top of page

TODOS OS PRODUTOS

Eventos futuros

O rosário é uma arma espiritual de destruição em massa, deixando o pecado em seu rastro e preparando o terreno para milagres, conversões e vitórias sobre o mal, alcançadas por Jesus por intercessão de sua Santa Mãe. São as orações da vida de Cristo por meio de Maria – assim como ele escolheu vir até nós por meio de sua encarnação.

Há uma razão pela qual a Mãe Santíssima nos disse em muitas de suas aparições para rezarmos o rosário diariamente. Histórias de orações respondidas por meio do rosário abundam. Um grande exemplo disso é como a oração expulsou o comunismo no Brasil.

Em 1964, no Brasil, o presidente João Goulart tentava organizar a passagem de seu país para o comunismo, segundo o modelo de Cuba. Ele conseguira infiltrar tanto os cargos importantes quanto as escolas e universidades da maior parte do país.

Todavia, durante quase todo o ano precedente, o Padre Patrick Peyton, da Congregação de Santa Cruz, havia pregado uma cruzada do Rosário, percorrendo o país afim de convencer os fiéis a voltarem-se para Nossa Senhora. O povo se lembra disso no momento de perigo. As primeiras pessoas a mobilizarem-se foram as mulheres brasileiras, desfilando pelas ruas da cidade rezando o terço.

Uma vez, na cidade de Belo Horizonte, elas (em número de três mil) impediram uma conferência de Leonel Brizola, representante de Cuba, invadindo a sala onde ele devia falar; todas elas rezando o Rosário. Ao sair, Brizola encontra as ruas igualmente cheias, a perder de vista, de mulheres em oração. E ele deixa a cidade com, no bolso, um dos discursos mais incendiários de sua carreira… o qual ele não pôde pronunciar.

Em 13 de março, Goulart decreta a mudança da Constituição, a abolição do congresso e a confiscação das indústrias e das fazendas.

Isso desencadeia uma reação por parte das mulheres. O texto seguinte foi propagado em todo o Brasil:

“Este país imenso e maravilhoso, com o qual o bom Deus nos presenteou, está num perigo extremo. Nós permitimos que homens de uma ambição sem limites, desprovidos de toda fé cristã e de todo escrúpulo lançassem nosso povo na miséria, destruíssem nossa economia, perturbassem nossa paz social, semeassem o ódio e o desespero. Eles infiltraram nossa nação, nossas administrações, nosso exército, e até nossa Igreja, com os servos de um totalitarismo que nos é estranho e que destruiria tudo o que possuímos. (…) Santa Mãe de Deus, protegei-nos do destino que nos ameaça, e afastai de nós os sofrimentos infligidos às mulheres martirizadas de Cuba, da Polônia, da Hungria e das outras nações reduzidas à escravidão”.

Novas e grandiosas “marchas do terço” foram organizadas em todo o país, das quais participaram homens, mulheres e jovens, enquanto Luiz Carlos Prestes, líder do Partido Comunista Brasileiro, provocava-os, dizendo: “O poder, nós já o temos”. Leia também Católico que professa comunismo está excomungado, lembra padre

Mas, pouco a pouco, o presidente se sente pressionado de todas as partes. Os governadores dos estados, os deputados, os generais do exército, um por um, separaram-se dele. No dia 26 de março, para salvar o país, os militares tomam o poder, sem derramar sequer uma gota de sangue. Goulart e os líderes comunistas dos sindicatos fogem.

Em 2 de abril, toda a população do Rio e das redondezas estava na rua para uma gigantesca marcha de oração, a qual foi uma apoteose de ação de graças a Nosso Senhor e Nossa Senhora.

Em julho, o Padre Valério Alberton, Promotor das Confrarias Marianas do Brasil, vai a Fátima agradecer à Santíssima Virgem a salvaguarda de seu país. “Nós vencemos graças a Nossa Senhora do Rosário”, declara ele. “É a mensagem de Fátima, posta em prática no Brasil, o que nos salvou”. […] O repetidos apelos à oração e à penitência, segundo o espírito de Fátima, revivem a fé, que move montanhas, e o impossível se realiza: o milagre de uma guerra vencida sem nenhuma gota de sangue.

O comando contrarrevolucionário previa ao menos três meses de luta intensa. Ora, uma força, humanamente falando inexplicável, faz desmoronar, como um castelo de cartas, todo o dispositivo militar, paciente e diabolicamente edificado durante muitos anos. A evidência da graça é tamanha que todos ficam convencidos de que tudo aquilo não tinha explicação humana. Os chefes militares e civis da contrarrevolução são quase unânimes em atribuir esta vitória a uma graça especial da Santíssima Virgem. Muitos declaram que o Rosário foi a arma decisiva” (Voz de Fátima, outubro 1964) 2.

_________ Notas: 1 – Durante os acontecimentos, essas confrarias haviam inscritos 200.000 homens e pessoas jovens em seus registros, verdadeiro exército pacífico a serviço de Nossa Senhora.

2 – Estas informações foram recolhidas em um suplemento em “Defense du Foyer”, nº especial de primavera, 1965.

Revista dos Dominicanos de Avrillé: Le Sel de la Terre” Irineu Marques da Fonseca Neto é acadêmico da UCDB

Saiba mais detalhe sobre quando um Exército de Mulheres armadas com o Rosário derrotaram o comunismo

Em 1964 os comunistas estavam tão seguros de tomar o poder no Brasil que o secretário do partido em Moscou avisou à imprensa internacional com algumas semanas de antecedência do dia exato em que o martelo e a foice se dominariam sobre aquele vasto e estrategicamente importante país. “Todas as posições-chave estavam nas mãos de conhecidos comunistas ou amigos comunistas”, relatou o Pe. Valerio Alberton SJ, vice-diretor da Federação Nacional das Congregações Marianas do Brasil. “A infiltração também atingiu profundamente as faculdades católicas. Agrupamentos comunistas foram encontrados até mesmo em nossas escolas secundárias. Nem mesmo as associações católicas escaparam desse destino. “Foi terrível.”

No último momento, foi organizada uma Cruzada do Rosário em todo o país. Milhões imploraram ao Imaculado Coração de Maria para salvá-los. Uma enorme reunião de 600.000 mulheres marchou pelo centro de São Paulo em 19 de março de 1964, rezando o terço por três horas. ‘Mãe de Deus’, gritavam elas, ‘salva-nos do destino e do martírio das mulheres de Cuba, Polônia e Hungria e de outras nações escravizadas’. Coisas semelhantes aconteceram em outras cidades.

O presidente comunista Goulart fugiu da cidade do Rio de Janeiro em 1º de abril, quando viu a grande onda de revolta contra ele. Mais tarde, ele fugiu do país enquanto os militares, já fortemente infiltrados, se voltaram, por mais do que pela metade, ao lado do povo. “E a sombra vermelha passou pelo Brasil.”(Francis Johnston, Fatima The Great Sign, p. 136s).

João Goulart

Que alegria do povo com a vitória! “No Rio de Janeiro e em outras cidades a […] [vitória sobre os comunistas] foi celebrada efusivamente. Nas ruas do Rio e na praia de Copacabana, havia uma espécie de ambiente carnavalesco. Em São Paulo, onde a resistência contra Goulart havia sido a mais feroz, choviam confetes dos arranha-céus, centenas de carros davam concertos de buzina, etc.” (Frankfurter Allgemeine Zeitung 3.4.1964, p. 1). Pois “assim, o Brasil foi salvo da cubanização e de uma entrega ao comunismo.”

Diversos relatórios revelam, cada um deles, aspectos diversos do evento pouco conhecido. Portanto, ao menos, mais um deve ser adicionado aqui:

“Todo o país estava em crise econômica e social, mas a Igreja permaneceu firme.

O corajoso Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jaime de Barros Câmara, falou na rádio todas as semanas para avisar ao povo que o governo estava prestes a levar os Vermelhos ao poder.

Dom Jaime de Barros Câmara

O Cardeal pediu ao povo do Brasil para rezar e fazer penitência, como Nossa Senhora de Fátima havia pedido. Ele disse que esta era a única maneira de salvar o Brasil. Vários outros bispos brasileiros fizeram coisas semelhantes. Os católicos brasileiros ouviram estes repetidos pedidos. Eles se voltaram para rezar o terço.

Nessa época, o governo de Goulart havia se movido tanto para a esquerda e seu governo estava tão infiltrado com os comunistas que a conversão parecia quase impossível. […] Goulart enviou seus companheiros vermelhos para convencer o povo de que sua política era a correta. Seu cunhado, Leonel Brizola, um dos mais poderosos promotores comunistas do governo, foi enviado para a região de Belo Horizonte para um grande congresso de reforma agrária. Quando Brizola entrou no salão em que deveria falar, ele o encontrou lotado de gente. Estava tão lotado que ele não conseguia se fazer entender sobre o ruído dos terços e o murmúrio de 3.000 mulheres orando pela libertação de sua terra. Quando ele saiu, Brizola encontrou as ruas igualmente cheias de brasileiros orando até onde seu olho podia ver. Então ele deixou Belo Horizonte em fúria.”

“Em 19 de março, as mulheres de São Paulo bloquearam as ruas largas de seus bairros comerciais no que chamaram de ‘Marcha da Família com Deus pela Liberdade’. Com livros de oração e rosários em suas mãos, o grande exército de mais de 600.000 pessoas marchou firme e solenemente sob bandeiras anticomunistas. Uma declaração preparada pelas mulheres dizia: ‘Mãe de Deus nos salve do destino e do martírio das mulheres de Cuba, Polônia, Hungria e outras nações escravizadas’. Os espectadores chamaram a marcha por São Paulo ‘a demonstração mais comovente da história do Brasil’.”

“Nos dias seguintes foram planejadas demonstrações semelhantes para algumas capitais de outros estados [brasileiros]. Os esforços do governo para desencorajá-los e as ameaças da polícia controlada pelo governo vermelho para detê-los fracassaram e não conseguiram deter a cruzada das mulheres. A ajuda adicional dos militares e da Igreja contra o governo vermelho finalmente forçou Goulart a fugir para o Uruguai em 1º de abril. A maioria de seus funcionários comunistas nomeados saiu correndo do país no mesmo dia, muitos deles para Cuba.

No dia seguinte à revolução anticomunista sem derramamento de sangue, o povo brasileiro lembrou-se do que realmente tornou possível essa vitória: o Rosário.

As mulheres haviam planejado uma ‘Marcha da Família com Deus pela Liberdade’ para o 2 de abril no Rio de Janeiro quando um funcionário do novo governo sugeriu que ela fosse cancelada por causa do risco de violência. As mulheres, no entanto, disseram não a isso. Um de seus líderes disseram que a marcha seria agora chamada de ‘Marcha de Ação de Graças a Deus’. Disseram que ‘esta marcha provará ao mundo que esta é uma verdadeira revolução do povo – uma marcha de votação pela verdadeira democracia.’” (The Mindszenty Report, maio de 1972, p. 3).

O então bispo de Regensburgo (Alemanha) Rudolf Graber († 1992) também relata os acontecimentos e deixa claro que a conversão não pode ser simplesmente explicada por uma intervenção óbvia dos militares:

“Como foi isso? Conto o que um bispo brasileiro, que esteve intimamente envolvido, me disse no ano passado e o que ele me repetiu este ano, a meu pedido, em 23 de agosto. Digo isso de forma resumida, em estilo telegrama:

Perigo de uma tomada de poder comunista. Governo fraco, solidário com os comunistas. Exército e Marinha já montados e pouco confiáveis.

O Rosário está sendo rezado em todo o país, em palácios e cabanas. Eles sabem o que está em jogo: que Maria deve salvar o Brasil.

Em 12 de março, uma grande reunião comunista foi convocada na cidade natal do bispo. Durante horas de antecedência, os fiéis ocuparam o salão. O secretário do bispo começou a rezar o terço. Há um tumulto. Eles querem falar à força! Mas as mulheres derrubam a mesa e o salão de conferências. Polícia, gás lacrimogêneo. A reunião não pôde ser realizada. Isso é o que aos vitoriosos comunistas quebravam as costas.

Em São Paulo, o destino do país será decidido. Uma procissão foi organizada e vários milhares de participantes eram esperados, mas um milhão veio com o rosário. O exército passa para o lado do povo. Uma estátua de Nossa Senhora, carregada em procissão indo em encontro às tropas, é recebida pelos soldados e conduzida à igreja. O governo declara a sua renúncia. Nenhum tiro disparado, nenhum derramamento de sangue, nenhuma sabotagem, nenhuma explosão, nada.

O Ministro da Aviação diz: “É claro que não se pode explicar isso. Foi assim que Maria salvou o Brasil.” (Rudolf Graber, Maria. Jungfrau – Mutter – Königin, St. Augustin 1976, p. 34s).

Um outro relato suplementar desses eventos pouco conhecidos mostra até que ponto o processo revolucionário comunista havia progredido e como era surpreendente a vitória contra os comunistas:

Em 1964, o Brasil estava em um estado muito perigoso. Um jornalista escreveu:

“A chegada do comunismo no Brasil parecia iminente. Mas não veio; graças ao poder do Rosário.”

O que aconteceu foi o seguinte:

Toda a vida pública do país foi abertamente orientada pelas autoridades para o marxismo. Isto se aplicava tanto à política quanto à economia e à educação pública. Nada pior poderia ser imaginado. Os erros do marxismo foram até introduzidos no clero. Confusões de natureza ideológica são encontradas também no clero jovem.

Mas as pessoas mantiveram seus olhos abertos. Eles reagiram e começaram a rezar o Terço. Antes de tudo, mulheres simples e piedosas começaram a rezar… Seguiram-se homens e jovens rapazes. A televisão fazia gravações e mostrava programas onde se via como as mulheres se opunham ao comunismo. Foi isto que salvou o Brasil no último momento: a oração do Terço.

Em julho de 1964, o fundador das Associações Marianas Brasileiras, Padre Valerio Alberton, viajou para Fátima para agradecer à Santíssima Virgem a salvação de seu país. Isto foi o que ele disse e escreveu (publicamente):

“Ganhamos graças à Rainha do Rosário. Esta é a mensagem de Fátima, como vivida no Brasil, que nos salvou a tempo… A situação em meu país era muito grave. Todos os aspectos da sociedade foram minados. As posições-chave estavam nas mãos de comunistas conhecidos ou daqueles que os promoveram. As associações eram controladas em sua maioria por eles.”

“Greves constantes, muitas das quais de natureza abertamente política, causaram desordem em todos os lugares. As próprias universidades foram infectadas. Eu mesmo percebi a gravidade da situação quando, de novembro de 1963 a março de 1964, fui a todas as capitais do Brasil, onde estive em contato com o meio universitário. Em meados de março terminei minhas viagens com a conclusão final: é um fato que a Igreja perdeu as universidades… A penetração das faculdades católicas foi muito profunda. Mesmo em nossas escolas secundárias existiam células comunistas. As associações católicas também não foram poupadas.”

“Só restava uma esperança: a devoção a Nossa Senhora… Repetidos apelos à oração e à penitência, de acordo com o espírito de Fátima, deram vida à fé, e uma fé que pode mover montanhas. Assim, o incrível aconteceu: A guerra foi vencida sem uma gota de sangue derramado.”

“O grupo de comando antirrevolucionário esperava uma luta amarga de pelo menos três meses. Mas uma força inexplicável em termos humanos causou o colapso de toda a organização militar – uma organização que tinha sido construída ao longo dos anos com paciência e intenção diabólica entrou em colapso como um castelo de cartas. O trabalho da Graça era tão óbvio que todos estavam convencidos de que ela não poderia ser explicada pelo homem. Os líderes militares e civis da antirrevolução atribuíram quase unanimemente esta vitória a uma graça especial da Santíssima Virgem. Muitos declararam que o Rosário era a arma decisiva.”

“Diante desta situação perigosa, as organizações católicas reuniram todas as suas forças para o serviço da Santíssima Virgem. Duzentos mil homens e jovens, matriculados juntos em duas mil congregações marianas, formaram um exército pacífico para a batalha pela paz.”

“As mulheres dão o exemplo através de sua coragem e confiança em Nossa Senhora. Elas e seus filhos distribuíram milhares de panfletos com a oração ‘Mãe bendita, protege-nos e liberta-nos do sofrimento…’. As mulheres andavam pelas ruas rezando o Terço e entoando o Terço em voz alta.”

“Em 19 de março de 1964, foi organizada a ‘Marcha da Família pela Paz, com a Ajuda de Deus’. Toda semana, o Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro exortava os católicos a estarem vigilantes, pedindo-lhes que rezassem e fizessem penitência de acordo com o espírito de Fátima, a fim de obter a graça de Deus por intercessão de Nossa Senhora.”

“Embora seja verdade que muitos problemas permanecem na região, também é verdade que em 31 de março de 1964, sem conflito armado e sem derramamento de sangue, a hora da liberdade e da paz chegou.” (Pe. P. Leite SJ, The Rosary, Arm of Peace, em: The Fatima Crusader, Outono de 1993).

Os diários alemães da época acrescentam que antes da revolta, a agitação esquerdista já estava muito avançada “… até finalmente o Comando Geral dos Trabalhadores, formado por líderes sindicais radicais de esquerda, já quase formava um governo subordinado” (Frankfurter Allgemeine Zeitung = FAZ 9.4.1964, p. 2). “No Departamento de Estado (dos Estados Unidos), considerou-se que Goulart queria proclamar um ‘regime socialista’ em 1º de maio com a ajuda dos sindicatos comunistas, especialmente no nordeste do país.” (FAZ 3.4.1964, p. 4).

Como poderia ter chegado facilmente a uma guerra civil! Na quarta-feira de Páscoa, ou seja, 1º de abril, o Presidente Goulart deixou o Rio de Janeiro, fugindo de uma revolta popular que se espalhou rapidamente na cidade (FAZ 2.4.1964, p. 1). Também em outros locais as pessoas se levantaram, especialmente em São Paulo. Imediatamente depois, os militares intervieram. As emissoras do governo do presidente então ameaçaram os “rebeldes” com uma vingança sangrenta (FAZ 9.4.1964, p. 2). Goulart já havia anunciado após sua manifestação proibida de 13 de março que organizaria tais manifestações em outras cidades e anunciou: “Se [então] o Congresso [Parlamento] continuasse a resistir à [suposta] demanda do povo, […] haveria envolvimentos sangrentos” (FAZ 1.4.1964, p. 1).

Partes do exército ficaram ao lado do Presidente Goulart até o final. Isso poderia facilmente ter se tornado muito perigoso: “As partes do Terceiro Exército que ficaram ao lado de Goulart até o final, no entanto, recusaram-se a lutar contra os ‘rebeldes’” (FAZ 4.4.1964, p. 1).

Quão facilmente as coisas poderiam ter acontecido de maneira diferente! O sucesso em resistir à cubanização não era de forma alguma uma conclusão inevitável:

“Diz-se que o general do exército [Castelo Branco], de 63 anos, juntou-se à revolta contra Goulart apenas no último minuto. Sem sua participação, o contra-golpe não teria sido possível” (FAZ 6.4.1964, p. 5).

Outros incidentes também correram surpreendentemente bem, o que normalmente poderia ter tido consequências terríveis: “As tropas destacadas do estado vizinho do Paraná sob as ordens de Goulart contra a separatividade de São Paulo, juntaram-se à ‘rebelião’ lá.” (FAZ 2.4.1964, p. 1).

O presidente americano Johnson expressou sua admiração pelo fato de o Brasil ter enfrentado essas dificuldades dentro da estrutura das regras democráticas e sem guerra civil (FAZ 4.4.1964, p. 3).

A fim de mostrar a atração enfática dos católicos brasileiros por Nossa Senhora de Fátima, deve-se mencionar também que o Brasil já se havia consagrado ao Imaculado Coração de Maria em 1946.

O Movimento do Rosário no Brasil também está vinculado às aparições de Fátima.

Em 1942, Padre Patrick Peyton CSC, que fora curado de tuberculose pulmonar grave em Fátima, começou a pregar a Cruzada do Rosário da Família pelo rádio, na América do Norte.

Em 1952, esta cruzada tinha quatro milhões de membros, e era este movimento que deveria desempenhar também um papel decisivo na libertação do Brasil da ameaça comunista em 1964. Com informações de Capela Nossa Senhora das Vitórias e OreBrasil Leia também O alerta de Nossa Senhora para o Brasil

 
 
 

Quis a Divina Providência que uma Missa marcasse o início da História da maior nação católica do mundo. Pois, de fato, dos méritos infinitos do sacrifício incruento que se renova sobre o altar, ou seja, da Eucaristia, procedem e se ordenam, como a seu fim, todas as grandes obras da História da Igreja. (Cf. Sacrosanctum Concilium, n. 10).

A primeira Missa no Brasil foi no iluminado dia 26 de abril de 1500, domingo da oitava de páscoa, quando os portugueses encontraram um ilhéu seguro – o da Coroa Vermelha – onde poderiam celebrar a primeira Missa no Brasil. Hoje, a ilhota não existe mais. Devido ao movimento das marés o ilhéu da primeira Missa se uniu a terra formando uma ampla e alva praia.

Em uma carta dirigida ao Rei de Portugal, D. Manuel, o venturo, Pero Vaz de Caminha, escrivão mor da esquadra, narra todos os detalhes do episódio que marca o início da História do Brasil. Ao ler estas linhas, observa-se um profundo espírito evangelizador, como Margarida Barradas de Carvalho observa, “o tema da obrigação de levar a palavra de Cristo a seres humanos, vivendo na ignorância, se coloca em toda a sua pureza realmente cristã”.[1]

Após 47 dias de viagem pelo Atlântico, todos os preparativos para Missa estavam terminados. Frei Henrique com os demais clérigos a celebrou em “voz entoada”. Eram oito missionários franciscanos e alguns sacerdotes seculares entre os quais um vigário destinado a Índia[2]. Sob um belo docel, ergueram “um altar mui bem corregido”[3]. O capitão Pedro Álvares Cabral com “a bandeira de Cristo”, convocou todos os seus 1000 subalternos, oficiais e marinheiros “muito bem escolhidos e armados”[4], enquanto que na praia do continente, cerca de duzentos índios acompanhavam atentos tudo o que se passava na ilhota. Relata Caminha que a missa “foi ouvida por todos com muito prazer e devoção”[5].

Terminada a cerimônia, desparamentou-se o sacerdote e subindo em uma cadeira alta fez “uma solene e proveitosa pregação”[6] à assembléia a sentada sobre fina e branca areia do aconchegante litoral baiano. Descreve Pero Vaz de Caminha que “tratou da nossa vinda e do achamento desta terra, conformando-se com o sinal da Cruz, sob cuja a obediência viemos, o que foi muito a propósito e fez muita devoção”[7].

Nos dias subseqüentes, 27 de abril a 1º de maio, os portugueses desbravaram a nova terra e estabeleceram afetuosas relações com os indígenas. Trabalhavam em escupir uma grande cruz de madeira. Os indígenas, impressionados com os instrumentos de metal, contemplavam o trabalho. O capitão, membro da ordem de Cristo, recomendava que os portugueses se pusessem de joelhos diante da Cruz e a beijassem[8] para que os indígenas entendessem a veneração que os homens do mar tinham pelo símbolo Cristão. Um após o outro, todos os lusos oscularam-na. Ao convite dos portugueses os dez ou doze nativos que aí estavam fizeram o mesmo, com tal inocência e candura que os portugueses ficaram muito tocados, como descreve o relato de Caminha, ao Rei de Portugal, “Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, seriam logos cristãos. E, portanto, se os degredados, que aqui hão de ficar, aprenderem bem a sua fala e os entenderem, não duvido que eles, segundo a santa intenção de vossa alteza, se hão de fazer-se cristãos e crer em nossa santa fé, à qual praza a Deus Nosso Senhor que os traga, porque, certo, esta gente é boa e de boa simplicidade. E imprimir-se-á ligeiramente neles qualquer cunho que lhes quiserem dar. E pois Nosso Senhor, que lhes deu bons corpos e bons rostos, como a bons homens, por aqui nos trouxe, creio que não foi sem causa. Portanto Vossa Alteza, que tanto deseja acrescentar a santa Fé católica, deve cuidar de sua salvação. E prazerá a Deus que com pouco trabalho seja assim.”[9]

No segundo domingo pascal, dia 1° de maio, estavam concluídos os preparativos para a cerimônia de tomada de posse da nova terra pelas armas portuguesas. Encabeçado pelo capitão que portava a bandeira de Cristo, a Cruz foi conduzida, ao som de cânticos religiosos, até a foz do rio Mutari “para melhor ser vista”. Cerca de setenta indígenas assistiam o cerimonial. Ao verem os portugueses carregar a Cruz meteram-se embaixo dela para também ajudar. A sombra da Cruz, Frei Henrique celebrou a segunda Missa, desta vez no continente, na presença de todos os religiosos, oficiais, soldados e cerca de 150 índios. Conforme as partes da Missa, os indígenas acompanhavam todos os movimentos dos portugueses. Ajoelhavam-se e levantavam-se “em tal maneira sossegados, que certifico a Vossa Alteza nos fez muita devoção” relata Caminha. Permaneceram até a comunhão, quando o capitão e os seus receberam o corpo de Cristo. Um dos nativos com cerca de cinqüenta anos acenava aos outros índios apontando para o altar e para o Céu[10]. Após a pregação foram distribuídas cruzes de estanho para que os tupis pendurassem ao pescoço após oscularem-na e levantarem as mãos ao céu.

Pero Vaz de Caminha encantado com a receptividade e inocência dos índios escrevia ao Rei de Portugal: “segundo que a mim e a todos pareceu, esta gente não lhes falece outra coisa para ser toda cristã, senão entender-nos, porque assim tomavam aquilo que nos viam fazer. Por isso, se alguém vier, não deixe logo de vir clérigo para os batizar porque assim já terão mais conhecimentos de nossa fé”.[11] Após a cerimônia, dois degredados os quais a justiça do Rei punira permaneceram entre a população enquanto as naus portuguesas partem. Uma vai a Portugal com a carta de Caminha e informações de navegação, aos outras continuam a missão para Índia a fim de restabelecerem as delicadas relações com os reis hindus.

Carta de Pero Vaz de Caminha

Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão de ir ouvir missa e pregação naquele ilhéu. Mandou a todos os capitães que se aprestassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou naquele ilhéu armar um esperável, e dentro dele um altar mui bem corregido. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual foi dita pelo padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes, que todos eram ali. A qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção.

Ali era com o Capitão a bandeira de Cristo, com que saiu de Belém, a qual esteve sempre levantada, da parte do Evangelho.

Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação da história do Evangelho, ao fim da qual tratou da nossa vinda e do achamento desta terra, conformando-se com o sinal da Cruz, sob cuja obediência viemos, o que foi muito a propósito e fez muita devoção.

Enquanto estivemos à missa e à pregação, seria na praia outra tanta gente, pouco mais ou menos como a de ontem, com seus arcos e setas, a qual andava folgando. E olhando-nos, sentaram-se. E, depois de acabada a missa, assentados nós à pregação, levantaram-se muitos deles, tangeram corno ou buzina, e começaram a saltar e dançar um pedaço.

A principal riqueza da terra

Em 1501, após ter viajado por toda a América, o florentino Américo Vespúcio comentava do litoral brasileiro que “se algures na terra existe o paraíso terrestre, não pode ele estar longe daqui”[12]. Pero Vaz de Caminha também relata as riquezas do Brasil. A vastidão, o clima e a fertilidade faz o escrivão mor exclamar: “dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem”. A região é formosa e agradável, com palmitos saborosos, belas aves, enormes camarões e madeira em quantidade, todavia, “sem ouro nem prata, nem nenhuma coisa de metal”[13]. Talvez, por esta última razão, a terra de Santa Cruz ficou relegada ao segundo plano no interesse luso, pois as especiarias da Índia e as riquezas da África rendiam muito mais que o pau-brasil. Contudo, o inteligente Pero Vaz de Caminha ressalta ao rei de Portugal, “o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar”[14].

Quanto as maravilhas do litoral, a fecundidade da terra e as possibilidades de evangelização, Caminha vaticinou com precisão. Em um lento povoamento, portugueses, africanos[15] e o elemento nativo, miscigenaram-se formando um povo homogêneo. Acontecimento explicável por causa do fator que realmente une culturas tão diversas sob a bandeira de um único ideal: a religião católica. Ademais, contribuíram para esse resultado uma inumerável avalanche de padres seculares e religiosos de todas as ordens, que “vieram com a sua fé, a sua doçura e a sua perseverança, vencer a bravesa do íncola”.[16]

Em função da devoção Eucarística, clero e laicato realizaram este grande escopo. Atestam isto tantas Igrejas, suntuosas ou singelas, esparsas pelo Brasil, onde reflete-se a piedade eucarística dos primeiros brasileiros. Hoje, a Igreja colhe os frutos deste imenso esforço, deste “grande passado”[17], na expressão de Bento XVI. Observa o Pontífice que, “o Brasil ocupa um lugar muito especial no coração do Papa, não somente porque nasceu cristão e possui hoje o mais alto número de católicos, mas, sobretudo, porque é uma nação rica em potencialidades, com uma presença eclesial que é motivo de alegria e esperança para toda a Igreja.”

Realmente, o Brasil nasceu cristão. Como os relatos de Caminha deixam entrever, nas atitudes de indígenas e portugueses, a bondade, hospitalidade e generosidade características do espírito brasileiro é patente. Essa bondade provem do amor à Cruz. De fato, o mais alto símbolo da Fé Cristã não apenas pendia apenas ao pescoço de índios e europeus, mas também, protegia as velas das naus, abençoava o estandarte da ordem de Cristo e as armas de Portugal. Ela estava plantada na nova terra e reluzente no céu do cruzeiro do sul. Dir-se-ia que vendo tanta piedade, o Crucificado quis também estar presente nos dez primeiros dias do Brasil. Realmente, o Divino Mestre esteve presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade sob as espécies Eucarísticas. Foi com a Santa Missa que começou repleta de empreendimento e alegria; bondade e Fé, a História de um país que “nasceu cristão”[18] ajoelhado à sombra da Cruz, adorando a Jesus Sacramentado. Fato que cumpre aquilo do Papa João Paulo II (Ecclesiae de Eucharistia, n. 22), “Portanto, a Igreja recebe a força espiritual necessária para cumprir sua missão, perpetuando o sacrifício da Cruz na Eucaristia e comunicando o corpo e o sangue de Cristo. Assim, a Eucaristia é a fonte e, ao mesmo tempo, o ápice de toda evangelização, pois tem como objetivo a comunhão dos homens com Cristo e, Nele, com o Pai e com o Espírito Santo. (Cf. Homilias sobre la 1 Carta a los Corintios, 24,2: PG 61,200; cf. Didaché, IX,5: F.X. Funk, I,22; San Cipriano, Ep. LXIII,13: PL 4,384.)”

A Eucaristia salvou o Brasil do ateísmo

Fenômeno de público, os Congressos Eucarísticos reavivaram nos brasileiros a consciência de que “o Brasil nascera católico e como tal deveria continuar, não obstante a aberração laicista da primeira República”.

O Brasil é mundialmente conhecido como o país mais católico do mundo. Os cinco milhões de jovens que lotaram a praia de Copacabana, sob as bênçãos do Cristo Redentor e do Papa, durante a Jornada Mundial da Juventude em 2013, reforçaram ainda mais essa ideia.

Mas quem desconhece o passado e se impressiona facilmente com os números, não imagina que, um dia, o país cuja Constituição de 1988 foi promulgada “sob a proteção de Deus” quase se tornou ateu.

A situação da Igreja Católica no Brasil nunca foi tranquila. Apesar de a carta de Pero Vaz de Caminha atestar que o intuito das navegações era a evangelização dos povos, a verdade é que os missionários católicos tiveram de amargar muitas provações para tornar o Evangelho de Cristo conhecido nestas terras.

No período monárquico, o regime de padroado causou muita dor de cabeça para os católicos, sobretudo ao clero e aos religiosos. O rei D. Pedro I atuou de forma regalista contra as ordens religiosas, interferindo em suas constituições e confiscando seus bens, de modo que a Igreja passou por um período de severa estagnação. E pouco mudou durante o regime de D. Pedro II, quando, aliás, estourou a Questão Religiosa, que culminou na famosa prisão do arcebispo de Olinda, Dom Vital.

“A cruz permanece de pé enquanto o mundo dá voltas”. Do mesmo modo, o Santíssimo Sacramento salvou e continuará a salvar o Brasil.

Essas dificuldades, porém, não impediram que o povo brasileiro entrasse “na história sob o signo da cruz de Cristo, e com o viático de Jesus sacramentado no coração” [1]. A própria Questão Religiosa serviu para despertar alguns católicos da letargia, dada a coragem de Dom Vital contra os abusos da Coroa e da Maçonaria, o que lhe rendeu a alcunha de “Atanásio do Brasil”. Se o imperador apresentava algumas ambiguidades com relação à fé, o povo, porém, era católico na sua essência e “não havia cidade ou vila que se não assinalasse na devoção ao Santíssimo Sacramento” [2]. Foi apenas com a proclamação da República que esse quadro se viu ameaçado.

No dia 7 de janeiro de 1890, o governo provisório deu início à separação entre Igreja e Estado, declarando extinto o padroado e todas as suas instituições. Embora os métodos fossem diferentes, “a República, baseando-se nos princípios positivistas ou comtistas, se mostrou, desde os primeiros dias de sua existência, não menos ofensiva à Igreja do que o fora o Império” [3].

Para acabar com a influência católica na sociedade, os colégios e os cemitérios foram secularizados e o casamento religioso foi substituído pelo casamento civil. Mas a cartada final veio mesmo com a nova Constituição, sancionada em 1891 sem sequer citar o nome de Deus. Estava pavimentado, assim, o caminho para um Brasil sem religião.

Os católicos brasileiros ainda hoje devem procurar segurança no Santíssimo Sacramento, sabendo que nenhum poder temporal é capaz de suplantar a Igreja.

Os anos da primeira República foram caracterizados por um forte laicismo. Diante desse novo contexto, os bispos do Brasil logo se organizaram para estabelecer os critérios de reação e promover a restauração católica no país. Com o apoio do Papa, novas dioceses foram criadas e outras congregações religiosas puderam vir para o Brasil, inclusive os jesuítas, os quais haviam sido banidos pela lei pombalina. A hierarquia católica tomava uma nova dimensão. No início da década de 1930, a Igreja já estava organizada o suficiente para empreender o projeto de uma “nova evangelização” e barrar tanto o laicismo quanto as ideias socialistas, que começavam a pipocar por todo lugar.

O mundo atual oscila entre duas bandeiras: a branca do Vaticano e a vermelha de Moscou. Estamos diante do dilema: a Cruz ou o martelo”, disse o padre Arruda Câmara durante uma das edições do Congresso Eucarístico Nacional, o evento que marcaria a tônica do episcopado brasileiro em defesa da fé católica no Brasil [4]. A primeira edição do evento ocorreu em Salvador, na Bahia, em 1933, com o tema: “Vinde, adoremos o Santíssimo Sacramento”.

Foi com estas palavras que, a 6 de agosto de 1931, o arcebispo primaz Dom Augusto da Silva anunciou o Congresso:

É o país todo, é a nação em peso que se vai prostrar aos pés de Jesus para aclamá-lo Rei, não só de cada um dos corações dos seus filhos, mas ainda do coração da Pátria, do seu povo, de seus homens públicos, de suas instituições civis, de seus governos, de sua Constituição, de suas leis, do presente e o futuro da Nação. [5]

Os Congressos Eucarísticos foram um fenômeno de público e serviram para reavivar nos brasileiros a consciência de que “o Brasil nascera católico e como tal deveria continuar, não obstante a aberração laicista da primeira República” [6]. Para a mentalidade da época, ser brasileiro significava ser cristão e “não se conhecia honra maior que a de poder comungar, nem maior infâmia do que a de ser privado da mesa eucarística” [7].

A vitória sobre o ateísmo marxista e positivista se deu, portanto, por um sentimento de “patriotismo católico”, que fazia questão de ser visível a toda a sociedade. Foi nesta mesma década, aliás, que o então arcebispo do Rio de Janeiro, o Cardeal Sebastião Leme, mandou erigir o Cristo Redentor sobre o monte do Corcovado. A presença de Jesus deveria estar tanto no coração quanto nas praças.


Na 3.ª edição do Congresso, realizada na Arquidiocese de Olinda e Recife, em 1939, as 60 mil pessoas que lotaram o parque Treze de Maio, centro de Recife, cantaram por uma semana o hino composto por Dom Aquino Corrêa, bispo de Cuiabá:

Aos Clarins do Congresso Sagrado Pernambuco se ergueu varonil E o Recife se fez lado a lado Catedral onde reza o Brasil Eia sus! Oh leão do norte Ruge ao mar o teu grito de fé Creio em ti Hóstia Santa até a morte Quem não crê brasileiro não é

O maior Congresso Eucarístico realizado até hoje foi o do Rio de Janeiro, em 1955, quando 1 milhão de pessoas se reuniram para honrar o Santíssimo Sacramento, motivo pelo qual o Papa Pio XII dizia bendizer ao Senhor pelo reflorescimento da piedade entre os brasileiros.

A pujança da Igreja Católica no Brasil veio especialmente pela Eucaristia, que, como disse o mesmo Santo Padre, “uniu os ânimos para a vitória” contra “a invasão de armas estrangeiras, ervadas de heresia, [que] ameaçava a unidade e mais ainda a integridade da fé católica” [8].

Congresso Eucarístico Nacional realizado no Rio de Janeiro, em 1955.

Ao término desse congresso, o senador Nereu Ramos, então presidente do Senado, consagrou o Brasil ao Sagrado Coração de Jesus em nome de todo o parlamento:

“A consciência e os sentimentos cristãos do povo brasileiro, por suas expressões mais lídimas e afirmativas, vêm desde muito revelando o nobre desejo, o elevado propósito e a inafastável aspiração de entregar os destinos da pátria ao Sagrado Coração de Jesus, no qual, segundo o apóstolo, estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência (…) Entreguemos, pois, numa reafirmação de confiança e de fé ao Sagrado Coração de Jesus, ratificando solenemente a vitoriosa consagração do Excelso Episcopado Nacional, os superiores destinos do Brasil (…) Assim, em meio às tormentas que desabaram sobre a Terra, poderemos dizer sempre como aquele excelso sucessor de São Pedro: ‘O Coração Santíssimo de Jesus é sinal divino de vitória. Nele colocamos todas as nossas esperanças. Dele é que devemos esperar a salvação’.”

O Brasil enfrenta hoje outros desafios e é ele um dos últimos bastiões contra a cultura da morte no mundo. Mas, assim como no passado, também hoje os católicos devem procurar segurança no Santíssimo Sacramento, sabendo que nenhum poder temporal é capaz de suplantar a Igreja, contra a qual Nosso Senhor prometeu que as portas do inferno não prevalecerão. Esses esforços anticristãos passarão, assim como passaram o Império e outros governos republicanos. Como disse certa feita Dom Vital: “A Igreja nasceu, cresceu e vigorou no meio das perseguições e, por isso, nada há de recear. Mas o Estado? O futuro encarregar-se-á de nos responder” [9].

A história de nossa instabilidade política todos já conhecem… e estão presenciando até os dias de hoje. O que importa mesmo é que, assim como “a cruz permanece de pé enquanto o mundo dá voltas” (stat crux dum volvitur orbis), assim também o Santíssimo Sacramento salvou e continuará a salvar o Brasil.

521 anos da primeira Missa no Brasil (26/04/2021)

No que se refere à primeira evangelização do continente americano, “numa perspectiva histórica, é possível querer fazer um balanço e perguntar-se se foi maior o bem do que o mal; já numa visão de fé, essa postura não teria sentido. As duas coisas — o bem e o mal — não podem ser comparadas porque pertencem a dois autores diversos, a dois planos diferentes.

Só Deus pode fazer a parte exata de um e de outro. Além disso, teríamos de reconhecer que não eram apenas os homens daquela época que estavam sujeitos aos condicionamentos de seu tempo; nós também o estamos quando tentamos julgá-los.”

Numa visão de fé, deve-se “reconhecer que tudo o que aconteceu nela de bom e de evangélico provém de Deus e de sua graça, ao passo que tudo o que se mostrou equivocado, antievangélico e até cruel provinha do pecado dos homens. Por conseguinte, aquilo que podemos e devemos fazer […] é agradecer e pedir perdão a Deus — agradecer-lhe por sua obra e pedir-lhe perdão pela obra dos homens.” “Assim como Jesus veio ao mundo pela primeira vez de uma genealogia marcada pelo pecado de alguns de seus antepassados humanos, assim também ocorre sempre que Cristo vem a um lugar novo e numa época nova.

Ele vem através dos pecados e das faltas daqueles que o transmitem e apesar deles, ‘para que a excelência do poder seja de Deus e não pareça dos homens’ (cf. 2Cor 4,7).” “A um mundo sem o pecado de Adão mas também sem Cristo a Igreja prefere um mundo com o pecado mas com Cristo.

Por isso, na noite de Páscoa, a liturgia exclama: O felix culpa… Ditoso o pecado que nos possibilitou conhecer um Salvador tão belo e tão grande! De fato, os homens com seus erros passam, mas Jesus Cristo permanece; é um bem que ninguém pode tirar.” “O que aconteceu de importante há 500 anos […] não foi a descoberta da América por Cristóvão Colombo. Foi que a América descobriu Cristo!”

Cardeal Cantalamessa

 
 
 

Quis a Divina Providência que uma Missa marcasse o início da História da maior nação católica do mundo. Pois, de fato, dos méritos infinitos do sacrifício incruento que se renova sobre o altar, ou seja, da Eucaristia, procedem e se ordenam, como a seu fim, todas as grandes obras da História da Igreja. (Cf. Sacrosanctum Concilium, n. 10).

A primeira Missa no Brasil foi no iluminado dia 26 de abril de 1500, domingo da oitava de páscoa, quando os portugueses encontraram um ilhéu seguro – o da Coroa Vermelha – onde poderiam celebrar a primeira Missa no Brasil. Hoje, a ilhota não existe mais. Devido ao movimento das marés o ilhéu da primeira Missa se uniu a terra formando uma ampla e alva praia.

Em uma carta dirigida ao Rei de Portugal, D. Manuel, o venturo, Pero Vaz de Caminha, escrivão mor da esquadra, narra todos os detalhes do episódio que marca o início da História do Brasil. Ao ler estas linhas, observa-se um profundo espírito evangelizador, como Margarida Barradas de Carvalho observa, “o tema da obrigação de levar a palavra de Cristo a seres humanos, vivendo na ignorância, se coloca em toda a sua pureza realmente cristã”.[1]

Após 47 dias de viagem pelo Atlântico, todos os preparativos para Missa estavam terminados. Frei Henrique com os demais clérigos a celebrou em “voz entoada”. Eram oito missionários franciscanos e alguns sacerdotes seculares entre os quais um vigário destinado a Índia[2]. Sob um belo docel, ergueram “um altar mui bem corregido”[3]. O capitão Pedro Álvares Cabral com “a bandeira de Cristo”, convocou todos os seus 1000 subalternos, oficiais e marinheiros “muito bem escolhidos e armados”[4], enquanto que na praia do continente, cerca de duzentos índios acompanhavam atentos tudo o que se passava na ilhota. Relata Caminha que a missa “foi ouvida por todos com muito prazer e devoção”[5].

Terminada a cerimônia, desparamentou-se o sacerdote e subindo em uma cadeira alta fez “uma solene e proveitosa pregação”[6] à assembléia a sentada sobre fina e branca areia do aconchegante litoral baiano. Descreve Pero Vaz de Caminha que “tratou da nossa vinda e do achamento desta terra, conformando-se com o sinal da Cruz, sob cuja a obediência viemos, o que foi muito a propósito e fez muita devoção”[7].

Nos dias subseqüentes, 27 de abril a 1º de maio, os portugueses desbravaram a nova terra e estabeleceram afetuosas relações com os indígenas. Trabalhavam em escupir uma grande cruz de madeira. Os indígenas, impressionados com os instrumentos de metal, contemplavam o trabalho. O capitão, membro da ordem de Cristo, recomendava que os portugueses se pusessem de joelhos diante da Cruz e a beijassem[8] para que os indígenas entendessem a veneração que os homens do mar tinham pelo símbolo Cristão. Um após o outro, todos os lusos oscularam-na. Ao convite dos portugueses os dez ou doze nativos que aí estavam fizeram o mesmo, com tal inocência e candura que os portugueses ficaram muito tocados, como descreve o relato de Caminha, ao Rei de Portugal, “Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, seriam logos cristãos. E, portanto, se os degredados, que aqui hão de ficar, aprenderem bem a sua fala e os entenderem, não duvido que eles, segundo a santa intenção de vossa alteza, se hão de fazer-se cristãos e crer em nossa santa fé, à qual praza a Deus Nosso Senhor que os traga, porque, certo, esta gente é boa e de boa simplicidade. E imprimir-se-á ligeiramente neles qualquer cunho que lhes quiserem dar. E pois Nosso Senhor, que lhes deu bons corpos e bons rostos, como a bons homens, por aqui nos trouxe, creio que não foi sem causa. Portanto Vossa Alteza, que tanto deseja acrescentar a santa Fé católica, deve cuidar de sua salvação. E prazerá a Deus que com pouco trabalho seja assim.”[9]

No segundo domingo pascal, dia 1° de maio, estavam concluídos os preparativos para a cerimônia de tomada de posse da nova terra pelas armas portuguesas. Encabeçado pelo capitão que portava a bandeira de Cristo, a Cruz foi conduzida, ao som de cânticos religiosos, até a foz do rio Mutari “para melhor ser vista”. Cerca de setenta indígenas assistiam o cerimonial. Ao verem os portugueses carregar a Cruz meteram-se embaixo dela para também ajudar. A sombra da Cruz, Frei Henrique celebrou a segunda Missa, desta vez no continente, na presença de todos os religiosos, oficiais, soldados e cerca de 150 índios. Conforme as partes da Missa, os indígenas acompanhavam todos os movimentos dos portugueses. Ajoelhavam-se e levantavam-se “em tal maneira sossegados, que certifico a Vossa Alteza nos fez muita devoção” relata Caminha. Permaneceram até a comunhão, quando o capitão e os seus receberam o corpo de Cristo. Um dos nativos com cerca de cinqüenta anos acenava aos outros índios apontando para o altar e para o Céu[10]. Após a pregação foram distribuídas cruzes de estanho para que os tupis pendurassem ao pescoço após oscularem-na e levantarem as mãos ao céu.

Pero Vaz de Caminha encantado com a receptividade e inocência dos índios escrevia ao Rei de Portugal: “segundo que a mim e a todos pareceu, esta gente não lhes falece outra coisa para ser toda cristã, senão entender-nos, porque assim tomavam aquilo que nos viam fazer. Por isso, se alguém vier, não deixe logo de vir clérigo para os batizar porque assim já terão mais conhecimentos de nossa fé”.[11] Após a cerimônia, dois degredados os quais a justiça do Rei punira permaneceram entre a população enquanto as naus portuguesas partem. Uma vai a Portugal com a carta de Caminha e informações de navegação, aos outras continuam a missão para Índia a fim de restabelecerem as delicadas relações com os reis hindus.

Carta de Pero Vaz de Caminha

Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão de ir ouvir missa e pregação naquele ilhéu. Mandou a todos os capitães que se aprestassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou naquele ilhéu armar um esperável, e dentro dele um altar mui bem corregido. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual foi dita pelo padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes, que todos eram ali. A qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção.

Ali era com o Capitão a bandeira de Cristo, com que saiu de Belém, a qual esteve sempre levantada, da parte do Evangelho.

Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação da história do Evangelho, ao fim da qual tratou da nossa vinda e do achamento desta terra, conformando-se com o sinal da Cruz, sob cuja obediência viemos, o que foi muito a propósito e fez muita devoção.

Enquanto estivemos à missa e à pregação, seria na praia outra tanta gente, pouco mais ou menos como a de ontem, com seus arcos e setas, a qual andava folgando. E olhando-nos, sentaram-se. E, depois de acabada a missa, assentados nós à pregação, levantaram-se muitos deles, tangeram corno ou buzina, e começaram a saltar e dançar um pedaço.

A principal riqueza da terra

Em 1501, após ter viajado por toda a América, o florentino Américo Vespúcio comentava do litoral brasileiro que “se algures na terra existe o paraíso terrestre, não pode ele estar longe daqui”[12]. Pero Vaz de Caminha também relata as riquezas do Brasil. A vastidão, o clima e a fertilidade faz o escrivão mor exclamar: “dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem”. A região é formosa e agradável, com palmitos saborosos, belas aves, enormes camarões e madeira em quantidade, todavia, “sem ouro nem prata, nem nenhuma coisa de metal”[13]. Talvez, por esta última razão, a terra de Santa Cruz ficou relegada ao segundo plano no interesse luso, pois as especiarias da Índia e as riquezas da África rendiam muito mais que o pau-brasil. Contudo, o inteligente Pero Vaz de Caminha ressalta ao rei de Portugal, “o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar”[14].

Quanto as maravilhas do litoral, a fecundidade da terra e as possibilidades de evangelização, Caminha vaticinou com precisão. Em um lento povoamento, portugueses, africanos[15] e o elemento nativo, miscigenaram-se formando um povo homogêneo. Acontecimento explicável por causa do fator que realmente une culturas tão diversas sob a bandeira de um único ideal: a religião católica. Ademais, contribuíram para esse resultado uma inumerável avalanche de padres seculares e religiosos de todas as ordens, que “vieram com a sua fé, a sua doçura e a sua perseverança, vencer a bravesa do íncola”.[16]

Em função da devoção Eucarística, clero e laicato realizaram este grande escopo. Atestam isto tantas Igrejas, suntuosas ou singelas, esparsas pelo Brasil, onde reflete-se a piedade eucarística dos primeiros brasileiros. Hoje, a Igreja colhe os frutos deste imenso esforço, deste “grande passado”[17], na expressão de Bento XVI. Observa o Pontífice que, “o Brasil ocupa um lugar muito especial no coração do Papa, não somente porque nasceu cristão e possui hoje o mais alto número de católicos, mas, sobretudo, porque é uma nação rica em potencialidades, com uma presença eclesial que é motivo de alegria e esperança para toda a Igreja.”

Realmente, o Brasil nasceu cristão. Como os relatos de Caminha deixam entrever, nas atitudes de indígenas e portugueses, a bondade, hospitalidade e generosidade características do espírito brasileiro é patente. Essa bondade provem do amor à Cruz. De fato, o mais alto símbolo da Fé Cristã não apenas pendia apenas ao pescoço de índios e europeus, mas também, protegia as velas das naus, abençoava o estandarte da ordem de Cristo e as armas de Portugal. Ela estava plantada na nova terra e reluzente no céu do cruzeiro do sul. Dir-se-ia que vendo tanta piedade, o Crucificado quis também estar presente nos dez primeiros dias do Brasil. Realmente, o Divino Mestre esteve presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade sob as espécies Eucarísticas. Foi com a Santa Missa que começou repleta de empreendimento e alegria; bondade e Fé, a História de um país que “nasceu cristão”[18] ajoelhado à sombra da Cruz, adorando a Jesus Sacramentado. Fato que cumpre aquilo do Papa João Paulo II (Ecclesiae de Eucharistia, n. 22), “Portanto, a Igreja recebe a força espiritual necessária para cumprir sua missão, perpetuando o sacrifício da Cruz na Eucaristia e comunicando o corpo e o sangue de Cristo. Assim, a Eucaristia é a fonte e, ao mesmo tempo, o ápice de toda evangelização, pois tem como objetivo a comunhão dos homens com Cristo e, Nele, com o Pai e com o Espírito Santo. (Cf. Homilias sobre la 1 Carta a los Corintios, 24,2: PG 61,200; cf. Didaché, IX,5: F.X. Funk, I,22; San Cipriano, Ep. LXIII,13: PL 4,384.)”

A Eucaristia salvou o Brasil do ateísmo

Fenômeno de público, os Congressos Eucarísticos reavivaram nos brasileiros a consciência de que “o Brasil nascera católico e como tal deveria continuar, não obstante a aberração laicista da primeira República”.

O Brasil é mundialmente conhecido como o país mais católico do mundo. Os cinco milhões de jovens que lotaram a praia de Copacabana, sob as bênçãos do Cristo Redentor e do Papa, durante a Jornada Mundial da Juventude em 2013, reforçaram ainda mais essa ideia.

Mas quem desconhece o passado e se impressiona facilmente com os números, não imagina que, um dia, o país cuja Constituição de 1988 foi promulgada “sob a proteção de Deus” quase se tornou ateu.

A situação da Igreja Católica no Brasil nunca foi tranquila. Apesar de a carta de Pero Vaz de Caminha atestar que o intuito das navegações era a evangelização dos povos, a verdade é que os missionários católicos tiveram de amargar muitas provações para tornar o Evangelho de Cristo conhecido nestas terras.

No período monárquico, o regime de padroado causou muita dor de cabeça para os católicos, sobretudo ao clero e aos religiosos. O rei D. Pedro I atuou de forma regalista contra as ordens religiosas, interferindo em suas constituições e confiscando seus bens, de modo que a Igreja passou por um período de severa estagnação. E pouco mudou durante o regime de D. Pedro II, quando, aliás, estourou a Questão Religiosa, que culminou na famosa prisão do arcebispo de Olinda, Dom Vital.

“A cruz permanece de pé enquanto o mundo dá voltas”. Do mesmo modo, o Santíssimo Sacramento salvou e continuará a salvar o Brasil.

Essas dificuldades, porém, não impediram que o povo brasileiro entrasse “na história sob o signo da cruz de Cristo, e com o viático de Jesus sacramentado no coração” [1]. A própria Questão Religiosa serviu para despertar alguns católicos da letargia, dada a coragem de Dom Vital contra os abusos da Coroa e da Maçonaria, o que lhe rendeu a alcunha de “Atanásio do Brasil”. Se o imperador apresentava algumas ambiguidades com relação à fé, o povo, porém, era católico na sua essência e “não havia cidade ou vila que se não assinalasse na devoção ao Santíssimo Sacramento” [2]. Foi apenas com a proclamação da República que esse quadro se viu ameaçado.

No dia 7 de janeiro de 1890, o governo provisório deu início à separação entre Igreja e Estado, declarando extinto o padroado e todas as suas instituições. Embora os métodos fossem diferentes, “a República, baseando-se nos princípios positivistas ou comtistas, se mostrou, desde os primeiros dias de sua existência, não menos ofensiva à Igreja do que o fora o Império” [3].

Para acabar com a influência católica na sociedade, os colégios e os cemitérios foram secularizados e o casamento religioso foi substituído pelo casamento civil. Mas a cartada final veio mesmo com a nova Constituição, sancionada em 1891 sem sequer citar o nome de Deus. Estava pavimentado, assim, o caminho para um Brasil sem religião.

Os católicos brasileiros ainda hoje devem procurar segurança no Santíssimo Sacramento, sabendo que nenhum poder temporal é capaz de suplantar a Igreja.

Os anos da primeira República foram caracterizados por um forte laicismo. Diante desse novo contexto, os bispos do Brasil logo se organizaram para estabelecer os critérios de reação e promover a restauração católica no país. Com o apoio do Papa, novas dioceses foram criadas e outras congregações religiosas puderam vir para o Brasil, inclusive os jesuítas, os quais haviam sido banidos pela lei pombalina. A hierarquia católica tomava uma nova dimensão. No início da década de 1930, a Igreja já estava organizada o suficiente para empreender o projeto de uma “nova evangelização” e barrar tanto o laicismo quanto as ideias socialistas, que começavam a pipocar por todo lugar.

O mundo atual oscila entre duas bandeiras: a branca do Vaticano e a vermelha de Moscou. Estamos diante do dilema: a Cruz ou o martelo”, disse o padre Arruda Câmara durante uma das edições do Congresso Eucarístico Nacional, o evento que marcaria a tônica do episcopado brasileiro em defesa da fé católica no Brasil [4]. A primeira edição do evento ocorreu em Salvador, na Bahia, em 1933, com o tema: “Vinde, adoremos o Santíssimo Sacramento”.

Foi com estas palavras que, a 6 de agosto de 1931, o arcebispo primaz Dom Augusto da Silva anunciou o Congresso:

É o país todo, é a nação em peso que se vai prostrar aos pés de Jesus para aclamá-lo Rei, não só de cada um dos corações dos seus filhos, mas ainda do coração da Pátria, do seu povo, de seus homens públicos, de suas instituições civis, de seus governos, de sua Constituição, de suas leis, do presente e o futuro da Nação. [5]

Os Congressos Eucarísticos foram um fenômeno de público e serviram para reavivar nos brasileiros a consciência de que “o Brasil nascera católico e como tal deveria continuar, não obstante a aberração laicista da primeira República” [6]. Para a mentalidade da época, ser brasileiro significava ser cristão e “não se conhecia honra maior que a de poder comungar, nem maior infâmia do que a de ser privado da mesa eucarística” [7].

A vitória sobre o ateísmo marxista e positivista se deu, portanto, por um sentimento de “patriotismo católico”, que fazia questão de ser visível a toda a sociedade. Foi nesta mesma década, aliás, que o então arcebispo do Rio de Janeiro, o Cardeal Sebastião Leme, mandou erigir o Cristo Redentor sobre o monte do Corcovado. A presença de Jesus deveria estar tanto no coração quanto nas praças.


Na 3.ª edição do Congresso, realizada na Arquidiocese de Olinda e Recife, em 1939, as 60 mil pessoas que lotaram o parque Treze de Maio, centro de Recife, cantaram por uma semana o hino composto por Dom Aquino Corrêa, bispo de Cuiabá:

Aos Clarins do Congresso Sagrado Pernambuco se ergueu varonil E o Recife se fez lado a lado Catedral onde reza o Brasil Eia sus! Oh leão do norte Ruge ao mar o teu grito de fé Creio em ti Hóstia Santa até a morte Quem não crê brasileiro não é

O maior Congresso Eucarístico realizado até hoje foi o do Rio de Janeiro, em 1955, quando 1 milhão de pessoas se reuniram para honrar o Santíssimo Sacramento, motivo pelo qual o Papa Pio XII dizia bendizer ao Senhor pelo reflorescimento da piedade entre os brasileiros.

A pujança da Igreja Católica no Brasil veio especialmente pela Eucaristia, que, como disse o mesmo Santo Padre, “uniu os ânimos para a vitória” contra “a invasão de armas estrangeiras, ervadas de heresia, [que] ameaçava a unidade e mais ainda a integridade da fé católica” [8].

Congresso Eucarístico Nacional realizado no Rio de Janeiro, em 1955.

Ao término desse congresso, o senador Nereu Ramos, então presidente do Senado, consagrou o Brasil ao Sagrado Coração de Jesus em nome de todo o parlamento:

“A consciência e os sentimentos cristãos do povo brasileiro, por suas expressões mais lídimas e afirmativas, vêm desde muito revelando o nobre desejo, o elevado propósito e a inafastável aspiração de entregar os destinos da pátria ao Sagrado Coração de Jesus, no qual, segundo o apóstolo, estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência (…) Entreguemos, pois, numa reafirmação de confiança e de fé ao Sagrado Coração de Jesus, ratificando solenemente a vitoriosa consagração do Excelso Episcopado Nacional, os superiores destinos do Brasil (…) Assim, em meio às tormentas que desabaram sobre a Terra, poderemos dizer sempre como aquele excelso sucessor de São Pedro: ‘O Coração Santíssimo de Jesus é sinal divino de vitória. Nele colocamos todas as nossas esperanças. Dele é que devemos esperar a salvação’.”

O Brasil enfrenta hoje outros desafios e é ele um dos últimos bastiões contra a cultura da morte no mundo. Mas, assim como no passado, também hoje os católicos devem procurar segurança no Santíssimo Sacramento, sabendo que nenhum poder temporal é capaz de suplantar a Igreja, contra a qual Nosso Senhor prometeu que as portas do inferno não prevalecerão. Esses esforços anticristãos passarão, assim como passaram o Império e outros governos republicanos. Como disse certa feita Dom Vital: “A Igreja nasceu, cresceu e vigorou no meio das perseguições e, por isso, nada há de recear. Mas o Estado? O futuro encarregar-se-á de nos responder” [9].

A história de nossa instabilidade política todos já conhecem… e estão presenciando até os dias de hoje. O que importa mesmo é que, assim como “a cruz permanece de pé enquanto o mundo dá voltas” (stat crux dum volvitur orbis), assim também o Santíssimo Sacramento salvou e continuará a salvar o Brasil.

521 anos da primeira Missa no Brasil (26/04/2021)

No que se refere à primeira evangelização do continente americano, “numa perspectiva histórica, é possível querer fazer um balanço e perguntar-se se foi maior o bem do que o mal; já numa visão de fé, essa postura não teria sentido. As duas coisas — o bem e o mal — não podem ser comparadas porque pertencem a dois autores diversos, a dois planos diferentes.

Só Deus pode fazer a parte exata de um e de outro. Além disso, teríamos de reconhecer que não eram apenas os homens daquela época que estavam sujeitos aos condicionamentos de seu tempo; nós também o estamos quando tentamos julgá-los.”

Numa visão de fé, deve-se “reconhecer que tudo o que aconteceu nela de bom e de evangélico provém de Deus e de sua graça, ao passo que tudo o que se mostrou equivocado, antievangélico e até cruel provinha do pecado dos homens. Por conseguinte, aquilo que podemos e devemos fazer […] é agradecer e pedir perdão a Deus — agradecer-lhe por sua obra e pedir-lhe perdão pela obra dos homens.” “Assim como Jesus veio ao mundo pela primeira vez de uma genealogia marcada pelo pecado de alguns de seus antepassados humanos, assim também ocorre sempre que Cristo vem a um lugar novo e numa época nova.

Ele vem através dos pecados e das faltas daqueles que o transmitem e apesar deles, ‘para que a excelência do poder seja de Deus e não pareça dos homens’ (cf. 2Cor 4,7).” “A um mundo sem o pecado de Adão mas também sem Cristo a Igreja prefere um mundo com o pecado mas com Cristo.

Por isso, na noite de Páscoa, a liturgia exclama: O felix culpa… Ditoso o pecado que nos possibilitou conhecer um Salvador tão belo e tão grande! De fato, os homens com seus erros passam, mas Jesus Cristo permanece; é um bem que ninguém pode tirar.” “O que aconteceu de importante há 500 anos […] não foi a descoberta da América por Cristóvão Colombo. Foi que a América descobriu Cristo!”

Cardeal Cantalamessa

 
 
 
CONTATO
Avalie-nosRuimNão muito bomBomMuito bomÓtimoAvalie-nos

Agradecemos pelo envio !

© 2019 - 2023. INTERVENÇÃO DIVINA - Criado por Divino Design.

Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

bottom of page
ConveyThis