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Segundo Julio Loredo, o pano de fundo não revelado do Sínodo da Amazônia é que há décadas está em produção e sendo desenhada uma “mudança de toda a Igreja” conforme a “chamada teologia indigenista e ecológica”. Em termos de eclesiologia, isso coincide com as visões mais extremadas dos modernistas e progressistas. Diane Montagna.

LifeSiteNews, 22 de junho de 2019.

O próximo Sínodo dos Bispos sobre a região da Amazônia é um “esquema” que visa “renovar” a Igreja de acordo com “as versões mais radicais da Teologia da Libertação”, afirmou o autor peruano.

Julio Loredo, presidente do braço italiano da Tradição, Família e Propriedade (TFP) e autor de “Teologia da Libertação: um salva-vidas de chumbo para os pobres” (Associação Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, 2016), disse que o pano de fundo não revelado do Sínodo da Amazônia é o de que há décadas está em produção e sendo desenhada uma “mudança de toda a Igreja” conforme a “chamada teologia indigenista e ecológica”.

“É uma completa renovação da Igreja sob um ponto de vista ‘amazônico’, que nada mais é que o auge da Teologia da Libertação”, comentou Loredo ao LifeSiteNews, no dia 21 de junho.

Loredo, que trabalha como editor e colaborador do novo site “Pan-Amazon Synod Watch” , lançado por uma coalizão internacional que busca combater tais esforços, observou que essa visão “agora está sendo proposta a toda a Igreja por um Papa da América Latina”.

“Isso é muito importante”, disse ele, acrescentando que essa visão, “em termos de eclesiologia, também coincide com as visões mais extremadas dos modernistas e progressistas”.

Loredo notou que o próximo Sínodo “está sendo preparado e composto por uma rede muito bem organizada de movimentos e associações indigenistas”, como a REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazônica).

“Todos os seus mentores vêm dos ramos do movimento da Teologia da Libertação”, disse.

“Outro ponto a ser levantado”, acrescentou Loredo, “é que a Encíclica Laudado si é o fundamento doutrinal do Sínodo”. Essa Encíclica “tem partes inspiradas pela teologia da libertação ecológica, ou eco-teologia, e partes baseadas em documentos da ONU, como a Agenda 21 e o Tratado sobre biodiversidade”. Esses são tratados obrigatórios para todos os países signatários da Cúpula da Terra, no Rio de Janeiro, em 1992, explicou o autor peruano. “Esses documentos foram estudados e propostos por pesquisadores da Internacional Socialista que buscavam explorar formas de pós-socialismo e pós-comunismo. Conceitos como ‘desenvolvimento sustentável’ e ‘crescimento negativo’ foram lançados por esses documentos. Então, não estamos falando apenas da Igreja na Amazônia”.

Loredo disse que está “impressionado” com a extensão com que o Vaticano, por meio do Sínodo da Amazônia, está assumindo “a agenda neo-pagã proposta pela ONU em conferências como a Rio 92 e a Rio +20, de 2012”.

“Eu participei como jornalista da conferência de 1992, e estudei essas questões a fundo”.

Sobre o documento preparatório e o Instrumentum laboris para o Sínodo de outubro, Loredo disse que é preocupante o fato de que esses documentos “abraçam a interpretação radical do ‘desenvolvimento sustentável’”.

Igualmente preocupante, disse, é a completa ausência de qualquer coisa negativa sobre as tribos da Amazônia, algumas das quais “praticam canibalismo, infanticídio e feitiçaria”.

“Para alguém como eu, que tem estudado a Teologia da Libertação e a teologia indigenista por várias décadas, muitas coisas nesses documentos são perfeitamente claras. Mas, para quem não acompanha essas correntes, pode ser confuso ou pelo menos não totalmente compreensível”.

Eis a nossa entrevista com o senhor Julio Loredo.

LIFESITE. Senhor Loredo, responsável por lançar o site “Pan-Amazon Synod Watch”, que garantia pode dar aos leitores de que irão encontrar nele uma fonte confiável de informação a respeito das questões que envolvem o Sínodo de outubro?

JULIO LOREDO. O site foi organizado por uma rede de associações conservadoras. Ele pertence oficialmente ao Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, em São Paulo, Brasil. O doutor Plínio Corrêa de Oliveira (1908-1995) estudou as chamadas correntes indigenistas já dentro da Igreja desde o início dos anos 1970. Mas é um site que envolve não só a Tradição, Família e Propriedade, mas também outras associações conservadoras internacionais.

Ele contém artigos escritos por especialistas renomados, cientistas, filósofos e professores; por isso, o material é altamente acadêmico. Por exemplo, ele traz artigos do professor Evaristo Miranda, que é um dos maiores especialistas do mundo sobre a Amazônia. O doutor Miranda é chefe da EMBRAPA, responsável pelo monitoramento por satélite da Amazônia no Brasil. Como deve saber, o Brasil tem o seu próprio programa espacial. O sistema de satélite no Brasil é altamente desenvolvido. A EMBRAPA Monitoramento por Satélites é um órgão do governo que monitora a Amazônia, e o professor Miranda é o seu chefe. Há muitos artigos do professor Miranda, assim como de ecologistas de ponta dos Estados Unidos e de outros países. Muitas figuras de credibilidade estão escrevendo para o site.

O Vaticano publicou o Instrumentum laboris para o Sínodo da Amazônia no início deste mês. Ele atraiu consideravelmente a atenção da mídia, principalmente por sugerir um relaxamento no celibato sacerdotal para a região amazônica. Na sua visão, o que a mídia, o clero católico e os fiéis de um modo geral devem saber a respeito do Sínodo? Onde devemos focar nossa atenção?

Há uma história não contada que não recebeu atenção suficiente da mídia ocidental. O Cardeal Pedro Barreto, vice-presidente do REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazônica), disse de forma muito clara nos últimos dias que o plano que pretendem realizar no Sínodo é aquele no qual têm trabalhado por quase 50 anos. Então, há todo um plano, todo um esquema por trás do Sínodo, e que consiste na introdução da chamada teologia da libertação indigenista, desenvolvida ao longo dos últimos 40 ou 50 anos. Seria agora o momento de propô-la à Igreja inteira.

A imprensa europeia está focando no celibato sacerdotal e na possível “ordenação” diaconal de mulheres. Ambos são aspectos muito importantes do plano; mas há toda uma história por trás disso. O que eles querem é mudar a Igreja inteira de acordo as versões mais radicais da Teologia da Libertação – a chamada teologia indigenista e ecológica.

Eu tenho acompanhado isso por muitas décadas. Em 1977, Plinio Corrêa de Oliveira escreveu um livro sobre o tema, intitulado “Tribalismo Indígena: o ideal comuno-missionário para o Brasil no século XXI”, no qual descreve muito bem o que está acontecendo hoje. Porém, esse panorama não está muito presente ou não é amplamente conhecido pelo público europeu. Foi mais uma situação latino-americana, e que está agora sendo proposta por um Papa latino-americano para toda a Igreja, e isso é muito importante. Em termos de eclesiologia, isso também coincide com as visões mais extremadas dos modernistas e progressistas.

No Sínodo da Juventude do ano passado, certas questões controversas (como a inclusão da linguagem LGBT) foram antecipadas, mas a ênfase pesada do documento final sobre a “sinodalidade” e a eclesiologia não era esperada. Que surpresas reservam o Sínodo da Amazônia?

Se você ler os documentos preparatórios para o Sínodo, principalmente o Instrumentum laboris, você verá que eles querem reinterpretar toda a Igreja a partir de uma perspectiva “amazônica”. Chamam isso de uma nova Igreja com “um rosto amazônico”. Eles querem reinterpretar a Igreja como um todo, e esse é um ponto que, penso eu, a imprensa europeia não está destacando o suficiente. Não é simplesmente o problema de relaxar o celibato sacerdotal, por mais importante que ele de fato seja, ou o problema da ordenação de mulheres. É uma completa renovação da Igreja sob um ponto de vista “amazônico”, que nada mais é que o auge da Teologia da Libertação.

Se eles conseguirem, será a revolução mais perniciosa que já aconteceu na história da Igreja.

Na coletiva de imprensa para apresentar o Instrumentum laboris, no dia 17 de junho, o LifeSiteNews abordou os organizadores do Sínodo sobre isso. Questionamos: “Lendo o documento de trabalho, temos a impressão de que a ideia não é somente ajudar a Amazônia, mas dar ao restante da Igreja ‘um rosto amazônico’, expressão que o Papa Francisco utilizou várias vezes. Esse Sínodo trará implicações e ramificações para o restante da Igreja?”. O Bispo Fabio Fabene, sub-secretário do Sínodo dos Bispos, respondeu insistindo que o Sínodo é dedicado apenas à Amazônia. Mas ele acrescentou que poderia ter repercussões “a partir de um ponto de vista pastoral para a Igreja, especialmente… no campo da ecologia”.

Exatamente. Eles estão propondo uma série de ideias, como a “conversão à ecologia integral”, que seria válida para toda a Igreja. Estão utilizando o Sínodo da Amazônia para propor um novo modelo de Igreja.

O senhor acredita que os povos indígenas estão sendo explorados para realizar a revolução eclesial que descreveu?

O Sínodo está sendo preparado e composto por uma rede muito bem organizada de movimentos e associações indigenistas, como a mencionada REPAM. Todos os seus mentores vêm dos ramos do movimento da Teologia da Libertação que, em anos mais recentes, desenvolveram-se nesse sentido e no sentido de uma “ecologia integral”. Em tal jornada, eles envolveram índios amazônicos altamente engajados, como o Chefe Kayapó Raoni. Mas duvido que ele represente a maioria dos povos indígenas. Conhecendo muito bem a realidade da Amazônia, eu diria que a imensa maioria quer se integrar à sociedade moderna.

Outra passagem do Instrumentum laboris que causa preocupação é o n. 127. Ela diz que a “autoridade” na Amazônia é “rotativa” e, por isso, seria oportuno “reconsiderar a ideia de que o exercício da jurisdição (poder de governo) deve estar vinculado em todos os âmbitos (sacramental, judicial e administrativo) e de maneira permanente ao sacramento da ordem”.

Como eu disse, eles querem renovar toda a Igreja a partir de uma perspectiva “amazônica”. Um capítulo do Documento preparatório trata da “dimensão sacramental”, e estabelece que os Sacramentos devem ser interpretados sob essa luz, inclusive o Sacramento da Ordem. É óbvio que estão usando o “rosto amazônico” como pretexto para implementar um antigo esquema progressista: a confusão relativa ao sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio sacramental do clero. Eles querem atenuar, senão destruir, a autoridade da Igreja. Eles têm uma visão igualitária da Igreja e da sociedade.

Dito isso, qualquer um que tenha estado na Amazônia sabe muito bem que a autoridade nas tribos indígenas é tudo menos “rotativa”. Tribos indígenas têm uma estrutura ditatorial, em que o poder do chefe é superado somente pelo poder do feiticeiro.

Outro ponto a ser levantado é que a Encíclica Laudado si é o fundamento doutrinal do Sínodo. Essa Encíclica tem partes inspiradas pela teologia da libertação ecológica, ou eco-teologia, e partes baseadas em documentos da ONU, como a Agenda 21 e o Tratado sobre biodiversidade. Esses são tratados obrigatórios para todos os países signatários da Cúpula da Terra, no Rio de Janeiro, em 1992 [1]. Esses documentos foram estudados e propostos por pesquisadores da Internacional Socialista [2] que buscavam explorar formas de pós-socialismo e pós-comunismo. Conceitos como “desenvolvimento sustentável” e “crescimento negativo” foram lançados por esses documentos. Então, não estamos falando apenas da Igreja na Amazônia.

Nos últimos anos, o Vaticano parece ter reforçado sua cooperação com a ONU.

Exatamente. Uma coisa que me impressiona quanto à Encíclica Laudato Si e o Sínodo da Amazônia é a extensão com que o Vaticano está assumindo a agenda neo-pagã [3] proposta pela ONU em conferências como a Rio 92 e a Rio +20, de 2012. Eu participei como jornalista da conferência de 1992, e estudei essas questões a fundo.

Para além do que já comentamos, o que as pessoas acharão mais surpreendente quanto à situação na Amazônia descrita para este Sínodo?

Penso que os europeus, e em geral os povos ocidentais, ficarão chocados com a proposta do Sínodo de colocar as tribos amazônicas como portadoras de uma nova revelação para o nosso tempo, e que isso irá renovar toda a visão da Igreja e do Catolicismo. Eles chamam a Amazônia de “lugar epifânico”, uma “fonte de revelação divina” (Instrumentum laboris, n. 19). O que eles entendem por nova revelação indigenista para o mundo do século XXI? Isso é muito preocupante.

Outra coisa que pode chocar as pessoas é o fato de que eles abraçam a interpretação radical de “desenvolvimento sustentável”. É dito que o nível de consumo hoje está muito além da capacidade da Terra de produzir comida e materiais. Assim, teríamos que reduzir drasticamente o nosso nível de consumo, adotando modelos de maior austeridade e pobreza. Aqui entra o modelo tribal. Eles dizem que os índios podem nos ensinar a sermos pobres e ainda felizes. Estão propondo a doutrina do “bem viver” (Instrumentum laboris, n. 12, 13) – que não é viver na abundância, e sim na pobreza, mas em perfeita comunhão com a natureza. É o “bem viver”. Eles estão contra a industrialização, contra não apenas o consumismo, mas verdadeiramente contra o consumo. Dizem que temos que reduzir nossos níveis de consumo, porque a Terra não pode suportá-los. Isso também é muito preocupante, pois significa que querem que eliminemos uma série de benefícios trazidos pela civilização industrial.

Quando o senhor diz “eles”, a quem está se referindo?

Refiro-me às pessoas que na ONU propõem essa doutrina do desenvolvimento sustentável e àquelas que na Igreja abraçam essa mesma doutrina, que é uma parte essencial do que eles querem fazer no Sínodo. Os documentos propostos para o Sínodo são muito claros. Eles querem que os índios da Amazônia sejam os evangelizadores do mundo.

Por meio do “bem viver”…

Exatamente. E isso também é muito chocante. Claro, como cristãos, somos chamados a viver modesta e humildemente, a cuidarmos do dom da criação, que nos foi confiado a uso por nosso Pai do Céu. Mas, se interpretada de forma linear e tomada nas suas últimas consequências, essa forma de pensar quer dizer que devemos renunciar a muitos benefícios da sociedade moderna. Pense se as pessoas vão abrir mão dos carros, eletricidade ou ar condicionado!

Na coletiva de imprensa de 17 de junho, Sandro Magister observou que, enquanto o Instrumentum laboris contém questões críticas sobre os Pentecostais ou a urbanização, ele fala positivamente dos povos indígenas, sem abordar os males do canibalismo, do infanticídio e de outras práticas pagãs que ainda estão presentes em algumas tribos.

Ou feitiçaria. O documento preparatório e o Instrumentum laboris, assim como as declarações das pessoas envolvidas com o Sínodo, estão repletos de linguagem negativa com relação à industrialização, ou o que o Papa Francisco chama de “extrativismo”, i.e., a extração de material da terra; eles estão cheios de linguagem negativa sobre a economia de livre mercado e a propriedade privada. Mas eles não têm nada de negativo para dizer sobre as tribos amazônicas, algumas das quais praticam o canibalismo, infanticídio e a feitiçaria. As tribos indígenas são apresentadas de forma idílica, mas as tribos reais são muito diferentes.

Há algo mais que o senhor gostaria de acrescentar?

Para alguém como eu, que tem estudado a Teologia da Libertação e a teologia indigenista por várias décadas, muitas coisas nesses documentos são perfeitamente claras. Mas, para quem não acompanha essas correntes pode ser confuso ou pelo menos não totalmente compreensível.

Porém, as portas do Inferno não prevalecerão. Devemos encarar essa situação com serenidade e esperança, sabendo que Deus às vezes permite que o seu rebanho seja testado na Fé para que prove ser digno. E principalmente, não devemos nunca perder ou diminuir nossa veneração pela Sé de Pedro.

NOTAS.

Tradução: Bruno Braga.

 
 
 

A cada ano observamos estatísticas que mostram a diminuição dos católicos no Brasil, fazemos essa constatação não somente pelas estatísticas, mas principalmente pelo esvaziamento das filas de confissão e pela deterioração moral da sociedade com a qual convivemos diariamente.

Mesmo com tantos sinais, pouco ouvimos falar sobre as principais razões da queda dos católicos no Brasil, nem mesmo a CNBB se preocupa, porém Dom Henrique Soares percebeu e neste breve comentário veio nos apresentar uma das principais causas!

Para alguns, que participam de igrejas em grandes centros, pode parecer estranho falar na “queda de católicos” quando a igreja que frequentam está cheia, entretanto o número dos que não vão à Igreja é muito maior. São os chamados “Católicos de IBGE”.

Uma pesquisa feita em 2018, sobre a situação religiosa e pastoral da Igreja na Arquidiocese de São Paulo, em preparação para o sínodo arquidiocesano de SP, mostrou que apenas cerca de 5% (cinco por cento) dos católicos frequentam regularmente a Missa dominical; outros cerca de 25% (vinte e cinco por cento) frequentam a Missa de vez em quando. E são cerca de 70% (setenta por cento) dos católicos paulistanos que não frequentam a Missa nunca, ou quase nunca.

Antes de ler o comentário de Dom Henrique Soares, vamos entender o que são os católicos de IBGE e a realidade dos católicos no Brasil.

CATÓLICOS DE IBGE

Desde 1940, quando era estimado que quase 100% da população era católica (como vemos no gráfico do final da página), muita coisa mudou. A Igreja Católica perdeu espaço para protestantes, assim como outras denominações religiosas. Mesmo assim, atualmente mais de 60% dos brasileiros se declaram católicos. Porém, como poderemos ver mais abaixo, nem todo aquele que se diz católico, age realmente como católico. Vamos analisar algumas estimativas:

No Brasil, aproximadamente 85% da população se diz cristã. Sendo aproximadamente 65% de católicos.

Agora, se observarmos entre os católicos, apenas 5% dos que se declaram católicos frequentam a missa todos os domingos, como demonstrado na pesquisa realizada na Arquidiocese de São Paulo, o que é muito grave, pois frequentar a missa todos os domingos é um dos mais importantes mandamentos.

Desses 5% que vão à missa todo domingo, muitos vivem de forma irregular, ou seja, fora da graça de Deus, o que significa que não podem receber a comunhão enquanto não regularizarem esta situação, muitas vezes sendo necessário uma drástica mudança de atitudes acompanhada da confissão sacramental. Alguns exemplos de irregularidades graves, frequentes entre católicos: Casais que vivem juntos sem serem casados, ou um casamento de segunda união… namoro indecente… filiação a partidos comunistas… defender o aborto ou ideologia de gênero… vivência da prática homossexual… Não se confessar periodicamente (a igreja recomenda que a confissão seja feita com frequência, ou seja, uma vez por mês), etc…

Na pratica, fica abaixo de 1% o número daqueles que frequentam a missa todos os domingos e que buscam a confissão sacramental com frequência e vivem na graça de Deus, observando os mandamentos e a doutrina da santa Igreja.

Com base nisso, é possível estimar que mais de 95% dos católicos no Brasil vivem em estado de pecado mortal sem se preocuparem com a própria salvação.

Qualquer pecado grave nos faz perder a graça de Deus e nos torna merecedores do inferno. Por exemplo:

– faltar missas dominicais ou de preceito por preguiça e/ou comodismo; – ter ódio do próximo; – frequentar falsas doutrinas; – viver em situação de adultério (amasiamento, segunda união), prática sexual fora do matrimônio, pornografia e masturbação, frequentar ambientes gravemente pecaminosos (boates, discotecas, carnavais, bailes funks, festas raves, etc.); – evitar filhos por meios artificiais; – abortar ou apoiar o aborto; – ingressar, apoiar ou votar em partidos ou organizações de cunho socialista/comunista ou que defendem o aborto e a ideologia de gênero; – prejudicar o próximo com calúnias e difamações; – etc, etc, etc… a lista é grande…

(É sempre útil recordar que um pecado para ser grave, além da matéria grave, necessita que se tenha conhecimento de causa e vontade deliberada. Para entender melhor sobre pecado mortal, leia este artigo.)

Enfim, podemos chegar à conclusão que são muitos os que se declaram católicos, mas em muitos pontos não pensam e nem tem atitudes de católicos! Estes são os católicos de IBGE, que na teoria se declaram católicos mas que na prática acreditam que todas as religiões são boas… Que placa de igreja não salva ninguém… Que o que importa é o amor… Etc., o que difere daquilo que ensina a doutrina da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

SOBRE A QUEDA DOS CATÓLICOS NO BRASIL

Historicamente, nossa catequese deixou muito a desejar e nas últimas décadas piorou muito: é uma catequese de ideias vagas, mais ideológica que propositiva, ambígua, que não tem coragem de apresentar a fé com todas as letras… Ao invés, apresenta a opinião desse ou daquele teólogo… Assim, troca-se a clareza e simplicidade da fé católica (como o Catecismo a apresenta) por complicadas e inseguras explicações, fazendo a fé parecer uma questão de opinião e não uma certeza que vem de Deus; algo acessível a especialistas letrados e não aos simples mortais.

Céu, inferno, anjos, diabo, purgatório, valor da missa, doutrina moral – cada padre diz uma coisa, cada um acha que pode construir sua verdade… Tudo tende a ser relativizado… Uma religião assim não segura ninguém e não atrai ninguém. Religião é lugar de experimentar a certeza que vem de Deus, não as dúvidas e vacilações dos tateamentos das opiniões humanas.

É preciso que as opiniões cedam lugar à certeza da fé da Igreja! A Igreja não deve cair em falsas soluções de um cristianismo FROUXO e agradável ao mundo, de uma moral ao sabor da moda, de um ecumenismo compreendido de modo torto e de um diálogo inter-religioso que coloque Cristo no mesmo nível das outras tradições religiosas.

Ecumenismo e diálogo religioso sim, mas de ACORDO COM A FÉ CATÓLICA!

O remédio para a crise atual e o único verdadeiro futuro da Igreja é a fidelidade total e radical a Cristo, expressa na adesão total à fé católica.

É imprescindível também melhorar e muito a formação dos nossos padres e religiosos. Como está, está ruim.

Dom Henrique Soares Bispo da Diocese de Palmares – PE

A VALORIZAÇÃO DA EUCARISTIA

Arquidiocese de São Paulo, 20 de Junho de 2019 (CNBB Reginal Sul 1) – Há dois anos, convocamos o primeiro sínodo arquidiocesano de São Paulo e, agora, já estamos no meio do caminho sinodal. A realização de um sínodo é uma experiência eclesial de grande importância e significado, cujos frutos confiamos à ação do Espírito Santo. Nosso sínodo é um “caminho de comunhão, conversão e renovação missionária” para toda a nossa Arquidiocese.

Não existe conversão e renovação missionária, sem uma renovada valorização da Eucaristia na nossa Igreja. A celebração de hoje mostra-nos a estreita relação existente entre Eucaristia, Igreja e missão. A Eucaristia é o Sacramento do Corpo e Sangue de Jesus Cristo, memorial de sua paixão, morte e ressurreição redentora. E a celebração da Eucaristia é o “Sacramento da Igreja”, que a torna visível, real e compreensível. A Igreja faz a Eucaristia mas, ainda mais, é a Eucaristia que faz a Igreja, comunidade dos discípulos reunidos com Jesus Cristo, alimentada, confortada e conduzida por Ele e sempre de novo enviada em missão.

Por isso tudo, hoje desejo recordar a importância da celebração e da participação do Sacramento da Eucaristia e da Missa em nossas paróquias e comunidades. A participação na Missa dominical é um preceito da Igreja, que não foi abolido e deve ser levado bem a sério pelo povo católico. A pesquisa de 2018, sobre a situação religiosa e pastoral da nossa Igreja em São Paulo, mostrou que apenas cerca de 5% (cinco por cento) dos católicos frequentam regularmente a Missa dominical; outros cerca de 25% (vinte e cinco por cento) frequentam a Missa de vez em quando. E são cerca de 70% (setenta por cento) dos católicos paulistanos que não frequentam a Missa nunca, ou quase nunca.

Isso é muito preocupante, pois a não participação regular na Santa Missa tem como consequências quase inevitáveis o distanciamento da Igreja, a não identificação com ela e com sua mensagem e missão, o desconhecimento de seu significado e de sua doutrina, a perda da fé católica e o indiferentismo religioso. A participação regular na Missa dominical é a melhor forma de “iniciação” à fé católica e à participação na vida da Igreja; ela oferece o alimento da fé, aprofunda a comunhão com Deus e com os irmãos, ajuda a sentir-se parte deste “povo de Deus” que crê, celebra, professa, espera e testemunha.

Quem não participa regularmente da Missa dominical por onde alimenta sua fé católica? Caminha sozinho e se priva da força do testemunho da comunidade e não se alegra com essa comunidade. Com facilidade, perde o contato com a Igreja, vai se sentindo estranho a ela e tende a perder a fé católica. Portanto, nesta festa do Corpo e Sangue de Cristo, renovemos nossa fé neste sublime Mistério da fé. Peçamos o perdão, por não valorizarmos bastante esse presente de amor que Cristo nos deixou, para nos lembrarmos sempre dele, como ele nos recomendou: – “fazei isto em memória de mim”. E lhe agradeçamos por ter dado à sua Igreja este precioso dom.

Cardeal Odilo Pedro Scherer Arcebispo Metropolitano de São Paulo

 
 
 

A cada ano observamos estatísticas que mostram a diminuição dos católicos no Brasil, fazemos essa constatação não somente pelas estatísticas, mas principalmente pelo esvaziamento das filas de confissão e pela deterioração moral da sociedade com a qual convivemos diariamente.

Mesmo com tantos sinais, pouco ouvimos falar sobre as principais razões da queda dos católicos no Brasil, nem mesmo a CNBB se preocupa, porém Dom Henrique Soares percebeu e neste breve comentário veio nos apresentar uma das principais causas!

Para alguns, que participam de igrejas em grandes centros, pode parecer estranho falar na “queda de católicos” quando a igreja que frequentam está cheia, entretanto o número dos que não vão à Igreja é muito maior. São os chamados “Católicos de IBGE”.

Uma pesquisa feita em 2018, sobre a situação religiosa e pastoral da Igreja na Arquidiocese de São Paulo, em preparação para o sínodo arquidiocesano de SP, mostrou que apenas cerca de 5% (cinco por cento) dos católicos frequentam regularmente a Missa dominical; outros cerca de 25% (vinte e cinco por cento) frequentam a Missa de vez em quando. E são cerca de 70% (setenta por cento) dos católicos paulistanos que não frequentam a Missa nunca, ou quase nunca.

Antes de ler o comentário de Dom Henrique Soares, vamos entender o que são os católicos de IBGE e a realidade dos católicos no Brasil.

CATÓLICOS DE IBGE

Desde 1940, quando era estimado que quase 100% da população era católica (como vemos no gráfico do final da página), muita coisa mudou. A Igreja Católica perdeu espaço para protestantes, assim como outras denominações religiosas. Mesmo assim, atualmente mais de 60% dos brasileiros se declaram católicos. Porém, como poderemos ver mais abaixo, nem todo aquele que se diz católico, age realmente como católico. Vamos analisar algumas estimativas:

No Brasil, aproximadamente 85% da população se diz cristã. Sendo aproximadamente 65% de católicos.

Agora, se observarmos entre os católicos, apenas 5% dos que se declaram católicos frequentam a missa todos os domingos, como demonstrado na pesquisa realizada na Arquidiocese de São Paulo, o que é muito grave, pois frequentar a missa todos os domingos é um dos mais importantes mandamentos.

Desses 5% que vão à missa todo domingo, muitos vivem de forma irregular, ou seja, fora da graça de Deus, o que significa que não podem receber a comunhão enquanto não regularizarem esta situação, muitas vezes sendo necessário uma drástica mudança de atitudes acompanhada da confissão sacramental. Alguns exemplos de irregularidades graves, frequentes entre católicos: Casais que vivem juntos sem serem casados, ou um casamento de segunda união… namoro indecente… filiação a partidos comunistas… defender o aborto ou ideologia de gênero… vivência da prática homossexual… Não se confessar periodicamente (a igreja recomenda que a confissão seja feita com frequência, ou seja, uma vez por mês), etc…

Na pratica, fica abaixo de 1% o número daqueles que frequentam a missa todos os domingos e que buscam a confissão sacramental com frequência e vivem na graça de Deus, observando os mandamentos e a doutrina da santa Igreja.

Com base nisso, é possível estimar que mais de 95% dos católicos no Brasil vivem em estado de pecado mortal sem se preocuparem com a própria salvação.

Qualquer pecado grave nos faz perder a graça de Deus e nos torna merecedores do inferno. Por exemplo:

– faltar missas dominicais ou de preceito por preguiça e/ou comodismo; – ter ódio do próximo; – frequentar falsas doutrinas; – viver em situação de adultério (amasiamento, segunda união), prática sexual fora do matrimônio, pornografia e masturbação, frequentar ambientes gravemente pecaminosos (boates, discotecas, carnavais, bailes funks, festas raves, etc.); – evitar filhos por meios artificiais; – abortar ou apoiar o aborto; – ingressar, apoiar ou votar em partidos ou organizações de cunho socialista/comunista ou que defendem o aborto e a ideologia de gênero; – prejudicar o próximo com calúnias e difamações; – etc, etc, etc… a lista é grande…

(É sempre útil recordar que um pecado para ser grave, além da matéria grave, necessita que se tenha conhecimento de causa e vontade deliberada. Para entender melhor sobre pecado mortal, leia este artigo.)

Enfim, podemos chegar à conclusão que são muitos os que se declaram católicos, mas em muitos pontos não pensam e nem tem atitudes de católicos! Estes são os católicos de IBGE, que na teoria se declaram católicos mas que na prática acreditam que todas as religiões são boas… Que placa de igreja não salva ninguém… Que o que importa é o amor… Etc., o que difere daquilo que ensina a doutrina da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

SOBRE A QUEDA DOS CATÓLICOS NO BRASIL

Historicamente, nossa catequese deixou muito a desejar e nas últimas décadas piorou muito: é uma catequese de ideias vagas, mais ideológica que propositiva, ambígua, que não tem coragem de apresentar a fé com todas as letras… Ao invés, apresenta a opinião desse ou daquele teólogo… Assim, troca-se a clareza e simplicidade da fé católica (como o Catecismo a apresenta) por complicadas e inseguras explicações, fazendo a fé parecer uma questão de opinião e não uma certeza que vem de Deus; algo acessível a especialistas letrados e não aos simples mortais.

Céu, inferno, anjos, diabo, purgatório, valor da missa, doutrina moral – cada padre diz uma coisa, cada um acha que pode construir sua verdade… Tudo tende a ser relativizado… Uma religião assim não segura ninguém e não atrai ninguém. Religião é lugar de experimentar a certeza que vem de Deus, não as dúvidas e vacilações dos tateamentos das opiniões humanas.

É preciso que as opiniões cedam lugar à certeza da fé da Igreja! A Igreja não deve cair em falsas soluções de um cristianismo FROUXO e agradável ao mundo, de uma moral ao sabor da moda, de um ecumenismo compreendido de modo torto e de um diálogo inter-religioso que coloque Cristo no mesmo nível das outras tradições religiosas.

Ecumenismo e diálogo religioso sim, mas de ACORDO COM A FÉ CATÓLICA!

O remédio para a crise atual e o único verdadeiro futuro da Igreja é a fidelidade total e radical a Cristo, expressa na adesão total à fé católica.

É imprescindível também melhorar e muito a formação dos nossos padres e religiosos. Como está, está ruim.

Dom Henrique Soares Bispo da Diocese de Palmares – PE

A VALORIZAÇÃO DA EUCARISTIA

Arquidiocese de São Paulo, 20 de Junho de 2019 (CNBB Reginal Sul 1) – Há dois anos, convocamos o primeiro sínodo arquidiocesano de São Paulo e, agora, já estamos no meio do caminho sinodal. A realização de um sínodo é uma experiência eclesial de grande importância e significado, cujos frutos confiamos à ação do Espírito Santo. Nosso sínodo é um “caminho de comunhão, conversão e renovação missionária” para toda a nossa Arquidiocese.

Não existe conversão e renovação missionária, sem uma renovada valorização da Eucaristia na nossa Igreja. A celebração de hoje mostra-nos a estreita relação existente entre Eucaristia, Igreja e missão. A Eucaristia é o Sacramento do Corpo e Sangue de Jesus Cristo, memorial de sua paixão, morte e ressurreição redentora. E a celebração da Eucaristia é o “Sacramento da Igreja”, que a torna visível, real e compreensível. A Igreja faz a Eucaristia mas, ainda mais, é a Eucaristia que faz a Igreja, comunidade dos discípulos reunidos com Jesus Cristo, alimentada, confortada e conduzida por Ele e sempre de novo enviada em missão.

Por isso tudo, hoje desejo recordar a importância da celebração e da participação do Sacramento da Eucaristia e da Missa em nossas paróquias e comunidades. A participação na Missa dominical é um preceito da Igreja, que não foi abolido e deve ser levado bem a sério pelo povo católico. A pesquisa de 2018, sobre a situação religiosa e pastoral da nossa Igreja em São Paulo, mostrou que apenas cerca de 5% (cinco por cento) dos católicos frequentam regularmente a Missa dominical; outros cerca de 25% (vinte e cinco por cento) frequentam a Missa de vez em quando. E são cerca de 70% (setenta por cento) dos católicos paulistanos que não frequentam a Missa nunca, ou quase nunca.

Isso é muito preocupante, pois a não participação regular na Santa Missa tem como consequências quase inevitáveis o distanciamento da Igreja, a não identificação com ela e com sua mensagem e missão, o desconhecimento de seu significado e de sua doutrina, a perda da fé católica e o indiferentismo religioso. A participação regular na Missa dominical é a melhor forma de “iniciação” à fé católica e à participação na vida da Igreja; ela oferece o alimento da fé, aprofunda a comunhão com Deus e com os irmãos, ajuda a sentir-se parte deste “povo de Deus” que crê, celebra, professa, espera e testemunha.

Quem não participa regularmente da Missa dominical por onde alimenta sua fé católica? Caminha sozinho e se priva da força do testemunho da comunidade e não se alegra com essa comunidade. Com facilidade, perde o contato com a Igreja, vai se sentindo estranho a ela e tende a perder a fé católica. Portanto, nesta festa do Corpo e Sangue de Cristo, renovemos nossa fé neste sublime Mistério da fé. Peçamos o perdão, por não valorizarmos bastante esse presente de amor que Cristo nos deixou, para nos lembrarmos sempre dele, como ele nos recomendou: – “fazei isto em memória de mim”. E lhe agradeçamos por ter dado à sua Igreja este precioso dom.

Cardeal Odilo Pedro Scherer Arcebispo Metropolitano de São Paulo

 
 
 
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