dead.”(1 Peter 4:6) St. Paul taught about several ways a soul might gain heaven, at the end of this life’s work. 1.)By direct entrance and 2.)by purification. 1 cor . 3:14 -15; “If the work which any man has built on the foundation survives, he will receive a reward. If any man’s work is burned up, he will suffer loss, though he himself will be saved, but only as through fire.” The lack of faith and ignorance of Catholics has made the dogma of purgatory not only the most forgotten by Catholics, but also one of the most attacked doctrines of the Catholic Church by the Protestants. “Our notions on the subject of purgatory are too vague, our faith too feeble.”(Fr. F.X. Schouppe S.J.) Protestant Objections 1.) It is appointed unto man to die and after death is judgement. Therefore the doctrine of purgatory is false. Ans. The holy souls in purgatory are ALREADY judged, in fact they are heavenly candidates who will never go to hell. The doctrine of purgatory is true. 2.)The Book of Maccabees and other Deuterocanonicals are Catholic fabrications. Really? what evidence do you have, to prove the authenticity of the other 66 books. For all the books in the Bible including the 66 books, were compiled by the Catholic Church. 3.) The word “Purgatory” is not in the Bible. Is the word “Rapture” in the bible? What about the word “Trinity”, or words such as “Christmas” and “Easter” which are feasts also celebrated by Protestants. Are we to gloss over their “Prosperity Gospels”, “Holy-Ghost-Fire” prayers and Insane Babblings(Speaking in tongues) which are either wholly unbiblical or distorted in meaning. Christ NEVER wrote a book, He NEVER instructed his disciples to write a book neither did He command us to believe ONLY in the Bible. As such it is quite reasonable to hold both the Bible and the Oral Traditions as the source of truth. St. Paul wrote in 2Thess. 2:15, “Stand firm and hold the traditions taught by us either BY WORD OF MOUTH or BY LETTER.” Requiem ætérnam dóna éis Domine: et lux perpétual lúceat éis.
- Salvation of Souls Outside the Catholic Church
EXTRA ECCLESIAM NULLA SALUS “Outside the Church No Salvation.” The Church is one. There cannot be more than one true Church of Christ because the Church is Christ. Christ cannot be divided. Jesus Christ took to himself one mystical body and that is the Catholic Church. In the course of history, disputes, misunderstandings, the pride and greed of men, weaknesses and abuses within the Church itself, have resulted in the rending and tearing of the Body of Christ. Millions have been separated from the unity of the Body. These divisions, disputes, misunderstandings doesn’t change the fact that Christ instituted ONE CHURCH. Therefore salvation can only be obtained from the church instituted by Christ. The idea that one sect or religion is as good as another is so absurd that I don’t see why people haven’t figured it out. If you believe that all sects or religions are inspired by God, then you do not only insult God’s wisdom, but also hold Him responsible for all disputes, misunderstandings, bloodshed which arose as a consequence of these divisions. Your “God” now becomes a confused deity – to say the least – who can be worshiped any how man pleases. The Catholic doctrine of One Church guided by One Shepherd was firmly established by Christ in John 10:16; “And the other sheep I have that are not of this fold; them also I must bring, and they shall hear my voice; and there shall be one fold and one shepherd.” Can those who belong to other churches be saved? Many, who through no fault of their own place themselves outside the church, are offered graces necessary to save their souls. Even though these people are not aware that the Catholic Church is the one true Church of Christ, it is through the Church that they receive their divine life and their salvation. The above explanation must be borne in mind when we read Pope Innocent III’s declaration: “There is but one universal Church of the faithful, outside of which no one is saved.” (Fourth Lateran Council, 1215) God bless you.
- Against Protestants: Veneration of Images
Catholics and Images Exodus 20:4-5; “You shall not make for yourself a graven image … thou shall not bow down to them or serve them.” This issue will be addressed under the following headings; 1. Did God condemn the making of images? 2. Do Catholics adore images. 3. Is it wrong to Bow? DID GOD CONDEMN THE MAKING OF IMAGES. Certainly not. God only condemned the making of images AND adoring(worshiping) them. If he condemned the making of images, why did He instruct Moses to make a bronze serpent in Num. 21: 8 – 9; He also instructed Moses to make two cherubim of beaten Gold in Exodus 25:18 – 19. Let us not forget that the temple was engraved with images of cherubim, trees flowers, bronze oxen, lions etc. (see 1 kings 6: 23 – 29; 1 kings 7: 25 – 45). It so unfortunate that some self-acclaimed “bible believing Christians” think Catholics outrage God by making statues or images. If they truly follow the teachings of Christ, then I ask: did Christ condemn the making of images? Do Catholics adore Images? Catholics don’t adore(worship) images. We keep pictures and images of Our Lord and the Saints to remind us of them just as you keep the picture of a loved one to remind you of him or her. The veneration given to the Virgin Mary and Saints is directed to God. For all praise goes to the inventor when his invention is praised and also the Creator when the creature is venerated. Anyway, on veneration, what would you say when you see a soldier who salutes the picture of a fallen hero or a dead comrade? Well…If you insist on calling him an idol worshipper, just make sure that his gun is not loaded. Is it wrong to bow? Bowing can be an act of veneration as well as adoration. What God forbids is the act of “bowing in adoration”, if not, He would not have said “I am a jealous God” in the following sentence of Ex 20:4-5. For adoration also involves “worshiping” and “serving” as seen also in Deut. 5: 8 – 9. If bowing is ENTIRELY wrong, what would you say to Joseph’s brothers who bowed to Joseph with their faces on the ground(see Gen. 42:6); or to Jacob who bowed seven times to Esau in Gen. 33:3. To these “bible addicts” I ask, did Christ condemn bowing or other acts veneration? Don’t forget that in His time some knelt before Him, others kissed or anointed hands or feet. Please note; the worship given to God alone is called Latria. Veneration to the Blessed Virgin Mary is called Hyperdulia, and that of the Saints – Dulia. Hence we don’t worship the Blessed Virgin Mary and the Saints. There are some obstinate protestants, “especially the catholic ones”, who, when faced with the Catholic truth, suddenly pretend not to know how to read. Soon, they fly off to “flex muscles” with poor novus-ordo Catholics whose sunday “masses” are as good as a protestant service and their Catholic faith, not even up to the size of a peanut. Unfortunately, these “catholics” become to these Protestants, a helpless sheep at the mercy of a ravenous wolf. Jesus Christ thanked the Father for revealing the eternal truths to babies; It would be great if these heretics start this journey of truth on the path of humility. Humility is the key to true knowledge. God bless you.
- Confession in the Bible
The life of a true Catholic is a life of humility. The sight of Catholics kneeling and confessing to a Priest, appear quite annoying to some people. They argue; “Why should I confess to man, is he not a sinner like me?” “Why should he punish me in the name of penance?” These unfortunate souls are often the “bible addicts” who read only for self-adulation and will realize this if they are sincere with themselves. Is the “Confession” in the Bible? The Bible teaches that the confessing of sins to a Priest is a usual requisite for obtaining forgiveness. Numbers 5 : 6 – 7; “speak unto the children of Israel. When a man or woman shall commit any sin that men commit …they shall confess their sins which they have done, etc. Proverbs 28:13 adds, “He that covereth his sins shall not prosper.” A practical example is seen in 2 Samuel 12:13 where David confessed to Nathan saying, “I have sinned against the Lord “, Nathan absolved saying,”The Lord has put away your sin” and his penance … “the child that is born to you shall die”(see verse 14). In other cases, we see that the “good thief” on the cross was promised salvation after he confessed. 1John 1:9; “If we confess our sins, he is faithful and just to forgive us our sins.” Do not forget that St. John the Baptist also heard confessions for it is written, “…and they were baptized by him in the river Jordan, confessing their sins.” If you despise Catholics for confessing their sins to “a man”, what would you say, about the Jews coming to John the Baptist and confessing their sins(see Matt. 3:5-6); or the early converts who “confessed and showed their deeds.”(Acts 19:18) Priest forgive sins by the power of God(see John 20:21-23). To forgive sins, the Priest must have the required information, which the penitent supplies by confession. If a king says to the head of a prison: “Those men whom you forgive, I forgive”, and then the head of the prison says to some of the men in prison: “I forgive you, go home and be good, do not kill anyone again”, the men who go home free know that it is the king who really has forgiven them.
- O suicídio da ditadura venezuelana
No dia 01 de abril de 2017, O Globo torna público o que todos já sabiam: a Venezuela vive uma ditadura comunista. Sucessor “democrático” de Hugo Chavez, o ex militante da Liga Socialista da Venezuela, Nicolás Maduro, consegue, de certa forma, perpetuar o socialismo no comando de mais um país latino americano. Não sendo suficientes as provas históricas de que o socialismo não funciona, a mídia mundial precisa ver o povo venezuelano passar fome, ver sua moeda ser desvalorizada e, literalmente, viver ‘enfezado’ pela falta de papel higiênico. Não sendo muito diferente do Brasil, o atual ditador do regime bolivariano inaugurado por Chavez, governou o país com cetro de ferro, governando por decreto, ao passo que as leis aprovadas no Legislativo foram bloqueadas pelo Supremo, que mantém uma postura de gratidão servil ao Executivo, violando a Constituição. Acredito eu, sinceramente, que isso só não aconteceu no Brasil – por enquanto, porque o gigante acordou, mas se atrapalhou com as próprias pernas, caiu e agora dorme como se não houvesse mais nada com o que se preocupar. Não preciso falar nada sobre o Foro de São Paulo, deixo que os universitários tirem suas próprias conclusões. Em meio a desgraça, a miséria e o sofrimento, diante do silêncio que impuseram à Leopoldo Lopez, surge um herói nacional, disposto a dar sua vida pela liberdade de seu povo e de seus país: Oscar Pérez. Pérez, piloto de unidade de elite das forças de segurança venezuelanas, se tornou conhecido do público no ano passado, quando comandou uma rebelião contra o governo de Nicolás Maduro. Causa-me estranhamento ver que é melhor já ir se preparando para alguém com características semelhantes surgir aqui no Brasil. Como todo socialista, Maduro não sabe agir sob pressão. Até porque não é muito comum um opositor do governo ser um grande líder, defensor de causa, roubar um helicóptero e atirar contra os prédios do desgoverno. Neste luta entre povo e governo, Pérez, de fato, tornou-se um verdadeiro herói. Líder de ‘revolução’, comandou um grupo de bons homens para lutar pela liberdade de seu país. Enfrentou com louvor os soldadinhos de chumbo do governo, roubou armas, fez a ditadura tremer e temer diante dum homem, consequentemente tornou-se um foragido, procurado; colocaram sua cabeça a prêmio. De alguma forma o governo o encontrou e, numa tentativa frustrada de negociação pelo bem de mulheres e crianças que estavam com a equipe de guerreiros, foi morto covardemente pelos lacaios bolivarianos, você pode ver como tudo aconteceu aqui. Parafraseando Tertuliano, podemos dizer, politicamente, que o sangue dos mártires é semente de novos heróis. Eis aí o suicídio da ditadura venezuelana, não bastando a fome, a dor e o sofrimento de serem escravos de um governo egoísta, agora eles tem um mártir. E, que o exemplo de Oscar Pérez seja o fermento necessário para que o povo venezuelano cresça, esteja robusto e lute com as armas que forem necessárias pela sua liberdade.
- O suicídio da ditadura venezuelana
No dia 01 de abril de 2017, O Globo torna público o que todos já sabiam: a Venezuela vive uma ditadura comunista. Sucessor “democrático” de Hugo Chavez, o ex militante da Liga Socialista da Venezuela, Nicolás Maduro, consegue, de certa forma, perpetuar o socialismo no comando de mais um país latino americano. Não sendo suficientes as provas históricas de que o socialismo não funciona, a mídia mundial precisa ver o povo venezuelano passar fome, ver sua moeda ser desvalorizada e, literalmente, viver ‘enfezado’ pela falta de papel higiênico. Não sendo muito diferente do Brasil, o atual ditador do regime bolivariano inaugurado por Chavez, governou o país com cetro de ferro, governando por decreto, ao passo que as leis aprovadas no Legislativo foram bloqueadas pelo Supremo, que mantém uma postura de gratidão servil ao Executivo, violando a Constituição. Acredito eu, sinceramente, que isso só não aconteceu no Brasil – por enquanto, porque o gigante acordou, mas se atrapalhou com as próprias pernas, caiu e agora dorme como se não houvesse mais nada com o que se preocupar. Não preciso falar nada sobre o Foro de São Paulo, deixo que os universitários tirem suas próprias conclusões. Em meio a desgraça, a miséria e o sofrimento, diante do silêncio que impuseram à Leopoldo Lopez, surge um herói nacional, disposto a dar sua vida pela liberdade de seu povo e de seus país: Oscar Pérez. Pérez, piloto de unidade de elite das forças de segurança venezuelanas, se tornou conhecido do público no ano passado, quando comandou uma rebelião contra o governo de Nicolás Maduro. Causa-me estranhamento ver que é melhor já ir se preparando para alguém com características semelhantes surgir aqui no Brasil. Como todo socialista, Maduro não sabe agir sob pressão. Até porque não é muito comum um opositor do governo ser um grande líder, defensor de causa, roubar um helicóptero e atirar contra os prédios do desgoverno. Neste luta entre povo e governo, Pérez, de fato, tornou-se um verdadeiro herói. Líder de ‘revolução’, comandou um grupo de bons homens para lutar pela liberdade de seu país. Enfrentou com louvor os soldadinhos de chumbo do governo, roubou armas, fez a ditadura tremer e temer diante dum homem, consequentemente tornou-se um foragido, procurado; colocaram sua cabeça a prêmio. De alguma forma o governo o encontrou e, numa tentativa frustrada de negociação pelo bem de mulheres e crianças que estavam com a equipe de guerreiros, foi morto covardemente pelos lacaios bolivarianos, você pode ver como tudo aconteceu aqui. Parafraseando Tertuliano, podemos dizer, politicamente, que o sangue dos mártires é semente de novos heróis. Eis aí o suicídio da ditadura venezuelana, não bastando a fome, a dor e o sofrimento de serem escravos de um governo egoísta, agora eles tem um mártir. E, que o exemplo de Oscar Pérez seja o fermento necessário para que o povo venezuelano cresça, esteja robusto e lute com as armas que forem necessárias pela sua liberdade.












































