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CONSTANTINO E A IGREJA

[HISTÓRIA] [IGREJA] [CONCÍLIOS] Uma resumida descrição dos sete Concílios Ecumênicos, feita pelo Metropolita Kallistos Ware. Os sete Concílios, que contaram com a participação de TODA a Igreja, Incluindo Roma, elaboraram e definiram a essência da fé Cristã. As decisões conciliares são os pilares da Igreja Ortodoxa, que guarda de maneira estrita e inexorável suas resoluções.

“Bizâncio, a Igreja dos Sete Concílios

A Igreja dos Sete Concílios “Tudo professa que existem sete Concílios Ecumênicos e santos, e estes são os sete pilares da fé do Verbo Divino nos quais Ele erigiu sua santa morada, a Igreja Ecumênica e Católica” (João II, Metropolita da Rússia, 1800-1889).

Constantino se coloca como um divisor na história da Igreja. Com sua conversão, o tempo dos martírios e das perseguições chegou ao fim, e a Igreja das Catacumbas tornou-se a Igreja do Império. O primeiro grande efeito da visão de Constantino foi o assim chamado “Edito” de Milão, que ele e seu companheiro Imperador Licínio editaram em 313, proclamando a tolerância oficial à fé cristã. E, embora, a princípio, Constantino garantisse não mais do que tolerância, ele em breve deixou claro que tinha a intenção de favorecer o cristianismo sobre todas as outras religiões toleradas no Império Romano.

Teodósio, no prazo de cinqüenta anos após a morte de Constantino, havia levado a cabo sua política: em sua legislação ele tornou o cristianismo não apenas a mais favorecida, mas a única religião reconhecida do Império. A Igreja agora estava estabelecida. “Vocês não estão autorizados a existir”, as autoridades romanas disseram uma vez aos cristãos. Agora era a vez do paganismo ser suprimido.

A visão da cruz que teve Constantino, levou-o também durante sua existência, a tomar duas outras atitudes, igualmente oportunas para o posterior desenvolvimento do cristianismo. Primeiro, em 324 ele decidiu mudar a capital do Império Romano em direção ao Oriente, da Itália para as margens do Bósforo. Ali, no local da cidade grega de Bizâncio, ele construiu uma nova capital, a qual chamou “Constantinoupolis”, seu nome. Os motivos dessa mudança foram em parte econômicos e políticos, mas foram também religiosos; a velha Roma estava muito impregnada com associações pagãs para ser o centro do Império Cristão que ele imaginava. Na Nova Roma, as coisas seriam diferentes após a solene inauguração da cidade em 330, ele decretou que em Constantinopla jamais seriam realizados ritos pagãos. A nova capital de Constantino exerceu uma influência decisiva no desenvolvimento da história da Ortodoxia.

Em seguida Constantino reuniu o primeiro Concílio Geral ou Ecumênico da Igreja de Cristo em Nicéia em 325. Se era para o Império Romano ser um Império Cristão, Constantino desejava vê-lo firmemente estruturado na fé Ortodoxa. Este era o dever do Concílio de Nicéia, elaborar a essência de tal fé. Nada poderia ter simbolizado mais claramente a nova relação entre a Igreja e o Estado do que as aparentes circunstâncias dessa reunião em Nicéia. O próprio Imperador presidiu, “como um mensageiro celeste de Deus”, como um dos presentes, Euzébio, Bispo de Cesaréia, o definiu. Ao término do Concílio os bispos jantaram com o Imperador. “As circunstâncias do banquete”, escreveu Euzébio (que tinha a tendência de se impressionar com tais coisas) “foram esplêndidas além de qualquer descrição. Guarnições da guarda pessoal e outras tropas rodeavam a entrada do palácio com as espadas desembainhadas e pelo meio destes, os homens de Deus entravam sem medo para os aposentos imperiais. Alguns faziam companhia ao Imperador à mesa, outros se reclinavam em divãs enfileirados em ambos os lados. Podia-se pensar tratar-se de uma pintura do reino de Cristo e de sonho em vez de realidade. As coisas certamente haviam mudado desde o tempo em que Nero usou cristãos como tochas vivas para iluminar seus jardins à noite. Nicéia foi o primeiro de sete Concílios Gerais; e este, assim como a cidade de Constantino, ocupa uma posição central na história da Ortodoxia”.

Os três acontecimentos – o Edito de Milão, a fundação de Constantinopla e o Concílio de Nicéia – marcam a maioridade da Igreja. Os primeiros seis Concílios Ecumênicos (325-681)

A vida da Igreja no período inicial bizantino é dominada pelos Sete Concílios Gerais. Estes Concílios preencheram uma tarefa dupla. Primeiro, eles esclareceram e articularam a organização visível da Igreja, tornando clara a posição das cinco grandes Sedes ou Patriarcados, como vieram a ser conhecidos. Segundo e mais importante, os Concílios definiram de vez por toda os ensinamentos da Igreja sobre as doutrinas fundamentais da fé cristã – a Trindade e a Encarnação. Todos os cristãos concordam em encarar tais coisas como “mistérios” os quais se encontram além da linguagem e compreensão humanas. Os bispos, quando redigiam definições nos Concílios, não intencionavam explicar o mistério, apenas procuravam eliminar certas maneiras erradas de falar e raciocinar sobre ele. Para impedir que os homens se desviassem em erro ou heresia, eles tão somente esclareciam o modo correto de se referir ao mistério.

As discussões nos Concílios às vezes parecem abstratas e remotas, embora tenham uma finalidade prática: a salvação do homem. O homem, como ensina o Novo Testamento, é separado de Deus pelo pecado, e não pode por seus próprios meios romper a barreira que o pecado criou. Deus, portanto tomou a iniciativa: tornou-se homem, foi crucificado, e ressuscitou, libertando desta forma a humanidade da prisão do pecado e da morte. Esta é a mensagem central da fé cristã e é a mensagem de redenção que os Concílios estavam preocupados em salvaguardar. As heresias eram perigosas e exigiam condenação, pois prejudicavam o ensinamento do Novo Testamento, criando uma barreira entre o homem e Deus, tornando assim impossível para o homem atingir a salvação total.São Paulo exprimiu essa mensagem de redenção em termos de participação. Cristo participou de nossa pobreza para que pudéssemos participar das riquezas de sua divindade: “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre pelo amor de vós, para que pela sua pobreza vos tornásseis ricos” (2 Coríntios 8:9). No Evangelho de São João é encontrada a mesma idéia de modo ligeiramente diferente.

Cristo declara que Ele deu a seus discípulos uma participação na divina glória e Ele ora para que possam alcançar a união com Deus: “Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado para que sejam um como nós o somos; eu neles e Tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que Tu me enviaste, e os amaste como também amaste a mim” (João 17:22-23). Os Padres Gregos tomaram este e outros textos similares em seu sentido literal e ousaram falar da “deificação” do homem (do grego theosis). Se é para o homem participar da glória de Deus, eles dizem, se é para que sejam “aperfeiçoados na unidade” com Deus, isto significa de fato que o homem precisa ser “deificado”. Ele é chamado para tornar-se, pela graça, o que Deus é por natureza. A este respeito, Santo Atanásio resumiu a finalidade da Encarnação com o seguinte: “Deus tornou-se homem para que possamos nos tornar Deus”.Assim, se este “tornar-se Deus, esta theosis, é possível, Cristo o Salvador deve ser ambos, completamente homem e completamente Deus. Ninguém a não ser Deus pode salvar o homem. Portanto, se Cristo é quem salva, ele deve ser Deus. Mas apenas se ele for verdadeiramente homem, como somos, podemos nós homens participar naquilo que ele fez por nós. É firmada uma ponte entre Deus e o homem pelo Cristo Encarnado, homem-Deus. “E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem” (João 1:51). Não apenas os Anjos usam aquela escada mas toda a raça humana.

Cristo deve ser completamente Deus e completamente homem. Cada heresia, a seu tempo, nega alguma parte desta afirmação vital. Ou Cristo foi criado menos do que Deus (arianismo); ou sua humanidade era tão afastada de sua divindade que ele tornou-se duas pessoas em vez de uma (nestorianismo), ou Ele não era apresentado como verdadeiramente homem (monofisismo, monotelismo). Cada Concílio defendia esta afirmação. Os dois primeiros, ocorridos no século IV, concentraram-se na primeira parte (de que Cristo deve ser completamente Deus) e formularam a doutrina da Trindade. Os quatro seguintes nos séculos V, VI e VII, concentraram-se na segunda parte (a plenitude da humanidade de Cristo) e também procuraram explicar como humanidade e divindade podiam ser unidas numa única pessoa. O sétimo Concílio, em defesa dos Santos Ícones, parece, à primeira vista, afastado da questão; mas, como os primeiros seis, estava basicamente relacionado com a Encarnação e a salvação do homem.

4.1 – Nicéia: I Concílio Ecumênico

A principal realização do Concílio de Nicéia em 325 foi a condenação do arianismo. Arius, um padre de Alexandria, sustentava que o Filho era inferior ao Pai e, ao traçar uma linha divisória entre Deus e a criação, ele colocou o Filho entre as coisas criadas: uma criatura superior, é verdade, mas uma criatura. Sua intenção, sem dúvida, era proteger a unidade e transcendência de Deus, mas o efeito de seus ensinamentos, fazendo Cristo menos do que Deus, tornava a deificação do homem impossível. Apenas se Cristo for verdadeiramente Deus, o Concílio respondeu, poderá nos unir a Deus, pois ninguém além de Deus poderá abrir para o homem o caminho da união. Cristo é “um em essência” (homoousios) com o Pai. Ele não é um semideus ou uma criatura superior, mas Deus da mesma forma que o Pai é Deus: “Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”, o Concílio proclamou no Credo que redigiu, “gerado não criado, consubstancial ao Pai.”O Concílio de Nicéia tratou também da organização visível da Igreja. Fazendo referência aos três grandes centros: Roma, Alexandria e Antioquia (Cânone VI). Ele também dispôs que à Sé de Jerusalém, mesmo permanecendo sujeita ao Metropolita de Cesaréia, deveria ser dado o próximo lugar de honra após essas três (Cânone VII).

Constantinopla obviamente não foi mencionada, uma vez que ainda não havia sido oficialmente inaugurada como capital, o que somente aconteceu cinco anos depois; ela continuava sujeita como antes, ao Metropolita de Heraclea.

4.2 – I Constantipolitano: II Concílio Ecumênico

O trabalho de Nicéia foi retomado pelo segundo Concílio Ecumênico, realizado em Constantinopla em 381. Este Concílio aumentou e adaptou o Credo de Nicéia, desenvolvendo em particular os ensinamentos a respeito do Espírito Santo, de quem afirmava ser Deus da mesma forma que o Pai e o Filho o são: “que procede do Pai e com o Pai e o Filho recebe a mesma adoração e a mesma glória”. O Concílio alterou também o conteúdo do sexto Cânone de Nicéia. A posição de Constantinopla, agora capital do Império, não podia mais ser ignorada, e lhe foi designado o segundo lugar, após Roma e antes de Alexandria. “O Bispo de Constantinopla deve ter prerrogativas de honra após o Bispo de Roma, pois Constantinopla é a nova Roma” (Cânone III).Por trás das definições do Concílio existia o trabalho de teólogos que davam precisão às formulações que o Concílio empregava. Era a suprema realização de Santo Atanásio de Alexandria, extrair todas as implicações das palavras-chaves no Credo de Nicéia; homoousios, um na essência ou substância, consubstancial.

Complementando seu trabalho havia o dos três Padres Capadócios, São Gregório de Nazianzo, conhecido na Igreja Ortodoxa como Gregório, o Teólogo (329-390), São Basílio, o Grande (330-379) e seu irmão caçula São Gregório de Nissa (morto em 394). Enquanto Atanásio enfatizava a unidade de Deus – Pai e Filho são um em essência (ousia) – os capadócios enfatizavam a trindade divina – Pai, Filho e Espírito Santo são três pessoas (hypostaseis). Preservando um equilíbrio delicado entre a trindade e a unidade em Deus, eles deram significado total ao clássico sumário da doutrina Trinitária, três pessoas em uma essência. Nunca até então a Igreja havia possuído quatro teólogos de tal envergadura em uma única geração.

4.3 – Éfeso: III Concílio Ecumênico

Após 381 o arianismo deixou rapidamente de ser uma questão empolgante, exceto em certas partes da Europa Oriental. O aspecto polêmico do trabalho do Concílio está no seu terceiro Cânone, do qual se ressentiram igualmente Roma e Alexandria. A Velha Roma se questionava aonde as pretensões da Nova Roma terminariam. Não poderia Constantinopla vir a reivindicar o primeiro lugar? Roma decidiu ignorar o Cânone ofensivo e somente no Concílio de Latrão (1215) o Papa reconheceu formalmente a reivindicação de Constantinopla de segundo lugar. (Constantinopla encontrava-se naquela época nas mãos dos Cruzados e sob a legislação de um Patriarca latino). Mas o Cânone era igualmente um desafio para Alexandria, que até então havia ocupado o primeiro lugar no Oriente. Os setenta anos seguintes testemunharam um agudo conflito entre Constantinopla e Alexandria e, por um tempo, a vitória foi para a última. O primeiro grande sucesso de Alexandria foi no Sínodo de Oak, quando Teófilo de Alexandria garantiu a deposição e o exílio do Bispo de Constantinopla, São João Crisóstomo, “João Boca de Ouro” (344-407). Um pregador fluente e eloqüente – seus sermões duravam freqüentemente uma hora ou mais.

João expressava de forma popular as idéias teológicas, formuladas por Atanásio e pelos Capadócios. Um homem de vida austera e meticulosa, inspirado por uma profunda, compaixão pelos pobres e por um ardoroso zelo por justiça social. De todos os Padres ele talvez seja o mais amado da Igreja Ortodoxa, e o que tem seus trabalhos mais lidos.

O segundo grande sucesso de Alexandria foi conseguido pelo sobrinho e sucessor de Teófilo, São Cirilo de Alexandria (morto em 444), que provocou a queda de outro Bispo de Constantinopla, Nestório, no Terceiro Concílio Ecumênico realizado em Efeso (431). Mas em Éfeso havia mais em jogo do que a rivalidade de duas Sés. Assuntos doutrinais, adormecidos desde 381 despertaram de novo, centralizados agora não mais na Trindade, mas na Pessoa do Cristo. Cirilo e Nestório concordavam que Cristo era completamente Deus, um da Trindade, mas divergiam em suas descrições ‘de sua humanidade e em seus métodos de explicar’ a união de Deus e homem numa única pessoa.

Eles representavam diferentes tradições ou escolas de teologia. Nestório cresceu na escola de Antioquia, mantida a integridade da humanidade de Cristo, mas distinguia tão enfaticamente a humanidade e a divindade que parecia correr o risco de terminar, não com uma pessoa, mas com duas coexistindo no mesmo corpo. Cirilo, o protagonista da tradição oposta de Alexandria, partia da unidade da pessoa do Cristo, antes que da diversidade de sua humanidade e de sua divindade, mas falava da humanidade de Cristo com menos empolgação que o antioquino. Qualquer uma das teses, se pressionada com força, poderia tornar-se herética, e a Igreja necessitava de ambas para formar uma imagem equilibrada de todo o Cristo. Foi uma tragédia para o cristianismo que as duas escolas, em vez de se equilibrarem mutuamente, entraram em conflito.

Nestório precipitou a controvérsia se recusando chamar a Virgem Maria “Mãe de Deus” (Theotokos). Este título já era aceito na devoção popular, mas parecia a Nestório implicar uma confusão na humanidade de Cristo e sua divindade. Maria, ele questionava, e aqui fica evidente seu “separatismo” antioquino – somente deve ser chamada “Mãe do Homem” ou no máximo “Mãe do Cristo”, uma vez que ela é mãe apenas da humanidade de Cristo, não de sua divindade. Cirilo, apoiado pelo Concílio respondeu com o texto “E o Verbo se fez carne” (S. João l:4): Maria é a mãe de Deus, pois “ela deu à luz o Verbo de Deus feito carne.” A quem Maria deu à luz não era um homem vagamente unido à Deus, mas uma única e íntegra pessoa, que é Deus e homem ao mesmo tempo. O nome Theotokos salvaguarda da unidade da pessoa do Cristo: negar-lhe tal titulo significa separar o Cristo Encarnado em dois, rompendo a ponte entre Deus e o homem e erigindo na pessoa do Cristo um muro de separação. Assim podemos ver que não apenas títulos de devoção estavam envolvidos em Efeso, mas a própria mensagem de salvação. A mesma primazia que a palavra homoousios ocupa na doutrina da Trindade, a palavra Theotokos tem na doutrina da Encarnação.

Alexandria teve outra vitória no segundo Concílio realizado em Efeso em 449, contudo essa reunião, ao contrário de sua predecessora de 431, não foi aceita pela totalidade da Igreja. Sentiu-se que o partido de Alexandria havia ido dessa vez longe demais. Dióscoro e Eutiques, levando a extremos os ensinamentos de Cirilo, sustentavam que em Cristo havia não apenas uma unidade de pessoas, mas uma única natureza – Monofisismo. Parecia a seus oponentes – embora os monofisitas negassem que se tratava de mera interpretação de seus pontos de vista – que tal modo de falar punha em perigo a totalidade da humanidade de Cristo, a qual no monofisismo, tornou-se tão amalgamada com sua divindade que poderia ser engolida como uma gota no oceano.

4.4 – Calcedônia: IV Concílio Ecumênico

Apenas dois anos mais tarde, o Imperador convocou na Calcedônia uma nova reunião de bispos, que a Igreja de Bizâncio e o ocidente consideram como o quarto Concílio Geral. O pêndulo agora voltou em direção aos antioquinos. O Concílio reagiu tenazmente contra a terminologia monofisita e afirmou que embora Cristo seja uma pessoa, existe n’Ele, não uma, mas duas naturezas. Os bispos aclamaram o Livro de São Leão o Grande, Papa de Roma (morto em 461), no qual as duas naturezas estão claramente distinguidas. Em sua proclamação de fé eles afirmavam sua crença em “um e verdadeiro Filho, perfeito na divindade e perfeito na humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem…, reconhecido em duas naturezas inconfundíveis, imutáveis, indivisíveis, inseparáveis; a diferença entre as naturezas não é de forma alguma removida por causa da união, ao contrário a propriedade peculiar de cada natureza é preservada e ambas combinam em uma pessoa e em uma hipostase”. A Definição de Calcedônia, pode-se notar, não é dirigida apenas aos monofisitas (“em duas naturezas, inconfundíveis, imutáveis), mas também aos seguidores de Nestório (“um e verdadeiro Filho… indivisível, inseparável).Mas Calcedônia foi mais do que uma derrota para a teologia de Alexandria: foi uma derrota para os apelos de Alexandria de governadora suprema no Oriente. O Cânone XXVIII de Calcedônia confirmou o Cânone III de Constantinopla, assegurando à Nova Roma o próximo lugar em honra logo após a velha Roma. Leão repudiou este cânone, mas o Oriente, desde então, reconheceu sua validade.

O Concílio também emancipou Jerusalém da jurisdição de Cesaréia e lhe deu o quinto lugar entre as grandes Sedes. O sistema mais tarde conhecido entre os ortodoxos como Pentarquia agora estava completo, por meio do qual cinco grandes Sedes da Igreja eram mantidas em honra especial e uma dada ordem de precedência foi estabelecida entre elas: em ordem decrescente:

Roma; Constantinopla; Alexandria; Antioquia; Jerusalém. Todas as cinco reivindicavam fundação apostólica. As quatro primeiras eram as mais importantes cidades do Império Romano; a quinta foi anexada por tratar-se do lugar onde Cristo sofreu na cruz e ressuscitou dos mortos. O bispo de cada uma dessas cidades recebia o título de Patriarca. Os cinco patriarcados dividiam entre eles em esferas de jurisdição todo o mundo conhecido, com exceção de Chipre, a quem foi garantido independência pelo Concílio de Éfeso e permaneceu independente desde então.

Quando se fala da concepção ortodoxa de Pentarquia existem dois prováveis mal entendidos que devem ser evitados. Primeiro, o sistema de Patriarcas e Metropolitas é um assunto relativo à organização eclesiástica. Contudo, se olharmos a Igreja do ponto de vista não de ordem eclesiástica, mas de direito divino, então temos que dizer que todos os bispos são essencialmente iguais, por mais humilde ou nobre que seja a cidade que ele preside. Todos os bispos participam igualmente na sucessão apostólica, todos têm os mesmos poderes sacramentais e todos são divinamente indicados mestres da fé. Se surge uma disputa sobre doutrina, não é suficiente aos Patriarcas expressar sua opinião: todos os bispos das dioceses tem o direito de assistir ao Concílio Ecumênico, de falar e de votar. O sistema da Pentarquia não reduz a igualdade essencial de todos os bispos, nem priva cada comunidade local da importância que Inácio lhes havia assegurado.

Em segundo lugar, os ortodoxos acreditam que entre os cinco Patriarcas o Papa tem um lugar de destaque. A Igreja Ortodoxa não aceita a doutrina da autoridade papal, publicada nos decretos do Concilio Vaticano de 1870, e ensinada hoje na Igreja Católica Romana; mas ao mesmo tempo, a Ortodoxia não nega à Santa e Apostólica Sé de Roma, uma primazia de honra, junto com o direito (sob certas condições) de atender chamados de todas as partes da cristandade. Note que usamos a palavra “primazia”, não “supremacia.”

Os ortodoxos consideram o Papa como o Bispo “que preside no amor,” para adaptar uma frase de Santo Inácio: o erro de Roma, assim crêem os ortodoxos – foi tornar essa primazia ou “presidência de amor” em supremacia de jurisdição e força externa.Esta primazia que Roma goza tem sua origem em três fatores. Primeiro, Roma foi a cidade onde São Pedro e São Paulo foram martirizados e onde Pedro foi bispo. A Igreja Ortodoxa reconhece Pedro como o primeiro entre os apóstolos: ela não esquece os célebres “textos Petrinos” nos Evangelhos (Mateus 16:18-19; Lucas 22:32; João 21:15-17) – embora os teólogos ortodoxos não entendam estes textos da mesma forma que os comentaristas católicos romanos modernos. E enquanto muitos teólogos ortodoxos diriam que não apenas o Bispo de Roma, mas todos os bispos são sucessores de Pedro, muitos deles ao mesmo tempo admitem que o Bispo de Roma é sucessor de Pedro de uma forma especial.

Em segundo, a sé de Roma também possuía sua primazia na posição ocupada pela cidade de Roma no Império: ela era a capital, a cidade principal do mundo antigo, e como tal em certa medida ela continuou a ser mesmo após a fundação de Constantinopla.

Em terceiro embora houvesse ocasiões em que o Papa caisse em heresia, de um modo geral durante os oito primeiros séculos da história da Igreja, a sé romana se destacava pela pureza de sua fé: outros patriarcados oscilavam durante as grandes disputas doutrinais, mas Roma geralmente permanecia firme. Quando bastante pressionada na batalha contra os heréticos, os homens sabiam que podiam confiar no Papa. Não apenas o Bispo de Roma, mas todo bispo é indicado por Deus para ser um mestre da fé; seja porque a sé de Roma havia na prática ensinado a fé com uma destacada lea1dade a verdade, era acima de tudo à Roma que os homens pediam orientação nos primeiros séculos, da Igreja.

Mas como com os Patriarcas, também com o Papa; a primazia assegurada por Roma não sobrepõe a igualdade essencial de todos os bispos. O Papa é o primeiro bispo na Igreja – mas ele é o primeiro entre iguais.

Éfeso e Calcedônia foram a base da Ortodoxia, mas formam também um marco de ofensas. Os arianos se reconciliaram gradualmente e não formaram um cisma duradouro. Mas até os dias de hoje existem cristãos nestorianos que não aceitam as decisões de Efeso e monofisitas que não aceitam as de Calcedônia. Os nestorianos em sua maioria ficaram fora do Império e se ouviu muito pouco a respeito deles na história bizantina. Contudo, grande número dos monofisitas, particularmente no Egito e Síria, ficaram súditos do Imperador, e numerosos e mal sucedidos esforços foram feitos para trazê-los de volta à comunhão com a Igreja de Bizâncio. Como acontece com freqüência, diferenças teológicas tornam-se mais amargas por tensões nacionais e culturais. Egito e Síria, ambos predominantemente não gregos na língua e cultura, se ressentiam do poder da grega Constantinopla, tanto em questões religiosas como políticas. Assim, um cisma eclesiástico foi reforçado por separatismo político. Não fossem por tais fatores teológicos ambos os lados poderiam talvez ter alcançado uma compreensão teológica após Calcedônia. Estudiosos modernos estão inclinados a pensar que a diferença entre monofisitas e calcedônios foi basicamente de terminologia: os dois partidos usavam linguagem diferente, mas intimamente ambos estavam preocupados em manter as mesmas crenças.

4.5 – V e VI Concílios Ecumênicos

A Definição de Calcedônia foi suplementada pelos dois concílios seguintes, ambos realizados em Constantinopla. O quinto Concílio Ecumênico (553) reinterpretou os decretos de Calcedônia de um ponto de vista alexandrino e procurou explicar em termos mais construtivos do que Calcedônia havia usado, como as duas naturezas de Cristo se uniram para formar uma única pessoa. O sexto Concílio Ecumênico (680-1) condenou a heresia monotelista, uma nova forma de monofisismo. Os monotelistas argumentavam que embora Cristo tenha duas naturezas e sendo Ele uma única pessoa, ele tem apenas uma vontade. O Concílio respondeu que se Ele tem duas naturezas, então Ele deve ter duas vontades. Os monotelistas como os monofisitas depreciavam a totalidade da humanidade de Cristo, uma vez que humanidade sem vontade humana seria incompleta, uma mera abstração. Uma vez que Cristo é verdadeiro homem e verdadeiro Deus, Ele deve ter uma vontade humana assim como uma divina.

Durante os cinqüenta anos antes do encontro do sexto concílio, Bizâncio confrontou um repentino e alarmante acontecimento: o surgimento do Islam. O fato mais surpreendente sobre a explosão do Islam é sua velocidade. Quando o Profeta morreu em 632, sua autoridade pouco se estendia além de Hejaz. Mas em quinze anos seus seguidores árabes haviam tomado a Síria, Palestina e Egito; nos próximos cinqüenta anos eles estavam nos muros de Constantinopla e quase capturaram a cidade; em cem anos haviam varrido o Norte da África, avançado através da Espanha, e forçado a Europa ocidental a lutar por sua vida na batalha de Poitiers. As invasões árabes foram chamadas “uma explosão centrífuga, dirigindo em todas as direções pequenos corpos de cavaleiros montados, em guerra de comida, saque e conquista. Os antigos impérios não estavam em condições de resistir a eles. O cristianismo sobreviveu, mas com dificuldades. Os bizantinos perderam suas possessões orientais e os três Patriarcados de Alexandria, Antioquia e Jerusalém passaram para controle dos infiéis; com o Império Cristão do Oriente, o Patriarcado de Constantinopla estava agora sem rival. Desde então, Bizâncio nunca mais se viu livre dos ataques dos maometanos e embora tenha resistido mais oito séculos ao final ela sucumbiu. Nicéia: o VII Concílio Ecumênico

Os santos ícones

As disputas referentes à Pessoa do Cristo não cessaram com o Concílio de 681, mas foram expandidas de forma diferente nos séculos oitavo e nono: a luta centrada nos Santos Ícones, as pinturas de Cristo, da Mãe de Deus, e dos Santos, que eram mantidas e veneradas nas igrejas e nas casas. Os iconoclastas ou destruidores de ícones, desconfiados de qualquer arte religiosa que representasse seres humanos ou Deus, exigiam a destruição dos ícones; o partido oposto, os defensores ou veneradores de ícones, defendiam vigorosamente o lugar dos ícones na vida da Igreja. A luta não foi apenas um conflito entre duas concepções de arte cristã. Questões mais profundas estavam envolvidas aí, o caráter da natureza humana de Cristo, a atitude cristã em relação ao assunto, o significado verdadeiro da redenção cristã.

Os iconoclastas podem ter sido influenciados por conceitos dos judeus e islâmicos, e é significativo que três anos antes da primeira erupção do iconoclasmo no Império Bizantino, o califa maometano Yezid ordenou a remoção de todos os ícones de seus domínios, Mas o iconoclasmo não foi simplesmente importado de fora; mesmo no cristianismo sempre existiram posições “puritanas”, que condenavam os ícones porque parecia haver nas imagens uma latente idolatria. Quando os imperadores isaurianos atacaram os ícones, eles encontravam bastante apoio dentro da Igreja. Exemplo típico dessa posição puritana é a atitude de São Epifânio de Salamis (315-403), que ao encontrar numa igreja do interior da Palestina uma cortina de pano com figura de Cristo, rasgou-a com indignação. Esta atitude foi sempre violenta na Ásia Menor, e alguns afirmam que o movimento iconoclasta foi um protesto asiático contra a tradição grega. Mas há dificuldades em tal ponto de vista; a controvérsia foi realmente uma divisão dentro da tradição grega.

A controvérsia iconoclasta que durou por volta de 120 anos se dá em duas fases. O primeiro período iniciou-se em 726 quando Leão III começou seu ataque aos ícones, e terminou em 780 quando a Imperatriz Irene suspendeu a perseguição. A posição dos defensores foi mantida pelo sétimo e último Concílio Ecumênico (787), que se reuniu (como o primeiro) em Nicéia. Ícones, o concílio proclamou, devem ser mantidos nas Igrejas e honrados com a mesma relativa veneração como outros símbolos materiais, como “a cruz preciosa e vivificante” e o Livro dos Evangelhos. Um novo ataque aos ícones, começou, com Leão V, o Armênio, em 815, e continuou até 843 quando os ícones foram novamente reintegrados, desta vez permanentemente por outra Imperatriz, Teodora. A vitória final das Santas Imagens em 843 é conhecida como “Triunfo da Ortodoxia”, e é comemorada com o ofício especial celebrado no “Domingo da Ortodoxia,” o primeiro domingo da Grande Quaresma. Durante este ofício a fé verdadeira – Ortodoxia – é proclamada, seus defensores são honrados e anátemas são declarados a todos os que atacam os santos ícones ou os Concílios Ecumênicos:A todos aqueles que rejeitam os Concílios dos Santos Padres e suas tradições as quais estão de acordo com a revelação divina as quais a Igreja Católica Ortodoxa piamente mantém, ANÁTEMA! ANÁTEMA! ANÁTEMA!

O maior defensor dos ícones no primeiro período foi São João Damasceno (675?-749), no segundo São Teodoro Estudita (759-826). João pode trabalhar mais livremente porque ele trabalhava em território islâmico, fora do alcance do governo bizantino. Não foi a última vez que o Islam agiu, sem intenção, como protetor da ortodoxia. Uma das características mais distintas da ortodoxia é a posição que ela atribui aos ícones. Uma igreja ortodoxa de hoje é cheia deles: dividindo o santuário da nave existe uma parede, a iconostase totalmente coberta de ícones, enquanto outros ícones são colocados em sacrários em volta da igreja; e as paredes são cobertas por ícones às vezes em afresco ou mosaico. Um ortodoxo prostra-se em frente desses ícones, beija-os e acende velas na frente deles; eles são incensados pelo padre e levados em procissão. O que significam estes gestos e as atitudes? O que significam os ícones e porque João Damasceno e os outros os consideravam tão importantes?

Devemos considerar primeiro a carga de idolatria que os iconoclastas lançaram contra os defensores dos ícones; e então o valor positivo dos ícones como meio de instrução; e finalmente sua importância doutrinal. A questão da idolatria. Quando um ortodoxo beija um ícone ou se prostra diante dele, ele não está cometendo idolatria. O ícone não é um ídolo, mas um símbolo; a veneração feita às imagens é direta, não dirigida à pedra, madeira e tinta, mas dirigida à pessoa retratada. Isto foi salientado por Leôncio de Nápoles (morto cerca de 650) algum tempo antes da controvérsia iconoclasta: Não nos prostramos diante da natureza da madeira, mas reverenciamos e nos prostramos diante d’Ele que foi crucificado na Cruz… Quando dois eixos da Cruz são postos juntos adoro a figura do Cristo que foi crucificado na Cruz, mas se os dois eixos são separados, jogo-os fora e os queimo. Pelo fato dos ícones serem apenas símbolos, os ortodoxos não os adoram, mas os reverenciam e veneram. João Damasceno distinguiu cuidadosamente entre a honra relativa ou veneração dedicada aos símbolos materiais e a adoração devida somente a Deus.

 
 
 

O grande cisma da Igreja CatóIica e ortodoxa, uma questão política ou teológica?

Ao longo da história, Constantinopla têm-se mostrado um patriarcado de pouca confiança, antes do grande cisma houveram pequenos cismas, Constantinopla já adotou a heresia Ariana, e por vários momentos mostra-se que não merece confiança, já selaram acordos com Roma para terminar o cisma, mas logo que conseguem sair de um momento de crise voltam a defender com toda sua arrogância ás questões que levaram ao grande cisma que foram orquestrados por Fócio e Miguel Cerulário, vejamos um desses momentos de acordo e também os grandes motivos para o grande cisma.


Vinte e nove anos depois do primeiro concilio de Lyon celebrou-se nesta cidade um segundo, que é o décimo quarto ecumênico, e cujo objetivo principal foi a volta dos gregos à unidade católica. O patriarcado latino unido em Constantinopla acabara em 1261 com o reinado de Balduíno II, que foi expulso por Miguel Paléologo, primeiro imperador da última dinastia grega. Este príncipe, político astuto, precisando da proteção da santa sé, quer contra os maometanos, quer contra o rei da Sicília, que o ameaçava, trabalhou muito para a reunião da Igreja do Oriente com a Igreja latina. Neste intuito, o Papa Gregório X convidou o imperador do Oriente, bem como os outros príncipes católicos, a virem com os bispos gregos ao concílio geral de Lyon. Miguel não não foi, mas mandou embaixadores e vários bispos das primeiras sedes. A assembleia composta de quinze cardeais, quinhentos bispos, setenta abades, perto de mil doutores, e também dos embaixadores de França, Alemanha, da Inglaterra, e e do rei de Aragão pessoalmente. O concílio foi presidido pelo Papa e celebrou-se na catedral de S. João. Todos os prelados da Igreja latina foram ao encontro dos representantes da Igreja grega até fora da cidade, e os conduziram com grande solenidade no ao Papa, que lhes recebeu de pé o lhes deu o ósculo da paz com todos os sinais de um paternal afeto. De seu lado, os gregos tributaram ao Papa todas as homenagens devidas ao vigario de Jesus Cristo. Apresentaram as cartas do imperador e dos bispos do Oriente, e disseram, que vinham render toda. a obediência à Igreja romana e professor a mesma fé com ela. Logo depois da sua chegada, no dia da festa São Pedro, assistiram á missa, que o Papa celebrou na catedral, perante todo o concílio. O símbolo cantou-se primeiramente em latim; os gregos o cantaram depois na sua língua e repetiram três vezes estas palavras: Que procede do Pai e do Filho, Filioque procedit. Todo o orbe, católico exultou de alegria com o concilio de Lyon. S. Boaventura, que estava presente e foi encarregado do pregar o sermão da abertura, tomou para tema estas belas palavras do profeta: « Levanta-te, Jerusalém; dirige as tuas vistas para. o Oriente, e do alto dos montes contempla os teus filhos, que se congregam desde o Oriente até ao Ocidente.» — mas este júbilo durou pouco; pois, em consequência do fanatismo, da ignorância, e das intrigas, que levaram Miguel Paléologo a dissimular ou a variar, as esperanças dadas pela Igreja grega foram frustradas. Depois de algumas perturbações havidas na volta dos deputados,o cisma. manteve-se como de antes.

O segundo concílio de Lyon fez várias constituições concernentes á fé, ás eleições dos bispos, ás ordenações dos clérigos, ao conclave dos Cardeais, á autoridade suprema dos Papas, etc. Eis o seu decreto sobre este último e importante assunto: «A Santa Igreja Romana possuo a soberania e o pleno primado e principado sobre toda a. Igreja católica, e reconhece com verdade e humildade ter a recebido, com a plenitude do poder, do Senhor mesmo, na pessoa de S. Pedro, príncipe e chefe dos Apóstolos, do qual o pontífice romano é sucessor; e da mesma maneira, que esta Igreja é obrigada, sobre todas as outras, a defender a verdade e a fé, e a decidir todas as questões a este respeito. » Vê-se por estas palavras tão claras e formais o que é a Igreja romana, na constituição da. Igreja. católica. E se as controvérsias da fé devem ser decididas pelo Papa, não é ele por isso mesmo Infalível? (D. Gueranger, monarquia pontifical, 1274 — padre RIVAUX, tratado de História eclesiástica, tomo II, 1877)



A união das Igrejas também não se efetivou. Houve um momento em que pareceu que Sim. Miguel VIII Paléologo, ameaçado por Carlos de Anjou – — que, logo depois do caso de Túnis, se lançara sobre a Albânia —, enviou a Gregório X o patriarca Beccos para acabar com o cisma. Declarava aceitar o Credo romano, incluído o Filioque, o uso dos ázimos e o primado do Papa. No Concilio de Lyon de 1274, a reconciliação parecia selada. Na catedral de São João, os prelados gregos, durante a missa cantada, repetiram três vezes o Filioque, para que todos o ouvissem bem.

Mas, no fundo, isso não passava de uma operação política. O clero grego continuava hostil aos latinos, a esse pontífice que “fomentava a impiedade”, a esse “verdadeiro lobo no redil”. Nas igrejas do Oriente, exaltava-se no púlpito Fócio e Cerulário… A partir de 1278, Nicolau III notou uma evidente má vontade em por em prática as decisões dos acordos de Lyon. Com Martinho IV l, inteiramente devotado à política angevina, o equilíbrio desfez-se; Carlos, Filipe de Courtenay e Veneza, com o apoio de Roma, voltaram a fazer uma aliança contra o “pretenso imperador dos gregos”. O Imperador Andrônico II, quando sucedeu a seu pai, tirou a conclusão que impunha: exilou Beccos e os partidários da união, ao mesmo tempo que financiava a revolta anti-francesa que culminaria com as vésperas sicilianas. Perante o islã vencedor, o escândalo do cisma continuava.( Daniel Rops, A Igreja das catedrais e das cruzadas, pág. 532-533, São Paulo, 2014, quadrante)


Um acontecimento capital acabava de abater-se pesadamente sobre a cristandade: destino: o Cisma de 1054. O lento desentendimento que se insinuara no decorrer dos séculos entre as duas metades da Igreja tinha múltiplas causas: evolução diferente dos ritos e práticas, mais fixos e uniformes no Oriente, mais variados no Ocidente; desacordos teológicos cuja importância os dois campos aumentavam a seu bel-prazer, tal como o que havia provocado a introdução da expressão Filioque no Credo por parte dos ocidentais; má vontade do patriarca de Constantinopla em reconhecer o primado da sé de Roma, sobretudo a partir do momento em se tornara o único que contava no Oriente, pois os territórios dos outros patriarcas tinham sido ocupados pelo lslã ( Jerusalém e Alexandria) ou vinham sendo fortemente atacados por ele de (Antioquia); e, finalmente, desprezo não dissimulado dos bizantinos, astutos e letrados, pelos bárbaros do Ocidente.


A ruptura foi provocada pela ambição de um homem: Miguel Cerulário patriarca de Constantinopla. lnteligente até o excesso, de uma sutileza que sabia mascarar uma firmeza de aço, esse homem que, na sua juventude, desejara calçar as sandálias de púrpura do Basileu, uma vez Clérigo. Transferiu para o plano eclesiástico os sonhos da sua ambição: ser o chefe único de uma igreja livre de qualquer controle e na qual se incluíssem todas as dioceses do Oriente. Para atingir esse fim, não teve o menor escrúpulo em lançar mão de todos os meios: habilidades suspeitas, perfídias e violências. Insistindo no que aparentemente separava os cristãos, chamando heresias as mínimas diferenças de expressão, qualificando como escandalosos costumes tão inocentes como o de cortar a barba, trabalhou habilmente para introduzir a cizânia entre as duas partes da Cristandade. O erro dos ocidentais, e principalmente do papa Leão IX, foi não se aperceberem de que o patriarca desejava a ruptura e de que toda a manifestação inoportuna de autoridade o favorecia. Enviando como ligados a Bizâncio dois rudes lorenos, desconhecedores das sutilezas bizantinas o cardeal Humberto, o célebre reformador, e Frederico de Lorena, futuro papa “gregoriano” –, Roma precipitou os acontecimentos. A astúcia e a cautela opuseram-se à falta de moderação e de jeito, sob o olhar indiferente do imperador Constantino IX Monômaco, mais preocupado com a literatura e os encantos femininos do que com discussões teológicas. Quando, em 6 de julho de 1054, o cardeal Humberto, julgando dobrar Cerulário, depôs sobre o altar de Santa Sofia o texto de uma excomunhão, deu a vitória ao patriarca. Valendo-se da indignação provocada por esse gesto, o ambicioso pôde reunir todo ou quase todo o Oriente, desde o basileu ao último dos calafates, contra essa Roma Bárbara e herética que vinha insultar na sua casa os príncipes da Santa Igreja bizantina. E, em 24 de julho, um sínodo oriental promulgou cânones que consagravam a ruptura.

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Essa ruptura foi fatal? De maneira nenhuma. Certamente, as diferenças entre os gregos e latinos eram profundas; as sensibilidades eram dessemelhantes. As atitudes, espiritual e moral no Ocidente, simbolista e escatológica no Oriente, não combinavam. No entanto, os vínculos estabelecidos ao longo dos séculos por trinta gerações uniam ainda as duas partes da Cristandade. No princípio do século XI, pudera-se até constatar uma tendência para a aproximação; o duplo perigo dos normandos e dos turcos, a frequência cada vez maior das peregrinações a Terra Santa, um melhor Conhecimento no Ocidente das origens orientais da espiritualidade, tudo isso contribuía para a unidade. Constantino IX só manifestava respeito e boas intenções para com o Papa de Roma. Por que, então, eclodiu o drama? É preciso reconhecer aqui um desses casos, mais frequentes do que se julga, em que a personalidade de um homem e as suas intenções são decisivas e podem obliterar os destinos durante séculos.



Perante um acontecimento que, na perspectiva do tempo, tem urna importância dramática, qual foi a reação dos contemporâneos? Aperceberam-se eles de que se tratava de um corte doloroso e desastroso que se introduzia no cristianismo? Se Miguel Cerulário tinha querido que fosse assim, a simples ideia do cisma perturbava muitas almas fiéis. Não podemos ler sem emoção a carta que o santo patriarca Pedro de Antioquia escreveu ao seu colega de Constantinopla: “Peço-te”, escreve ele, “suplico-te, adjuro-te, e em pensamento lanço-me aos teus joelhos sagrados, rogando-te que a tua divina Beatitude ceda a este golpe e se dobre ás circunstâncias. Tremo só de pensar que, querendo curar esta ferida, ela pode degenerar em coisa pior, no cisma, ou que, procurando erguer o que está abatido, se prepare uma queda ainda maior. Considera o que resultará evidentemente de tudo isto, quer dizer, desta imensa divergência, que acabará por separar da nossa santa Igreja essa sé magnânima e apostólica. A maldade passará a invadir a Vida e o mundo inteiro será subvertido. Se os dois reinos da terra estiverem mergulhados na intranquilidade, poo toda a parte haverá lágrimas abundantes; os nossos exércitos em parte alguma serão vitoriosos”.

Palavras admiráveis e proféticas! Mas não foi apenas Pedro de Antioquia quem se exprimiu desta forma; Jorge o Hagiorita declarava perante o imperador Constantino Ducas, em 1064, que a fé dos latinos não sofrera qualquer desvio e que o uso do pão fermentado no Oriente só se tornara necessário para provar a certos extraviados que o corpo do Senhor possuía alma e razão, respectivamente simbolizadas pelo fermento e pelo sal misturados a farinha. Joao ll, metropolita de Kiev, reconhecia que os erros de que os ocidentais eram acusados não feriam os dogmas. Teofilacto, arcebispo de Ácrida na Bulgária, no seu tratado sobre os erros dos latinos, dizia formalmente que esses “erros” não podiam justificar um cisma, criticava duramente a orgulhosa pretensão dos teólogos orientais e afirmava que, no fundo da questão, havia sobretudo rivalidades pessoais ou raciais.


Mas, ao lado dessas vozes serenas, quantas outras injustas e apaixonadas! O fosso do cisma foi aprofundado, como por prazer, pela maldade e pela estupidez. Houve, em Bizâncio, homens, teólogos, que, incapazes de compreender o Ocidente, ou não desejando compreendê-lo, continuaram o trabalho de Miguel Cerulário, acumulando calúnias e acusações sem fundamento. Basta consultar um dos inumeráveis tratados que apareceram então para medir a sua fraqueza e tantas vezes a sua abjeção. Os agravos articulados nessa espécie de libelo são em número de vinte e oito, nem um a menos! Os seis erros maiores, tirados da argumentação de Fócio, referem-se aos ázimos (pão fermentado ou não? Grave questão…), à processão do Espirito Santo, à Confirmação separada do Batismo, às infrações ao jejum da Quaresma e ao do sábado, e, por fim, ao celibato dos padres. Mas, a essas acusações fundamentais, os panfletários acrescentam atabalhoadamente outras, sempre sob o sopro da mesma indignação. Durante os ofícios, os padres latinos têm uma compostura pouco conveniente, levam a luxúria ao ponto de raspar a barba em vez de deixá-la crescer, e o celebrante chega ao altar com a cabeça coberta, o que é verdadeiramente escandaloso; além disso, os fiéis ousam benzer-se com cinco dedos, quando todos sabem que devem fazê-lo apenas com três; e, finalmente, os bispos do Ocidente, quando morrem, são expostos no caixão sem as mãos juntas… E é por bagatelas desse género que o Oriente passará a julgar Ocidente…

( Daniel Rops, A Igreja das catedrais e das cruzadas, pág. 532-533, São Paulo, 2014, quadrante)

 
 
 

1. A VERDADEIRA HISTÓRIA DAS CRUZADAS E DA JIHADE ISLÂMICA

2. SALADINO ERA UM HOMEM BONDOSO, BARBAROSA FOI CRUEL?

3. Vamos falar de uma das figuras das Cruzadas que é o Sultão Saladino, chefe militar responsável por reunificar boa parte do mundo Muçulmano e infligir grandes danos aos cruzados. Na nossa era, Saladino virou O protótipo do guerreiro muçulmano tolerante e magnânimo, prova histórica da nobreza do islamismo de sua superioridade ao perverso cristianismo ocidental colonialista. As cruzadas vistas pelos olhos árabes, Amin Maalouf retrato os cruzados como semi-selvagens dados a devorar a carne daqueles que eles assassinavam. Já Saladino, este era sempre afável com as visitas — fazia questão de que dividir sem a mesa com ele e atende a todos os pedidos. Não suportando deixar quem de entrar pela porta sair desapontado, Já viu aqueles que não se embaraçavam em tirar proveito dessa qualidade. Um dia, durante uma trégua com os Francos, o senhor de Antioquia aparecer na espera da mente na barraca de Saladino e pediu-lhe que devolver se um distrito que o Sultão havia tomado 4 anos antes. Ele concordou! Um Sultão muito bom mesmo. Se pedissem, ele era capaz de entregar a terra santa inteira!

4. Não deixa de ser verdade isto: fala de Uno Partiu para conquistar Jerusalém em 1187 porque o cruzado Reinaldo de Chântillon e seus comandados, como que inspirados pelo Profeta Maomé, andavam assaltando caravanas, só que caravanas muçulmanas. Os governantes cristãos de Jerusalém, sabendo de que as atividades de Reinaldo punham em risco a própria sobrevivência do reino, ordenarm-lhe parar. Ele não obstante persistiu; e Saladino, que vinha procurando um motivo para entrar em guerra com os cristãos achou nas incursões de Reinaldo.

5. Ensinado que Saladino ao retomar Jerusalém para os muçulmanos em outubro de 1187, tratou os cristãos com magnanimidade — em acentuado contraste à truculência 2 cruzados em 1099. Só tem um problema o Saladino real não tem nada a ver com essa imagem que hoje se ensina, como se fosse um Martin Luther King na versão arcaica, É verdade este protocolo do multiculturalismo. Quando suas hoste debelaram os cruzados em Hattin a 4 de julho de 1187, Ele ordenou a execução em massa dos oponentes cristãos. Segundo seu Conselheiro Imãs ed-Din, sala de irmã do decapitados em conformidade com O Corão 47:4: “quando, no campo de batalha enfrentar os que descreem golpeai-os no pescoço” 6. O Sultão preferia tê-los mortos a aprisionados. Acompanhava-o toda uma agremiação de eruditos e sufis, mais uma porção de devotos e ascetas, e cada qual lhe implorava Permissão Para Matar Um deles, sacando da espada e arregaçando a manga. Do seu divã, Saladino sorria; os incrédulos tomavam-se de negro e desespero”.

7. Além do mais, ao entrar Saladino com seus homens em Jerusalém, no final daquele ano, a sua magnanimidade era antes pragmatismo. A princípio de planejar executar todos os cristãos de Jerusalém. No entanto, quando o comandante Cristão Balião de Ibelin ameaçou em troca destruir a cidade e matar todos os muçulmanos da cidade antes que os inimigos conseguisse entrar, Saladino recuou no seu plano — o que não o impediu de, uma vez dentro da cidade, escravizar muitos dos cristãos que não podiam bancar sua saída.

8. Voltando a falar de Bill Clinton no seu discurso, deu a entender que o saque a Jerusalém em 1098 foi a causa primeira dos atentados do 11 de setembro. Já o saque muçulmano a Constantinopla em 1453 não faz parte de nenhum discurso moderno do Politicamente correto; não foi apontado por nenhum Presidente como a causa raiz de qualquer atentado terrorista contemporâneo; chega hoje a ser menos conhecidos que um outro saque a Constantinopla: aquele cometido por cruzados mau orientados em 1204.

9. Esta é uma ilustração bem estranha de duplicidade moral mostrada por tantos tipos politicamente corretos ao avaliarem os comportamentos de ocidentais e de não ocidentais. Quantos sejam os massacres e atrocidades perpetradas por não acidentais, não brancos e não cristãos, tantos lhes são perdoados, mas as malfeitorias praticados por cristãos ocidentais ou mesmo por os cristãos ocidentais deixam feridas abertas da memória coletiva do mundo. Os escândalos da prisão de Abu ghraib receberam horrorizado atenção do mundo inteiro em 2004 e 2005, inclusive de muita gente que fez Vista grossa a barbaridade mais graves de Saddam Hussein, de Osama Bin Laden e do Hamas. Nessas avaliações vemos claramente o fato de que o establishment Politicamente correto nega com veemência em todos os demais casos: o cristianismo ensina princípios Morais mais elevados que o Islã, e por isso espera-se mais não só dos cristãos praticantes, como ainda do esquecer desses altos princípios ao viver nas sociedades moldadas por eles.

10. AS CRUZADAS CONTRA OS JUDEUS É VERDADEIRA?

11. Sim, é verdade, infelizmente, os judeus foram alvo de cruzados em múltiplas ocasiões. Alguns grupos de cruzados que permitiram extraviar-se da missão que o Papa Urbano lhes designará. Instigados por pregadores anti-semitas, um contingente de homens que seguiram o leste em nome da primeira cruzada ator seu caminho para ir aterrorizar os judeus da Europa, e massacrou muitos. O Conde de Emicho de Leiningen e seus seguidores lançaram pela Renânia, capinando e matando judeus em cinco cidades: Espira, Vormáncia, Mogúncia, Tréveris e Colônia. Alguns Bispos tomaram providências contra a matança, é enfim, quando o Conde Emicho tentava estender o seu poder sobre a Hungria, ele e seus acólitos pereceram. Mas a situação já estava incontrolável, as notícias desses tormentos chegaram ao Oriente Médio e levaram muitos judeus a aliar-se com os muçulmanos para combater os cruzados quando este chegassem. 15 anos depois, outro grupo de passagem pela Renânia, a caminho da segunda cruzada, retomou o massacre de judeus.

12. Tudo isso foi indesculpável, e foi também um incalculável erro de juízo. Muito mais sensato da parte dos cruzados queria ver os judeus, seus pares de Dima, como naturais variados na resistência a jihad islâmica. Os muçulmanos tratavam os judeus e os cristãos mais ou menos da mesma maneira, mal. Elas de modo que nenhum dos dois grupos tenham jamais enxergar o outro como um parceiro dois pagamentos de impostos e da submissão ao Islã e um companheiro de luta contra as opressões dela. Mas estudar verdade continua e sentimento continua até hoje depois da Última Cruzada se passaram 800 então acredito que não é justo cobrar dos cruzados.

13. Mas enfim ter um fio dos maus-tratos aos judeus um atributo fundamental para as cruzadas como um todo? Segundo a documentação histórica, não. A convocação do Papa Urbano II a primeira cruzada não mencionou judeus, e os eclesiásticos revelaram-se os mais temíveis oponentes de Emicho. De fato, o próprio Papa Urbano II condenou os ataques do anti semita. São Bernardo de Claraval, um dos idealizadores da segunda cruzada, foi a renânia e em pessoa que teve a perseguição aos judeus. Declarou: perguntar a qualquer conhecedor das escrituras sagradas o que nos somos se previsto os judeus. Lá está escrito: não é pela destruição deles que eu oro. Papas e bispos fizeram reiterados atheros para que se parecem com os ataques.

14. O fato é que, mesmo após o saque a Jerusalém e o massacre antissemita, durante o período cruzado os judeus no Oriente Médio em geral preferi viver nas áreas controladas pelos francos, malgrado a inegável hostilidade dos cristãos da Europa para com eles. Sabiam bem até demais que o quinze reservava para Elis nas relações humanas ela ainda pior.

15. Em relação a questão dos massacres dos cruzados em Jerusalém, já foi mostrado que Saladino e suas tropas também foram conquistadores, mas o senso comum diz que eles eram mais acolhedores e mais bem acolhidos pelos habitantes das terras tomadas por eles; mostravam-se justos e magnânimos com as minorias religiosas daquelas regiões. esta imagem do Politicamente correto passa que que os cruzados em contraste eram sanguinários.

16. Isso já foi totalmente desmascarado, foi mostrado que é totalmente falso esse senso comum, Saladino só parou de massacrar os cristãos de Jerusalém por razões pragmáticas, e os conquistadores muçulmanos igualaram e superaram a crueldade dos cruzados em Jerusalém numerosas vezes. Não eram bem-vindos em parte alguma: encontravam resistência e atacavam com brutalidade extrema. Quando chegavam ao poder decretavam severas medidas repressivas contra as minorias religiosas.

17. O ocidente contra Saladino

18. Jerusalém conquistada, os cristãos reduzidos às margens da Síria, de Tiro, de Antioquia e de trípoli, o porto de São João d’Acre interditado aos barcos de peregrinos… Era um século de esforços inutilizados. E um grande grito de tristeza e de Cólera ecoou Por toda a cristandade.

19. O primeiro que soltou O Grito em Altos brados foi o Marquês italiano Conrado de Montferrat, que, chegando por acaso a São João d’Acre no no momento em que saudade não acabava de tomar a cidade, surpreendido por não ter sido avisado pelo som dos Sinos, reconheceu de repente a bandeira do Islã tremulando no Alto das Torres. Refugiando-se em Tiro, inflamou os corações dos cristãos, preparou imediatamente uma contra-ofensiva e mandou mensageiros com pedido de que os cristãos viessem salvar a pátria de Cristo. O golpe desfechado pelo desastre atingiram em cheio o coração. Urbano terceiro soube da notícia em 18 de outubro, e morreu dois dias depois. O seu sucessor Gregório VIII, lançou um apelo veemente, mas morreu no dia 17 de dezembro, Clemente III assumiu a tarefa de pôr em marcha a nova cruzada, O que fez de modo admirável. Instituiu-se um imposto de 10%, o dízimo Saladino, sobre todos os rendimentos, incluídos os dois bens eclesiásticos, para financiar o empreendimento. E os maiores soberanos foram convidados pessoalmente alistar-se como cruzados.

20. Esse jejuaram então Frederico barba roxa, Felipe Augusto e Henrique II da Inglaterra, a quem pouco depois sucedeu o seu filho Ricardo. Os três responderam afirmativamente, mas por razões não exclusivamente religiosas. Como os reis da França e da Inglaterra levantavam contra a sua política autoritária muitos senhores feudais, Frederico barba roxa apressando a participar da cruzada, fazia figura de chefe da nobreza, o que estava bem na linha do seu grande desígnio. Quanto aos outros dois Reis, decidiram partir, de boa ou má vontade, para evitar que a aliança carolíngia entre o papa e o Imperador agrupar-se Contra Eles todas as forças do feudalismo. Três Coroas eram muito, ela demais.

21. Esta terceira cruzada — 1189 — foi a mais bem organizada De todas. Os três homens que a comandavam eram verdadeiros chefes de guerra. A mobilização dos corpos Expedicionários operou-se com métodos; os itinerários estratégicos foram estudados com antecedência. Os alemães, em particular, empregaram em preparar a Expedição todo senso de organização que caracteriza a sua raça. O Oriente — não apenas Saladino, mas todo o Império Bizantino — tremeu ante a ideia de vir aparecer essas enormes colunas blindadas. O Império Bizantino, depois dos 5 anos de dramas que havia cessado após a morte de Maniel Commeno, acaba de cair nas mãos de Isaac, o Anjo. Aparentemente, as suas relações com Frederico barba roxa eram boas, mas, no fundo desconfiava do homem que tinha casado o seu filho com a herdeira da sicília. Entendeu-se com Saladino não para expulsar os latinos de Constantinopla, em outras palavras Bizâncio caiu pela sua arrogância e pela sua traição, se os cristãos do ocidente e do oriente estivessem Unidos, jamais Saladino conseguiria sucesso, mas com um Traidor no Oriente essa união foi impossível, os Bizantinos abriram as portas aos muezzins que dificultaram o avanço dos cruzados. Em troca Os turcos prometiam-lhes bastante vagamente restituir os lugares Santos. Promessa que não foi cumprida pelos mulçumanos, Como já havíamos informado anteriormente, várias igrejas em Bizâncio foram transformadas em mesquitas Inclusive Hágia Sofia. Este maquiavelismo, foi imediatamente descoberto, e por pouco não desencadeou uma catástrofe: Frederico lançou contra bizâncio os sérvios e os valáquios, que se apoderaram de várias cidades gregas, e, quando soube que o basileu acabaram de lançar na prisão os seus embaixadores, falou em Tomar Constantinopla. Isaac cedeu, prometeu-lhe tudo quanto quis e entregou-lhe reféns.

22. A Cruzada

23. O avanço de barba roxa pelas terras da Ásia menor foi fulminante. Uma primavera de vitórias pareceu coroar de flores o invencível Imperador. Konyeh, a capital seljúcida, caiu em 5 dias. O Tauro foi atravessado sem obstáculos. Sala de irmã do abadejo Controlar as Praças que se preparava para abandonar. E escreveu: “outrora a Síria e o Egito pertenceram ao Islã, diz o cronista Ibn-al-Athi, porque o Alan se dignou mostrar a sua Clemência aos seus fiéis fazendo crescer o rei dos alemães”. Porque estupidamente no dia 10 de junho de 1190, quando se banhava nas águas geladas do Selef, o antigo Cidno, Frederico sofreu uma congestão e morreu afogado. Os seus homens recusaram-se durante muito tempo a admitir esse miserável fim; dizia-se que ele não morrerá, que estava escondido em uma caverna do Tauro, sentado diante de uma mesa, talvez a do Graal, que esperava o momento oportuno para empunhar de novo a espada e salvar o santo sepulcro, e que a sua bela barba leva três vezes a volta ao Planalto de pedra…. A realidade era menos poética. Morto Frederico, o seu exército desmembrou-se e alguns elementos juntaram-se em São João d’Acre a outros corpos Expedicionários.

24. Felipe Augusto e Ricardo — que ganharia no Oriente o merecido codinome de Coração de Leão — tinham, por sua vez preparado a sua cruzada. Tinham sido amigos, pois Filipe apoiara Ricardo contra seu pai Henrique II. Mas o jovem príncipe, uma vez Rei, mostrou-se tão Rude defensor dos interesses Ingleses como o seu predecessor, é a ruptura pintura do noivado com Alice de França acabou por indispô-lo contra o capeto. Foi portanto, como rivais e como Aliados que os dois Reis entraram em campanha. Reunidos em Julho de 1190 em Vézelay, os dois exércitos prepararam-se; depois voltaram a encontrar-se na sicília, onde passaram todo o inverno envolvidos em Intrigas confusas. Na primavera, deixando que Filipe atacasse sozinho São João d’Acre, Ricardo foi acertar umas contas pessoais com os bizantinos, tomando-lhes a ilha de Chipre com ajuda do Rei de Jerusalém, Guy de Lusignam, que Saladino tinha libertado. Só depois é que se ocupou da terra santa.

25. O cerco de São João d’ Acre arrastou-se durante meses. Os cristãos não eram suficientemente numerosos para se apoderarem da praça, nem mesmo para paralisar o seu e Abastecimento. Saladino, por sua vez, não se sentir com a vereadora para vencer aquela massa de Guerreiros de Aço. O Campo tornou-se uma feira, onde Mercadores e banqueiros negociavam, ao mesmo tempo que se multiplicavam as diversões, aqui os muçulmanos não assistir no intervalo entre dois combates. Por fim, em 12 de julho, Filipe e Ricardo, depois de terem estabelecido uma trégua relação às querelas, tomaram uma praça de assalto. A seguir, o Rei da França declarou que, tendo cumprido a sua promessa, regressava.

26. Ricardo Coração de Leão ficou, portanto, cortes modernos para conduzir a guerra à sua maneira, epicamente. Político medíocre, caráter exaltado, era, no combate, um verdadeiro super homem, com golpes de Audácia que fizeram dele um herói lendário. Nada mais incoerente do que o seu comportamento: tanto mangaba degolar barbaramente 3.000 cativos sarracenos, como se aproximava de Saladino e se tornava seu amigo. Entre os cristãos, uns admiravam-no, ao passo que outros o odiavam por causa da sua arrogância. Passavam pela cabeça ideias estranhas como agir sagrar Cavaleiro o irmão de Saladino, convidá-lo a receber o batismo, oferecer-lhe a mão da irmã e a coroa de Jerusalém. As suas Brilhantes Vitórias foram inúteis, mas as suas relações com o curdo eram tão cordiais que conseguiu dele um tratado que garantia a todos os cristãos livre acesso aos lugares Santos. Depois disso, partiu. O seu regresso foi assinalado por uma infeliz Aventura. Caiu em poder do duque Leopoldo da Áustria, a quem ofendera não havia muito tempo, e foi entregue ao Imperador Henrique VI que, contrariando o direito o manteve cativo durante 30 meses.

27. Assim, A Cruzada mais bem organizada De todas terminou, não foi um fiasco, mas com um fracasso em meio termo, pois como já vimos os europeus não eram colonizadores, ganhavam as batalhas, expulsavam os muçulmanos e logo em seguida retornavam aos seus países. Os francos voltaram a instalar-se ao longo de toda a costa da Síria e da Palestina. Aliás, a morte de Saladino, em 1192, levantara a mais pesada hipoteca que pesava sobre a Terra Santa. Mas Jerusalém não foi libertada e Ricardo Coração de Leão, que não venceu essa batalha, não teve a coragem de lá ir rezar. Continuaria vivo o espírito da cruzada? Sim, sem dúvida. Apesar de tantas desilusões, , grandes cristãos ou ambiciosos, e às vezes as duas coisas juntas, que queriam reanimar a chama. Na própria Palestina, esse espírito encarnado sino corajoso e Fábio Henrique da champagne. No ocidente, o jovem Henrique VI eu tornava as pretensões paterna e sonhava em fazer da sicília a plataforma de um assalto contra o Islã e contra bizâncio. Mas a desconfiança entre Germano-sicilianos e franceses da Síria não permitiu efetivar essa vontade comum; a morte prematura do Imperador pôs ponto final a esse plano. O acidente teria ainda um chefe capaz de retomar essa imensa tarefa? A resposta da história foi Inocêncio III.

28. Bibliografia utilizada: Daniel Rops, A Igreja das catedrais e das cruzadas; A história dos cavaleiros templários e do templo, Charles G. Addison; manual politicamente incorreto do Islã e das cruzadas; Steve Runciman, The Great Church in captivity; A verdadeira história da Inquisição, Rino Cammilieri. 29.

 
 
 
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